Fórum dos Leitores

PNAD 2012

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2013 | 02h05

Chaga sociocultural

Dentre os dados recém-divulgados pelo IBGE sobre a nossa realidade, o mais negativo foi o de que a taxa de analfabetismo deixou de cair. Tal fragilidade remonta ao nosso passado colonial, em que as elites de então, vivendo à custa da vergonhosa escravidão, jamais se preocuparam em educar a população, tragédia que perdura até os nossos dias. Urge eliminar essa chaga sociocultural, pois se trata, seguramente, do segmento da gestão pública que mais engessa o processo de desenvolvimento, de que tanto necessitamos.

JOSÉ DE ANCHIETA N. ALMEIDA

josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

Brasil analfabeto

Ué, cadê a novidade? Educação é assunto delicado para este governo, o anterior, o anterior ao anterior, até dom Pedro I, e será para o próximo, o seguinte, e assim vai. Governos ficam horrorizados quando se diz que o analfabetismo aumentou - perdem voto! Mas 68% dos brasileiros são analfabetos funcionais e os índices de analfabetismo antes mostravam queda porque os velhos analfabetos morriam mais cedo e nasciam muito mais crianças, que entravam na escola, como consta na matéria do Estado de sábado. Agora os velhos morrem muito depois, vivem mais tempo, e nascem muito menos crianças, portanto, menos entram na escola, e para as estatísticas é essa a nova realidade. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, convidada a comentar o assunto, disse que se trata de uma "variação de amostra" (?) e que o governo não se debruçou sobre o assunto (quá-quá-quá!). A ministra preferiu se concentrar nos dados positivos do mesmo levantamento, "exaltando a queda no desemprego e o aumento da renda em todas as regiões", segundo a mesma matéria. E o analfabetismo, ministra? E a educação? É esse o assunto!

JOSÉ REGINALDO M. DE SOUZA

jotarmsouza@yahoo.com.br

Jundiaí

Sobe e desce

Na gangorra brasileira do parque de diversão petista, quando o desemprego desce, o analfabetismo sobe.

SERGIO S. DE OLIVEIRA

ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

Analfabetismo e eleições

Alagoas, o Estado campeão brasileiro de analfabetismo (21,8%). Isso explica a eleição e reeleição de Renan, Collor, etc.

DELPINO VERÍSSIMO DA COSTA

dcverissimo@gmail.com

São Paulo

Culpa de quem?

Se o produto interno bruto (PIB) é medíocre, como tem ocorrido nesta gestão federal, a presidente Dilma Rousseff, com argumentos sem pés nem cabeça, culpa os EUA e os países em crise da zona do euro. E agora, com a divulgação desta triste e inconcebível alta do analfabetismo no País, quem a presidente vai culpar?! Assumir a responsabilidade certamente Dilma não fará, pelas suas reduzidas ações republicanas. Tampouco publicamente vai jogar nas costas de Fernando Haddad, hoje prefeito de São Paulo, que no período pesquisado era o ministro da Educação e dormiu em berço esplêndido sem mudar essa constatação... Também não vai culpar o eleitor analfabeto porque conta - e só esse é o objetivo - com a possibilidade de receber esses 13 milhões de votos no pleito que se aproxima, o de 2014. Mesmo porque desde Lula a educação jamais foi tema prioritário dos governos petistas. Mas, já que verbas não faltam, se a Dilma estivesse verdadeiramente preocupada em erradicar o analfabetismo do País, já teria feito esforços para reduzir esses índices tão vergonhosos. Uma possível solução, e mais acessível, seria exigir dos pais beneficiários do Bolsa Família que estudem, além de mandar os filhos para a escola, até para manterem os benefícios que recebem. Porque não tenho dúvida de que o maior contingente de analfabetos se encontra no seio dessas famílias. O cadastro para chegar a essas pessoas já existe. Porém, infelizmente, o que falta, na realidade, é vontade política do petismo para zerar de vez essa que é uma das maiores vergonhas da nossa sociedade, que ainda convive com 13 milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever, em pleno século 21! Ou seja, são órfãos da possibilidade de se desenvolver e ajudar o País a crescer.

PAULO PANOSSIAN

paulopanossian@hotmail.coam

São Carlos

ECONOMIA

O populismo isolado

Como afastar do nosso horizonte as nuvens ameaçadoras no campo comercial externo, se insistimos em permanecer isolados, em conjunto exclusivamente com a Argentina, sem participar do mecanismo de comércio internacional de serviços - que engloba os EUA, todos os países da zona do euro e uma multiplicidade significativa de outras economias mundiais, ao qual acabam de aderir a China e o Uruguai -, na espera ingênua da Rodada Doha em Bali, em dezembro? Se a rodada se frustrar, o que é previsível, o mundo verá abraçadas na vala comum as damas do Cone Sul?

