Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2017 | 03h05

REFORMA TRABALHISTA

Atualização da CLT

Embora ainda longe do ideal, a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional entra hoje em vigor, em meio a protestos das centrais sindicais e dos movimentos sociais. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criação de Getúlio Vargas inspirada na Carta del Lavoro de Mussolini, agregou, ao longo do tempo, mais distorções do que benefícios na relação patrão-empregado. Só para mencionar duas, entre tantas: o velho e conhecido acordo “me manda embora que eu devolvo a multa por fora” e as ações judiciais de trabalhadores que, aproveitando-se da situação de hipossuficientes perante a Justiça do Trabalho, entram com ação contra os empregadores para reivindicar somas vultosas – frequentemente injustas – e, após proposta de acordo feita pelo juiz, terminam por aceitar uma fração apenas do montante reivindicado, o que é sempre vantajoso para o empregado. Além disso, os encargos trabalhistas no Brasil, ditados pela CLT, são altíssimos e limitam os investimentos das empresas. A ideia de que menos encargos proporcionam maior investimento e, portanto, geram mais empregos é tão simples quanto verdadeira, só não entende quem não quer. O País não suporta mais a interferência excessiva do Estado nas relações entre empregadores e empregados e a insistência nesse conceito é demagógica, populista e retrógrada.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo

EDUCAR E DOUTRINAR

Base Curricular

A reportagem Escolas discordam de Base Curricular (10/11, A15) mostra claramente o quanto o debate sobre metodologia de alfabetização ainda está baseado em “achismos”, faltando fundamento científico para a definição do melhor método pedagógico para essa empreitada. Enquanto isso, as crianças continuam com alfabetização deficiente e com poucas chances de saírem da pobreza e suas consequências. Está mais do que na hora de termos pesquisas sérias sobre esse assunto. Mais ciência e menos dogma.

JUSSARA HELENA BELTRESCHI

jubeltreschi@gmail.com

Ribeirão Preto

Ideologia em sala de aula

O artigo A miséria da contracultura, de Flávio Rocha (9/11, A2), revela a triste realidade dos tempos modernos, especialmente no Brasil. A doutrina comunista elaborada por Karl Marx, cuja implantação era buscada pela revolução armada, não teve êxito até ser revisada por seus discípulos Marcuse e Gramsci, os quais desprezaram a tomada do poder pelas armas e adotaram o “marxismo cultural”, atacando disfarçadamente as colunas mestras da civilização, baseadas no racionalismo grego, no Direito Romano e na moral cristã. Essa ideologia foi assimilada e praticada pelos “espertos” professores em sala de aula ao longo das últimas décadas nas escolas públicas, universidades, em seminários de formação de sacerdotes, etc., e tornou-se plataforma governamental. Parabéns ao articulista pela bravura e recomendo-lhe denunciar essa infâmia nas suas palestras, em todos os meios de comunicação.

JOÃO FERREIRA MOTA

jfmota29@gmail.com

São Paulo

NINHO TUCANO

Torpe refrega

O maior cabo eleitoral de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva tem sido o PSDB. Enquanto esses pretensos candidatos ao Palácio do Planalto nadam de braçadas, livres e soltos, em antecipadas campanhas, sob a escancarada omissão do Tribunal Superior Eleitoral, os tucanos brigam com facas e foices, desavergonhadamente. No meio dessa torpe refrega, serve como uma luva o alerta do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, raro espécime tucano ainda lúcido pousado num dos galhos dessa intricada floresta de vaidades: “Desse jeito, vamos entregar a Presidência para o Lula”. Vale o sábio ditado: quem avisa amigo é.

LUÍS LAGO

luis_lago1990@outlook.com

São Paulo

Eu diria ao sr. Aloysio Nunes que não se preocupe, já conhecemos bem o Lula e essas pessoas travestidas de políticos que estão em Brasília. Temos algumas boas alternativas. É só o povo mais humilde, menos informado, não acreditar em promessas vãs de campanha.

