A boa surpresa da inflação de janeiro

Índice é menor para o mês desde o lançamento do Plano Real, em 1994, e ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que era de 0,33%

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2018 | 03h09

A inflação de janeiro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 0,29%, causou surpresas. É a menor para o mês desde o lançamento do Plano Real, em 1994, e ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que era de 0,33%. Em 12 meses, a alta acumulada do IPCA ficou em 2,89%. É menor do que a inflação do ano passado, de 2,95%, que já havia ficado abaixo do limite inferior de tolerância da política de meta inflacionária – fixada em 4,5% para o ano passado e este –, o que exigiu uma explicação formal do Banco Central (BC), responsável pela execução dessa política, ao Ministério da Fazenda.

Dos nove grupos que compõem o IPCA, o que mais contribuiu para a baixa variação no mês passado foi habitação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse grupo registrou queda de 0,85%, impulsionada pelas contas de energia elétrica, que, em média, ficaram 4,73% mais baratas, por causa da substituição da bandeira tarifária vermelha que vigorou em dezembro pela bandeira verde. Isso resultou na suspensão do adicional de R$ 0,03 por quilowatt consumido.

O grupo alimentação e bebidas teve alta de 0,74%, por causa da aceleração da alta da alimentação em casa, o que puxou para cima o IPCA de janeiro. O grupo transportes, que teve a maior alta (1,10%) entre todos os que compõem o IPCA, foi pressionado especialmente pelos combustíveis (a gasolina subiu 2,44%). As tarifas de ônibus urbanos subiram em quatro das 13 regiões pesquisadas pelo IBGE. A alta média no País foi de 1,36%. Já as passagens aéreas recuaram 1,35% (em dezembro, a alta tinha sido de 22,3%).

Apesar da manutenção da bandeira verde nas contas de luz em fevereiro, pode haver alguma pressão de outros preços monitorados sobre o IPCA deste mês. Mas a pressão maior deve vir das mensalidades escolares. “Provavelmente (o grupo) educação vai pesar mais”, prevê o gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves. Mesmo assim, a alta nesse grupo pode ser menor do que a observada no ano passado, com o que o IPCA do mês não deverá sofrer alteração muito expressiva.

São dados que fortalecem as projeções dominantes no mercado para o ano, de uma inflação entre 3,7% e 3,8%, superior à de 2017, mas ainda abaixo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional.

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