Crédito avança, apesar do custo e da inadimplência

A alta do juro, segundo o BC, foi mais intensa nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou seja, no crédito direcionado

O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 03h12

Entre setembro e outubro, aumentaram as concessões de crédito tanto para as pessoas físicas como para as pessoas jurídicas, segundo o Banco Central (BC). Foi o que justificou a afirmação do chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, de que o crédito parou de se contrair e tende a se recuperar nos próximos meses. Mas, como subiram os juros cobrados pelos bancos e também ocorreu uma pequena elevação da inadimplência, há poucos motivos para comemorar, em especial sob a óptica dos devedores.

Os juros médios cobrados das empresas passaram de 17,5% em setembro para 18% ao ano em outubro, enquanto os juros cobrados das pessoas físicas subiram de 33,9% para 34,2% ao ano. Os spreads (diferença entre o que os bancos cobram dos clientes e o que pagam aos aplicadores) avançaram 0,5 ponto porcentual para empresas (de 10,5 para 11 pontos) e 0,4 ponto para pessoas físicas (de 27,2 para 27,6 pontos porcentuais).

A alta do juro, segundo o BC, foi mais intensa nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou seja, no crédito direcionado.

Mas também subiram os juros e os spreads das operações com recursos livres, inclusive nas linhas mais onerosas, como o cheque especial.

A alta da inadimplência foi mais intensa no segmento do crédito direcionado, com destaque para os empréstimos do BNDES. Mas também cresceram os atrasos no crédito imobiliário, tanto de empresas como de pessoas físicas. Neste caso, com risco de perda do imóvel, pois o crédito é garantido por alienação fiduciária.

Entre os aspectos favoráveis estão uma leve redução do endividamento e do comprometimento de renda das famílias, além do crescimento da participação dos bancos privados na oferta de financiamentos. Entre setembro e outubro, o saldo de empréstimos das instituições privadas aumentou 0,8%, enquanto o saldo das instituições públicas não se alterou.

O estoque total do crédito atingiu R$ 3,052 trilhões, alta de 0,1% em relação a setembro e queda de 1,4% comparativamente a outubro de 2017. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), atingiu 46,9%, três pontos porcentuais abaixo do registrado em outubro de 2016. A recuperação, a partir de agora, parece depender do maior acesso das empresas a financiamentos.

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