Fórum dos Leitores

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - Atualizado às 6h09

14 Maio 2013 | 02h06

Especialistas em atraso

Ao ler a matéria Energia barata nos EUA já afeta indústrias no Brasil (13/5, B1), fica claro que estamos virando especialistas no atraso. Em analogia ao "fazendas aqui, florestas lá", podemos imaginar algo como "desenvolvimento aqui, sucateamento lá", uma vez que a exploração dos potenciais brasileiros precisa de licenças e compensações ambientais, autorizações da Funai e dos índios que ela diz tutelar, além da chancela de ONGs que representam interesses de Estados estrangeiros e ditam regras aos montes. O mapa O xisto no Brasil resume tudo isso, pois, ao fazermos a sobreposição das áreas reivindicadas pelos índios guaranis no Centro-Sul do Brasil, encontramos uma estarrecedora coincidência. Precisamos honrar o legado do barão do Rio Branco e lutar para não entregarmos aos nossos filhos e netos um País menor em todos os aspectos, desde territorial até moral. Acorda, Brasil!

RAFAEL ABRÃO POSSIK JR.
2108112673@faap.net
São Paulo

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Desindustrialização

Como resultado da grande exportação de minério de ferro e outras matérias-primas brutas para a Ásia, o Brasil participou da estimulação do crescimento das aciarias e indústrias asiáticas e hoje importa grande número de produtos lá fabricados, que chegam aqui a um preço menor do que o que as indústrias nacionais conseguem produzir. Nossas indústrias já deixam de exportar como antes e já começamos a nos desindustrializar. Para retomar nossa posição teríamos de melhorar a educação do nosso povo, a infraestrutura, o regime impositivo e muitos outros pontos mais. Mas as prioridades do PT-governo são outras, com grande gastança via seus quase 40 ministérios, construção de estádios de futebol, auxílio aos "hermanos" e outros gastos de óbvia ineficiência. 

WILSON SCARPELLI
wiscar@estadao.com.br
Cotia

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INFRAESTRUTURA

Belo Monte

Orçado em R$ 16 bilhões, o custo da usina já supera os R$ 30 bilhões. E as obras estão irremediavelmente atrasadas. Alguém se recorda de que as empreiteiras questionaram o orçamento? Alguém se recorda de que o pseudoleilão foi ganho por um grupo composto por empresas estatais? Alguém se recorda de que o Tesouro está financiando a obra? Alguém se recorda de que a obra é economicamente inviável? Ninguém se indigna. É curiosa esta Nação brasileira, que não cuida de seu bolso e deixa o governo empurrar-lhe qualquer coisa goela abaixo.

HARALD HELLMUTH
hhellmuth@uol.com.br
São Paulo

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Orçamentos estourados

Por que será que toda obra do governo estoura previsões e orçamentos, já repararam? Ontem foi o Maracanã, hoje é a Usina de Belo Monte, que já custa o dobro do valor orçado. De duas, uma: ou estão metendo a mão no dinheiro público ou a inflação já atingiu os 200%...

ARNALDO DE ALMEIDA DOTOLI
arnaldodotoli@hotmail.com
São Paulo

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MP dos Portos

As dificuldades para aprovar a MP dos Portos, já desfigurada, mostra que de nada adiantou a coalizão de apoio ao governo no Congresso, que só funciona em assuntos banais, como obstruir e desconstruir CPIs ou chancelar indicações. De nada adiantou criar mais ministérios e DAS para acomodar políticos, pois, quando há interesses maiores, como a oportunidade de vender facilidades ou obter nichos de votos no futuro, a cobiça rege o "cada um por si, nada pelo partido e muito menos pelo País". A presidente está de joelhos, no canto do ringue, rogando apoio a quem só pensa em si e no seu futuro político, mesmo que o País sofra as consequências do atraso, do inaceitável custo Brasil. Reaja, presidente! Decrete, faça uma reforma administrativa, acabe com tantos ministérios, coloque técnicos, em vez de políticos - que não votam com o governo -, nos cargos, mas não se submeta ou se apequene! Tenha a certeza de que ganhará mais votos. Serão duas vitórias: a do País e a da sua altivez. Basta de se curvar à impostura e de colocar a reeleição à frente das necessidades do Brasil! Como está, criando e distribuindo cargos e ministérios, para cabalar apoios e tempo na TV, V. Exa. está agindo exatamente como os congressistas, com egoísmo e egocentrismo, em detrimento do País.

LUIZ SÉRGIO SILVEIRA COSTA
lsscosta@superig.com.br
Rio de Janeiro

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SINDICALISMO

'Sindicatos de fachada'

Correta, a análise sobre os sindicatos brasileiros no editorial do Estado de ontem (A3) revela que nosso modelo sindical passou apenas de corporativista para semicorporativista com o advento da Constituição de 1988, não alcançando o modelo pós-corporativista, preconizado pela Convenção n.º 87, de 1948, ainda não ratificada pelo Brasil. O nosso sindicalismo se desvencilhou do corporativismo controlado diretamente pelo Estado, que se caracterizava pela expedição da carta sindical, pela interferência e intervenção do Ministério do Trabalho e Emprego na vida sindical, mas manteve uma espécie de corporativismo fora do Estado, compreendendo a unicidade sindical, a representação por categoria e a contribuição sindical compulsória, que são as fontes dos grandes males do nosso sindicalismo.

