Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 03h09

DRONE EM CONGONHAS

Um país de Macunaímas

O episódio deste fim de semana em que um drone ficou sobre o Aeroporto de Congonhas, forçando o cancelamento de numerosos voos, o desvio de outros que deveriam pousar e atrapalhando conexões de centenas de passageiros espelha o desprezo e o desrespeito de cidadãos brasileiros pelo próximo. A mentalidade tacanha e egoísta de alguns se sobrepõe à segurança de muitos. Assim como esse drone teleguiado por alguém sem noção, um idiota, os que fazem balões enormes e os soltam sem o menor constrangimento, sem pensar que seus atos poderão causar prejuízos e até a morte de pessoas, retratam o estado de penúria intelectual a que chegamos. Os anos de escuridão de pensamento a que fomos submetidos, com a constante afirmação do “nós” contra “eles”, as invasões de propriedades para pura destruição, os direitos adquiridos por alguns sem a contrapartida de deveres, o coitadismo, tudo isso minou o caráter do brasileiro. Foi instituído um modo de pensar e agir egocêntrico, sem a preocupação com o respeito ao próximo, prevalecendo o “eu posso, eu faço”. Também a constante situação de impunidade, o endeusamento da preguiça e do comportamento macunaímico de alguns ditos líderes do povo contribuíram para esse estado de penúria intelectual e moral. A falta de limites, do não na educação das crianças, imposta por uma linha de pensamento completamente danosa, tornou o Brasil um país de gente que desrespeita as instituições, os mais velhos, os policiais e tudo o que representa autoridade. Não terá futuro entre países de Primeiro Mundo um território onde cada um faz o que quer – e danem-se os outros!

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

REFORMAS

Toma lá dá cá

Aqueles que acompanham o noticiário político estão fartos de assistir aos pronunciamentos quase diários do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falando exaustivamente da necessidade e da urgência da reforma da Previdência Social. Meirelles sempre ressalta que caso a reforma não venha a ser feita dentro de pouco tempo não haverá dinheiro para pagar as aposentadorias, muito menos para custear as despesas com a saúde, a educação e a segurança pública – apesar de o Brasil ser um dos países que mais recolhem impostos no mundo! Meirelles até foi ao Parlamento com o propósito de demonstrar aos deputados federais e senadores a premência dessa reforma. Contudo, absurda e irresponsavelmente, nossos parlamentares condicionam a reforma da Previdência à troca de benesses, impondo nomeações políticas ao presidente da República a fim de ocuparem ministérios e cargos públicos de seu interesse particular, fora aqueles que votam apenas pelo quanto pior, melhor. Esses congressistas, eleitos por nós, em vez de atentarem para o indispensável equilíbrio das contas públicas, só prometem apoio na votação se atendidos os seus pleitos. É o abominável toma lá dá cá, o “quanto é que eu levo nisso” que reina na nossa política. É de esperar que nas próximas eleições os eleitores encarem com seriedade as suas responsabilidades, escolham bem os seus novos representantes e removam de vez a grande maioria dos nossos atuais deputados e senadores, que estão afundando o Brasil. Caso contrário, a população não poderá mais reclamar das calamidades que vive o nosso país, com prejuízo pessoal para cada um de nós.

JOSÉ CARLOS DE CASTRO RIOS

jc.rios@globo.com

São Paulo

Pauta-bomba e caça ao voto

O ano legislativo está terminando e, por ser 2018 um ano de eleições, parlamentares montam uma pauta-bomba, que atenta contra o ajuste fiscal. Enquanto o governo fala em apertar os cintos, os parlamentares desenterram projetos que dão anistia a devedores rurais, ampliam a faixa de isenção do Imposto de Renda e rolam a dívida dos municípios. Estima-se que só isso, se aprovado, fará um rombo de R$ 20 bilhões no Orçamento do próximo ano! Ao mesmo tempo, o presidente Michel Temer e seus ministros insistem na reforma da Previdência, tema impopular, que já ganhou estigma em alguns setores da população. Enfim, com que cara esses parlamentares vão chegar até o eleitor e pedir-lhe seu voto na próxima campanha eleitoral?

