Economia a pleno vapor

Os indicadores econômicos mostram que as atividades estão em rápido crescimento, visível nos dados gerais sobre crédito, investimento e uso da capacidade industrial, consumo e aumento da renda, e também nos dados sobre a demanda de energia elétrica, transporte aéreo, consumo de gás e até na dificuldade da construção civil de contratar pessoal. Recordes de arrecadação tributária e de emprego formal, divulgados quinta-feira, confirmam esse ritmo.

, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2010 | 00h00

Com a inflação próxima de zero, em julho e agosto, a disposição de consumir aumentou, mostraram os dados do IBGE sobre o comércio varejista. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, de quarta-feira, registrou crescimento do PIB de 0,24% entre junho e julho, depois da queda de 0,03% entre maio e junho. O departamento econômico do Itaú-Unibanco apontou, no mesmo dia, para um número maior - estimando o crescimento do PIB em 0,4%, em julho. Em artigo publicado no Estado (16/9, A2), o economista Roberto Macedo estimou que o PIB crescerá 8,2%, bastando que siga "daqui para a frente apenas seu padrão sazonal".

Entre os bimestres julho/agosto de 2009 e 2010, a arrecadação federal cresceu 15,32%, já deflacionada pelo IPCA, atingindo R$ 62 bilhões, no mês passado, e R$ 513,8 bilhões, nos primeiros oito meses do ano (contra R$ 432 bilhões, em 2009), com destaque para a Cofins, o IOF e a Cide, indicativos do grau de atividade econômica, do crédito e do consumo. O nível de utilização da capacidade estimado pela FGV superou os 85%, em agosto, muito próximo dos níveis pré-crise de 2008.

O emprego industrial cresceu durante seis meses consecutivos, atingindo 5,4% entre julho de 2009 e julho de 2010, a melhor marca da história, segundo o IBGE. Em São Paulo, conforme os cálculos da Fiesp, o crescimento foi de 4,79%, na mesma base de comparação, e de 7,49%, neste ano, o que corresponde à geração de 180 mil novos cargos.

Ainda mais expressivos foram os dados de quinta-feira do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, indicando que foram contratados, em agosto, 299,4 mil trabalhadores com carteira assinada e 1,95 milhão nos primeiros oito meses do ano. Entre janeiro e agosto os serviços abriram 679 mil vagas; a indústria de transformação, 506 mil; e a construção civil, 308 mil, bem acima do comércio, com 237 mil. Em 12 meses, foram criados 2,269 milhões de empregos formais.

São, em todos os casos, indicadores de que a demanda continuará aquecida, impulsionada também por crédito a juros nominais estáveis ou declinantes e prazos longos, de até 8 anos, no caso das vendas de automóveis. O otimismo dos consumidores, registrado nas últimas pesquisas da FGV e da CNC, alcançou os maiores níveis históricos e também projeta confiança no futuro.

Mas, ao lado desse otimismo todo, há sinais de que o ritmo atual de atividade poderá não ser sustentável: o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor mostrou alta de 11,5%, em agosto, comparativamente a agosto de 2009 - foi o maior crescimento na relação anual, desde 2005. É possível que parte dos consumidores já tenha comprometido o salário mais do que pode, contando com seu aumento contínuo.

Além da oferta de crédito e do aumento do dinheiro em circulação, o governo tem adotado decisões liberalizantes como o reajuste extraordinário das aposentadorias do INSS para os que ganham mais de um salário mínimo, pago em agosto, retroativamente a janeiro, e a antecipação, para 23,1 milhões de aposentados, de metade do benefício, em 1.º de setembro.

O crescimento econômico tem tudo a ver com facilidades monetárias e creditícias e com o aumento do emprego e renda. Obstáculos poderão vir do exterior, se um novo mergulho recessivo global afetar as exportações brasileiras ou se surgirem sinais de uma volta da inflação, por ora presentes, apenas, em índices como o IGP-M, que subiu 0,99% na primeira pesquisa deste mês, o IPC-S, de 0,31%, na segunda semana do mês, e o IGP-10, com aumento de 1,12%.

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