Fórum dos Leitores

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O Estado de S.Paulo

30 Março 2013 | 02h06

GOVERNO DILMA

Papéis trocados

A recuperação da economia brasileira deve-se à vontade política do governo. Temos grandes programas nas áreas de infraestrutura, de energia e social e o mercado interno está forte e consolidado. A presidente Dilma Rousseff disse tudo isso diante dos chefes de Estado dos Brics, em Durban, na África do Sul. A presidente sonhava e quem dormia era o ministro Guido Mantega, da Fazenda. Portos e aeroportos em frangalhos, estradas esburacadas, malha ferroviária esquecida, energia elétrica com equipamentos obsoletos - o que resultou em 12 dias em média, em 2012, de escuridão para cada brasileiro. No Norte-Nordeste a mortalidade infantil é assustadora por falta de assistência médico-hospitalar eficaz, rebanhos morrem à míngua por falta de água e de pasto, mas os pobres criadores estão tranquilos, a bolsa-bode vem aí! E "quando as chuvas voltarem" tudo será resolvido... Isso é que é vontade das boas! Tenho a impressão de que a nossa irritada presidente trocou o script com alguma outra autoridade presente em Durban, pois o que não faltou na reunião de cúpula foi desorganização. 

SÉRGIO DAFRÉ
sergio_dafre@hotmail.com
Jundiaí

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Política econômica

A presidente Dilma Rousseff continua falando sobre assuntos que não domina. A última vez foi quando declarou, na reunião dos Brics, em Durban, que reduzir o crescimento econômico para conter a inflação é "uma política superada" e que é contra a elevação da taxa de juros para combater a alta inflacionária. Enquanto isso, o governo federal incentiva o consumo mediante política de facilitar o crédito à população, o comércio aumenta as suas vendas oferecendo financiamento a perder de vista, o povo compra o que pode e o que não pode, e com isso os preços acabam subindo, por causa da famigerada lei da oferta e da procura. E a ciranda continua, queira ou não a presidente da República. Será que Dilma espera um milagre do papa Francisco?

CLÁUDIO MOSCHELLA
arquiteto@claudiomoschella.net
São Paulo

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Paciente crítico

Em todos os veículos de comunicação que leio, ouço e vejo atento para os seguintes fatos: estamos com inflação (escamoteada) em alta constante; já em fevereiro houve um aumento do nível de desemprego e da entrada de pessoas na inatividade, segundo dados do IBGE; o Banco Central está de mãos atadas, porque precisa aumentar os juros, mas dona Dilma admite uma inflação alta para termos um "desenvolvimento" razoável. A tudo isso que está ocorrendo se somam as tragédias anunciadas no Estado do Rio de Janeiro; o aumento vertiginoso da criminalidade; deputados e senadores ocupando cargos de que nem sequer deveriam passar por perto, porque todos são do tipo ficha imunda; a Amazônia com recordes de desmatamento; caos nos portos e aeroportos; apagões constantes; falcatruas sendo esquecidas a todo instante; campanha eleitoral iniciada muito tempo antes do que deveria, com perda de tempo; promessas que nunca serão cumpridas, eis que as de outrora não o foram; atrasos em todas as obras para a Copa do Mundo de 2014, etc... Mas como o PT pinta tudo de um belo azul, parece que tudo está lindo e maravilhoso no Brasil, as coisas andando às mil maravilhas, sem nenhum tipo de problema - que a população enfrenta todos os dias e noites. Preços em alta, apesar da pseudorredução de impostos sobre os produtos da cesta básica, mormente os relativos à alimentação. Onde vamos parar com todo esse imbróglio não sei! O que os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso conseguiram, como o fim da hiperinflação, a responsabilidade fiscal, as metas de inflação, no governo petista de Lulla e Dillma está derretendo que nem sorvete numa praia em pleno verão carioca. O desgoverno Dillma, com os seus 39 ministérios, não sabe mais o que pode fazer, a não ser viajar pelo mundo fazendo fúteis discursos que só servem para enganar a todos. Fosse o ministro Guido Mantega funcionário da iniciativa privada, já teria perdido o emprego por total incapacidade, faz muito tempo. Já mentiu e nos enganou demais! Está na hora de ter um pouco de vergonha e se demitir, para que alguém que realmente tenha um mínimo de capacidade possa assumir a pasta da Fazenda para tentar arrumar o enorme estrago feito até agora.

BORIS BECKER
borisbecker@uol.com.br
São Paulo

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Herança de Lula

Aumentos ao nosso redor: inflação, 5,84%; escola, 12%; serviços, 20%; plano de saúde, 10%; alimentação, 18%; IPTU, 54%. É isso mesmo: um novo prefeito foi eleito e a elevação do meu IPTU, em Vila Velha (ES), foi, sem choro nem vela, de 54%! Pode? Pobre classe média... Se pelo menos os 40% do produto interno bruto (PIB) de carga tributária redundassem em contrapartida decente para o contribuinte, muitos dispêndios, hoje obrigatórios, seriam evitados... Culpa nossa, pelos desgovernos que elegemos. 

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES
hs-soares@uol.com.br
Vila Velha (ES)

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Banco Central

Saudades do sr. Henrique Meirelles, que é da turma da "herança maldita", mas era independente e não permitia interferência nas decisões do Banco Central. A inflação mantinha-se sob controle com juros mais altos, mas estava sob controle. Hoje temos inflação alta saindo lentamente do controle, investimentos e PIB baixos, sem previsão de melhora, e juros baixos, como a presidente Dilma quer. A pergunta que fica é: para que serviu a baixa dos juros se o PIB está baixo demais e a inflação alta demais? Para o povo que vai às compras não é mais interessante uma inflação baixa e sob controle?

