Decisões patrióticas

O cidadão comum ou a autoridade pública cuja consciência indicar ser esse um drama político nacional deve apoiar a Operação Lava Jato, agindo no âmbito de suas competências e de forma pacífica, mas com firmeza de atitudes. Deve-se contrapor, ativamente, às tentativas de cercear a liberdade da investigação, levadas a efeito por indivíduos e grupos, fisiológicos ou corrompidos, situados em altos escalões da sociedade. A Operação Lava Jato não reverterá, sozinha, o atual caos político, moral e econômico, mas a esperança num venturoso recomeço depende do seu êxito. Na verdade, o caminho do aperfeiçoamento moral e cívico da classe política em geral e da sociedade será muito longo e difícil de percorrer, bem como a recuperação da economia.

Luiz Eduardo Rocha Paiva*, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2016 | 03h00

Em situações complexas, delicadas e de alta relevância, homens de bem se impõem decisões de caráter moral, algumas vezes beirando os limites das normas legais. Nesses casos, uma autoridade pública corre o risco de ser questionada por uns e, ainda que defendida por outros, sofrer consequências pessoais e profissionais. É que determinadas decisões, discutíveis em situações de normalidade, são necessárias para evitar um mal maior quando a omissão, a inconsequente servidão à burocracia e a covardia moral resultarem em perdas, injustiças e danos morais e materiais em níveis inaceitáveis para os cidadãos, as instituições e a Nação.

Hoje, o cenário nacional apresenta elevados níveis de complexidade e ameaças, cujas consequências não podem ser menosprezadas por autoridades públicas comprometidas com a Nação, pois têm a obrigação de avaliar os riscos para a sociedade. A consciência da responsabilidade social de seu cargo ou missão e de sua relevância para o futuro do País deve nortear suas decisões. Assim, as atitudes tomadas pelo juiz federal Sergio Moro na condução da Operação Lava Jato têm sido, de fato, decisões patrióticas. O povo confia nessa investigação, que revelou as podres entranhas de uma nefasta estratégia da corrupção, cuja finalidade era garantir apoio político e econômico para manter o poder e, em muitos casos, enriquecer pessoas desonestas.

A esperança num futuro mais digno e promissor está depositada, primeiramente, na população, desde que tenha perseverante e volumosa participação nas ruas para mostrar, de forma vigorosa, mas pacífica e ordeira, a vontade de recuperar o País, que foi privatizado por lideranças empresariais e político-partidárias que, por isso mesmo, perderam a legitimidade para liderar a Nação.

As Forças Armadas, como fiadoras legais dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, seriam as últimas instituições a intervir na crise, na eventualidade de improvável falência simultânea ou ingresso na ilegalidade de um ou mais de um dos Poderes da União, com risco para a paz interna, a coesão nacional e a sobrevivência do Estado. Para desconforto e insegurança de indivíduos moralmente corrompidos e grupos radicais, elas são uma reserva moral e desfrutam os mais altos índices de confiança da sociedade.

O Poder Legislativo conduz o processo de impeachment da presidente da República, mas sua credibilidade é precária e não haverá surpresa se o processo for contaminado por manobras aéticas de bastidores, como sói acontecer, conduzidas por setores cujos propósitos nunca se pautam pelo interesse nacional. Não importa qual seja o resultado, o sistema político está falido e precisa ser reformado. Mas o que esperar da classe política atual?

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem credibilidade, ainda que às vezes surpreenda o cidadão com decisões difíceis de entender ou concordar. Nos próximos dias, decisões importantes serão tomadas naquela Corte e seus resultados contribuirão para abreviar ou prolongar a desgastante agonia da sociedade. Em grande parte dos julgamentos, ministros defendem posições diferentes entre si, pois as leis não são dogmas e admitem distintas interpretações, observados certos limites. A Corte Suprema é sensível aos interesses nacionais, ou seja, à alta política, e não a políticas partidárias. Dessa forma, diante de uma crise que poderá comprometer seriamente o futuro do País, cresce a importância dos argumentos jurídicos que impeçam a nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil, o que lhe daria foro privilegiado. No STF, os processos em curso na Lava Jato iriam prosseguir, sem dúvida, mas presume-se que se prolongariam demasiado, enquanto a sociedade tem pressa para sair da crise.