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

NINHO TUCANO

Puxadinho

Durante 20 anos perdemos nosso tempo acreditando que o PSDB era um dos partidos mais sérios da política nacional. Todavia a crise que hoje divide o partido somente nos dá uma certeza: acreditamos estar apoiando o diferente, o íntegro, quando, na realidade, o PSDB não passa de um puxadinho do PT e do PMDB. Nessa divisão entre Tarso Jereissati e Aécio Neves, não dá para fazer uni duni tê. Voaremos para outros partidos menos envolvidos em corrupção e mais comprometidos com o nosso país. O PSDB tem muita estrela para tão pouco céu. E pelo que vemos nas redes sociais, a desilusão com o partido dos tucanos é generalizada. Perdemos muito tempo acreditando nas pessoas erradas. Fui!

BEATRIZ CAMPOS

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

Colcha esgarçada

O grande problema do PSDB é sua amplitude ideológica, que acaba por transformar o partido numa colcha de retalhos mal costurada que, puxada cada hora para um lado, se desfaz.

LUIZ RESS ERDEI

gzero@zipmail.com.br

Osasco

VIOLÊNCIA E CRIME

Assalto à equipe Mercedes

A segurança não é frágil só em Interlagos, mas em toda a cidade e em todo o Estado! Os moradores da periferia, extremos leste e sul, convivem com a violência diária, assaltos e furtos são uma constante, tráfico tem “lojinha” em cada esquina, não podemos usar celular, parar um carro ou deixar a casa sozinha! Por que não colocam policiais nesses bairros? O crime tomou conta de São Paulo e o governador está preocupado com sua candidatura, enquanto o povo morre nas mãos de bandidos!

LUIZ CLAUDIO ZABATIERO

zabasim@outlook.com

São Paulo

INSPEÇÃO VEICULAR

Carro na frente dos bois

Não seria mais inteligente começar a inspeção veicular por itens básicos, como estado dos pneus, todas as lâmpadas e os freios funcionando corretamente, e (bem) depois acrescentar a emissão de poluentes? E fazer isso no País inteiro? A Inglaterra começou assim há uns 25 anos e bem mais tarde acrescentou a questão da poluição. Agora que muitos motoristas no Estado de São Paulo passaram a usar faróis baixos durante o dia, dá para ver quantos nem sequer têm as luzes em ordem.

JULIAN WHITE

julwhite@yahoo.com

Campinas

“Esta semana, com Brasília em ritmo de férias, as laboriosas classes produtoras poderão trabalhar sem sobressaltos”

CRISTIANO WALTER SIMON / CARAPICUÍBA, SOBRE A DEBANDADA DOS CONGRESSISTAS PARA COMEMORAR A REPÚBLICA

cws@amcham.com.br

“As caravanas do Lula lembram o melancólico fim da Coluna Prestes. Uma bola murcha”

EUGÊNIO JOSÉ ALATI / CAMPINAS, SOBRE O FRACASSO DO PÉRIPLO ELEITORAL DO PETISTA

eugenioalati13@gmail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

BRASIL, UM PAÍS SÉRIO?

Definitivamente, não. Todos os dias nos deparamos com fatos absurdos que aqui ocorrem e que nos levam à reflexão sobre a justeza da frase atribuída ao general Charles De Gaulle - apesar de ele nunca tê-la de fato dito: "O Brasil não é um país sério". São tantos os casos diários que a isso nos conduzem que seria enfadonho aqui registrá-los. No noticiário veiculado na mídia nos últimos dias, duas delas nos chamam particularmente a atenção: a pretensiosa e descabida candidatura à Presidência da República do apresentador de televisão Luciano Huck e a permanência do ex-presidente Lula no topo da lista de presidenciáveis apresentada em pesquisas de intenção de votos para 2018. Não tem como não entendê-las como uma brincadeira de muito mau gosto. O primeiro é um mediano vendedor de ilusões, único atributo que lhe cabe. O outro, um mistificador incorrigível, responsável direto pelo indesmentível caos político, moral e econômico em que o Brasil está mergulhado. Como discordar de quem pensa que o Brasil não é um país sério? 

