Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2017 | 03h04

INTERVENÇÃO

Nem legal, nem legítima

Quando deparei com o artigo Intervenção, legalidade, legitimidade e estabilidade (5/10, A2) surgiram desconfortos típicos de quem não entende mais os discursos propagados em nossa sociedade. É fato que vivenciamos uma incerteza em relação aos caminhos que temos pela frente, mas passar desta incerteza para uma certeza autoritária regida pela instituição detentora do monopólio da repressão e violência é um passo que não se dá apoiado apenas em retórica vazia de usurpadores sedentos de uma rememoração fúnebre. Encanta-me o fato de o autor de tal artigo citar a Constituição e a Lei Complementar 97/1999 para, depois, depositar tudo num espaço aleatório e afirmar que a intervenção militar “será legítima e justificável, mesmo sem amparo legal”. Como alguém tão apegado à ordem, à hierarquia, à moral e aos bons costumes pode sustentar um ato que corrompe claramente o que está disposto nos escritos de máxima legalidade nacional? Seria uma postura que torna legítimos apenas seus atos próprios e ilegítimo tudo o que afronta o costume moralizante do segmento militar? Não poderíamos sustentar com base na mesma argumentação toda e qualquer infração à Constituição? Outro ponto que chama a atenção é considerar o Exército uma “instituição confiável”. Em hipótese alguma sugiro que não seja, mas não faço nexo causal entre confiabilidade e intervenção para higienização política. Devo ser claro, aliás, que muito dessa instabilidade e “sujeira política” advém do tempo em que os higiênicos militares estiveram no poder do Estado brasileiro. Não devemos confundir confiabilidade com competência de gerir a coisa pública e muito menos confiabilidade com tomada de atitudes indesejadas, como afirma o autor do artigo, da parte de um poder que mesmo tomando atitudes desejáveis já impõe risco ao coletivo. Afirmo que não existe intervenção militar que goze de legitimidade, legalidade ou estabilidade num Estado Democrático que prevê em sua Constituição (artigo 5.º, XLIV): “Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”. Prevê também em sua Lei de Segurança Nacional (7.170/1983) que é considerado crime “fazer, em público, propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social”. Se significativa parcela da população pleitear as atitudes indesejáveis da Força Armada por causa do agravamento da crise atual, como sugere o autor do artigo, a solução não é estabelecer a ordem a partir de um poder não eleito e submisso aos Poderes democráticos, mas investir no cumprimento irrestrito das leis. Desse modo a legalidade, a estabilidade e a legitimidade de um Estado Democrático implicam considerar como crime a manifestação ilegítima pela intervenção militar – seja de militares ou de uma população desorientada pelo messianismo de farda. Sendo assim, se a Força Armada é organizada com base na hierarquia e na disciplina, deve repensar o espaço dado aos seus integrantes que utilizam o ambiente público para disseminar palavras e atos que são tipificados como crimes, e não como um evangelho salvífico.

THIAGO DAVID STADLER, professor de Filosofia da Universidade Estadual do Paraná

thibastadler@gmail.com

União da Vitória (PR)

GESTÃO DORIA

Cidade Linda...

Como eleitor do prefeito João Doria e quase sempre apoiador do PSDB, concordo totalmente com o editorial Cidade Linda só no nome (8/10, A3). Como munícipe, percebo dia a dia a piora dos serviços avaliados pelo Estadão. Eu sentia falta de uma avaliação crítica dos serviços da nossa cidade, por incrível que pareça, piores que na gestão anterior. Votamos e elegemos um gestor, mas a cidade está mal e ele, viajando, engajado em campanha pela Presidência da República. Não posso deixar de mencionar o grosseiro vídeo com críticas ao ex-governador Alberto Goldman. Não vi as críticas de Goldman, mas considero inaceitáveis os termos utilizados pelo prefeito, contra o ex-governador e sua história de luta pela democracia.

ALVARO PACHECO E SILVA FILHO

apachecosf@gmail.com

São Paulo

O viajante

Quando João Doria iniciou seu mandato, fiquei animada porque achei que finalmente teria em quem votar para governador ou até mesmo presidente! Hoje me sinto decepcionada. Aquele discurso de que iria “prefeitar” foi por água abaixo. Doria perdeu o foco e só pensa em campanha eleitoral. Parece que se esqueceu de que para ser governador ou presidente precisa, primeiro, mostrar que foi um bom prefeito. Estou outra vez no mesmo dilema: em quem vou votar?

ANGELA MARIA DE SOUZA BICHI

angela_bichi@hotmail.com

Santo André

Culpa do PT?

O eminente prefeito João Doria cai nas pesquisas e diz que o culpado é o PT?! Ora, até concordo que o PT sempre torce pelo quanto pior, melhor, quando não está no poder. Mas o fundamental é as promessas serem cumpridas. O prefeito viaje menos e esqueça o PT, que não tem moral para falar de ninguém. E faça melhor que o antecessor, para isso ele foi eleito.

