Cartas - 19/08/2011

CORRUPÇÃO

, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

A bola da vez

Em menos de oito meses, a presidente Dilma Rousseff perdeu quatro ministros - três deles envolvidos em escândalos de corrupção e ligados, em especial, ao governo de seu antecessor. Wagner Rossi foi a bola da vez. Após inúmeras suspeitas de fraudes na Agricultura, não havia mais o que ser feito. Estranho seria se ele continuasse no cargo. As acusações não foram poucas - loteamento político, lobista influente e uso de jatinho emprestado para "carona" do ex-ministro são algumas delas. Em sua carta de demissão, Rossi finaliza dizendo "aos amigos tudo, menos a honra". Difícil falar em honra ou honestidade quando essas características (ou a falta delas) impulsionaram sua queda. Para nós, a população, o que resta é a indignação, o medo e a dúvida: quem será o próximo?

PAULO MARCELO REIS

paulomarcelomr@gmail.com

São Paulo

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Ministros & Cia.

A demissão paga salvo-conduto?

HELENA RODARTE C. VALENTE

helenacv@uol.com.br

Rio de Janeiro

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Filho de peixe peixinho é?

Nos idos de 1955-1960, fui um dos alunos dos professores João, Oswaldo e Antônio Rossi, sócios-diretores do tradicional Colégio Paes Leme, em São Paulo. Modernidade, rígida disciplina e corpo docente escolhido a dedo marcaram época. Guardo de lá as melhores recordações da minha vida estudantil. João Rossi foi o pai do ex-ministro Wagner Rossi, afilhado político do vice-presidente Michel Temer (ambos do PMDB). Foi para a pasta da Agricultura por nomeação de Lula da Silva em 2010 e confirmado no governo Dilma (PT). No entanto, "desinformados", os dois ainda não sabiam de nada... Pena que o ex-ministro se tenha envolvido em escândalos de corrupção política, publicados pela mídia, a ponto de obrigá-lo a deixar o cargo pela porta dos fundos. Filho de quem foi, curioso não ter levado como legado para a vida pública os ensinamentos exemplares recebidos de seus ancestrais, que certamente ainda norteiam os ex-alunos do notável e saudoso estabelecimento de ensino.

JOÃO BOSCO PETRONI

jbpetroni.adv@uol.com.br

São Paulo

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Traquinagens

Surpreende o grande número de casos de corrupção no governo Dilma. Enganou-se quem pensou que era impossível haver em tão pouco tempo mais traquinagens do que na era do antecessor. Primeiro foi Palocci, depois Alfredo Nascimento, seguido por Nelson Jobim e, agora, Wagner Rossi, além, é claro, dos outros companheiros com cargos menores. A pergunta, entretanto, é se tantas saídas em menos de oito meses de governo se devem a um aumento nos casos de corrupção ou - e espero que seja verdade - a um pulso mais forte da presidente Dilma. Prefiro acreditar que, ao contrário do barbudo, ela esteja se livrando dos "amigos de luta" deixados pelo padrinho político.

THIAGO C. ANDRADE

thiagocandrade@gmail.com

Recife

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Exceção à regra

Podem dizer que Nelson Jobim é vaidoso, que foi deselegante com Dilma e com suas colegas de governo e outras tantas coisas. Mas não que tenha saído do ministério por corrupção, como os outros ministros demitidos por Dilma. Ponto positivo para Jobim, que saiu do governo, como exceção à regra, sem fama de ladrão.

RONALDO GOMES FERRAZ

ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

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Faxina

Gostaria de cumprimentar a presidente Dilma Rousseff pela faxina que fez com três de seus ministros, possivelmente envolvidos com corrupção. Agora só faltam os outros 33 ministérios.

LEÃO MACHADO NETO

lneto@uol.com.br

São Paulo

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Chumbinho

O que está havendo nos ministérios não é uma faxina, e sim uma desratização. Isso vai longe.

MARCO ANTONIO SOARES

marco_antonio_so@uol.com.br

São José dos Campos

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Novo foco

Com a saída de Wagner Rossi da Agricultura (a faxina nos escalões inferiores deve continuar), os olhares se voltam agora, com mais intensidade, para o Ministério do Turismo. A Nação está cansada de tanta corrupção!

ALVARO SALVI

alvarosalvi@hotmail.com

Santo André

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Novo ministério

Sra. Luíza Helena Trajano, caia fora enquanto é tempo!

ROBERT HALLER

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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Contrapeso

Dona Luiza, não entre nessa, não. A ideia nem é de dona Dilma, mas de algum dos seus assediadores, que aparecem com ideais mirabolantes tentando desviar a atenção do povo e da mídia das falcatruas no governo, apresentando um nome de peso para contrapor ao prato da balança da desonestidade. Siga fazendo o que a senhora faz de melhor: inovar, investir, gerar empregos, renda e recolher impostos. É a melhor forma de o empresário contribuir para a Nação.

MANOEL BRAGA

manoelbraga@mecpar.com

Matão

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Convite para não ser aceito

Prezada sra. Luiza Trajano, esse, com certeza, é um convite que não deve ser aceito. Sei que não tenho nada com isso, mas... A senhora é empreendedora, não política. Políticos não são empreendedores, são políticos, apenas isso.

JOSÉ PIACSEK NETO

bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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PETROBRÁS

Estatal ou privada?

Foi espantoso ouvir de seu presidente que as decisões da empresa são políticas e o mesmo ocorre nos demais países que exploram petróleo. Pode até ser verdade, mas lá são outros políticos. Aqui, infelizmente, as decisões políticas visam só interesses pessoais e/ou de grupos, não da Nação ou dos acionistas, incluídos os que aplicaram o seu FGTS na empresa. Afinal, a Petrobrás é uma empresa estatal ou privada? Será que a Vale seguirá o mesmo destino?

FÁBIO DUARTE DE ARAÚJO

fabionyube@visualbyte.com.br

São Paulo

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"Com a bandalheira deixada por Lula, Dilma (coitada!) vai precisar de pelo menos três mandatos para dedetizar a Esplanada dos Ministérios e outros terrenos baldios"

LUIZ BARRICHELO / PIRACICABA, SOBRE A CORRUPÇÃO NO GOVERNO

legbarri@uol.com.br

"Novo nome da gatunagem é complô. Ah, ah, ah!"

CECILIA CENTURION / SÃO PAULO, SOBRE AS ALEGAÇÕES DE ROSSI

ceciliacenturion@globo.com

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TEMA DO DIA

Mendes Ribeiro vai assumir Agricultura

Presidente teria acolhido indicação do PMDB. Escolha de Mendes reabre vaga de líder no Congresso

"Por essa troca desenfreada de membros do governo, verifica-se que Dilma não se preparou para ser presidente."

MIGUEL DINIZ

"Mulher de fibra e eficaz, Dilma está se tornando uma grande estadista, respeitada por seus opositores."

FLAVIO ANDRADE

"A lei deveria exigir pelo menos dez anos de experiência na área para assumir o cargo."

PETER BIONDI

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Cartas enviadas ao fórum dos leitores, selecionadas para o estadão.com.br

MINISTÉRIO EM QUEDA

O ministro Wagner Rossi pediu demissão por não suportar tantas irregularidades em sua pasta. Isso em nada surpreende o povo brasileiro, que já acostumou com estes percalços, aliás, no governo Dilma a coisa tem piorado. Acredito, tudo tem que ver com o sistema de governabilidade imposto, no primeiro momento, por FHC e melhorado por Lula, entregando ministérios a políticos, e não a profissionais. Deu no que deu e, com certeza, não deve parar nunca. Basta-nos saber qual será o próximo.