Rubens Guiguet Leal rubensgleal@uol.com.br

Americana

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QUEM SABE?

Luciano Huck tem tudo para dar-se bem ao se candidatar à Presidência do Brasil. É jovem, conhecido, popular e carismático. É bastante rico e pode não ouvir o canto da sereia. Escolhendo um partido pequeno e não envolvido nas falcatruas dos tradicionais, pode ele escolher um ministério competente, resultante de pessoas selecionadas por sua capacidade, e não por interesses escusos. Poderia ele iniciar um desejado processo de limpeza da nossa política, excluindo definitivamente Sarneys, Jucás, Aécios, Lulas, Renans, Cabrais, Dilmas e outros postes visceralmente enferrujados. Quem sabe as coisas começariam a melhorar?                 

Jota Treffis jotatreffis@outlook.com

Teresópolis (RJ)

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FALÊNCIA DA POLÍTICA?

Não é a falência da política que explica a candidatura de Luciano Huck, como afirmou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas o comportamento de determinados políticos (infelizmente não são poucos) que desvirtuaram a política ao fazer dela uma máquina de corrupção em benefício próprio e de amigos próximos. A candidatura do apresentador - e outras semelhantes - é ameaçadora na medida em que não basta ser honesto e moralmente correto para governar. É preciso dominar a arte da política para conversar com o Congresso Nacional, ou seja, saber negociar. Assim como política não tem nada que ver com corrupção, é ingenuidade acreditar que se pode governar sem o Congresso. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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MANGAS DE FORA

O senador corrupto Aécio Neves resolveu colocar as manguinhas de fora logo após seus pares terem arquivado a investigação de achaque que fez a Joesley Batista (J&F), da ordem de R$ 2 milhões. Depois de destituir Tasso Jereissati da presidência temporária do PSDB, agora lançou suas farpas ao pretenso pretendente ao Palácio do Planalto Luciano Huck. É verdade que Huck não tem "cancha" política, mas afirmar que, caso o apresentador se candidate, será "a falência da política", já é demais. A política já faliu há muito tempo, especialmente quando são recebidos recursos ilícitos de corrupção. Não se lembram de nada, Aécio & família?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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SÓ RINDO...

Aécio Neves foi afastado do cargo de senador, também da presidência do PSDB e quase foi preso por causa de denúncias de corrupção. Adivinhem quem não foi preso, voltou ao Senado e à presidência do partido? Ele, Aécio Neves. Viva a Justiça brasileira!

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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CARICATURA DA POLÍTICA

Aécio Neves de volta ao protagonismo político representa a caricatura da política, e nós, cidadãos e eleitores, estarrecidos e menosprezados, aguardamos ansiosos pelo momento em que as instituições deste país irão finalmente recolocar as coisas em seus devidos lugares.

