Fórum dos Leitores

A PÁSCOA DOS FLAGELADOS

O Estado de S.Paulo

31 Março 2013 | 02h05

Por culpa exclusiva dos governos petistas (Lula e Dilma), milhões de brasileiros não terão o direito de passar esta "Festa Pascal" com dignidade. Neste total desconforto estão principalmente aqueles irmãos brasileiros do Nordeste que enfrentam uma das piores secas da história. Estes votaram, elegeram e acreditaram que Lula, como prometeu na sua posse em 2003, iria construir já no seu primeiro mandato 1 milhão de cisternas para acabar de vez com esse horror da falta água potável para essa gente sofrida. O dito pai dos pobres se esqueceu de seu povo, preferiu uma obra faraônica como a da transposição do Rio São Francisco, que, passados anos, está semiabandonada, mas que de uma previsão de custo inicial de R$ 4,5 bilhões já pulou para os superfaturados R$ 9 bilhões! E ainda não há previsão para sua conclusão. E quando do seu duvidoso término, com certeza este líquido precioso tão almejado e de direito inconteste de cada cidadão não vai chegar à maioria dos lares destes que hoje já perderam seus poucos gados, sua pequena plantação e bebem água que nem animal qualquer deve beber um dia. Os outros flagelados desta Páscoa são as famílias da região serrana do Rio de Janeiro, que se sentem também abandonadas pelo governo porque até hoje, e depois de mais 900 mortes, não receberam suas casas prometidas, nem a infraestrutura das cidades foi normalizada. E pela indiferença destes governos, acrescentamos mais 33 mortes e centenas de famílias desabrigadas, em mais esta tragédia de março de 2013, em Petrópolis.  Pois é: neste exato momento, certamente Dilma, Lula e seus camaradas estão superocupados, e preocupados, com a campanha eleitoral de 2014. Talvez, depois deste evento tão aguardado por eles, quem sabe, os excluídos que os elegeram sejam atendidos...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PAÍS TRISTE O NOSSO

Entra ano, sai ano, mudam as luas, sopram ventos diferentes, e lá vêm promessas repetidas que jamais se cumprem. Novas vítimas, descaso contínuo. São indecorosos e desumanos nossos governantes. O protesto em Petrópolis, objetiva e diretamente, aponta o dedo na cara de Dilma que, há dois anos, já prometeu "medidas drásticas" para preparar a cidade para a chegada de temporais. Nada nesse sentido aconteceu de lá para cá. Novamente enlutada, Dilma promete, ora vejam, "medidas drásticas"! Não é impressionante? Com cartazes com mensagens como "Lamentar não ressuscita" e "Não queremos sua oração, mas sua ação", manifestantes se postaram na entrada da igreja onde se realizava, com a presença da presidente, a missa de sétimo dia das 33 vítimas das últimas chuvas e cobraram atitudes das autoridades. Deveriam ter cobrado vergonha na cara também. Vamos ver se mais uma vez os ventos e as luas levarão embora palavras que têm registro, mas que, definitivamente, não têm comprometimento algum.

Myrian Macedo myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

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CÍNICOS E HIPÓCRITAS

A missa de 7.º dia pela morte das vítimas pelas enchentes em Petrópolis atrasou mais de uma hora esperando a presidenta Dilma. Fizeram da dor dos parentes um ato político. Só faltaram o palanque e o discurso. Eles são culpados e ainda têm coragem de aparecer. É muita hipocrisia.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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VALES MISERÁVEIS

O Norte e o Nordeste passam pela pior crise de estiagem dos últimos 40 anos, porém o governo continua na inércia, nada fazendo a respeito, a não ser iludindo a população comprando-a com "vales miseráveis" e, dessa forma, afirmando que estão erradicando a miséria no País. Mesmo assim, o povo continua votando nesses corruptos.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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A MESMA PÁSCOA DE SEMPRE

Depois de 1980 anos o mundo se lembra do sofrimento e morte de Jesus, que veio para ser a luz do mundo, que ainda continua nas trevas. A violência, a intolerância, a ganância conseguem sufocar o amor e o perdão. Nunca se matou, se discriminou, se dividiu tanto em nome de Deus, sem uma procuração. Os homens fazem reflexões de seus erros na sexta-feira Santa, só se esquecem de um detalhe, no domingo de Páscoa eles continuam dentro de seus sepulcros caiados, porque já se acostumaram com a comodidade da falta de compromisso com o próximo que a cada dia fica mais distante. Que a Páscoa possa ser uma nova vida a todos, principalmente para os acomodados com esta inércia espiritual.

