Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 04h00

LUTO

Somos todos Chape

Uma lástima imensa, acho que o Brasil inteiro ia torcer pra Chapecoense hoje. Que sirva para evitar tragédias semelhantes em 2017, visto que a Conmebol inchou os torneios sul-americanos e haverá muitas viagens malucas de times brasileiros América do Sul afora.

Luiz Henrique Penchiari

lpenchiari@gmail.com

Vinhedo

Tragédias cotidianas

O futuro morre a cada dia na falta de segurança nas ruas, na violência do trânsito nas cidades, nas estradas, nos hospitais indigentes, nas escolas abandonadas, na falta de infraestrutura econômica, de oportunidades para as pessoas e de condições adequadas para se atingir um objetivo maior, como na tragédia que se abateu sobre o futebol.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

GOVERNO TEMER

'Fatozinho’...

Três dias após a queda do então ministro Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, o presidente Michel Temer afirmou (28/ 11) que “qualquer fatozinho abala as instituições”. Se for comparado com os casos dos envolvidos na Operação Lava Jato, o do ex-ministro talvez não passe mesmo de um “fatozinho”, como afirmou o presidente. Mas se lembrarmos que apenas uma gotinha de sangue pode ser suficiente para avaliar o estado de saúde de um organismo, o episódio Geddel deu para avaliar a imoralidade que sempre reina na cúpula do governo brasileiro, no qual sempre prevalece o tal do “jeitinho brasileiro”. Uma lástima! 

Edgard Gobbi

edgardgobbi@gmail.com

Campinas 

Se a queda de seis ministros de Estado em apenas seis meses, motivada por faltas gravíssimas, não passa de “fatozinhos”, o que seria um grande fato para o sr. Temer? Sua queda da Presidência, por exemplo?

José Marques

seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

Transição necessária

Temer virou Judas de Quarta-Feira de Cinzas. Todo mundo quer bater. Este governo parece ser uma transição necessária. Pelo menos foi o que deu a entender Fernando Henrique Cardoso sobre a comparação da travessia, se for o caso, até por uma pinguela. Não há nada tão ruim que não possa ser piorado.

Ulysses F. Nunes Jr.

ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

Exigência

A população, que paga pelos pecados mortais cometidos por altos coturnos da política, tem o direito de exigir limpeza e austeridade no trato da coisa pública.

Oscar Rolim Júnior

rolimadvogado@gmail.com

Itapeva

Saldo positivo 

No frigir dos ovos, o desastrado episódio Geddel Vieira Lima deixa um saldo positivo. Se porventura o escandaloso projeto de anistia do caixa 2 ainda vier a passar no Congresso – parece não ser mais o caso –, não haveria como o presidente Temer sancioná-lo, se quiser permanecer no cargo até o fim de 2018. Além disso, e tão ou mais importante, a opinião pública não tolera mais esse coronelismo arrogante do “você sabe com quem está falando?”, muito usado por caciques do PMDB. Tampouco tolera que o Planalto passe parte preciosa do seu tempo discutindo problemas particulares de ministros, como denunciou Marcelo Calero. Há ainda ervas daninhas nesse Ministério e é preciso extirpá-las antes que protagonizem mais escândalos. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

Impávido sinuoso

O Brasil insiste na vocação de produzir redemoinhos viciosos. Nem bem acabamos de destituir do governo a representante de um partido cujos expoentes protagonizaram, há mais de 50 anos, a tentativa de implantar uma ditadura do proletariado e, recentemente, com disfarce juridicamente mais ameno, causaram o maior escândalo de corrupção, como nunca antes neste país. Pois com a crise ainda mal resolvida, nas últimas semanas os protagonistas mais atuantes no noticiário foram Renan Calheiros e Geddel Vieira Lima, conhecidos há décadas por atuações pouco explicadas ou ainda em fase de processo judicial. Nada que seus eleitores não tivessem tido muitas oportunidades de resolver nas urnas, mas que aí continuam, na crista da onda lamacenta de nossa política.

Edison Ribeiro Pereira

edisonribeiro@hotmail.com

São Paulo

FORO PRIVILEGIADO

Excrescência jurídica

O advogado do famigerado Renan Calheiros chama o foro privilegiado de a “vilã da ocasião”. Seria hilário se não fosse mais uma comprovação da indigência moral que assola o Brasil, mais precisamente nas esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário. Os advogados dos políticos, em geral remunerados com descabidos honorários, frequentemente colidem com as tentativas do povo de eliminar as graves distorções legais que permitem a impunidade desses infames políticos, dos quais Renan Calheiros é o exemplar mais fulgurante no momento. Pôr um político dessa estirpe atrás das grades seria um homérico benefício para o País. Daí por que o causídico sai em defesa dessa singular excrescência jurídica, o foro privilegiado.

