A internet é positiva?

No mundo contemporâneo, a internet ganha cada vez mais importância na vida das pessoas, tanto pela maior facilidade de acesso - os smartphones, por exemplo - quanto pelo contínuo incremento de novas funcionalidades. Mas sua influência é positiva ou negativa? Como as pessoas encaram os efeitos da internet no seu dia a dia? Um estudo do Pew Research Center - um dos principais institutos de pesquisa dos EUA -, envolvendo 32 países emergentes ou em desenvolvimento, buscou analisar a percepção das pessoas a respeito do impacto da internet nas suas vidas.

O Estado de S.Paulo

05 Abril 2015 | 02h07

A pesquisa revela que em relação à educação, relações pessoais e economia, a influência da internet é percebida como positiva. Quanto à política, as opiniões foram muito divididas, 36% consideram os efeitos positivos e 30% entendem que são negativos. Em relação à moralidade, em todos os países pesquisados se encontrou a mesma percepção majoritária - a internet teria um efeito negativo sobre a moral. De acordo com o estudo, quanto maior o grau de instrução ou mais intenso o uso da internet, o olhar sobre ela tende a ser mais positivo.

A diferença de percepção sobre os efeitos da internet na educação e na moralidade pode ser um indicador da distância entre os atuais conceitos de educação - vista prioritariamente como uma formação técnica - e de moralidade - encarada como formação do caráter. O Pew Research Center esclarece que, na pesquisa, não foi utilizada nenhuma definição de moralidade, ou seja, baseou-se naquilo que as pessoas entendiam a priori por moralidade.

Quando se comparam os resultados encontrados no Brasil com os porcentuais médios dos 32 países, constata-se que a opinião do brasileiro sobre a internet acompanha a dos outros países. No entanto, em todos os quesitos a avaliação brasileira sobre a internet tende a ser mais positiva do que a média geral da pesquisa.

O porcentual das pessoas que usam a internet varia muito nos países pesquisados. Em média, 44% a utilizam ao menos ocasionalmente. O maior porcentual foi encontrado no Chile (76%) e o menor, no Paquistão (8%). Entre os Brics, o Brasil ficou na terceira posição: 51% dos brasileiros acessam a internet ao menos ocasionalmente, abaixo da Rússia (73%) e China (63%), e acima da África do Sul (41%) e Índia (20%).

Um dado chamou a atenção dos pesquisadores. Em todos os países, foi observada a ocorrência de um fator que aumenta a probabilidade de acesso à internet, com independência de outros aspectos habitualmente importantes, como escolaridade, idade ou renda. É a capacidade, ainda que rudimentar, de compreender a língua inglesa. Por exemplo, mesmo na China, onde a maior parte dos sites liberados pelo governo está em chinês, saber a língua inglesa aumenta consideravelmente a probabilidade de acesso à internet.

A pesquisa revela que, na média geral, 86% utilizam a internet para se conectar com a família e os amigos, sendo essa a atividade mais comum. Em seguida, vem a busca por notícias políticas (54%), informações sobre saúde (46%) e serviços públicos (42%). Entre as atividades realizadas na internet listadas na pesquisa, assistir a aulas online foi a menos frequente, com 13%. No Brasil, esse índice ficou em 21%.

A internet, com suas múltiplas oportunidades, é um mundo cada vez mais amplo e mais rico. E é também um mundo cada vez mais povoado - a cada dia, mais pessoas têm a oportunidade de utilizá-la. Tal panorama é claramente positivo, ainda que não signifique ausência de desafios. A internet apenas reforça a importância de uma educação de qualidade, dada pela família, pela escola e pela sociedade. Por exemplo, o dado descoberto na pesquisa a respeito da língua inglesa como facilitador de acesso à internet pode ser aplicado à própria língua nativa. Quanto maior o domínio do idioma pátrio, maior será a capacidade de usufruir dos benefícios da internet. Ou seja, os novos mundos têm os mesmos desafios - para uma internet cada vez mais positiva, uma melhor educação. Para todos.

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