Lula poderia fazer coordenação política e participar do governo sendo ou não ministro de Estado. Por que, então, só agora ele e o governo julgam imprescindível a sua atuação como ministro?

Lula é a pedra angular do atual sistema de poder e sua neutralização política, se condenado, desmontaria o sistema e abreviaria a crise. O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados quebraram o Brasil nos campos moral, político e econômico e implantaram, com a orientação ideológica de suas elites intelectuais, a estratégia gramscista do Foro de São Paulo para transformar nossa democracia num regime socialista. Essa mudança não virá por um repentino golpe de Estado, mas pela revolução sociocultural de longo prazo, intensificada nos últimos 13 anos, visando a dominar a sociedade para, somente depois, tomar o Estado.

A redenção do Brasil requer um choque de valores morais e cívicos e uma revolução no ensino que, desideologizado e valorizado, proporcione conhecimento e cultura de qualidade, tudo para formar cidadãos e líderes preparados para a democracia, comprometidos com um projeto suprapartidário de Nação, e não apenas partidário de poder. É um longo processo de amadurecimento, que demandará algumas gerações, mas não pode mais ser protelado.

A redenção do Brasil requer choque de valores morais e cívicos e revolução no ensino

O cidadão comum ou a autoridade pública cuja consciência indicar ser esse um drama político nacional deve apoiar a Operação Lava Jato, agindo no âmbito de suas competências e de forma pacífica, mas com firmeza de atitudes. Deve-se contrapor, ativamente, às tentativas de cercear a liberdade da investigação, levadas a efeito por indivíduos e grupos, fisiológicos ou corrompidos, situados em altos escalões da sociedade. A Operação Lava Jato não reverterá, sozinha, o atual caos político, moral e econômico, mas a esperança num venturoso recomeço depende do seu êxito. Na verdade, o caminho do aperfeiçoamento moral e cívico da classe política em geral e da sociedade será muito longo e difícil de percorrer, bem como a recuperação da economia.

Em situações complexas, delicadas e de alta relevância, homens de bem se impõem decisões de caráter moral, algumas vezes beirando os limites das normas legais. Nesses casos, uma autoridade pública corre o risco de ser questionada por uns e, ainda que defendida por outros, sofrer consequências pessoais e profissionais. É que determinadas decisões, discutíveis em situações de normalidade, são necessárias para evitar um mal maior quando a omissão, a inconsequente servidão à burocracia e a covardia moral resultarem em perdas, injustiças e danos morais e materiais em níveis inaceitáveis para os cidadãos, as instituições e a Nação.

Hoje, o cenário nacional apresenta elevados níveis de complexidade e ameaças, cujas consequências não podem ser menosprezadas por autoridades públicas comprometidas com a Nação, pois têm a obrigação de avaliar os riscos para a sociedade. A consciência da responsabilidade social de seu cargo ou missão e de sua relevância para o futuro do País deve nortear suas decisões. Assim, as atitudes tomadas pelo juiz federal Sergio Moro na condução da Operação Lava Jato têm sido, de fato, decisões patrióticas. O povo confia nessa investigação, que revelou as podres entranhas de uma nefasta estratégia da corrupção, cuja finalidade era garantir apoio político e econômico para manter o poder e, em muitos casos, enriquecer pessoas desonestas.

A esperança num futuro mais digno e promissor está depositada, primeiramente, na população, desde que tenha perseverante e volumosa participação nas ruas para mostrar, de forma vigorosa, mas pacífica e ordeira, a vontade de recuperar o País, que foi privatizado por lideranças empresariais e político-partidárias que, por isso mesmo, perderam a legitimidade para liderar a Nação.

As Forças Armadas, como fiadoras legais dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, seriam as últimas instituições a intervir na crise, na eventualidade de improvável falência simultânea ou ingresso na ilegalidade de um ou mais de um dos Poderes da União, com risco para a paz interna, a coesão nacional e a sobrevivência do Estado. Para desconforto e insegurança de indivíduos moralmente corrompidos e grupos radicais, elas são uma reserva moral e desfrutam os mais altos índices de confiança da sociedade.