KÁROLY J. GOMBERT
gombert@terra.com.br 
Vinhedo

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Tia Zulmira

Como leitor da Última Hora nos anos 60, não pude deixar de relembrar os conselhos de Tia Zulmira (artigo de Gaudêncio Torquato, 24/2, A2), comendo sua goiabinha, aos quais acrescento: chamem Delfim Netto, Maílson da Nóbrega, Armínio Fraga, Antônio Palocci, Andrea Calabi, Edmar Bacha e, principalmente, o real pai do Plano Real, Pedro Malan, e substituam o enganador e incompetente Guido Mantega, que está levando o Brasil à bancarrota. "Nunca antes na História deste país" houve ministro tão mentiroso e pouco ou nada entendido em economia internacional, da qual o nosso Brasil é dependente. Abra os olhos, dona Dilma, a economia (oh, estúpida!) vai enterrar o nosso país.

FLÁVIO RIVERO RODRIGUES
flaviorivero@estadao.com.br
Pindamonhangaba

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Nariz de Pinóquio

Se fosse real que nariz de mentiroso cresce, imaginem a bengala que os nossos dirigentes políticos estariam exibindo no rosto! Pobre Pinóquio, perdeu o trono. E viva a inflação!

PAULO MAIA COSTA JÚNIOR
paulomaiacjr@hotmail.com
São José dos Campos

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A INFLAÇÃO NO BOLSO

Inflação começa com “i”; ilusão também. O PT não governa com ações, só com falácias. E, o que é pior: camuflam os números reais da inflação, enganando e ludibriando o povo, que sente no próprio bolso o total descontrole inflacionário. O índice de inflação de 5,7% divulgado para o ano mais parece a “média” mensal dos 12 meses. Enquanto os cidadãos mais humildes se vendem pelas migalhas e esmolas do assistencialismo, o PT vai conseguindo transformar a inflação em ilusão. E há quem acredite.
 
Luiz Dias lfd.silva@2me.com.br 
São Paulo

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MANIPULAÇÃO

Dona Dilma disse, ao término da reunião dos países emergentes na África do Sul, que “não sacrificará o crescimento econômico para conter a inflação”. Mas, a julgar pelos resultados da sua administração em 2012 (inflação de 8% e crescimento econômico de 0,9%), a frase correta, ou manipulada, como queiram, é “não sacrificaremos a inflação para conter o crescimento econômico”.

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br
São Paulo

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FALA SOLTA

Dilma, como seu mentor, quando está lá fora do Brasil fala o que quer, o que lhe vem na telha e não quer arcar com as consequências. Os jornalistas de plantão são sempre os culpados pelas más interpretações. Se liga, Tombini, se não a casa cai.

Leila E. Leitão
São Paulo

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O POLIGLOTISMO DA PRESIDENTE

Foi-se o tempo em que Lula falava suas abobrinhas, com ou sem metáforas futebolísticas, era aplaudido por suas claques, mas era levado na base do folclore, da gaiatice. Só que agora a história é outra. Dilma é economista pós-graduada pela Unicamp, ah! Desculpe, foi um erro no currículo, vendida pelos marqueteiros como uma superadministradora, séria e competente, uma “gerentona” e, portanto, todo cuidado é pouco ao se pronunciar, especialmente em questões econômicas. A não ser que, como lançaram uma nova versão da língua portuguesa, o “PTguês” para justificar certas agressões ao idioma, estejam lançando um nova versão, em que o dito fica pelo não dito e vice-versa e versa-vice. 

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br
São Paulo

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AS FACES DO DIABO

Ficou impossível segurar a máscara. A nossa presidenta, ao desencadear ostensiva e prematuramente a campanha eleitoral, já está fazendo “o diabo”. E uma das formas de Belzebu manifestou-se através da castração do Banco Central, que, deixando de lado sua missão de conduzir a política monetária do País mediante uma criteriosa e técnica calibragem dos juros, está completamente submisso, perdendo sua imprescindível independência. Ao exaltar-se com uma fictícia manipulação, por ela atribuída à imprensa, de declaração sua, dando conta da preferência a aspectos de crescimento granjeadores de votos, em detrimento do controle inflacionário, a presidenta, além de propagar ondas sísmicas no solo financeiro, aumentando a desconfiança dos investidores, transformou o Banco Central em mais um tentáculo político do esquema de poder do PT. Na realidade, Dilma mostrou que está disposta, ela sim, a manipular, se preciso for, a economia, visando à reeleição. Outras formas do diabo estão despontando, tais como a paradoxal e inconsistente erupção de catolicismo, ao fazer-se presente no Vaticano com uma faustosa comitiva, e a repentina comiseração pelas vítimas da enchente da região serrana do Rio, a segunda em seu mandato, com a ressalva de que a primeira, de maior magnitude, mas ainda distante de qualquer disputa eleitoral, não a sensibilizou da mesma forma. Que outras piruetas nos reserva o rabudo até 2014?