MARIETA BARUGO

mbarugo@bol.com.br

São Paulo

Querem mais?

É prematuro julgar o desempenho do prefeito. E pelo que tenho visto, na realidade, ele é muito bom no que conseguiu iniciar em tão pouco tempo nesta cidade complexa. Por exemplo, as melhorias na 23 de Maio, no Túnel 9 de Julho, a remoção de barracas em vários lugares, o aumento de velocidade em locais de via rápida, a proposta de privatizações, o projeto de plantio nas marginais, a reforma de viadutos da cidade com as multas... RONALDO ROSSI

ronaldo.rossi1@terra.com.br

São Paulo

LULOPETISMO

De desculpas e respeito

Em seminário em Brasília, patrocinado por seu partido e pela Fundação Perseu Abramo, aquele ser inominável, abjeto e corrupto disse que “está lascado” e só quer que o juiz federal Sergio Moro lhe peça desculpas. E, ainda, que exige respeito! Como assim?! Desculpas e muito mais quem tem de pedir é esse indivíduo, mentiroso contumaz, por ter destruído a economia do Brasil, por ter enganado o povo ingênuo enquanto facilitava a vida de verdadeiros tubarões, sem contar a ignominiosa atribuição de suas culpas a quem não se pode defender – a esposa falecida –, desrespeitada por ele até mesmo no seu velório. Um ser desse naipe merece respeito? Prisão perpétua pelo mal causado ao Brasil e aos brasileiros ainda seria pouco! Mas uma coisa é fato: mesmo que esse ser inominável não seja preso, ele há de pagar, e muito caro, por todos os malefícios praticados!

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

“Se o ‘gestor’ até agora não conseguiu resolver minimamente o problema dos inúmeros buracos 

que afligem nossa cidade, conseguiria ele tapar as enormes crateras que assolam o nosso país?”

VITTORIO RICCITELLI / SÃO PAULO, SOBRE A CAMPANHA DO PREFEITO JOÃO DORIA PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

marisa@phila7.com.br

“Alguém precisa avisar-lhe que o Brasil não é dele!”

EUGÊNIO JOSÉ ALATI / CAMPINAS, SOBRE LULA

eugenioalati13@gmail.com

 

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

ENQUANTO ISSO...

Enquanto os governos perdoam os devedores de impostos pelo Refis; enquanto os parlamentares recebem dinheiro por meio das emendas; enquanto os senadores dizem que vão votar projetos ameaçadores, caso o Supremo vote a favor de aprovar medidas cautelares contra parlamentares; as ruas e estradas continuam esburacadas, faltam medicamentos e médicos nos hospitais, faltam professores nas escolas, faltam creches, falta dinheiro para as pesquisas. Assim, concluímos que não falta dinheiro para quem não tem vergonha na cara.

José Martin jolumar1950@gmail.com

São Paulo

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REFIS

Após a aprovação pelo Senado da nova medida provisória do Refis, que permite que empresas e pessoas físicas com dívidas assumidas com o Fisco parcelem os débitos com descontos de juros e multas de pai para filho, a sigla passa a ter novo significado: Recuperação Fiscal de Sonegadores. Vergonhoso!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PRÊMIO A SONEGADORES

Quando o péssimo exemplo vem de cima, como os promovidos corriqueiramente pelo nosso Parlamento e pelo governo federal, o mal se espalha também para os Estados e municípios, como relatou matéria oportuna publicada no "Estadão" de segunda-feira (9/10). Os nefastos programas de parcelamento de dívidas tributárias, como o Refis, se revelam um verdadeiro prêmio para sonegadores. O governo federal acaba de aprovar o novo Refis concedendo até 180 meses para o pagamento de dívidas, e 90% de descontos nos juros e 70% nas multas. Ora, se essa excrescência é permitida no nível federal, por que não também para sonegadores que devem a Estados e municípios? Foi o que ocorreu, infelizmente: 14 Estados da Federação e 16 capitais concederam até 100% de desconto para juros e multas nos pagamentos de impostos atrasados! Esta orgia institucional recairá nos Estados sobre ICMS e IPVA, de débitos de imposto sobre herança, etc., e nas capitais sobre ISS e IPTU. A continuarem essas benesses nefastas, um dia ninguém mais no Brasil vai querer pagar imposto em dia.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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BURROS DE CARGA

Lendo o artigo de Fernão Lara Mesquita (10/10, A2), chega-se à conclusão do porquê o déficit da Previdência, ainda crescente, impede maiores investimentos nos serviços essenciais. Como pode o País suportar gastos de 58% do PIB com funcionários aposentados, enquanto gasta 11% com funcionários na ativa? Esse mesmo problema, com certeza, ocorre nas Previdências estaduais e municipais. Enquanto isso, o governo, juntamente com o Congresso, se empenha em reformar a Previdência, visando principalmente aos aposentados da iniciativa privada, beneficiários do INSS. Nós, empregados da indústria privada, somos os verdadeiros "burros de carga" desses privilégios.

