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Opinião

Editorial Estadão

Escalada irresponsável

Diante das demolidoras evidências a cada dia reveladas pelas investigações policiais, de que o ex-presidente Lula e o PT estão comprometidos até o pescoço com a corrupção no governo, o lulopetismo decidiu apelar para a melhor defesa que conhece: o ataque.

08 Março 2016 | 04h10

Em desespero, mobiliza suas tropas – constituídas basicamente pela militância paga de entidades e organizações sociais como CUT, UNE, MTST, entre outras – exortando-as ao confronto nas ruas com os opositores do governo. E chegou à criminosa irresponsabilidade de convocar seus apoiadores a se manifestarem, em São Paulo, em plena Avenida Paulista, no próximo domingo, dia 13, data há meses anunciada pelos movimentos de oposição ao governo e ao lulopetismo para protestar contra o descalabro político, econômico e moral em que Lula e Dilma Rousseff mergulharam o Brasil e apoiar o impeachment da presidente da República.

Desde que foi levado coercitivamente a depor na Polícia Federal na sexta-feira passada e reagiu fazendo o papel de vítima não dos policiais federais que o interrogaram, mas de uma conspiração armada para condená-lo, ficou claro que, sem argumentos legais suficientemente fortes para se defender, Lula optou pelo ataque, como sempre faz quando se sente acuado. Obedientes a essa tática, os militantes petistas tentam exacerbar o confronto para que dele, se possível, surja um mártir, uma vítima da sanha assassina das elites apoiadas pela mídia golpista.

É isso o que pode acontecer se o lulopetismo lograr o intento de colocar na Avenida Paulista, no próximo domingo – ou em qualquer outra cidade, mas o evento de São Paulo tem relevante sentido emblemático –, um bando de baderneiros dispostos a hostilizar a massa que estará exercendo o legítimo direito de se manifestar em paz e deverá ser, de acordo com a previsão dos organizadores, uma das mais numerosas dos últimos tempos.

Mesmo que acabem cedendo ao bom senso e não concretizem o intento temerário de “botar a tropa na rua”, os petistas esperam que a simples hipótese da ocorrência de conflitos seja suficiente para desencorajar os antigovernistas e esvaziar a manifestação do dia 13.

Articulado com a estratégia da exortação ao confronto, um dos mais proeminentes líderes do lulopetismo, o ex-ministro Gilberto Carvalho, em entrevista publicada ontem na Folha de S.Paulo, advertiu aqueles que, na tentativa de envolver Lula na Lava Jato, estão “brincando com fogo”: “Espero que haja bom senso e que a Lava Jato volte ao seu leito natural de combater a corrupção real e se desteatralize (sic), que as delações premiadas deixem de ser instrumento de perseguição de um partido político”.

Combater a “corrupção real”, na opinião do piedoso Gilbertinho, é deixar Lula e os petistas em paz, pois “(...) os campeões da corrupção estão soltos, tendo suas penas reduzidas escandalosamente (...). Quem está ficando na cadeia em Curitiba é o Marcelo Odebrecht, que se negou a fazer delação, e os políticos. Isso é combater a corrupção?”.

Por esse raciocínio, quem colaborou com as investigações deveria ser castigado com penas mais pesadas e quem respeitou a omertà mereceria a liberdade e, quem sabe, uma condecoração.

Carvalho é categórico: “O doutor Sérgio Moro tem uma necessidade de provar que os agentes do PT formam uma quadrilha e que o capo dessa quadrilha agora é o presidente Lula”. Pelo peculiar raciocínio do ex-ministro, Lula é intocável e mexer com ele é “brincar com fogo”.

Mas a ameaça para valer vem em seguida: se continuar a perseguição a Lula e ao PT, “aí eu temo muito um processo que nos leve ao que acontece na Venezuela, porque você vai levando ao processo de justiçamento, de justiça com as próprias mãos, e haverá um ódio progressivo”. Ou seja, o piedoso Gilbertinho nos ameaça com um golpe de Estado e uma ditadura de fato, pois foi isso o que aconteceu e ainda acontece na Venezuela. Grande democrata, esse Gilbertinho!

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