Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2017 | 03h10

CORRUPÇÃO

Caso Pizzolato

Condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão em 2012. Então, fugiu para a Itália e só voltou para cumprir a pena e pagar a multa porque foi preso, em 2015, e extraditado para o Brasil – prova inequívoca de que nunca pensou em quitar suas pendências com a Justiça brasileira. Mesmo assim, Pizzolato recebeu, agora, por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, o direito à liberdade condicional após cumprir 1 ano e 7 meses de prisão (12% da pena) em regime fechado na Papuda, por ter “bom comportamento”, contando com a ajuda da remissão do tempo de pena por trabalho e estudo na cadeia. Este caso é emblemático de por que o cidadão tem a impressão de que, para o pessoal do colarinho branco, muitas vezes o crime compensa. Nesse sentido, nem precisava do indulto promovido pelo presidente Temer, uma verdadeira orgia natalina.

ABEL PIRES RODRIGUES

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

INDULTO DE NATAL

Decisão do STF

Conforme noticiado, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o indulto de Natal assinado pelo presidente Michel Temer. Para Raquel, o indulto põe em risco a Operação Lava Jato, “materializa o comportamento de que o crime compensa” e será “causa única e precípua de impunidade de crimes graves”. Para reforçar a posição da procuradora, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que o presidente Temer “prepara uma saída para si (se condenado) e para outros réus da Lava Jato”. Diante deste cenário desanimador, só restava aos cidadãos de bem deste país torcer para que a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, revertesse a picaretagem política – criticada internacionalmente – do presidente e do ministro da Justiça, Torquato Jardim.

EDGARD GOBBI

edgardgobbi@gmail.com

Campinas

Bom senso

O ingresso da procuradora-geral da República no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade contra o esdrúxulo indulto de Natal concedido pelo presidente Temer serviu para afirmar que decisões como o indulto natalino devem ser regidas pelo bom senso jurídico, e não pelo oportunismo político.

OMAR EL SEOUD

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

2018

Tristes perspectivas

O indecente indulto de Natal do presidente Temer – um verdadeiro insulto a quem anseia por Justiça – e a ânsia do ministro Gilmar Mendes, que sob o olhar complacente de seus pares do STF vem libertando a rodo da prisão contumazes figurões nada ilibados – o estuprador Roger Abdelmassih, o banqueiro Daniel Dantas, corruptos graduados e gradeados pela Lava Jato, como seu compadre Jacob Barata Filho, além do risonho Anthony Garotinho e da não tão risonha Rosinha Mateus – são firmes indicadores de que 2018 tem tudo para ser um ano em que a esperança de dias melhores estará fadada ao desencanto. Para aliviar este cenário desalentador, resolveu o Supremo punir exemplarmente neste final de 2017, com atraso de 20 anos, o deputado Paulo Maluf, por lavagem e desvio de dinheiro em obras de São Paulo. A caminho da prisão, Maluf se apresentou ao venerável público, de um dia para outro, apoiado numa bengala zero-quilômetro. O deputado pagou o pato e não pôde comer seu costumeiro peru com farofa no Natal. Também em 2018 teremos outra notável contribuição para o insucesso do ano que se inicia: em setembro assume a presidência do STF o ministro Dias Toffoli, que nem conseguiu ser aprovado em concursos da magistratura de primeira instância, atestando a falta do imprescindível notório saber jurídico necessário para fazer parte da Corte Suprema, substituído neste caso pela indicação do PT, partido para o qual Toffoli advogou. Assim, o desejo de feliz ano novo, lamentavelmente, não encontrará eco diante de tão infelizes e tristes perspectivas. Mas não desanimemos de vez, pois há no ar uma tênue esperança, programada para 24 de janeiro: a provável bem-vinda condenação do ex-presidente Lula em segunda instância.