Adalberto Amaral Allegrini adalberto.allegrini@gmail.com

Bragança Paulista

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FUNDO ELEITORAL

Câmara dos Deputados garante fundo bilionário para abastecer campanhas em 2018. Isso não passa de furto qualificado e também de um atentado. Atentado, sim, contra todos os brasileiros que não desfrutam de saúde, educação e segurança, entre outros serviços, já que este dinheiro está sendo retirado de recursos públicos. E isso para políticos poderem se mostrar e enganar milhões de votantes, fazendo com que se lembrem na hora do voto de quem os furtará nos próximos anos...

 

José Roberto Niero jrniero@yahoo.com.br

São Caetano do Sul 

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NÃO QUEREMOS

Eu e ninguém nesta nação, contribuintes, eleitores e democratas, não queremos que o dinheiro com o qual pagamos os tributos (incidentes sobre rendimentos das pessoas física e jurídica da qual são sócios quotistas ou acionistas, e, indiretamente, através de bens de consumo que adquirimos, alimentação, vestuário, educação, combustíveis, etc.) sirva para constituir fundos públicos e partidários destinados ao custeio de campanhas políticas.

Geraldo C. Meirelles gmeirelles.adv@gmail.com

São Paulo

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DITADURA DO LEGISLATIVO

Enfim, a Câmara dos Deputados aprovou um inaceitável fundo bilionário para financiar a eleição deles mesmos! O absurdo desse verdadeiro roubo aos cidadãos foi magistralmente comentado por Almir Pazzianotto Pinto em seu artigo "Partidos e Fundo Partidário" (27/9, A2). Depois, quando um militar faz algum comentário sobre os despautérios que presenciamos, fica todo mundo eriçado e falando em ditadura. A ditadura que sofremos é esta, de um Legislativo corrompido fazendo leis a torto e a direito só para se beneficiar.

Nelson Penteado de Castro pentecas@uol.com.br

São Paulo

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AFINAL, SÓ A POLÍTICA RESOLVE?

O editorial do "Estadão" "A política como caminho" (4/10, A3) ressaltava como boa-nova a conscientização de que numa democracia o importante mesmo é a política. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2015, de proibir as doações empresariais a políticos em campanha para obter ganhos particulares, os empresários agora se concentram em promover o desenvolvimento econômico, o que é bom para toda a sociedade. Por outro lado, o que causa apreensão mesmo é a aprovação do projeto que cria o Fundo Especial de Financiamento para custear campanhas eleitorais, com recursos públicos, no valor de R$ 1,7 bilhão. Se partido político é uma organização de direito privado formada por cidadãos reunidos em torno de ideias e projetos, por que a sociedade brasileira, que já paga um enormidade de impostos, terá de financiar as campanhas eleitorais?

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas 

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NOTA ZERO PARA O CONGRESSO

A reforma política recentemente aprovada foi pífia para o País, e não para eles, os congressistas. De uns anos para cá, tudo o que eles, deputados e senadores, fazem no Congresso visa apenas a seus interesses pessoais. O medo da Operação Lava Jato, que, contrariamente às suas vontades, graças a Deus, está ativíssima, os faz perder o sono. Consequentemente, eles se esquecem do País. No fundo, no fundo, eles querem que o Brasil se exploda. Qual a solução? Só conheço uma: fechar o Congresso, dar um pontapé no traseiro de cada congressista e confiscar seus bens até que provem a procedência lícita de cada centavo em seu patrimônio. Qualquer outra medida que não essa é o mesmo que chover no molhado, é trocar seis por meia dúzia. Ou será que não?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@uol.com.br

São Paulo

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ELES QUERIAM MAIS

Como se não bastasse a aprovação do infame fundo partidário bilionário pela Câmara dos Deputados, numa verdadeira orgia com o dinheiro dos contribuintes, uma emenda embutida no projeto da reforma política havia sido aprovada na calada da madrugada no Congresso ameaçando o mais elementar de todos os diretos: a liberdade de expressão, permitindo a censura no conteúdo de publicações em redes sociais e autorizando, ainda, o candidato reclamante a exigir a remoção daquilo que julgar conveniente além da divulgação do perfil do autor da publicação, numa verdadeira aberração anticonstitucional,  já que nossa Carta Maior proíbe a censura, sob qualquer formato, como previsto no art. 220 e §§ 1.º e 2.º) da Constituição. Ninguém pode querer se arvorar em censor de conteúdos na internet. Aqui não é Cuba nem Venezuela. Bom que Michel Temer vetou a emenda.