RENATO RUA DE ALMEIDA
renatorua@uol.com.br 
São Paulo

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GOVERNO DILMA

Dupla dinâmica

Guido Mantega e Aloizio Mercadante (respectivamente, ministro da Fazenda e ministro da Educação) são, possivelmente, os principais economistas do PT. Ambos disseram que é preferível a criação de empregos à expansão do produto interno bruto (PIB), como se as duas coisas não estivessem atreladas. Há alguns anos os dois afirmaram que o Plano Real era eleitoreiro e não daria certo. Todo brasileiro sabe como o Real "não deu certo"... Em matéria de palpites infelizes ninguém supera a "dupla dinâmica" petista.

LEÃO MACHADO NETO
lneto@uol.com.br
São Paulo

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Mantega e o PIB

O sr. Guido Mantega, nosso grande guru em economia, está reinventando a roda, porém quadrada. Diga-me, sr. ministro, gerar emprego com a economia estagnada (crescimento do PIB perto de zero) traria algum benefício? Creio que é insensato tal argumento, pois seria o mesmo que produzir menos com mais, ou seja, produzir menos produtos com mais pessoas. Onde iriam parar a produtividade e os custos internos? E olhe que não sou economista...

JOSÉ RUBEM BELLATO
bellato@terra.com.br
Joinville (SC)

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BELO MONTE, DUAS VEZES MAIS CARA

O custo da Usina Hidrelétrica de Belo Monte quase dobrou (chegou a R$ 30 bilhões), mas ninguém se apresenta para justificar um absurdo desse. São tantas as obras que dobraram de preço (os estádios para a Copa, a transposição do Rio São Francisco, escolas, hospitais, rodovias, portos), e ninguém diz nada. A oposição quer falar, mas sua voz é tão fraca que não chega aos ouvidos de ninguém. A situação está a cavaleiro e não interessa produzir culpa contra si próprio. O PT instalou o roubo, o desvio, a articulação, o desmando, a corrupção de forma tão profunda que, se levantado o tapete, muita gente irá para a prisão. Talvez por isso insista no projeto do poder para perpetuar-se e tornar-se um PRI mexicano no Brasil.

João Menon joaomenon42@gmail.com 
São Paulo

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INCOMPETÊNCIA NA INFRAESTRUTURA

O desgoverno petralha está reconhecendo a sua incompetência ao conceder à iniciativa privada  a concretização de infraestrutura no Brasil – e a governamental  só fica nos projetos e no aumento dos preços nos aditivos, mas nunca é realizada. Basta ver o que está ocorrendo com a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, cuja estimativa de custo já passa de R$ 30 bilhões. Mas os impostos e os Ministérios – que deveriam diminuir, porque os encargos são cada vez menores – continuam sendo cada vez maiores. Só custos e nada de realizações.

Mário A. Dente dente28@gmail.com 
São Paulo

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QUANTO, AFINAL, CUSTARÁ?

Cada vez pior – e pelo andar da carruagem vai piorar – é a corrupção implantada e em vigor no Brasil desde que passou a ser comandado, dirigido e manipulado pelo “petelulismo”, vergonhoso, indecente e interesseiro nos roubando, desviando e superfaturando cada vez mais. Basta ver o absurdo que ocorre com a Usina de Belo Monte, que já custa R$ 30 bilhões, nada menos que o dobro do valor orçado inicialmente, com um detalhe: apenas 30% do projeto foi concluído até o momento. Ou seja, continuando nesse disparate, ao concluir a obra ela poderá custar a bagatela de R$ 100 bilhões, não é? 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br 
São Paulo

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MAIS UM BELO MONTE

A usina do Pará já custa o dobro do orçado e está um ano atrasada – bem, o Brasil está dez anos atrasado –, o que comprova que este governo está coerente com sua especialidade: produzirá mais um belo monte...

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br 
Santos

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EFICIÊNCIA SEM BUROCRACIA

Que eu saiba, ninguém ouviu falar sobre leilões de áreas de reservas de xisto ou sobre licitações para a sua exploração em território norte-americano, nem sobre pagamento de royalties e sua destinação. Ninguém imaginou que em tão pouco tempo os Estados Unidos se tornariam os maiores produtores e fornecedores de gás do mundo a preço escandalosamente competitivo. Eficientes, sem alarde, politicagem ou burocracia, alcançaram uma exploração mais consistente do gás de xisto, a preço mais de 20% menor do que o cobrado no Brasil, reduzindo a nossa competitividade e afastando investimentos das nossas indústrias de vidro, cerâmica e petroquímica.

Sergio S. de Oliveira ssoliveira@netsite.com.br 
Monte Santo de Mias (MG)

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FICANDO PARA TRÁS

As notícias de que os Estados Unidos estão recebendo de volta suas indústrias que haviam migrado para o exterior comporta um risco para o Brasil. Estão voltando porque podem produzir melhor e mais barato em seu país, evitando países como o nosso. E ainda competirão conosco. Alguns dos diferenciais são o custo e a qualidade da energia em desenvolvimento há cerca de três anos, o gás de xisto, menos poluente e custando 20% do que custa nossa energia. O Brasil tem xisto, mas não tem tecnologia nem dinheiro para explorá-lo e, assim como no caso do pré-sal, ficaremos para trás. Continuaremos a ser o país do futuro. Enquanto os Estados Unidos se recuperam de uma crise extremamente difícil, nós não conseguimos resolver problemas de infraestrutura, tributação sobre a produção, falta de competitividade, ausência de modernização nem os básicos, como educação e saúde. Aqui ouve-se apenas falar em política e eleições. Não existe a palavra progresso.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br 
São Paulo

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‘O BEIJO DA MORTE’

Gostaria de cumprimentar a senhora Gloria de Moraes Fernandes pela carta ao “Fórum dos Leitores” (11/5/2013). Concordo na íntegra. Deveria ser lida por todos os eleitores. A foto do sr. Guilherme Afif Domingos curvado-se e beijando a mão da presidente Dilma realmente nos enche de vergonha e decepção, principalmente a alguém como eu, que ajudei a elegê-lo vice-governador. São Paulo, locomotiva que puxa este país, merece mais respeito e dignidade por parte de seus governantes.  É preocupante o nosso futuro político principalmente após as duas últimas eleições. De um lado, paga-se qualquer preço para ter apoio político, de outro, vende-se apoio político por qualquer migalha. O importante é estar no poder! O eleitor? Ora, o eleitor...

