Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

24 Abril 2017 | 03h04

LAVA JATO

O que falta esclarecer

O atual escândalo, de tamanho quase infinito, à falta de outra denominação vem sendo tratado pelo genérico Lava Jato, apesar de se espraiar por jurisdições além de Curitiba. Em todas as Varas de Justiça onde correm operações análogas se somam evidências que apontam corruptores e corrompidos, mas faltam esclarecimentos sobre diversas esferas do Estado que, anestesiadas, permitiram a expansão desses crimes, sem repressão. O caso do caseiro Francenildo ilustra a capacidade do Estado de, quando quer, esmiuçar a vida dos cidadãos. A Declaração de Ajuste do Imposto de Renda é peça que “voluntariamente” apresentamos na expectativa de que o Estado fiscalize. A Justiça só julga e eventualmente pune após o poder de polícia exercido pelo Estado apurar desvios e instruir processos, apuração que nem sempre depende de estímulo externo. O que logo salta aos olhos ao pensar na inépcia fiscalizadora é a dimensão das transações ilícitas. Quanto essas instâncias do Estado estavam anestesiadas para não tê-las percebido antes, fiscalizado, apurado e julgado? Isso tudo aconteceu por insuficiências institucionalizadas ou reprovável leniência? No caso de insuficiências, precisamos reformar nossas instituições; no de leniências, apurá-las e puni-las. Como passar um país a limpo sem que esses esclarecimentos se completem e a depuração seja feita? Ao avançar nesses esclarecimentos, surgirão desvios de conduta de órgãos fiscalizadores e de controle? Caso caracterizem uma Receita incapaz de perceber tantos enriquecimentos ilícitos, o efeito devastador da respeitabilidade dessa instituição pode derrubar o País; porém omitir a avaliação não o ajudará. E o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que fazia enquanto se urdiam as falcatruas? Se desvios houve em tais órgãos e funções, foi por insuficiência de recursos legais e institucionais ou cumplicidade? Infelizmente, essa rota em que as Lava Jatos nos levam pode ser mais profunda e decerto teremos mais órgãos ruins a extirpar para extinguir a parte falida, cara e inepta do Estado. Enquanto isso, assistiremos, na superfície das declarações da defesa dos implicados, a alegações que nos tomam por parvos, caso do informal contrato de comodato do triplex no Guarujá, cuja consumação integral ficou prejudicada, mas é uma evidência da ação do corruptor e corrompido. Não pode ser só de procuradores e juízes de primeira instância a responsabilidade de tudo esclarecer. Precisamos apoiar as Lava Jatos não só em atos públicos, mas com as demais instituições agindo, depurando o Estado. Que se esclareça tudo.

JOSÉ SIMÕES NETO

jsmantrareg@gmail.com

São Paulo

Abuso de Renan & Cia.

Nossa perplexidade ao sabermos que fomos governados clandestinamente pela Odebrecht durante tanto tempo contrasta com a tranquilidade, quase cinismo, dos delatores, cuja corrupção, aliada à corrupção política, forjou um monstro devorador das riquezas nacionais e do povo vilipendiado, sem emprego, saúde e esperança. Paralelamente a essa desventura, ainda sobra espaço para a desfaçatez de Renan Calheiros e seguidores, esforçando-se pela aprovação do projeto de abuso de autoridade, que visa tão somente a aniquilar a Lava Jato e mantê-los impunes, enquanto a sociedade grita pela aprovação das 10 Medidas contra a Corrupção, mesmo desfiguradas como foram, e contra o foro privilegiado, que eles defendem. Ora, os fatos – e não as negativas e os discursos – demonstram que esses abutres só estão preocupados com eles mesmos e, assim, não nos representam. Portanto, não basta não os reelegermos se o sistema permanecer o mesmo: que outra oportunidade de ouro teremos – no meio de tantas propostas de reformas – para mudar o sistema político para o parlamentarismo? Se já tivesse sido mudado, metade dos problemas atuais teria sido resolvida. Ou ainda, contra o absurdo da intenção de lista fechada, podemos acabar com o voto proporcional e implantar o voto distrital. Simples assim. Só sofremos por absoluto comodismo.