João Paulo O. Lepper

jp@seculovinteum.com.br 

Rio de Janeiro

Carência moral

Em editorial (26/11, A3) o Estadão discute uma vez mais a sobrecarga do Judiciário devida ao foro privilegiado. E atribui ao fato de haver 620 pessoas nessa categoria uma das causas de tal sobrecarga. Independentemente da discussão sobre a amplitude desse “privilégio”, cabe também a discussão sobre por que esse número de pessoas, afinal, mínimo como parcela da população, causa tanta sobrecarga. Tivéssemos uma elite política digna e proba, raros seriam os casos de processos e inquéritos. Ou talvez tenhamos uma “elite” processante que utiliza as acusações como arma política. De qualquer forma, e acredito que ambos os argumentos sejam igualmente importantes, o que temos é uma absoluta carência de caráter moral nos dois grupos. Em países com caráter moral, a simples acusação provoca envergonhado pedido de demissão do acusado e a acusação sem fundamento leva ao ostracismo e a penalidades do acusador. Como criar um país com caráter moral? Essa é a questão principal a ser debatida.

Antonio Claudio Lellis Vieira

lellisvieira@gmail.com

São Paulo

Luto pela Chapecoense

O Brasil está de luto. Um grupo de jovens esportistas integrantes de um time de futebol em plena ascensão, a Chapecoense, de Santa Catarina, e vários profissionais de imprensa nos deixaram ontem, impactando toda a sociedade com a perda. Movido e consternado pela tristeza e com o sentimento de pesar às famílias e aos amigos, todo o País se solidariza e compartilha a tristeza que empanou esta manhã de terça-feira. A morte é parte do roteiro da vida, mas é doloroso vê-la bater assim, de frente, e desfazer os sonhos e projetos de tantos, em plena força de trabalho, transbordando energia. Tristeza.

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

Tragédia na Colômbia

Do que é feito o homem? De carne e de osso? De pensamentos? O que impele o homem? Vontades? Objetivos e metas? O que faz o homem ser melhor para com seu próximo? Interesse? Solidariedade? O que dignifica o homem? Trabalho? Caráter? Essas são respostas praticamente lógicas, pois acompanham o ideal de vida da maioria das pessoas. Entretanto, em meio a tantas lógicas, inúmeras obviedades e um sem número de argumentos possíveis, encontra-se a esperança. É ela que transcende a carne, transforma o pensamento, fomenta a vontade, aproxima o objetivo, nos faz solidários e nos coloca (através do trabalho) diante de Deus. E era exatamente isso que aquele avião rumo a Medellín transportava. Pessoas do nosso tempo (tempos de guerra, ódio, insanidades e corrupção) que cumpriam seu trabalho de forma digna e alegre, com o intuito de produzirem a sua esperança em dias melhores e, consequentemente, espalhá-la ao mundo. Perder pessoas sempre será uma tragédia e é só a esperança que dá um alento àqueles que ficam. Que Deus conforte os familiares e amigos de toda Chapecó e conceda forças aos sobreviventes.

Cristiano Botelho Alves

cabalah.3@hotmail.com

Itajaí (SC)

Solidariedade

Chapecoense... o sonho acabou. Às famílias enlutadas, minhas condolências.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

Orações

O zagueiro Neto, um dos sobreviventes da tragédia da Chapecoense, antes do embarque, disse que os jogadores contavam com as orações dos torcedores. Os sentimentos e as orações de todos os brasileiros estão com eles. 

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

Lição para o mundo

O gesto do adversário na Sul-Americana, o Atlético Nacional, pedindo, entre outras coisas, que o título seja concedido à Chapecoense ilustra bem a comoção global diante desta tragédia. No momento em que todos se sentem derrotados, a rivalidade e as diferenças desaparecem, e nada importa mais do que o amor, a solidariedade e a fraternidade, presentes tanto no abraço apertado da saudade quanto na longa prece do adeus. Que sirva de lição para um mundo, tão regularmente distante da paz.

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

A reconstrução da Chapecoense

Em relação à terrível tragédia aérea que vitimou a maioria dos jogadores e dirigentes da Chapecoense, bem como alguns integrantes da mídia esportiva, será que – no não raro caótico, porém solidário, futebol brasileiro – há lugar para a cessão, mediante empréstimo não remunerado, de um jogador por cada um dos 22 maiores clubes nacionais para aquela agremiação esportiva, com a finalidade de reconstruir sua história de cinderela? Seria uma magnífica homenagem àqueles que se portaram de forma tão edificante e digna. Seria um extraordinário exemplo para a juventude de todos os quadrantes do globo. 