Manoel Jose Rodrigues manoel.poeta@hotmail.com

Alvorada do Sul (PR)

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ATO DE HUMILDADE?

Encontro muita dificuldade para entender certas tendências e atitudes que há muito observo na Igreja Católica. Uma foto estampada na sexta-feira na primeira página de muitos jornais me chamou bastante a atenção. Mostra o papa Francisco beijando os pés de marginais, o que para muitos é entendido com ato de humildade, mas que para mim, indiretamente, não passa de apologia ao crime. Ora, no meu curso primário estudei religião básica e lembro bem de dois mandamentos que rezam: não matarás, não roubarás. Isso já é suficiente para tornar o respeito pela vida e a prática da honestidade preceitos cristãos, que deveriam ser prioritários na política do Vaticano, principalmente abaixo do Equador, império da roubalheira e da impunidade.

 

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo

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O BRASIL ESTÁ IMPOSSÍVEL

Jim Rogers ("Estadão", Economia, 29/3, B3), investidor americano, disse que "aquela senhora está tornando impossível investir no Brasil"! Pois podemos afirmar ao senhor Rogers que "aquela senhora", com sua política econômica e tributaria, está transformando a vida dos brasileiros impossível também de aplicar no País. Qual empresário em sã consciência investirá em empresas no Brasil? Pagam os mais altos impostos do mundo e ainda por cima precisam fazer malabarismo para concorrer com os produtos chineses que entram baratíssimos pela porta da frente. Nem nas empresas e nos bancos estatais, considerados há décadas porto seguro de investidores em ações, se pode confiar mais, desde que tornaram essas empresas cabide de emprego de políticos incompetentes. O Brasil, amanhã, será a Venezuela de hoje, de onde todos os investidores sumiram.

 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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'AQUELA SENHORA'

Acusada por Jim Rogers, emblemático investidor norte-americano, de estar impedindo que o Brasil seja uma das principais economias do mundo, dona Dilma deve ter ficado, mais uma vez, espumando de tão furiosa.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

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O BRASIL SEM SAÍDA

O novo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em declaração à "Agência Estado", resumiu com acurada visão estratégica o grave problema de logística que afeta o escoamento da superssafra recém colhida: "Hoje 52% da produção de grãos estão acima do paralelo 16, que passa por Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Bahia, enquanto 84% da exportação são feitos por portos das Regiões Sul e Sudeste. Por isso é preciso darmos opção de exportação pelo Norte, com portos mais perto da China. Na próxima safra o governo deve anunciar medidas para diminuir as filas dos caminhões e agilizar o embarque nos portos, como também operar sete dias por semana, a exemplo do que ocorre no campo, onde as máquinas não param. Problema constatado e solução indicada. Mãos à obra, já!

 

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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VESPEIRO PORTUÁRIO