Marcelo G. Jorge Feres marcelogferes@ig.com.br

Rio de Janeiro

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A DEBANDADA TUCANA

Permitam-me discordar - um fato quase inédito - da ilustre jornalista Vera Magalhães, que, em sua coluna dominical, "A cara do pai" ("Estadão", 12/11, A7), afirmou passar o PSDB por um processo de "peemedebização", que o estaria afastando de suas origens e pilares programáticos. A materialização de tal declínio seria a insistência de algumas lideranças em manter a participação tucana no governo de Michel Temer - semelhante ao que ocorreu com o PMDB no governo Sarney. Ora vejam, ao efetuar qualquer comparação histórica, como a colunista se propôs a fazer, deve-se inicialmente tomar enorme cuidado para que as camadas de análise não sejam misturadas. Do ponto de vista econômico, quais as semelhanças entre os governos Sarney (1985-1990) e Temer? Enquanto um falhou no combate à inflação, com três planos econômicos fracassados (Cruzado, Bresser e Verão), levando-a à taxa de 84,23% ao mês em março de 1990, o outro trouxe a inflação para 2,24% - IPCA acumulado no ano -, além de reduzir a taxa Selic para 7,25%. Nesse sentido, o PSDB não trai suas origens ao apoiar o atual governo, antes, pelo contrário, mantém-se como uma sigla reformista, que preza pela austeridade econômica, arcando com os custos políticos e eleitorais do apoio a medidas impopulares essenciais. O cerne da questão é: o PSDB continua ocupando a Esplanada dos Ministérios a que custo de oportunidade para o País? Abdicar das quatro pastas, deixando de conduzir o Brasil na travessia da "pinguela" e entregando-as para legendas fisiológicas que compõem o chamado "centrão", este seria o resultado da debandada tucana. O que de fato assemelha o PSDB ao PMDB é a intenção de algumas de suas mais antigas lideranças de se descolarem do governo Temer motivadas única e exclusivamente por interesses eleitoreiros. Para estes, a história guarda seu devido lugar, o de figurantes durante as grandes mudanças. 

Elias Menezes elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

  

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ÚNICA OPÇÃO

O investigado e desmoralizado senador Aécio Neves, que foi protagonista de um ato de terror político quando destituiu Tasso Jereissati da presidência da sigla, na semana passada, não precisava afirmar que o PSDB vai sair da base do governo "pela porta da frente". Ora, o partido de FHC não traiu o Planalto naquilo que prometeu quando indicou quatro dos ministros de Temer.  Devemos reconhecer que deputados e senadores do PSDB votaram em peso a favor de todas as medidas econômicas do governo aprovadas no Congresso. Porém, o fato de os tucanos terem votado divididos na Câmara durante as duas denúncias de Rodrigo Janot contra Temer é "outros quinhentos"... Ou seja, não tem nada que ver com o programa de governo, que, primordialmente, era e continua sendo o da recuperação da nossa economia, criação de empregos, etc. E não de salvar este ou aquele político em razão de uma suposta e grave denúncia de ilícitos praticados. Agora, Aécio, pelo escarcéu que promoveu, só tem uma opção: sair pela "porta dos fundos", por sua falta de ética e pelo desrespeito aos membros do seu próprio partido.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PORTA DA FRENTE?

O tucanato bate cabeça e bico ao permitir que o mineiro desacreditado Aécio Neves, alvo de oito inquéritos e uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre quem pesa a confissão de ter "pedido empréstimo" a ladrão, dê as cartas e os rumos dentro do partido. Geraldo Alckmin que se cuide.

Doca Ramos Mello ddramosmello@uol.com.br

São Sebastião

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AÉCIO NEVES

Com certeza, Tancredo Neves não aprovaria as últimas decisões de seu neto.  

  

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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POBRE NEVES

Enquanto era neto de Tancredo, todos nós acreditamos que era uma emergência política segura para o Brasil. Quando virou Aécio, em carreira solo, virou caso de polícia.

  

Roberto de Mello melloassis@uol.com.br

Assis

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'CORONEL DE PRISCAS ERAS'

Tancredo Neves deve estar se revirando no túmulo ao ver que, introduzindo seu neto, Aecinho (Aécio Neves), para ser um grande nome na política, não esperava dele um incentivo à situação de anomia em que seu partido se encontra também por sua culpa e risco. "Portando-se como um coronel de priscas eras (...)" (Bolívar Lamounier, "Estadão", 12/11, A2), não pensando nas atuais necessidades que se impõem ao País, Aécio parece querer um PSDB só para alimentar seus desejos pessoais. Ainda dá tempo de este partido se reposicionar e deixar de decepcionar seus já esmorecidos seguidores. O Brasil merece se reerguer novamente, como nos idos de 1990.