VITOR DE JESUS

vitordejesus@uol.com.br

São Paulo

De mão beijada

Chegamos a ter muitas esperanças de que, diante da infinidade de escândalos de corrupção que recaíram sobre o PT, que o partido fosse para o beleléu definitivamente. E que o PSDB aproveitasse a situação para solidificar sua posição e retornar com tudo ao comando do Brasil, para repô-lo nos trilhos de uma vez. Porém, infelizmente, nos iludimos mais uma vez, pois os tucanos, além de não terem feito oposição nenhuma durante os governos petistas, como agravante ficaram de camarote só observando e, agora, com mais um problema: o de nos depararmos com um racha enorme no partido para descompassá-lo de forma avassaladora. Não tenham dúvidas de que o PSDB, agindo dessa maneira, está dando de mão beijada bala e combustível suficientes para um fechamento trágico, com resultado dramático: vermos o Lula lá em 2018. Ou não?

ANGELO TONELLI

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

Questão de foro

A ingerência do Planalto na escolha do presidente interino do PSDB decorre do fato de que ao fim de 2018 tanto o presidente Michel Temer como seus ministros correm o risco de perder o foro privilegiado, podendo ter de prestar contas ao juiz Sergio Moro já em 2019. Mas isso pode não se concretizar caso o presidente da República a ser eleito em 2018 os convide a permanecerem no governo como ministros, mantendo assim o foro privilegiado. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que pode ser candidato à Presidência no ano que vem, parece não se alinhar com essa ideia, daí...

JOSÉ CARLOS DEGASPARE

degaspare@uol.com.br

São Paulo

Trairagem

Se há algo inadmissível é Aécio Neves tirar Tasso Jereissati da presidência do PSDB. Justo ele?! Para mim e os paulistas em geral, Tasso nada significa, mas seu descarte foi manobra sua que não surpreende, visto que em duas eleições presidenciais Aécio traiu José Serra e Geraldo Alckmin. Numa época de definição de quem pode amanhã ser candidato maior, ele provocou uma quebra na moral tucana, que já não anda boa e agora vai piorar. Quem Aécio apoiar jamais levará os nossos votos.

LAÉRCIO ZANINI

spettro@uol.com.br

Garça

“Alberto Goldman resolveu aposentar o pijama?”

ROBERT HALLER / SÃO PAULO, SOBRE A DESTITUIÇÃO DE TASSO JEREISSATI DA PRESIDÊNCIA DO PSDB

robelisa1@terra.com.br

“Lula livre, leve e solto por aí dá nisso, até o Aloysio do PSDB acha que ele se elege”

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI / SÃO PAULO, IDEM

fransidoti@gmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

A REFORMA TRABALHISTA

Sancionada em 13 de julho por Michel Temer, a reforma trabalhista entra em vigor neste sábado, dia 11/11. Polêmicas à parte, a nova lei tem deixado sindicalistas e trabalhadores de cabeça inchada. O que mais preocupa são perdas de direitos. Entre as principais dúvidas estão a redução do tempo de almoço, o parcelamento das férias, demissão, terceirização e a chamada "pejotização", quando o trabalhador é contratado como pessoa jurídica sem vínculo, e, também, o item que trata do negociado sobre o legislado. Os acordos entre sindicatos e empresas passam a se sobrepor às leis. Essa é a maior reforma já promovida desde a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que data dos anos 1940. O fato é que de um projeto enxuto elaborado pelo Executivo o texto agigantou-se por iniciativa do Congresso - foram alterados, retirados ou incluídos cerca de cem artigos na CLT, que tem mais de 900. A despeito de sua complexidade, o governo Temer saiu vitorioso, o texto tramitou de modo espantosamente acelerado e foi aprovado. Diante de mudança de tal envergadura em regras arraigadas no País, é natural que haja incertezas e temores acerca de seus efeitos nas relações entre patrões e empregados. Aperfeiçoamentos, decerto, serão necessários, conforme os impactos se façam sentir no futuro. Ainda assim, não podem restar dúvidas quanto à urgência do redesenho das normas que, hoje obsoletas, dificultam contratações e demissões, excluem milhões de brasileiros do mercado formal e geram um enorme e caro contencioso na Justiça.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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ASPIRINA DISFARÇADA