Marcos Antonio Scucuglia sasocram@ig.com.br

Santo André

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CAFÉ FRIO

Da maneira como a coisa anda, o café em Brasília está ficando frio. Não há a quem servi-lo.

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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O PRÓXIMO

Mais um ministro cai no governo Dilma. No curto período em que a presidente Dilma Rousseff esteve à frente do Poder Executivo, quatro de seus ministros já saíram do cargo, seja por supostos desvios, ou calúnias, os ministros de sua curta gestão vão caindo, denegrindo a imagem da presidente. Tudo isso demonstra uma instabilidade no governo e ressalta a incapacidade da presidente quando o assunto é escolher bons ministros. Esperamos que Mendes Ribeiro seja competente para estar à frente do cargo. E esperemos, pois é uma questão de tempo para descobrirmos quem será o novo ministro a cair no governo Dilma.

Vinícius Bernardes Mondin Guidio vguidio@ig.com.br

São Paulo

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LÁ SE VAI MAIS UM

Mais dois ou três e, aí, restará o sonho de conseguir pegar Ali Babá.

Carlos Delphim Nogueira da Gama Neto carlosgama@conjeituras.com.br

Santos

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A DIFÍCIL TAREFA DE ENFRENTAR A CORRUPÇÃO

A presidenta Dilma Rousseff está descobrindo a dificuldade de qualquer cidadão em posição de autoridade ou não, de se posicionar contra a cultura da corrupção. Ao decidir enfrentar essa que é denominada a maior praga do século, ela descobre que quando não se deixa os aliados fazerem o que querem, no caso se locupletar à custa do erário, eles fazem beicinho e não brincam mais. Pelo menos até o momento em que se anuncie uma nova liberação de verbas de emendas parlamentares. Ou uma nova leva de nomeações de cargos. Há muitos anos que os brasileiros já sabem que o sinônimo de base aliada no Brasil é licença para desvio generalizado de recursos para os políticos e partidos que a compõe, o que é feito com a partilha da máquina pública. Mas existe um código: Pode roubar, mas não pode ser pego. Aqueles que são pegos são considerados amadores e idiotas e são abandonados à própria sorte. Ter experiência política na maioria das vezes significa fazer as malandragens sem deixar rastro. Aqueles que conseguem fazer isso são promovidos no partido e ganham projeção, ou seja, espaço político e bem estar. A Presidenta Dilma Rousseff quer, aparentemente, acabar com essa conexão automática, de que ao fazer parte da base aliada, há uma licença para os mau feitos. Mas infelizmente ela está descobrindo o quão difícil é essa tarefa. O nosso sistema político está podre, e uma grande maioria de pessoas milita nos partidos e na política para defender interesses próprios. Membros de organizações sociais, cidadãos, e autoridades que decidem tomar ação contra a corrupção sabem o que isso significa. Invariavelmente enfrentam ameaças, inimizades de familiares e partidários dos corruptos, prejuízos nos seus negócios, preconceitos nas empresas e organizações nas quais trabalham, pois as empresas de forma geral não querem se meter com o combate à corrupção, e represálias diversas dos bandidos. Alguns lutadores contra a corrupção são simplesmente assassinados, como é o caso da juíza Patricia Acioly de São Gonçalo, e o vereador Evaldo Nalin de Analandia. È por isso que o combate à corrupção não é uma tarefa tão simples. É por isso que a presidenta Dilma Rousseff merece apoio da sociedade quando ela toma medidas contra a corrupção. Questões partidárias, ideológicas, preferências pessoais devem ser deixadas de lado nesse momento. A luta contra a corrupção deve ser elevada a objetivo maior da sociedade, pois não existe câncer mais agressivo para corroer o tecido social do que a corrupção. E a questão da corrupção está presente em todos os segmentos da sociedade, no executivo, legislativo, judiciário, e no setor privado. É uma questão cultural. O Congresso não vota medidas que ajudariam o combate à corrupção porque isso vai contra os interesses da maioria que lá milita. É o caso do fim do foro privilegiado, da aplicação da Lei de Improbidade Administrativa a todos agentes públicos, a criminalização do enriquecimento ilícito e a criminalização de pessoas jurídicas.

Josmar Verillo jverillo@amarribo.org.br

Ribeirão Bonito

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PR ''INDEPENDENTE''

Com a "independência" da bancada do PR tivemos a prova cabal de que este partido tem tudo menos um partido com Princípios Republicanos. PR deve ser partido do reembolso de gastos, partido do reajuste contratual, partido da recompensa...

Roberto Saraiva Romera robertosaraivabr@gmail.com

São Bernardo do Campo

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A SAÍDA DO PR PODE SER SALUTAR

O abandono dos integrantes do PR da base aliada pode representar o avanço de uma governabilidade calcada num pacto social com os segmentos que pretendem o bem do Brasil, não a satisfação egoísta e pedestre dos próprios interesses. Tudo depende, a partir deste instante, da perspicácia e da habilidade, tanto do governo como de setores da oposição. Se esse acerto com vistas ao bem comum ocorrer, o Brasil, afinal, terá tomado de seu rumo no sentido da superação de seus problemas, que ainda são extremamente sérios, ao contrário da visão ufanista propagada nos últimos tempos.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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ATÉ O ÚLTIMO

229 dias de governo e quatro ministros afastados: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa) e, mais recentemente, Wagner Rossi (Agricultura). Pelo meio, a demissão de, pelo menos, 20 funcionários da administração e de Milton Ortolan (n.º 2 do Ministério da Agricultura), a despromoção do ministro Luiz Sérgio (da pasta das Relações Institucionais para as Pescas e Aquicultura) e a detenção de Frederico da Silva Costa, secretário do Turismo. Se dúvidas houvesse acerca da sua independência relativamente a Lula da Silva, Dilma Rousseff levou a cabo uma autêntica azia, afastando os homens fortes do seu antecessor. Antes, já dera provas da sua emancipação ao (i) evidenciar maior abertura do Brasil à parceria com os Estados Unidos e (ii) tender a afastar-se da questão nuclear iraniana, na qual Lula da Silva havia conseguido progressos assinaláveis. A estratégia da presidente brasileira não tem sido pacífica, sobretudo pelos cortes com o passado, motivando algumas intervenções duras do ex-chefe de Estado, ilustrativas da tensão entre ambos: apesar dos atuais índices de popularidade de Dilma Rousseff se manterem elevados, Lula da Silva já manifestou desconforto com as demissões de homens que lhe são próximos (i) contra-atacando-a com a "ameaça" de perda de apoio dos aliados, (ii) "pressionando-a" a apoiar Fernando Haddad (Ministro da Educação) para a Prefeitura de São Paulo - não só para não abrir uma nova frente de batalha entre os apoiantes de Lula da Silva, mas também como consequência pelo alegado envolvimento de Gilberto Kassab no caso Palocci - e (iii) anunciando um périplo pelo país sob o desígnio de promoção das causas sociais que poderá significar o regresso do ex-chefe de Estado a uma corrida presidencial em detrimento de Dilma Rousseff. Empenhada em deixar marca durante o seu mandato (2011-2014), a presidente Dilma Rousseff poderá representar a célebre obra de Agatha Christie, And Then There Were None, correndo o risco de terminar (?) o mandato isolada, sem uma base de apoio suficientemente sólida ao ponto de fazer esquecer Lula da Silva e recandidatar-se a Chefe de Estado, em 2014. A Presidente encontra-se assim num impasse: por um lado, as suas possibilidades poderão ser reduzidas caso Lula da Silva entenda que Rousseff constitui uma solução a curto prazo para viabilizar o seu acesso à repetição de mais oito anos no Planalto. Nesta hipótese, interessará a Rousseff manter o máximo de apoios possível se tiver aspirações à reeleição ou a algum outro cargo de prestígio com o beneplácito de Lula da Silva. Por outro lado, Dilma Rousseff tem ainda mais três anos de mandato pela frente - dois até à apresentação das candidaturas -, pelo que o afastamento de elementos envolvidos em escândalos de corrupção (ou outros moralmente censurados) poderá ter como significado o aumento da sua popularidade e a consolidação de uma imagem imaculada perante o eleitorado, algo que poderá gerar mais convulsão no seio do Governo que lidera, se este se mantiver nos moldes atuais. Perante tal quadro de possibilidades, fica uma sugestão à presidente Dilma Rousseff: se for para limpar os órgãos de poder político de todo o tipo de dependência de terceiros e influências negativas, faça a azia ontem: amanhã pode muito bem ser tarde demais para garantir a estabilidade governativa necessária para realizar um mandato em favor do povo que mais tarde lhe poderá garantir a reeleição. Tenho dito: a melhor maneira de se fazer política a pensar na reeleição é fazê-la em benefício do povo.