Aléssio Ribeiro Souto

souto49@yahoo.com

Brasília 

Ajuda

Somando todas as circunstâncias que levaram ao triste acidente com a equipe da Chapecoense, fica marcado na nossa consciência o sentimento de total consternação pelas vidas ceifadas, jovens com futuros brilhantes, profissionais da mídia engajados numa missão quase sempre criticada, dirigentes com seus ideais pré-definidos – e abortados. A mínima atitude formal que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem de tomar, além dos votos fúnebres, é a de manter por tempo indeterminado a Associação Chapecoense de Futebol na série A do Brasileirão. Por outro lado, os dirigentes das outras agremiações deveriam se unir e prestar ajuda solidária humana e emergencial aos chapecoenses, do seguinte modo: cada time emprestaria dois ou três jogadores para poder ser formada nova equipe, evidentemente que a parte financeira correrá por conta do tomador. Uma atitude como essa resgatará para sempre a saudade dos intrépidos atletas falecidos e amainará por um tempo definido por Deus a dor dos amigos e de todos os familiares.  

Aloisio De Lucca

aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

Desastres aéreos

A direção da Chapecoense fretou um avião particular, relativamente antigo, de porte médio, com quatro turbinas, que o tornava apto para decolar em pistas curtas, mas considerado “gastão” de combustível, recomendado apenas para voos de média distância, até 3 mil quilômetros. Talvez não fosse o ideal para sobrevoar a Floresta Amazônica ou os contrafortes dos Andes em voo noturno.

Sergio S. de Oliveira

ssoliveiramsm@gmail.com

Monte Santo de Minas (MG)

A porta arrombada

A tragédia com o avião da companhia LaMia deixou, por enquanto, 70 mortos, entre membros da delegação da Chapecoense, tripulação e jornalistas. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para variar, não autorizou o avião fretado pela Chapecoense de seguir para Medellín. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, não tinha um avião para levar a delegação. Diz o ditado que só se coloca a tranca na porta depois de arrombada. Diante da tragédia, o governo brasileiro e a CBF disponibilizaram aeronaves para levar familiares, equipe médica para socorrer as vítimas e para o reconhecimento dos corpos. O que ficou mais caro, a proibição da Anac ou a omissão da CBF?

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

Cerimônia para Fidel Castro

Apesar de Fidel Castro ter sido ditador e literalmente dono de Cuba por quase 60 anos, percebe-se uma infindável multidão disposta a passar horas na fila e sob sol escaldante somente para ver, ao longe, um caixão fechado coberto com uma bandeira. Pelo visto, o truque do sanduíche de mortadela foi inventado na pequena e miserável ilha e difundido para mundo afora. Como a tal propagada “revolução socialista” não vingou, pelo menos o truque da mortadela, ou mesmo sem ela, está dando certo em alguns países. 

Frederico Fontoura Leinz

fredy1943@gmail.com

São Paulo

Fidel Castro

Morreu Fidel. Cubanos, podem olhar para o céu. Certamente, lá não estará Fidel...

Edison Marcomini

marcomini@maaxial.com.br

São Paulo

Lixo da história

É verdade que Fidel Castro começou bem... afinal, existia uma elite depravada, mafiosa e capitalista selvagem que explorava o povo há muitos e muitos anos. E foi por isso mesmo que o povo o apoiou na revolução e se fascinou com sua oratória brilhante e  promessas socialistas. Infelizmente, o poder o seduziu e inebriou, como a tantos outros ditadores.  O mundo deveria respirar aliviado com a partida tardia deste criminoso, mas o que vemos é surpreendente. A liderança política mundial e brasileira, apoiada por uma mídia tendenciosa, quando deveria ser neutra, se curvaram ao mito. Isso só se explica pela carência de líderes da humanidade. De quando em vez surgem figuras carismáticas que arrebatam o subconsciente humano, criando histórias inspiradas nos ideais de solidariedade e justiça que nada têm que ver com a realidade que a pessoa pratica. A consequência natural é a construção do mito, a quem tudo é permitido, perdoado e justificado, protegido pela aura do herói, não importando quanto de mal ele tenha praticado, quantas tragédias em escala gigantesca como genocídio tenha produzido. Até agora não ouvi nenhum líder político nacional ou mundial apontar o dedo de acusação, em homenagem às famílias de milhares assassinados simplesmente por pensarem diferente, nem a gerações de cubanos privados de suas liberdades e de seus sonhos. Lixo da história, que, infelizmente, será colocado no panteão dos seres extraordinários do século passado, a exemplo de Che Guevara, relegando às futuras gerações uma referência mentirosa de um exemplo a ser venerado e, talvez, fonte de inspiração para outros facínoras. E assim caminha o rebanho!

