A expansão dos planos da previdência aberta

Os fundos de previdência aberta receberam neste ano, até setembro, R$ 30,9 bilhões em aplicações, devendo alcançar R$ 45 bilhões até dezembro. É o que prevê a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O patrimônio desses fundos atingiu R$ 209,1 bilhões, 22,2% mais do que em setembro de 2009. O crescimento em 2010 ocorreu sobretudo no segundo semestre, quando os trabalhadores com planos individuais de previdência aproveitaram uma fase favorável de aumento da renda para fazer poupança.

, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2010 | 00h00

As aplicações em previdência privada, aberta ou fechada (fundos de pensão), têm incentivos fiscais, permitindo abater na declaração do Imposto de Renda até 12% do montante aplicado, o que propicia uma expressiva economia de tributos. Além disso, a tributação sobre a renda dos fundos de previdência é diferida, o que favorece a acumulação até o momento do recebimento dos benefícios.

O exemplo dos fundos de previdência mostra que o alongamento das aplicações financeiras é possível, se houver tratamento fiscal favorecido para quem aplica por anos ou décadas. O alongamento das aplicações ajudaria na política de redução de juros, enfatizada pela presidente eleita.

Somando o patrimônio das previdências privadas abertas e fechadas, os trabalhadores, diretamente ou por intermédio das empresas em que trabalham, reuniram ativos da ordem de R$ 700 bilhões para complementar a aposentadoria. Esse valor já corresponde a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e será fator de estabilidade econômica no futuro. A complementação da renda é muito conveniente, pois não se pode imaginar que a Previdência Social possa manter indefinidamente a política atual de recuperação do valor real dos benefícios.

Nos últimos oito anos, o patrimônio dos fundos de pensão cresceu três vezes e o dos fundos abertos, mais de seis vezes. Ainda assim, os ativos previdenciários são pequenos no Brasil, comparados aos de países desenvolvidos - na Holanda, superam os 130% e na Grã-Bretanha, 80% do PIB, com média de 75% do PIB nos países-membros da OCDE.

Os fundos de previdência foram estimulados nos últimos anos por juros reais elevados nas aplicações de renda fixa e valorização das ações, às quais destinam, diretamente, 17% do patrimônio e, indiretamente, cerca de 10%, por intermédio dos fundos de renda variável. Se houver queda de juros, os fundos tenderão a aplicar parcela maior do seu patrimônio em renda variável, obrigando os participantes a um acompanhamento mais atento da remuneração.

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