 

Leila Elston Leitão

São Paulo

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ANTROPOFAGIA TUCANA

Os tucanos são monogâmicos, territorialistas e se alimentam de frutas, insetos e até mesmo de filhotes de outras aves. Já os tucanos políticos são poligâmicos e estão se digladiando para ver quem é o tucano alfa, para continuar em cima do muro. Depois do caso Aécio, o partido dos tucanos entrou em processo de extinção.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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'PENSANDO O IMPENSÁVEL'

Domingo (12/11), no "Fórum dos Leitores", nosso saudoso Garrincha foi lembrado para falar sobre a nova lei trabalhista, recém-aprovada e em vigor desde sábado. Lanço mão do mesmo mestre para referir-me às dribladas a que temos assistido, fora dos bastidores, nos vaivéns de próceres - se é que se pode chamar assim - do PSDB. Joga-se o corpo para cá e para lá no campo esburacado de nossa política atual. E termina-se a cena com uma driblada só possível para um jogador com valiosas pernas tortas. Bateu na trave! Diante deste lamentável quadro, tenho de agradecer às "divagações" - no dizer do autor - de meu outrora mestre Bolívar Lamounier em seu "Pensando o impensável", no "Estadão" de domingo (12/11, A2). Esse título serve como pedido de escusas de Bolívar para refletir sobre algo que não gostaríamos fosse verdade e sobre o que fechamos muitas vezes os olhos para que não sejamos dominados por sentimentos que não nos levam a lugar nenhum, tipo na política e na corrupção "somos todos iguais". Ou, melhor, podem levar alguns a embalarem-se na fantasia do "bom gestor", uma figura que mais parece ser uma referência a um "bom pastor". Sim, vivemos num estado de anomia, termo que expressa sinteticamente a dificuldade ou incapacidade de enxergar ou de reconhecer um caminho capaz de repor os valores fundamentais da cidadania e de permitir uma convergência de objetivos que recuse a malandragem de uns e supere o bom mocismo de outros. Enfim, a convergência que nos permitirá construir um futuro.

Maria Coleta Oliveira mcoleta02@gmail.com

São Paulo

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A VELHA POLÍTICA

Este salseiro entre partidos, troca-troca de comando, tititi entre caciques e postulantes, beneficia uma pessoa em especial: Lula. Na verdade, são todos farinha do mesmo saco. 

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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'O INJUSTIÇADO'

Um dos editoriais de ontem do "Estadão" (13/11, A3) com título "O injustiçado", comenta declarações de um dos "açougueiros corruptores" da JBS, que, depois do que fizeram, ainda pretendiam ser considerados "heróis nacionais" (sic). Era só o que faltava. Entretanto, uma das declarações feitas ficaria perfeita com as correções a seguir indicadas: "O Brasil tem uma (em lugar de 'é um') classe política (em lugar de 'país') de corruptos, por ação ou omissão (complemento), e pretende continuar a sê-lo, pois se recusa a encarar a corrupção de frente". Sim, porque os políticos ou são agentes de atos de corrupção, como todos os que constituem suas lideranças que estão sendo processadas pela Justiça, ou são coniventes por sua omissão em combater esses líderes corruptos. Estes omissos pertencem ao que se pode chamar de "Corporação da Corrupção". Acompanham os líderes e só se interessam por cargos, emendas e verbas que lhes garantam a gastança. O Brasil, ora, o Brasil!

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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OS MILHÕES NO BES

 

Há 40 milhões de euros em Portugal, no Banco do Espírito Santo (BES), que ninguém reclama. Algum tempo atrás foi divulgado na imprensa que a conhecida de Lula Rosemary Noronha efetuou no BES, Cidade do Porto, um depósito de 25 milhões de euros com inviolabilidade diplomática. Fácil de rastrear, por utilizar um carro forte do aeroporto ao banco. A Polícia Federal bem que poderia esclarecer de vez essa dúvida que perdura por longo tempo...

