Consumidores aguardam a queda dos juros

Tudo indica que muitas famílias estão adiando o consumo ou passando privação para não se endividar

O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 03h05

Pesquisas sobre demanda de crédito da consultoria Serasa Experian e da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de São Paulo) registraram, em abril, tendências coincidentes: quedas de 15,1% e de 2,3% em relação a março (as diferenças se devem a aspectos metodológicos). Além das explicações comuns fornecidas por responsáveis pelos levantamentos – como o desemprego elevado e a baixa confiança dos consumidores –, cabe destacar a aversão das famílias aos juros altos. Ou melhor: os consumidores esperam que a queda dos juros que já vem ocorrendo na taxa Selic chegue ao custo do crédito para os tomadores finais com intensidade muito maior do que a que já ocorre.

O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito revelou que, em relação a março, a diminuição da procura por empréstimos ocorreu em todas as faixas de renda, sendo mais intensa para os que recebem entre R$ 500 e R$ 2 mil mensais. Na comparação entre os meses de abril de 2016 e de 2017, evitaram mais os empréstimos as pessoas com rendas superiores a R$ 5 mil por mês. A queda é bem menor quando se comparam os primeiros quadrimestres de 2016 e de 2017, notando-se leve aumento nominal da demanda nas faixas de renda de até R$ 1 mil mensais.

A baixa procura por crédito é ruim para a atividade econômica. Tudo indica que muitas famílias estão adiando o consumo ou passando privação para não se endividar. Daí a ênfase dos analistas da Boa Vista SCPC nos juros altos, que impõem “maior cautela e aversão ao consumo por parte das famílias”. A Boa Vista nota que a redução mais intensa da demanda de crédito ocorreu no setor financeiro, atingindo 13,4% em 12 meses, até abril, comparativamente aos 12 meses anteriores. E acredita que menos juros e menos inflação contribuirão para a retomada da procura de crédito a partir do segundo semestre.

É evidente que entre as prioridades dos consumidores está reduzir o endividamento e preservar o orçamento para dispêndios mais necessários e prementes, pagando as contas, de preferência, à vista. A queda do porcentual de cheques devolvidos, de 2,34% em março para 2,14% em abril, segundo pesquisa da Serasa Experian, revela consumidores mais cuidadosos. Falta, hoje, que as instituições financeiras ofereçam crédito a juros mais baixos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.