Paulo Hegg

paulohegg1@gmail.com

São Paulo

Adiós, Fidel

Fidel Castro, que governou Cuba durante décadas, faleceu na última semana. Seguidor da União Soviética, Fidel enfrentou um profundo embargo econômico dos Estados Unidos. Ao fim da guerra fria, Cuba ficou sem o financiamento russo, o que culminou num verdadeiro fracasso econômico. O ditador fracassou na luta de integração da América Latina. A economia da ilha atualmente é um fracasso, onde a maioria dos 11 milhões de habitantes vive com uma mísera renda per capita. O anti-imperialista repudiou as políticas de globalização e acumulou uma dívida externa impagável para o país.

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte 

Não fará falta

Parte dos políticos do mundo está a lamentar a morte de Fidel Castro. Ditador, assassino, que em troca de alfabetizar o povo cubano tirou de todos eles a liberdade. Simplesmente os alfabetizou, pois ouvir que o ensino de Medicina de Cuba é de primeira, mais parece uma grande piada, bastando que se analise a atuação dos médicos cubanos que aqui vieram clinicar. Quais são os grandes mestres de Medicina que dão aulas em Cuba? Quais os nomes dos cientistas cubanos? Não existem. Ouvi de um médico brasileiro que os seus colegas cubanos são bons enfermeiros, nem muito bons, somente bons. Os cubanos passam fome, mas são alfabetizados. Não têm liberdade de ir e vir dentro daquela ilha, mas são alfabetizados. Ora, melhor ser analfabeto do que escravo do regime político implantando no país. Os que mais lamentam a morte daquele assassino são os imbecis de sempre, Lula, Maduro, o cocaleiro da Bolívia, etc. Realmente, tal pessoa nenhuma falta fará ao mundo.

Carlos Alberto Ferreira

carlos.alberto572@terra.com.br

Águas de Lindóia

Conjuração da propina e a síndrome de Geddel

 

Abortou, ao que parece, a gestação da República dos Patifes, em Brasília. Em espetáculo explícito de dissimulação cênica e cínica, os presidentes da República, do Senado e da Câmara dos Deputados convocaram a imprensa, em pleno domingo, para proclamar repúdio à Conjuração da Propina, no Congresso Nacional, pela anistia ampla, total e irreversível para o banditismo político. E o fizeram porque os capilares da sociedade, agitados, anunciaram a volta às ruas no dia 4 de dezembro de 2016, domingo. A virtude, mesmo aparente, causa suspeição no Brasil. Qual de nós pode acreditar em qual poder? O Judiciário, inquieto, teme perder os salários que debocham do teto constitucional. A volúpia financeira da toga é moléstia visível do auxílio-moradia às regalias malignas embutidas na pretendida nova Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A prostituição moral e monetária no Legislativo e no Executivo não encontra paralelo mundial, balizada apenas entre mensalão e petrolão. Abscessos purulentos de Belo Monte, BNDES, Telebrás, Eletrobrás, etc. não foram lancetados ainda. Vis ladrões grifados. A corrupção é um câncer em estágio metastásico ao qual a Operação Lava Jato não basta como terapia. Partidos políticos, PT e PMDB à frente, tornaram-se magotes de canalhas. Os serviços públicos apodrecem no Brasil, quando deveriam apodrecer no cárcere espécimes do tipo Lula, Cabral, Renan, Garotinho e outros cujos nomes significam delitos de toda ordem. A fome se alastra. O desespero dos empregados do Estado explode no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Em outros Estados, o desassossego é geral, acossados todos estamos pela inflação descontrolada e pelos salários sangrados. Enquanto o desemprego em massa e a miséria avassaladora fustigam o sono e destroem os sonhos de milhões de brasileiros, o Brasil de Brasília mantém o deslumbramento dos palácios nababescos, dos restaurantes caríssimos, sofisticados, dos carrões cintilantes, da patifaria glamourosa e do tráfico de influência, ou Síndrome de Geddel. 

José Maria Leal Paes

josemarialealpaes@gmail.com

Belém

A importância relativa dos problemas

Está se dando uma tremenda importância para a demissão dos ministros Marcelo Calero (ex-Cultura) e Geddel Vieira Lima (ex-Secretaria de Governo), em detrimento do problema da gigantesca corrupção dos políticos. No caso de Geddel, é possível que ele tenha feito um negócio honesto, legítimo na compra do apartamento em Salvador (BA) e que, após a compra e seu pagamento, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tenha decretado a área como intocável pelo seu “patrimônio histórico”. Mesmo que as tentativas de persuadir o ex-ministro Calero para reverter a decisão do Iphan tenham sido inapropriadas pela sua natureza de favorecer um membro do governo, havia roubo dos cofres públicos? O povo estaria sendo prejudicado? Ou quem estaria descontente não seria só um grupinho de intelectuais? O que o povo sofreria com isso? É um tremendo engano desviar a atenção do gigantesco roubo da Petrobrás e da vergonhosa tentativa de perdoar os crimes dos políticos, tais como o caixa 2 e a lavanderia de dinheiro.

