Caem serviços às famílias, puxando o setor para baixo

O mais importante dos setores contribuintes do Produto Interno Bruto (PIB) – o de serviços – recuou 1% entre julho e agosto; 2,4%, em relação a agosto do ano passado; e 4,5%, nos últimos 12 meses

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 03h06

O mais importante dos setores contribuintes do Produto Interno Bruto (PIB) – o de serviços – recuou 1% entre julho e agosto; 2,4%, em relação a agosto do ano passado; e 4,5%, nos últimos 12 meses, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada há dias. O indicador foi puxado para baixo pelo item Serviços Prestados às Famílias, que tinha apresentado boa recuperação no bimestre junho/julho, mas recuou 4,8% entre julho e agosto e 4,4% entre agosto de 2016 e agosto de 2017. Cabe identificar as razões disso, pois é justamente do consumo das famílias que mais depende a recuperação da atividade econômica dos últimos meses.

No conjunto, o comportamento do setor de serviços – que é dependente da evolução da indústria, do comércio e da administração pública – acompanhou as quedas verificadas na indústria e no comércio em igual período.

Mas os serviços de informação e comunicação, pela PMS, subiram 0,3% entre julho e agosto e, em 12 meses, caíram abaixo da média (-2,8%). E os serviços de transportes, serviços auxiliares e correios – que têm elevado peso no índice geral – avançaram 0,7% no mês, caindo 3% em 12 meses.

 

Também caíram bastante o item Outros Serviços, onde estão as atividades turísticas, e os serviços técnico-profissionais, mas o peso determinante da queda do índice geral veio das famílias e, em especial, dos serviços de alojamento e alimentação. Foi um período de relativa estabilidade dos preços da alimentação fora de casa e dos serviços de alojamento. Mas mais importante é que, tudo indica, as pessoas estão preferindo fazer refeições em casa, beneficiando-se da redução de preços da maioria de itens verificada no primeiro semestre. E apertam os cintos antes de fazer mais despesas.

A PMS é um indicador relevante e de abrangência nacional, mas não inclui toda a gama de serviços prestados na economia. Exclui, por exemplo, serviços financeiros, que continuam crescendo. Outro indicador do PIB, aferido pela consultoria Serasa Experian, mostrou que houve leve aumento de 0,1% do setor de serviços entre julho e agosto, enquanto a indústria e a agropecuária registravam quedas.

O ritmo de retomada da economia é lento. A PMS confirma claramente esse fato.

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