Arrefece o ânimo dos empresários da construção

O melhor resumo do quadro atual talvez seja o de que os primeiros sinais de evolução vistos nos últimos meses sofreram abalo

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 03h04

Pesquisas divulgadas há dias pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) coincidiram na constatação de que o ritmo de atividade e as expectativas do setor de construção civil mostram altos e baixos. O melhor resumo do quadro atual talvez seja o de que os primeiros sinais de evolução vistos nos últimos meses sofreram abalo.

O Índice de Confiança da Construção (ICST) da FGV recuou de 76,5 para 74 pontos entre abril e maio, abaixo da média de 100 pontos que separa os lados positivo e negativo. Caíram tanto os indicadores de situação atual como de expectativa. A pesquisa, feita entre 2 e 24 de maio, engloba, em parte, o humor dos empresários após a eclosão da última crise política, mas a coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre, Ana Maria Castelo, evitou relacionar os dados do levantamento mensal com a crise.

“A pesquisa ainda não captou o aumento da incerteza no ambiente político, que pode postergar ainda mais a retomada dos investimentos”, disse ela, esclarecendo: “A avaliação dominante entre as empresas é que o quadro está melhor do que no ano passado, mas ainda não mostra dinamismo para uma possível recuperação”.

A Sondagem Indústria da Construção da CNI, concluída em 12 de maio e relativa a abril, também mostra queda da atividade e do emprego e baixo nível de utilização da capacidade operacional. O principal aspecto positivo é o de que “os indicadores de expectativas apontam para um cenário menos negativo que o observado em 2016”. O levantamento mostrou um índice de expectativa em 50,5 pontos, ligeiramente acima da média de 50 pontos que separa os campos negativo e positivo.

O indicador de emprego melhorou um pouco (de 47,5 pontos em março para 48,2 pontos em abril). Mas houve leve queda em compra de insumos e matérias-primas e em novos empreendimentos e serviços.

A retomada da atividade da construção não deve ser vista como fava contada. O setor opera no longo prazo e é marcado pelo alto risco para empresas pouco capitalizadas. A inflação de apenas 1,91% em 12 meses, até maio, do item materiais, equipamentos e serviços do Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC) revela demanda fraca.

É de prever que a recuperação do setor seja mais lenta do que se chegou a imaginar.

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