Antônio P. Serra

apserra@uol.com.br

Santana de Parnaíba

Ágil como uma tartaruga

Michel Temer, com sua peculiar agilidade, rapidez e determinação, somente agora afirma que vai “ouvir a voz das ruas” e vetará a anistia a caixa 2. Até a semana passada, só ouvia a voz dos políticos corruptos, que, percebendo a sua fragilidade, sempre decidiam em prol de seus próprios interesses. Muda Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo 

Entre 'cumpanheiros'

Michel Temer, estão te chantageando com medo do caixa 2? Temer está fazendo como Lula, prestigiando seus “cumpanheiros” no ministério.  Quando iniciou seu governo, o povo brasileiro estava apreensivo, mas com muita esperança, e ainda acredita em Temer. As palavras “Fora Temer” e “É golpe” já estão indo para o esquecimento, porque o PT não tem cara para rebater tanto roubo/corrupção. Quando é que Michel Temer vai ter juízo? Quantos ministros já trocou? Agora, novamente, Geddel Vieira Lima, Jucá e outros. Antes de empossá-los, deveria ter visto a ficha de cada um. Que não aceite em hipótese alguma respingos de ficha suja, ou Michel Temer será mais um extirpado do governo, acabando com as esperanças dos brasileiros

Wagner Gatti

gatti.wagner@gmail.com

Indaiatuba

Bola-fora

Suspeito de que o presidente Temer não tem a tão alardeada habilidade política que se propala. Como é que um presidente, diante de uma plateia de empresários, diz que “qualquer fatozinho abala nossas instituições”, se ele está na Presidência justamente graças a essas frágeis instituições? E o que dizer do PT, apeado do poder, e alguns de seus poderosos próceres presos, enquanto o País está aí trabalhando e dando o seu suor para sairmos de uma crise econômica nunca antes vista? Ou seriam instituições fortes aquelas que protegem nossos amigos e execram os inimigos? Francamente, senhor presidente! Mais uma bola fora.

Éden A. Santos

edensantos@uol.com.br

São Paulo

     

'Fatosinho'?

“‘Qualquer fatosinho abala instituições’, diz Temer” (“Estadão”, 29/11, A4). Acobertamento de falcatrua de ministro de Estado não é “fatosinho”, não. Trata-se de um baita fatosão.

Roberto Twiaschor

rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

   

Mandando recado

Senhor presidente Temer, para que ter de se justificar a cada nova nuance? Para que tentar defender alguns dos seus ministros? Para que estimular o “Fora Temer”? Acabe com isso, basta dizer em alto e bom som que o senhor não será candidato à próxima eleição (em hipótese nenhuma).

Marcos Catap

marcoscatap@uol.com.br

São Paulo

 

Me inclua fora dessa!

Em sendo verdade – e temos todos os motivos para  acreditar que seja – tudo o que foi dito pelo ex-ministro Marcelo Calero acerca daquele imbróglio do apartamento do outro ministro, Geddel, direta ou  indiretamente está colocando Michel Temer numa situação tão crítica e precária quanto a de Dilma Rousseff pouco antes do impeachment. É “coisa” muito feia!

 

Eleonora Samara

eleonorsamara@bol.com.br

São Paulo

Mocinho ou bandido?

Ainda não entendi bem qual é a do ex-ministro Marcelo Calero. Mocinho ou bandido? Mocinho, quando identifica uma extorsão ou tráfico de influência e bota a boca no trombone. Bandido, quando, por não saber lidar com os crimes nem peitar um colega tão ministro quanto, vai para o colo de Temer carregando consigo um gravador (“Papai, ele roubou minha bola...”).

Eliana Pace

pacecon@uol.com.br

São Paulo

Crise política

O governo Temer se desmonta e a dúvida é apenas se sua substituição será por eleição direta ou indireta. O embate não será entre oposição e situação, e, sim, entre os que defendem o protagonismo do povo ou o do Congresso Nacional. Pelo calendário, a deposição – ou renúncia – do atual ocupante ficará para o reinado de Momo, e assistiremos mais uma vez a um lapso democrático em tão pouco tempo.

 

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

Piada patética

A oposição tem todo o direito de pedir o impeachment do presidente Michel Temer pelo motivo que quiser. Só que a senadora Gleisi Hoffmann (PT), ré na Operação Lava Jato por crime de corrupção – e que, por esse motivo, já deveria ter se afastado do cargo –, vir a público dar lições de moral e bons costumes é uma das piadas mais patéticas do ano. Menos, senadora. Não subestime nossa inteligência. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

Caos nos estados e municípios

Conforme matéria do “Estadão” de 28/11, os Estados e municípios devem mais de R$ 120 bilhões a bancos públicos. E mais: o governo federal já fechou um acordo para repassar aos Estados uma ajuda extra de mais de R$ 5 bilhões, arrecadados com multas de quem regularizou dinheiro mantido no exterior. Será que para receber essa ajuda governamental os governadores vão cortar gastos, como rebaixar salários de funcionários, e fazer reformas na Previdência dos Estados? Eu duvido. 

