A retomada da economia é forte, segundo a FGV

O alívio financeiro das famílias decorrente da queda da inflação e do juro – e da expansão da renda real – deverá sustentar o consumo em 2018

O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 03h06

A recuperação da economia está em pleno curso, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é estimado em 0,8% neste ano e em 2,5% no ano que vem e o consumo das famílias realça “a percepção de melhoria de bem-estar”, mas, segundo o Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), os riscos não podem ser ignorados. Um deles é a certeza de que, como a economia está melhorando e o Brasil “defronta-se com uma excepcional janela de oportunidade para resolver os seus imensos desafios fiscais”, a sociedade e o Congresso não podem desprezar “as incertezas de longo prazo” nem o risco de que o cenário positivo de curto prazo torne a sociedade e a classe política “ainda menos sensível” à urgência das reformas, segundo os economistas Armando Castelar Pinheiro, Silvia Matos e Julio Mereb.

Ressalvado o alerta contido na abertura do boletim, o conjunto de análises é muito positivo. O alívio financeiro das famílias decorrente da queda da inflação e do juro – e da expansão da renda real – deverá sustentar o consumo em 2018.

Os índices de confiança de empresários e consumidores são promissores, destacando-se os bons indicadores da situação atual, e não só de expectativas futuras, segundo Viviane Seda Bittencourt.

Até o mercado de trabalho tem dados positivos, confirmando “o crescente dinamismo” dos indicadores de mão de obra ao longo de 2017. A inflação é tão reduzida (a marca de 2,46% em 12 meses, até agosto, foi a menor dos últimos 20 anos) que poderá deixar saudade, afirmam Salomão Quadros e André Braz.

Os indicadores do comércio exterior revelam crescimento forte das importações de bens de capital e recuperação dos investimentos. A situação do balanço de pagamentos é muito favorável, mas o País depende das exportações para a China. Necessita, ainda, que a economia global continue em alta.

E, para que seja possível continuar com a inflação baixa e sob controle, os governantes precisam promover “as reformas e os ajustes fiscais de que o País precisa, para termos chance de viver com juros reais mais civilizados no futuro”, notou José Júlio Senna.

A leitura do Boletim Macro Ibre afasta análises que estabelecem dúvidas sobre a retomada econômica, mas enfatiza que, sem reformas fiscais, em especial a da Previdência, o risco de um retrocesso é elevado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.