CARMELA TASSI CHAVES

tassichaves@yahoo.com.br

São Paulo

Medidas excepcionais

O Estadão (22/4, A3) faz alerta para a grande possibilidade de prescrição da aplicação da lei penal aos corruptos de plantão. Por outro lado, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, prometeu aumentar a equipe de juízes auxiliares do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, além de pôr em pauta o julgamento, o quanto antes, da restrição à aplicação do malsinado foro privilegiado. É cediço que a quantidade de denúncias e delações premiadas já tem condições de figurar no Guinness Book, mas, mesmo assim, esses corruptos ainda pretendem aprovar a lei de abuso de autoridade, tentando tolher as ações do Poder Judiciário. Alguma coisa está muito errada na condução política do País e nada indica que seja o Judiciário. Não é mesmo, Jucá, Padilha, Gleisi, Eunício, Lobão, Renan, Maia et caterva?

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

Acho que se deve imediatamente elaborar uma forma de que nenhum processo encaminhado ao Supremo prescreva. Como é Corte assoberbada por processos daqueles que têm condições financeiras para postergar à infinitude suas causas, pelo menos que nunca prescreva a causa como escusa de impunidade.

DÉCIO SQUASSONI

deciosquassoni@yahoo.com.br

São Paulo

Queima de arquivo

Tomara que não passe despercebida a inegável astúcia de Antônio Palocci ao depor perante o juiz Sergio Moro. Pressentindo que, por saber demais, poderá ser vítima de queima de arquivo (tal como os prefeitos de Santo André e de Campinas), demonstrou sutilmente seu desejo de fazer delação premiada, com requinte de informações (nome, endereço e operações realizadas por pessoas envolvidas em delitos de várias tipificações). Mesmo encarcerado, sente-se vulnerável e, indiretamente, pede proteção judicial que, evidentemente, deverá ser-lhe concedida.

PAULO GUIDA

paulo.guida@yahoo.com.br

São Paulo

Palocci vai ter os benefícios da delação e, sob rigorosa vigilância, dificilmente sofrerá queima de arquivo, como Celso Daniel. Não vai sobrar pedra sobre pedra.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha

Podia ter sido pior ainda

Obrigado, dona Dilma. Ao insistir em concorrer a um segundo mandato, a senhora nos livrou do terceiro mandato do homem mais honesto do Brasil. Aí, sim, a calamidade seria absoluta e irreversível.

CARLOS ICARAHY GONÇALVES

icarahyrg@gmail.com

São Paulo

“Nunca antes neçepaiz a inocência precisou de tantas testemunhas. Mas, como se diz em Curitiba, quando a inocência é muita a Justiça desconfia...”

A. FERNANDES / SÃO PAULO, SOBRE AS 87 DO MAIS HONESTO

standyball@hotmail.com

“Basta uma diferença de centavos para o povo cair na malha fina, mas para os bilhões da roubalheira ele nem ruge. Por que será?”

MILTON BULACH / CAMPINAS, SOBRE O LEÃO DA RECEITA 

mbulach@gmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MAIS UM ANO DE LAVA JATO

Durante seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Antônio Palocci disse que poderá revelar nomes e operações do interesse da Operação Lava Jato. Segundo Palocci, este seu futuro testemunho poderá acrescentar mais um ano de trabalho para a equipe da Polícia Federal. Palocci foi ministro da Fazenda de Luiz Inácio Lula da Silva e ministro-chefe da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff. O juiz federal também ouviu o ex-assessor de Palocci Branislav Kontic. O objetivo desta ação é a apuração de recebimento de propinas da empreiteira Odebrecht. Lula e Dilma ficam demasiadamente expostos, mais uma vez. Haja trabalho e habilidade para advogados dos dois ex-presidentes petistas!