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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IMORAIS

Pode ser que me engane, por ser apenas uma dona de casa septuagenária, mas me parecem inconstitucionais o fundo eleitoral e o adiamento do fim das coligações partidárias, uma vez que, respectivamente, todos são iguais perante a lei - o dinheiro público não financia quaisquer outras carreiras - e a vontade do povo é soberana - nosso voto, nas coligações, pode eleger, além dos candidatos que queremos, outros que nos são desconhecidos ou abominamos. Como seria bom, nesta ocasião propícia, que os membros da Ordem dos Advogados do Brasil e outros representantes de peso da sociedade civil se pronunciassem a respeito e se levantassem contra a imoralidade da maioria dos parlamentares, que soube apenas defender seus interesses na reforma eleitoral, ignorando as mudanças desejadas pelos eleitores para moralizar a política e também ignorando a atual crise financeira em verbas para a saúde, educação, ciência e tecnologia e investimentos que minimizem o desemprego.

 

Maria Toledo A. G. de França mariatagalvao@gmail.com

Jaú

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PRÓ-FORMA

A reforma política sancionada foi quase pró-forma, ou seja, salvou as aparências. Por ter sido fechada a toque de caixa, não introduziu um mínimo de real modernização no viciado sistema eleitoral e passou ao largo de questões pelas quais o cidadão ansiava, como o voto facultativo, embora tenha ratificado um polêmico fundo, arrancado do povo brasileiro, destinado a financiar campanhas. Nossos nobres parlamentares se eximiram na arte da pirotecnia e, pelo menos os rançosos caciques, donatários de capitanias hereditárias, garantiram a renovação de seus títulos de propriedade. Vida que segue.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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REFORMA DOS CANDIDATOS

 

Temos já aprovada a reforma política, com fundo de campanha contando com um mínimo de R$ 1,7 bilhão, mas sem teto. Temos todas as vantagens e comodidades para os candidatos, inclusive uso da internet. Entretanto, já que o nosso dinheiro é que vai financiar os postulantes, é necessário que façamos uma depuração na lista de escolhidos pelas agremiações políticas. Graças ao Supremo Tribunal Federal (STF), ficamos livres dos fichas-sujas, sobrando, no entanto, os camaleônicos, ou seja, aqueles candidatos cuja vontade de atacar a coisa pública ainda não apareceu ao público, restando-nos o expediente de analisar os currículos, o que não é nada fácil. O tempo dirá!

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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A PAUTA DO STF

No dia 28/9 foi retomada a discussão da validade para condenados por abuso de poder político e econômico para condenados antes das eleições de 2012, quando entrou em vigência essa lei por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que essa discussão começou a ser debatida no STF em novembro de 2015, e, como houve um pedido de vista por um de seus membros, esse assunto demandou quase dois anos para ser retomada a discussão no plenário do STF de um assunto extremamente importante. Outro exemplo é o pedido de vistas do ministro Alexandre de Moraes sobre a discussão da proposta do foro privilegiado, parado há mais de seis meses, e não tem data para esse assunto ser retomado. Estes são apenas dois exemplos, mas existem muitos outros impactantes na vida pública brasileira. É inadmissível este tipo de recurso dos ministros do STF que pedem vistas a um determinado processo sem prazo de retorno, é uma falta de respeito para com a população, de quem deveria ter a dignidade de resguardar os direitos constitucionais. Não existe argumento plausível para um magistrado engavetar por meses, anos um processo cuja discussão já tenha sido iniciada. Tem de haver a definição de um prazo razoavelmente curto, e para isso creio que a cabe à digníssima presidente do STF e do CNJ definir procedimentos claros contra esse tipo de engavetamento e entrave da pauta do STF.

Carlos Sulzer csulzer@terra.com.br

Santos

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O CONFLITO DOS PODERES DA REPÚBLICA

 

O Supremo Tribunal Federal decide nesta quarta-feira se pode ou não afastar parlamentares. Por causa da questão Aécio Neves, Supremo e Senado estão em rota de colisão. Estranha-se que, com uma Constituição quase trintenária e toda a história republicana, as instituições ainda não tenham claro quais os seus direitos e atribuições. Se o tivessem, os membros do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, que formam os três pilares da República, não invadiriam a seara alheia, pois quando isso ocorre provoca a instabilidade. Já tivemos um pronunciamento militar no sentido de que, se as instituições não se entenderem, será o caso de intervenção, que, se ocorrer, maculará a democracia. O País carece de regras claras quanto aos poderes. Não pode um invadir a área de atribuição do outro. Aguardemos que tanto o STF, hoje, quanto o Senado, no dia 17/10, ao definir a situação de Aécio Neves, se atenham exclusivamente aos respectivos espaços. Senado, Câmara, Executivo e Judiciário, por seus órgãos de controle, têm o dever de analisar as questões que envolvem seus membros e aplicar-lhes as sanções cabíveis. Sem corporativismo, compadrio político ou qualquer outra postura que os afastem da legalidade e dos bons costumes. Se não o fizerem, criarão o risco da ruptura institucional que todos podemos imaginar como começa, mas ninguém é capaz de assegurar de que forma termina.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                     

