Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 03h06

DISCURSO DO GOLPE

Esclarecimento

Escrevo com o propósito de desfazer um equívoco. Pensei ter sido suficientemente claro ao dizer, no artigo O Judiciário e o discurso do golpe (5/10, A2), que há “um déficit da prestação do jurídico para o político”, sobretudo porque à frase se seguiu uma explicação: “Vale dizer, conquanto possa o político fundar o jurídico (precisamente como se deu com o alargamento do papel da jurisdição na Constituição de 1988), o jurídico não pode fundar o político (ressalvada a concepção jusnaturalista)”. Contudo editorial do Estado publicado também naquela data me convenceu de que eu poderia ter sido ainda mais claro, talvez deixando de lado a teoria dos sistemas e as categorias weberianas, que orientaram o desenvolvimento de minhas ideias, paradigmas cujo refinamento muitas vezes se revela incompatível com a simplicidade que se exige de um texto de jornal. O Judiciário não é, nem será, o “salvador da pátria”. E nisso a tese defendida no editorial de 5/10 se põe em acordo com o que escrevi. No artigo está dito que “faltam mecanismos que garantam a efetiva participação popular no processo político, sem a qual não haverá mudança substantiva”; e mais, que se bem não exista uma divisão de Poderes, no sentido rigoroso do termo, cabe ao Judiciário apenas aplicar a lei ao caso concreto, pois essa é a sua função institucional (os juízes não têm mandato popular, afirmação que também se encontra no artigo). Mas o “discurso do golpe” visa a convencer precisamente do contrário: ao aplicar à conduta ilícita de políticos, submetidos ao devido processo legal, a pena prevista na norma, o Judiciário estaria pondo em prática o ativismo judicial. Nada mais equivocado, como tratei de demonstrar ao dizer que o alargamento do papel da Justiça há de ser entendido nos exatos limites postos pela Constituição de 1988. Esse é o sentido, do ponto de vista do Estado Democrático de Direito, da chamada judicialização da política, na minha concepção. Demorei-me a fazer este esclarecimento porque queria conhecer a opinião dos leitores acerca do artigo publicado. Afinal, o significado das palavras é construído socialmente. Para minha surpresa, a leitura que o editorial fez do artigo prevaleceu sobre o que eu supunha que ali efetivamente estivesse dito, com todas as letras. Curioso que nos e-mails a mim diretamente encaminhados, por outros leitores, tenha prevalecido o sentido do texto, como penso ter concebido, e não a versão do texto. Diante da divergência, que me parece de interpretação (importando a pragmática da comunicação, aqui), julguei necessário o esclarecimento.

LUIZ SERGIO FERNANDES DE SOUZA, desembargador do TJSP e professor dos cursos de graduação e pós-graduação da PUC-SP

luizsergiosou@yahoo.com.br

São Paulo

DEMOCRACIA

Sistema fraudado

Perfeito o editorial Democracia e responsabilidade (8/10, A3), com uma única exceção. Nosso sistema eleitoral é o mais corrupto e fraudado que existe. Se você é um mensaleiro condenado e precisa de foro privilegiado, outra excrescência, basta colocar um Tiririca no seu partido e pronto! Você é eleito. Sem o voto distrital puro com recall o País nunca terá conserto. Vivemos no município, no bairro, na rua. Enquanto não tivermos contato direto com nossos representantes e sentirmos que eles nos representam, podem esquecer. Nunca conseguiremos limpar esse putrefato ambiente. Triste.

JOSÉ SEVERIANO MOREL FILHO

zzmorel@icloud.com

Santos

Responsabilidade

“... é preciso ponderar, antes de mais nada, que os políticos não surgem por ambiogênese. Eles são escolhidos pelo voto direto em eleições limpas segundo regras transparentes, etc. Logo, é preciso que a sociedade assuma a responsabilidade por suas escolhas. E essa responsabilidade, é necessário lembrar, é intransferível”, diz o editorial de domingo. Mas quem escolhe os políticos a serem votados são os partidos, não a sociedade, e a maioria deles é o que é. A sociedade só pode fazer escolhas melhores se as houver. Ainda assim, é um tiro no escuro. Logo, o povo não pode ser responsabilizado.

JOSÉ CARLOS PIÇARRA

jcpicarra@hotmail.com

São Paulo

Renovação total

Com a reforma política fajuta, não resta ao eleitor senão renovar todo o Congresso, que usará o dinheiro do povo para eternizar os corruptos que lá estão.

JOSÉ WILSON DE LIMA COSTA

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

Aparelhamento persistente

O editorial Democracia e responsabilidade deixa de abordar um aspecto muito importante. Muito antes de o PT e seu fiel aliado PCdoB tomarem o poder, em 2003, seu projeto já vinha sendo cuidadosamente posto em execução, por meio do aparelhamento do Estado em todas as suas dimensões. Mesmo com a ruína do projeto, após a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, os seguidores da seita PT-PCdoB continuam ocupando seus postos na administração direta e indireta e em todos os Poderes da República. É contra isso, também, que as pessoas de bem deste país têm de lutar.