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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PALOCCI DEU A SENHA

Palocci diz estar disposto a revelar nomes em seu depoimento dado ao juiz Sérgio Moro. Isso soou como uma ameaça a Lula e aos petistas e também um alerta de que, para falar, quer contrapartida. E depois Palocci disse que não tinha contrapartidas com os Odebrecht. Palocci esqueceu-se da sala cheia de malas quando ele ocupava a ponta de uma imensa mesa no Palácio do Planalto no dia 1/1/2003? Há tantas testemunhas, será que ninguém gostaria de contar como se dava a arrecadação?

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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MUITO A REVELAR

Com verdadeira ansiedade, os brasileiros aguardam as delações premiadas de Palocci e de João Santana, o marqueteiro da campanha de 2014 do PT, desde quando selaram acordo com a Lava Jato. O ex-ministro Palocci, na realidade, era o tipo de gerente bancário de Lula, para pagamentos e recebimentos da Odebrecht e de outras empreiteiras, tendo, pois, fatos inéditos e importantes para revelar ao Brasil. João Santana e sua esposa e sócia, Mônica Moura, por sua vez, como marqueteiros do PT e gestores publicitários das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, terão notícias importantes a narrar aos brasileiros. Todos devem ser considerados os terrores do PT, porque a exposição do partido e de muitos de seus integrantes será arrasadora e indefensável. Que venham logo os fatos desses delatores.

José C. de Carvalho Carneiro carneiro.jcc@uol.com.br

Rio Claro

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O HOMEM DE LULA

Delação de Palocci pode ser gota d'água para Lula. Gota d'água ou de cachaça?

 

José Roberto Niero jrniero@yahoo.com.br

São Caetano do Sul 

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IMOLAÇÃO

Palocci vai revelar os dados da conta? Lugar, número, senha de acesso? Ou vai se imolar pelo "deus" Lula?

Sandra Maria Gonçalves sandgon@terra.com.br

São Paulo

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DEIXEM O 'ITALIANO' FALAR

Estranho e no mínimo comprometedor o movimento do PT para não haver delação premiada de Antonio Palocci. Se Lula, Dilma e todos os petistas não devem nada - dizem eles que a delação premiada é tudo invenção e criação fictícia para os delatores se darem bem -, por que o PT quer evitar a delação do "Italiano"? Se Lula, santo, não deve nada e é tudo invenção, então libera geral a falação de Palocci, e vamos ver o que vai ser jogado no ventilador dele. 

Antonio Jose G. Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

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CALA-TE BOCA!

É óbvio que Antônio Palocci, José Dirceu, João Vaccari Neto e outros permaneçam em silêncio, mesmo condenados a duríssimas penas. Até porque, se contarem tudo o que sabem - e sabem muito -, não só eles, mas tudo o que os representa ou representou, até mesmo a República, sucumbiria. Simples assim!

  

Eleonora Samara eleonorsamara@bol.com.br

São Paulo

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OS DISCÍPULOS DE LULA

A maior e mais organizada empresa de corrupção do mundo é a Odebrecht. Nas delações premiadas de seus donos e ex-executivos, as acusações de corrupção atingem políticos de todo o País. A Odebrecht, devassa, não agia somente nos grandes partidos e nos notáveis líderes políticos, usava o caixa 2 em muitas cidades do interior do País. O apetite em inve$timentos era geral! Pois bem, nas delações, os nomes dos mais influentes políticos do Brasil estão sendo citados, alguns já foram presos e muitos bilhões estão retornando aos cofres públicos (o nosso dinheiro). Há dias estava sossegado tomando uma cerveja no bar da esquina de casa e algumas pessoas estavam conversando sobre as delações, dizendo que têm de prender estes ladrões, citando Aécio, Temer, FHC, Collor, etc., e depois falaram: "Lula é inocente, ninguém prova nada contra ele! Lula 2018!". É mole? Eu não me contive e falei que eram alienados, com paixão/devoção por um bandido! Evidentemente, o clima não foi dos melhores, um rápido bate-boca, mas tudo ficou na paz. Reflexão: diante de tantas evidências, que fascínio o ex-presidente ainda exerce sobre estes discípulos?

Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré

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AS 87 TESTEMUNHAS

O que leva o homem "mais honesto deste país" a arrolar 87 testemunhas de defesa, a não ser o propósito de tumultuar e procrastinar o processo tentando constranger, irritar e desmoralizar a atuação do juiz Sérgio Moro? Será que Emilio e Marcelo Odebrecht estão nesta lista, a fim de que possam testemunhar que "elle" jamais lhes pediu sequer R$ 0,50, ou, por um lapso de memória, Lula não se lembrou de chamá-los? A lamentar, ainda, a atuação de seus advogados, que se esqueceram de atuar pelo direito e utilizam dos meios mais escusos para atingir seus objetivos!

Mario Miguel mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

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ADAPTAÇÃO

Moro exige que Lula assista aos 87 depoimentos de suas testemunhas de defesa. Assim, Lula já vai se acostumando aos ares de Curitiba.

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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ELE PRECISA SABER

Ministro Fachin (STF), libere logo esta lista sigilosa. Já estamos cansados de tanta podridão. Vai que "o cara" empacota antes? Ele precisa saber que todos sabem o que ele fez com a política e o País.

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

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GENTE HONESTA

Já passou da hora de os políticos que não estão incluídos nas investigações e denúncias na Lava Jato perderem o medo dos "caciques" e começarem a mostrar que temos gente decente na política e que nem tudo está perdido.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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LULA, SEGUNDO EMÍLIO ODEBRECHT

Ao ler o relato que o empresário Emílio Odebrecht entregou à Procuradoria-Geral da República, publicado nos jornais nos últimos dias, pude entender muitas das absurdas obras realizadas pelo governo federal durante as administrações petistas. O empresário conheceu Lula no final da década de 1970, época em que ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. O empresário mencionou que, numa conversa com o general Golbery do Couto e Silva, o estrategista da ditadura militar, seu interlocutor mencionou que Lula não tem nada de esquerda. Ele é um "bon vivant", teria dito o general. "Ele quer ver a população mais carente sem prejuízo, sem prejuízo de quem tem". Essa passagem me impressionou muito, pois, em 1968, eu estava terminando o meu curso de Engenharia na FEI, em São Bernardo do Campo, e, durante a greve realizada pelos alunos, muitas vezes eu ouvi dos colegas que militavam nos movimentos de esquerda que Lula era um líder operário, que tinha a simpatia do general Golbery. Alguns, inclusive, o classificavam como pelego. Nunca pude comprovar, ou desmentir, a informação, até essa declaração de Emílio Odebrecht. Muitas das obras realizadas, que eu, como engenheiro, sempre achei absurdas, agora o empresário esclareceu o porquê de sua construção. Fizeram parte de algumas das obras influenciadas pela Odebrecht. As reportagens não descriminaram, mas, convenhamos, construir quatro arenas para os jogos da Copa do Mundo de Futebol em Estados onde existem pouquíssimos times de futebol jamais seria justificável, a não ser por outras influências. Mesmo a Olimpíada do Rio de Janeiro foi um absurdo de desperdício de dinheiro público que agora finalmente tem a sua explicação. É de pasmar a narrativa da intervenção do então presidente da República na obra da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, tocada pela Odebrecht. O empresário procurou Lula porque a licença ambiental não era dada pelo Ibama por causa da reprodução dos bagres. Contou o empresário que disse a Lula: "O Pais precisa de energia e vai ser paralisado por causa do bagre?". Lula encampou a tese da empreiteira e transformou o episódio numa referência frequente sobre a demora excessiva na concessão de licenças ambientais. Tanto ele quanto Lula não entenderam a complexidade daquele meio ambiente e a interdependência dos indivíduos da fauna e da flora da região. E esse desrespeito ao meio ambiente perdura até hoje.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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SINDICALISMO DE RESULTADO