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com
Rio de Janeiro

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MAU GOSTO

“Espírito animal”, “fazer o diabo”, “deus é brasileiro”, “aves de mau agouro” e “matar o doente em vez de curar a doença”, são figuras de linguagem do tempo do onça que sugerem a mesma falta de cultura do seu patrono e antecessor.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 
Monte Santo de Minas (MG)

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TUDO DOMINADO
 
Está tudo dominado. Outrora tínhamos, funcionando de forma independente, Três Poderes e o Banco Central, hoje está tudo dominado pelo Poder Executivo. Na prática hoje só existe o Poder Executivo. À revelia nababescos passeios a expensas da viúva, afinal “Deus é brasileiro”, o arroubo popular “Ficha Limpa” foi aprovado, mas não é posto em prática (apenados tomaram posse e integram comissão na Câmara), a “Operação Porto Seguro” foi abafada, “Comissão da Verdade” tendenciosa, infraestrutura e todos os serviços básicos que dependem do governo federal são precários, mas como moeda de troca política se cria mais um ministério (ganha um doce quem mencionar corretamente a metade deles), está mais que garantida a reeleição (é só adoçar os esmoleiros com um aumentozinho). Ainda há uma nesga de salvação no Supremo Tribunal Federal (STF), quanto ao restante a submissão está mais que assegurada. Infelizmente, essa é a nossa dura realidade, visto que, mesmo com o gritante caos em todo território brasileiro, numa pesquisa nada confiável, a presidente está bem na foto.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br 
Vila Velha (ES)

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CARTAS DOS LEITORES

Diversas notícias publicadas pelo jornal e por outros veículos apontam o crescimento da aprovação da presidenta Dilma e de seu governo. Todavia, nas cartas dos leitores do “Estado”, o índice de aprovação continua sendo o mesmo, de 0%, desde o início do governo dela. Aliás, durante o governo do presidente Lula ocorria o mesmo. Gostaria de entender se isso é um caso de autosseleção, no qual apenas os leitores que não estão em sintonia com o sentimento popular escreveriam para o jornal, ou se isso é uma decisão política dos editores, publicando apenas as cartas que se mostram em sintonia com a ferrenha posição opositora do jornal. 

Ramón García Fernández ramon.garcia.fernandez@gmail.com 
São Paulo 

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DIFÍCIL ENTENDER

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo sugere, em sua entrevista ao “Estadão” (28/3/2013), que a meta de inflação, que hoje tem como centro os 4,5%, seja elevada pelo Banco Central. Mas só não diz para quanto. É estranha essa postura do economista, porque sabe muito bem ele que desde Lula a gestão federal é relapsa, gasta muito e mal. E, se o centro da meta for elevado para, por exemplo, 6%, com dois de tolerância, Dilma vai deitar e rolar tentando ativar a economia pelas portas dos fundos (como faz), incentivando o consumo com créditos fartos, endividando mais ainda a família brasileira, fustigando a alta da inflação, sem que os investimentos sejam alavancados. E é aí que mora o perigo para que os índices inflacionários subam rapidamente, com a possibilidade de até ultrapassar os perigosos dois dígitos. É bom lembrar ao Belluzzo que, em 1999, portanto na gestão FHC e de Armínio Fraga, no Banco Central, a meta era de 8%; em 2000, 6%; em 2001, 4%; e, em 2002, 3,5%. Ou seja, mesmo com crises internacionais agudas surgidas na época, com crédito minguando e caro lá fora e sem os US$ 380 bilhões de reservas cambiais atual, etc., e graças a relevantes reformas institucionais, calcadas num governo absolutamente austero, que tinha apenas 23 ministérios (ante os 39 do PT), cargos de confiança, menos da metade do que hoje, e com as oportunas privatizações realizadas, é que se diminuiu drasticamente o peso do Estado na economia, e também foi possível chegar à meta de inflação de 3,5% em 2002. Por tudo isso é que a sugestão do economista, se aceita por Dilma e implantada pelo Banco Central, será uma verdadeira carta branca para mais desperdícios e descontrole da nossa economia. E se a inflação de hoje, na casa dos 6,43%, já vem corroendo o bolso do trabalhador, imagine com um centro da meta mais elevado... Até os pífios índices de investimento alcançados nestes últimos anos serão reduzidos. E não tem saída. Se o governo quer trilhar uma postura responsável, precisa sem vacilar controlar a inflação em níveis baixos. Porque esse é o único caminho a ser perseguido para consolidar um crescimento sustentado, que propicie juros baixos, altos investimentos em infraestrutura, educação e saúde, e mercado de trabalho forte. Ou seja, o da verdadeira justiça social.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com
São Carlos

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O BANCO CENTRAL DE TOMBINI

Ufa! Será que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, resolveu desmamar do governo federal e sua “presidenta”, assumindo sua função para com a República Independente Brasileira? Em qualquer país democrático, capitalista e republicano o Banco Central tem perna, braços e cabeça própria e serve para alavancar e diagnosticar o mercado, para que governos totalitários não caiam em tentação de olho apenas nas eleições, segurando debaixo do tapete os erros da equipe econômica. Vamos ver se essa independência mostrada por Tombini será consistente, ou se voltará a receber ordens “gerenciais”. Banco Central controla, analisa e divulga tendências de mercado e não pode aceitar maquiagens grotescas.
 
Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo

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SAUDADE DE 2002? DUVIDO!

