Exportações evitam queda maior no setor de veículos

As exportações ajudam a manter um ritmo mínimo de atividade na indústria automobilística, que enfrenta uma das mais graves crises da sua história. Para atender à demanda de México, Argentina, Chile, Colômbia e Peru – além dos Estados Unidos, que importam um modelo médio de SUV produzido no Sul –, cinco montadoras abriram 1.230 vagas temporárias no bimestre abril/maio, compensando parcialmente os cortes realizados no primeiro quadrimestre, como mostrou a reportagem de Cleide Silva no Estado (6/6).

O Estado de S. Paulo

10 Junho 2016 | 03h00

“Hoje, mais importante do que ganhar dinheiro é estar no mercado externo, pois é uma forma de passar por esse período crítico”, afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Entre abril e maio houve melhora da produção (+3,2%) e das vendas (+2,8%) de veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Mas a comparação com períodos mais longos continua muito negativa. Entre maio de 2015 e maio de 2016, a produção caiu 18%, para 175,3 mil veículos, e as vendas cederam 21,3%, para 167,5 mil unidades.

Entre os primeiros cinco meses de 2015 e 2016, a produção caiu 24,3% e os licenciamentos, 26,6%. Em 12 meses, a produção caiu para 2,16 milhões de unidades (-25,4% em relação aos 12 meses anteriores, e as vendas recuaram 29%, para 2,27 milhões de veículos.

Maior destaque merece o aumento da produção e das vendas no atacado de máquinas agrícolas e rodoviárias (3,4% e 19,3%, respectivamente). A demanda do agronegócio ajuda a explicar a melhora, mas também aumentou o número de ônibus exportados.

A reação das exportações é recente: entre abril e maio, as vendas externas cresceram 16%, para US$ 0,94 bilhão, mas foram 25,5% inferiores às de maio de 2015. Mais do que o valor, aumentou o número de unidades (+32,7 mil) entre os primeiros meses de 2015 e 2016.

Sem esperanças de retomada do mercado interno, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, previu que a produção de veículos cairia 5,5% entre 2015 e 2016, para cerca de 2,3 milhões de unidades, e as vendas, 19%. Estoques de 236,4 mil unidades equivalem a 42 dias de vendas. Para não cortar mais pessoal (há 27 mil em regimes especiais de trabalho), o setor pede regras claras, que favoreçam a previsibilidade. É uma demanda razoável, difícil é dizer como atendê-la.

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