Como enganar e trair trabalhadores: nestas delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht, ficamos sabendo que o ex-presidente Lula, na década de 1970, trabalhava para desmantelar greves, tendo ajudado a Odebrecht, nesse sentido, com uma greve geral que a empresa enfrentava no polo petroquímico de Camaçari. O deputado Paulinho da Força é outro que ganhava recursos para orientar o diálogo entre empreiteira e sindicatos. E os trabalhadores acreditando neles... Acordem!

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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O PAÍS DOS SINDICATOS

Se o Brasil é o campeão mundial em número de sindicatos, com mais de 17 mil, alguma coisa está muito errada. Deve ter sindicato até das "ararinhas azuis", porque não podemos imaginar que existam tantas profissões humanas diferentes que justifiquem um sindicato. Só com a ajuda dos animais e das plantas. Claro que, quando o ex-presidente Lula, notório ex-sindicalista, ao liberar os sindicatos da prestação de contas aos órgãos competentes, liberou geral para a malandragem e a multiplicação dessas entidades. Não existe outra explicação. Hoje existem presidentes de sindicatos milionários, recebendo até propinas para que impeçam greves e nadando neste acachapante imposto sindical. É muita grana rolando solta. Se cortar o imposto, não ficará um, querem apostar? 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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'TETAS PÚBLICAS'

Para quem não sabe, anote aí: no Brasil de hoje existem 16.008 sindicatos. Pelo que me consta, embasado no que aprendi, cada sindicato representa uma profissão, ou seja, uma classe de trabalhador, e sobrevive do governo federal e de mais um dia de trabalho de cada profissional de sua classe. Agora, a pergunta que não quer calar: Será que existem mesmo 16.008 profissões diferentes no Brasil, para fazer jus a tantos sindicatos? Para melhor compreender, não seria melhor trocar os nomes, ao invés de sindicatos, os chamaremos de "tetas públicas"?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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CORAGEM

Finalmente apareceu um deputado, Rogério Marinho, do PSDB, para propor acabar com a indecente cobrança obrigatória do Imposto Sindical. Por que será que ninguém tem coragem de lutar contra este absurdo que persiste há décadas em nosso país? Aliás, poderia aproveitar também para propor a drástica redução do número de sindicatos, que são verdadeiros cabides de emprego que, com o passar dos anos, poucos benefícios geram ao trabalhador, visando muito mais aos benefícios próprios.

 

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo

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A TRANCOS E BARRANCOS

 

Parece que, por vias tortas e muito pouco "republicanas", decidiram colocar a bola do fim da contribuição sindical na "marca do pênalti" para ser chutada em gol. Pressionados por sindicalistas em oposição às reformas da Previdência, trabalhista e outras, Suas Excelências parecem ter convencido Michel Temer - até então pouco assertivo em relação ao tema - a bancar politicamente o fim desta malsinada contribuição, instituída na não menos peçonhenta Constituição de 1937, chamada de "polaca", imposta por Getúlio Vargas no Estado Novo. O objetivo dos parlamentares - admitido sem qualquer constrangimento - é o de cortar o "oxigênio" (financeiro) do movimento sindical, um dos campeões da algaravia antirreformista. O fim desse "legado" - talvez melhor seria dizer flagelo -  da era getulista é reivindicação antiga da sociedade brasileira. Todavia, passados mais de 60 anos do suicídio de Getúlio Vargas, só agora os nobres parlamentares decidiram fazer algo a respeito. Só que por desforra, numa atitude retaliatória, em represália contra quem está "pegando no pé". Quiçá o fim dessa "herança maldita" da ditadura varguista seja aprovado para a felicidade da Nação e o desespero de quem se acostumou a viver das fartas tetas da República. E assim caminha o Brasil, algumas vezes para a frente, a trancos e barrancos, e pelos motivos errados.

