Fatores que podem favorecer a oferta de crédito

Levantamento do resultado líquido de quatro grandes bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) no terceiro trimestre revela que houve queda na inadimplência, possibilitando uma redução de R$ 16,4 bilhões (ou 21%) das provisões para devedores duvidosos em relação ao mesmo período de 2016, na soma das instituições

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h11

Um dado importante reforça a expectativa de uma elevação significativa da oferta de crédito e de uma redução do custo do dinheiro para os consumidores e as empresas, condizente com o ritmo de baixa da taxa básica de juros, hoje em 7,5% ao ano e que pode fechar 2017 em 7%. Levantamento do resultado líquido de quatro grandes bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) no terceiro trimestre revela que houve queda na inadimplência, possibilitando uma redução de R$ 16,4 bilhões (ou 21%) das provisões para devedores duvidosos em relação ao mesmo período de 2016, na soma das instituições.

No geral, a diminuição dos atrasos no pagamento de empréstimos por períodos superiores a 90 dias verificou-se no segmento de crédito às pessoas físicas, refletindo um aumento da renda disponível pelos assalariados. No caso do Banco do Brasil, por exemplo, o índice de inadimplência, que vinha em ascensão este ano, caiu de 4,1% para 3,94% do segundo para o terceiro trimestres, na primeira queda registrada desde dezembro. Já no Bradesco, a taxa de calotes ficou em 4,8%, 0,6% ponto porcentual a menos que em setembro de 2016.

Os recuos parecem pequenos, mas favoreceram os bons lucros apresentados pelos grandes bancos. O maior entrave para a retomada do crédito têm sido as pessoas jurídicas, notadamente grandes empresas em dificuldade, que por problemas conjunturais ou questões judiciais apresentam níveis elevados de endividamento. Isso impactou a oferta de crédito nesse segmento, que encolheu cerca de R$ 90 bilhões no terceiro trimestre, em comparação com idêntico período do ano anterior.

Ainda que as negociações em curso para a resolução destes casos pendentes não avancem, a perspectiva é de que os calotes dos consumidores permaneçam em queda, criando condições para novo corte de provisões. É possível que, no quarto trimestre, de maneira a atender ao maior movimento de fim de ano, a oferta de crédito apresente recuperação.

Sob esse aspecto, os bancos são mais otimistas quanto a 2018. O presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, projeta crescimento de 6% do crédito em geral no próximo ano. O que os clientes de todos os bancos esperam é que isso ocorra paralelamente a uma redução apreciável das taxas de juros na ponta para todas as modalidades de empréstimo.

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