O Poder Legislativo conduz o processo de impeachment da presidente da República, mas sua credibilidade é precária e não haverá surpresa se o processo for contaminado por manobras aéticas de bastidores, como sói acontecer, conduzidas por setores cujos propósitos nunca se pautam pelo interesse nacional. Não importa qual seja o resultado, o sistema político está falido e precisa ser reformado. Mas o que esperar da classe política atual?

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem credibilidade, ainda que às vezes surpreenda o cidadão com decisões difíceis de entender ou concordar. Nos próximos dias, decisões importantes serão tomadas naquela Corte e seus resultados contribuirão para abreviar ou prolongar a desgastante agonia da sociedade. Em grande parte dos julgamentos, ministros defendem posições diferentes entre si, pois as leis não são dogmas e admitem distintas interpretações, observados certos limites. A Corte Suprema é sensível aos interesses nacionais, ou seja, à alta política, e não a políticas partidárias. Dessa forma, diante de uma crise que poderá comprometer seriamente o futuro do País, cresce a importância dos argumentos jurídicos que impeçam a nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil, o que lhe daria foro privilegiado. No STF, os processos em curso na Lava Jato iriam prosseguir, sem dúvida, mas presume-se que se prolongariam demasiado, enquanto a sociedade tem pressa para sair da crise.

Lula poderia fazer coordenação política e participar do governo sendo ou não ministro de Estado. Por que, então, só agora ele e o governo julgam imprescindível a sua atuação como ministro?

Lula é a pedra angular do atual sistema de poder e sua neutralização política, se condenado, desmontaria o sistema e abreviaria a crise. O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados quebraram o Brasil nos campos moral, político e econômico e implantaram, com a orientação ideológica de suas elites intelectuais, a estratégia gramscista do Foro de São Paulo para transformar nossa democracia num regime socialista. Essa mudança não virá por um repentino golpe de Estado, mas pela revolução sociocultural de longo prazo, intensificada nos últimos 13 anos, visando a dominar a sociedade para, somente depois, tomar o Estado.

A redenção do Brasil requer um choque de valores morais e cívicos e uma revolução no ensino que, desideologizado e valorizado, proporcione conhecimento e cultura de qualidade, tudo para formar cidadãos e líderes preparados para a democracia, comprometidos com um projeto suprapartidário de Nação, e não apenas partidário de poder. É um longo processo de amadurecimento, que demandará algumas gerações, mas não pode mais ser protelado.

A redenção do Brasil requer choque de valores morais e cívicos e revolução no ensino

O cidadão comum ou a autoridade pública cuja consciência indicar ser esse um drama político nacional deve apoiar a Operação Lava Jato, agindo no âmbito de suas competências e de forma pacífica, mas com firmeza de atitudes. Deve-se contrapor, ativamente, às tentativas de cercear a liberdade da investigação, levadas a efeito por indivíduos e grupos, fisiológicos ou corrompidos, situados em altos escalões da sociedade. A Operação Lava Jato não reverterá, sozinha, o atual caos político, moral e econômico, mas a esperança num venturoso recomeço depende do seu êxito. Na verdade, o caminho do aperfeiçoamento moral e cívico da classe política em geral e da sociedade será muito longo e difícil de percorrer, bem como a recuperação da economia.

Em situações complexas, delicadas e de alta relevância, homens de bem se impõem decisões de caráter moral, algumas vezes beirando os limites das normas legais. Nesses casos, uma autoridade pública corre o risco de ser questionada por uns e, ainda que defendida por outros, sofrer consequências pessoais e profissionais. É que determinadas decisões, discutíveis em situações de normalidade, são necessárias para evitar um mal maior quando a omissão, a inconsequente servidão à burocracia e a covardia moral resultarem em perdas, injustiças e danos morais e materiais em níveis inaceitáveis para os cidadãos, as instituições e a Nação.