 

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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EXTORSÃO OFICIAL?

O fim do imposto sindical obrigatório vem aí. Se tal ocorrer, e espera-se que ocorra, haverá uma verdadeira hecatombe no setor. Já não era sem tempo. Centenas, quem sabe milhares, de aproveitadores vão perder esta "boquinha". Pura e simples!

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Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo 

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DISCUSSÃO TRANSPARENTE

O momento político está mostrando o oportunismo de certas figuras que aproveitam para mostrar posicionamentos que exigem no mínimo um debate com a devida transparência. Por exemplo, o caso da posição de alguns que defendem a extinção pura e simples da contribuição sindical, argumentando seu uso inadequado e sem controle público. Ora, nos idos de 1988, quando da discussão da atual Constituição, parte do sindicalismo defendia sua extinção. O sistema confederativo não perdeu tempo e conseguiu a aprovação da chamada contribuição confederativa. E em muitas categorias são colocadas nos acordos coletivos contribuições assistenciais, negociais e quetais. E, para completar, o trabalhador que não é sócio do sindicato, que não se dá ao trabalho sequer de comparecer a uma assembleia, tem direito às mesmas vantagens daqueles que mantêm o sindicato, pagando as mensalidades. E o controle das contas sindicais são feitos pelos associados, em assembleias. O que se espera, insisto, é uma discussão transparente e sem imposições de argumentos dos que se julgam especialistas.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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COBRANÇA SINDICAL INDEVIDA

Quero expressar minha indignação com a forma abusiva com que a Confederação Nacional dos Trabalhadores me envia um débito direto em conta corrente a título de contribuição sindical. Tenho 74 anos e me aposentei há 12 anos, e não tive trabalho remunerado como empregado neste período. De onde vem essa "contribuição", que nunca tive nestes 12 anos e a qual nem posso retirar do débito direto? 

Ruben Leite ruben.banks@terra.com.br

São Paulo

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SINDICALISMO E GREVES

No momento em que são discutidas as reformas trabalhistas e o sindicalismo no País, atrevo-me a escrever a respeito, mormente sobre o que se prática no Japão de após a guerra. Classificação, simplificada, das empresas: grupo A (empresas privadas, voltadas ao lucro e não prestadoras de serviços essenciais), podem se organizar (refere-se à organização em associações ou sindicatos. O sindicalismo no Japão é organizado por empresa, e não por categoria profissional, tendo perdido força nos últimos anos - cerca de apenas 17% dos trabalhadores são filiados a sindicatos) e podem fazer greve; grupo B (empresas públicas ou de economia mista que fornecem produtos ou serviços não essenciais), podem se organizar, mas não podem fazer greve; e grupo C (organizações estatais que prestam serviços essenciais à população - Polícia, Forças Armadas, transporte público, hospitais públicos, escolas públicas, etc.), não podem se organizar e não podem fazer greve. Será que nossos legisladores ou seus inúmeros assessores estudam bem o assunto? Espero que sim!

