Famílias voltam a se endividar para consumir

O número de famílias paulistanas que tomou dívidas para consumir aumentou em cerca de 200 mil em 2017, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro da FecomercioSP

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 03h13

O número de famílias paulistanas que tomou dívidas para consumir aumentou em cerca de 200 mil em 2017, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro da FecomercioSP. “É sinal de que as famílias estão ampliando seu consumo com auxílio do crédito”, afirmaram técnicos da entidade. O otimismo quanto ao comportamento do varejo cresceu com o resultado positivo das vendas de Natal.

Feita com 2,2 mil consumidores da capital, a Peic revelou que a parcela de famílias endividadas com renda inferior a 10 salários mínimos aumentou 3,5 pontos porcentuais entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, para 59,9%. Nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento cresceu 7 pontos porcentuais, atingindo 45,9%. Tomar dívidas é sinal de mais confiança no futuro, mas há outras explicações. Por exemplo, a queda dos juros das aplicações financeiras reduziu os rendimentos das famílias que têm maiores reservas. Para manter o consumo, essas famílias aceitaram fazer dívidas.

A inadimplência caiu entre novembro e dezembro de 2017, de 20,4% para 19,7%, mas ainda está em nível alto.

Dos inadimplentes, mais de 60% pretendem pagar o total devido ou, ao menos, parte da dívida. Mas 290 mil famílias paulistanas admitiram que não conseguirão pagar o que devem. Em dezembro, 73,4% das famílias tinham dívidas no cartão de crédito, que são muito onerosas.

Simultaneamente, foi divulgada pesquisa da SPC Brasil e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), indicando que a confiança dos consumidores – do que dependem as vendas – ainda está no campo negativo: de 41,9 pontos em janeiro de 2017 ficou em 40,9 pontos em dezembro, abaixo de 50 pontos que separam as faixas positiva e negativa.

O momento da economia ainda é difícil para 84% dos 801 entrevistados pela SPC. Em dezembro, 43% tinham avaliação negativa da própria vida financeira, mas 53% esperavam que a situação melhore.

Apesar da queda da inflação, o maior problema ainda é o custo de vida, seguindo-se o desemprego, a renda familiar insatisfatória e o endividamento. Os juros caíram, mas ainda são elevados, notou a economista Marcela Kawauti. A retomada econômica será mais rápida com uma queda acentuada dos juros cobrados pelos bancos dos tomadores.

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