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

O avanço chinês

Preocupante, sem dúvida, para nós e tantos outros. Nosso caso é mais grave. A China recebeu muito investimento condicionado à produção para exportar. No Brasil temos muitos investimentos externos, voltados para nosso mercado interno e remessa de lucros. Os problemas econômicos do Brasil têm sido o gasto excessivo e muitas vezes inútil do governo e a falta de interesse em aumentar a produção, num país de baixa renda. Criou-se uma engrenagem perniciosa. Era mais vantajoso produzir pouco, aproveitar o preço mínimo da empresa marginal de custo mais elevado e realizar o lucro na chamada ciranda financeira. Com gastos elevados e produção limitada, qualquer aumento na renda gera mais demanda e inflação - e aumentam-se os juros para conter os preços. Cada país tem de cuidar de si, mas vivemos no mesmo planeta e as grandes decisões não deveriam ser individualistas.

BENEDICTO DUTRA

bidutra@attglobal.net

São Paulo

Só no tranco

Parece que o Brasil está fadado a sair da sua letargia somente por impulsos externos, mesmo que estes sejam seguidos de valentes ou infantis reações de alguns dos nossos governantes. Se assim for, espero que essa "puxada de orelha" da revista inglesa The Economist possa surtir na nossa economia o mesmo efeito positivo que o "chute no traseiro" sugerido pouco tempo atrás pelo suíço diretor da Fifa. Pois foi a partir daí que as obras para a Copa do Mundo realmente se aceleraram e resultaram nos estádios de "padrão Fifa", tão celebrados.

RENATO R. PIERRI

rrpierri@ gmail.com

São Paulo

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O BRASIL, SEGUNDO ‘THE ECONOMIST’

As capas da prestigiada revista britânica "The Economist" retratam com graça e fina ironia a realidade da "nave" Brasil sob o (des)governo petista. Da decolagem (edição de 2009) à pirueta no ar e retorno em queda livre (edição deste mês) decorreram apenas quatro anos. Neste curto espaço de tempo, equivalente ao primeiro mandato de Dilma Rousseff, o País deixou de ser a miragem reluzente no horizonte sombrio da crise internacional para retornar à imagem de um barco à deriva, perdido no mar bravio que assola o planeta desde 2008. Do "País do futuro", que parecia, finalmente, haver chegado e se tornado presente, voltou a ser o Brasil atrasado de sempre, com seus gravíssimos e aparentemente insuperáveis problemas de deficiência em infraestrutura, logística, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, mão de obra, educação básica, segurança, assistência médica, entre tantos outros, agravados sobremaneira pela corrupção sistemática e pelo desvio de recursos públicos. Desperdiçou-se, assim, uma chance de ouro - uma em cem - de aproveitar o céu azul de brigadeiro, que permitiu e impulsionou a decolagem segura e promissora rumo ao espaço do Primeiro Mundo. Agora o cenário é de nave em pane, sem rumo e potência até um retorno em mergulho solto para a Terra. Como será a próxima capa da revista sobre o País?

J. S. Decol

decoljs@globo.com

São Paulo

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CAPA DA ‘THE ECONOMIST’

A impressão que tenho é de que o Cristo Redentor voador foi motorizado no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, da Base de Alcântara, Natal, Brazil.

Sergio S. de Oliveira

ssoliveira@netsite.com.br

Monte santo de Minas (MG)

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FUTURO

Precisam falar para a revista "The Economist" que ela está mal informada. Há muitos anos não temos um crescimento do PIB maior que 2%, quem nos dera se fossem 4% ou 5%. Este é o governo dos petralhas, que falou tanto do pré-sal que as grandes do petróleo já tiraram "o" delas da reta. Como será a manchete da "The Economist" daqui a alguns anos?

Marco Apollonio

marcoantonioapollonio@yahoo.com.br

São Paulo

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ARROGÂNCIA X CREDIBILIDADE

O governo garante que a inflação baixou. Mas como assim, se cada vez gasto mais para comprar as mesmas coisas? A revista britânica "The Economist", em análise extensa sobre o Brasil, menciona a maquiagem de dados oficiais, entre outras conclusões nada favoráveis sobre a atual conjuntura econômica brasileira: impostos altíssimos, baixo investimento em infraestrutura, burocracia em demasia, altos custos trabalhistas, enfim, tudo o que contraria o lindo quadro delineado por dona Dilma para seduzir investidores. E logo depois de rugir para os EUA na ONU, precisou quase implorar para que empresários deste mesmo país e outros venham aportar aqui seu dinheiro, sem o qual tudo o que foi conseguido a partir do governo FHC cairá por terra. A presidente deveria saber que a arrogância é o caminho mais rápido para o fracasso e quem sairá prejudicado é o povo brasileiro, mesmo que sua popularidade suba com o efeito placebo de sua aparente "altivez".