Alejandro Neto andreaserenni@hotmail.com

Lisboa (Portugal)

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ÉTICA OU NECESSIDADE

Dilma está tentando, com sucesso, passar à sociedade a ideia de que o combate à corrupção, se não for por questão ética, tem de acontecer por necessidade. Não deixa de ser louvável se chegou a esta conclusão, embora não haja quem ignore ter sido ela a gerenta escolhida por Lula para gerir essa máquina remodelada para sugar dinheiro do contribuinte. Agora, empenhada no desmonte dessa engrenagem, acaba expondo ao povo a exata dimensão da sujeirada que herdou e de quebra, passa a mensagem de que nada podia fazer já que não tinha a caneta mágica do poder em sua mão. Mas hoje tem e pode punir, exemplarmente, se quiser, os autores da lambança. Bom seria se essa limpeza fosse pautada por princípios, como um governante exemplar e não por mera conveniência política. O povo aplaudiu Lula porque gostou de progredir e tolerou até seus malfeitos, mas isso não significa que aceite ser roubado quando a prosperidade diminui e sua renda também. Esperemos então que Dona Dilma aprenda a decodificar a mensagem da opinião pública e que faça valer a faxina que começou até quando necessário e que use seu mandato para mostrar aos brasileiros que conviver com a impunidade não é uma sina, mas tem sido um histórico que precisa ser mudado para que o País venha a ter um desenvolvimento, de fato, verdadeiro.

Eliana França Leme efleme@terra.com.br

São Paulo

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A FAXINA E O PMDB

Uma faxina não pode ser feita pela metade. Ou se faz uma faxina completa total e irrestrita, ou não se limpa coisa nenhuma. Não existe meia faxina. Com uma faxina mal feita, o lixo restante, prolifera, aumenta, apodrece e impregna o ambiente todo com o seu mau cheiro. Dona Dilma não se deixe influenciar pela imundície incrustada, prossiga com a faxina, os brasileiros ainda nutrem a esperança de que um dia possamos ter prazer em respirar o ar que sopra de Brasília.

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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INDICAÇÕES POR Q.I.

O cappo do PMDB, Michel Temer (para mim parece mordomo de filme de terror), indicou Mendes Ribeiro para ocupar o cargo de ministro da Agricultura. É engenheiro agrônomo? Além do Q.I. (quem indicou), qual seu currículo e conhecimentos sobre agricultura, cargo importantíssimo, pois parte expressiva das exportações do País são produtos agrícolas? Espero que seja Ribeiro, mesmo, e não mais um roubeiro.

Mário A. Dente dente28@gmail.com

São Paulo

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O QUE ESPERAR?

Se Mendes Ribeiro, o novo ministro da Agricultura, declarou que Wagner Rossi fez um trabalho extraordinário na condução da pasta, e como todo novo ocupante de cargo sempre se esmera para superar o seu antecessor, podemos esperar pelo acontecimento de enormes e extraordinárias falcatruas no ministério.

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

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TEMER INDICA MENDES RIBEIRO

Tranqueira é o que não falta no PMDB

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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PARA INGLÊS VER

A revista inglesa The Economist pergunta se sobrará alguém neste governo brasileiro. Sim, sobrarão todos os políticos envolvidos na corrupção, que aos poucos ressuscitaram, com a ajuda de todos os Poderes da Nação. Os mensaleiros não estão "numa boa" por aí? O Supremo Tribunal que o diga! A única coisa que não vai sobrar é dinheiro no cofre, que, aliás, foi assaltado ontem em R$ 1 bilhão para as emendas da "base". Aliás, se os gringos da revista não sabiam: aqui tudo é para inglês ver!

Mara Fonseca Chiarelli mara.chiarelli@ig.com.br

Mogi Guaçu

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HERANÇA MALDITA

A presidente Dilma, por direito ficou com o cargo de Dom Lula I o Ali Babá brasileiro e com grande parte da equipe que o acompanhava. Está reclamando do quê? Sabia muito bem quais eram as regras... Dos quarenta restam quantos?

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco

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CPI AMPLA, GERAL E IRRESTRITA

As humilhações de nossos heróis da esquerda perseguidos e cruelmente feridos pelo regime militar no Brasil até parece que sumiu da memória dos atuais grupos políticos de esquerda no poder. Acredito que essa turma minoritária trocou os ideais de lutas por um país sem corrupção e mazelas sociais, pelos aconchegos e mordomias do poder, do dinheiro fácil das maracutaias e propinas eleitorais. Olha, pelos momentos difíceis e cruéis por que passaram toda uma geração de brasileiros na luta pela redemocratização e garantias de liberdades, quando sofreram exílios, torturas, humilhações, privações de familiares e greves, digo que essa parte da história destes nossos homens e mulheres corajosos e destemidos aos poucos está sendo apagada e engolida pelas atuais mazelas sociais e péssimos exemplos, agora na qualidade de governante do Brasil. Estamos assistindo vergonhosamente uma guerra de gato e rato. Estamos vendo debates entre quem roubou menos. Quem cometeu menos erros. São discursos tentando justificar o injustificado. Não existe meio bandido. Não existe meio pecado. Não existe meio certo. Somos sim, desculpe o exagero de patriotismo, uma nação rica, bela e com o povo mais criativo. A nossa capacidade de geração de impostos, serviços, manufaturados, produção agrícola, infraestruturas, organizações institucionais são as mais bem qualificadas e potencializadas do planeta. Então fica algumas perguntas sem respostas é claro. Por que tantas mazelas ainda? Por que ainda não alcançamos a plenitude social? Por que as leis não são cumpridas em benefício de todos? Por que os corruptos e corruptores nunca vão para a cadeia? Por quê? O Congresso Nacional e o Executivo Federal estão mergulhados no maior dilema da história da República do Brasil. Como corrigir erros morais sem cortar cabeças, privilégios e impor punições aos aliados? Como? Já que todos fazem parte de uma mesma classe política, porém, com discursos diferentes, momentos alternados governando e com a mesma ideologia e visão. Poder! Não acredito que nessa altura das mazelas sociais, morais e ideológicas fazer uma CPI irá resolver ou consertar uma "Nação" cujos líderes nasceram de momentos difíceis, e sem qualquer preparo ético para governar, compor grupos de coalizão e ou impor critérios para nomear os seus ministros e subordinados. A grande verdade é que ouve momentos, de acertos sociais, de ganhos sociais e infelizmente de perdas inaceitáveis de comportamentos éticos, principalmente de pessoas que literalmente deram sangue para estar onde estão. Em minha opinião os meios não justificam os fins, como querem se defender alguns membros dessa nojenta engenharia política de poder da esquerda ou da chamada base pela governabilidade do Brasil. Já ultrapassou o momento de críticas, CPI e até de dar nomes aos caciques e chefes das maracutaias. Não vislumbro grupos capazes de apontar o dedo para acusar, sem ter em seus meios pessoas manchadas pelos privilégios do erário. Assim como nas "Diretas Já" e "impeachment do Collor", só o povo nas ruas e praças da democracia poderia limpar a velha república. Mas quem assumiria o comando? Quem entre vós não tiver pecado, envolvimento, denuncia, inquérito, grupo político com o rabo preso, que atire a primeira pedra para esse alicerce da nova república ética?

