Construção civil pode desempregar mais

O emprego na construção civil caiu 0,61% em abril, representando 17,4 mil demissões, de acordo com pesquisa feita pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que se baseia em informações do Ministério do Trabalho.

O Estado de S. Paulo

21 Junho 2016 | 03h00

Continua forte – sobre o emprego na construção – o impacto da queda de vendas e de novos lançamentos no setor imobiliário, que vem desde meados de 2014. Esta é a 19.ª queda mensal consecutiva. O total acumulado até abril de vagas cortadas nos últimos 12 meses nessa área já alcança 398,2 mil. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram dispensados 72,9 mil trabalhadores e o Sinduscon prevê que o número pode chegar a 250 mil até o fim do ano.

Não parece uma previsão exagerada. No Estado de São Paulo – o maior empregador do setor, responsável por 26,8% da mão de obra ocupada – há muitas construções em andamento, como resultado de lançamentos feitos em anos anteriores. Mas são obras que, em muitos casos, estão em fase final de acabamento. E não há obras novas em número suficiente para substituí-las.

No Rio de Janeiro há projetos ainda em andamento para a realização dos Jogos Olímpicos. Quando essas obras forem entregues, as demissões no setor devem aumentar, pressionando ainda mais os já elevados índices de desemprego, pois os novos lançamentos estão em nível muito baixo.

Não há solução para o problema a curto prazo. Os três níveis de governo enfrentam sérias restrições orçamentárias, o que reduz as obras públicas. E, com a recessão, a demanda por financiamento para a aquisição de casa própria despencou.

O número de financiamentos imobiliários para aquisição e construção de imóveis recuou 25,6% entre março e abril e nada menos do que 59,6% no primeiro quadrimestre em comparação com o mesmo período de 2015, segundo a Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O problema tem causa dupla: há menor procura pelo consumidor e mais rigor dos bancos para concessão de crédito.

Entre outras medidas, o presidente do Sinduscon, José Romeu Ferraz Neto, propõe que o governo retome contratações em todas as faixas do Minha Casa, Minha Vida e renove convênios para que Estados e municípios participem do programa. Reivindica também que o governo estruture logo as Parcerias Público-Privadas.

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