Edgard Gobbi

edgardgobbi@gmail.com

Campinas 

As joias de Cabral

Joalheria criou sistema paralelo para o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e sua esposa comprarem R$ 5,1 milhões em joias sem nota fiscal. Agora entendo os incentivos fiscais concedidos às joalherias nos últimos anos. O próprio governador fraudando o Tesouro Estadual? Comprando joias sem nota fiscal? Belo exemplo! É a máxima: “O Estado que se dane, eu quero cuidar de mim”. Com tudo o que tem sido descoberto e divulgado sobre a corrupção e a propina no governo Sérgio Cabral, se ele vier a ser solto, seja lá de que maneira for, será um tapa na cara da sociedade. Na China se executa por corrupção, aqui se executa o povo.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

Riqueza sem mérito

A “Riqueza” na vida do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) também atendia pelo nome de Adriana Ancelmo. Na intimidade, esse era o apelido da ex-primeira-dama do Estado, de 46 anos, que costumava devolver gracejo com um singelo “Meu Anjo”. No último dia 22, depois de alguns dias de separação, “Riqueza” visitou “Meu Anjo”. Ele está no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio, para onde foi levado preso pela Polícia Federal. Esse é o efeito de alguém do Poder Judiciário que age com competência, imparcialidade, justiça e, acima de tudo, cumprindo fielmente o seu dever. Mostrou aos brasileiros que quem antes vivia sorrindo com uma falsa riqueza e praticando a corrupção hoje vive na prisão chorando a desgraça de ter sido desmascarado para todos os brasileiros.

Benone Augusto de Paiva

benonepaiva@gmail.com

São Paulo

Polícia

Faltou instalar uma UPP dentro do Palácio Guanabara, para fiscalizar os ocupantes do governo do Rio de Janeiro.   

Arcangelo Sforcin Filho

arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

Não vimos nada ainda

O Brasil não deve retomar o crescimento econômico tão cedo, e isso é normal. Saúde financeira é como castelo de cartas: demora muito para construir um, mas derruba-se tudo com um sopro! Os governos do PT levaram o País, que já não era “nenhuma Brastemp” econômica, ao fundo do abismo. Não existe mágica, senhores, nem forçando aumento de consumo nem investindo o que não se tem na área pública: dinheiro. O consumo só aumentaria com o aumento de crédito ao consumidor, o que significa dívidas e, com o desemprego, a inadimplência. Já vimos este filme. A bolha de consumo inflada por Lula da Silva explodiu e é isso o que estamos encarando. A única saída é equilibrar as contas cortando despesas. Quem sabe, assim, apareça algum dinheiro. Porém, só o fato de o buraco não ficar mais fundo ainda já nos serve de consolo. Ao que parece, qualquer dona de casa ou assalariado com as contas em ordem entende mais de economia do que os “especialistas” ou técnicos do governo. Os governos ainda procuram maneiras fáceis e erradas de consertar o estrago. Ouçam-nos, senhores!  Cortem! Carros oficiais, motoristas, garçons, aluguel de mansões, os auxílios de todos os tipos, as viagens, o cartão de crédito, a licença prêmio, o lanchinho, o cafezinho. Se houver greves no setor público, feitas por esta gente que parece viver em Marte e ainda pede aumento de salário, exonerem todos. Há 20 milhões de pessoas ociosas querendo muito trabalhar! Se os grevistas não estão contentes, que deem espaço aos hoje desempregados. O ministro do Supremo ou o procurador reclamou porque vai ter de usar seu próprio carro ou vai ter de arcar com o aluguel da sua casa? O problema é dele. A porta da rua é serventia da casa. Se é por falta de adeus, 200 milhões de brasileiros dizem: adeus, boa viagem. Não temos de pagar mordomias para ninguém. É assim que funciona, senhores. Acabem com o desperdício. Estimulem a poupança! Por enquanto, não vimos nada disso. Sem fechar a torneira, o vazamento só vai aumentar e o reservatório jamais vai encher de novo.  