A chamada reforma trabalhista - alterações na CLT promovidas pela Lei n.º 13.467, de 13 de julho de 2017 - nasceu controversa. Isso porque, desde o seu projeto, seus ares eram de "aspirina", ou seja, faz passar a dor momentânea, mas não cura doença alguma. Para nós, técnicos em Direito do Trabalho, na parte chamada material, ela é quase inteiramente um corpo estranho, que veio afrontar princípios construídos durante décadas, ou séculos, e entre eles desponta o da proteção, ou protetivo, que basicamente significa proteger o trabalhador (entenda-se empregado, pois a figura de maior atenção do Direito do Trabalho é a relação de emprego, e não a de trabalho "sui generis"), na relação que desenvolve com quem lhe toma o serviço (o empregador). Esse princípio está claramente previsto no artigo 7.º da Constituição da República, que, além de taxar os direitos mínimos dos trabalhadores (urbanos e rurais), na parte final do seu caput prescreve: "(...) além de outros que visem à melhoria da sua condição social". Pois bem, a "doença", neste momento, basicamente, é a estagnação da economia, que gerou milhões de desempregados - a maior queda nos índices de emprego desde que se aferem tais informações. A cura, entre outros "remédios", exige austeridade fiscal; responsabilidade com as contas públicas; e a não concessão de benesses pelo Executivo em permuta por votos do Parlamento Nacional, o que tem ocorrido amiúde nos últimos dias. A reforma foi como um remédio caseiro para curar um câncer; tratou de temas caros à história da própria sociedade, como a alteração (prorrogação) da jornada de trabalho, sem, em contrapartida, se precaver dos efeitos colaterais: diminuição da qualidade de vida; aumento dos gatos com fundos sociais e, sobretudo, com o falido sistema de saúde pública. Somente a parte processual, de forma geral, apresentou bons "sintomas de melhoria no quadro", o que se vê com a ampliação das maiores garantias do próprio sistema processual: o contraditório e a ampla defesa, que foram ampliados, por exemplo, com a facilitação para permitir que o empregador que for condenado em primeira instância possa recorrer. O chamado preparo para a interposição de recursos agora poderá ser efetuado por meio de depósitos judiciais, seguro-fiança ou garantia judicial, e, acima de tudo, será reduzido à metade para as entidades sem fins lucrativos, empregadores domésticos, microempreendedores e micro e pequenas empresas. A quantia paga hoje, de R$ 9.189,00 (mais 2% sobre o valor da condenação a título de custas), impede que grande parte dos réus da Justiça do Trabalho tenha acesso ao segundo grau de jurisdição. E a principal melhoria, especialmente para nós, advogados, foi sem dúvida a contagem dos prazos processuais em dias úteis, e não mais como "contínuos e irreleváveis, excluindo o dia do início, e incluindo o do fim", conforme o artigo 775 da CLT. No mais, os motivos da proposta da referida lei não deixam claro se era para ser realmente uma reforma ou se se pretendia dar ares de antibiótico forte a uma aspirina. O item "6" da proposta, por exemplo, que faz analogia à experiência europeia de "representação laboral" (até para os técnicos o termo soa extravagante) na empresa, é como se quiséssemos pintar as minas de carvão do interior de Minas Gerais ou as pequenas metalúrgicas da Grande São Paulo com a mesma tinta das montadoras europeias, como Audi, Mercedes ou BMW. Na prática, não há "poder de representação laboral", pois o Estado nunca propiciou ao trabalhador brasileiro poder discutir seu próprio interesse por um simples motivo: falta-lhe educação. Conhecimento de causa. Sua ferramenta se resume ao trabalho, que lhe permite comer e sobreviver. Da mesma forma, todo sistema sindical brasileiro, salvo raras exceções, é uma utopia dialética bonita, que na prática se apresenta como mero veículo de desvio de verbas e enriquecimento sem causa de quem os fundou e os dirige. Finalizo registrando que também esperava ferramentas mais eficientes para propiciar maior crescimento com menor custo para as empresas, que são a força motriz de qualquer economia, mas não ignorando a própria ciência do Direito do Trabalho, pois, assim, com todo respeito que a coloquialidade merece, é como se o farmacêutico tivesse receitado a aspirina para o câncer.

