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Competitividade em queda

O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2014 | 02h 05

A indústria brasileira está ficando para trás na disputa por novos mercados em que se envolveram os países emergentes mais competitivos para tentar compensar a retração nas economias industrializadas decorrente da crise mundial iniciada em 2008. Sem conseguir ocupar novos espaços em mercados tradicionais para seus produtos, como os Estados Unidos e a Europa, a indústria local vem perdendo espaço até mesmo no mercado doméstico. Ao longo de 2009, quando os efeitos da crise começaram a se espalhar pelo mundo de maneira mais clara, o setor manufatureiro nacional conseguiu resistir e até ampliou sua fatia no consumo interno de bens industrializados. Desde o início de 2010, no entanto, vem cedendo fatias do mercado local para produtores estrangeiros.

No segundo trimestre deste ano, a parcela dos produtos estrangeiros no consumo nacional de bens industrializados chegou a 21,8% do total. É o índice mais alto desde 2007, quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) passou a divulgar os Coeficientes de Abertura Comercial, um estudo destinado a avaliar a competitividade da indústria brasileira. Essa participação é 1,2 ponto porcentual maior do que a constatada no segundo trimestre do ano passado. Mas, nos últimos quatro anos, o aumento tem sido ininterrupto e já alcança 5,9 pontos porcentuais (no primeiro trimestre de 2010, o coeficiente era de 15,9%).

O gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, espera que a desvalorização cambial, que encarece o produto importado na moeda nacional, contribua para reverter essa tendência até o fim do ano. Mesmo que isso ocorra, e o efeito cambial não seja efêmero, a situação da indústria brasileira diante dos competidores estrangeiros não melhorará muito. O mercado externo, que poderia compensar perdas nas vendas domésticas e estimular a produção, o emprego e os investimentos no setor industrial, não está sendo ampliado.

Os fatores que encarecem a produção local - sistema tributário oneroso e complexo, escassez e alto custo dos financiamentos de médio e de longo prazos, infraestrutura precária e, agora, desânimo e desconfiança gerados pela política econômica do governo - abrem espaço no mercado brasileiro para os importados e dificultam, para os produtos nacionais, o acesso a mercados no exterior. Sem investimentos adequados em modernização, e com dificuldades cada vez mais acentuadas na contratação de mão de obra devidamente preparada, o setor manufatureiro vem perdendo competitividade.

A persistência dos fatores que tolhem a produção industrial e o eventual agravamento de alguns deles (como o aumento da desconfiança do empresariado em relação à política econômica) tornam o setor cada vez menos resistente ao avanço de produtores de outros países, aqui e no exterior.

Para diversos setores da indústria de transformação, o problema não é novo e tem se agravado nos últimos anos. Parte dos setores tradicionais, como os de alimentos, bebidas e fumo, tem sido preservada nessa disputa feroz no mercado doméstico - menos, talvez, por sua competitividade do que pelo desinteresse dos fabricantes estrangeiros. Outros setores tradicionais, como têxteis e vestuários, ao contrário, perderam fatias do mercado brasileiro para os produtos estrangeiros. Em 1996, os importados detinham 13,1% do mercado interno de têxteis e 3,8% do consumo nacional de vestuário; no ano passado, as fatias dos importados alcançavam, respectivamente, 17,5% e 11,1%.

Mas a perda mais notável da indústria nacional ocorre nos setores que agregam mais valor e incorporam mais tecnologia, justamente aqueles em que é mais intensa a disputa internacional. Entre 1996 e 2013, a fatia dos importados no mercado doméstico dos produtos eletrônicos, de informática e ópticos passou de 36% para 47,8%; e a de máquinas e materiais elétricos, de 15,0% para 26,7%. O controle político da Petrobrás pelo governo do PT também fez crescer as importações: as dos derivados de petróleo e bicombustíveis aumentaram sua fatia de 13,7% para 21,1%.

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