ROBERTO TWIASCHOR

rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

CRISE NO RN

Justa devolução

Os salários dos servidores não podem ser pagos e suas greves ainda são julgadas ilegais pela Justiça, mas o auxílio-moradia retroativo para 218 juízes e desembargadores do Estado do Rio Grande do Norte, garantido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, que vai custar à União R$ 39,5 milhões, isso pode? Coitadinhos destes juízes e desembargadores! Já não ganham o suficiente, ainda querem mais?! Nunca chega? Cumprimento a Advocacia-Geral da União (AGU), que quer a devolução do auxílio pago (Coluna do Estadão, 27/12).

VERA COSTA FOGAÇA

veracostafogaca@gmail.com

São Paulo

VENEZUELA

A caminho do abismo

A crise diplomática deflagrada pelo governo venezuelano – com a recente expulsão do embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira – trouxe à tona o caos político, econômico e social que o país atravessa. Recentemente foi divulgado um estudo mostrando que vários veículos de comunicação foram fechados no país vizinho, seja por término ou cassação de concessão ou mesmo pelo controle estatal sobre os papéis, o que culminou no fechamento de vários jornais. Mas existem perguntas que poderiam ou deveriam ser respondidas. Os países sul-americanos não podem fazer nada para acabar com este regime autoritário e assassino? Não há nenhuma saída para o caos que se instalou na Venezuela? Milhares de pessoas, inclusive crianças, estão morrendo de fome, sede ou mesmo vítimas da truculência estatal. Outros milhões são vítimas da violência desenfreada que tomou conta do país. Impossível que as grandes nações do continente não possam agir no sentido de forçar uma mudança política na Venezuela. O Brasil, parceiro do chavismo durante os governos petistas, tem grande responsabilidade nisso. Deveríamos, na condição de maior economia da América Latina, reunir forças na região para pressionar por mudanças naquele país. Mas a nossa política externa continua lenta e apagada.

WILLIAN MARTINS

martins.willian@globo.com

Guararema

BOAS-FESTAS

O Estado agradece e retribui os votos de boas-festas e próspero ano novo de Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Izabel Avallone, Mauricio Flank, Olimipia Futebol e Wlamir Camargo.

“O indulto de Natal do presidente Temer, este sim, é um verdadeiro golpe na Lava Jato”

TANIA TAVARES / SÃO PAULO, SOBRE O PERDÃO DE PENA, AMPLIADO POR TEMER EM 2017

taniatma@hotmail.com

“Enquanto o povo venezuelano passa fome, os petistas, apoiadores de Maduro e seu governo fazem regime”

LUIZ FRID / SÃO PAULO, SOBRE A CRISE NA VENEZUELA

luiz.frid@globomail.com

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O SUPREMO E O INDULTO DE NATAL

Segundo a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o indulto de Natal assinado por Michel Temer coloca em risco a Operação Lava Jato, "materializa o comportamento de que o crime compensa" e será "causa única e precípua de impunidade de crimes graves". Diante desse abuso, da falta de sensibilidade do presidente, que, ao que tudo indica, prepara sua própria cama, a procuradora ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Vamos ver o que dirá a Corte que ultimamente tem chocado a sociedade tomando decisões que jogam na lata do lixo todo o trabalho de investigação. Perdoar criminosos que destruíram o País e manter na cadeia os ladrões de galinha são uma afronta. Urge uma tomada de posição firme do Supremo que mostre ao País que no Brasil o crime não compensa e que a Constituição deve ser respeitada em todos os casos. Não dá mais para assistirmos a tanta desmoralização. 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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MUNDO PARALELO

O indulto de Natal decidido, segundo o ministro da Justiça, Torquato Jardim, exclusivamente com objetivos políticos por Michel Temer foi considerado, por grande parte do meio jurídico, um magnânimo presente aos corruptos que, com seus tentáculos urdidos desde que adquiriram poder ou influência em proveito próprio, vêm vilipendiando o País. Não é razoável supor que o presidente, político profissional com décadas de vida pública, ao decidir-se pela referida alforria, viva numa espécie de mundo paralelo e ignore o que se passa no Brasil real. O mais provável é que esteja usando a tênue recuperação econômica e o microscópico aumento na popularidade para tentar pegar a sociedade no contrapé e mostrar seus verdadeiros propósitos, ao proteger velhos companheiros, responsáveis pela atual decomposição moral e ética da classe dirigente. Esperemos que a intervenção da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, questionando o indulto, encontre acolhida a curto prazo na problemática e desacreditada Corte Suprema. 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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PODERES ESPECIAIS