MARCO ANTONIO ESTEVES BALBI

mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

Consciência cidadã

Quando a sociedade na Inglaterra – então, a burguesia (1680) – chamou a si o direito/prerrogativa de definir os recursos disponíveis para o Poder Executivo, despontou a democracia. A sociedade elege desde então representantes para exercerem esta definição: formular/aprovar o orçamento. Os representantes têm então a obrigação – responsabilidade – de controlar o cumprimento do orçamento. Essa é característica básica do regime democrático. As eleições são uma condição operacional. A sociedade elege do seu meio os representantes que – ao menos em tese – defendem as aspirações a serem contempladas no orçamento. Então a sociedade passa a ter a responsabilidade de controlar o desempenho de seus representantes. A imprensa tem a função – e daí a responsabilidade – de informar sobre a atuação dos eleitos. Com o nível geral de educação e conhecimento aumentado desde o início do século 19 e os meios de comunicação hoje disponíveis, a democracia poderá vir a ser mais bem operada por meio da consciência de responsabilidade da cidadania.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

O povo sabe votar?

Não é só país subdesenvolvido que vota mal. A Inglaterra já está contando as perdas ao sair da União Europeia. A Catalunha está perdendo empresas e bancos, sem falar no FC Barcelona, que com seu elenco milionário passará a disputar o sensacional Campeonato Catalão.

DECIO FISCHETTI

etcmkt@terra.com.br

São Paulo

“Pelo andar da carruagem, tudo indica que o texto que sugeria a censura sem ordem judicial foi inserido só para desviar a atenção do absurdo da criação do fundo de R$ 1,7 bilhão em favor dos parlamentares”

MAURO LACERDA DE ÁVILA / SÃO PAULO, SOBRE A ‘REFORMA POLÍTICA’ APROVADA

lacerdaavila@uol.com.br

“Não tenho dúvida nenhuma: João Doria é mais do mesmo”

ROBERTO BRUZADIN / SÃO PAULO, SOBRE O EDITORIAL ‘CIDADE LINDA SÓ NO NOME’ (8/10, A3)

bobbruza@terra.com.br

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O DESGASTE DO STF

Como minha dissertação de mestrado foi sobre o Poder Moderador no Segundo Reinado (1840-1889), gostaria de comentar a discussão do tema entre o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso ("Estadão", 29/9) e o professor Roberto Romano ("Estadão", 8/10). Por um lado, Dom Pedro II não exerceu os poderes de chefe de Estado de maneira neutra, como previa Benjamin Constant, pois interferia nos outros Três Poderes. Por outro lado, o imperador dissolvia a Assembleia Geral, convocava eleições e provocava a alternância de poder. O Exército assume o Poder Moderador tanto para provocar a alternância de poder (proclamação da República, em 1889, e revolução de 1930) quanto para impedir a realização de eleições presidenciais (golpe de 1937 impede a eleição de 1938, assim como golpe de 1964, a eleição de 1965). Desde a redemocratização do País e a universalização do voto com a Constituição de 1988, o Poder Moderador passa para as mãos do STF para arbitrar os conflitos entre os Três Poderes, mas sem prerrogativas de dissolver o Congresso Nacional, convocar eleições ou provocar a alternância de poder. O atual desgaste do STF decorre do fato de que deve arbitrar os conflitos da sociedade, mas não pode arbitrar e solucionar graves impasses políticos pela via eleitoral. O recorrente tema de alteração do sistema de governo para semipresidencialismo mostra a atual disfuncionalidade do presidencialismo de coalizão, em que não há a separação dos poderes entre chefe de Estado e chefe de governo.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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'DEMOCRACIA E RESPONSABILIDADE'

Concordo com o editorial de domingo "Democracia e responsabilidade" e espero que a votação de quarta-feira seja responsável, pois não há provas concretas que incriminem o presidente Michel Temer, e os indicadores econômicos mostram que o governo e sua equipe econômica estão conduzindo o País ao seu prumo de recuperação e prosperidade, sem as quais não há educação, saúde e segurança de qualidade para o bem-estar da população e imprescindíveis para a geração de empregos e renda aos cidadãos brasileiros, para a sua dignidade. O procurador-geral da República anterior, Rodrigo Janot, lançou ofensiva contra o governo interino, certamente por sentimento de vingança, pela sua inclinação ideológica e interesses políticos. É preciso discernirmos o que está por trás dessas denúncias e caminharmos avante, sem nos enveredar pelas astúcias desses interesses escusos, antagônicos à nossa recuperação e que nos levam ao retrocesso. O governo Temer está dando andamento às reformas de que o País necessita, e precisamos apoiar. Ao fim de seu governo interino, poderá esclarecer-se perante o Judiciário, caso seja necessário.