Paulo Vieira da Rocha pvrpaulopvr@gmail.com

São Paulo

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REFORMAS

Os 12 trabalhos de Hércules, pelo grau de dificuldade que apresentavam ao herói mitológico, podem ser comparados à tarefa do presidente Michel Temer ao lançar-se como um titã ou tentar comandar as articulações para aprovar as reformas que considera a salvação da economia brasileira. Temer apaixonou-se por essa tese de que essas reformas, da Previdência e trabalhista, serão a salvação do Brasil. Isso seria uma solução tão simplória que ignora outras reformas de resultados mais positivos do que atirar-se num projeto que desagrada o trabalhador que já tem um contingente de mais de 13 milhões de desempregados e mexe de maneira cruel no setor laboral de homens e mulheres. Essas reformas, independentemente de seus impactos na CLT e na LOPS, alimentaram o entusiasmo xiita ferido pelo impeachment de Dilma Rousseff. Nenhum presidente consegue manter nas mãos as rédeas de um governo com tão baixo índice de aprovação popular. O sucesso de um presidente está ligado entre o povo e seus dirigentes. As delações de ex-executivos das empreiteiras, em especial a Odebrecht, colocaram praticamente toda a cúpula do governo e todos os partidos desnudos e seus políticos num único saco de farinha. Aqueles cujo ciclo de vida depende de mais dez anos não verá nenhum dos investigados condenados ou presos.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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ATÉ O PAPA É CONTRA

Até o papa Francisco é contra as reformas de Temer. O sumo pontífice chora o que todos os brasileiros choram ao denunciar ao presidente brasileiro que os pobres é que vão pagar a conta, sobretudo os mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além de esfera meramente financeira. Temer e seus cúmplices sabem muito bem que os ralos da Previdência são o calote das empresas ao INSS, o surrupio de 30% da dinheirama arrecadada dos trabalhadores para pagar dívidas do governo e a alma corrupta dos representantes do povo no governo. E aí, Temer?

 

Apollo Natali apollo.natali2@gmail.com

São Paulo

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PLACAR DO 'ESTADÃO' ASSUSTA

Quase 60% dos 513 parlamentares da Câmara federal fogem da visibilidade no placar de intenção de voto sobre reforma da Previdência, que o "Estadão" passou a divulgar diariamente. Inclusive com as fotos dos deputados.  Até 20/4/2017, o placar indicava 55 votos a favor, 160 contra e outros 298 divididos entre os que não quiseram se manifestar, os indecisos ou os que não foram encontrados, e até não contatados. Estão com medo do quê? Será por que, se essa reforma for aprovada, será melhor para o País? Deve ser isso, porque até aqui este Congresso só tem trabalhado contra a Nação. Ou, melhor, só vota projetos relevantes em troca de bondades até excrescentes. Neste caso, está certo o presidente Michel Temer, dono da caneta e do poder, de ameaçar enquadrar aliados que, mesmo atendidos em suas reivindicações de cargos e verbas, não querem apoiar esta reforma, que é inadiável para o País.  Por outro lado, os congressistas não podem criticar Temer de que não esteja dialogando a respeito deste projeto com o Parlamento. Muitas foram as alterações aceitas pelo Planalto com relação ao texto original. Ora, já não bastam os radicais do PT, PCdoB, PDT, da Rede de Marina Silva, PSOL, etc., que jamais vão votar projetos de interesse do Brasil? Mas vale ressaltar que, depois da advertência de Temer a estes deputados infiéis, o pedido de urgência para a votação da reforma trabalhista foi aprovado por 287 votos a favor e 144 contra. E o da Previdência, a ser votado no próximo mês, precisa, para sua aprovação, de mais 21 votos, ou 308 no total. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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BRASIL LADEIRA ABAIXO

O que será que vai acontecer primeiro: a aprovação da reforma previdenciária ou a quebra da Bolsa de Valores? É muito triste assistir ao meu país ser destruído pela ganância de políticos corruptos, sem nenhum comprometimento com seus eleitores e/ou com sua Pátria. Eles estão apenas lutando para salvar os seus pescoços e continuar recebendo seus pixulecos. E os donos do capital (investidores, empresários e banqueiros), o que acham disso? Se silenciam, pois sabem que se a Operação Lava Jato prosseguir, também serão atingidos. E o povo? Preocupado com seu time de futebol ou se terão de trabalhar um pouco mais para garantir a aposentadoria de seus herdeiros. Sinceramente, não sei por que sofro e por que sonho com um país que nunca existirá, pois nem sequer tenho um herdeiro.