Eliana França Leme

efleme@terra.com.br

São Paulo

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CONQUISTA DIFÍCIL

A presidente e sua "trupe" estiveram nos EUA para dizerem que o País é sério e que respeita contratos. Quem quiser que acredite. Uma coisa é preciso reconhecer: a chefe não disse que aqui os governos federal, estaduais e municipais não cumprem as decisões judiciais que os obrigam a pagar precatórios a seus credores. Aliás, esse torpe procedimento é conhecido de toda a gente, e não precisa ser espionado pela NSA para que o presidente Obama e todos os mercados do mundo o saibam e ponham suas barbas de molho antes de investir no País. Alegar que não há dinheiro disponível e que pagarão, macunaímicamente, quando puderem, não é argumento aceito entre cavalheiros. Desse jeito não é fácil trazer investidores sérios para o País. Mesmo os mais desqualificados só virão se for para se associarem a seus congêneres governamentais locais.

Mário Rubens Costa

costamar31@terra.com.br

Campinas

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IMAGINA NA COPA

Dilma Rousseff e seu balaio de ministros finalmente perceberam que o Brasil não tem infraestrutura para funcionar. Na quarta-feira, lá em Nova York, resolveram recuperar o tempo perdido...

Victor Germano Pereira

victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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ENGANAÇÃO

Vejo no jornal, na mesma edição (27/9), na mesma página, lado a lado, duas opiniões conflitantes sobre o mesmo assunto. Numa delas, sobre "o nó da infraestrutura", na fala a investidores internacionais reunidos em Nova York, em seminário sobre oportunidades na área de infraestrutura, "Dilma diz que Brasil é civilizado, respeita instituições e contratos". Colado ao lado, a opinião de Miriam Leitão literalmente oposta: "Há uma confusão de que o governo hostiliza os empresários. Ele vive com o capital uma relação dupla: usa o dinheiro público, através de diversos mecanismos, para favorecer empresas, mas também assusta o investidor com mudanças constantes de regras intervencionistas. É uma relação contraditória que produz déficit público e problemas nas concessões" e, ao final, conclui: "Durante todo o período em que prepara a regulação de uma privatização e/ ou concessão, o governo ameaça taxar lucros, mas, por outro lado, concede inúmeras vantagens. Erra por não dar o mais fundamental: garantia de estabilidade de regras". Para mim, Miriam está com a razão.

Humberto Schuwartz

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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DESMENTIDO PELA REALIDADE

Finalmente o PT está aprendendo o vernáculo, saindo do armário e assumindo que não está fazendo leilões, mas privatização da infraestrutura nacional. Portanto, o sr. Lula da Silva tem de engolir suas bravatas e recolher seus tentáculos de que acabou com a inflação, fez o País autossuficiente em petróleo, que a saúde estava próxima da perfeição e que acabou com a miséria do povão - fantasias superadas pela realidade. Declarou que vai voltar "para decepção de alguns", mas, talvez, a única decepção seja a ausência de sua barba que marcou sua figura de "operário" - agora, sem ela, de cabelos tratados já retorna com cara de elite, faltando só os olhos azuis. Minha avó italiana já dizia que "bata com o pé na boca se a mão não alcança". Sábias palavras.

João Roberto Gullino

Petrópolis (RJ)

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O SELO DA INCOMPETÊNCIA

Surpreendente a sinceridade do sr. Mantega ao declarar que "o governo ainda está aprendendo e aperfeiçoando os modelos de concessão". Afinal, os petistas só governam há 11 anos! O selo da incompetência deveria ser oposto à bandeira do partido. Quem pode calcular as perdas?

André C. Frohnknecht

anchar.fro@hotmail.com

São Paulo

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CANSAMOS

Compelidos a contragosto da ideologia tacanha "bolivariana-tapuia", o governo petista continua a mostrar sua teimosia. Nos necessários leilões e regulamentações ao investimento produtivo para o desenvolvimento econômico do País - embora a presidente Dilma e seu ministro Guido Mantega o desconsiderem para a distribuição de riquezas (sic ambos) - só verificamos fracassos e confusões, na mineração, ferrovias, rodovias, aeroportos, portos e, recentemente, na exploração de petróleo. Não satisfeitos, cada vez mais superando-se em culpar os outros. "Cansemo-nos de tudo, menos de compreender", escreveu o poeta romano Virgílio (70-19 a.C.), mal sabendo que após tantos séculos sua reflexão perderia o sentido com a chegada do lulopetismo.

Mario Cobucci Junior

maritocobucci@uol.com.br

São Paulo

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LEILÕES PARA A INFRAESTRUTURA

Adiem as propostas. O governo sumiu...