O governo reconhece que não tem condições de corrigir as deficiências logísticas do País, principalmente as do Porto de Santos, onde a incompetência administrativa ficou patenteada quando os donos das bolas de cristal não planejaram, com a chegada de uma superssafra de soja, o que seria necessário na ação de uma infraestrutura para que não se acumulassem tantos vexames. Quase duas centenas de navios parados no porto, 32 quilômetros de caminhões sem poder descarregar, congestionando estradas e cidades. Tudo isso acrescido por mais uma derrota para os nossos hermanos portenhos. Um contrato de compra se soja bilionário da China foi desviado para a Argentina. As deficiências não se corrigem a curto prazo, e por isso a proposta do governo é investir na gestão portuária. O governo que se previna, porque irá mexer num vespeiro onde as relações cartoriais de mão de obra são práticas que não se enquadram num país que precisa aumentar a sua presença no comércio internacional. Não é possível admitir que num porto como o de Santos, em que o serviço de alfândega e outros não funcionam 24 horas, cumpra-se expediente de repartição pública. Segundo o consultor de logística da Confederação de Agricultura do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet, o "apagão" poderia ser bem maior, não fosse a crise econômica mundial, que reduziu a demanda por grãos. Entre a logística e a gestão portuária, que o governo cuide da primeira. Quanto à segunda, que seja macaco velho e não meta a mão nessa cumbuca.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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POR QUE NÃO?

Ao ler o artigo "O comércio do Brasil acorrentado" (Suely Caldas, 24/3, B2), deu-me vontade de reportar-me à autora contando uma experiência que tive na minha vida profissional (sou aposentado atualmente). Eu trabalhava na área de engenharia de venda de produtos de automação, acompanhando e participando de projetos no Brasil que pudessem utilizar produtos que representávamos, quando tive contato com uma grande empresa francesa chamada Creusot Loire na década de 80. Essa empresa, por sua própria conta, fez um estudo naquela época de um projeto que viria resolver o problema de logística na exportação de grãos no Paraná, que era uma lástima naquela época, e o é até hoje. O projeto consistia na construção de um sistema de transporte teleférico, utilizando caçambas, saindo da cidade de Ponta Grossa e indo até o Porto de Paranaguá, onde existiria um sistema automático de desacoplamento das caçambas conforme o navio a ser embarcado. O sistema funcionaria 24 horas por dia, durante o ano todo e era plenamente viável, utilizando serviços e produtos fabricados no Brasil, como estrutura metálica, motores, engenharia e mão de obra local. Retorno de investimento a curtíssimo prazo. A empresa apresentou um anteprojeto ao antigo Conselho de Desenvolvimento Industrial (CDI) em Brasilia (época dos governos militares ainda), colocando-se na posição de fornecer o know-how básico para o sistema de transporte e, ainda, com a condição de que, caso não houvesse um investidor interessado no negócio, a própria Creusot Loire poderia investir, caso lhe fosse dada uma concessão de 25 ou 30 anos. Aguardaram por mais de um ano um pronunciamento do CDI sobre a proposta do projeto e não tiveram nenhuma resposta. Então contrataram um consultor particular para ir a Brasília investigar por que não havia interesse do governo num projeto que seria de alto interesse para o País, uma vez que a divida externa brasileira era alta e o País precisava exportar. Esse consultor foi a Brasilia e voltou semanas depois com uma resposta. O projeto havia sido bloqueado por duas forças poderosas que se opuseram ao projeto: a primeira força era a dos fabricantes de veículos, Anfavea, à qual não interessava o projeto; e pela Petrobrás, que entendia que o projeto viria reduzir a demanda de óleo diesel no País, e isso contrariava sua matriz de produção e seus interesses comerciais. Achavam que, se o sistema desse certo no Paraná, outros Estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e outros iriam querer implantar o mesmo sistema. Com isso, fiquei sabendo por onde passam as decisões com relação aos interesses nacionais e entendi, também, por que a ferrovia foi eliminada como alternativa de transporte no Brasil, com graves consequências para a nossa economia.