Percebo parte da elite e parte da classe média com críticas vorazes ao atual governo. Baseiam-se em artigos de economistas e articulistas visivelmente comprometidos com a oposição. Até compreendo que tais influências fundamentam as ideias de muitos. Mas vamos falar de crédito juros. Pergunto: em algum momento da história deste país o empresário teve acesso a tanto crédito, com tão longo prazo e juros tão baixos? Saudades de 2002? Duvido! E a classe média? Hoje, para um financiamento imobiliário, por exemplo, os juros estão na casa de 8% ao ano. Fixos, sem correção monetária ou TR, etc. Prazo de 25 anos! Saudades de 2002? Duvido!

Mauricio Nardi Jr. mauricionardi@hotmail.com
São Paulo

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A PÍLULA DO ASTRONAUTA

Preocupado com a preocupação da presidente Dilma com a inflação, mês passado sugeri o congelamento dos preços por 6 meses, o que daria uma queda de do mínimo 50% da inflação, imitação do que fez a presidente da Argentina. Por orgulho, talvez a prezada presidente não tenha aceitado. Agora tenho a solução definitiva, não tem como não dar certo, vejamos: que tal tirar da mesa dos brasileiros o arroz, o feijão, a batata, o tomate, as frutas e legumes, verdadeiros vilões da inflação, produtos que subiram quase 35% nos últimos 12 meses? Em contrapartida, o governo fornecerá a “pílula do astronauta” ao povo totalmente “di grátis”, que, além de não ocupar espaço, contém todos os nutrientes necessários ao organismo, sem contar com a economia da água. Daremos adeus à descarga. Entendeu, sra. Dilma?

Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com
São Paulo

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O PREJUÍZO DA ELETROBRÁS
 
A Eletrobrás, em 2012 registrou o pior resultado de sua história, devido ao novo marco regulatório do setor elétrico implantado pela presidente Dilma. Para tentar conter a inflação, Dilma está colocando em risco a administração de grandes empresas estatais: a Eletrobrás teve a sua geração de caixa comprometida pela redução das tarifas elétricas e a Petrobrás não tem dinheiro para investir, devido aos preços defasados da gasolina em relação ao mercado internacional. O Ibovespa registrou o pior primeiro trimestre em 18 anos, devido ao pessimismo dos investidores com o mercado acionário brasileiro, decorrente da forte desvalorização dos papéis da Petrobrás e da Vale. Jim Rogers, economista e investidor americano, referindo-se à presidente Dilma, declarou: “Aquela senhora está tornando impossível investir no Brasil”. Ele disse ainda que não investe mais no País nem pretende voltar a fazê-lo tão cedo. De acordo com as últimas declarações do Banco Central, se a inflação continuar pressionando, o aumento da taxa básica dos juros será inevitável, queira ou não a presidente Dilma, e tomara que o remédio não chegue tarde demais. Por que será que em suas aparições em cadeia nacional, Dilma só fala para a população ignorante que o preço da energia elétrica vai diminuir, mas não fala que para isso ela vai quebrar as empresas do setor elétrico? Por que ela não fala que a volta da inflação é uma herança maldita deixada pelo seu antecessor, que inchou a máquina pública para atender promessas de campanhas com os partidos aliados? Por que ela não assume a sua incompetência para gerir a crise e a sua incapacidade em governar o País? É tão triste assistir a queda do Brasil, depois de ter sonhado em ver o meu país entre as principais economias mundiais.
 
Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br 
Americana                                                                                                 

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DO QUE O BRASIL É CAPAZ?

No livro “A Queda”, do jornalista Diogo Mainardi, onde ele escreve memórias de um pai e de seu filho que nasceu em Veneza com paralisia cerebral, decorrente de um erro médico, o autor diz que o maior talento dele é ir embora do Brasil e que ninguém sabe ir embora do Brasil melhor do que ele. Não pude morar fora do Brasil, mas tive a oportunidade de conhecer o Japão em 2006 e retornei de lá com uma enorme inveja daquele povo e de como eles enfrentam suas dificuldades – enorme população e perigo iminente de terremoto. As ruas de Tókio eram limpas, o cidadão respeitava a faixa de segurança, a infraestrutura de transporte funcionava com um emaranhado de linhas de metrô tornando o trânsito da capital japonesa bastante aceitável. Retornando ao Brasil, tive um choque ao ver a montanha de lixo que se acumulava nas ruas de São Paulo e a dificuldade de trafegar no trajeto de Guarulhos até Congonhas. Coloco todas estas questões, pois o antigo presidente Lula, aquele que achava que o país começou no governo dele (lembram da frase “Nunca antes na história deste país”?) assumiu o compromisso de promover uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em uma atitude de megalomania. O que se vê nos noticiários é o atraso de obras, dificuldade de cumprir cronogramas, como a implementação da tecnologia 4G para os celulares, prometida para Copa e longe de funcionar de fato, estradas, aeroportos e sistemas de transportes precários que farão das cidades envolvidas com os eventos um caos maior do que se vive hoje em dias “normais”. Ainda que a palavra da presidenta e de seus assessores seja de otimismo, a história recente mostra que o Brasil não é capaz de realizar um grande evento de forma eficaz, deixando algum legado para a população. O que se vê no Rio de Janeiro, que sediou os Jogos Pan-Americanos de 2007, é a prova viva. A prefeitura está demolindo o ginásio do velódromo construído por R$ 14 milhões para fazer um outro maior. As ruas do condomínio que abrigou a Vila Pan-Americana estão cedendo, passando de dois metros o desnível da rua para a entrada do edifício, que está toda protegida por tapumes. O parque aquático Maria Lenk, que custou R$ 80 milhões, não servirá para 2016 e será construído outro. O Maracanã, reformado para o Pan de 2007 ao custo de R$ 304 milhões está sendo reconstruído para a Copa por mais de R$ 900 milhões. Por último, o Engenhão foi interditado por tempo indeterminado, com a sua cobertura ameaçada de cair por falha de execução do projeto. O que o Brasil realmente é capaz é de mostrar para o mundo como somos incompetentes. Não conseguimos escoar nossa produção de grãos por falta de portos adequados e estradas esburacadas. A educação de base fornecida pelo governo é de um nível lamentável, com falta de escolas dignas e professores preparados. Doentes empilhados em corredores de hospitais, mais parecendo cena de guerra. Mas o governo da presidenta consegue, incrivelmente, manter uma boa aceitação popular, que recebe “ajuda social” de todos os tipos, empurrãozinho para o jovem oriundo do ensino público entrar em curso superior através de cotas e “vistas grossas” na avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o discurso de que com o dinheiro do pré-sal finalmente teremos recursos para a educação ou de um PAC milagroso tirado da cartola da presidenta. Com o estado inchado e gastos do governo nas alturas seremos capaz de virar a Grécia ou a Venezuela de amanhã, cujo governo usava o dinheiro do petróleo para “comprar” os eleitores. Periga sermos capaz de fazer a Petrobrás se tornas a PDVSA (estatal de petróleo sucateada da Venezuela). Do que o Brasil é capaz? 
Marcelo do ValeNunes mvn@portoweb.com.br 
Porto Alegre