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

Campo de Libra renderá R$ 6 bilhões para o Estado do Rio, mas os hospitais, segurança pública, educação e transporte continuarão iguais. Covardia, não?

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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TRÉGUA EXTERNA

O governo deveria aproveitar "a trégua externa" de pressão sobre a economia para tomar medidas necessárias para recuperar os equilíbrio das contas e restaurar a confiança. Uma das origens da trégua foi o pronunciamento do presidente do banco central americano (Fed) de que não é viável parar de uma vez só a compra dos títulos de longo prazo do Tesouro. Continuará a comprar os US$ 85 bilhões mensais. A redução da compra será estendida no tempo necessário para não criar uma convulsão da economia americana e por decorrência no resto do mundo. Mas é bom registrar de que o homem deixará a presidência do Fed em janeiro de 2014. Há de se imaginar, então, o que será promessa e o que será previsão. A outra variável que estava importunando o mundo todo era o eminente e prometido ataque militar dos Estados Unidos à Síria. Fato que poderia elevar e tornar muito volátil o preço internacional do petróleo e outras "commodities". O acordo estabelecido entre os americanos e os russos com a aceitação do governo da Síria desarmou os ânimos. Resta a esperança de que o acordo será cumprido e de que as armas químicas tomem um destino neutro. Por influências internas, continuam as incertezas das concessões de serviços públicos (antigamente chamadas de privatizações) e o famoso leilão do Campo de Libra. Agora sem a participação do "cartel anglo americano", pela desistência das quatro grandes empresas. Inimaginável que aquelas empresas poderiam se associar a uma empresa estatal brasileira, mas ficando fora das operações. A imaginação ficou um pouco turva devido ao marketing do governo brasileiro e ao aplauso dos nacionalistas e outros aficionados. O risco do preço de mercado e custo de operação ainda são uma incógnita. Daí a dificuldade para que seja operado por empresa pública com dinheiro privado. Eu imagino que o resultado contará com os chineses participando do negócio. E os contornos da campanha eleitoral de 2014 começam a ser desenhados para serem clarificados a partir do próximo mês.

Helio Mazzolli

mazzolli@terra.com.br

Criciúma (SC)

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CÂMBIO

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, como sempre, afirmou ao Além quando disse: "Essa oscilação do câmbio só causa instabilidade, a volatilidade do câmbio não é boa para os mercados. O câmbio pode subir ao longo do tempo, mas tem de ser um movimento gradual, feito com base nos fundamentos". Impressionante essa declaração, com certeza poucos têm capacidade numa dedução tão inteligente. Agora não podem deixar de combinar com os EUA, para segurarem a evolução do dólar, né?

Angelo Tonelli

angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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PARE, PENSE, FALE!

A presidente Dilma, tentando explicar que o Brasil não está em crise, mas está enfrentando uma pequena crise e que o problema do dólar não influi na economia brasileira porque temos reservas, mas a subida do dólar pode afetar a economia do Brasil, é como uma criança de 3 anos contando o sonho com o monstro, o príncipe e a princesa. Na cabeça da criança, está tudo claro, mas a explicação é indecifrável. É o caso da nossa presidente, que não pode falar sem ensaiar exaustivamente, a única maneira de ser entendida.

Luiz Ress Erdei

gzero@zipmail.com.br

Osasco

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INADIMPLÊNCIA CAIU. SERÁ?!

Não podemos comemorar dizendo que a inadimplência, que era em 2003 de 15,5% dos financiamentos vencidos há mais de 90 dias, se reduziu em 2013 para 7,2%. Mesmo porque os 15,5% sobre os 25% do PIB, que representavam na época um total de R$ 390 bilhões em financiamento no mercado, resultavam num risco de R$ 60 bilhões em pagamentos atrasados. Já em 2013, os 7,2% dos inadimplentes, que participaram de financiamentos de um total de créditos de R$ 2,4 trilhões, ou 55% do PIB, na praça, geram hoje um risco para o sistema financeiro de R$ 173 bilhões. Ou 188% a mais em recursos do que em 2003. Se os R$ 60 bilhões de 2003 já fariam um grande estrago na economia, se esses créditos não fossem honrados, o que dizer então hoje sobre a possibilidade de um rombo de R$ 173 bilhões no sistema financeiro?! Os números são mais frios, e realistas, quando colocados pela face da moeda.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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SUPERSALÁRIOS NO SENADO

Servidores do Senado receberam acima do teto constitucional (rasgaram a Constituição?!) R$ 300 milhões e ninguém viu, ninguém percebeu? Isso mesmo, foi exatamente essa a quantia, exorbitantes trezentos milhões de reais pagos a mais para 464 servidores que se serviram em mais de R$ 646 mil cada um. Por favor, fechem a Casa porque a podridão, a corrupção moral, a desmoralização e a devassidão são tudo o que permeia essa Câmara mais do que baixa. Definitivamente, o Brasil não precisa de duas Casas legislativas.