 

Clobson Fernandes clobson@aasp.org.br

São Paulo

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SEGURANÇA

As manifestações de alguns ministros de tribunais superiores causam preocupação. Por exemplo, a afirmação do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que a reforma na legislação trabalhista é importante para a classe patronal, que será incentivada a contratar mão de obra. Cabe uma indagação: que segurança terá o trabalhador de que manterá o emprego, e, mais, como ficam seus direitos que eram previstos anteriormente e que, de alguma forma, permitiam um nível melhor de ganhos salariais?

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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O VERDADEIRO AGU

"A CLT passou por um processo de sacralização. É difícil, no plano das leis, haver esse elemento de imutabilidade", afirmou em 3/11 o ministro Gilmar Mendes, durante palestra no IV Seminário Internacional de Direito do Trabalho, que aconteceu na Universidade de Lisboa. Segundo Mendes, a "CLT foi aprimorada", ao defender reforma trabalhista. Não que eu discorde de que são vetustas as leis, decretos e atos normativos trabalhistas, mas sua defesa pelo ministro, que diz sobre matéria que certamente será objeto de análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), só fez reforçar o papel que vem ocupando de advogado-geral da União (AGU). A Lei Complementar n.º 73/93 (Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União) estabelece em seu artigo 4.º as atribuições do AGU. E o ministro Gilmar Mendes parece investido de várias dessas funções, como, por exemplo, no inciso II, despachar com o presidente da República; ou, no inciso III, representar a União no Supremo Tribunal Federal. Claro, os "despachos" ocorrem tarde da noite na residência do presidente ou do ministro, sem agendamento. Também a "representação" da União, não apenas defendendo as modificações na legislação trabalhista, com as quais até concordo, mas atirando para todos os lados. São os procuradores da "República de Curitiba", capitaneados por Deltan Dallagnol, seja criticando os "excessos" das medidas cautelares principalmente tomadas por Sérgio Moro ou Marcelo Bretas, ou, ainda, fuzilando Rodrigo Janot pelas ações contra o presidente da República e companhia limitadora (leia-se "associados criminosos"), enfim, o Brasil assiste estarrecido às atitudes nada comedidas do ministro Gilmar Mendes, que o colocam na condição de "parte", enquanto o atributo primeiro do magistrado é a imparcialidade. As falas e julgamentos do ministro repercutem muito mais que as ações todas da AGU investida, Grace Mendonça. Tenho para mim que ninguém tem dúvida quanto a isso.

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo 

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TEMER E AS REFORMAS

 

Michel Temer é mais brasileiro, mais patriota que todos os demais presidentes após o regime militar (Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma). Diante da caótica herança, expôs-se ao desgaste político ao assumir as imprescindíveis reformas trabalhista e da Previdência a fim de corrigir o rumo do País antes que a situação de agravasse de forma incontrolável. As pesquisas confirmam que politicamente Temer está acabado, mas, mesmo assim, luta contra tudo e contra todos para a aprovação da reforma da Previdência - garantir futuras aposentadorias, caso contrário, morreremos abraçados e de bolsos vazios.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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INTERESSA AO CONGRESSO?

Será que o Congresso Nacional vai votar e aprovar as reformas que o atual governo quer? Algumas são polêmicas demais e poderão desgastar a imagem de muitos que querem ser reeleitos para não perder a boquinha e o seu foro privilegiado.  

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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LAVAR AS MÃOS

Um compadrio nefasto reveste o sistema político. Na hora em que a coisa arrocha, salve-se como e se puder, cada um por si. Bom seria que lavar as mãos fosse apenas questão de asseio.

