A produção da Petrobrás

Depois de anos de recordes de produção, 2010 não foi bom para a Petrobrás nesse aspecto. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a produção da estatal no País, de janeiro a outubro deste ano, foi de 1,979 milhão de barris por dia, 0,34% a mais que no mesmo período de 2009. Mas, segundo as projeções correntes, a produção total de 2010 será de 2 milhões de barris/dia, abaixo da meta de 2,1 milhões. Esse fraco desempenho resulta basicamente de problemas em plataformas marítimas, em especial na P-33 e na P-35, cuja operação foi suspensa por causa de má conservação estrutural, por determinação da ANP. A produção nacional só terá crescimento mais expressivo em razão do aumento da extração de óleo pelas companhias privadas, em alguns casos em parceria com a estatal, que alcançou 136,6 mil barris de janeiro a outubro, o que corresponde a 6,8% do total extraído pela Petrobrás. A produção de 40 petroleiras privadas de diversas nacionalidades teve crescimento de 144% em comparação com o ano anterior.

, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2010 | 00h00

A performance da Petrobrás foi bem melhor na área de gás natural, na qual tem concentrado investimentos. Mas de forma geral a empresa se ressente de problemas que vêm afetando a sua eficiência. Têm sido bastante comuns as queixas quanto à segurança em plataformas de exploração de petróleo da estatal, partidas dos próprios trabalhadores. Além da P-33 e da P-35, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense reclamou há algum tempo de problemas em, pelo menos, quatro outras plataformas na Bacia de Campos. A ANP vem investigando denúncias de defeitos em equipamentos e de falta de proteção no trabalho, e tem tomado medidas, mas até agora a estatal não se manifestou, com a franqueza que seria de esperar, sobre seu sistema de manutenção e sobre a existência de planos de contingência para a eventualidade de falhas ou acidentes, o que é especialmente importante tendo em vista o início da exploração da camada do pré-sal em grandes profundidades.

É preciso saber quanto dos serviços de manutenção de plataformas foi entregue a empresas terceirizadas e se os técnicos e operários dessas estão realmente capacitados para a execução das tarefas de conservação de equipamentos, prevenção e correção de irregularidades. A terceirização é válida, mas tem limite. Ela pode ser contraindicada quando as condições de segurança estão comprometidas, seja pelo esgotamento do prazo de vida útil de plataformas, seja por defeitos estruturais ou simples desleixo. Nesses casos, impõe-se rigorosa revisão de todos os procedimentos, a fim de evitar acidentes. É preciso lembrar as lições deixadas pela catástrofe ocorrida no Golfo do México, com a explosão da plataforma Deepwater Horizon, um dos fatos marcantes de 2010.

Não se pode deixar de levar em conta o volume de petróleo que a Petrobrás deixou de extrair por causa da suspensão das duas plataformas. A P-33 por exemplo, tinha capacidade para produzir 60 mil barris/dia e vinha registrando 19 mil barris/dia. Ou seja, ainda que não ocorram acidentes, a falta de uma manutenção adequada tem custo nada desprezível.

O petróleo pode carrear mais divisas para o País. Depois de décadas, alcançamos não apenas a autossuficiência, mas já somos um exportador líquido de certa expressão, considerando a produção da Petrobrás e das companhias privadas. Dados da Secex indicam que, de janeiro a novembro deste ano, o País exportou petróleo bruto no valor de US$ 13,335 bilhões e importou US$ 9,321 bilhões - um saldo de US$ 4,014 bilhões. Isso ocorreu, sobretudo, graças ao aumento do preço do produto exportado, que era antes bem mais baixo que o do importado.

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que, em 2011, o Brasil deverá produzir 2,4 milhões de barris, firmando-se como exportador líquido de petróleo. Poderemos oferecer ao mercado internacional volumes mais significativos nos anos seguintes. Isto, é claro, se a Petrobrás não tiver mais problemas de manutenção que coloquem fora de ação plataformas marítimas.

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