Quem?

A solução existe. Consertar literalmente as gerações futuras. Investir nas crianças de hoje em escolas, professores e conteúdo social democrático voltado pelas ideologias do Brasil. Nunca esquecendo os momentos covardes da ditadura e esses episódios antiéticos da velha e atual república. Não temos outro caminho a não ser acreditar no futuro do Brasil, assim como pregávamos na época da ditadura militar. "Que um dia surgiria uma nova geração de brasileiros para melhorar o país". Mas esqueceram de colocar as lideranças daquela época nas escolas e com a disciplina de moral e cívica. Desculpe-me os atuais líderes populistas, mas as ruas e só a vida sindical não garantiu virtudes éticas e de grupo o suficiente para deixar como exemplo. A fórmula para o Brasil é caminhar em frente, colocar as "Instituições Soberanas" nos seus devidos lugares, acabar com as nomeações por conveniências partidárias, aprimorar cada vez mais o nosso judiciário, restabelecendo as composições nas "Supremas Cortes" com membros de carreira da magistratura e méritos dos anos de julgamentos e bons serviços das instâncias menores, e fazer rápido a reformar partidária para corrigir ou minimizar as atuais "tempestades democráticas". Depois é apostar firme na educação e no Brasil de amanhã. Por fim, fazer cumprir na prática um sistema de livre informação dos atos públicos para os meios de comunicação, garantindo o livre exercício do jornalismo, sem ameaças, sem perseguições econômicas contra as empresas que atuam os profissionais. Sim, garantir ao povo o pleno conhecimento dos fatos e atos dos governantes através dessa exemplar imprensa brasileira. Ela nunca deixou o contribuinte e o povo. Até nos momentos mais cruéis da ditadura e agora, nessa mistura de governo fascista, policial e dissimulado, nunca a imprensa abriu mão de estar ao lado da verdade. Doa, a quem doer.

João Cipriano Nascimento Filho ciprianoserra@yahoo.com.br

Brasília

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ESTADO DE DIREITO AVACALHADO

A fila continua andando e, desta vez, foi o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Os brasileiros nos dias atuais vivem sob um governo que a cada dia nos surpreende com um novo tipo de fraude, de corrupção na administração do país como um todo. Em reportagem do Estadão de l7/8, uma megaoperação da Polícia Federal se desenvolve em mais da metade dos Estados brasileiros. Os corruptores não temem as leis, algemas, pulseiras ou grades. Na verdade, estamos vivendo num Estado de Direito avacalhado. Crianças são punidas com o abandono, entregues a uma desenfreada escalada às drogas; os idosos são humilhados, quando a presidente promete para 2012 ganhos acima da inflação para quem ganha acima do salário mínimo, e retrocede no seu acordo. É mais fácil punir os idosos do que os larápios dos cofres públicos. Como o governo gosta de adotar ''''slogans'''', ofereço um que deve ser meditado: ''''Remember março de 1964. Nessa época achavam que o redil estava dominado, que aceitava o que lhe impunham. Ledo engano. E deu no que deu. ''''A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência e dada pelo homens que o cercam. (Nicolau Maquiavel, O Príncipe).

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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MILHÕES

Cada um esquenta dinheiro como pode... o Palocci esquentou R$ 20 milhões em quase 40 dias dando consultorias, o Lulla esquenta dinheiro com palestras (has condition?) em grandes empresas que estão retribuindo os favores ( financiamentos, inclusive do BNDES). E viva o Brasil...

Carlos Roberto Gomes Fernandes crgfernandes@uol.com.br

Ourinhos

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OPERAÇÃO ALQUIMIA

Nossa gloriosa Polícia Federal prendeu mais uma quadrilha de bandidos. Desta vez a quadrilha, composta por dezenas de bandidos, surrupiaram em fraudes fiscais nada menos do que R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Creio que seja esse um dos motivos que a "presidenta" Dilma Rousseff vetou o aumento para aposentados que recebem acima do salário mínimo. A única coisa que gostaria de saber é por quantos dias ficarão presos e, se por ventura forem fotografados na cadeia, o ministro da Justiça dirá novamente que a divulgação das fotos vai ferir a Constituição!

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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PLANALTO EM FESTA

Parabéns a Polícia Federal! Numa mega ação, competentes membros desta corporação prenderam dezenas de sonegadores (desvio de R$ 1 bilhão). E ainda confiscaram uma ilha na Bahia do empresário Paulo Cavalcanti, além de carros e iates de luxo, barras de ouro, armas sofisticadas, etc. etc. Mas o que eu gostaria de saber neste momento, quando que a justiça vai prender e confiscar bens dos mensaleiros e outros camaradas e aliados corruptos, que são muitos, e bem protegido pelo Palácio do Planalto. Já que tanto o Lula, como agora a Dilma não se sensibiliza que o nosso erário é dilapidado diariamente por seus comandados! Incluindo os do PMDB...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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A ILHA

Embora tenha sido uma ficção, o seriado A Ilha da Fantasia nos deleitava, e era para nós um devaneio, um sonho. Hoje, infelizmente, temos outra ilha totalmente oposta, a ilha real da ladroagem, cercada de corruptos por todos os lados, e com benfeitorias, mansões, lanchas, jatos, carros de luxo e outros bens caríssimos, enumerados pelo Estadão em sua reportagem de ontem (B1), construídos com dinheiro público. É uma ilha em Salvador, transformada por sonegadores em mais uma organização desonesta, que também concorre para fraudar o Fisco, juntamente com outras empresas (300, no total), laranjas, que sonegaram pelo menos R$ 1 bilhão em impostos. Essa ilha precisa de um tsunami para, com sua caterva, desaparecer e ser tragada pelas águas redentoras do oceano que banha as costas do nosso explorado Brasil.

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

Assis

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BILHÕES

Pela vida inteira li dos roubos, das propinas, da vergonha inenarrável dos poderosos brasileiros. Mas hoje a roubalheira é tanta que não vem mais em reais, ou milhões... vem em bilhões! Até quando? O ladrão de galinha tem que devolver "o fruto do roubo"... (não é essa a expressão?). Os milhões e bilhões não voltam por quê? A minha indignação é maior porque ninguém responde a essa pergunta! Ninguém! Quem responde por este país? Quem?

Jacy Lori Ártico Mattédi jacymattedi@globo.com

São Paulo

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APOSENTADOS TÊM UMA ARMA PODEROSA

De nada adianta esbravejar quando nos atacam na parte fraca: nosso bolso. Ficamos fazendo pouco barulho para nada. Tudo sempre fica como eles querem. Nossa arma é o voto, claro! Se não temos mais como ir às ruas, nem tanto pela condição física, mas pela falta de respeito, poderíamos usar nosso voto. Foi pela internet que os cidadãos fizeram tremer regimes "sólidos" com ditadores eternos. Podemos começar dentro de nossas famílias: que eles ajudem quem não tem contato com a internet; vamos acionar com pouco barulho, mas com muito foco. Ou os jovens acreditam que quando chegar a vez deles o paraíso estará instalado neste país? Nosso voto é extremamente importante. Os que têm mais de 70 anos podem sim decidir uma eleição. Somos um país que está envelhecendo rapidamente e os institutos estão aí para comprovar isso. A geração baby-boomers não pode se acomodar. Já mudamos o mundo uma vez, podemos mudar nossa condição agora. E isso ficará para nossas gerações futuras.

