Após recorde, boa perspectiva para o comércio exterior

Além de ser um recorde histórico, o superávit comercial de US$ 67 bilhões em 2017 foi obtido graças a um significativo aumento das exportações, não dependendo, portanto, apenas da fraqueza das importações decorrente da prolongada recessão econômica

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 03h12

Além de ser um recorde histórico, o superávit comercial de US$ 67 bilhões em 2017 foi obtido graças a um significativo aumento das exportações, não dependendo, portanto, apenas da fraqueza das importações decorrente da prolongada recessão econômica. Ainda que para 2018 esteja previsto um superávit menor, as perspectivas para o comércio exterior continuam sendo favoráveis. Além do saldo positivo estimado entre US$ 45 bilhões e US$ 55 bilhões, espera-se, o que é mais importante, um aumento firme da corrente de comércio (soma de exportações e importações), que é a melhor medida do grau de abertura de uma economia.

Resultado de exportações de US$ 217,7 bilhões e importações de US$ 150,7 bilhões, o superávit de 2017 superou as expectativas das consultorias econômicas e foi o ponto alto do balanço de pagamentos, reduzindo a proporções modestas o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos.

As exportações totais, segundo os economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), voltaram a crescer (+18,5%) após cinco anos seguidos de retração, “constituindo-se em um componente da melhora do quadro econômico”.

Beneficiadas pelo desempenho da economia global, avançaram muito em quantidade e preço as vendas de produtos básicos, como soja, carne bovina e milho. As exportações do agronegócio subiram 11%, alcançando US$ 95 bilhões, e as vendas de petróleo bruto aumentaram 66%. Também cresceram as exportações de semimanufaturados e manufaturados – como veículos de passeio e de carga, chassis, autopeças e pneumáticos.

Nas importações, cabe destacar o aumento das compras de bens de capital, um sinal de recuperação dos investimentos das empresas.

Para 2018, há consenso quanto à perspectiva de crescimento das importações, em decorrência da retomada econômica. A consequência será a nova alta da corrente de comércio, que passou de US$ 322,8 bilhões em 2016 para US$ 368,5 bilhões em 2017 (+15,1%), mas ainda é muito inferior à de anos anteriores.

O mais provável é que haja, em 2018, menos grãos a exportar depois das colheitas recordistas de 2017. É, pois, do vigor da economia internacional e de cotações satisfatórias de commodities, como o petróleo, que mais dependerá um novo crescimento das exportações.

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