José Gomes Barbosa j.g.barbosa@terra.com.br 
São Bernardo do Campo

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A RECEITA DE AFIF

Retiro tudo o que disse sobre Afif Domingos, sobre, apesar de ser vice-governador de São Paulo, ter aceitado cargo de ministro das Micro e Pequenas Empresas, acumulando funções. Não existe no Brasil ninguém mais capaz para estar à frente dessa pasta, porque poderá passar know-how aos empresários para que consigam a proeza alcançada por ele mesmo. Em 2006, sua declaração de bens era de R$11,3 milhões, e em apenas quatro anos pulou para R$ 49,2 milhões. Valores declarados à Justiça Eleitoral. Um feito recorde de quase R$10 milhões por ano. Tem ou não muito a ensinar aos micro e pequenos empresários, que vivem contando migalhas para honrar folha de pagamento e dívidas com bancos, seus principais sócios? Afif Domingos é o homem certo no lugar certo, errada estava eu!

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br 
São Paulo
 
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1’39’’

O novo ministério (o 39.º!) do atual governo vale exatos 1 minuto e 39 segundos a mais de tempo de TV do PSD (Kassab) na campanha eleitoral da presidente em 2014. Quanto valem a honra e a biografia de um político?!
 
J. S. Decol decoljs@globo.com 
São Paulo 

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SÁBIA AVALIAÇÃO

Quando da eleição da dona Dilma, o recém empossado secretário de Estado, com status de ministro da Micro e Pequena Empresa do atual (des)governo, Guilherme Afif Domingos, que acumula o cargo de vice-governador do Estado de São Paulo, fez uma sábia avaliação da presidenta, dizendo: “Ela não é capaz de pilotar um teco-teco e acha que pode pilotar um Boeing”. Pelo visto, Afif acha-se capacitado para ser o co-piloto da madame. Não se deu conta de que vão ou podem “despencar” juntos! E agora?
 
Luiz Dias lfd.silva@2me.com.br 
São Paulo

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ATÉ TU, AFIF?

Antigamente, eu admirava e respeitava Guilherme Afif Domingos. De uns anos para cá, ele jogou sua respeitabilidade no lixo. Será que sempre estive errado a seu respeito ou, como dizia meu pai, quem entra na política ou é sem vergonha ou se torna em um. Afif precisava jogar seu nome na lama?

M. Thomaz Metzler tmetzler@uol.com.br
São Paulo

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AFIFAR

Um novo verbo para nosso dicionário: “afifar”, que significa político sem caráter, servidor de vários senhores.

Laércio Zannini arsene@uol.com.br 
São Paulo

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RETRATO

Ouvindo a Rádio Estadão na sexta-feira (10/5), pude verificar duas entrevistas de relevante importância: 1) Deputado Carlos Gianazzi, do Psol, requerendo o impeachment de Guilherme Afif Domingues pelo simples fato de o mesmo estar ocupando dois cargos em duas esferas de governo diferentes, sendo que este fato agride artigos de nossa Constituição e também nos afronta sobremaneira, pois indica o uso do clientelismo político no intuito de “tentar” agradar tanto à situação como à oposição sem perder qualquer tipo de status e, assim, jogar em dois times ao mesmo tempo, no mesmo jogo! Cabe, sim, o pedido de impeachment de maneira imediata e definitiva deste antigo partidário de Maluf, o procurado pela Interpol, que se aproveita de situações favoráveis à autopromoção em todas as ocasiões e sentidos para se manter no mercado político e dele se aproveitar. Impeachment nele! Muito me deixa estupefato a maneira de agir de Alckmin no sentido de isso ver, suportar e nenhuma atitude tomar no sentido de despachar para bem longe este vira-casaca, assim como já o tinha feito Kassab com José Serra. Onde está a cúpula do PSDB, que não toma uma atitude de gente grande e legal contra esta pouca-vergonha? 2) Deputado Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara federal, entra com uma representação contra Gilberto Carvalho por estar este interferindo em investigação ainda do caso já quase esquecido pela população da incauta Rosemary Noronha e seu padrinho-namorado Lula da Silva e suas intervenções nas nomeações para cargos públicos no governo federal, viagens realizadas à Europa com status de representante legal do governo federal brasileiro, etc. Gilber5to Carvalho, por todas as suas intervenções inadequadas já feitas desde o início, ainda na nefasta gestão de Lula até hoje, já deveria ter sido investigado a fundo, e cassado politicamente por seus questionáveis posicionamentos políticos em várias ocasiões. Essas duas situações são um pouco do retrato daquilo com que nos deparamos no dia a dia em nosso país.
 
