A expansão do crédito em novembro exigiu restrições

Foram justificadas as decisões que as autoridades monetárias tomaram, em dezembro, por causa da expansão do crédito em novembro. Segundo os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), o crédito tinha crescido 2,0% no total e 2,2% no caso das pessoas físicas na véspera do mês de Natal, que traz forte aumento dos gastos.

, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2010 | 00h00

É interessante que o saldo das operações no mês de novembro cresceu principalmente nas de maior valor: 3,4% nas operações das pessoas físicas acima de R$ 50 mil. As operações com recursos direcionados mostraram um aumento menor do que em outubro (2,0% contra 2,5%), um recuo particularmente sensível no caso do BNDES (1,7% contra 2,7%), que parece refletir o relativo esgotamento dos recursos dessa instituição.

No que toca aos recursos livres, foi o contrário que se verificou, com um aumento de 2,0% contra 1,6% em outubro, o que recomendava amplamente as medidas que foram tomadas pelas autoridades monetárias.

Outros dados que justificaram as medidas do Banco Central: em novembro as concessões acumuladas de crédito, que haviam acusado um recuo no mês de outubro, deram um salto importante: 7,7% para as pessoas jurídicas (PJs); 6,0% para as pessoas físicas (PFs). Mas, apesar da pressão da demanda, registrou-se uma redução das taxas médias de juros: de 26,7% para 26,6% (ao ano) no caso das PJs, e de 40,4% para 39,1% para as PFs.

A questão principal é saber se as medidas tomadas no início de dezembro estarão surtindo os efeitos desejados. Os dados divulgados pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, referem-se aos nove primeiros dias do mês; o volume de crédito subiu 2,1%, mas o juro médio acusou uma ligeira redução, atingindo 34,7% (a.a). Na realidade, o crédito pessoal foi o mais afetado com uma taxa média de 43,2%, que reflete um aumento do spread, em consequência da elevação dos depósitos compulsórios dos bancos.

Numa economia em que o uso dos cartões de crédito se generalizou, é difícil avaliar os efeitos imediatos das restrições às operações bancárias. Sabemos que as famílias estão pouco sensíveis a um aumento da taxa de juros, e que neste período do ano vão utilizar ao máximo seus cartões de crédito. Os efeitos das medidas prudenciais vão aparecer quando as famílias tiverem de pagar suas dívidas.

Momento em que também poderá aparecer um aumento da inadimplência, adiado com o recebimento do 13º. Sem dúvida, era indispensável restringir o crédito, mas não é só essa medida que vai evitar a inflação.

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