Silvia Rebouças P. de Almeida Silvia.almeida7@hotmail.com

São Paulo

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BRASILIDADE EM JOGO

 

O presidente Michel Temer depende dos deputados para se safar da segunda denúncia de Rodrigo Janot, mas tem a obrigação de contrariar a Câmara, vetar o que foi, em votação simbólica, aprovado na calada da noite, "recursos públicos de R$ 2 bilhões direcionados aos candidatos", que se somará a cerca de R$ 1 bilhão ao Fundo Partidário; também precisa vetar o "perdão de 90% da dívida dos políticos", a ser paga a perder de vista. Nossos congressistas, alheios à crise (déficit de R$ 139 bilhões e precários serviços básicos), esbanjam recursos quando o Brasil está à míngua... Embora a cabeça de Temer esteja a prêmio, é o momento de mostrar sua brasilidade, que os interesses nacionais são maiores que sua permanência no poder; assim mostrará a que veio e, se se mantiver até o fim de 2018, será de cabeça erguida e mais bem conceituado nas pesquisas. Nossos congressistas não têm vergonha na cara nem compromisso com o Brasil, embora numa vitrina, ao invés de darem bons exemplos, só querem levar vantagem.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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TEATRO NA CCJ

Palhaçada e falta de respeito o que fez o PSDB na questão do relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Afastou o deputado Bonifácio de Andrada, mas o PSC abdicou da sua vaga na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a favor do deputado. Resumindo: não mudou nada. Tudo pré-combinado para manter um relator amigo do presidente Temer. O afastamento foi para dizer "nós tiramos o relator, mas o PSC abdicou da sua vaga". Teatrinho de quinta categoria. É o mesmo que tirar o sofá da sala. Palhaçada.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESGASTE TUCANO

O alegado desgaste do PSDB na manutenção do deputado mineiro Bonifácio de Andrada na relatoria da CCJ mostra mais uma vez como os tucanos estão perdidos. Parte do partido é contra Temer e outra parte, a favor. Os contrários, mesmo com os benefícios para a legenda, começando com os cargos ocupados, querem afastar o presidente e, em seu lugar, colocar quem? É a pergunta que se faz, diante da crise a que procuram levar o País. Nem no afastamento de Dilma Rousseff a confusão era igual, até porque tínhamos um vice-presidente. Agora, a alternativa seria o presidente da Câmara, ou a tucanada contrária tem uma ideia melhor para um ano e pouco de mandato com um novo ministério e milhares de cargos disponíveis? O que esperam poder fazer? Se antes o PSDB era conhecido por ficar em cima do muro, agora desce, e para o lado errado.

Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo 

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O ÚLTIMO ATO VERGONHOSO

Eu não acredito absolutamente nos números das mais recentes pesquisas que dão apenas 3% de aprovação ao presidente Michel Temer, visto que a população não tem tido motivos para criticá-lo, já que estamos vivendo visivelmente melhor do que sob o governo de Dilma Rousseff. Mas, se Temer quiser ganhar de verdade a admiração de grande parte do povo brasileiro, pode começar por devolver o assassino italiano Cesare Battisti à Itália, para que lá comece a cumprir a pena de prisão perpétua pelo crime de haver matado quatro pessoas. Com isso, Michel Temer borrará o último ato vergonhoso de Lula como presidente, verdadeiro tapa em nossa cara, quando acolheu este criminoso em terras brasileiras com todas as regalias de um cidadão comum. Marque um gol de placa, presidente, e extradite este criminoso, sem mais!

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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PREPARANDO O TERRENO

O ex-presidente Lula já está preparando o terreno para se safar dos falsos recibos que apresentou ao juiz Sergio Moro, referentes aos aluguéis do apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo, ao lado do seu, que recebeu como propina da Odebrecht. Disse que os recibos foram encontrados nos pertences da ex-primeira-dama Marisa Letícia, falecida há oito meses. Prevendo uma nova condenação pelo crime de falsificação e uso de documento falso, saiu por aí dizendo com veemência que eles já haviam sido periciados por experts no exterior. Todavia, a Polícia Federal discorda de mais essa lorota. Pelo andar da carruagem, há mais uma condenação à vista. É a decadência total da "alma mais honesta"!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

       

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ESTELIONATO

De formador de quadrilha e mega-arrecadador de propina, agora Lula também tenta dar golpe de estelionato. Como afirmam membros da força-tarefa, da Operação Lava Jato, os recibos comprovantes de pagamento de aluguel do apartamento 121, do Edifício Hill House, em São Bernardo do Campo (SP), entregues ao juiz Sergio Moro pela defesa de Lula, são falsos. E, se ficar comprovado na perícia que será realizada que esses comprovantes são falsos, o ex-presidente poderá sofrer uma dura pena também como estelionatário. O que não nos surpreende, já que, comprovadamente, eram falsas também suas promessas de que, assumindo o Planalto, transformaria o Brasil numa nação de Primeiro Mundo e seria implacável no combate à corrupção. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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FALSIDADE IDEOLÓGICA

A genuinidade formal dos recibos de Lula não corresponde à veracidade dos fatos. 

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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SEM OFENSA NENHUMA

Uma pergunta apenas: os 26 recibos "ideologicamente falsos" eram, "sem margem à dúvida", recibos de aluguéis ou bilhetes de passagem, só de ida, para a cadeia?

Luís Lago luis_lago1990@outlook.com

São Paulo

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ATÉ TU, MARCOS PEREIRA?

Joesley Batista, dono da JBS, entrega gravação em que comprova que pagou propina ao ministro pastor Marcos Pereira. Já o pastor declara que não foi propina, e, sim, dízimo, e que tudo foi declarado à igreja, conforme prática vigente.