Eduardo Marçal Silva  eduardo@labrum.com.br

São Paulo 

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NOBILIARQUIA BRASILEIRA

Nunca deixo de ler os artigos de Fernão Lara Mesquita, pela lucidez, demonstração de conhecimento dos problemas nacionais e sabedoria na indicação dos caminhos para a solução. Lendo o artigo de ontem ("Sangue por nada", 10/11, A2), lembrei-me de quando, no início da década de 1980, li no "Jornal da Tarde" que nosso Congresso, na primeira oportunidade, decidiu por lei transformar todos os funcionários federais admitidos durante o regime militar de celetistas para estatutários. Entendi, então, que o Brasil estava marcando um encontro com o diabo, que hoje nos atormenta. A aprovação dessa mudança foi  rápida, silenciosa, simples e baseada em argumentos falsos e mentiras. Não vejo ninguém na mídia comentando e relembrando este fato ou o comparando com o cavalo de batalha que se tornou a aprovação, pelo Congresso, do caminho inverso. Criamos uma nobiliarquia que não abre mão de seus privilégios e nós, plebeus, não conseguimos mais suportar. Seria muito bom se dentro dos caminhos e limites da democracia lográssemos resolver este problema mandando de volta o diabo para o inferno. Caso contrário, o agravamento automático da situação, pela falta de pão, poderá nos levar a umas nova queda da Bastilha, com as suas consequências indesejáveis, entre elas a guilhotina. 

Délcio Nogueira dos Santos delciosantos@gmail.com

São Paulo

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APOSENTADORIA: FIM OU COMEÇO?

 

As pessoas idosas não têm o direito de guardar para si a experiência que a vida proporcionou. Na opinião do filósofo inglês Alfred Whitehead, a experiência não é para guardar. É preciso que alguma coisa façamos com ela. A aposentadoria pode não implicar encerramento de atividades, mas apenas redução de compromissos exigentes. São múltiplas as novas experiências possíveis. Que cada um encontre seu caminho. Se o aposentado sentir-se feliz usufruindo da aposentadoria simplesmente, essa atitude não merece qualquer reparo. Ele fez jus ao que se chama de ócio com dignidade ("otium cum dignitate"). O pedagogo tcheco Comenius ensina: "No ócio, paramos para pensar, para correr no labirinto do autoconhecimento, para investigar nossa condição de seres humanos. Não se trata de passar o tempo, mas de penetrar no tempo, em busca do essencial. Não é tempo perdido, é tempo sagrado e consagrado".

 

João Baptista Herkenhoff  jbpherkenhoff@gmail.com

São Paulo

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TIRO NO PÉ

Atendendo a apelos dos ministros tucanos de Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) destituiu na quinta-feira da presidência do PSDB o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e designou para o seu lugar o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB-SP), tudo em nome da isonomia entre os postulantes ao cargo de presidente do PSDB, em eleição prevista para 9 de dezembro. Com essa atitude, Aécio acaba de dar um tiro no pé, haja vista que ele está queimado politicamente em decorrência dos recentes episódios envolvendo corrupção com a JBS. Como se sabe, Temer conta com a possibilidade de que o novo presidente da República, a ser eleito em 2018, o nomeie ministro da República, para assim não perder a condição de foro privilegiado. Tasso Jereissati já se declarou candidato à Presidência, e este fato desagradou as intenções do Planalto.

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo

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BEM BOM!

  

Em notório divórcio litigioso com o Planalto, os tucanos não se bicam mais. Mas, como convém a ambos e aos cargos, gostariam de preservar a "conjunção carnal", que é bom e conveniente!

Alessandro Lucchesi timtim.lucchesi@hotmail.com

Casa Branca

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COALIZÃO

Aécio confundiu o PSDB com o PT: pegou ao pé da letra a sugestão de Lula.

Moises Goldstein mg2448@icloud.com

São Paulo

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PSDB

A propósito do condenável e preocupante racha tucano, cabe reproduzir o que bem disse o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira: "Sigo os mandamentos de Mateus 12:25: 'A casa dividida contra si mesmo será destruída'". Que as palavras bíblicas ecoem enquanto é tempo nas cabeças pretas e brancas do PSDB, o Partido Social "Dividido" do Brasil. Amém.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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SÉRIES DE TV

Se a política brasileira é um "House of Cards", Aécio personifica o "Walking Dead", cadáver político que arrasta seu partido para as profundezas. 