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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A APOSENTADORIA DE ZÉ DIRCEU

Enquanto a população brasileira está indo, José Dirceu está voltando e dando sua última cartada nos cofres públicos. Ao solicitar aposentadoria por ter sido deputado (mesmo tendo sido cassado por corrupção), ele está mirando deixar sua atual esposa e filha de sete aninhos bem de vida, já que, cardíaco, não viverá eternamente, principalmente cumprindo pena de mais de 30 anos. Mas ela, esposa, bem mais jovem do que ele, deverá ser sustentada pelo "trabalhador brasileiro" - que ele sempre se jactou proteger sendo um dos fundadores do PT - no mínimo por mais 40 anos depois do falecimento do delinquente. Isso é o que se chama "o crime compensa", neste país das bananas protegidas. 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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O DESCASO DO CONGRESSO

A questão da aposentadoria do condenado José Dirceu mostra bem o espírito de corpo dos deputados (todos os partidos), que mais se assemelham aos comparsas de uma quadrilha. Enquanto o teto do INSS para o trabalhador da iniciativa privada é de R$ 5.200 (para quem conseguir) - e num ambiente com 13 milhões de desempregados -, o Congresso Nacional mostra seu descaso com o País, sua inutilidade e o quanto é nocivo ao Brasil. Sinceramente, não precisamos deste Congresso, muito menos de deputados e senadores deste nível.

  

André Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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PAÍS KAFKIANO

 

Dizia o festejado maestro Antônio Carlos Jobim que o Brasil não é para principiantes e que aqui fazer sucesso seria a "pior das ofensas pessoais". Com efeito, entender coisas que ocorrem nesta terra demanda anos de estudo e dedicação dos mais experimentados especialistas. Senão, como explicar a um estrangeiro que um preso no regime semiaberto receba dos cofres públicos auxílio-moradia? Como defender que alguém que matou os próprios pais tenha direito à saidinha da cadeia no Dia... dos Pais? E como justificar que Lula, um heptarréu (!) já sentenciado a 9,5 anos de prisão e com expectativa de novas e maiores condenações, ambicione eleger-se presidente da República - e, o pior, com o apoio de milhões? Neste país digno de Kafka, o presidente Michel Temer é execrado pela maioria dos brasileiros. Todavia, seu governo "impopular" conseguiu, em pouco mais de um ano: baixar a inflação a níveis raramente vistos na história; reduzir os juros básicos de forma acentuada; resgatar a Petrobrás e triplicar seu valor de mercado; derrubar o risco país; valorizar o real; reverter a curva de desemprego; ensejar recordes na conta de comércio exterior; tirar o PIB do "vermelho"; fazer reformas importantes como a trabalhista, a do ensino médio e a do teto dos gastos, já encaminhando a da Previdência ao Congresso; e renegociar dívidas dos Estados. Em sete meses e sem alarde, Temer logrou a proeza de regularizar mais terras que Lula em seu melhor ano (2006), tirando do líder petista uma das mais vistosas bandeiras de sua legenda - fincada na questão fundiária. Tudo isso conquistado em meio a um tiroteio político, tendo de se defender de acusações e negociar sua permanência no posto. No país dos paradoxos e a despeito de tudo, Temer segue amargando índices de popularidade piores que os de Dilma Rousseff, uma governante atrapalhada e autoritária que enfiou o Brasil na pior crise política, social e econômica de sua história. Algum iluminado seria capaz de explicar tamanha maluquice?

 

Silvio Natal silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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OS CORRUPTOS VENCERAM

A Operação Lava Jato morreu! Sinto muito dar o "spoiler" que todos já sabem. O último capítulo da maior série brasileira já está no ar e pode ser visto em todos os canais e em todas as mídias. Quando foi ao ar, já nos primeiros capítulos, dava para prever que a Lava Jato teria um fim melancólico. Mostrava três diretores corruptos da Petrobrás: Renato Duque, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, representantes dos três partidos da coalizão daquele governo, PT, PMDB e PP. Esquerda, centrão e direita! Eles controlam o Congresso Nacional, que mantém refém o Executivo e neutraliza o Judiciário. Só nós, o povo ingênuo, acreditamos que um dia seria feita justiça neste Brasil, espoliado por governos tão corruptos quanto incompetentes. O grande acordão acaba de ser finalizado e o Brasil de 2018 será o mesmo de nossos pais e avós. Se a esperança é na última que morre, saibam que ela acaba de ser enterrada. Amém.