José Eduardo Victor

je.victor@estadao.com.br

Jaú

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TCU DEMAGOGO

Fantasiados de arautos da moral e dos bons costumes (morro de rir), os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), com as exceções de praxe, como Valmir Campelo, que não faz da hipocrisia figurino de vida, dirigiram seus tacapes contra servidores do Senado, alegando que recebem mais do que o teto determinado por lei. Saliente-se, neste caso, que a culpa não cabe aos servidores acusados, mas à esfera administrativa da Câmara Alta, que pagou a quantia indevida. A decisão do TCU serviu para tirar a poeira e a teia de aranha dos ombros dos ministros e do órgão, acostumado a ser omisso, subserviente, amorfo, medíocre e obscuro, perante a opinião pública. Muitos dos ministros do "Tribunal dos Canastrões da União" são ex-deputados e ex-senadores. Cospem no prato que comeram e muito. Sem reclamar. Lambendo os beiços. Não se tem notícia do balanço das viagens ao exterior dos patriotas ministros, de quanto gastam com diárias, ajuda de custo, etc. No Senado e na Câmara jamais pagaram um tostão para usufruir do plano de saúde. Com direito, ainda, à devolução de grandes quantias. Agora se acham no dever de tornar os servidores do Senado bode expiatório de todos os males do País. Duvido que os imaculados ministros do TCU tenham a coragem e o espírito público de meter o bedelho nos salários dos funcionários e ministros do Judiciário e do Executivo. Por uma razão simples: não dá Ibope.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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RECEITA PARA 2014

Volúvel, ingênuo, instável, infiel, inconstante, desinformado, são adjetivos que facilmente podem qualificar o brasileiro médio quando o assunto é política. Veja-se, agora, o último resultado de pesquisa Ibope sobre o cenário eleitoral de 2014, em que Dilma, após amargar, em julho, uma queda de 58% para 30% em suas intenções de voto, vê, agora, do nada, uma boa recuperação de 8 pontos, retornando ao seu posto de franca favorita à reeleição. O que causa perplexidade ao observador é que, à luz da razão, nada justificou a acentuada queda de 28 pontos em tão curto interregno, já que as manifestações de junho nada mais fizeram que explicitar o que todos nós já sabíamos: desvalorização da moeda, gastos em prioridades discutíveis (estádios, etc.) corrupção, impunidade, péssimos serviços públicos, etc. debitando-se ao governo federal grande parte da culpa por isso tudo. Foi, todavia, preciso o povo ir às ruas para "cair a ficha" de muitos milhões de desavisados Brasil afora - daí a queda brusca nas intenções de voto. De lá para cá, a rigor, o governo nada fez para reverter os motivos que estavam na gênese das manifestações - aliás pelo revés, algumas coisas pioraram! -, o que, todavia, não impediu a parcial recuperação de Dilma. Realmente assim fica difícil fazer qualquer mensuração dada a absoluta irracionalidade da coisa, mas, de qualquer forma, algo ficou bem claro: em 2014 ou as manifestações retornam às ruas, de preferência um mês antes das eleições, e com redobrado ânimo para protestar, ou o PT já pode ir encomendando os champanhes.

Silvio Natal

silvionatal49@gmail.com

São Paulo

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SOBE TUDO

Mais uma nova pesquisa "daquelas" encomendadas, e a presidente Dilma sobe 22 (vinte e dois) pontos sobre a segunda colocada. No desgoverno de dona Dilma, especialista em elevar a inflação, os juros, o dólar e o déficit da balança comercial, só não sobe tudo devido ao PIB, à Petrobrás e à economia, que estão em plena baixa. Como só pensa naquilo (no voto, claro), se não houvesse os programas sociais (bolsas) para ajudar na eleição, a madame do sobe tudo, que como seu "criador" também nunca sabe de nada, jamais teria sido eleita. Quando vai, afinal, começar a governar? Enquanto isso, o País e os brasileiros estão "top top top".

Luiz Dias

lfd.silva@2me.com.br

São Paulo

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IBOPE

A presidente recuperou-se e está cotada por 56% dos votos para a próxima eleição. Acho que para ter melhor credibilidade, a pesquisa deveria informar o porcentual de cada região pesquisada, assim teríamos mais confiança nesse número.