Osmar Baptista Silva milordsp@hotmail.com

São Paulo

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DILMA E A COMISSÃO DA VERDADE

Li nos jornais da semana uma notícia, mais uma, sobre a Comissão da Verdade. A presidente Dilma Rousseff estaria incomodada pelo fato de que os seus membros não estarem conduzindo oitivas dos militares. Confesso que fiquei pasmo! Em primeiro lugar, porque ouvir só um dos lados da contenda foi um decisão administrativa da comissão e que contraria frontalmente a lei que a criou. Quer dizer, a mandatária da Nação corrobora com uma ilegalidade. Em segundo lugar, porque me parece que a nação brasileira tem problemas muito sérios para resolver na atualidade, com implicações graves para o futuro e que demandariam a atenção total da presidente. Mas parece que ela está com os olhos voltados para o passado. Em terceiro lugar, porque a presidente, ainda em seu primeiro discurso, já eleita, afirmou que governaria para todos os brasileiros, mas parece que há pelo menos um segmento que está fora desse universo. Com outros segmentos da sociedade, partidos e componentes de partidos da base aliada, por exemplo, ela tem sido mais flexível. Ademais, criou-se a fama de administradora competente, eficiente, que estuda com profundidade todos os assuntos que lhe são apresentados e que, por vezes, quase sempre, centraliza todas as ações. Pelos pífios resultados alcançados até agora, parece que é só fama. Mas, de repente, ela quer mesmo é voltar o tempo da história e ouvir aqueles que a interrogaram. Será?

Marco Antonio Esteves Balbi mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

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OMISSÃO DA VERDADE

"A presidente Dilma voltou a demonstrar incômodo com a Comissão da Verdade. Em conversa com ministros, há dias, reclamou do fato de os militares não estarem sendo ouvidos pelo órgão", disse o jornalista Ilimar Franco, no jornal "O Globo". Verdade. Deveriam ouvir os militares e também as famílias das 120 pessoas mortas pelos ataques terroristas.

Grazy Feo grazyfeo2013@gmail.com

Resende (RJ)

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MEMÓRIA DA DITADURA

No Dia da Mentira, 1.º de abril, se completam 49 anos do funesto golpe militar de 1964, que jogou o Brasil num período de trevas, ditadura militar, tortura, desaparecidos, fechamento do Congresso Nacional, censura, AI-5, leis de exceção, em total desrespeito aos direitos humanos e às liberdades públicas e civis. Até hoje pagamos um alto preço devido aos 21 anos de ditadura militar (1964-1985) que assolaram o País. Inúmeras lideranças foram assassinadas, deixando um vácuo. Os movimentos sociais e populares foram dizimados. O País passou a incorporar uma cultura de autoritarismo e de violência institucionais, da qual a Polícia Militar é um bom exemplo dessa herança maldita. Há ainda inúmeros resquícios que ficaram da época da ditadura, entranhados na sociedade e no Estado brasileiros. É difícil de aceitar a pusilanimidade do então presidente Jango, que não resistiu ao golpe, num erro crasso que custou caro ao País. Os EUA e a CIA deram total apoio aos militares golpistas, motivo de vergonha e infâmia para um país que se diz defensor da democracia e da liberdade. Os torturadores e criminosos civis e militares da ditadura militar devem ser exemplarmente punidos, para que isso nunca mais volte a se repetir no Brasil.

 

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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MEDO DA VERDADE

A data de 31 de março de 1964 faz parte da história, é passado. Quem proíbe a comemoração desse evento nos quartéis, nas escolas e em outros logradouros vive a morrer de medo da própria consciência. Se essa condição de esconder fatos históricos valesse de verdade, todas as outras datas históricas estariam prejudicadas, tipo Independência do Brasil, Guerra do Paraguai, Proclamação da República (uma autêntica farsa), 2.ª Guerra Mundial e outros grandes eventos. A conclusão a que se chega indica uma grande "culpa no cartório" daqueles que pecaram e estão pecando, tremendo de medo feito ratos molhados após o temporal, com receio de remir os seus próprios pecadilhos perante o seu povo. Bastaria um estalar de dedos para as ratazanas fugirem apavoradas em todas as direções. Essas proibições não enganam ninguém, são sintomas do medo da verdade. Quem não deve não teme.