        

Paulo Sérgio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

    

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VOTO NOS VIRGENS

As ações da Lava Jato e suas consequências mostram que o quadro político atual é pouco confiável. Há um clamor geral de que é necessário limpar a área e começar tudo novamente. Mesmo correndo o risco de pagar um preço pelo noviciado dos futuros eleitos. Ou seja, votar em candidatos novos, sem os vícios e arranjos de sempre. Talvez uma campanha nacional para a próxima eleição do tipo "Só vote em virgem!", sendo virgem todo aquele cidadão (ou cidadã) que jamais foi eleito para um cargo público, portanto, isento do pecado original.

Decio Fischetti etcmkt@terra.com.br

São Paulo

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FACÍNORAS

Ao procurar uma palavra que exprimisse o comportamento de grande parte dos nossos políticos, não encontrei nenhuma melhor do que facínora, ou seja, um criminoso cruel e perverso. Sim, pois cada centavo que desviam dos cofres públicos é retirado das verbas da saúde e da segurança pública, entre outras. E, como sabemos, muitos brasileiros morrem apenas pela demora no atendimento médico decorrente da falta de recursos nas três esferas de governo. Esses crimes deveriam, inclusive, ser enquadrados como hediondos. Além disso, abocanham verbas dos orçamentos para fins puramente políticos. A corrupção e os demais crimes contra o patrimônio público sempre fizeram parte da nossa história. Porém, graças à promiscuidade com que o governo petista conduziu os negócios do País, a corrupção se tornou insustentável, a ponto de muitos pensarem na volta dos militares, o que seria um grande erro. Quem viveu naquela época sabe disso, independentemente da sua ideologia. Ao ex-presidente Lula devemos tal panorama, pelo que ele chamava cinicamente de governabilidade e pela gatunagem desenfreada no período. O vice-presidente Michel Temer não poderia estar alheio "às peripécias" da administração anterior. Em consequência, agora presidente, falta-lhe autoridade moral sobre os parlamentares, que deitam e rolam em seu governo. E neste clima, alheios à indignação popular, vão criando projetos de leis para se locupletarem das verbas públicas e se livrarem do alcance das leis. Projetos, por exemplo, como o fundo eleitoral que vai retirar R$ 70,3 milhões da saúde e o que altera a interpretação da Lei da Ficha Limpa, este tentando aliviar a situação de criminosos já condenados, para que disputem as próximas eleições. O presidente da Câmara dos Deputados ainda afirmou que a alteração visa a que a aplicação da lei não retroaja à data da sua sanção, "para não prejudicar as pessoas". Ora, "as pessoas", no caso, são aquelas já condenadas pela Justiça, em sua maioria por se apropriarem de dinheiro público, e deveriam ser afastadas em definitivo de cargos públicos. Por sua vez, os sindicalistas querem aprovar lei recriando o imposto sindical, inclusive num valor maior ainda, pois sem ele a maioria dessas entidades sucumbirá, pela sua inutilidade. Os projetos de lei que realmente interessam à economia do País ficam para as calendas gregas. Tal situação me faz lembrar os acontecimentos ocorridos antes Revolução Francesa, e nós também não vamos comer brioches. 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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BOMBA

"'Pauta-bomba' no Congresso põe em risco ajuste fiscal" ("Estadão", 13/11). A única pauta desta lista que não é "bomba", e sim uma possibilidade de acertar vários anos de "garfadas" nos salários e aposentadorias, é a que reajusta a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Isso porque nós, trabalhadores, com mais este verdadeiro confisco que é a não atualização, estamos financiando, entre outros absurdos, aposentadorias nababescas, ajudas qualquer coisa para os Três Poderes, as quais são isentas de IRPF, aposentadoria de terroristas e outras falcatruas.

