Aumento real de salários ajudou o consumo

Um balanço das negociações coletivas de 2017 mostrou que os acordos, em média, foram melhores para os trabalhadores do que os de 2016

O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2018 | 03h15

Um balanço das negociações coletivas de 2017 mostrou que os acordos, em média, foram melhores para os trabalhadores do que os de 2016. Na média, esses acordos propiciaram algum ganho real - ou seja, superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o que mostrou o boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP), com base em dados dos acordos coletivos e das convenções coletivas divulgados na página Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego.

Foram avaliados 35.659 acordos e convenções e em apenas 137 casos houve redução de jornada e de salários, número 65% inferior ao de 390 casos observados em 2016. O piso médio de salários cresceu 4% em 2017, quase o dobro do INPC de 2,1%. Índices de correção salarial inferiores à inflação só foram registrados em 10% dos acordos de 2017, depois de terem atingido 46,5% em 2016.

O coordenador do Salariômetro, Hélio Zylberstajn, considerou as negociações de 2017 muito positivas, levando em conta que foi um ano caracterizado pela "baixa atividade econômica e pelo alto desemprego". O resultado anual, segundo Zylberstajn, foi favorecido pelo recuo rápido da inflação: o INPC registrou sua menor marca histórica. Houve baixa dispersão: em 2017, os reajustes reais variavam no intervalo de 0 a 2,72%, contra -4,62% a +0,19% em 2016.

Reajustes reais mais elevados foram obtidos pelos trabalhadores de 14 setores, com destaque para reparação de eletroeletrônicos, artefatos de borracha, hospitais e serviços de saúde, confecções e vestuário e bancos e serviços financeiros. Os menores reajustes reais foram observados em 10 setores, entre os quais telecomunicações e tecnologia da informação, empresas jornalísticas, agronegócio da cana, despachantes e autoescolas, além de venda, compra, locação e administração de imóveis. Os reajustes reais medianos mais altos foram registrados no Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Roraima e São Paulo. Os mais baixos ocorreram na Paraíba, em Sergipe e no Acre.

O resultado dos acordos ajuda a explicar o aumento do consumo das famílias em 2017. Em 2018, com maior ritmo das atividades, o quadro continuará favorável ao incremento da renda do trabalho.

 

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