Agostinho Locci

legustan@gmail.com

São Paulo

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DILMA COM OS MESMOS 38%

A mídia anunciou como se fosse a "glória" pesquisa do Ibope para eleições 2014 dando a presidente Dilma com os mesmos 38% anunciados dois meses atrás. O poste subiu nas pesquisas, anunciam! No entanto, dá para perceber que, mesmo com o tal "Programa Mais Médicos", lançado a toque de caixa como planos do marqueteiro João Santana para que a "gerenta" volte aos 56% de antes das passeatas, aparentemente não colou. Infelizmente, praticamente toda a mídia anda aparelhada com o atual governo, independentemente das notícias de queda do PIB, aumento da inflação, dívida externa incontrolável, dívida interna passando dos R$ 2 trilhões, etc. A mídia está sendo conivente para que o desastre Brasil continue, já que decide anunciar o pífio resultado nas pesquisas como se Dilma já tivesse ganhado. E os governistas ainda reclamam da mídia, ameaçando toda hora amordaçá-la!

Beatriz Campos

beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNO OPORTUNISTA

O governo de Dilma Rousseff (nas eleições "se faz o diabo") e o diabo só produzem desgraças, só produzem "fact totens" para ganhar as eleições. Protestos intermináveis contra a espionagem, mais médicos, ainda que despreparados, e por aí vai, como se o povo das ruas tivesse ficado contente com sua conduta. E a saúde sucateada e a educação desarvorada? E a falta de saneamento básico em metade dos lares brasileiros? E a política tributária, que nos faz trabalhar para o governo e seus amigos metade do ano? E a Justiça, que está longe de ser justiça? Basta, nada mais é preciso dizer.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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MISSÃO PARA JOSÉ SERRA

José Serra deveria ter me ouvido anos atrás, quando o aconselhei a abandonar o PSDB. Esse partido não o tem apoiado com honestidade, não o tem valorizado e não representa mais aquilo que os opositores ao PT esperam da oposição. Não sei que partido aconselhar. Está muito difícil fazer uma opção. Um número excessivo de partidos, todos muito maculados, promíscuos e afastados dos ideais do bom brasileiro. Serra, em suas aparições públicas e na TV, terá de ser mais populista e menos exato e técnico em suas colocações. A atual situação promete tudo, sem explicar como fazê-lo e somente cumpre aquilo que no momento lhe parecer oportuno. A situação (PT e inúmeros apaniguados) falam a linguagem das ruas. Falas vazias, machões em suas colocações e descompromissados com a verdade. Serra terá de aprender a lutar com estas armas. Em Roma, faça como os romanos. Depois de eleito, largue o populismo e trabalhe sério como tem sido sua atuação pregressa. Não adianta querer praticar a esgrima quando o oponente luta com canhões. Vamos lá, Serra. Você, neste imenso Brasil cheio de capacidades honradas, certamente não é o único a poder nos tirar do atoleiro da corrupção e gestão mesquinha de nossas aspirações, mas no momento talvez seja o único entre os honrados a se dispor a essa difícil missão.

Martino Thomaz Metzler

tmetzler@uol.com.br

Botucatu

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ROMÁRIO DE VOLTA AO PSB

O ex-jogador Romário vem provando que ainda é um craque. Agora na política. De nada adiantou a marcação cerrada, por zona, do colega Garotinho tentando levá-lo para o PR, seu partido, muito menos homem a homem, ou melhor, mulher-homem exercido pela filha Clarissa Garotinho que deve ter feito várias ofertas como a disputa pela prefeitura do Rio onde poderia ser sua vice. Ele se refiliou ao PSB, de onde tinha saído há poucas semanas. O filho "pródigo" volta ao partido que o elegeu em 2010 e entra em campo muito mais preparado, pois passou a ocupar o comando da executiva regional. Como se vê, o baixinho gostou, mesmo, de fazer gols no campo da política. Isso deve ser melhor que vencer o Flamengo.

João Direnna

joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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CID GOMES, TROCA COM TROCO

Brincadeira? O governador Cid Gomes, milongueiro como é, salvou a "casada". Desligou-se do PSB, de Eduardo Campos, garantiu manter o apoio a Dilma Rousseff e vai ganhar um ministério. Troca com troco!

J. Perin Garcia

jperin@uol.com.br

São Paulo

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LULA ‘NO JOGO’

Lula voltou, "para a desgraça de alguns", como disse ele. Vai começar o jogo sujo, com muitas calúnias, dossiês, "denúncias" e mentiras. Infelizmente, parte da imprensa se presta de mensageira para tais "desgraças", alimentando esse tipo de "política" - que política não é, tratando-se tão somente de banditismo - que só viceja no Brasil e nos seus vizinhos bolivarianos. E isso viceja somente porque há quem aceite fazer o trabalho sujo para os sujos que adotam esses métodos. A guerra imunda vai começar. Foi dado o "salve geral". Quem viver, a partir de agora, verá.