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CASO AÉCIO NEVES

Arrepios premonitórios indicam um STF em sintonia com o Senado e ambos em desacordo com o povo brasileiro.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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CRISE

O grande culpado pela crise entre os Poderes Legislativo e Judiciário é o Conselho de Ética do Senado. A maneira como o caso do ainda senador Aécio Neves foi tratado no conselho de ética foi absolutamente revoltante. Uma acusação gravíssima, acompanhada de provas robustas, inclusive da confissão do próprio investigado, que em nenhum momento negou o pedido e o recebimento de valores indevidos, esse caso jamais poderia ter sido arquivado a toque de caixa, sem qualquer investigação ou providência do conselho de ética do Senado. Fosse o Brasil um país sério, haveria uma imediata intervenção no conselho de ética do Senado, seus membros seriam todos destituídos e teriam de explicar em juízo sua decisão absolutamente insustentável. 

Mário Barilá Filho mariobarilafilho@me.com

São Paulo 

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O SUPREMO E AS MEDIDAS CAUTELARES

A opinião do presidente Michel Temer com relação ao fato de o STF não dever condenar Aécio Neves pode ser comparada ao comentário do saudoso Ariano Suassuna sobre a crítica de um jornalista ao músico Chimbinha. O jornalista enalteceu de tal forma o trabalho dele que Suassuna, ironicamente, disse que, sendo a Língua Portuguesa o instrumento de trabalho do próprio dramaturgo e tendo a crítica usado o adjetivo genial para caracterizar a obra desse músico, o que restaria no dicionário para referir-se a Beethoven? Seguindo essa lógica, se o presidente realmente acredita que o STF não deve condenar Aécio Neves depois de tudo o que ele fez de errado, quem restará para condenar neste país?

Irene M. Dell'Avanzi irenedellavanzi@gmail.com

Itapetininga

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INCONSTITUCIONAL

Estes últimos dias têm sido de arrepiar. Ficou dito e bem explicado que, se o STF tomar medidas inconstitucionais, tudo bem, pois o tribunal guardião da Constituição é o último que fala e não pode ser contestado. Caí do pangaré. Pensei que a última palavra, em país democrático, fosse da sua população.

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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'DEMOCRACIA E RESPONSABILIDADE'

Sobre o editorial "Democracia e responsabilidade" ("Estadão", 8/10, A3), a democracia, no modelo atual, seria um regime perfeito se, e somente se, as pessoas escolhessem racionalmente. Mas isso não é assim que funciona. Nem mesmo na democracia mais madura da atualidade, com 230 anos de experiência, como na dos Estados Unidos, isso funciona desse jeito. Se funcionasse, Donald Trump não teria sido eleito. Se as pessoas escolhessem racionalmente, jamais votariam num indivíduo semialfabetizado como Lula para ser o primeiro mandatário do País. Racionalmente, isso é impensável. Eu tenho sérias dúvidas se a China teria conseguido ter o crescimento que teve nas últimas décadas se tivesse optado pelas "liberdades democráticas". Essa questão do "voto racional" versus "voto emocional" precisa ser mais bem discutida, para que se possa encontrar um meio de modernizar o "modelo democrático" da atualidade. No modelo atual os desonestos podem mentir à vontade para o povo e, com isso, se elegerem (vide Lula em campanha atualmente, como mente e engana descarada e despudoradamente as pessoas humildes). Esse tema tem que ver com a moderna "Economia Comportamental ou Psicológica", cujo um dos fundadores, professor Richard Thaler, foi laureado esta semana com o Prêmio Nobel de Economia. Em 2002 o psicólogo israelense Daniel Kahneman, um dos fundadores também dessa nova vertente econômica, fora laureado. Mudar mentes é complicado. O cientista Howard Gardner, o descobridor das múltiplas inteligências, afirma que mudar mentes não é uma tarefa fácil. E de fato não é, porque as teorias e as crenças aprendidas no passado são difíceis de mudar. Segundo ele, as histórias antigas adquirem raízes profundas e por isso são muito difíceis de serem extraídas e substituídas por outras, principalmente quando há "comprometimento emocional" com a causa ou com a crença. E mais difícil ainda é mudar as mentes que se "comprometeram publicamente" com uma causa ou com uma crença. Vejam, mesmo depois de todo o escândalo que envolveu o PT e o governo Lula, aqueles com um forte laço emocional com essa legenda e com o presidente têm grande dificuldade em reconhecer o fato e se afastar. As intenções de voto em Lula são uma prova contundente dessa tese de Gardner. Este me parece um bom tema para o "Estadão" patrocinar e promover uma discussão.