Elizabeth Budney bethybudney@hotmail.com

São Paulo

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VETO

A presidente, provavelmente assessorada pelos monetaristas, vetou o dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias que destinava aos 6 milhões e 500 mil pensionistas e aposentados que recebem acima de um salário mínimo um reajuste em 2012 acima da inflação que o IBGE encontrou para este ano. A lei prevê aumento do piso de acordo com a soma do PIB de 2010 (7,5%) com o índice do custo de vida em 2011. No momento na escala de 6,5. Tudo indica que seu reajuste em Janeiro atingirá 14%. Não fixar acréscimo igual para todos constitui injustiça. Isso porque os que ganham acima do mínimo contribuíram durante toda a vida mais do que estão na base. Pagaram mais e vão receber proporcionalmente menos? Não faz sentido.

Francisco Pedro do Coutto pedrocoutto7@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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UNE E APOSENTADOS

Com alegria tomei conhecimento por esse conceituado jornal que a União Nacional dos Estudantes (UNE) está prestes a fazer uma manifestação para o aumento de verbas para educação. Gostaria de sugerir que incluíssem na manifestação a solicitação da derrubada do veto da presidente com referência ao aumento dos aposentados, lembrando que com essa atitude com certeza estarão protegendo muitos pais e avós que ajudam com sacrifício muitos dos que estão ainda estudando.

Alvarez Aguiar alvarez.atib@hotmail.com

São Paulo

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APOSENTADORIA INVIÁVEL

A nova proposta de aposentadoria que praticamente inviabiliza ao brasileiro de gozar dito direito, face ao tempo de serviço necessário - quase meio século, para gozar tal direito e por isso é assustadoramente emblemática. Enquanto os políticos se aposentam com oito anos de atividade, o trabalhador brasileiro somente se for muito longevo poderá exercer tal benefício. Compete a nós opinião pública pressionar os congressistas para que não cometam tão tresloucada postura e a melhor forma de assim agirmos é listar os que concordam com tal barbárie e aposentá-los da vida pública, nas próximas eleições.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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ISRAEL COMBATE O TERRORISMO

Enquanto milícias terroristas atacam alvos civis em Israel, as forças de defesa do Estado democrático de Israel reagem, atingindo alvos terroristas que se escondem atrás de civis. Essa é a grande diferença que poucos divulgam.

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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MELHORAR O DESEMPENHO FISCAL''

Como sempre, o artigo de Amir Khair (17/8, B2) é tão claro e convincente que chama a atenção a ausência da maioria dos prestigiados acadêmicos, economistas, expondo opiniões semelhantes, especialmente com relação às infaustos juros, mantidos artificialmente no mercado, com os inegáveis e graves prejuízos econômicos, financeiros e sociais resultantes, acumulados nas últimas décadas. Até menos estranho, que dos 81 senadores, apenas 10% aderiram à frente de apoio ao combate à corrupção, lembrando a qualificação concedida pelo ex-presidente Lula aos congressistas, quando sindicalista.

Pablo L.Mainzer plmainzer@hotmail.com

São Paulo

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CONTROLE DE GASTOS

O editorial Não basta cortar os juros (16/8, A3) denuncia o silêncio profundo de vários setores políticos, empresariais e sindicalistas no combate ao uso imprudente e criminoso do dinheiro público. A questão crucial retratada pela matéria não são os esforços que o governo esboça realizar para montar para 2012 um orçamento adequado à situação de crise internacional, com vistas à redução das taxas de juros no Brasil. O que se deflagra é o problema da administração fiscal do governo no que diz respeito à redução de gastos improdutivos. E que não são poucos! Verbas para o Turismo, mensalão, favorecimentos, concessões, etc. No Congresso, falta apoio parlamentar e são raros, de fato, os porta-vozes na defesa do uso prudente e cauteloso dos recursos públicos, principalmente quando o assunto em pauta é cortar o aumento de salários de setores privilegiados do governo e controlar o desperdício dos recursos públicos. Na verdade, tais medidas representam uma ameaça às verbas destinadas a interesses pessoais e eleitoreiros de muitos partidos, e uma ameaça à corrupção que temos vistos nos mais altos escalões aliados ao governo. É claro que se muitos dos vetos que a presidente Dilma Rousseff fez à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foram acertados - conforme a matéria ''Os vetos à LDO são quase todos justificados'' desta última quarta-feira (17/8, Economia), também é certo que muitos no Congresso ficaram chateados. Afinal, as medidas já sinalizam para um rigor maior e para medidas mais sérias em relação ao ''oba-oba'' e à gastança desenfreada do dinheiro público, num país cujos investimentos em setores básicos da sociedade (educação, saúde, saneamento, segurança, etc.) há tempos carecem de atenção e comprometimento político sério. Resta acompanhar se mais esta faxina que o governo parece prometer não é apenas de fachada!

Emanuel Angelo Nascimento emanuellangelo@yahoo.com.br

São Paulo

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O FARDO (E A SOLUÇÃO) DOS MUNICÍPIOS DEFICITÁRIOS

Desenha-se no horizonte nacional um "apertar de cintos" para enfrentar a nova crise econômica mundial. A Itália, acossada, vai eliminar 30 estados e 2 mil municípios deficitários e, com isso, se livrará de 5 mil cargos de lideranças locais e grande número de empregos a elas vinculados. Reservadas as diferenças, a exclusão de estados e municípios italianos fornece grande material de reflexão para o Brasil. Dezoito dos nossos 26 estados são deficitários, pois hoje recebem da União mais do que contribuem. São subsidiados por pelos oito superavitários, o principal deles, São Paulo. Esse procedimento é justificado pela necessidade de promover o desenvolvimento e a integração nacionais. Grande parte dos 5564 municípios não tem renda própria e vive dos repasses do federal FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) arrecadado pelo Estado. Os estados deficitários podem ter razões estratégicas para sua manutenção, mas os municípios não. Eles não têm dinheiro, mas são obrigados a pagar salários de prefeito, vice-prefeito, diretores, assessores e pelo menos 9 vereadores. Melhor seria que voltassem à condição de distrito e os recursos hoje pagos em salários dos agentes políticos e seus agregados fossem empregados em serviços à população. Urge a realização de uma ampla reforma político-administrativa-tributária. Para ser autônomo, o município deve possuir meios de vida própria e preencher parâmetros político-sociais que justifiquem a sua existência. Autonomia é, também, ter condições próprias de sobrevivência. Jamais poderão ser mantidos como simples currais eleitorais pagos com o suado imposto arrecadado daqueles que produzem e fazem a riqueza do país. Miremos o exemplo italiano...

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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DECLARAÇÕES

José Sérgio Gabrieli, presidente da Petrobrás, em entrevista cedida ao Estadão, diz que as "principais definições da Petrobrás têm interferência do governo" e que "toda decisão é política". Com essas declarações, além do senhor estar colocando sua "cabeça à prêmio", qual é a sua função na empresa?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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GASOLINA X ÁGUA

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrieli, tentou justificar o preço da gasolina no Brasil, declarando que na refinaria custa menos que um litro de água. Esse argumento, embora frágil e controverso, pode até ser válido se for considerado apenas o custo de produção. No entanto, devemos lembrar que a água é muito mais valiosa que o petróleo; o mundo sobreviveria sem a existência do petróleo, mas não sobreviveria sem água.