Maria Cristina Rocha Azevedo

crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

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O RECADO DE LULA

Como é de conhecimento público (porque Lula foi o primeiro a admitir) que o ex-presidente Lula não gosta de ler nem de escrever, e sua expressão verbal para isso se coaduna, é de concluir que o artigo publicado no jornal "Diário de Notícias", de Lisboa (27/9/2013) foi escrito por um "ghost writer" a serviço de Lula/PT. Tratando sobre a espionagem que os EUA supostamente cometeram, o articulista diz: "A inadmissível ingerência nos assuntos internos do Brasil e as falsas razões alegadas provocaram a indignação da sociedade e do governo brasileiros. A presidente Dilma Rousseff já questionou diretamente o presidente Barack Obama sobre o problema e aguarda uma resposta convincente, à altura de sua gravidade". Interessante é que não se registrou nenhuma contestação pública a este respeito no Brasil, portanto, é inverdade afirmar que a sociedade expressou tal indignação. Mas que este fato vai ser usado na mídia durante a campanha de 2014 para alimentar o nacionalismo e o antiamericanismo na população, ah, isso vai! Neste outro parágrafo: "O que leva um país como os EUA, tão justamente ciosos da sua democracia e da sua legalidade internas, a afrontar a democracia e a legalidade dos outros? O que faz pensar às autoridades norte-americanas que elas podem e, principalmente, devem agir de modo tão insensato contra um país amigo?". A essa pergunta, com certeza se pode dizer que, se espionagem houve, os EUA se deixaram levar pela preocupação diante da aproximação descarada do governo brasileiro com ditadores tiranos de vários países, tais como Fidel Castro, Ahmadinejad, Bashar al Assad e outros que já partiram para o além. Com certeza foram também as recorrentes manifestações de políticos e da diplomacia brasileira contra o governo americano e os EUA, num "revival" dos anos 60/70 do século passado. Portanto, Lula ou seu "ghost" falar de ação contra o Brasil, um país amigo, é mentira. O Brasil do PT não é amigo dos EUA, ele é amigo, padrinho e patrocinador dos governos populistas bolivarianos de Chávez/Maduro, de Evo Morales, de Rafael Correa, de Cristina Kirchner, do ex-bispo Lugo e dos tiranos governantes africanos, ou seja, esses são os companheiros do governo do PT, numa prova de que a diplomacia brasileira está no patamar mais baixo de toda sua história. O articulista fantasma deixou para o fim a ameaça maior: "Esse episódio e outros semelhantes apontam também para uma questão crucial: a necessidade de uma governança democrática para a internet, de modo que ela seja cada vez mais um terreno de liberdade, criatividade e cooperação - e não de espionagem". Traduzindo isso para o PTidioma, significa que a ameaça de controle social da mídia se estende também ao terreno da internet, onde a liberdade de expressão ainda se faz de maneira absoluta porque o governo, que controla jornais e emissoras com a pressão do patrocínio das estatais e das empresas privadas aliadas, aqui não pode agir. Realmente é verdade que este "ghost writer" de Lula nos trouxe uma mensagem de fazer medo, porque com ela somada aos fatos mais recentes podemos ter a certeza de que eles não vão mais se intimidar diante das leis que ainda nos protegem para impor o que querem: a censura total no Brasil. Socorro, o recado de Lula já foi dado.

Mara Montezuma Assaf

montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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ISENÇÃO NO TRANSPORTE PÚBLICO

Li no "Estadão" que o governo do Estado, em parceria com a Prefeitura, quer mudar a idade de 65 anos para 60 anos ou mais ao isentar a tarifa dos passageiros de ônibus, trem, metrô e viagens municipais. Fiquei admirado com a notícia, porque esses dias eu estava pensando que sim, deveriam aumentar a idade para 70 anos ou mais. E vão diminuir. Essa medida é eleitoreira e demagógica, por causa das eleições de 2014 para presidente, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais. E quem vai pagar essa conta serão os próprios isentos.

Olympio F. A. Cintra Netto

olympiofelix@gmail.com

Bragança Paulista

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CORREDORES DE ÔNIBUS

Os corredores de ônibus, se bem feitos, podem ajudar não só os seus usuários como também os de automóveis. Para isso é necessário planejamento e gestão, a exemplo do que ocorre nas Avenidas Consolação, Nove de Julho, Vereador José Diniz, etc. Por que funcionam? Porque foram feitos do lado esquerdo das avenidas, o que aumenta a velocidade dos ônibus e não atrapalha o fluxo dos automóveis. Pintar as avenidas, como foi feito pelo atual prefeito, qualquer administrador pode fazer. Ele não está preocupado com a melhoria efetiva do transporte coletivo, mas com as futuras eleições. Ele seria bem avaliado se fizesse menos corredores, mas com qualidade. Ninguém se esquece do Prouni, que foi colocado na propaganda eleitoral como grande obra e que não passou de uma terceirização vergonhosa, por falta de investimento de qualidade no ensino público.