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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DESPROPÓSITO

 

Num momento de crise, quando estar empregado é uma bênção e enquanto quase a metade dos brasileiros sobrevive com um salário mínimo, é um despropósito o pessoal que tem salário beirando R$ 30 mil dispor de auxílio-moradia de R$ 4.377,73, livre de Imposto de Renda - justamente os que estão no topo da pirâmide (só no Espírito Santo, o gasto anual é de R$ 30.994.331,17). Daí faltar recurso para suprir a deficiência no básico (infraestrutura, saúde, educação, transportes e segurança).

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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O PAÍS TEM JEITO

Alguns culpam a Operação Lava Jato pelo aprofundamento da recessão. Mas e sem ela? Imaginem se o PT tivesse continuado no poder. Seria pelo menos o dobro a taxa de recessão. Então devemos encará-la como uma expectativa futura de que as coisas possam melhorar. É complicado, porque se descobriu que dentro da Petrobrás se passou o bastão da corrupção. E assim é em todos os órgãos do governo. Rouba-se até licitamente, como no caso dos altos salários do Judiciário e de outros poderes, em todos os níveis. E o grande culpado é a Constituição de 1988, que permitiu toda esta patifaria. Foi a única vez que dei razão a Sarney, que disse que ela tornaria o País ingovernável.

Paulo H. Coimbra De Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

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CONSTITUINTE

O "Estadão" mostra-se empenhado na instalação imediata de uma Constituinte abrangente, que não apenas trate da organicidade política, mas de todos os aspectos do Estado, da economia, da sociedade, da justiça, da cidadania e da administração pública. Apoio essa ideia. O País necessita ser reorganizado, nem é preciso me estender muito nessa constatação. Nesse sentido, embora já tenhamos algumas manifestações e publicações de especialistas a respeito, tomo a liberdade de sugerir que o jornal colha e publique mais subsídios sobre os principais aspectos a serem debatidos e implantados numa nova ordem constitucional. Isso seria de grande ajuda, tendo em vista a repercussão imensa que um grande órgão da imprensa pode dar ao assunto.

Ademir Valezi adevale@icloud.com

São Paulo

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RECOMENDAÇÃO NECESSÁRIA

Diante de tanta corrupção, deveríamos seguir a recomendação de Capistrano de Abreu, substituindo todos os capítulos da Constituição e decretando: "Artigo único: todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha".

Vidal dos Santos vidal.santos@yahoo.com.br

Guarujá

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A CRISE NO RIO DE JANEIRO

A crise econômica do Estado do Rio de Janeiro prejudica a cultura. A orquestra do Theatro Municipal está parada, não recebe seus salários desde o décimo terceiro de 2016. A falta de atuação da orquestra colabora para a falta de prática, que, por sua vez, reflete na queda da técnica instrumental e na qualidade da música. Os músicos não podem ficar sem atividade, assim como os esportistas não podem ficar sem treinamento. É lamentável o que está acontecendo com o Rio de Janeiro. A orquestra deveria ir às ruas e tocar para o povo, como os músicos de rua, e passar o chapéu para angariar algum sustento e aproveitar para praticar. O povo agradeceria ouvir boa música para aliviar um pouco as diversidades que enfrenta no cotidiano.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro 

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FALTA D'ÁGUA NO DISTRITO FEDERAL 

Será que o corte no fornecimento d'água um dia por semana no Distrito Federal representa real poupança no consumo e que será eficaz para contornar a chamada "crise hídrica" nos próximos seis meses de seca? Ouso desacreditar nisso. Os consumidores estão instalando caixas d'água para contornar o corte de fornecimento. As recomendações gerais para economizar água não são eficazes. Não tem sido feita sequer a divulgação diária e sistemática dos níveis de água nos dois principais reservatórios: Torto/Santa Maria e Descoberto, como São Paulo faz. 

Roldão Simas Filho rsimasfilho@gmail.com

Brasília

 

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