Luiz Henrique Penchiari lpenchiari@gmail.com

Vinhedo 

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PAÍS DA PIADA PRONTA

Esta de Aécio destituir Tasso, só rindo, porque outro dia mesmo nem entrar no Congresso ele podia. É por esta e outras que somos o país da piada pronta.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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AÉCIO NEVES

O Menino do Rio sacudiu a "poeira" e rodou a "havaiana"!

Carlos Alberto Roxo roxo.sete@gmail.com

São Paulo

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PRESIDÊNCIA DO PSDB

Dormindo com o inimigo, os tucanos sabem, agora, de quem é a mão que balança o berço.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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O PSDB ACABOU

O que não dá para esquecer: anos atrás, o senador do PSDB Tasso Jereissati, em entrevista, afirmou que se houvesse um candidato do seu Estado, Ceará, independentemente do partido, ele o apoiaria. Numa época em que víamos o PT levar o País à bancarrota, e acreditávamos no partido, foi de revoltar. Hoje não dá para passar uma borracha em nossa memória e esquecer as palavras chulas e corruptas ditas por Aécio Neves em áudio com o corruptor Joesley Batista. Portanto, Jereissati deve estar pavimentando a candidatura do boquirroto esquerdoide Ciro Gomes, e ele tem muito dinheiro para alimentar tal candidatura. Já Aécio é de estarrecer que ainda tenha palavra dentro do PSDB. Portanto, a crise interna do partido fez ruir a imagem como "esperança" para um País melhor, e em 2018 não conseguirá mais amealhar 50 milhões de votos. Estão no mesmo limbo do PT e do PMDB. Acabou! 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL SEM ESPERANÇA

  

Sem nenhuma liderança capaz de barrar o quase presidiário Aécio Neves, sai fortalecido o sr. Alberto Goldman, sucumbe o PSDB como opção de centro e sepultam-se de vez as esperanças do surgimento de um nome que represente a renovação na política brasileira. Com a costumeira omissão das lideranças paulistas, ganham força o extremismo e os movimentos contrários à redução do tamanho do Estado e o combate à corrupção.

Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

Valinhos 

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O PSDB DA ATUALIDADE

 

Difícil será o PSDB ganhar as próximas eleições presidenciais, porque a agremiação política vive em confusão, digere transtornos de membros e ainda engole disputas traiçoeiras e abomináveis. Tornou-se um partido político igual ou pior que o PT, pagando pena pelas acerbas críticas ao PT. Não é sem razão que o PSDB perdeu milhares de adeptos, embora tenha nomes bastante cotados, como Geraldo Alckmin. Este, por sua vez, pode muito bem mudar de partido e disputar as eleições presidenciais, porque o PSDB não lhe vai fazer falta, como faz a João Doria, prefeito de São Paulo, eleito, sem dúvida, o traíra do ano.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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INADMISSÍVEL

Se há algo inadmissível foi Aécio tirar Tasso Jereissati da presidência do PSDB. Justo por ele? Para mim e para paulistas em geral Jereissati nada significa, mas seu descarte por aquele que há poucos meses foi pedir grana para empresário e podia estar até preso foi manobra sua que não surpreende, visto que em duas eleições presidenciais Aécio traiu Serra e Alckmin. Numa época de definição de quem pode amanhã ser candidato maior, ele provocou uma quebra na moral tucana, que já não anda boa, e agora vai piorar. Entre nós, paulistas, ele vale nada, e se for candidato futuro a ser presidente ou apoiar algum dos seus, jamais levará nosso voto. 

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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COMO TODOS OS OUTROS

Aos poucos o PSDB mostra o que sempre foi: outro partido da boquinha, com políticos imorais e corruptos, como todos os demais. Outro PT escorado pelos coronéis do PMDB. 