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

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CORRUPÇÃO NA RIO-2016

O mundo deveria punir exemplarmente o país que fraudou, subornou e roubou o direito de sediar os Jogos Olímpicos. Crime irreparável, as cidades que fizeram uma campanha honesta e foram derrotadas pela corrupção brasileira jamais terão de volta a oportunidade roubada. O Brasil deveria ser banido dos próximos Jogos Olímpicos, quem sabe assim o País cria um pouco de vergonha na cara e procura se esforçar um pouco para deixar de ser o país mais corrupto do planeta, a pátria da propina, a Disneylândia da impunidade e o paraíso da corrupção. 

Mário Barilá Filho mariobarilafilho@me.com

São Paulo

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'A PÍFIA REFORMA POLÍTICA'

O editorial de sábado no "Estadão" (7/10, A3) comentava a reforma política aprovada pelo Congresso na semana passada. Chamar aquilo de reforma é considerar todos os brasileiros idiotas. O texto aprovado só beneficia os que o votaram, nada mais. Os partidos nanicos continuarão recebendo; o fundão foi aprovado (o mesmo que Gilmar Mendes disse ser insuficiente); e o fim das coligações foi adiado para 2020. Continuamos sentindo muita vergonha desta canalha. Ainda bem que Michel Temer vetou o pior: a censura.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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VETO PRESIDENCIAL

Senhores, pelo oba-oba feito pelo Planalto, pensei que o "veto" fosse ao Refis, e não à censura prévia da internet prevista na reforma política em discussão no Congresso, um autêntico bode colocado propositadamente na sala.

Marcelo Falsetti Cabral mfalsetti2002@yahoo.com

São Paulo

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TRISTE CONSTATAÇÃO

Perto de completar 73 anos, deploro, energicamente, a censura, a intimidação, as ameaças e o patrulhamento. A liberdade de expressão é saudável, estimulante e permanente. Conquista democrática das nações civilizadas. Mas não pode nem deve ser instrumento para patifes e ordinários que lamentavelmente tomaram conta da internet e das redes sociais. Camarilha de venais, covardes e hipócritas que xingam, insultam, inventam intrigas, vociferam ódio, recalque, rancor e acusam sem provas, sem ao menos ter a coragem de assinar o próprio nome. As redes sociais tornaram-se o paraíso dos canalhas. Triste constatação. Temer obrou bem vetando a censura online voltada para as eleições de 2018. Resta saber quem e como se colocará freios e bom senso nos marginais e irresponsáveis travestidos de isentos.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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A SORTE ESTÁ LANÇADA

A última chance já passou, acabou no dia 6/10. "Alea jacta est!" As mudanças necessárias para 2018 não foram feitas, e tudo continua como d'antes. Ou até pior! Agora só restam as ruas, já que a Constituição não é e nunca foi cidadã. A reforma político-eleitoral ficou engasgada nas nossas gargantas, e não soubemos gritar! Ou, melhor, paramos de gritar... Os grandes movimentos sumiram. Se peessedebelizaram. Ficaram no muro! Não tiveram coragem de poupar ou até apoiar Temer, e entregaram-no aos chacais. Ele era o presidente reformista, e o que sobra dele hoje são só carcaças. "Temos de ser coerentes", diziam. "Corruptos são todos iguais." Não tiveram coragem de cruzar o Rubicão e assumir o lado das ruas, nivelaram tudo por baixo, perderam o momento. Agora a sorte está lançada. Intervenção? Só se for do povo, com um único grito pedindo a troca de uma vírgula por um ponto. Sim, um ponto no artigo 1.º, parágrafo único: "Todo o poder emana do povo (ponto)". Esse "ponto" é fundamental. É a nossa saída para a liberdade, a justiça e o desenvolvimento. Leiam a primeira página da Constituição e entendam por quê. Basta um ponto!

Gilberto Dib gilberto@dib.com.br

São Paulo

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DESALENTO

Ler os jornais é desalentador. No sábado, 7/10, em uma só página (A3), o "Estadão" publicou os editoriais "A pífia reforma política", "Municípios demais" e "Vitória dos maus pagadores". Por mais otimista e ingênuo que seja o leitor, só a uma conclusão ele pode chegar: não há tempo a perder. O País está política, moral, ética e economicamente falido e não há no meio da política partidária quem possa reverter o quadro de desalento em que se acha o País. Há quem espere que, as coisas piorando, haja a busca pela reconstrução. É possível, mas o custo e o sacrifício exigido da Nação será enorme. Quanto mais cedo fizermos o que é preciso, menor o sofrimento do povo. Nada garante que a espera  resulte melhor que a prevenção. "Prevenir é melhor do que remediar", sempre!

Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br

Campinas

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'MUNICÍPIOS DEMAIS'

Excelente o editorial "Municípios demais" ("Estadão", 7/10, A3), que esclarece a farra da criação de municípios apenas para "atender a interesse muito particulares - como a barganha por recursos estaduais e federais -, além de fortalecer forças políticas locais que não têm compromisso com o bem comum". Essa mesma farra, em menor escala, também já aconteceu na criação de Estados (Mato Grosso do Sul e Tocantins) e é o desejo de muitos políticos continuar criando municípios e Estados para gerar mais tetas para mamarem. Enquanto isso, o povo paga altíssimos impostos e recebe serviços de péssima qualidade, principalmente na saúde e na educação. O déficit desses municípios e Estados deficitários e mal administrados é pago com o trabalho dos cidadãos brasileiros. E esse é o motivo que está levando a população da Região Sul a reivindicar a "independência" de sua região, para separar o Sul do restante do Brasil. Na minha opinião, não seria o caso de se separar, mas, sim, de unificar. Os municípios e Estados deficitários deveriam perder o status de unidade político-administrativa e ser anexados a um território vizinho, diminuindo as despesas administrativas e melhorando a aplicação dos recursos públicos em prol da comunidade. 

Maria C. Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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SUL MARAVILHA

O lado bom do movimento "Sul é o Meu País" é que, caso venha a ocorrer, nós, brasileiros, ficaremos livres de políticos como Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Roberto Requião e a futura candidata Dilma Rousseff. Querem coisa melhor?

Adalberto Amaral Allegrini adalberto.allegrini@gmail.com

Bragança Paulista

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A GESTÃO DORIA EM SP

O editorial de domingo no "Estadão" sob o título "Cidade Limpa só no nome" (8/10, A3) colocou em sua verdadeira dimensão a atuação de João Doria como prefeito de nossa cidade, priorizando sua campanha política desde o início. Para quem acompanha a política de nossa cidade, como eu, desde dos tempos do ex-prefeito Adhemar de Barros, que se elegeu com o lema de campanha "Rouba, mas faz", sabe que desde aquela época marqueteiros sem nenhum compromisso com a verdade têm colaborado para a eleição de inúmeros cidadãos sem aptidão e vocação para dirigir os destinos desta cidade. Assim como Paulo Maluf conseguiu eleger seu poste na figura de Celso Pitta, com a propaganda do Fura Fila, um hipotético ônibus que, segundo a propaganda idealizada pelo marqueteiro Duda Mendonça, aparecia no ar preso ou sustentado a coisa nenhuma. E o pior é que deu certo. Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral obrigou a retirada da propaganda mentirosa, entretanto a mensagem já havia feito o estrago. Como todos se lembram, Pitta foi um péssimo prefeito. João Doria, por sua vez, não precisou de marqueteiro nenhum para idealizar o lema de ser "gestor, e não político", aproveitando-se da justa repulsa da população contra os políticos depois das revelações da Operação Lava Jato. Contou, também, com o apadrinhamento do governador Geraldo Alckmin, que provavelmente já deve estar arrependido da iniciativa. O editorial se reporta à aparição de Doria com uniforme de gari, logo no início de sua gestão. Mas foi ali que eu tive a certeza de que os eleitores paulistanos haviam cometido mais um grave erro. Foi apenas uma ação para popularizar a sua imagem, com seu sorriso "diga xis", uma nova versão do "fura fila", no caso, a de candidatos à Presidência. Também no domingo li no estadão.com sobre a discussão do prefeito com o ex-governador Alberto Goldman. Nesse episódio, o prefeito atacou Goldman pelo fato de ele "viver de pijama", de maneira semelhante ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, demonstrando desrespeito contra os mais velhos. Com certeza, o prefeito já perdeu qualquer possibilidade de disputar qualquer cargo eletivo pelo PSDB e deve aceitar em breve o convite de um dos vários partidos que acenam para ele. Espero que aceite e deixe a nossa prefeitura para um administrador público mais interessado pela nossa cidade.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ANÁLISE

Ao jornal "O Estado de S. Paulo" parabéns pelo brilhante editorial "Cidade linda só no nome".

Sidney Cantilena sidneycantilena@bol.com.br

São Paulo

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'CIDADE LINDA SÓ NO NOME'

    

Sou morador do bairro do Campo Belo, um bairro com um dos IPTUs mais caros de São Paulo. Votei no sr. Doria para prefeito considerando seu histórico de bom administrador, e, após dez meses de governo, nosso bairro está em situação precária como nunca esteve: semáforos desligados ou com mau funcionamento, ruas intransitáveis em razão dos buracos, muitos deles feitos pelas concessionárias e não tapados, árvores sem poda, ruas sem sinalização de chão, enfim, uma situação caótica pior do que a do prefeito anterior. Nada do que foi prometido está sendo cumprido. Se essa é a sua característica de bom administrador, é bom que seja reavaliada ou desista das sua aspirações políticas.

 

Luiz Gonzaga Cintra Neto luiz.cintra@terra.com.br

São Paulo 

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BANHEIROS PÚBLICOS

O prefeito João Doria conhece a Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, na Praça Rotary Clube, na Vila Buarque, região central da cidade? Há cerca de uma semana os banheiros de visitantes não funcionam, obrigando inclusive pais que acompanham seus filhos a recorrerem a banheiros de bares e restaurantes da vizinhança. Peço ao prefeito - muito presente nas redes sociais, por intermédio de profissionais e especialistas em comunicação de massa - que reaja com zelo administrativo a este grave problema de gestão.

Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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PREFEITO DE SP

Caiu a máscara do gestor e só restou a de enganador.