Boris Becker borisbecker54@gmail.com 
São Paulo

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EMPREENDEDORISMO POLÍTICO

Cumprimento o empresário Guilherme Afif Domingos, por empreender não só no mundo dos negócios, mas no árido mundo da política brasileira. Ao longo de sua história, foi alheio ao conformismo e à inércia característica de alguns políticos e ousou, seja nos tempos da constituinte quanto recentemente, ao criar um partido e ao aceitar a nova secretaria no governo Dilma. Acertou ao aceitar o convite, pois apenas no governo terá força necessária para implementar as reformas tão necessárias para impulsionar o empreendedorismo no Brasil. O nosso país precisa de empresários fortes e de empreendedores bem-sucedidos para gerar empregos, e não de conservadores presos a velhos dogmas políticos e velhas ideias. Ao aceitar o convite, Afif foi coerente com a sua história e com a necessidade do País. Aos críticos ferrenhos, um alerta: críticas “politiqueiras e partidárias” não geram empregos. Empreendedorismo político, sim!

Jose Rubens Domingues Filho joserubensdomingues@yahoo.com.br 
São Paulo 

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JAQUES WAGNER NA MÍDIA

Malandro como ele só – no bom sentido, claro – Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, emplacou páginas generosas em “A Tarde”, “O Globo” e “Veja” nestas duas últimas semanas. É a face simpática do PT, desde que Lula abandonou o Lulinha Paz e Amor. Tal e qual o patrão, no passado, ele apenas cumpre, como um bom ator, o papel para o qual o partido o escalou. Este jeito ameno de ser não pode ser confundido com democracia à baiana, pois o que interessa mesmo ao PT é a perpetuidade e o autoritarismo em nível nacional. A Bahia vê-se depois.

Paulo Mello Santos policarpo681@yahoo.com.br 
Salvador

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MÉDICOS CUBANOS NO BRASIL 

Há pouco tempo surgiu a notícia de que o governo  estudava uma maneira para afrouxar as exigências para a validação de diplomas de médicos aprovados em Cuba, Bolívia e Argentina. Agora, a notícia de que o governo estuda a contratação de 6 mil médicos cubanos para trabalhar nas áreas carentes do Brasil. Do lado político, há quem diga que é uma maneira de infiltrar guerrilheiros cubanos em nosso território em locais onde o Estado brasileiro é deficiente, ou mesmo ausente. Seria bom o governo federal ouvir o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), que são contrários a esse projeto em “estudo” pelo Planalto. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sempre é bom lembrar uma declaração do cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene: “O Brasil precisa de mais médicos, mas não a qualquer custo”.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com
Campinas

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PALIATIVOS PROTELATIVOS

A última ideia que nasceu de Brasília soma-se a outras tantas que demonstram a falta de competência de um Estado que arrecada como nunca e não consegue gerir seus recursos: importar 6 mil médicos cubanos para interiorizar a medicina no País! Esse arremedo de federalismo, em que 70% da arrecadação tributária vai para Brasília, é perverso. Recentemente, batemos recorde de arrecadação, chegando à marca de R$ 600 bilhões com muito mais antecedência do que o ano passado, e mesmo assim não conseguimos dar conta de distribuir essa riqueza em forma de saúde e educação dignas, por exemplo. Qualquer visita a um posto de saúde no interior vai nos mostrar (com raras exceções) que os médicos trabalham sem condições de trabalho. Sem medicamentos, material de sutura, dificuldade de encaminhar paciente para exames ou baixar em algum leito de hospital, os profissionais de saúde têm de fazer mágica para fazer um bom atendimento. O que assistimos é o prefeito comprando uma ambulância e encaminhando os pacientes para a capital, tornando as emergências um verdadeiro caos. Será que os médicos cubanos serão capazes de atender de melhor forma? Talvez consigam, pois a medicina cubana se mostra atrasada quando se fala em equipamentos e infraestrutura. Mas a solução não é importar médicos, e sim dar salário digno e estrutura de atendimento. O mesmo arremedo de solução paliativa nós encontramos na educação: com a falta de investimento em educação de base, oferecemos cotas em universidades, mesmo que esses alunos não consigam completar o curso por dificuldade de acompanhar as matérias, por causa da falta de um mínimo conhecimento. Recursos nós sabemos que o governo tem. Mas a corrupção, a fábrica de verdadeiros marajás com salários elevados para funções pouco qualificadas e obras superfaturadas fazem com que o dinheiro não chegue onde deve.

Marcelo do Vale Nunes mvn@portoweb.com.br 
Porto Alegre (RS)

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TROCA

Médicos cubanos? Absurdo! Que tal políticos escandinavos?

José Eduardo Zambon Elias zambonelias@estadao.com.br 
Marília

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MÉDICOS POR MÚSICOS

Nosso governo, pródigo em balões de ensaio, lançou mais um, este de importar 6 mil médicos cubanos. A notícia não teve boa repercussão fora das hostes petistas. Sem me alongar nas considerações pró ou contra, já que não sou do ramo, gostaria de sugerir uma importação do que Cuba realmente tem de melhor, sua grande contribuição para a humanidade, ou seja, músicos. Não é exagero considerar a música cubana muito mais importante que sua medicina, afinal o que seria do mundo sem bolero, chá-chá-chá, salsa, reggaeton, etc.? A música é um remédio muito melhor do que os encontrados nas farmácias, porque mantém os cérebros sadios, mesmo que os corpos sejam maltratados, e esse é um dos segredos dos cubanos para aguentar os Castros por tanto tempo. Claro que a “isla de la libertad” tem outros excelentes produtos para exportação, como os charutos e o rum, mas esses, devido aos altos preços no mercado internacional, devem estar nas mãos da elite do regime.

Nestor Rodrigues Pereira Filho rodrigues-nestor@ig.com.br 
São Paulo

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COMO NOS ANOS 80?