Ariovaldo Batista ariooba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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COLHEITA

Aécio Neves confessou que pediu e recebeu dinheiro do crime organizado, o PSDB teve motivo e oportunidade para expulsar o senador corrupto de seus quadros, mas isso não foi feito e o corrupto foi prontamente inocentado pelos seus pares do crime confesso. Ao permitir que um corrupto confesso continuasse presidindo o partido, o PSDB se equiparou ao que existe de pior nas quadrilhas criminosas que mandam no País. Não existem acusações e provas tão graves contra Lula e Dilma, Aécio Neves está na mesma turma de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral. O PSDB está colhendo o que plantou, e quem tiver um pingo de vergonha na cara deveria abandonar o partido - e isso inclui Serra, FHC e Alckmin. 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo 

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FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Em decisões arbitrárias e absurdas, a Prefeitura de São Paulo decidiu dificultar o acesso de jornalistas a  dados da administração pedidos por meio da Lei de Acesso à Informação para esclarecer a população sobre o que ocorre no município e, consequentemente, no seu bairro. Com uma agravante: tudo isso mesmo mediante a opinião de especialistas de que tal prática pode constituir improbidade administrativa e prevaricação. João Doria estaria "passando os pés pelas mãos"?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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ACESSO À INFORMAÇÃO

Sempre que um político brasileiro é flagrado numa gravação dizendo coisas não republicanas, a resposta, como um mantra, é sempre a mesma: "Trata-se de uma frase retirada do contexto" (sic). Foi o que argumentou, sem muita imaginação, o sr. Fábio Santos, secretário especial de Comunicação da prefeitura paulistana, a respeito das afirmações do sr. Lucas Tavares. Gostaria de perguntar ao sr. secretário especial que contexto seria este, já que o sr. Tavares disse em alto e bom som que iria dificultar a vida dos jornalistas, além de denominá-los de "os mais chatos da Terra". Ora, seria um contexto paralelo, em que só os iniciados saberiam o significado? Ou seria apenas falta de imaginação do sr. secretário especial, que apenas usou o mantra batido para defender o indefensável? Que tal preparar respostas mais convincentes da próxima vez?

Antonio Panciarelli professorpanciarelli@gmail.com

São Caetano do Sul 

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FALAR COM AUTORIDADES

Votei em João Doria para a Prefeitura de São Paulo com a esperança do novo, e tinha a certeza de que iria encontrar no site da prefeitura um "Fale Conosco", que estimularia a participação da população ajudando a administração com todas aquelas sugestões que podem nascer dos interessados em ver a cidade evoluir. Não encontrei. É um site burocrático, que informa o que está sendo feito e só pede contribuições para um projeto cujo prazo já venceu há meses. Fiquei com a impressão de que é um site "para cumprir tabela", sem ninguém realmente interessado em comunicação em mão dupla. E, com muita inveja, lembrei-me do secretário de Educação de Buenos Aires que divulgou seu celular pessoal para receber chamadas de todos os milhares de professores da cidade. O pessoal daqui não sabe nem copiar as boas ideias?

Aldo Bertolucci  aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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LIBERDADE CONSTITUCIONAL

Li com bastante atenção o artigo "Imprensa livre, mas sociedade respeitada" (8/11, A2), de autoria do advogado criminal Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, e fiquei um tanto frustrado ao verificar que não foi citado nem um exemplo real confirmando que tal preocupação faz sentido. Afinal, sem exemplo, mil palavras nada significam!

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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A QUEDA DO MURO

Completaram-se no dia 9 de novembro 28 anos que o Muro de Berlim caiu. Desfecho vitorioso para o desafio lançado por Ronald Reagan, na capital da Alemanha, há 30 anos, em junho de 1987. A queda deste muro foi o tiro fatal dado no comunismo e na URSS, regimes que morreriam em 1991. Muros têm diversos significados. Trump quer um para proteger a América dos imigrantes ilegais; discutível. Israel construiu um para evitar conflitos e proteger seus cidadãos de ataques terroristas; prudente. Mas o muro construído pela União Soviética foi o mais controverso. Obrigava seus cidadãos a permanecerem sob a baioneta, proibindo-os de sonhar com a liberdade, o capitalismo e a democracia. Este muro, definitivamente, foi tarde!

