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Alta fora da curva na demanda de energia

Não chega a ser animadora a informação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de que a carga que circulou pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), que mede a demanda de energia elétrica na saída das geradoras, aumentou 2% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado, alcançando 69.510 megawatts (MW). Isso poderia indicar uma certa reativação da economia, tanto mais considerando que houve uma elevação de 5,9% da demanda em relação a janeiro. A informação, porém, deve ser analisada com cuidado.

10 Março 2016 | 03h00

É um ponto fora da curva, pois a demanda de energia nos últimos 12 meses até fevereiro registra queda de 2,1%. É evidente, também, que um dado só pode ser considerado sinal de início de uma nova tendência se a ele se seguirem outros resultados na mesma direção nos próximos meses. Fica, portanto, a conferir.

Além disso, como nota o ONS, há circunstâncias específicas que explicam, em boa parte, a alta do consumo de energia elétrica em fevereiro deste ano. O mês foi marcado por ondas de forte calor, seguidas frequentemente de chuvas intensas, que beneficiaram os reservatórios das grandes hidrelétricas. A temperatura média foi mais alta do que em janeiro, levando ao uso maior de chuveiros elétricos e, especialmente, de aparelhos de ar-condicionado. Ocorre também que, em 2016, um ano bissexto, fevereiro teve 29 dias, com mais dias úteis, apesar do carnaval, do que o mesmo mês do ano anterior.

Esses fatores influenciaram o consumo principalmente na Região Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parte da população do País e a mais intensa atividade econômica. Já na Região Sul, a alta foi de apenas 1,1% na carga. No Nordeste, região que vinha sendo menos afetada pela crise e pelo reajuste das tarifas de eletricidade, houve queda de 1,4% no segundo mês deste ano, sempre em comparação com igual período de 2015.

Outra constatação importante é o grande crescimento do consumo na Região Norte, que chegou a 4,3%. Mas isso se explica pela interligação do sistema de Macapá (AP) à rede nacional, em outubro do ano passado. Desconsiderando esse fator, o consumo da região tem crescimento de apenas 1%.

O ONS também nota que o consumo das indústrias eletrointensivas da Região Norte vem se mantendo em patamar reduzido desde meados de 2014. É a confirmação, por outros dados, da persistente crise que afeta o setor manufatureiro.

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