A sobrevivência das empresas

O contínuo crescimento do número de novas empresas registradas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) - mesmo num período em que, também de maneira contínua, vem se reduzindo o índice de desemprego - sugere que a decisão de iniciar uma atividade empresarial no Brasil é cada vez menos determinada pela necessidade de buscar uma fonte de renda para compensar a demissão e cada vez mais fruto de uma escolha racional.

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2012 | 03h07

Em tese, a abertura de uma empresa por opção, e não apenas por necessidade, tende a conduzir a uma gestão mais adequada do novo negócio, o que pode assegurar melhores resultados e maior longevidade, entre outras consequências positivas para o empreendedor e para o País.

No entanto, a morte precoce continua sendo uma grande ameaça para os novos empreendimentos. É o que mostra o estudo Demografia das Empresas, divulgado há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo com a abertura de grande número de postos de trabalho com carteira assinada nos últimos anos, é crescente a quantidade de novas empresas registradas no CNPJ. Em 2010, ano a que se refere o estudo do IBGE, foram abertas 999.123 empresas formais.

Esse número é 12,3% maior do que as 889.486 novas empresas inscritas no CNPJ em 2009. Como 736.428 empresas encerraram suas atividades em 2010, o total de empresas formais do País cresceu 262.695, alcançando 4,53 milhões de empreendimentos. Isso quer dizer que um quinto das empresas em operação no País tem até um ano de existência. Essa tem sido a média desde 2008.

O estudo mostra também que, dos novos empreendimentos, pouco mais da metade conseguirá manter suas operações depois de três anos, se for conservado o índice de sobrevivência média das empresas criadas em 2007. Dessas, 76,1% sobreviveram ao primeiro ano. No segundo ano, 61,3% continuavam em operação. Mas, após três anos de sua entrada no mercado, 48,2% haviam encerrado suas atividades (o índice de sobrevivência foi de 51,8%).

Das novas empresas inscritas no CNPJ em 2010, 78,6% eram operadas apenas pelo sócio ou pelos sócios, não tendo nenhum empregado registrado, e 19,7% tinham de 1 a 9 empregados. Ou seja, 98,3% dos novos empreendimentos eram de pequeno porte (apenas 1,7% tinha 10 ou mais empregados).

Há uma relação direta entre a taxa de sobrevivência e o porte das empresas. Quanto maiores, mais preparadas estão para superar os desafios administrativos, financeiros e de mercado, podendo alcançar melhores resultados e vida mais longa. Assim, enquanto o índice de sobrevivência das empresas sem empregado no terceiro ano de atividade alcança 45,3%, nas com até 9 empregados o índice sobe para 70,3% e, nas com mais de 10 assalariados, chega a 80,2%. "As empresas maiores, com maior capital imobilizado, tendem a permanecer mais tempo no mercado, pois os custos de saída costumam ser elevados", explica o IBGE.

Outros fatores, além dos custos do encerramento da empresa, afetam, talvez de maneira mais aguda, o desempenho das empresas de menor porte, levando mais da metade delas à morte no prazo de 36 meses. Não há, em geral, uma causa única para o fracasso de um empreendimento empresarial, mas uma combinação de fatores nem sempre detectados a tempo pelo empreendedor. Quando ele o faz, pode ser tarde demais.

São conhecidos os problemas estruturais da economia brasileira que afetam toda a atividade empresarial e aos quais os pequenos empreendimentos são mais vulneráveis, como a carga tributária excessiva, o alto custo e a escassez de financiamentos, que inibem o crescimento e o avanço tecnológico.

A estes se somam os decorrentes do preparo insuficiente do novo empreendedor. Desconhecimento do mercado, falta de informações sobre as especificidades do negócio, planejamento inadequado, desconhecimento de técnicas de administração, entre outros, dificultam a condução do negócio. A combinação desses e de outros fatores pode levar a resultados desastrosos.

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