Raul Ventimiglia raulventimiglia@gmail.com

São Paulo

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ÁRDUA TAREFA

O trabalho de limpeza não é um problema que um prefeito gostaria de enfrentar. Aqui, no meu bairro, Bom Retiro, reclamei e a Prefeitura atendeu meus pedidos de retirada de carros abandonados nas calçadas do bairro. Na praça ao lado da Rua Newton Prado, infelizmente, várias caminhões despejam lixos de construção. Fica difícil para qualquer administrações impor seus objetivos, por mais que tentem, a menos que uma fiscalização que puna os infratores seja instituída.

Alvaro Athayde Antunes alvaro@fleetcom.com.br

São Paulo

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CIDADE LINDA

É grande pena uma ideia luminosa virar sonho, miragem de um cara que veio para ser diferente e está sendo, mas no que se refere ao ego e ao "sou mais eu, e o resto é simplesmente o resto". Se o sr. Doria já visualizava ser candidato a presidente, nunca deveria ter se candidatado à Prefeitura. Não dá, agora, para engolir que o sonho de uma noite de verão dele tenha sido ser presidente a todo custo. Doria deveria fazer um mea culpa e voltar à cidade e aos seus compromissos com ela, porque cidade suja já tínhamos com seu péssimo antecessor. Caro prefeito, menos viagens e mais empenho na cidade, porque isso, sim, será o reflexo normal de um dia o sr. querer ser candidato a presidente. Seriedade sempre.

Antonio Jose Gomes Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

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A IMAGEM DA PREFEITURA

A "Cidade Linda" está cada vez mais feia. O prefeito não é "perfeito", é só gestor...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ENGANA-SE

Cansados dos políticos de sempre, os paulistanos elegeram um suposto administrador para cuidar da cidade; mais uma decepção. Erra o prefeito ao achar que continuaremos aceitando esta mercadoria podre (sua administração), ou que teria outra chance em futuras eleições. 

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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APRESSADO

O grande erro de João Doria (PSDB) talvez seja realizar uma primeira gestão já pensando na Presidência da República. Por que a pressa?

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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FOMOS ENGANADOS

Votei em Doria porque não havia outro, mas já antevia que sua ambição política o levaria a disputar o governo de São Paulo ou a Presidência em 2018. Infelizmente, a maioria dos eleitores também caiu no engodo. Mal assumiu a Prefeitura, Doria iniciou sua campanha política para outro cargo, a Presidência, que parece ser seu principal objetivo. Um prefeito ativo em tempo integral era o que desejávamos, e não alguém que passa grande parte do tempo fora de São Paulo, em campanha. Felizmente, já tenho candidatos para esses novos cargos a que Doria pretende concorrer. Para o governo de São Paulo, o excelente Luiz Felipe D'Avila, e, para a Presidência, Gerado Alckmin, que demonstrou muita competência no governo do Estado de São Paulo.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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'RECALL'

O eleitor que votou em João Doria para prefeito bem que gostaria de pedir o "recall" dele, afinal, restam ainda muito tempo para a gestão terminar e muito a ser feito. Picado pela mosca azul, Doria, que não é nenhuma mosca branca, almeja novos ares lá, em Brasília. São Paulo, a central do Brasil, o país São Paulo, não pode ser tratado com desprezo. É vitrine para qualquer empreitada, mas Doria precisa cumprir o mandato, lógico. Levariam quatro ou mesmo oito anos de governo na terra da garoa para se revestir de certa credibilidade (com resultados positivos, claro), seria natural, consequência do processo nem sempre lógico. Agora colocar a carroça na frente dos bois é, certamente, um tiro no escuro. José Serra é o melhor parâmetro para o nosso prefeito, e olhem que Serra tem uma história de muita luta pelo País, e mesmo assim...

Leandro Ferreira leandroferreoradasolva@gmail.com

Guarulhos

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JOÃO DORIA

Doria zerou as filas por exames nos hospitais públicos de São Paulo. Doria gerou mais de mil empregos para moradores de rua na cidade de São Paulo. Doria, diferentemente de todos os outros prefeitos, acabou com a cracolândia, prendeu todos os traficantes e internou os usuários. Doria doa seu salário cada mês a uma instituição carente de São Paulo. Doria já deu declarações de que é a favor da redução da maioridade penal. Doria disse que Temer é menos pior que o PT. E, sobre Lula, ele quer derrotá-lo em 2018. Tudo o que eu mais quero também. Só quem não quer Lula nas eleições é que tem medo dele.

Márcio Cruz mm.cruz23@gmail.com

São Paulo

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SEM PACIÊNCIA

O jornalismo insiste em afirmar que o eleitor está perdendo a paciência com os políticos e que vai se "vingar" nas urnas. Será que o eleitor dos grotões e currais eleitorais do País também está perdendo a paciência? 