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SEM REGULAÇÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO

A interdição do Estádio Olímpico João Havelange, o “Engenhão”, no Rio de Janeiro, traz à tona o grande pecado das obras públicas brasileiras. Especialistas denunciam que esse estádio e a maioria das obras contratadas pelos governos não dispõem de memorial de detalhamento de execução, que definam materiais e processos construtivos. Essa tarefa, segundo dizem, fica para a construtora, e pode constituir a válvula para os termos aditivos que multiplicam o preço do empreendimento. O estádio carioca, originalmente orçado em R$ 60 milhões, acabou custando R$ 376 milhões. O ideal seria os governos – a exemplo das empresas multinacionais em suas auditorias permanentes – montarem mecanismos de regulação dos processos de produção e serviços, para evitar que os males aconteçam, em vez de simplesmente encaminhá-los às corregedorias depois da falta cometida. Toda obra, por exemplo, deveria ser dotada de projetos detalhados e ter o acompanhamento pleno de sua execução por equipes que detectassem o menor sinal de inconformidade e, já ali, promovessem as correções. As repartições – especialmente aquelas que se relacionam diretamente com o público – precisam atuar sob regime de auditoria, para que nenhum mal possa crescer e levar ao vergonhoso colapso que hoje se vê nas diferentes áreas, especialmente as da saúde, da educação e da segurança pública. Pela quantidade e valor dos aditivos e outros problemas que oneram as obras, se fizer a regulação, a administração pública certamente será mais econômica, mesmo tendo de investir em verdadeiros processos de controle e acompanhamento. Lucrará, melhorará a prestação de serviços e, de quebra, estancará a corrupção. Quem (dos governantes) se habilita?

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br
São Paulo

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AS MEDIDAS DA ANAC

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostrou de que lado está ao mudar as regras de transporte de bagagens em voos nacionais e internacionais. Agora o passageiro que tiver sua bagagem extraviada deverá receber R$ 300,00, sendo que o prazo que era de um mês, passou a sete dias. Já que os roubos continuam acontecendo sem que nada aconteça aos ladrões, que como se sabe são os funcionários terceirizados e os roubos acontecem no porão das aeronaves. Por que a Anac não pressiona as companhias para demitirem as empresas onde os roubos são frequentes? Essa medida seria muito mais eficaz do que dar R$ 300,00 ao passageiro que não pagará nem o valor da mala. Na hora em que mexerem no bolso das empresas terceirizadas veremos resultado, pois se houver quebra de contrato quando houver roubos, haverá maior cuidado dessas empresas ao contratar seus funcionários. Sem contar que quem é pego roubando é demitido por justa causa. Vamos legislar a favor do passageiro e não do bandido,  por favor. Chega de demagogia e de passar a mão na cabeça das empresas que, visando ao lucro, nada fazem pelos passageiros. A Copa do Mundo vem aí, tomem as providências para não termos mais prejuízos nem passarmos vergonha e raiva.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com 
São Paulo

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A PEC DAS DOMÉSTICAS

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada pela Comissão do Senado assegura, entre outros benefícios, o adicional noturno, FGTS, seguro desemprego, salário família e jornada de 44 horas semanais às trabalhadoras domésticas. Com os novos tributos, as despesas aumentarão e haverá muitas demissões. Conclusão: o novo projeto assegura tudo, menos o emprego! 
 
Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net 
São Paulo 

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OS EMPREGADORES DOMÉSTICOS

Quem irá defender o empregador doméstico diante da nova lei das domésticas? As empregadas, além de sindicatos, têm até federação e são filiadas à CUT, e o empregador o que tem? No Dissídio Coletivo, quem irá representá-los? Qual político oportunistas defendeu os empregadores domésticos? Nenhum, as votações foram unânimes. Lembro que a categoria das empregadas domésticas é a única no mundo que tem um empregador para cada empregada. Se temos 7 milhões de empregadas domésticas, temos, também, 7 milhões de empregadores domésticos. Os políticos oportunistas devem se lembrar de que, junto a cada empregador doméstico há uma esposa e, no mínimo, um filho, portanto 21 milhões de eleitores, será que a categoria das domésticas representa o mesmo número de eleitores? O único sindicato patronal dos empregadores domésticos de São Paulo não é registrado no Ministério do Trabalho e não tem associados. O trabalho desenvolvido pela empregada doméstica, na residência do empregador, não visa a dar lucro ao mesmo, diferentemente do trabalhador de uma empresa, que gera rendimentos ao seu empregador, assim, a meu ver, os seus direitos não deveriam ser os mesmos do trabalhador da indústria e do comércio. Não sou contrário aos direitos da trabalhadora doméstica, porém faltou aos políticos oportunistas encontrarem um ponto de equilíbrio, pois, se votaram direitos para as mesmas, deveriam, também, votar direitos para os empregadores, que, com a PEC, só ficaram com os deveres.

Fernando Augusto Jordão de Souza Netto fernando@souzanetto.adv.br 
São Paulo

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POLÍTICOS X DOMÉSTICOS

Nossos políticos, nos Três Poderes, nas três esferas, não têm quaisquer compromissos com o Estado e a Nação brasileiros, mas apenas com suas reeleições e preservação das sinecuras próprias e de seus apaniguados. Isso fica mais claro ainda nesse escabroso episódio da PEC dos empregados domésticos. Todos eles sabem que residência não é empresa com fins lucrativos e que trabalho doméstico não produz bens e serviços para venda e geração de receita. Mas, por pura demagogia, impõem a todos nós uma infernal e altamente custosa carga burocrática, visando apenas a conquistar o voto daquela categoria social, mas vão gerar mesmo é desemprego. Sabem que as relações dos patrões domésticos com seus empregados são especialíssimas, de natureza muito pessoal, quase familiar, de amizade, de oferta permanente de presentes e orientações para a vida deles e de seus filhos, mas querem transformar, da noite para o dia, vínculos emocionais antigos por uma relação fria baseada num surrealista livro de ponto residencial. Querem ainda que quase todos nós recorramos (pagando, é claro) a administradores e contadores, que nos orientem sobre como proceder – sob pena de aterrorizantes condenações jurídico-trabalhistas – para implementar a descomunal, burocrática e infindável carga de procedimentos para a gestão adequada de recursos humanos segundo a esclerosada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de origem fascista. Decididamente, não precisamos de presidente, ministros, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, por nós sustentados a peso de ouro, que só nos retribuem com deploráveis sistemas públicos de educação, saúde, transportes, segurança, previdência e tantos outros – salvo o de arrecadação, ah, esse sim, eficientíssimo! Chega de dirigismo! Fora todos! Em 2014, vote nulo!
 
Gil Cordeiro Dias Ferreira gil.ferreira@globo.com 
Rio de Janeiro

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GOVERNO AGE RÁPIDO
 
Como se era esperado, antes mesmo de ser publicada, os efeitos da PEC das domésticas já estão ocorrendo. Mas antes que as demissões em massa que ela provoca fossem publicadas na mídia, criando imagem negativa para a PEC, a assessoria do governo já se adiantou e forneceu à imprensa a informação de que as 25 mil empregadas que tiveram seu vínculo trabalhista cortado nos últimos meses se qualificaram e procuraram melhores empregos por iniciativa própria. Eu suponho que elas tenham aprendido inglês e espanhol em cursos online e estejam agora empregadas como secretárias bilíngues. Eu vou aconselhar a minha empregada a que faça isso, para eu não ter no futuro o constrangimento de demiti-la. Me engana que eu adoro. 
 
Francisco J. D. Santana franssuzer@gmail.com 
Salvador

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PHDs E O SETOR FINANCEIRO

Não posso deixar de expressar minha indignação quanto ao uso da sigla Phd, que todos sabem ser um dos títulos mais importantes na formação acadêmica e que exige anos de dedicação aos estudos e grandes investimentos de tempo e recursos financeiros para ser conseguido, numa associação infame com a expressão “poor”, hungry and desperate” (pobre, faminto e desesperado) na definição do perfil de profissionais recrutados pelo BTG-Pactual. Essa inaceitável associação de ideias é no mínimo grotesca, porém revela muito do “mind set” de empresários do setor financeiro no Brasil, onde a omissão e a falta de competência do governo na gestão e regulamentação de normas de projetos de infraestrutura abrem espaço para a atuação privada voraz e predadora. Não sei se por descuido ou intenção a publicação de uma fala como esta pode até trazer um efeito benéfico de alertar aos jovens profissionais brasileiros da área financeira sobre ao que me refiro como “mind set”. Poor, hungry and desperate to make someone else richer (pobre, faminto e desesperado para fazer alguma outra pessoa mais rica), não importando o preço pessoal a ser pago no longo prazo.

Malu Felsberg malu.felsberg@gmail.com 
Sao Paulo

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ALGUÉM PODE EXPLICAR?

José Genoino e João Paulo Cunha, ambos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), gozam dos seus mandatos e, se não bastasse, fazem parte da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, e não são contestados. Já o pastor e deputado Marco Feliciano foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos e, por questões polêmicas e não criminosas, está sendo pressionando a deixar o cargo, além de ser ridicularizado perante a opinião pública. Só quero entender uma coisa: ser criminoso neste país compensa, ou não? Alguém poderia explicar?