Percy Arantes Salviano percyas@uol.com.br

São Paulo

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DECISÕES POLÍTICAS

Grande revelação de Gabrieli... é lógico que todas as decisões na Petrobrás são políticas, desde os primórdios dos anos Lula no poder até hoje.

Leila E. Leitão

São Paulo

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ZARA E O TRABALHO ESCRAVO EM SÃO PAULO

São graves e sérias as denúncias de que inúmeros bolivianos estão sendo submetidos a trabalho escravo, em São Paulo, para fazerem roupas para as lojas Zara. Os bolivianos estariam sendo aliciados, enganados e obrigados a trabalhar nas oficinas de costura e confecções de roupas por mais de 14 horas diárias, recebendo apenas alimentação e nem sequer podem deixa o local de trabalho/cativeiro. O Brasil precisa combater e punir duramente o crime de submeter alguém á condição análoga a de escravo e a Zara deve explicações, além de responder civil e criminalmente pelas acusações de explorar e lucrar em cima desse tipo de mão de obra. Se forem comprovadas as acusações, o mínimo que os consumidores éticos e conscientes devem fazer é boicotar e não mais comprar nas lojas Zara.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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DETALHES

Como ex-dona de confecção de roupas posso dizer com certeza que, dado o tamanho da Zara, com lojas espalhadas por todo o Brasil, dificilmente os diretores e presidente teriam condições de saber detalhes das oficinas terceirizadas. Isso quem cuida é o chefe de produção, mas pelo valor pago às oficinas por peça torna-se totalmente impossível a uma oficina legal, pagante de impostos confeccionar por esse valor. Principalmente no Brasil, cuja tributação e encargos comem mais de 90% do lucro das empresas. Portanto era sim para que a diretoria pelo menos suspeitasse que algo estava muito errado. R$-7,00 por peça, essas oficinas clandestinas deveriam ter até "gato" para roubar energia elétrica. Como a Zara tem sua sede na Espanha onde tudo é pago em euros, devem ter-se deliciado com mão de obra tão barata, sem se interessar com a legalidade.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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CENSURA NA TV PAGA

O monstrengo que se tornou a lei das TVs por assinatura, depois que passou pela Câmara, faz com que volte a censura prévia no Brasil. Só isso.

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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INTELECTUAIS

Em recente entrevista, nas páginas amarelas de Veja, o escritor e psiquiatra inglês Anthony Daniels falou sobre o sistema prisional, o comportamento dos criminosos e o vício em drogas. E, ao explicar que o pensamento intelectual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como consequência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas, alfineta: "intelectuais são, em geral, pessoas muito desonestas. Eles não pensam em si mesmos como irresponsáveis, mas costumam atribuir essas características a outras pessoas com grande facilidade". Merece reflexão esse ponto de vista, talvez um pouco forte, mas dotado de certa verdade ainda mais quando se trata de temas como segurança pública, educação ou economia no Brasil.

Gabriel Fernandes gabbrieel@uol.com.br

Recife

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E AS VÍTIMAS?

Seria pedir demais que as centenas de milhares das vitimas anuais dos vários crimes cometidos neste país afora fossem ao menos lembradas quando os ''sábios'' do congresso nacional votam favoravelmente em projetos de leis que são na verdade boazinhas para o crime e para os criminosos mas frustrantes para as vitimas e quando a senhora Rousseff assina estas leis sem ao menos nenhuma relutância e antes, alinhada e apoiando com o que há de pior no direito penal brasileiro que é o assim chamado "direito penal mínimo e libertador" que trata ao criminoso com bondade extrema e esquece a dor das vitimas minimizando ao máximo a sentença (quando há!)? Quando será que finalmente as vitimas neste país voltarão a ser lembradas na criação das leis assim como a ciência da vitimologia voltará a ser parte preponderante na formulação de uma lei penal dura, duríssima, que devolva a nós a segurança de se viver em sociedade por conta da certeza (que hoje não temos) de que haverá uma extrema e dolorosa punição ao criminoso e que por efeito irá desestimular a outros crimes ?

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

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CONSULTOR DE SEGURANÇA PESSOAL

Enquanto usuário de ônibus no Rio de Janeiro, o carioca, cidadão e contribuinte, deverá, ao adentrar no veículo, conferir a identificação do motorista e do cobrador, para certificar-se de que o ônibus já não foi sequestrado na saída da garagem da concessionária de transporte coletivo urbano, comprar a passagem fiado, para não precisar portar dinheiro, não viajar em pé para não expor uma área maior do seu corpo a uma bala perdida e não apear se perceber a presença de elementos suspeitos no seu ponto final. Muitas vezes poderá ser mais conveniente dormir num ônibus recolhido à garagem, do que ser assaltado a caminho de casa. Mas, se no dia seguinte, o mesmo for sequestrado logo na saída da garagem...

Sergio S. de oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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SEQUESTRO NO RIO

Engana-me que eu gosto. Agora foi o ex-técnico Zagallo vítima de assalto. Não se tem mais segurança no Rio. Não sabemos por qual rua transitar. Não podemos ficar até mais tarde na rua, ou num restaurante, ou assistir a uma última sessão de cinema, enfim, a insegurança voltou, em qualquer horário. Basta ver os últimos acontecimentos. Nem onde instalaram UPP''s a tranquilidade e segurança existem. E o governador Sérgio Cabral tapando o sol com a peneira. Pois é, terão de aturá-lo ainda por mais 3 anos.

Panayotis Poulis ppoulis@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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ZAGALLO

Soube-se que ao ser assaltado esta semana no Rio, Zagallo argumentou com o bandido dizendo que ele estava prejudicando a imagem do Rio no exterior e logo teremos a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, ao que o bandido lhe respondeu: Vocês vão ter de me engolir!

Luiz Henrique Penchiari luiz_penchiari@hotmail.com

Vinhedo

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JUSTIÇA FALIDA

Li atentamente os jornais, e estarrecida fiquei, diante do ato de covardia e violência perpetrada contra a juíza Patricia Accioli, barbaramente assassinada pelos seus algozes, que diante da Justiça que ela vinha impondo aos traficantes, bandidos, marginais & Cia, resolveram "apagá-la", como se fala na gíria do submundo do crime. Aí, lemos várias declarações de representantes da OAB, Ajufe, Amaerj, Apamagis ANPR, Anamages, todos consternados, fazendo declarações e dizendo bla-blá-blás, diante da comoção que o caso repercutiu em toda a sociedade. E, intimidados que estão diante do crime organizado, ficam acuados, porque sabemos que passados alguns dias e meses, nada farão, é só blá-blá-blás mesmo. E o ministro da Justiça, será que nós temos um? Deveria em primeiro lugar exigir dos órgãos competentes uma "verdadeira caçada" contra quem perpetrou e executou esse crime que tirou a vida da juíza Aciolli, e encarcerá-los seria muito pouco, eles merecem o andar de baixo. Vimos e comprovamos que em nosso país, a Justiça está falida, só alguns conseguem desfrutar dela, já que ganham altos salários e com todas as mordomias pagas pelo contribuinte, e não querem e nem colaboram para que este status quo se modifique. E a grande maioria dos juízes de nosso país, relatada nos jornais, não tem a mínima segurança, tal como nós, as "pessoas comuns", como aquele sindicalista que esteve presidente, nos denominou. Brasil, país da impunidade e de todos os bandidos!

Agnes Eckermann agneseck@yahoo.com.br

Porto Feliz

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MORTE DA JUÍZA

Se as Polícias Federal, Civil e Militar sabiam das ameaças (conforme noticiado) e nada fizeram, é necessário com extrema urgência que se coloquem mulheres no comando dessas polícias!

