Em questão, a governança corporativa na Eletrobrás

A Eletrobrás é uma empresa aberta que se compromete a adotar um alto nível de governança corporativa, baseada em ética, transparência, prestação de contas e responsabilidade empresarial. Mas nem todos os acionistas acreditam nisso. Representante dos minoritários no Conselho de Administração da Eletrobrás, Arlindo Magno afirmou, em entrevista a Josette Goulart, publicada no jornal Valor de quarta-feira, que há na estatal inúmeros "assuntos intocáveis", sobre os quais a empresa não presta informação, nem quando indagada formalmente.

, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Entre eles, a dificuldade de acesso a informações pormenorizadas sobre as companhias por ela controladas - como as subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul. Ou as participações minoritárias que tem em mais de 30 empresas, no montante de R$ 6,8 bilhões. E não há gestão "dessas participações", segundo Magno, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que já trabalhou no fundo de pensão Previ e participa do conselho de várias empresas.

A Usina de Belo Monte, que será controlada pela Eletrobrás, é outro exemplo de falta de informação: "Você sabe qual o valor do investimento? Eu não sei. Sabe a rentabilidade? Eu não sei. O leilão aconteceu na primeira parte do ano e até agora não fomos informados sobre quanto a empresa vai investir e o retorno que teremos."

A Eletrobrás tem também obrigações próprias de governo, não só de empresa, cujo papel é obter lucro e remunerar os acionistas. "Gerenciamos os fundos setoriais" - observou Magno -, mas "por que não mandar isso para um gestor financeiro como o BNDES?" "Gerenciamos (os programas de governo) o Luz para Todos, o Reluz", mas "nada disso é o nosso negócio."

Em carta ao ministro de Minas e Energia, o conselheiro sugeriu aperfeiçoar as regras de governança e permitir que o Conselho de Administração fiscalize a empresa, mas não obteve resposta. Em tom de desabafo, Magno afirmou que as subsidiárias não obedecem ao comando da Eletrobrás e que há "uma luta interna para ver quem controla a corporação". Propõe ele que os diretores que não cumprirem as metas sejam demitidos, independentemente da filiação partidária.

Maior empresa holding do País, a Eletrobrás deve explicações não apenas aos acionistas minoritários brasileiros e estrangeiros, que detêm 21,7% das ações ordinárias e 87,5% das preferenciais, mas também aos contribuintes, pois a União e o BNDES controlam a empresa.

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