A procuradora-geral da República pediu ao STF a suspensão do indulto de Natal concedido pelo presidente Temer. Claro, além de parte interessada, o presidente só não está sendo processado porque a Câmara não deu autorização para o prosseguimento do processo, tem os parceiros políticos envolvidos. Fez bem a procuradora Raquel Dodge em entrar com o pedido. O indulto tem suas condições para ser concedido e elas foram alteradas para favorecer os envolvidos na Lava Jato. Eu acho que indulto não deveria existir. A existência disso confere ao presidente da República, único com poderes para concedê-lo, poderes especiais. É como se fosse Deus. Deveria ser extinto.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro 

     

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ATO DESUMANO

A nota do Ministério da Justiça dizendo que o "induto natalino" a políticos e empresários condenados pela Operação Lava Jato é um "ato humanitário" é uma acinte à Justiça e à sociedade brasileira. Quando o presidente Michel Temer assinou o decreto, ignorou completamente os atos desumanos que estes presos causaram ao Brasil, deixando 13 milhões de desempregados, causando cortes de verbas e deixando a população sem acesso devido à saúde, segurança, escolaridade e causando atrasos nos salários de milhões de funcionários que trabalharam sem receber seus salários. Isso, sim, sr. presidente, é um ato desumano.

Valdy Callado valdypinto@hotmail.com

São Paulo

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LATA DE LIXO

O presidente Michel Temer, tendo em vista o indecente indulto de Natal de sua lavra, concebido para beneficiar corruptos ladrões de dinheiro público (genocidas por tabela), jogou seu título de jurista constitucionalista na lata de lixo, onde eu também joguei seu livro intitulado "Elementos de Direito Constitucional", que não ocupa mais espaço em minha biblioteca.

         

Túllio Marco S. Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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EVIDENTE

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contestou no STF trechos do decreto de indulto natalino assinado pelo presidente Michel Temer. Segundo a ministra, esse edito põe em risco a Operação Lava Jato, materializando a ideia de que o crime compensa no País, e se destina a favorecer claramente a impunidade. Eu já desconfiava. Alguém tem alguma dúvida quanto a isso?

Maria Elisa Amaral marilisa.amaral@bol.com.br

São Paulo

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CAVALO DE TROIA

A nação brasileira aplaude de pé o gesto corajoso e patriótico da chefe da Procuradoria-Geral da República, dra. Raquel Dodge, ao denunciar o ardiloso indulto de Natal assinado por Michel Temer e Torquato Jardim. Verdadeiro Cavalo de Troia, traz em seu bojo a mais torpe ação para desmoralizar e destruir a Lava Jato. Os chacais e as hienas tramando nos bastidores uma abjeta e maquiavélica manobra pseudojurídica, hipocritamente rotulada de "ação humanitária", só para salvar a própria pele das raposas signatárias e todos os supercorruptos presos ou denunciados pelo maior assalto da História aos cofres públicos de uma nação.

Paulo Sérgio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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RAQUEL É O JANOT DE SAIAS

Antes de escolhida e empossada, Raquel Dodge pisava macio. Atenciosa. Um oceano de humildade.    De poucas palavras. O antecessor de Raquel, Rodrigo Janot, também era assim. Depois da sabatina no Senado, Janot virou bicho. Inimigo declarado da classe política. Vestiu a fantasia de carrasco, juiz e policial. Deslumbrou-se. A nova procuradora-geral começa a botar as manguinhas de fora. Segue os passos intolerantes de Janot. Começou a desafiar e a contestar decisões do presidente da República e do Congresso. Não vai prestar. Os rumos das decisões da nova dona da verdade, Raquel Dodge, são imprevisíveis. Raquel Dodge tornou-se, já cedo, Rodrigo Janot de saias.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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A FORÇA DO STF