Hoje, o cenário nacional apresenta elevados níveis de complexidade e ameaças, cujas consequências não podem ser menosprezadas por autoridades públicas comprometidas com a Nação, pois têm a obrigação de avaliar os riscos para a sociedade. A consciência da responsabilidade social de seu cargo ou missão e de sua relevância para o futuro do País deve nortear suas decisões. Assim, as atitudes tomadas pelo juiz federal Sergio Moro na condução da Operação Lava Jato têm sido, de fato, decisões patrióticas. O povo confia nessa investigação, que revelou as podres entranhas de uma nefasta estratégia da corrupção, cuja finalidade era garantir apoio político e econômico para manter o poder e, em muitos casos, enriquecer pessoas desonestas.

A esperança num futuro mais digno e promissor está depositada, primeiramente, na população, desde que tenha perseverante e volumosa participação nas ruas para mostrar, de forma vigorosa, mas pacífica e ordeira, a vontade de recuperar o País, que foi privatizado por lideranças empresariais e político-partidárias que, por isso mesmo, perderam a legitimidade para liderar a Nação.

As Forças Armadas, como fiadoras legais dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, seriam as últimas instituições a intervir na crise, na eventualidade de improvável falência simultânea ou ingresso na ilegalidade de um ou mais de um dos Poderes da União, com risco para a paz interna, a coesão nacional e a sobrevivência do Estado. Para desconforto e insegurança de indivíduos moralmente corrompidos e grupos radicais, elas são uma reserva moral e desfrutam os mais altos índices de confiança da sociedade.

O Poder Legislativo conduz o processo de impeachment da presidente da República, mas sua credibilidade é precária e não haverá surpresa se o processo for contaminado por manobras aéticas de bastidores, como sói acontecer, conduzidas por setores cujos propósitos nunca se pautam pelo interesse nacional. Não importa qual seja o resultado, o sistema político está falido e precisa ser reformado. Mas o que esperar da classe política atual?

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem credibilidade, ainda que às vezes surpreenda o cidadão com decisões difíceis de entender ou concordar. Nos próximos dias, decisões importantes serão tomadas naquela Corte e seus resultados contribuirão para abreviar ou prolongar a desgastante agonia da sociedade. Em grande parte dos julgamentos, ministros defendem posições diferentes entre si, pois as leis não são dogmas e admitem distintas interpretações, observados certos limites. A Corte Suprema é sensível aos interesses nacionais, ou seja, à alta política, e não a políticas partidárias. Dessa forma, diante de uma crise que poderá comprometer seriamente o futuro do País, cresce a importância dos argumentos jurídicos que impeçam a nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil, o que lhe daria foro privilegiado. No STF, os processos em curso na Lava Jato iriam prosseguir, sem dúvida, mas presume-se que se prolongariam demasiado, enquanto a sociedade tem pressa para sair da crise.

Lula poderia fazer coordenação política e participar do governo sendo ou não ministro de Estado. Por que, então, só agora ele e o governo julgam imprescindível a sua atuação como ministro?

Lula é a pedra angular do atual sistema de poder e sua neutralização política, se condenado, desmontaria o sistema e abreviaria a crise. O Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados quebraram o Brasil nos campos moral, político e econômico e implantaram, com a orientação ideológica de suas elites intelectuais, a estratégia gramscista do Foro de São Paulo para transformar nossa democracia num regime socialista. Essa mudança não virá por um repentino golpe de Estado, mas pela revolução sociocultural de longo prazo, intensificada nos últimos 13 anos, visando a dominar a sociedade para, somente depois, tomar o Estado.

A redenção do Brasil requer um choque de valores morais e cívicos e uma revolução no ensino que, desideologizado e valorizado, proporcione conhecimento e cultura de qualidade, tudo para formar cidadãos e líderes preparados para a democracia, comprometidos com um projeto suprapartidário de Nação, e não apenas partidário de poder. É um longo processo de amadurecimento, que demandará algumas gerações, mas não pode mais ser protelado.

*LUIZ EDUARDO ROCHA PAIVA É GENERAL DA RESERVA

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