Certamente o governo brasileiro vai contratar ou já contratou  6 mil  espiões  cubanos, disfarçados  de “médicos”, para fazer a campanha do Lula ou da Dilma no interior do País, nas próximas eleições de 2014. Um alerta à Nação: se não nos falha a memória, nos anos 80, a cidade de Criciúma, em Santa Catarina, contratou dezenas de “médicos” cubanos para atender o Programa de Saúde da Família (PSF). Quando perceberam que eles sabiam menos que os nossos técnicos formados em enfermagem, os dispensaram. Ninguém ficou sabendo se eles voltaram para Cuba. Provavelmente, não. Agora são 6 mil cubanos que pisarão em nosso solo, com certeza acordados para trabalhar no interior do Brasil e ajudarem o Lula e a Dilma a emplacarem a ditadura de Fidel em nosso país. Acorda, gente!
 
Leônidas Marques leo_vr@terra.com.br 
Volta Redonda (RJ)

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PATRIOTADA

“Acrescentou o ministro, de acordo com o jornal ‘O Globo’, que a vinda daqueles médicos fortaleceria ainda mais a parceria do Brasil com Cuba numa área em que este país ‘detém clara vantagem e se estabeleceu mundialmente como um país que contribui para elevar os níveis de saúde aqui na América Latina’. Como o que está em discussão não são sistemas de saúde, mas especificamente a possível contribuição de médicos cubanos, supõe-se que Patriota, ao falar em ‘clara vantagem’, tenha se referido à da medicina cubana sobre a brasileira. Isto é, na melhor da hipóteses, um exagero retórico, que não pode ser levado a sério, mas que coloca em evidência o componente político da medida em estudo.” “Estadão”, em sua nota sob o título “A falácia dos médicos cubanos”, de 10/5/2013, me faz pensar se o ministro Patriota é de fato “patriota”. Colocar em xeque a competência dos nosso médicos e sua formação, desconsiderando, inclusive, a morte de Chávez, acelerada por não ter sido diagnosticado o câncer que realmente o atacava, com os supermédicos cubanos, deixa muito clara a má “política”, que sucateia a nossa formação médica universitária (claro que escolas de medicina nem sempre têm o mesmo desempenho na formação de seus alunos). Por que o nosso ex-presidente e a atual presidente não vão em busca dessa tão avançada medicina em Cuba, ao invés de recorrerem aos hospitais Sírio Libanês e Einstein, em São Paulo? No Brasil? Por favor, vamos nos ater à nossa medicina e incrementar o melhor aproveitamento dos mesmos pelas regiões menos servidas do nosso país, mas com salários que compensem o esforço dos profissionais. Ou seria mais barata a importação de mão de obra cubana ou boliviana, por qualquer salário?! Onde o patriotismo do Patriota se fundamenta?

José Jorge Ribeiro da Silva jjribeiros@yahoo.com.br
Campinas
 
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A CONSIDERAR

A contratação de médicos cubanos provoca reações que não levam em conta algumas questões. Em primeiro lugar, serão profissionais de clínica geral, de preferência, para o atendimento básico. Em segundo lugar, os profissionais brasileiros não querem ir para locais distantes, seja qual for o salário pago. E criticar o nível de conhecimento deles  é desconhecer que o CRM recentemente fez um teste e médicos brasileiros recém-formados tiveram um índice de aproveitamento não muito alto. E por fim, um ministro da Saúde do governo FHC também teve a mesma ideia. E não mereceu tantas críticas. Por que a diferença de tratamento?

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br 
Santos 

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REI MIDAS

Como o funcionário Aref, nomeado por José Serra,  é impressionante verificar a capacidade do juiz Élcio Fiori Henriques, do Tribunal dos Impostos e Taxas (TIT), em conseguir amealhar R$ 30 milhões em  curto espaço de tempo, vivendo apenas do seu salário (“Servidora cita ‘mala de R$ 1 mi’ para juiz, 13/5, A6). É tragicômico ver publicado que Andrea Calabi ficou “ingenuamente” surpreso e que a Fazenda considera, de forma sintomática, o juiz brilhante. Talvez o seu brilhantismo consista na capacidade mágica de transformar tudo em ouro,  só comparável ao rei Midas, o que parece não ser novidade nas administrações tucanas.

Wilson Haddad wilson.haddad@uol.com.br 
São Paulo

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O RONALDINHO DAS FINANÇAS

A Justiça decretou o bloqueio de bens do juiz Elcio Fiore Henriques. O novo Ronaldinho das finanças acumulou em dois anos e meio um patrimônio de R$ 32,75 milhões em imóveis. Não ganhou na loteria, não recebeu herança e tem uma remuneração bruta de R$ 19,49 mil; mesmo assim, alega que os bens têm origem legal. Segundo ele, são “oriundos de investimentos bem-sucedidos”. Acho que ele quis dizer “investidas” bem-sucedidas.

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com 
São Paulo

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MENSALÃO

O Supremo Tribunal Federal (STF) está muito próximo, a nosso ver, de fazer cumprir as penas dos mensaleiros conforme as decisões no julgamento do processo, o mais longo e mais difícil de toda a  história de nossa  Corte. Os mensaleiros, por meio de inúmeros advogados, têm feito de tudo  para “melar” este respeitável julgamento, desde o seu início, quando, inclusive, o sr. Lula, vergonhosamente, tentou  subornar o ministro Gilmar Mendes com chantagem, de que todos nós ficamos sabendo pela mídia, pois o ministro contou tudo o que se passou. Agora, os embargos de declaração tentam, novamente, tumultuar o processo, pedindo medidas incabíveis para este tipo de  recurso, mas o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já negou todos em parecer recorde de  quatro dias. Agora o parecer está com o ministro Joaquim Barbosa. Uma coisa é certa: só a prisão dos mensaleiros, nas  penas decididas em  julgamento histórico, poderá salvar nosso país, pois, a partir daí, podemos dizer que poderosos também foram presos e o nosso orgulho voltará a brilhar e voltaremos a acreditar na justiça.