Hélio Carmo Faccin helio@faccin.com.br

São Paulo

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NOBEL DE ECONOMIA

Richard Thaler, que ganhou o Nobel de Economia ao introduzir psicologia à matéria, poderia render homenagens aos criadores do Plano Real. A inflação no Brasil foi derrotada num processo emocional, ao deixar os preços correndo em cruzeiros, enquanto a URV se encarregava de reintroduzir a noção de valor real na sociedade. 

Leo Coutinho leo.coutinho@uol.com.br

São Paulo

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LULA, O MESSIAS

Como a força-tarefa da Lava Jato pode afirmar que os recibos apresentados por Lula para comprovar o pagamento do aluguel do apartamento que o Ministério Público diz tratar-se de propina são falsos? O homem mais honesto do País, um messiânico, jamais cometeria um ato dessa natureza. Isso está passando dos limites e se tornando uma perseguição religiosa, e não política ou criminal. Salve Lula! Salve o nosso Messias! Ele voltará, mais forte, e colocará na cadeia todos os que o perseguem. Quem viver verá. (Lula acordando de um pesadelo.)

José Roberto Iglesias rzeiglezias@gmail.com

São Paulo

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CONTAS COM A JUSTIÇA

Lula apresentou à Justiça recibos de aluguel em cópias fotostáticas porque os pagamentos também teriam sido efetuados com cópia de cédulas. Está também explicado por que não foram detectadas movimentações bancárias que confirmem os pagamentos.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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ONDE ESTÃO OS RECIBOS ORIGINAIS?

O aluguel do apartamento em São Bernardo do Campo, para utilização do ex-presidente Lula - e que o Ministério Público acusa tratar-se de propina da Odebrecht -, era pago em dinheiro vivo? Quem é que sacava esse dinheiro todo mês no caixa eletrônico ou mesmo numa agência bancária? Estamos falando do aluguel de um homem que comandou o Brasil durante oito anos. Não é possível que ninguém tenha registrado esses pagamentos nas declarações anuais de Imposto de Renda ou mesmo emitido e assinado recibos mensais. A Receita Federal cruza informações, verificando recibos de médicos e dentistas, mas não verificou os dados de Lula? As contas correntes e movimentações bancárias do pessoal do primeiro escalão deveriam ser verificadas com lupa. Quem tem ou teve o poder da caneta deve prestar contas com mais rigor.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte 

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TRÊS MINUTOS

É tão grave a situação de Lula que ele está igual aquele cidadão que, consultando o médico, recebeu dele um diagnóstico gravíssimo e informava que ele só teria três minutos de vida. Daí o cidadão perguntou: o que o senhor pode fazer por mim, doutor? O médico respondeu: em três minutos, só se for um miojo.

Mario Ghellere Filho marinhoghellere@gmail.com

Mococa

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'ESTOU LASCADO'

Pela primeira vez concordo com algo dito pelo ex-presidente Lula. Alguém que é réu seis vezes, que já foi condenado à prisão em 1.ª instância e que é investigado em outras ações só pode estar lascado. Essa é uma declaração de admissão de culpa, corroborando a tese de que Lula é uma das pessoas mais desonestas deste país.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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EU QUEM?

Gostaria de saber quem quer ser politicamente suicida para aceitar o apoio de Lula. Ele assume a condenação ("estou lascado"), mas quer que o juiz Sergio Moro peça desculpas a ele. Talvez sua defesa peça que não seja preso por ter problemas de ordem mental e ser inimputável.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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QUADRO CLÍNICO

O Brasil está gravemente doente, a metástase se alastrou e chegou aos Três Poderes. Os principais cabeças das cinco quadrilhas que dominam o cenário continuam livres, leves e soltos, um defendendo o outro num corporativismo exacerbado. Para este quadro clínico recomenda-se o tratamento cirúrgico com extirpação de órgãos ineficientes e sessões de quimioterapia. Julga-se que o transplante destes órgãos seja necessário. O tratamento homeopático previsto para 2018 mostrará a sua ineficácia. Para sobreviver, tem-se de acabar com a corrupção e investir em educação, e a prática da meritocracia tem de voltar. Fora isso, não tem saída.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

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COM MUITA SEDE AO POTE

O prefeito de São Paulo, João Doria, está indo com muita sede ao pote. Praticamente abandonou a cidade para fazer seu périplo ao Planalto. Seu projeto Cidade Linda vai por água abaixo. Calçadas e ruas esburacadas, vias carroçáveis sujas, ou seja, tudo abandonado pela falta de tempo do zelador cuidar do mínimo. Também as várias viagens potencializam esse desprezo. Doria ainda não está apto para comandar o País. Primeiro, cumpra corretamente com as promessas feitas, e sem traições, porque ele pode se afogar  no próprio pote d'água!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CIDADE LINDA