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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'A MISÉRIA DA CONTRACULTURA'

Não sou comunista, nem socialista, menos ainda capitalista. "Os comunistas agora querem também a alma dos capitalistas, além de seus bens", dizia trecho do artigo de Flávio Rocha ("Estado", 9/11, A2). Será tanto assim? Talvez por terem apreendido a lição com os capitalistas, que sempre quiseram os bens do proletariado (mão de obra), pagando mal e procurando cada vez mais a concentração de renda, bem como a alma. Os comunistas apenas repassaram ao proletariado. Mas dá para viver em harmonia. Na Europa há alguns países que têm muito a ensinar ao mundo de Temers e Trumps. Quando Temer esteve lá, confundiu até o nome do rei. Foi um desastre. Mas um dia a gente aprende e vota direito.

M. Mendes de Brito mdebritovoni@gmail.com

Bertioga

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'NO INTENSO AGORA'

A propósito da estreia nas salas de cinema de todo o Brasil do documentário, premiado mundo afora, "No intenso agora", com direção de João Moreira Sales, seria bom desmistificar a morte de Edson Luís de Lima Souto, cujo enterro ajuda a contar a história da obra. Edson Luís era estudante secundarista e vagava pela área do Calabouço no centro da cidade do Rio de Janeiro, para alimentar-se no bandejão da faculdade que existia na área. Foi morto durante uma das manifestações promovidas por universitários comandados por chefetes revolucionários por um tiro disparado por Antonio Carlos Faria Pinto Peixoto, militante do Partido Comunista Brasileiro. A acusação recaiu sobre os policiais militares que confrontaram a turba, mas a verdade só veio a ser desvendada anos depois. O autor da ação faleceu em 2012 e jamais foi processado pelo ato. Não sei como o episódio é retratado na obra. A conferir.

Marco Antonio Esteves Balbi mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

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TRANSPORTE NO RIO

E a guerra entre Fetranspor/Rio Ônibus e a Secretaria Municipal de Transportes, mais precisamente contra o secretário Fernando Mac Dowell, tem mais um capítulo. Depois de as empresas acabarem, sem prévio aviso, com algumas linhas, agora anunciaram o fim do BRT, que atende um considerável número de pessoas que moram na zona oeste. Voltarão as antigas linhas com os ônibus e o passageiro tendo de pagar passagem em quantos ônibus usar. O problema é que, para a Prefeitura tomar uma atitude contra isso, é preciso ter lei que a ampare e coragem de fazer. Pelo visto, coragem... Depois de tantos anos, com as empresas beneficiadas por leis, fica difícil de o poder público tomar uma atitude. As leis eram feitas para atender às empresas. Ademais, a prefeitura do Rio não tem moral de se postar como poder público e punir. Para quem diz "amém" a tudo o que a Fetranspor/Rio Ônibus dizem ou fazem...

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

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ABORTO

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que a proibição do aborto no caso de estupro "não vai passar" na Casa. Como há aqui uma evidente dificuldade para conciliar dois aspectos antagônicos dos dois princípios constitucionais básicos, o da proeminência da vida humana (a do feto e a da gestante violentada) e o da dignidade da vida humana (também a do feto e a da gestante violentada), sugiro que a lei dê a possibilidade de uma terceira via - como opção - à vítima de estupro que engravide: o Estado paga uma soma alta em dinheiro para que ela mantenha a gravidez e, após o parto, toma para si os cuidados da criança, que será posta para adoção, e, ainda, condena o estuprador a 30 anos de reclusão com trabalhos forçados para que, com seu trabalho, retribua ao Estado.

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelogferes@ig.com.br

Rio de Janeiro 

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A LIBERDADE DA MULHER

O "Estadão" anunciou "Comissão dá aval à PEC que proíbe aborto" (8/11). As mulheres lutam tanto para garantir seus direitos, porém nunca são chamadas para opinar sobre os direitos de seu corpo. Quem deveria ter direito de opinar sobre aborto deveriam ser exclusivamente as mulheres.

Edson Baptista de Souza baptistaedson384@gmail.com

São Paulo

 

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