Luiz Nunes de Brito rosahollmann@rocketmail.com 
Rio de Janeiro

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CRUZADA

Como leitor, quero cumprimentar o sr. Carlos Alberto Di Franco, pelo brilhante artigo publicado na edição de ontem (13/5) do “Estadão” (“Diga não à corrupção”, página A2). Como cidadão, quero dizer que estou engajado na cruzada contra os corruptos de todas as matizes. Como admirador da Justiça, quero que o STF não se dobre aos desejos de suavizar as penas  desta canalhada do mensalão; espero que os novos integrantes dessa Corte sejam justos na apreciação dos recursos interpostos, fazendo ver ao povo que eles não participam de conchavos e que suas nomeações foram resultado de seu saber jurídico, da sua conduta proba e da dignidade que o cargo exige. Por último, gostaria que nessa nova apreciação dos processos resultasse na obrigatoriedade de reposição das importâncias apropriadas indevidamente por todos os criminosos julgados neste episódio.
 
Adib Hanna adib.hanna@bol.com.br 
São Paulo

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‘DIGA NÃO À CORRUPÇÃO’

Simplesmente irretocável o texto publicado por Carlos Alberto Di Franco (13/5, A2). Gostaria de conhecer a manifestação/comentários dos senhores ministros do STF sobre o ali escrito.

Ariovaldo Marques arimarques.sp@gmail.com
São Paulo

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PEC 37

Este jornal tem todo o direito de defender as causas que bem quiser. Todavia, como a principal atividade deve ser a informação, os temas entendidos de interesse do público leitor devem ser explorados de forma plural: diferentes pontos de vista, de preferência explorados por pessoas com conhecimento técnico e científico. Assim oferecidos, o leitor terá o maior número de informações possíveis, para bem formar o seu entendimento. Até o presente, não vi isso ocorrer no caso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37. No espaço “Notas & Informações”, que é onde o jornal expressa sua linha editorial, já ficou claro que esse jornal é contra a possibilidade de o Ministério Público (MP) fazer investigações criminais. Só não vi argumentos consistentes. E de duvidosa consistência são os artigos assinados por juízes,  uns e outros denunciados pelo MP, além de advogados criminalistas, apresentados no “Espaço Aberto”, como o da edição de 11/5, página A2. Como o público leigo em Direito pode ter dificuldades em buscar informações mais claras e honestas, fica a mercê do que jornais se propõem a defender de forma não explícita. Com um pouco de honestidade intelectual, seria possível trazer um pouco da evolução histórica de certas instituições. O que hoje é Ministério Público, em nível federal, deriva da figura do procurador do rei, que zelaria pelos interesses da Coroa, que muitas vezes confundiam-se com o interesse particular do monarca. Com a proclamação da República, passou a existir a figura do procurador da República, que fazia a defesa dos interesses da União. E havendo uma Justiça Federal, tinha também a iniciativa da ação penal, na medida em que o monopólio da força era do Estado. Até a edição da Constituição de 1988, o Ministério Público da União, por exemplo, inseria-se na estrutura da pasta da Justiça, bem como a Polícia Federal, que ainda permanece, depois de 1988 na estrutura do Poder Executivo. O Constituinte de 1988, não ignorando a falta de organização da sociedade civil, sobretudo pela baixa noção de cidadania, não só por força dos períodos de exceção, mas, sobretudo, pelo histórico abandono do poder público, sempre usado para o enriquecimento dos ocupantes dos cargos eletivos ou não, retirou o MP da estrutura do Ministério da Justiça, ou seja, retirou-o do Poder Executivo, dando-lhe uma expressiva gama de funções. Só não consegue ler e entender o que contem o art.129 da Constituição de 1988 quem não quer. Se em outros países, considerados mais evoluídos institucionalmente, o MP não tem a tal “independência”, assim se dá porque o poder público em tais países não têm as tristes tradições coronelistas tupiniquins. Atendo-se ao presente, seria possível esclarecer ao leitor que o MP não pretende fazer sozinho a investigação criminal: não pode ser excluído, simplesmente. Se tem a iniciativa da ação penal, investigação falha atrapalha o exercício de seu poder-dever. São coisas imbricadas. Argumentar que tem o MP o poder do controle externo da Polícia para afastar o MP das investigações, é uma contradição em si mesmo. Pode o membro do MP revirar os escaninhos da Polícia, a fim de identificar incorreções ou abusos, mas não pode investigar... Mas o que vêm a ser as requisições do MP à autoridade policial nos inquéritos? Isso não é investigar? O MP tem promovido investigações seja com a polícia, seja com outras instituições como Banco Central, Receita Federal, INSS, Tribunal de Contas da União, só para lembrar de instituições que têm deveres de fiscalização em suas atividades. E mais: se pode instaurar inquérito civil, que é a forma de buscar dados que permitam sustentar ações de natureza cível, e de onde, na maioria das vezes, extrai elementos para embasar ações penais, por que agora as Polícias e a OAB estão preocupados com a capacidade investigativa do MP? Se alegam que na Constituição não está dito que o MP pode investigar, por que agora querem incluir na Constituição que a Polícia tem a exclusividade? Só ingênuos não percebem a enorme carga de má-fé em tais argumentos. 

Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República aposentada anamaral@uol.com.br 
São Paulo

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USTRA NA COMISSÃO DA VERDADE

Pode-se discordar ou duvidar de muita coisa que o coronel Ustra disse na Comissão Nacional da (meia) Verdade. Mas não dá para defender ideia diferente de que nossa atual presidente foi, sim, uma terrorista. Ela até pode não ter pego em armas – pode ter sido designada para trabalhos menos agressivos –, mas seus grupos promoveram vários atentados, entre os quais o assalto ao cofre do Ademar e a explosão no QG do II Exército, onde morreu destroçado um jovem de 19 anos. Esses fatos não são outra coisa senão terrorismo. E quem comete terrorismo é terrorista. As vítimas dos atentados promovidos por Dilma e seus grupos não foram apenas a pessoas inocentes, como disse um leitor deste jornal. Aliás, a maioria das vítimas dos grupos de esquerda nas décadas de 60 e 70 era de pessoas inocentes, que estava no lugar errado na hora errada, e por isso foi morta, mutilada ou assassinada. Finalmente, Dilma Rousseff e seus grupos não queriam apenas “derrubar os militares”. Os grupos terroristas visavam, acima de tudo, à implantação da ditadura comunista no Brasil. Negar esses fatos é negar a história. É ignorância ou má-fé.
 
José Alfredo de T. Andrade tolosajaa@uol.com.br 
Santos

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MAJOR TIBIRIÇÁ

Carlos Alberto Brilhante Ustra, major Tibiriçá (codinome). Todos os que, de um modo ou de outro, tinham alguma participação política, sabiam que esse militar descompromissado com os mínimos resquícios de consciência humana e com a noção universalmente aceita de que o preso está sob a responsabilidade do Estado (mantido por todos nós), que deve assegurar sua integridade física, mandava torturar e torturava. Torturar um preso não é guerra, é um ato covarde e de lesa-humanidade, que desestrutura o torturado e embrutece ainda mais a personalidade profundamente desequilibrada do torturador. Claro que sobrevem a negativa, inclusive sob o uso em vão e mentiroso do nome de Deus, mas a moderna ciência se aproxima da religião e reserva para esses férmions um lugar apropriado nos buracos negros do cosmos, nos moldes dos poemas justiceiros de Dante Alighieri. 
 
Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br 
São Paulo

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‘TERRORISTAS’

O coronel Ustra citou alguns terroristas brasileiros que fizeram o que quiseram. Terroristas, no Brasil, no Paquistão, no Irã, nos Estados Unidos da América do Norte, em qualquer outro lugar, tem diferença? Para mim, terrorismo não deveria levar à prisão. Em qualquer lugar do mundo, terrorista deveria ser morto.

Gilberto Lima Junqueira glima@keynet.com.br 
Ribeirão Preto 

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SOBRE A COMISSÃO DA VERDADE

Roldão Arruda (12/5), jornalista, comentando o depoimento do coronel Ustra, ironiza a volta do coronel ao século passado e a então polarização do mundo em capitalistas e comunistas. Se a Comissão Nacional da Verdade quiser realmente esclarecer o período e deixar de ser uma Comissão Unilateral de Deturpação da Verdade, deve começar reconhecendo que implantar o comunismo no Brasil era, sim, o objetivo da esquerda. Não questiono o idealismo dos militantes, que lutavam por uma sociedade mais justa. Mas estavam, financiados e treinados por Cuba, lutando uma guerra suja, e os métodos usados pelos “dois” lados eram condenáveis. Isso é verdade. Tortura é horrível, mas assaltos e sequestros também são crimes. Mas não é verdade que “a existência de um alguns (sic) grupos armados foi uma das desculpas usadas para impor a ‘toda a sociedade brasileira’ (grifo meu) um estado de terror que atingiu todos os brasileiros”. Eu, na qualidade de um dos mais de 100 milhões de brasileiros que viveram esse período, garanto que não vivi num estado de terror imposto pelos militares. Pelo contrário, houve um avanço notável em vários setores e nós, os milhões, vivemos um período de paz e prosperidade. Quanto custa aos cofres da Nação esta Comissão da Verdade? Que tal perguntar aos milhões de contribuintes se concordam em arcar com esta despesa toda para indenizar e esclarecer a morte de poucas centenas de idealistas que pereceram em combate? O mundo estava, sim, em guerra fria. Alguns brasileiros estavam em guerra. Que os mortos descansem em paz. E fim de papo.

Ana Lúcia Boucinhas alcb.ana@gmail.com 
São Paulo

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USTRA E DILMA

Ambos erraram, a diferença é que enquanto um está de pantufas, a outra no poder!

Paulo Celso Biasioli pcbiasioli@yahoo.com.br 
Limeira 

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‘VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS’

Em “Notas & Informações” de domingo (12/5/2013, página A3), o jornal descreve uma infeliz realidade presente na maioria das escolas estaduais de todo o País. A ignorância dos nossos jovens quanto a valores humanos, advinda da carência da educação no lar e ainda influenciados negativamente pelo ambiente e até de alguns setores da mídia, contribuindo para confundir a distinção entre o certo e o errado, tem provocado sérios problemas na educação escolar. Nós, pais, precisamos urgentemente fazer a nossa parte, dando uma atenção especial na educação familiar, a fim de reduzir os problemas enfrentados pelos docentes, e assim aumentar o rendimento escolar. E por fim, direciono-me ao caro sr. governador do Estado, contando com a vossa parte, em valorizar mais os nossos educadores, estes que muitas vezes fazem além das suas obrigações em busca de um ideal de um bom professor.
 