José Carlos Costa policiao@gmail.com 
São Paulo

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‘A VOLTA DO ‘TEJE PRESO’’

O editorial de ontem “A volta do ‘teje preso’” (29/3, A3) foi absolutamente fotográfico no que concerne à caracterização da condenável prática que todos nós, democratas de verdade, devemos combater em sociedade: admitir que pessoas, fundadas em supostas convicções religiosas de qualquer sorte, as quais na verdade só fazem incitar a intolerância, a histeria coletiva, a ignorância e o preconceito infundado – ainda mais autointituladas ativistas de “pastagens” ou outro nome engraçado que se lhes dê – ocupem qualquer posto político minimamente relevante capaz de causar os estragos que, no caso presente, já vêm a causar em boa monta. Quantos séculos já não se passaram para ter-se a consciência de que as maiores barbaridades da humanidade foram praticadas em nome de alguma religião ou porque alguém julgou-se mais próximo de “Deus” do que algum “infiel” cujas fuças não sejam do agrado do primeiro? Quantos povos inteiros ainda em pleno século 21 e dentro de sua própria terra (o que é pior) não estão sendo neste momento subjugados em seus direitos humanos legítimos mínimos porque algum “religioso” ou grupo afim com tentáculos políticos poderosos assim o deseja, sem que muitas vezes qualquer reação legítima advenha em sua defesa? Deixando de lado, ainda, a mais do que controvertida questão do comércio de ilusões das pessoas simples e facilmente sugestionáveis, o Estado brasileiro é laico e convicções religiosas de qualquer tipo devem mesmo é ficar o mais longe possível das ocupações de nossos poderes constituídos.
 
Flavio Capez flaviocapez@uol.com.br
São Paulo

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UM PESO E DUAS MEDIDAS

Marco Feliciano vem sofrendo uma grande pressão para que deixe seu cargo, no entanto o presidente da Câmara dos Deputados e o do Senado, que estão sendo investigados por irregularidades, não estão sendo pressionados, e eu gostaria de saber por quê. 

Daniel de Jesus Gonçalves al_amachado@yahoo.com.br 
Paranavaí (PR)

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MANIFESTO DE FÉ

Não há nada de novo. A mídia, a imprensa e os artistas vivem da novidade, do descolado e do politicamente correto. Já os indivíduos de fé levantam tendas familiares para conservação dos valores cristãos. A TV bombardeia as casas com apologia gay, seja pelo humor, pelas novelas ou através de seus programas liberais. Mas há casas em que pais e filhos chegam ao consenso de mudar o canal ou desligar a TV, já que a novidade atraente não passa do velho abismo do pecado que consome vidas e histórias. Nós, os ditos conservadores fundamentalistas, fundamentamos nossa vida na conservação de nossa fé pela leitura da palavra de Deus, que nunca mudou. Somos os quadrados assumidos, que se alegram em viver o antiquado, o modelo único de família, do homem com a mulher, dos filhos gerados que decidem esperar o sexo para o casamento e que rejeitam as drogas e o aborto. Somos a geração careta convicta do estilo de vida que prega, que não se acovarda em afirmar sua fé e seu Deus, mesmo que isso represente não ser aceita por essa sociedade libertina. Para além de Feliciano existem milhões de nós.

Gustavo Mercês gustavofmerces@gmail.com 
Salvador

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FICA, FELICIANO!
 
Após a posse do deputado Feliciano, a Avenida Paulista está uma maravilha. Sem manifestações, sem paralisações, agora, é rezar para o Feliciano não aparecer por aqui. Lugar de manifestação é em Brasília, na Câmara e no Senado, ajuda a passar o tempo, só atrapalha o noticiário das TVs e rádios e ocupa pouco espaço nos jornais. A disputa para ser preso por ordem do Feliciano vai acabar em tumulto e muita violência na plateia. É preciso ter calma. Devem ser presos no máximo 3 manifestantes por dia, ou acabam o barulho e o tumulto.
 
Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br
Osasco

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FORA, FELICIANO!

Até quando o fascista, racista e homofóbico pastor deputado Marco Feliciano continuará presidindo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara federal? Se já é uma aberração que uma figura grotesca e obscura dessas seja deputado federal, quanto mais que ocupe uma função ligada aos direitos humanos e aos direitos das minorias, da qual é ferrenho opositor e inimigo. Seria cômico, se não fosse trágico. Feliciano é um triste retrato do que há de pior no Congresso Nacional e na sociedade brasileira, hoje dominados por grupos altamente conservadores e organizados, que só pensam nos seus interesses pessoais e não no bem do País nem do povo brasileiro. Em troca de votos e mais poder, o PT se aliou a Deus e ao diabo, passou dos limites e aceitou que colocassem um Feliciano da vida na presidência de uma Comissão de Direitos Humanos, em total desrespeito á sociedade civil.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br 
São Paulo

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PARTIDO ERRADO

Esse Feliciano está no partido errado, é um petista nato.
 
Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com
São Bernardo do Campo

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ISONOMIA E TOLERÂNCIA

A isonomia é o princípio mais básico da tolerância e diversidade. De fato, sem tal imparcialidade não existe tolerância e o entusiasmado acolhimento da diversidade não passa de hipocrisia da grossa. Nas últimas semanas, temos testemunhado milhares de artigos publicados na mídia brasileira sobre a escolha do democraticamente eleito deputado Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Casa. Nesta carta me atenho meramente à mídia na internet, que é a única mídia brasileira à qual tenho pleno acesso. Por alto, 7 entre 10 artigos na internet sobre o assunto acima adicionam ao nome do deputado Marco Feliciano seu título eclesiástico de pastor, na forma “pastor deputado Marco Feliciano", "Pastor Deputado Marco Feliciano”, “deputado Marco Feliciano, que é pastor”, etc. Não pretendo discutir as visões do deputado, ou se é qualificado para ocupar o posto. Trata-se de uma coisa mais séria, a tal da isonomia, que, ironicamente, também é a base dos direitos humanos e afeta a todos, desde o mais humilde operário à presidenta do País. A imprensa usa boa parte do seu espaço e recursos falando de políticos, o que é bom. Nos últimos anos, a Câmara dos Deputados teve deputados com uma vasta gama de ocupações antes (e durante) as suas respectivas eleições: advogados, industriais, banqueiros, economistas, empresários, acadêmicos, psicólogos, comerciantes, ativistas, atores, cantores, escritores, policiais, militares, estilistas, apresentadores de TV, jornalistas, sindicalistas, esportistas, e até mesmo palhaços e ex-BBBs. Depois do susto da eleição, como foi o caso do palhaço Tiririca, nunca vi um deputado ser referido com indicação da sua profissão fora da política, o mesmo se aplicando a senadores, vereadores, membros do Executivo, etc. Por exemplo, enquanto foi ministro, nunca via referências ao “cantor ministro Gilberto Gil”, ou à “sexóloga ministra Marta Suplicy”. Sendo assim, é com certa apreensão que vejo a imprensa tratar o deputado Marco Feliciano de forma diferenciada. Com certeza, não usam seu título fora da política por respeito, pois na maior parte das vezes a palavra pastor é grafada com letras minúsculas. Alguns poderiam dizer, em defesa do comportamento patológico do “quarto poder”, que nesse caso é importante frisar repetidamente a afiliação religiosa do político. Ora, não vejo o mesmo zelo em relação a políticos católicos, islâmicos, judeus, kardecistas, umbandistas, budistas, satanistas, agnósticos e ateus, cujas posições religiosas nunca são levadas em consideração nos textos que lhes concernem, seja qual for a pauta política. Somos ou não um Estado laico? Sendo assim, só podemos considerar que existe uma campanha voluntária, invisível, porém sensível, para atrelar a figura genérica de um pastor, qualquer pastor, e por conseguinte, dos evangélicos, qualquer evangélico, às visões do deputado. Trata-se, na realidade, de uma inquisição, que visa a tornar o termo “evangélico” genericamente pejorativo e sinônimo de intolerante. Se por um lado o deputado pode ser acusado de maniqueísmo, a imprensa, de modo geral, também pode ser taxada de maniqueísta e intolerante, ao lembrar, em quase todos os textos sobre Marco Feliciano, que o deputado é “pastor” fora das fileiras da política. Todos já sabem este fato, afinal de contas, e a inclusão da palavra “pastor” não tem qualquer cunho informativo. A meu ver, pastores não têm de se meter em política. Segundo o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios, “tudo é lícito, porém nem tudo convém”, e não convém que pastores se imiscuam na política. Sendo assim, ao se tornar político, um pastor deveria inclusive deixar de usar o título pastor enquanto estiver ocupando a função política. Ao pastor é dada uma plataforma, o púlpito, e se escolhem as tribunas reservadas aos próceres da Nação, na realidade rejeita a plataforma que lhe foi concedida, que trata de questões sagradas, por outra que trata de questões laicas. Foi Jesus que disse que não se pode servir a dois mestres ao mesmo tempo, eis aqui um grande exemplo. Alguns podem inclusive acusar o deputado de ter-se valido da sua popularidade nos meios religiosos para ser eleito. Ora, há jornalistas às pencas ocupando cadeiras legislativas no País afora que também se valeram da popularidade gerada nas páginas dos seus jornais e revistas, e espaço nas telas, para se eleger. Por analogia, se é errado que um religioso use a sua popularidade para se eleger, o mesmo diria de jornalistas. Sem contar ex-BBBs. Entretanto, combater preconceito com preconceito nada mais é do que hipocrisia. Uma matéria publicada pelo “Estadão” ontem (“Feliciano causa saída de funcionários de comissão da Câmara”, A6), é um exemplo claro do que discuto acima. Nele, os autores identificam na primeira linha o deputado Feliciano meramente como pastor (letras minúsculas), embora o texto se refira pura e simplesmente a uma questão da Câmara dos Deputados, ou seja, nada tem que ver com a profissão do dito cujo fora da Câmara, e sim sua participação na mesma como político eleito por um número razoável de votos. Por outro lado, outros dois deputados mencionados no texto, Domingos Dutra e Arnaldo Jordy, são identificados meramente como deputados, sem menção da sua profissão fora da política. Exemplo clássico de editorializar uma notícia, usando lampejos de manipulação crassa. Em síntese, a imprensa brasileira demonstra com este comportamento corporativo que está longe de ser tolerante, que não pratica a isonomia, e que ainda é bastante tendenciosa. Alguns hão de dizer que é preciso ser um pouco intolerante para combater a verdadeira intolerância, o que para mim é um argumento cíclico, ilógico e perigoso, criando-se dois padrões. Para mim, Marco Feliciano é, no momento, somente mais um deputado, não mais, não menos do que isso. E a imprensa brasileira ainda tem muito que aprender sobre tolerância e democracia.
 
Carlos de Paula carlosdepaula@mindspring.com 
Miami Beach (Estados Unidos)

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