José Batista Pinheiro batistapinheiro30@yahoo.com.br

Fortaleza

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ONTEM E HOJE

Quando eu era garoto, 31 de marco era feriado, foi a data que em 1964 os militares impuseram tudo aquilo de ruim que todo mundo sabe ao Brasil, a ditadura, a censura, a tortura, etc., e que a bem da verdade livrou o País de outra ditadura e de outra censura, piores  ainda, a da esquerda de então. Apesar dos pesares, pelo menos naquela época, com muito menos recursos, foram construídas sem problemas Itaipu, Ilha Solteira e dezenas de usinas hidrelétricas, a Ponte Rio-Niterói, um parque industrial e siderúrgico, enquanto hoje o tal do PAC não consegue fazer meia dúzia de casas para desabrigados de enchentes. Estádios de futebol foram erguidos às dezenas, mas hoje, ao custo de bilhões de reais, temos o Engenhão, caindo na cabeça dos eleitores progressistas, e o Itaquerão, enganando os que se preparam para assistir à abertura da Copa em São Paulo.

Luiz Henrique Penchiari luiz_penchiari@hotmail.com

Vinhedo

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31 DE MARÇO

Neste 31 de Março, gostaria que algum historiador, sociólogo ou intelectual de esquerda me respondesse oito perguntas que tenho feito há 20 anos e, até agora, ninguém me respondeu: 1) Se o Brasil tinha, na década de 70, 90 milhões de habitantes e os perseguidos pela regime militar foram em torno de 3 mil pessoas, quanto representam em porcentagem 3 mil pessoas num universo de 90 milhões de habitantes? 2) As 89 milhões, novecentos e noventa e sete mil pessoas que viveram naquela época, eram menos felizes que a população de hoje? 3) Os jovens daquela época que resolveram entrar para a luta armada, cometendo tantos crimes quanto os militares, sabiam que o objetivo de toda aquela luta, era para derrubar um regime de direita para implantar uma ditadura de esquerda? 4) Os guerrilheiros terroristas tinham procuração da população para, em nome do povo, fazerem a guerrilha? 5) É verdade que, nos meses que antecederam o 31 de Março de 1964, houve manifestações da população, exigindo dos militares uma atitude, pois o Brasil estava vivendo um caos? 6) E os crimes cometidos pelos terroristas de esquerda, algum dia serão revelados? 7) O que estão fazendo as autoridades de esquerda, hoje no poder, que até agora não proibiram os bailes dos anos 60 e 70 - fenômeno que assola o País de Norte a Sul, embalando os cinquentões a relembrar os bons tempos? 8) O que está acontecendo comigo? Onde foi que eu errei? Quanto mais o tempo passa, mais eu tenho lembranças felizes da década de 70. A febre do rock and roll. A revolução dos costumes. Cabelos longos. Paz e amor. Velhas roupas coloridas. Mochila nas costas e pé na estrada. Pior, às vezes, sem querer, ouvindo Raul Seixas, me escapa um pensamento: eu era feliz. E tenho orgulho disso.

