Assine o Estadão
assine

Opinião

editorial estadão

A responsabilidade da oposição

Se tudo correr como anunciou o novo líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), o principal partido de oposição finalmente passará a adotar uma atitude mais responsável diante da grave crise que atinge o País. Já não era sem tempo. Opor-se ao governo não é o mesmo que sabotar medidas necessárias para ao menos minorar o desastre econômico causado pelo amadorismo da presidente Dilma Rousseff.

14 Fevereiro 2016 | 03h00

É evidente que a deterioração da economia tende a favorecer o discurso oposicionista, se este for consistente o bastante para apresentar alternativas sensatas ao País. É o que se espera da oposição. O problema é quando ela flerta com a leviandade e ajuda a piorar um quadro já suficientemente ruim. Trata-se da famigerada tática do “quanto pior, melhor”, que reduz o exercício da política a uma rinha de galos.

Mas, como dizem os políticos, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Do mesmo modo que acertará se apoiar o governo nos temas de maior relevância para ajudar o País a sair da crise, o PSDB também acertará se prosseguir na liderança do processo que pode levar ao impeachment da presidente Dilma, cuja irresponsabilidade delituosa, por ser a própria razão da crise, deve ser exemplarmente punida.

Assim, é preciso marcar bem as diferenças e deixar explícito de quem é a autoria das lambanças que sangram o País. Foi o que fez Imbassahy, ao dizer que os tucanos estão “dispostos a ajudar o governo nas propostas para recuperar a economia, que foi destruída pelo próprio PT, pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma, desde que sejam medidas concretas”. Imbassahy também esclareceu que os tucanos só apoiarão o governo nos temas mais impopulares se o PT parar de fazer “jogo de cena” e se empenhar para a aprovação dessas medidas. É uma exigência muito pertinente, porque hoje a principal oposição ao governo em temas cruciais, como o rombo da Previdência, reside no partido da presidente.

Dito isso, o novo líder tucano na Câmara enfatizou que a bancada do partido mudará de atitude em relação ao governo porque “a tragédia da economia, com o desemprego, não pode se transformar em luta política”. Mesmo que essa virada embuta um cálculo político – o PSDB quer tirar do governo o argumento segundo o qual a oposição também tem culpa pela crise –, ela corresponde à gravidade do momento vivido pelo País.

Esse momento demanda grandeza dos principais atores políticos. Da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, espera-se que tenha ao menos a dignidade de assumir seus erros grosseiros, caso ela ainda se importe com seu lugar na história. Isso não seria suficiente, é claro, para acabar com a crise, pois esta se pereniza graças à própria permanência de Dilma no cargo; no entanto, já serviria para desanuviar um pouco a atmosfera de beligerância criada pela soberba petista ao longo da última década e poderia, quem sabe, inspirar alguma forma de acordo de cavalheiros com a oposição para tentar interromper a derrocada da economia do País.

Já do PSDB se espera, em primeiro lugar, que honre seu programa e sua história. Que, como principal defensor da Lei de Responsabilidade Fiscal, jamais ajude o Congresso a aprofundar a inconsequência no trato do dinheiro público, prática que se julgava enterrada, mas que foi exumada pelo voluntarismo lulopetista e pelo fisiologismo do consórcio que hoje está no poder. Não podem mais se repetir situações como, por exemplo, o apoio tucano ao fim do fator previdenciário, fórmula criada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso para racionalizar o cálculo das aposentadorias. É o tipo da atitude que desmoraliza a oposição.

Ademais, espera-se que o PSDB supere ao menos momentaneamente as suas conhecidas divisões internas, neutralize as ambições desmedidas de seus principais líderes e consiga unificar seu discurso na direção das reais necessidades do País, pois os brasileiros anseiam por uma alternativa sólida para sair da barafunda em que o PT, Lula e Dilma os meteram.

publicidade