Contas externas abrem novas oportunidades

Não é exagero prever que o déficit em transações correntes em 2017 fique em US$ 5 bilhões ao fim de dezembro

O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2017 | 03h00

O déficit em transações correntes do balanço de pagamentos tende a ser este ano um dos mais baixos da história recente do País, o que pode vir a ter reflexos na condução da política econômica. Segundo os últimos números divulgados pelo Banco Central (BC), o saldo negativo nessa conta foi de apenas US$ 343 milhões em outubro, o melhor resultado para o mês desde 2007, somando US$ 3,033 bilhões no acumulado de janeiro até o mês passado. Em face desses números, não é exagero prever que o déficit em transações correntes em 2017 fique em US$ 5 bilhões ao fim de dezembro, menos de um terço da projeção oficial do BC (déficit de US$ 16 bilhões).

Isso se deve à robustez do saldo da balança comercial, que foi de US$ 4,911 bilhões em outubro, elevando o superávit acumulado no ano até o mês passado para US$ 56,135 bilhões. É previsível que, como ocorre nos meses finais do ano, haja um aumento das importações, mas os analistas consideram que não será surpresa alguma se o saldo da balança comercial ficar em torno de US$ 65 bilhões em 2017. Se isso ocorrer, significará um crescimento de 44,32% em relação a 2016 (US$ 45,037 bilhões).

Em contraste, verifica-se que os itens que compõem o déficit das contas de serviços e de rendas (primária e secundária) têm crescido moderadamente, entre 10% e 17%. O déficit de viagens internacionais, que tem sempre muito destaque no noticiário, foi de US$ 10,959 bilhões de janeiro a outubro, um aumento de 16,11% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 6,801 bilhões), o que não configura uma sangria.

A excelente evolução do balanço de pagamentos pode ser vista ainda sob outro aspecto. O total de investimentos diretos no País atingiu US$ 60,013 bilhões de janeiro a outubro, cobrindo com grande folga o déficit em conta corrente. A expectativa do BC é de que os investimentos estrangeiros diretos (IED) fechem este ano em US$ 75 bilhões. Já os investimentos de empresas brasileiras no exterior caíram para US$ 3,341 bilhões de janeiro a outubro deste ano, 56,76% menos que em igual período de 2016 (US$ 7,727 bilhões).

Em vista desse quadro, não haveria melhor oportunidade para adoção de uma política consistente de abertura comercial, paralelamente a um maior empenho das empresas com sede no País para intensificar suas operações em mercados externos.

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