Eduardo Victor Mendes apbomcaminho@terra.com.br

Mairinque

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MINHA PERCEPÇÃO

O Clube Militar tem toda a razão em protestar contra a arbitrariedade da tal Comissão da Verdade. Investigar um lado só é covardia. Sem falar que a Lei de Anistia foi promulgada para o pessoal do "lado de lá", pelo próprio governo militar da época. Muitos que nem sequer sofreram um arranhão e que trabalharam normalmente à época recebem hoje polpudas indenizações. Revelaram-se, no fim, "soldados mercenários". Tantos anos depois, os anistiados rasgam a Lei de Anistia. A grande maioria das pessoas que viveram na época dos governos militares lembra deles com saudades. As pessoas comuns, que trabalhavam e estudavam, não tinham qualquer problema do tipo que os revanchistas de hoje dizem ter passado. Desde que o cidadão cumprisse as leis, não havia o que temer. Havia, sim, a censura, que nem era forte, bastando observar que publicações como "O Pasquim" circulavam normalmente e as canções de protesto de Chico Buarque e outros esquerdistas eram tocadas nas rádios. Era uma censura branda. Morreu gente, mas em número muito menor do que morre hoje, por exemplo, nas ruas das cidades. E, sem a menor dúvida, muitos menos do que morreram em outras ditaduras, sobretudo nas ditaduras esquerdistas. Na maior parte dos casos, era gente que pegou em armas, e não se poderia mesmo esperar que o governo legal da época não revidasse. Sim, houve exagero da parte de alguns. Sádicos existem em todas as profissões, até mesmo nos jornais, nos hospitais, nas escolas, no mundo. Não eram regra, de jeito nenhum. Do lado dos "revolucionários de esquerda" havia atentados, bombas, tiroteios. Sim, o cidadão comum os temia. A título de exemplo, Marighela era um nome que inspirava pavor na população, devido a seus métodos violentos. Muita gente inocente foi morta pelas mãos dos guerrilheiros da esquerda e suas  bombas e balas não escolhiam as vítimas. Qualquer um, em qualquer lugar, poderia ser vitimado por suas ações terroristas. Vivia-se, neste aspecto, uma situação tensa. Apesar disso, vivíamos bem. O Brasil crescia, a segurança pública era um sonho, diante do que vivemos hoje, o ensino público era excelente, os salários eram decentes. Essa era, repito, a percepção das pessoas normais, a maioria. Os governos militares fizeram muito pelo Brasil, goste ou não a surrealista Comissão da Verdade.

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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MEUS APLAUSOS PARA A VERDADE!

Mas a Comissão da Verdade não pode ter somente uma mão de direção. Sou uma vítima produto do período militar, mas não acho justo e verdadeiro falar somente em militares. Em 1966, quando meu filho tinha somente 5 (cinco) anos e quando fazia minhas compras semanais, fui vítima de um grupo de baderneiros que se diziam contra o regime da época e que entraram no local onde eu realizava minhas compras saqueando e roubando produtos e dinheiro do estabelecimento. Meu filho presenciou o assalto e a agressão que sofri desses elementos que não eram militares, mas, sim, falsos guerrilheiros e habituais sequestradores, assassinos e ladrões. Muitos dos que pertenciam a esse famigerado grupo já faleceram e outros exercem cargos políticos praticando atos corruptos contra a sociedade, que são tão violentos quanto os crimes praticados pelos militares na época. Por que grupos que se dizem justiceiros pedem a impunidade de José Dirceu e José Genoino? Façam uma pesquisa e vejam quantos trabalhadores na época foram presos ou agredidos. Podíamos andar nas ruas à noite e jamais ser incomodados por assaltantes. Vejam as estatísticas de quantos foram mortos no período e quantos estão sendo mortos atualmente. A violência, os assaltos, a intranquilidade e impunidade depois da Constituição Cidadã de 1988 prosperam em todos os cantos do País. Por que a Sociedade de Direitos Humanos silencia diante dessa situação só se pronunciando a favor dos delinquentes? Por que procurar mexer em feridas já cicatrizadas, ao invés de nós preocuparmos com a falta de infraestrutura em que o País está colocado? Por que não vamos para Brasília pedir à presidenta que pare de perseguir os idosos aposentados e os tire do campo de concentração em que foram colocados no governo de Lula e de Dilma? Sou, sim, a favor da punição de todos os criminosos, sejam eles do período dos militares como os de hoje, que no silêncio da impunidade agridem e assassinam o povo brasileiro com os aplausos de comissões elitistas do poder que clamam pela impunidade de pessoas como Luiz Inácio Lula da Silva, que enriqueceu durante o período em que esteve na Presidência do Brasil e ninguém se preocupa com investigação para tal. Os escândalos são mostrados cotidianamente pelos jornais, TV e emissoras de radio, mas a impunidade continua. Por que, meu caro elétrico Guido, você não ocupa espaço em suas mensagens também para esses fatos? Continuo aplaudindo sua iniciativa, mas não se esqueça de lembrar em seus comentários das famílias de militares que foram assassinados durante o período e que não foram agraciadas com pensões nababescas e indenizações caridosas. Muitas esposas e filhos de ex-militares mortos violentamente durante o período passam hoje grandes apertos financeiros, enquanto os famosos ex-guerrilheiros vivem em seus berços esplêndidos à custa do erário.