Decreto de Michel Temer denominado "indulto natalino", aumentando benesses a amigos, verdadeiros bandidos de colarinho branco, além de arbitrário, põe em cheque a Lava Jato, a soberania brasileira, além de decretar o fim da Justiça, visto que, segundo o ministro da Justiça, Torquato Jardim, o presidente "não vai recuar da medida". Chegou a hora de o STF mostrar a sua força!

José Carlos Alves jcalves@jcalves.net

São Paulo

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EMPREGO PARA QUE TE QUERO!

 

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, pediu demissão. O fato é que hoje em dia pouquíssimos ou nenhum brasileiro comum teria essa coragem. Sem ironia, por favor.

José Marques seuqram.esoj@bol.com.br

São Paulo

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A DEMISSÃO DO MINISTRO

No governo Temer a coisa está tão complicada que até o ministro do Trabalho ficou sem trabalho.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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FIM DA DIPLOMACIA ANÃ

Após 13 anos marcados por uma política externa vergonhosa conduzida pelo PT, o Brasil finalmente começa a recuperar sua autoestima assumindo a posição de gigante continental expulsando um diplomata da Venezuela com base no princípio da reciprocidade. Demorou, mas finalmente nosso país está deixando de ser um anão diplomático, título que ostentou durante as duas gestões petistas, quando aceitou passivamente prejuízos de toda ordem, como o confisco de uma refinaria da Petrobrás na Bolívia levado a cabo por Evo Morales sob a inspiração de Hugo Chávez. A lista de insultos contra o Brasil e brasileiros não para aí. A Argentina rasgou acordos comerciais com o Mercosul e fez o que quis com o Brasil, trazendo imensos prejuízos sem uma única nota de protesto do governo petista. A Venezuela não só interferiu nos assuntos internos do Brasil dando palpites nas eleições, como enviou vídeos de apoio ao PT, além do calote bilionário na refinaria de Abreu e Lima, uma obra idealizada por Lula e Hugo Chávez e alvo da Lava Jato por desvios milionários de dinheiro destinado às obras, até hoje inacabadas. E o que dizer do papelão do Brasil em Honduras protagonizado pelos gênios da diplomacia brasileira representeados à época, respectivamente, por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, transformando a embaixada brasileira de Tegucigalpa em pensão para abrigar o farsante Manoel Zelaya, ex-presidente de Honduras apeado do poder por conspirar contra seu país? O Brasil sob o domínio do PT perdoou dívidas milionárias de ditadores africanos, chegando ainda ao desplante de punir o diplomata brasileiro Eduardo Saboya por ter salvado a vida de um senador boliviano perseguido pelo governo de Evo Morales. Já Dilma e Cristina Kirchner suspenderam o Paraguai do Mercosul para substitui-lo pela Venezuela do companheiro Chávez, enquanto Lula solidarizava-se com os ditadores de Cuba contra os presos políticos da ilha, deportando inclusive dois pugilistas cubanos que tentavam fugir do inferno castrista. Diante desses fatos, espero que a expulsão do diplomata venezuelano seja o marco de uma nova fase de nossa política externa, mais digna e altiva, fazendo com que o Brasil, ao invés de se ajoelhar diante de governos bolivarianos, se prepare para uma ruptura de relações com a ditadura chavista, porque esta, sim, fará o possível para se manter no poder custe o que custar, podendo inclusive provocar uma guerra civil aqui ao lado, quase no quintal de nossa casa.

Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo

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DIPLOMATA EXPULSO

Felizmente o Brasil, nesta era Temer, não se submete mais, como de cócoras ficavam Lula e Dilma, aos horrores antidemocráticos dos governos venezuelanos do já falecido Hugo Chávez e do atual Nicolás Maduro. Nesse sentido, o Planalto tomou decisão acertada ao declarar o embaixador da Venezuela, Antônio Delgado Maldonado, "persona non grata", expulsando-o do nosso país. Isso porque, sem motivo algum, o ditador Maduro expulsou neste final de ano o embaixador brasileiro no país vizinho, Ruy Pereira. Este esquizofrênico e desumano presidente venezuelano, além de transformar o seu País num caos total, fica também cada vez fica mais isolado, sem apoio internacional, e pouco se lixa para que seu povo viva humilhado, sem encontrar alimento nos supermercados e remédios nas farmácias e hospitais, como tampouco se importa com suas crianças morrendo desnutridas.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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'PERSONA NON GRATA'

Finalmente o governo brasileiro vai expulsar o representante do governo venezuelano no Brasil! Governo sujo e estúpido com este, da Venezuela, não merece nada de nós, a não ser desprezo.

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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O JEITO É ESPERAR...

O socialismo bolivariano de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro, endeusado pela esquerda mundial, mostrou que é um sistema falido. O gigante do petróleo latino-americano não consegue atender às necessidades básicas de seu povo. O governo, como sempre, encontra uma saída para justificar o caos em que se encontra: a solução é culpar um inimigo externo. Maduro acusa os EUA, a Argentina, o Canadá e o Brasil, que tiveram seus embaixadores expulsos, além de Portugal, o grande culpado pela falta de carne de porco nas ceias natalinas venezuelanas. Já que o Papai Noel não solucionou a crise bolivariana, o jeito é esperar o PT voltar ao poder para amparar o nosso falido vizinho.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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SANHA PUNITIVA

Sobre o artigo "Cultura punitiva: desprezo pela defesa e pela verdade", de Antônio Cláudio Mariz de Oliveira (28/12, A2), o autor discorre sobre a sede de justiça, a "sanha punitiva" da sociedade contemporânea. Adverte que o móvel da justiça penal é o promotor, que instaura o processo penal com o oferecimento da Justiça. Depois diz o juiz se aceita a peça acusatória, e só então o advogado surge nos autos. Claro que Deltan Dallagnol e companhia Ltda. usaram a mídia, as redes sociais, palestras, enfim, tudo o que acabou por fomentar no meio jurídico a judicialização, o ativismo judicial e movimentos de entidades de classe dos Ministérios Públicos estatuais e federal; e na população a sede por vingança, a regressão no pensar jurídico. Há séculos saímos da fase da "vingança privada" ilustrada pela obra shakespeariana "Romeu e Julieta"; evoluímos para a Lei de Talião ("olho por olho, dente por dente"); até alcançarmos a fase atual, em que o "jus puniendi" é monopólio estatal. No entanto, e a despeito do que diz a turba, o direito de punir é delimitado por cláusulas pétreas que garantem ao acusado direitos inalienáveis (como o contraditório e seus primados corolários - ampla defesa e estado de inocência, entre outros), assim como demais garantias e direitos constitucionais e infraconstitucionais, todos, repita-se, para limitar o poder de punir do Estado. Penso que o regozijo nacional com a prisão de empresários e políticos poderosos é obviamente salutar ao Estado de Direito, contanto que tenha o acusado todos os meios probatórios existentes para provar sua inocência, inclusive as presunções legais como a "de inocência". Este é o Estado constituído. Queiramos ou não, é isso que vige. Por isso, é com certo pesar que sou obrigada a concordar com Mariz de Oliveira. Muito mais fácil do que a exposição vaidosa, egoica de alguns "mocinhos" da República curitibana e até a primeira turma do STF, esta última chamada por ministro da segunda turma de "câmara de gás". 

Andrea Metne Arnaut andreaarnaut@uol.com.br

São Paulo

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PROVAS INSOFISMÁVEIS

Eu diria ao dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira (28/12, A2) que a cultura que reina entre os advogados criminalistas é a de proteção geral à bandidagem, e a sociedade que se proteja, porque deve-se condenar somente com provas insofismáveis, juntando-se aos autos recibos de propinas, se isso fosse possível.