Nélio Alves Gomes raytomonelio@hotmail.com

Curitiba

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PM QUE MATA

Impressionante o número de casos policiais em Curitiba envolvendo supostas "trocas de tiros" entre PMs e meliantes. Agora recentemente, no bairro Tatuquara, região periférica sul da capital paranaense, houve execução de pelos dois rapazes que estariam se envolvidos em atos de roubo. Moradores da região presenciaram a execução destes jovens quando foram detidos, algemados e não apresentando qualquer ação de reação foram executados pelos policias militares do 13 (Décimo terceiro batalhão) de Curitiba. Entre este caso, são vários os casos, em que ladrões e supostos marginais aparecem mortos a bala de revolveres do estado público (PM). Quase todo o dia a imprensa curitibana relata estas noticias.Será que os bandidos, ladrões vão reagir a uma abordagem policial? Vão "trocar" tiros com policiais, ou estes jovens, na sua maioria, ladrões de vila estão sendo executados sumariamente por também bandidos travestidos de policiais, sim pois policial não está, e não pode estar nas ruas para atirar aleatoriamente. O preparo da policia na academia é para evitar o disparo ao máximo possível, atirar em ocasião extrema apenas. O que estamos assistindo é a policia atirando antes e perguntando depois. Executando, eliminando bandidinhos de vilas, nas vilas extremas onde não há população de esclarecimento, cultura e que possa denunciar a mídia, aos órgão de ouvidoria publica estadual e do próprio Comando de Policia estes atos, infelizmente constantes nos subúrbios de nossa cidade de Curitiba. O governo federal, estadual e instituições de debate publico, Ministério Público, OAB e a sociedade precisam fiscalizar a polícia para que tenhamos nas ruas policias de moral e caráter. É necessário repensar a situação da força publica de um modo geral, não somente de estados, mas em esfera nacional. Exigir diploma de curso superior a todo policial desde soldado, uma policia unificada de esfera nacional são alguns dos fatores que são imprescindíveis a uma política de segurança pública segura a todo cidadão, todos estados, toda nação. Depois, sim, repensar e agir com forma para que consta e reza a Constituição para todo cidadão, independentemente de classe social responda pelos seus crimes e não pobres desprovidos de recursos, cidadãos de cor, e sem estudo e sem oportunidades, pois são estes que dominam a população "residente" nas delegacias e presídios, superlotados e sem qualquer sinal de luz em dignidade carcerária e sem propósitos em reeducar o cidadão apenado.

João Machado joaomachado2009@bol.com.br

Curitiba

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QUEM MATOU NORMA?

No Brasil vivemos de ilusão televisiva,quem matou este quem matou aquele? Será que não deveríamos dar um tempo em tantas mortes que já ocorrem ao vivo e a cores e ir atrás de quem matou, prefeito de Santo André, de Campinas, a ex-amante do goleiro Bruno e, mais recente, a juíza Patrícia, que encarava crápulas de primeira linha? Isso, sim, deveria dar um Ibope altíssimo, pois o tempo passa, a memória voa, e esquecemos tudo rapidamente.

Asdrubal Gobenati mbarugo@bol.com.br

Rio de Janeiro

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GANGUE DAS MENINAS

O nosso estatuto da criança e do adolescente já fez 20 anos, já é maior de idade, mas ficamos refém das entrelinhas do estatuto, aonde comidas cheias de anabolizantes e a globalização fazem crianças virarem adultos em tamanho e uma mentalidade criminosa, mais protegidas por um estatuto debilitado,não tem por que abaixar a maioridade penal... precisamos rever este estatuto e parar de aplicar disciplina socioeducativa!

Ednamerico Minhoto stengetelhado@yahoo.com.br

Campinas

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POBREZA DÁ VOTO?

Governador Geraldo Alckmin, não concordo que o fim da pobreza seja o "item no.1" no seu governo (A12, 16/8) e creio que a maioria dos paulistas são da mesma opinião. O recrudescimento da violência é assustador, tanto na capital como no interior, hoje é difícil encontrar um cidadão de bem que não sofreu um ato violento da parte da marginalidade que assola o Estado de São Paulo, isto graças as nossas leis retrógradas, a falta de presídios e a impunidade que só protege o infrator. Sei que Bolsa-Família ou semelhante dá voto, mas se o governo estadual lançar um programa audacioso de combate a criminalidade como "item prioritário", também dará muitos votos, além de trazer mais tranquilidade à população.

José Millei elymillei@hotmail.com

São Paulo

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PARQUE DO IBIRAPUERA

Hoje (19/8) o Parque do Ibirapuera faz aniversário. Inicialmente seria entregue durante o quarto centenário de São Paulo, mas por problemas técnicos só pode ser entregue em agosto de 1954. É um belo cartão postal de São Paulo, onde ha pistas p/esportes,belas áreas p/lazer,sombras, cursos, mas sobretudo um belo viveiro de plantas nativas próprias para reflorestamento da cidade,de outro parques, praças,ruas e avenidas,para aliviar a poluição da metrópole, tentando evitar o clima desértico que nos matará, caso não cuidemos das plantas e jardins. Existem plantas vindas de outros biomas, doadas por visitantes. Os animais não sobreviverão, pois só os vegetais tem a capacidade gerar vida, transformando água, matéria orgânica e luz solar e devolvendo oxigênio para o ar. Esse é o be-a-bá da vida! Mas os homens se esquecem desse ciclo. Vida não se compra! Se preserva, reclica, renova! Portanto cuide! Parabéns ao Ibirapuera.

Maria de Mello nina.7mello@uol.com.br

São Paulo

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CONCERTO DA OSB

No ultimo domingo, 14/8, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) reapresentou-se ao público paulista, na Sala São Paulo de Concertos, com um programa dedicado à Beethoven sob a regência do grande maestro Lorin Maazel. Após um inicio de ano conturbado, a orquestra, renovada em seus integrantes e composta em sua maioria por semblantes jovens e desconhecidos dos assíduos frequentadores de concertos, destacou-se com uma atuação impecável, sobretudo na descomunal "Sinfonia Eroica". Apesar de uns pequenos deslizes, a OSB fez por merecer os entusiásticos aplausos dos espectadores que lotaram a Sala SP. Eis, portanto, aqui uma imagem exemplar de capacidade e de superação. Uma instituição tão tradicional como a OSB mostrou que pode ser maior do que qualquer crise que a cerca. Aplaudo a nova OSB, assim como a OSESP e as outras grandes orquestras brasileiras que tanto se esmeram para divulgar, com qualidade, a música clássica e erudita e em prol do engrandecimento desta cultura no Brasil.

Bernardo Wajchenberg berndowaj@uol.com.br

São Paulo

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VACINA ANTIRRÁBICA

Gostaria que alguém do Ministério da Saúde me informasse sobre o não fornecimento de vacina antirrábica para cães e gatos. Já é o segundo ano que tenho de pagar para vacinar em clínica particular, meus animais. Como a corrupção anda solta nos governos petistas, será que a falta de vacinas não estará beneficiando alguém do alto escalão ministerial?

Carlos Montagnoli carlosmontagnoli@gmail.com

Jundiaí

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O DESENVOLVIMENTO NOS ARREDORES DE SÃO PAULO

Algo acontece todos os dias nesse nosso país em franco crescimento que nem sempre é simples de compreender. Refiro-me àquelas notícias de desmatamento deliberado e de mil ações de governos, associações e empresas na defesa do meio ambiente.