Maria C. Rocha Azevedo

crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

Crise Bra$il

Da contundente entrevista ao “Estadão” do economista e professor Eduardo Giannetti da Fonseca (27/11, B6), sobre a mais grave crise política, econômica, moral e ética de nossa história, causa espécie, grande preocupação e apreensão crescente a situação do gigantesco número de 18 milhões de brasileiros à margem da vida produtiva, entre 12 milhões de desempregados e 6 milhões que nem sequer procuram trabalho, bem como os 60 milhões de inadimplentes, quadro que certamente levará o País no próximo futuro a uma crise social de proporções absolutamente imprevisíveis. A corda está sendo esticada dia a dia, rumo ao seu ponto de ruptura. Quem sobreviver verá.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

Mordomias

Recorro às palavras de um político para entender a situação atual: “Só não gosta de mordomia quem nunca experimentou”. Tratava-se de um interiorano que foi deputado estadual nos anos 80. Aquele senhor não teve sequer 1% das regalias de hoje. É honesto observar que tais privilégios são inerentes aos Três Poderes. Daí a desgraça da nossa República, onde quem está no poder se esbalda, porque a mordomia é o mínimo a se apoderar. A corrupção é a manteiga. A conta sempre foi nossa e assim será para sempre, até que a sociedade resolva dar um basta. Será traumático, pois o voto nas atuais condições é vitamina.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

Coronéis desta república

Quem diz que o coronelismo no seio das instituições acabou nesta terra tupiniquim? Um levantamento do “Estadão Dados” constatou que 13,1 mil servidores públicos ganham salários acima do teto, que é de R$ 33.763,00, como dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Como exemplo, um agente de saúde pública no Legislativo estadual do Pará recebe mensalmente R$ 118 mil. E, liderando categorias neste ilícito de salários acima do teto, estão 3.041 servidores do Judiciário estadual. Já no Executivo federal são 2.577, e no Estadual, 2.536. Difícil mesmo é digerir que exatamente aqueles que têm a prerrogativa de absolver ou condenar nossos cidadãos, como os 1.450 juízes de Direito e os 1.450 promotores, encabeçam categorias que descumprem o estabelecido pela nossa Constituição. Uma afronta!  Urge estancar esse desvio de recursos públicos beneficiando ilicitamente 13,1 mil servidores públicos. Se economizado, este valor no mínimo seria mais do que suficiente para manter em dia o fornecimento de medicamentos de alto custo, infelizmente em falta em todo o País.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

Leão incoerente

Para o brasileiro trabalhador que recolhe seus impostos mensalmente, o Leão lhe dá uma mordida de 27,5%, e, dependendo, cai na malha fina (por dez anos). Agora, para quem repatriou um dinheiro ilícito, às vezes fruto de propina – sabe-se lá de onde veio o numerário –, a mordida é de 15%. Chego à conclusão de que o Leão é contraditório, desconexo, irracional, paradoxal e ilógico. Pensando bem, desonesto feito para desonestos.

Carlos R. Gomes Fernandes

crgfernandes@uol.com.br

Ourinhos

Demissões 

O Banco do Brasil deverá aposentar 18 mil funcionários, reduzir a jornada de 6 mil funcionários e fechar 402 agências. A Caixa Econômica Federal vai pelo mesmo caminho, prevendo demitir 11 mil funcionários. Claro que a nova administração não dirá os reais motivos que fariam as ações desses bancos estatais serem reduzidas a pó. Mas ao leigo não fica difícil de acreditar que essa reestruturação tem por motivo principal a farra dos últimos 13 anos de governo petista. Devem ter penduricalhos de todos os tipos e maneiras, inclusive concursados demais para cargos de menos. E assim o Brasil vai, levando essa carcaça velha e sucateada deixada pelo lulodilmismo, tentando a duras penas salvar o que restou. 

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

'Habeas Corpus' no Supremo

Reportagem de segunda-feira (28/11) no “Estadão” mostrou que existem no Supremo Tribunal Federal (STF) 3.298 “habeas corpus” que aguardam julgamento, 1.426 sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, o mais antigo de 2008. Este é mais um dado de que este país não é sério. A frase, que durante muitos anos foi atribuída ao presidente francês Charles De Gaulle, na verdade foi dita pelo embaixador do Brasil naquele país, em 1962, Luiz Edgar de Andrade, depois do seu encontro com aquele presidente, para tratar da pitoresca “guerra da lagosta”. Triste é reconhecer que, decorridos todos esses anos, o Brasil continua a merecer a definição. No site do STF, encontrei o verbete “habeas corpus – medida que visa a proteger o direito de ir e vir. É concedido sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. Ora, para mim, que não sou da área do Direito, é irracional, dada a definição de “habeas corpus”, que ainda exista um processo desse naipe, desde 2008, aguardando a decisão do ministro, sem falar nos outros 3.298 no total no STF. Se, por hipótese, o ministro publicar hoje a sua decisão sobre o processo de 2008, por exemplo, o resultado dessa decisão já não terá a mínima serventia. O ministro Marco Aurélio Mello disse, com toda a razão, que “a carga de trabalho, para o ministro que pega pesado, que não transfere processo a assessores e juízes, é desumana”. Portanto, os ministros do Supremo deveriam editar norma para tais casos e outros assemelhados que os desafoguem de uma enxurrada de processos, muitos deles simples chicanas de advogados, cujo único objetivo tem o intuito de prolongar a decisão até conseguir a prescrição do ilícito por tempo decorrido, ou pela idade do réu. Chega a ser psicodélico.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Corpo mole