Sejamos fieis à verdade para recebermos com dignidade os aplausos de todo o povo brasileiro.

Antonio Ranauro Soares ranaurosoares@bol.com.br

Sete Lagoas (MG)

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SOMOS UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

Temos o sistema tributário mais caótico do planeta, e, agora, extensivo às famílias. Em parte já era abrangente desde a Carta de 1988 com relação às obrigações previdenciárias; assim como o é, e limita-se em todos os países que dotados de decência na consciência de seus legisladores; contudo, aqui foi uma dessas leis que "não pegou". Diga-se de passagem, que o "rombo do RGPS" é causado por contribuições derivadas do déficit primário em regime de caixa que procedem apenas dos beneficiários da zona rural, pois não dão sustentabilidade ao subregime, e cuja responsabilidade é do Tesouro, tal qual também o é em qualquer parte do mundo, menos aqui. Aqui jogam-se nas costas do trabalhador da iniciativa privada, assim como as isenções pelas exportações do agronegócio, renúncias concedidas a times de futebol e tantas outras vergonhas causadas pela politicalha com chapéu alheio. Não se discute o direito que se queira produzir aos empregados domésticos, posto que nem metade deles possua registro e contribui à Previdência e ninguém parece atentar para isso, mesmo depois de quase 35 anos da lei, nem mesmo os prejudicados. Nem o Congresso, a Justiça tão pouco ligam para que alguns legisladores que aprovam essa pantomima são acusados pelo Ministério Público de praticarem escravatura em suas propriedades. Isso é grave? Talvez. Mereceu menção, e citação desses senhores de capitanias, até pela Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Mas o que importa é a Comissão da Verdade, ou da vaidade, ou ainda o comensal entre o PT e sua base, além da imaginária oposição, ninguém ali, é farinha de hóstia. Somos uma historieta mal contada, nosso Congresso é uma bofetada no senso do ridículo, um amontoado de personagens que caberiam em conto de anedotário de Machado de Assis, senhores de uma fidalguice imodesta, mas que não se desamparam um só instante da desonestidade de propósitos que os vela diuturnamente. Há três origens como se sabe do nome Brasil, mas creio que Cabral era um homem de maior visão. Deve ter tido um sonho, e já na primeira noite que dormiu na Bahia foi inspirado na futura governança do PT naquele Estado, e assim surgiu o nome de Brasil, e que na verdade é uma sigla: "Bandidos Reeleitos e Analfabetos Sorrateiramente Irão Levando".             

Oswaldo Colombo Filho colomboconsult@gmail.com

São Paulo

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A HISTÓRIA DAS MULHERES

Se a Comissão vai dar ênfase à violência contra mulheres (25/3, A7), é preciso citar os médicos, que examinavam as torturadas grávidas e garantiam a continuação da tortura. Há "mengeles" por aí.

Fausto Ferraz Filho faustofefi@ig.com.br

São Paulo

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PADRE RENZO

Leio nos jornais do Sul do País que o Padre Renzo morreu. O que mais revolta um verdadeiro democrata é a meia verdade. A meia verdade contém parte da verdade, assim, é difícil contestá-la. A omissão de dados é a principal ferramenta deste engodo. Não duvido das boas intenções do Padre Renzo, ativista da equivocada Teologia da Libertação, tão equivocada que foi reprimida e extirpada da igreja, levando à evasão de teólogos cristãos materialistas (como se isso fosse possível) como Boff, Betto e outros. O artigo cita, nominalmente, apenas um dos enclausurados apoiados por Renzo, um pobre garoto de 18 anos, chamado Theodomiro. Theodomiro era conduzido preso, sem qualquer possibilidade de fuga, mas, algemado, conseguiu tirar a arma de um dos seus condutores e pelas costas e friamente, assassinou-o. A sua fuga era inviável, havia outros agentes presentes, assim, continuou preso. Seus condutores poderiam, com razão, tê-lo matado, mas não o fizeram. Este é o fato. Voltando aos dias atuais: Theodomiro, juiz aposentado, quer mais que se esqueçam dele. O Padre Renzo morreu agora, de morte natural. O agente assassinado era um sargento da Aeronáutica cuja viúva deve ter lutado muito para educar os filhos com o miserável salário com que o governo contempla as Forças Armadas. Talvez a Comissão da Verdade devesse ouví-la para esclarecer o tamanho da sua dor e das dificuldades por que passou. E ainda exigem que os milicos se calem neste 31 de março. Pelo amor de Deus, nos deixem chorar os nosso pobres mortos!

