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A devastação da Petrobrás

Com prejuízo de R$ 34,84 bilhões em 2015, a Petrobrás apresentou um resultado pior que o previsto pelos analistas e continuou expondo os danos acumulados em muitos anos de administração irresponsável e de pilhagem sem freio. As perdas foram atribuídas principalmente à redução do preço do petróleo, mas boa parte das baixas de ativos foi consequência dos muitos desmandos cometidos durante os governos petistas.

23 Março 2016 | 03h00

Os efeitos da corrupção já haviam aparecido nas contas de 2014, fechadas com prejuízo de R$ 21,59 bilhões. O balanço daquele ano foi o começo de uma faxina contábil prolongada em 2015. Essa limpeza é o aspecto mais positivo das últimas demonstrações financeiras. Ao revalorizar a transparência, a empresa caminha, segundo o presidente Aldemir Bendine, para o “resgate de sua credibilidade”.

Não será um resgate fácil. Na segunda-feira, dia da divulgação do novo balanço, foi aberta em Nova York a 29.ª ação individual contra a empresa. A nova ação acusa os ex-dirigentes da empresa José Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster de participar do esquema de corrupção. Além disso, menciona a inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os investigados na Operação Lava Jato. Ainda será preciso remover muito entulho dos anos de baderna.

Em 2015, a redução dos preços do petróleo – de uma média superior a US$ 76 por barril para cerca de US$ 43 – causou a maior parte dos prejuízos. Perdas foram também ocasionadas pelo câmbio, porque a alta do dólar afetou o valor em real das dívidas. A administração da empresa é incapaz de controlar diretamente fatores como esses.

Mas o ajuste de ativos, uma depreciação de R$ 49,75 bilhões, refletiu tanto a baixa do preço do petróleo quanto erros e desmandos cometidos na gestão da empresa, nos anos da pilhagem, quando ocorreram alguns dos maiores tropeços do governo petista. O aumento do risco Brasil e a perda do grau de investimento impuseram uma desvalorização de ativos maior do que teria sido em outras condições. O rebaixamento do crédito, além de encarecer o financiamento da empresa, eleva a taxa de desconto usada na reavaliação do patrimônio. A classificação de risco da Petrobrás tem refletido tanto a piora das condições da empresa quanto a redução da nota de crédito soberano pelas agências de avaliação.

As contas foram afetadas também por políticas impostas à empresa. Foram contabilizadas no último trimestre perdas de R$ 2,51 bilhões por inadimplência de recebíveis de subsidiárias da Eletrobrás. Estatais brasileiras são fontes de problemas para outras estatais. Além disso, foi preciso provisionar R$ 1,88 bilhão para custos com processos judiciais, contar perdas de R$ 670 milhões com paradas imprevistas e registrar despesas de R$ 352 milhões vinculadas à desativação da Refinaria de Okinawa, no Japão. A reavaliação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) resultou numa baixa de R$ 5,28 bilhões. Mais uma vez adiada, a operação completa do Comperj deverá ocorrer somente em 2023. Na reavaliação do Complexo Petroquímico de Suape foi registrada uma perda de R$ 782 milhões.

O endividamento continua superior ao programado, mas a empresa tem cerca de R$ 100 bilhões em caixa e isso deve reduzir, por alguns meses, a necessidade de novos empréstimos. Apesar das dificuldades, a geração de caixa em 2015 foi considerada satisfatória.

Os desmandos cometidos na era petista foram muito além da pilhagem investigada pela Operação Lava Jato. Envolveram investimentos mal planejados e mal executados, como o da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e custos aumentados inutilmente para execução de uma absurda política de conteúdo nacional.

A empresa continuará cortando investimentos e vendendo ativos para se reerguer. O PT, ruidoso defensor do estatismo, pode incluir entre suas façanhas a devastação da maior estatal brasileira, em outros tempos uma das maiores petroleiras do mundo.

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