Quem vive em São Paulo, capital, e convive com os problemas dessa cidade é obrigado a concordar com o editorial do "Estadão" de domingo ("Cidade Linda só no nome", 8/10, A3): cidade linda ficou só no nome. Sabemos que somente a cidade de São Paulo abrigaria cinco países devido ao seu tamanho, mas nas campanhas nada disso é lembrado, todos os candidatos se vestem de milagreiros. Vão resolver todos os problemas e o cidadão terá orgulho de seu prefeito. Pois bem, votei, como muitos, em Doria. Esperava dele mais ação, mais interferências nos diversos órgãos desta cidade. Como citado, o 156 já não funciona, como "gestor" que disse ser e com o que convenceu eleitores a votarem nele. Doria deveria mostrar a que veio. Se os diversos serviços não funcionam, um bom gestor deve saber que a falha está em quem administra. Quem está à frente desses serviços é um bom gestor ou simplesmente cabo eleitoral? Cabe destacar que em meio aos diversos serviços que não funcionam há um que continua a todo vapor: a indústria das multas e a perda de tempo em recorrer. Prefeito João Doria, se quiser chegar a presidente da República, foque seu olhar e seus pés nesta cidade. Ela precisa de bons administradores e isso não se faz com discurso, e sim com competência, dedicação e compromisso.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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MERGULHO NO 156

Muito oportuno o editorial do "Estadão" acerca da performance do nosso prefeito (8/10, A3), ao que gostaria de acrescentar mais um dado ao índice de atendimento do canal 156, que, segundo apurado no referido texto, conta somente com 25,2% das 61,7 mil novas queixas. Em outubro de 2015, constatei, na gestão anterior, também recorrendo à Lei de Acesso à Informação, que pelo menos 20% das solicitações não eram atendidas há mais de 5 anos (existem casos de 10 anos), e pasmem: segundo nova orientação, quando uma solicitação não for atendida no prazo de 1 ano, ela será automaticamente cancelada, devendo o cidadão abrir uma nova solicitação. Pelo que o "Estadão" demonstra, a situação do atendimento das demandas do 156 não mudou na nova gestão. Este munícipe já abriu uma solicitação formal em relação ao problema do não atendimento das demandas, em 26/7/2017, dirigida à Ouvidoria da Prefeitura, e, para variar, até agora não obteve retorno, tendo salientando, nessa solicitação, que o elevado nível de pendências da Prefeitura junto à população da cidade de São Paulo não é apropriado para quem se diz "gestor", querendo, a meu ver, passar uma certificação de eficiência na gestão, o que não corresponde à realidade dos fatos, como demonstra o referido editorial. Importante seria o prefeito João Doria entender que a cidade de São Paulo é muito complexa e "engole" fácil os que se comprometem com resolver os problemas da cidade num "passe de mágica", sem um exame apropriado dessa complexidade e/ou por puro oportunismo, pois os eleitores de nossa cidade são dados a experimentalismos, tal a diferença de posturas, campo ideológico e partidos, da nosso histórico de prefeitos eleitos, mas sabem fazer as cobranças ao prefeito eleito de plantão. Antes que seja tarde, nosso prefeito deve "mergulhar" no 156, tratando de reverter o índice acima mencionado, colocando a "casa em ordem", deixando de lado as suas quase indisfarçáveis pretensões a concorrer ao cargo de presidente da República em 2018, no que age como político que é, e não segundo a imagem de gestor que o ajudou a se eleger prefeito de São Paulo. Ele tem "muito" tempo de gestão na Prefeitura de São Paulo à sua frente para demonstrar a que veio, e nisso, entendo, deve se concentrar, de forma que ao fim possa ser aclamado como um prefeito que fez uma boa gestão, de forma a pretender voos mais altos. Nesse aspecto, deve observar que encurtar mandatos sem oferecer resultados práticos pode ter um preço político muito alto, e nisso nosso ex-prefeito José Serra tem muito a ensinar - e olhem que ele tinha uma boa experiência anterior de gestão como governador do Estado para exibir.

José N. Cavalcante Cerqueira nestor.fwb@terra.com.br

São Paulo 

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DORIA CAIU ANTES DE SUBIR 

Demorou quase nada para a realidade aparecer para o "prefeito" João Doria, que em seus nove meses de mandato provou ser bom apenas em marketing pessoal, porque, como responsável em administrar nossa capital, até o momento, é um fracasso. Basta observarmos que São Paulo continua a mesma, com todos os seus problemas à espera de soluções que não chegam. A realidade chegou para ele com a queda em pesquisa que avaliou sua administração. Quem sabe agora resolva ficar mais em São Paulo e trabalhar pela sua cidade, para que os paulistanos possam avaliar sua pretensão em voar mais alto, mas só daqui quatro anos, porque nem para 2018 ele pode pensar em algo, visto ter jogado fora seu primeiro ano de mandato. 