Rui Imasato rui.imasato@uol.com.br
São Paulo

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A RESTAURAÇÃO DA AUTORIDADE

O jornal “O Estado de S. Paulo” trouxe em 
“Notas & Informações” de domingo importante enfoque de assunto atualíssimo. Violência nas escolas. Fala-se muito na reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com a finalidade de adequar a legislação de pouco mais de 20 anos à realidade de nossos dias. Muito se tem falado que os adolescentes de hoje são muito diferentes da época da edição da lei. A meu ver, são diferentes, sim, mas a mudança não foi repentina. Ocorreu ao longo dos últimos 20 anos. Todos assistimos calados à mudança de comportamento dos jovens. Mudaram nos modos de se vestirem e nada falamos. Mudaram no modo de se comunicar e endossamos. Mudaram no modo de se comportar socialmente e calamos. Mudaram muito. Hoje são eles cidadãos de direitos em sua forma mais ampla. Direitos que têm e que exigem cumprimento por parte das autoridades. E que autoridades? Todas. Antes, a primeira autoridade que conhecíamos eram os pais e mães, e por eles referenciados, todos os “mais velhos”. Era assim a sociedade brasileira. Hoje, quando adolescentes não respeitam nenhuma autoridade, os pais, os mestres professores nem as autoridades civilmente constituídas. Infelizmente, acredito que o pior ainda virá, se não forem adotadas medidas para restaurar a autoridade neste país. A violência escolar é preliminar das demais que os adolescentes cometem ao longo da adolescência e também na vida adulta. Há necessidade de coibir as ações violentas dos adolescentes, usando de energia ao reprimir tais atos. Disse energia, não violência. Violência gera violência. O que vejo é temor dos que lidam com adolescentes, que não querem ser vistos como repressores e acusados de violar direitos. Temor, sim. Por vezes ouvi nos idos dos anos 90 de adolescentes, ao serem reprimidos por atos de violência, que se tratavam de menores e não poderiam ser reprimidos com energia. Sugiro que sejam implantadas políticas públicas de combate à violência nas escolas, dando oportunidade segura aos violentados, que procurem seus direitos, apontando os autores violentos para que se apliquem medidas assecuratórias de direitos humanos. E, por fim, que se adote como matéria curricular nos primeiros anos de bancos escolares a disciplina de Sociologia, que ensinará o indivíduo a viver em sociedade, respeitando o próximo e amando o seu país. Agradeço pelo editorial publicado, que só poderia estar neste periódico.

Paulo Gilberto Negrão  negraopg@terra.com.br
São Paulo 

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IMPUNIDADE

Escrevo essa carta para expressar minha indignação com a violência em escolas públicas, relatada na reportagem “44% dos docentes da rede estadual sofreram agressão na escola” da edição do “Estadão” do dia 10 de maio de 2013, que conta com depoimentos de vítimas e testemunhas da violência dentro dessas escolas. Tenho 15 anos e estudo numa escola particular, então não sei muito sobre o que acontece dentro das escolas da rede estadual, mas algo que eu não esperava era saber que mais da metade dos docentes consideram violentas as escolas públicas em que trabalham. Apesar da violência mais comum ser a verbal, ela muitas vezes deixa mais marcas na vítima do que a física. Um exemplo disso é o relato de uma das professoras, que diz ter sido afastada por médicos do trabalho após ser humilhada pela diretora do colégio em que trabalhava. Acho que esse tipo de agressão deveria ser tratado como tão grave quanto a agressão física (ou mais grave). O que me incomodou muito foi a falta de punição contra alunos que agridem professores ou funcionários da escola, tanto física quanto verbalmente. Está certo alunos traumatizarem docentes e saírem sem nenhuma punição além de uma bronca? Alunos jogam bombas em salas, queimam cortinas, espancam faxineiras, diretoras e professores e ninguém toma nenhuma providencia? A maioria dos agressores é menor de idade, mas isso não significa que a escola não possa puni-los com advertências, suspensões e expulsões, dependendo da gravidade. As providências que estão sendo tomadas em algumas escolas também deveriam ser revisadas, já que reduzem apenas 10% da violência, e isso não é suficiente. Tudo isso parece refletir na impunidade que se observa até as mais altas esferas de poder no País.
 
Diana Lima dianapadualima@hotmail.com 
São Paulo

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INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO

Foi com incredulidade que li a reportagem sobre violência em escolas estaduais, publicada no “Estadão” de 9 de maio. Foi feita uma pesquisa com professores de escolas públicas e o resultado é alarmante. É com o resultado de uma pesquisa como essa que se percebe a ação do poder público. Cadê todas as medidas prometidas quanto a melhoras no sistema de educação estadual? Obviamente não são apenas medidas do poder público, mas, se ao menos eles cumprissem com o que dizem, seria um incentivo. A educação familiar também é um fator que causa violência em escolas estaduais, mas pense se as escolas publicas tivessem toda a estrutura tanto falada, se tivesse o sistema mais rígido e presente. Não são os professores que são ruins, eles apenas são desmotivados por tamanha violência. Cerca de 44% dos professores estaduais já sofreram de violências em ambiente escolar, seja ela verbal ou física. Para os professores, os principais agentes da violência são os próprios alunos, isso porque muitos as vezes estão embriagados, portando armas brancas ou de fogo. Então por que não cumprir logo as medidas prometidas? Se nós não cobrarmos, nada será feito a respeito. A educação é reflexo do país, e essa situação mostra extrema desorganização brasileira. Com a melhora de sistema presente em escolas públicas, também de estruturas e projetos a violência diminuiria e as aulas teriam melhor qualidade. Investimento em educação é necessário, e é isso o que faz o País ir para a frente.

Luiza Maia Jacob lu_mjacob@hotmail.com 
São Paulo

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