A produção da indústria diante da política cambial

A produção industrial em agosto apresentou, na margem, redução de 0,1% com ajuste sazonal. Para os oito primeiros meses do ano registrou-se aumento de 14,1% - e de 9,9% em relação ao mesmo mês de 2009.

, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Essas comparações ajudam a analisar a evolução da produção industrial, pois um recuo muito limitado da produção num mês não permite concluir que a indústria atravesse dificuldades ou esteja prevendo queda da demanda doméstica. A paralisação do refino de petróleo por razões técnicas teve um grande peso no resultado final, mas outros fatores também contribuíram.

Um fator altamente positivo e que, de per si, autoriza que se relativize uma queda episódica da produção é que a categoria que apresentou a melhor performance foi a de bens de capital, com crescimento de 1,4% na margem. Isso indica que a indústria continua investindo, ou seja, acredita num aumento da demanda. Nem mesmo uma moeda mais desvalorizada explica esse aumento, tratando-se de uma produção nacional que de modo geral reage somente quando sua capacidade de produção é muito inferior à demanda.

A evolução da taxa cambial teve efeito sobre a produção da categoria de bens intermediários, que tem o maior peso nas estatísticas da produção industrial. Com o estímulo à importação dado pelo real supervalorizado, as indústrias aumentaram suas importações de bens intermediários para reduzir os preços finais de produtos destinados ao comércio varejista. A produção nacional de bens intermediários recuou 1,5%, sendo preciso levar em conta que os derivados de petróleo tiveram sua produção afetada por outras razões.

Embora estejamos nos aproximando do final do ano, nota-se um recuo da produção de bens duráveis de 0,1%, e de não duráveis de 0,3%, cuja demanda está sendo atendida por um aumento das importações.

Essa situação reforça a necessidade de resolver o mais cedo possível o problema que o País enfrenta com uma taxa cambial excessivamente valorizada. É provável que, no momento, a origem do problema esteja na forte entrada de divisas vinculada ao aumento de capital da Petrobrás, o que poderia ser corrigido por medidas pontuais e provisórias. No entanto, há causas mais antigas, como a diferença de remuneração das aplicações no Brasil e no exterior, que está pedindo uma revisão mais profunda de nossa política, mesmo que isso se traduza por um aumento de preços, atualmente contidos pelo aumento das importações de bens.

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