José Roberto Niero jrniero@yahoo.com.br

São Caetano do Sul

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REFORMA E NOVOS DESAFIOS

As mudanças radicais na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já estão vigorando. Por certo, inicialmente, que não se pense em aumento do mercado de trabalho, pois o empresariado vai aproveitar as novas regras para imporem condições aos seus atuais empregados. Está lançado, para o movimento sindical sério e competente, o desafio de envolver seus representados na luta para garantir os direitos e, mais, na manutenção de suas entidades. Cabe, no caso, uma observação: por que não se discute que o sindicato represente apenas os colaboradores, deixando de lado quem se recusar a qualquer contribuição?

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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EMPRESÁRIOS E EMPREGOS

Atrelados ao modismo lulopetista e similares, sindicalistas e até autoridades ligadas ao trabalho insistem em atacar e maldizer a reforma trabalhista, cujas modificações entraram em vigor no dia 11/11. Entretanto, deveriam saber que quem proporciona empregos são os empresários e investidores, e eles assim não procederiam de acordo com a CLT antiga, motivo de muitas recuperações judiciais e quebras. Embora elogiada a reforma pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, os críticos teimam em atacá-la, quando deveriam lembrar-se de que não podem empregar e não podem apontar outras fórmulas de gerar empregos no Brasil. Assim, as alterações à CLT vão começar a ser usadas nas novas contratações realizadas pelos empresários. Mas é bom que os críticos se lembrem de que mudanças no já realizado poderão, novamente, criar crise laboral no País. Seria interessante para esses críticos?

José C. de Carvalho Carneiro carneiro.jcc@uol.com.br

Rio Claro

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INSPEÇÃO VEICULAR

Cumprimentos e felicitações à louvável, oportuna e mais que necessária iniciativa da gestão Doria em reintroduzir a inspeção veicular na cidade de São Paulo, a partir de 2018, corrigindo o gravíssimo erro cometido pelo desgoverno do ex-prefeito Fernando Haddad, de lamentável memória. Os pulmões da cidade cada dia mais poluída respirarão mais aliviados.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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MAIS UMA CONTA A PAGAR?

Mais uma vez prefeito e os vereadores, que não sabemos o que fazem e nunca os vemos nas ruas fiscalizando, vão aprovar sorrateiramente a volta da inspeção veicular, de forma a arrecadar mais e prejudicando uma grande parcela da população que já não aguenta mais tantos impostos! Esta Câmara não representa o povo paulistano, é uma vergonha!

Luiz Claudio Zabatiero zabasim@outlook.com

São Paulo

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MAMÓGRAFOS EM FALTA

No fim de semana vi pela TV que 8 milhões de brasileiras deixaram de fazer exame de mamografia em 2016 por falta de aparelhos no Sistema Único de Saúde (SUS). A notícia salienta a abominável constatação de que Acre, Amapá e Distrito Federal (total de quase 5 milhões de habitantes) dispõem de apenas seis mamógrafos cada um na rede pública. E, no domingo, para completar o painel de horror, o "Estado" (A6) divulgou que o odioso fundo eleitoral usurpa R$ 70,3 milhões de verbas oficiais destinadas à saúde. Só mesmo na Banânia da jabuticaba, do deputado que ocupa o plenário da Câmara a ostentar jaquetão de grife sobre uniforme de presidiário!

Joaquim Quintino Filho jqf@terra.com.br

Pirassununga

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ENEM - ATRASADOS

O jovem que chega 30 segundos atrasado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e perde um ano de estudo/vida é o mesmo que passa 20 ou mais dias "acampado", sob sol e chuva, em frente a um ginásio para assistir a um show de seu ídolo favorito. O que esperar desse indivíduo quando adulto e for exigido num compromisso profissional?

Claudio Juchem cjuchem@gmail.com

São Paulo 

 

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