Desemprego continua a corroer a confiança do consumidor

Após seis altas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor caiu 3,3 pontos de outubro para novembro

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2016 | 04h00

A fragilidade da recuperação da economia e a persistência da crise no mercado de trabalho, que mantém mais de 12 milhões de pessoas no desemprego, minaram a confiança do consumidor. Após seis altas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), caiu 3,3 pontos de outubro para novembro.

Na avaliação da coordenadora da pesquisa, Viviane Seda Bittencourt, sem boas notícias na economia e diante do aumento do desemprego, “uma parcela dos consumidores brasileiros reduziu o otimismo em relação à perspectiva de melhora no horizonte de seis meses”. Em novembro, diminuiu a satisfação em relação à situação presente, mas a queda do ICC foi determinada sobretudo pela piora das expectativas.

 pesquisa da FGV indica menor otimismo dos consumidores quanto à situação nos próximos meses, mas a queda do índice em novembro não será necessariamente o início de uma trajetória rumo a um acentuado pessimismo. Há alguns sinais positivos no cenário, o mais relevante dos quais é a desaceleração da inflação. A expectativa de alívio, ainda que moderado, da política monetária também pode propiciar algum alento aos consumidores.

É isso que parece estar indicando outra pesquisa, de alcance menor do que a da FGV. Em novembro, a confiança dos consumidores paulistanos avançou 4,1% sobre outubro e 28,9% sobre o resultado de um ano atrás, alcançando seu nível mais alto desde fevereiro deste ano.

A mudança do humor em São Paulo detectada pela FecomercioSP coincide com a melhora das expectativas dos comerciantes. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, atingiu 98,9 pontos em novembro, com aumento de 1,2% em relação a outubro e 23,5% na comparação com novembro de 2015. Apesar da melhora, o resultado está abaixo dos 100 pontos, que demarcam o limite entre pessimismo e otimismo, por causa da queda das vendas e da dificuldade de recuperação do setor.

É generalizada a percepção de que a crise econômica perde força, mas com muita lentidão, daí a debilidade dos sinais de melhora da confiança.

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