Jorge Dib jorgedib@hotmail.com

São Paulo

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VERDADE

Excelente o artigo/aula do dr. Mariz de Oliveira ontem (28/12, A2). Celebra a verdade dos fatos como prova condenatória. Concordo com ele, a verdade existe, sim, não é questão de interpretação. É questão de inteligência. Se eu vejo a chuva, não preciso ter provas da evaporação, da condensação, do resfriamento, etc. e tal. Eu sei que o processo ocorreu. Os juízes têm a obrigação de cumprir sua função e considerar Lula culpado pelo crime de "orquestração" de um sistema de corrupção que feriu os valores dos bons e atrasou em dez anos ou mais o crescimento de nossa economia. Duplamente culpado! Feriu-me como pessoa e como cidadã! O que mais precisam os juízes para condená-lo? Que jorre sangue dos brasileiros? 

Sandra Maria Gonçalves sandgon@terra.com.br

São Paulo

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O CORAÇÃO DA LAVA JATO

Não é vingança o que o povo deseja contra corruptos e corruptores responsáveis pela situação calamitosa do País, mas sim justiça célere e verdadeira. O dr. José Roberto Batochio ("O fim do 'sequestro relâmpago'", "Estado", 27/12, A2) pode tecer loas ao ministro Gilmar Mendes, mas esperar que a Nação acredite que Geddel Vieira Lima, Lula, José Dirceu e outras tantas "excelências", com seus  advogados famosos regiamente pagos para procrastinar indefinidamente os processos, atenderiam pronta e brandamente às intimações para depor perante a Polícia Federal e o Ministério Público, é francamente uma zombaria. Quem arrogantemente desviou ou deixou desviar dinheiro dos cofres públicos merece ser conduzido sob vara, não porque sejam considerados culpados de antemão, mas por serem fortemente suspeitos. O tempo dirá se tenho razão: Gilmar Mendes e, agora também, o presidente Michel Temer, transformando a vida de corruptos condenados em campos floridos, parecem mirar o coração da Lava Jato, mas no esforço podem acertar os próprios pés.

Edméa Ramos da Silva paulameia@terra.com.br

Santos 

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JUÍZES E O AUXÍLIO-MORADIA

Causou espécie a entrevista dada ao "Estadão" por Roberto Veloso, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), sobre a polêmica envolvendo a concessão do auxílio-moradia aos magistrados, que assoma impressionantes R$ 890 milhões por ano. Ao ser perguntado se há alguma preocupação com o fato de que juízes recebem o benefício auxílio-moradia (média de R$ 4,3 mil) mesmo morando em suas comarcas, respondeu com todas as letras em alto e bom som: "Não há uma ilegalidade no pagamento. Não há preocupação de caráter moral. Não estamos com essa pauta". Pois é, o destino do País e dos brasileiros está nas mãos de pessoas que pensam e agem assim. Pobre Brasil.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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ÀS FAVAS COM O EQUILÍBRIO FISCAL

O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski tomou decisão monocrática que obriga os aumentos salariais dos funcionários públicos. Porém não se entende por que a Advocacia-Geral da União não entrou com recurso junto à presidente Cármen Lúcia para suspender a decisão de Lewandowski. Freud explica? Ou o que explica é que todos querem receber o aumento, pouco importa o equilíbrio fiscal do governo?

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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MELHOR NOTÍCIA

O BNDES instalará 6,8 mil cisternas no Nordeste. Por que isso não foi feito antes? Porque mesmo aqueles salvadores da Pátria e pais dos pobres e descamisados, na verdade, vieram para confundir e se dar bem, não para ajudar o sofrido povo nordestino que depende da água como nunca antes. Só por isso a melhor notícia de 2018, já dada em 2017, será esta da instalação das cisternas.

Antonio Jose Gomes Marques a.jose@uol.com.br

Rio de Janeiro

 

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