A crise e o ajuste nas contas externas

A extraordinária melhora das contas externas verificada desde o ano passado persistiu em março, mês em que o déficit corrente foi baixíssimo (US$ 855 milhões), ao mesmo tempo que os investimentos diretos se mantiveram muito expressivos, mostrando que, no momento, não há maiores riscos cambiais para este governo ou para aquele que lhe suceder. Trata-se de fator importante para atrair investidores, em especial em infraestrutura, de que o País é carente e onde o capital de longo prazo é mais necessário.

O Estado de S.Paulo

24 Abril 2016 | 03h00

A recuperação cambial advém, em grande medida, da recessão, que reduz o déficit na conta turismo (de US$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre de 2015 para US$ 1,1 bilhão em igual período de 2016), limita a capacidade de importar e faz crescer o superávit comercial. Este superávit chegou a quase US$ 11 bilhões até 15/4 e é fator decisivo para a saúde do balanço de pagamentos.

Persistindo a economia em declínio, como se prevê, espera-se um superávit comercial da ordem de US$ 40 bilhões neste ano. O Banco Central (BC) acredita que as exportações dão sinais de melhora e que o aumento da produção destinada ao exterior já provoca algum impacto positivo na economia interna.

Os números cambiais superam as previsões dos especialistas, em especial no tocante aos investimentos diretos, de quase US$ 17 bilhões no primeiro trimestre e estimados pelo BC em US$ 60 bilhões no ano. Com os recursos continuará fácil o financiamento do déficit corrente estimado pelo BC em US$ 25 bilhões. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), esse déficit caiu a quase a metade em 12 meses (de 4,51% em março de 2015 para 2,39% no mês passado, a menor em seis anos). E o BC já prevê que a relação caia para 1,52% até dezembro.

A situação cambial trouxe duas vantagens para a política econômica. Primeiro, reduziu o risco Brasil medido pelos Credit Default Swaps (CDS), o que significa deixar mais barata a captação de recursos no exterior. Segundo, tornou essa captação menos importante: em março, por exemplo, a taxa de rolagem dos papéis brasileiros foi de apenas 27%, subindo a 71% até 18 de abril, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

A evolução das contas cambiais foi célere a ponto de alguns analistas admitirem que o déficit corrente será logo eliminado. Melhor será se, simultaneamente, for possível ao BC reduzir ao mínimo sua presença no mercado de câmbio.

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