Augusto Francisco augusto.francisco@gmail.com

São Paulo

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VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

Em pesquisa realizada na última semana, 72% dos moradores do Rio de Janeiro revelaram que têm vontade de sair da cidade por causa da violência. Como a liberdade de ir e vir, para uns, é controlada e adaptável, livrando-os ao menos em grande parte dessa violência, mas para outros tal liberdade simplesmente não existe, algumas opiniões como, por exemplo, o desejo da volta dos militares ao poder não encontra campo comum para a sua legítima, ampla e plena discussão. Não é a corrupção que motiva os que desejam a volta de um governo militar que, não necessariamente, traz consigo qualquer inevitável ditadura, porém o desejo de que alguém, em meio a 60 mil homicídios anuais, faça realmente alguma coisa pelos que são obrigados a votar e a morrer tão facilmente quanto ir às urnas.

Marcelo G. Jorge Feres marcelogferes@ig.com.br

Rio de Janeiro

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SOLUÇÃO AUTORITÁRIA

Francamente, é com sentimento de frustração e desânimo que se pode constatar que o povo brasileiro de maneira geral prefere, tanto à esquerda quanto à direita, soluções autoritárias para resolver problemas nacionais. Alguns podem dizer que isso se dá pelo alto índice de violência que nos torna vítimas potenciais, fato gerador de um medo aterrorizante. Outros afirmam que os políticos não prestam, então é melhor acabar com eles fechando o Congresso. Outros acrescentam, com razão, que a Justiça não funciona e não prende os culpados ou julga mal e porcamente. Sem contar o abuso dos tais movimentos sociais que atuam fora da legalidade sem que respondam por seus atos. Com tudo isso, acossados pelo medo e pela insegurança e pela justificada revolta, a população em geral deseja uma solução mais rápida e indolor, ora elegendo um salvador da Pátria do tipo autoritário, ora desejando a volta dos militares ao poder, e parte dela, a volta da esquerda, igualmente autoritária em sua base ideológica. E assim vem a constatação de como ainda somos tomados por uma mentalidade terceiro-mundista em que este mesmo povo que deseja transformações se nega a assumir a responsabilidade por elas através da luta democrática na esfera do exercício da cidadania para que ocorram e não entregando os destinos do País, como querem muitos, no mais puro infantilismo, a um mago paterno que venha a resolver tudo por nós através da tutela do autoritarismo. Então é aí que mora o perigo, pois tanto mais uma aventura com um salvador da Pátria como a volta ao regime militar nos levariam a um retrocesso inimaginável, num contexto hoje completamente diferente do que foi nos idos de 1964. Em meio a toda esta confusão de sentimentos, ninguém se dá conta de que a crise que hoje enfrentamos nada mais é do que uma herança do período autoritário, que criou o espaço para que uma esquerda inconsequente, corrupta e nada democrática viesse a se instalar no poder por 14 anos. Se levarmos ao pé da letra, veremos que os efeitos secundários da ditadura militar terminaram só quando Dilma Rousseff foi apeada do poder pela vontade popular,  pois foi o fim de uma era (de 1964 a 2016) de triste memória: a do regime militar versus a esquerda que se proliferou alimentada por um fermento que se instalou em todos os espaços de formação de opinião, como universidades, escolas públicas, igreja, associações e sindicatos, mídia, etc. Está na hora de mudarmos essa dicotomia. Não existe a solução autoritária seja à esquerda ou à direita, porque ela não é solução, é uma medida que visa a reprimir o que assusta e incomoda. O que existe é o exercício da cidadania através do sistema democrático, a única forma de aprendermos a lutar pela ordem e pelo progresso, dentro da legalidade. Ou aprendemos isso ou estaremos condenados ao eterno subdesenvolvimento político, social e humano. Vamos pensar e agir como uma nação adulta e só então nos daremos conta de que somos capazes de corrigir todos os problemas que ora enfrentamos, com perseverança, com trabalho duro, com fé e esperança. Afinal, não é o crescimento do País em todos os sentidos o que mais almejamos? 

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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RESPOSTA DE TEMER

Em pleno Estado Democrático de Direito, após a longa e tenebrosa noite de 21 anos do regime de exceção da ditadura militar, de triste e lamentável memória, vem um general quatro-estrelas dizer em alto e bom som, como um ultimato, que, "se as instituições não solucionarem os problemas políticos do País pela ação do Judiciário, retirando da vida pública os elementos envolvidos em todos os ilícitos, caberá ao Exército intervir para pôr ordem na casa". Diante da esdrúxula, intempestiva e imprópria declaração, verdadeira afronta à Constituição federal, que determina em seu artigo 142 que "as Forças Armadas se destinam à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem", cabe, por oportuno, cobrar do presidente Temer, chefe das Forças Armadas, resposta à altura, até hoje não proferida.