Refiro-me àquelas notícias de crescimento, de empreendedorismo, de expansão de mercado, de evolução social, de iniciativas do estado e das empresas que temos visto nos jornais, nos programas de tevê, nas revistas. Notícias do Brasil crescendo em conjunto com a criação de pulmões verdes, notícias de cinturões de mata reflorestada, de projetos, de prêmios de sustentabilidade dados a personalidade x, a empresa y. O surgimento do marketing verde, que são as várias comunicações nos meios em geral dos projetos que as empresas e o governo vêm fazendo como compensação de créditos de carbono e etc. Porém há algo que perturba, por que vemos nos meios, mas tão raro vemos e experimentamos esse movimento na nossa vida real? Muito porque certas notícias e ações não estão ao alcance da nossa simples vista. Estão fora do nosso dia a dia de moradores de grande estado e grande metrópole. Só comunidades extrativistas remotas, locais ermos são foco e fonte dessas iniciativas? Só as matas longínquas estão sendo feridas e defendidas? Acho que não, tem muita coisa boa e com consequências ruins acontecendo do alcance das nossas janelas. Refiro-me a quem mora e circula em São Paulo capital e arredores. Na prática, o que temos experimentado, o que nos alcança está mesmo ao lado da nossa vida: são terrenos e mais terrenos sendo cedidos a empreendimentos e mais empreendimentos sem que a gente se dê conta, sem que a gente veja o desenvolvimento agregado e o valor da substituição daquele ambiente até então existente. Especificamente falando: o atual ritmo de desenvolvimento de uma área bem do lado de São Paulo Capital, na região limítrofe entre Cotia e Carapicuíba. É perto de qualquer "janela", porque está na zona mais desenvolvida e próspera do Brasil a Grande São Paulo. Na chamada Granja Viana, no corredor da Av. São Camilo, inúmeros terrenos cobertos de mata, seja mata de eucaliptos, seja mata atlântica (não sabe, "naturalmente", o cidadão comum avaliar se aquilo é só um "mato" ou uma "app" de Mata Atlântica) estão dando lugar a dezenas de empreendimentos. Acesso via Rodovia Raposo Tavares, talvez seja a Raposo Tavares a "avenida" mais populosa, movimentada, morosa e conturbada do Estado de São Paulo; essa região entre o km 22 e o km 26 está em franco desenvolvimento. De ambos os lados da rodovia, mas chamo atenção para o lado sentido interior. Tudo indica que esse crescimento econômico ali na extensão da Av. São Camilo, cujos antigos terrenos e casas residenciais estão dando lugar a empreendimentos mistos (residências, centros comerciais e complexos de escritórios), veio impulsionado pela instalação ali de uma marca muito famosa: O Alphaville. Especificamente o Alphaville da Granja Viana. Já no início de Carapicuíba a margem da Av São Camilo, a população local (chamados granjeiros, que moravam ali pela intensidade de mata verde que - devo aqui usar ambos os verbos no passado (morar e haver) - ali havia), foi contemplada por essa grande iniciativa desenvolvimentista do Alphaville; onde por si só, para sua instalação no local, uma enorme área verde foi francamente devastada. A morada de animais, arvores e certa paz foi substituída por tratores, caminhões, muita poeira, luzes alógenas e muito barulho. É incrível como numa região mal servida de iluminação pública - a Eletropaulo não atende a pedidos de iluminação pública ainda que se pague R$ 15,00 na fatura de energia mensal uma taxa de fundo de energia do município - se vê em pouquíssimo tempo, a quilômetros, o clarão dos postes de Alphaville, ainda que não exista um só morador para desfrutar de tanta claridade. Chama-me a atenção o que o desenvolvimento visto na Grande São Paulo é desacompanhado de qualquer iniciativa de sustentabilidade que tem rendido tudo aquilo que descrevo acima a órgãos, empresas e governos. Por que o desenvolvimento nas grandes cidades não é acompanhado por na mesma intensidade por analise editorial em nenhuma revista, jornal ou tevê. Populações ali instaladas devem ser menos protegidas que as ribeirinhas do Amazonas, ou as extrativistas do cerrado? O que estamos construindo por aí está na verdade construindo algo favor do cidadão, que está vivendo o momento exato da transformação do desenvolvimento? Daqui a 5/10 anos, quem ainda vai se mudar pra lá e para quem não viu a mudança e não a sentiu, a percepção será outra. Pois não sentiu o custo de vivê-la da maneira como é executada. Porque na prática, a presença dos municípios e do estado (aliás, penso se o Estado de São Paulo conhece Carapicuíba) parece existir nas concessões e habite-se, mas parece nula no plano de implantação. Fácil constatar: na via em si não há controle de tráfego, não há iluminação adequada, não há regulamentação, não há pavimentação, não há calçamento, há alagamento, tem buraco, tem asfalto remendado, não há CET, não há sinalização, não há sinal de transito num cruzamento perigoso (com a Rua Felix de Oliveira), não tem comunicação ao povo que ali vive e deposita seus impostos e taxas de que algo de "bom" está acontecendo pela onda de crescimento da nossa própria nação, estado, município e bairro. Parabéns à PM e à Guarda Municipal de Cotia que têm presença boa. Do surto de desenvolvimento, para quem mora, só se percebe o acumulo de tráfego pesado, de transito com fim comercial numa área residencial e piora profunda da infraestrutura. Parece uma chateação pessoal, mas falo novamente de Alphaville, que trouxe uma mudança radical aos moradores porém nunca foi capaz de se comunicar com a comunidade, nunca mostrou uma ação de boa aventurança para o local. Para moradores humanos houve mudança do ritmo de vida e da ansiedade de como será a região com a instalação de mais 400 famílias, diante já da realidade em curso. Para os não humanos, pássaros como tucanos, gaviões, pacus, micos, esquilos, periquitos, gambás restou emigrar, quiçá sumir da face da terra.

Se vê agora é muito urubu no compito dos não humanos e muita angústia sobre esse ímpeto desenvolvimentista vivido no local no compito dos humanos. Os empreendedores chegam com seu desenvolvimento a troco do que para a sociedade local? Um restaurante a mais? uma loja a mais? um centro comercial a mais? um supermercado a mais? uma loja de carros a mais? um salão de cabeleireiro a mais? uma cafeteria a mais? Enfim. Obras e mais obras, arvores arrancadas, caminhões, tratores, sejam trafegando, sejam evitando passar na rodovia, sejam parados descarregando concreto, empurrando terra atrás de qualquer curva, em cima de qualquer meio fio a qualquer hora do dia, tapumes, placas de engenharia, tudo isso por uma via franzina, mão dupla, esburacada, sem sinalização, cujo acesso efeito através de uma rodovia lotada do mesmo. Agradecemos a todas as notícias boas e ruins sobre o meio ambiente e às ações verdes e aos prêmios de sustentabilidade, mas seria muito bom ver às ações de perto, dali da sua janela, como uma coisa mensurável. Seria bom ver, nos dias de hoje da sociedade da informação, a intenção verdadeira do desenvolvimento: para cada empreendimento novo, um buraco tampado, uma calçada para pedestres, uma placa de sinalização, um sinal de transito, um guarda, uma regra acompanhada por fiscalização, um meio de transporte adequado, uma proibição de caminhões pesados. Limpeza, organização, policiamento, infraestrutura, planejamento. Isso é desenvolvimento sustentável e humano. Expansão não pode ser comércios e empreendimentos para todo o lado. Vale acrescentar que ontem e hoje o terreno logo do início da Av São Camilo, na saída da Rodovia Raposo Tavares estava em franca ação de "queimada". Em plena zona civilizada e de alto trafego de pessoas e veículos.

Alexandre Dias Argento alexandre.argento@yahoo.com.br

Carapicuíba

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