Brexit chega com contas externas bem ajustadas

Se o Brasil não tivesse avançando tanto na área cambial, poderia ficar em situação difícil com a turbulência provocada pelo plebiscito em que os ingleses decidiram sair da União Europeia – o Brexit. Por isso, nem as oscilações cambiais, nem o impacto sobre os juros internacionais, nem uma provável contenção ainda maior do fluxo de recursos externos para os países emergentes geram apreensão, notou o Banco Central (BC). Os números do BC sobre o balanço de pagamentos de maio dão respaldo à situação brasileira.

O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 03h00

Houve superávit no item mais importante – as transações correntes – de US$ 1,2 bilhão no mês, melhor resultado desde agosto de 2007. Ainda houve déficit corrente de US$ 5,9 bilhões neste ano e de US$ 29,5 bilhões nos últimos 12 meses, mas entre abril e maio o BC reviu para baixo a previsão de déficit anual (de US$ 25 bilhões para US$ 15 bilhões) e muitos analistas admitem que o déficit poderá chegar a zero em dezembro ou até 2017.

O maior suporte das contas externas é a recessão, que até agora gerou superávit da balança comercial de mais de US$ 20 bilhões e pode gerar US$ 50 bilhões no ano.

Sem um câmbio tão estimulante quanto o de 2015 e com a volatilidade dos mercados globais, é possível que o superávit caia no ano que vem, mas o País acumulou sobras, reduziu o custo Brasil, apesar do rebaixamento pelas agências de classificação de risco, e enfrenta a crise fiscal. Se for bem-sucedido, isso será favorável para o balanço de pagamentos.

Os números de maio revelam as boas tendências cambiais. Diminuíram as despesas com serviços, como aluguel de equipamentos, e com turismo, assim como com a remessa de lucros e dividendos para o exterior. Os investimentos diretos de US$ 6,1 bilhões em maio e quase US$ 30 bilhões no ano financiam com folga o déficit corrente. O BC estima que os investimentos chegarão a US$ 70 bilhões até dezembro. A dívida externa bruta caiu de US$ 352,8 bilhões em 2014 para US$ 334,7 bilhões em 2015 e para US$ 331,4 bilhões em maio. As reservas cambiais subiram US$ 2,8 bilhões no mês (até 23/6) e atingiram US$ 377,4 bilhões.

É preciso destacar, porém, que o País se tornou pouco importante no comércio internacional: a corrente de comércio (soma de exportações e importações) declina desde 2011, de US$ 482 bilhões para US$ 330 bilhões. O grande desafio do governo é recuperar o peso relativo no comércio global.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.