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

Garça

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FOCO NO MANDATO

Eu já havia sugerido anteriormente ao prefeito João Doria focar no cumprimento do seu mandato. Desviar o foco, além de decepcionar os seus eleitores, deixará um legado bastante negativo e o jogará na vala comum dos demais políticos. O paulistano não terá nada a ganhar com isso e Doria, menos ainda. Ao fim de seu mandato, terá o meu voto em 2022. Caso contrário, não o terá se o quiser ainda em 2018.

  

Ricardo A. Rocha rochaerocha@uol.com.br

Belo Horizonte

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CORRUPÇÃO NA RIO-2016

O ministro do Esporte deve achar que somos lesados ou retardados. Sobre a prisão do sr. Carlos Arthur Nuzman, disse que a Polícia Federal fez o seu papel, mas que este episódio não mancha o evento Rio-2016. Não, sr. ministro? A Copa do Mundo, cujos principais personagens estão presos - Sérgio Cabral & cia., José Maria Marin, ex-presidente da CBF preso em Nova York, o atual presidente da CBF, Marco Polo del Nero, que se sair do País será preso - e tantas outras falcatruas levantadas pelo MPF, PF e Lava Jato, que comprovam os malfeitos nesses eventos, não mancham as competições e o nome do País, não, sr. ministro? Tenha um pouco de respeito pelo nosso ouvido, sr. ministro. Isso é que dá quando ministro não é eleito pelo povo e o chefe do Executivo bota qualquer um no cargo. 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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OS PESOS DA JUSTIÇA

Os pesos da Justiça estão desiquilibrados, a meu ver. O falecido ex-ministro da Justiça sr. Márcio Thomaz Bastos tinha dólares não declarados no exterior; pagou multa e continuou ministro  da Justiça! Já o sr. Nuzman declarou o ouro que tinha na Suíça antes de ser preso, e lá continua. Cabe à acusação provar os crimes, com os mesmos critérios, ou estamos perdidos. 

 

André C. Frohnknecht caxumba888@gmail.com

São Paulo

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DELAÇÃO PREMIADA

Sem sombra de dúvidas e com certeza absoluta no presente momento, mediante a decretação de prisão de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), sob suspeita de envolvimento na compra de votos com a finalidade de trazer a Olimpíada 2016 para o Brasil, mais precisamente ao Rio de Janeiro, está gerando um pavor assombroso em inúmeras pessoas envolvidas que também se beneficiaram do evento. A preocupação: delação premiada! 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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TREMENDO NAS BASES

Não é só o Planalto que teme uma eventual delação premiada do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O PT também deve estar tremendo nas suas já estremecidas bases. Além de ter sido ministro da Integração Nacional no governo Lula, Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, até 2013. É evidente que os R$ 51 milhões encontrados num apartamento em Salvador ligado a Geddel não surgiram da noite para o dia e não é difícil de imaginar que este montante foi sendo surrupiado paulatinamente do erário, sob a coordenação do ex-ministro, desde as administrações petistas. Se a carta de Antonio Palocci deixou o PT abalado e semidestruído, a delação de Geddel pode ser o tiro de misericórdia para Lula, Dilma e o partido. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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PARA SEMPRE GEDDEL

Há dez anos enviei o seguinte texto para o "Estadão" sobre o então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, hoje preso depois de estourado seu bunker com R$ 51 milhões: "Enquanto o dito ministro da Integração Nacional se refestela em sua confortável cadeira em um gabinete qualquer, que certamente não é no ministério que supostamente dirige, já que por lá ele não aparece, certamente há hoje no Nordeste milhares de pessoas lutando pela própria vida contra a seca, martírio apenas menor que sua sujeição eterna aos políticos preguiçosos, incompetentes e medíocres, para dizer o mínimo, que há séculos infestam a região e que estendem seus tentáculos por todos os cantos do país, por meio das alianças espúrias que fazem com os dirigentes de turno para se eternizar no poder. E ainda por cima vêm com essa balela da transposição do São Francisco, a qual nem de longe suspeitamos que intenção esconde. Essa figura, dissecada na página J6 do "Estadão" de 9/9, ilustra os tipos que nosso estilo de democracia nos obriga a aceitar e a sustentar com os abusivos impostos que pagamos: gente que está lá apenas para atender aos próprios interesses, que não está nem aí para os destinos do povo (desde que este, com as esmolas do bolsa-família continue vivo e votando neles) e que, com pouquíssimas exceções, não tem a menor aptidão para o trabalho sério, honesto e eficiente, a exemplo do grande líder de todos eles". Mudou alguma coisa em dez anos?

Renzo Galuppo renzo.galuppo@gmail.com

São José dos Campos

 

 

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