Sobre a reportagem “Ministro do STF tem 1.426 HC pendentes” (“Estadão”, 28/11, A7), se este senhor, que é campeão em dar entrevistas, deixasse de fazê-las, perdesse menos tempo em falar, menos tempo em tomar chá, menos tempo em aparecer na TV, e usasse este tempo para o que foi nomeado, talvez nem tivesse processos em pendência ou à espera de decisão. Aliás, isso se exige não só dele, mas de todos os demais daquela “Corte”. Não sou contra alguém querer “aparecer”, mas que o faça em suas horas de folga, depois de exercer suas obrigações, dignamente pagas e totalmente recebidas. Fosse na iniciativa privada, já teria sido demitido por justa causa, pela negligência, lerdeza, moleza e outras “ezas”. Quer que traduza?  

 

Jose Pedro Vilardi

vilardijp@ig.com.br

São Paulo

O campeão da demora

Acreditem se quiser, dos 3.298 pedidos de liberdade, “habeas corpus” (HC), à espera de decisão final no STF, 47% são do relator Marco Aurélio, sendo o mais antigo de 2005. “Habeas corpus” é um atalho processual para situações emergenciais e graves, que precisam de resposta rápida, e, mesmo assim, demoram anos para um simples julgamento. Questionado sobre o porquê da diferença em relação a seus outros dez colegas de toga, Marco Aurélio não respondeu. Agora, o povo quer e precisa saber: a quem interessa e quem se beneficia desta desproporcional demora? O preso obviamente que não é.

Arnaldo de Almeida Dotoli

arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

Lenga-lenga

O acúmulo no STF não é surpreendente. Assisti a algumas seções do órgão e fiquei impressionado com a divagação sobre os motivos do voto, o porquê da eventual divergência do colega, uma lenga-lenga que, a meu ver, estende desnecessariamente cada processo e sentença. Se não conseguem dar à Justiça a celeridade necessária, reformem o procedimento ou deleguem.

André C. Frohnknecht

caxumba888@gmail.com

São Paulo

Salários penduricalhos do judiciário

Leio no “Estadão” que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), Felipe Santa Cruz, declarou que o “Judiciário enfrenta crise de legitimidade pelos salários inflados”. Não há apenas crise de legitimidade, mas em especial crise moral, ética. Ainda que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informe que os benefícios são oriundos de recursos próprios do Judiciário, não há como negar que esse recurso é proveniente da repartição orçamentária, e, portanto, vem de um caixa só. Tanto é assim que os recursos correspondentes às suas dotações orçamentárias, incluídos créditos suplementares ou especiais, são repassados ao Judiciário até o dia 20 de cada mês. Ou seja, tem autonomia financeira para gastar, mas o dinheiro não brota no Judiciário. E mais: ainda que a juíza Renata Gil, presidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro, alegue que os benefícios são “rigorosamente legais e existem em outros poderes”, isso até pode ocorrer, mas não nessa proporção descomunal como acontece no Judiciário, em que há penduricalhos de toda ordem, como auxílio-moradia (R$ 4.377,00), auxílio-alimentação (R$ 1.825,00), auxílio-creche (R$ 1.052,34) para filhos de até 7 anos, e auxílio-educação (R$ 1.052) para até três filhos de 8 a 24 anos! E, por causa desses penduricalhos, só no Rio de Janeiro 861 juízes receberam salários acima do teto. Dentre os agraciados, a mesma reportagem cita a filha do ministro Luiz Fux, desembargadora Marianna Fux, eleita desembargadora sem que ao menos tivesse cumprido os requisitos básicos para figurar na lista sêxtupla emitida pela OAB para o preenchimento da vaga destinada ao quinto constitucional. Uma escolha bastante polêmica, haja vista que alguns desembargadores, inconformados com a indicação e como forma de protesto, não compareceram à sessão que definiu a lista tríplice a ser encaminhada ao governador Luiz Fernando Pezão. Falou mais alto o corporativismo. Uma vergonha. Em agosto, a desembargadora recebeu R$ 46.830,15, compreendendo o salário de R$ 30.471,11 mais os imorais penduricalhos, estes ainda não traduzidos, pois não sei o que significa salário a título de “indenização”, no valor de R$ 6.202,00, nem “vantagens eventuais”, no valor de R$ 10.157,04. Cargo vitalício, salário nas alturas, sossegada. Diz o dito popular que quem tem boca vai a Roma, mas quem tem pai influente vai mais longe ainda. 

Maria Lucia Fernandes

mldamfer@hotmail.com

Garça

 

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