Roberto Maciel, general de divisão reformado rovisa681@gmail.com

Salvador

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PASSADO

É bom avisar o pessoal da Comissão da Verdade que o negócio é olhar para o futuro. O futuro é possível de planejamento com vistas ao bem-estar da sociedade. O passado é imutável e não traz "glamour" algum. Pelo contrário, as pessoas em geral acham isso tudo uma verdadeira desnecessidade. Quando o Ibope ou outro instituto qualquer de pesquisa eleitoral estiver pesquisando intenções de votos à Presidência da República, perguntem ao entrevistado o que acha dessa tal Comissão da Verdade. Certamente nem sabem o que é isso. Só sabem e entendem mesmo é das ditas bondades governamentais. Tenham certeza disso. Esse é o nosso eleitorado.

 

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA

O documento "A revolução democrática e o socialismo petista: Por um novo ciclo das lutas democráticas no Brasil" diz que as grandes empresas de comunicação, "unidas na oposição aos governos Lula e Dilma", concentraram desde 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, sua mensagem na denúncia da corrupção e, por isso, defende a regulação da propriedade e do funcionamento das empresas privadas de comunicação, e a criação de uma vasta rede de comunicação democrática e popular para neutralizar mensagens negativas que impedem o crescimento do PT. Nada mais antidemocrático do que pretender regular propriedade e funcionamento dos meios de comunicação, como deseja esse partido que tem a pretensão de ser o dono da democracia. Os jornais publicam o que lhes parece conveniente e importante. Lê quem quer, e o leitor concorda, ou discorda do que está escrito a seu critério pessoal, como deve ser. Bem diferente do que deseja o PT, com meios de comunicação chapa branca, apenas divulgando o que é de interesse do governo, como nas piores ditaduras, como a cubana. Por que, em vez de "regular", o PT não investe no desenvolvimento de um jornal do partido? É só fazer uma vaquinha como a que foi feita com a intenção de pagar a multa imposta aos mensaleiros do partido. Se o povo aprovasse o conteúdo desse jornal, ele seria um sucesso e iria, democraticamente, se contrapor às grandes empresas privadas de comunicação, atual alvo do partido.

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro  

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RESQUÍCIOS ANTIDEMOCRÁTICOS

O presidente do PT, Rui Falcão, que se perde pelo nome, não faz a mínima ideia da missão cumprida pelo judiciário e pela imprensa na história brasileira - que começou com seu descobrimento por um metalúrgico -, ao proferir o despautério de vislumbrar resquícios antidemocráticos nessas instituições. Há não resquícios, mas firme determinação do partido que preside e que colide com seu próprio governo, de restringir as liberdades públicas em nosso país, para "desinterditar a luta política" ("rectius", luta de classes) em nosso País. Porém, esses "terror birds" não conseguirão enterrar nosso Estado Democrático de Direito.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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FORA DE CONTROLE

Já é ruim Lula pedir à Central Única dos Trabalhadores (CUT) criar uma TV própria para só falar bem do PT, mas Rui Falcão extrapolou. Disse ele: "Não podemos permitir que meia dúzia de famílias controle a mídia". Será que ele inclui aí os políticos que há décadas dominam a imprensa local Brasil afora, muitos deles, hoje, na base de apoio do governo? Vai queimar a língua.

Sérgio Aparecido Nardelli sergio9@ig.com.br

São Paulo

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