J. S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo

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PROPOSTAS DE PAZ

A violência precisa ser combatida. Mas não com armas, como defendem alguns, inclusive um dos possíveis candidatos à Presidência da República brasileira em 2018. Temos de lutar, sim, mas para aumentar o controle sobre o uso de armamentos cada vez mais sofisticados e que chegam com muita facilidade às mãos de quem os usa para a prática do mal. Precisamos de propostas e ações de paz.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

 

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SABEMOS COMO TERMINA

Não há como não ser levado a uma reflexão pela leitura do artigo "A lição da História", do ilustre e respeitado jurista Miguel Reale Júnior (7/10, A2). Afinal, como brincavam meus falecidos pais com muitos dos seus amigos aqui nascidos, diziam ser mais brasileiros que a grande maioria da população e há muito mais tempo, já que brasileiros eram por opção, e não por terem simplesmente nascido aqui. Eram, sim, brasileiros desde que chegaram ao Brasil, em 1949. Mas passaram a brasileiros plenos quando se naturalizaram na segunda metade do século passado. Até hoje me lembro da emoção estampada em seus rostos e das lágrimas que tentavam inutilmente disfarçar na memorável e emocionante cerimônia para recebimento da cidadania em juramento aos símbolos da nova pátria. Emoção inevitável, já que eram sobreviventes únicos de suas respectivas famílias, totalmente dizimadas nos campos de extermínio nazistas da Polônia, seu próprio país de origem. Para eles e outros imigrantes como eles, o Brasil sempre foi o país abençoado que os acolheu e deu a esperança de um futuro decente, que realmente tiveram e hoje é passado. Voltando, então, ao texto do ilustre jurista, no qual a leitura menos atenta pode dar, lamentavelmente, a impressão de que todo o mal de nosso país se resume a não respeitar a Constituição. Cita como exemplos arroubos verbais exagerados ou indisciplinados de generais da ativa ou tentativas indevidas de interferência de um poder da República sobre outro. Inegável serem esses fatos totalmente desnecessários e inconstitucionais. Mas o problema vai muito além. Calar a boca do general afoito ou devolver o mandato ao senador de honestidade no mínimo duvidosa não resolve nada. Há que haver mudanças constitucionais profundas que impeçam qualquer desobediência. Não sei quem seria o agente de tais mudanças, já que o responsável constitucional por elas, o Poder Legislativo, não as quer por razões óbvias. Precisamos de mudanças que punam de fato criminosos mais que conhecidos, que impeçam de fato serem poderes da República, nos três níveis, tomados por quadrilhas que do Estado se servem, que legislam em causa própria, que se apropriam e se locupletam com o dinheiro da sociedade, que mutuamente se cooptam, que são ainda protegidas pela ineficiência, erudição e politização do Judiciário e que, acima de tudo, respeitem a memória de meus pais sobre ser o Brasil um país de futuro. Quem sabe assim eu consiga convencer minhas filhas a voltar ao Brasil com seus maridos e meus netos, já que, como muitos jovens bem formados, fizeram há dez anos o caminho inverso de meus pais, emigrando para outro país em busca de um futuro promissor. A continuidade do status quo, que sabemos como começou, talvez saibamos como termina. Será que num novo AI-1? Difícil de prever. Mas com certeza atingiremos o fundo de um poço que mostra um ralo, que abre para um poço mais profundo ainda, cujo fundo, ao ser atingido, tem novo ralo, e assim sucessivamente, como se constata diariamente na imprensa.

Lazar Krym lkrym@terra.com.br

São Paulo

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A TRAGÉDIA EM JANAÚBA (MG)

O gesto heroico da professora mineira Helley de Abreu Batista, que perdeu a vida na tentativa de salvar o maior número possível de alunos numa escola em Janaúba (MG), evitando uma tragédia maior, é a prova de que a humanidade ainda tem jeito. O gesto de Helley, antes de tudo de coragem, foi de instinto materno, senso de responsabilidade e dever cristão, que infelizmente lhe ceifou a vida. Nossa sociedade, que idolatra jogadores de futebol, atores e atrizes de TV, tem de repensar sobre nossos heróis. Num país onde não se dá o devido valor a um professor, o exemplo da professora Helley é de simbolismo sem tamanho. Os governos mineiro e brasileiro têm o dever de homenagear essa heroína, e que Deus ampare sua família nesta hora de extrema dor.

Luiz Thadeu Nunes e Silva luiz.thadeu@uol.com.br

São Luis

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CONFUSÃO NO AEROPORTO

Comunico um problema ocorrido no desembarque do voo GOL 7727 MVD - GRU no dia 6/10/2017. Desembarcamos pelo remoto às 9 horas, no piso inferior. Ao subir pela escada rolante para o piso 2, nós, passageiros, fomos surpreendidos pelo fato de o andar superior estar superlotado de passageiros. Não havia como sair da esteira rolante. Tivemos de gritar para pedir para as pessoas se espremerem, para evitar um acidente, pois a escada rolante nos empurrava para o pessoal parado. Uma senhora idosa caiu. Não havia funcionário da concessionária no local. O problema foi causado por só haverem dois funcionários para carimbar os passaportes, e o sistema de escâner é muito lento. Levamos 20 minutos para conseguir passar pela alfândega. Com isso, formou-se uma aglomeração que chegou à escada rolante. Tudo culpa da concessionária, que é a pior do Brasil. Nem vou reclamar na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pois não faz nada. Recomendo à GOL que estude colocar um funcionário no pé da escada rolante controlando o acesso dos passageiros, para evitar um acidente. Ao sair da sala, procurei junto com outro passageiro uma funcionária da concessionária e expusemos o ocorrido, e ela falou que era culpa da GOL. Mas não foi. A culpa é da péssima concessionária, que não tem funcionários suficientes.

 

Marcílio Augusto Neves marcilio@marcilio.eng.br

Nova Lima (MG)

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