Gilberto Prado boas@terra.com.br

São Paulo

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FAIXAS EXCLUSIVAS

As faixas exclusivas para ônibus são mais uma tentativa de amenizar o transporte público caótico da Capital, atacando os efeitos e não as causas. É hilário ver que o governo federal estimula fortemente a venda de carros e a Prefeitura limita sua utilização. Precisa ficar bem claro que a utilização de carros, na grande maioria dos casos, é porque o serviço público é uma lástima e sem carro o cidadão está perdido. O trabalhador também usa seu carro para trabalho e estudo e se sente prejudicado com a segregação, uma vez que parte das faixas exclusivas está subaproveitada, principalmente com ônibus articulados e biarticulados que trafegam com 95% de ociosidade em alguns horários. Por que a Prefeitura não utiliza os mesmos critérios de implantação do rodízio de veículos e faixas reversíveis para estabelecer o uso das faixas exclusivas apenas nos horários de pico, ou seja, das 7 horas às 10 horas e das 17 horas às 20 horas? A fiscalização poderá ser por conta dos marronzinhos que trabalham nesse horário só para multar os que furam o rodízio.

Luiz Francisco A. Salgado

direg@sp.senac.br

São Paulo

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TAXIS NA FAIXA DOS ÔNIBUS

Sugestão: utilizar o mesmo sistema que vigora na Holanda e em outros países europeus. Taxi com clientes utilizam o corredor. Taxi sem clientes não podem, ficam nas faixas normais. Essa regra funciona muito bem há anos.

Niels van den Bergh

nielsvandenbergh@yahoo.com

Santos

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MULTADDAD

Não nos enganemos, "multar" é a verdadeira razão de tanta confusão por tão pouco. Multar, multar, multar e o povo que se lasque. Agora vão aparecer multas por quem virar a direita para sair da avenida. Se a outra era Martaxa, este prefeitinho perdidão e sujeirinha será o Multaddad?

Nelson Pereira Bizerra

nepebizerra@hotmail.com

São Paulo

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SAÚDE E MOBILIDADE URBANA

As necessidade imediatas e de médio prazo demandam soluções distintas. É disso que trata o artigo de Washington Novaes ("Não é só a mobilidade: que faremos com a poluição?", 27/9, A2) ao discutir dados de saúde e doenças desenvolvidas ao longo do tempo em relação ao uso de transporte em região altamente urbanizada. O mesmo Paulo Saldiva, mencionado no texto, já demonstrou que a poluição da região metropolitana de São Paulo não fica restrita a essa área, tendo sido detectados poluentes a 100 km de distância, em São José dos Campos e Jacareí. O carro elétrico é uma solução para centralizar a produção de poluentes, pois no ciclo energético pode ser tão poluente como o diesel, dependendo da origem da energia elétrica, se combustível fóssil, renovável ou da conversão da energia solar. Pagamos um preço alto com nossa saúde para ficar a maior parte do tempo parados ou em baixa velocidade dentro de veículos.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Lorena

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O REAJUSTE DAS POLÍCIAS

A sensibilidade política do governador Geraldo Alckmin deve estar de férias. Propor o significativo aumento salarial aos servidores da Polícia Civil, principalmente dos delegados de polícia deixando a Polícia Militar para depois criou um clima de insatisfação na tropa, desde o soldado até os coronéis, que com certeza irá se refletir no combate aos criminosos, que, aliás, não são poucos em nosso Estado, muito pelo contrário. Evidentemente, todas as carreiras do Estado merecem um aumento, pois na grande maioria dos casos ganha muito, para desempenhar relevantes para a sociedade, entre elas a dos professores e da área médica. Uma das alegações do governador é que os delegados foram enquadrados às carreiras jurídicas e, portanto, terão um aumento maior por causa disso. Numa proposta para as carreiras da Polícia Militar, estão previstos aumentos para os oficiais, exceto os tenentes, para os sargentos e nada para cabos e soldados, além dos 7% já concedidos. Ora, para mim, que não pertenço a nenhuma dessas corporações, é um absurdo sem tamanho, pois exatamente aqueles que estão na linha de frente do combate ao crime e são caçados pelos bandidos não terão aumento. Até parece piada de mau gosto. O que temos de acabar, em todos os níveis do funcionalismo público, é com a indevida valorização da área jurídica em comparação com as demais carreiras do funcionalismo. Posso dar um depoimento pessoal a respeito, pois já com 20 anos na carreira de engenheiro da Prefeitura, no topo da evolução funcional e respondendo por uma diretoria de divisão, em conversa com uma procuradora recém-ingressa e ocupando um cargo de assistente jurídico, ao comparar nossos vencimentos, ela já ganhava muito mais do que eu e o seu comentário nunca mais esqueci: "É muito pouco, afinal engenheiro é quase tão importante quanto um procurador". Ora, todas as carreiras são importantes para a sociedade e não tem por que, a não ser por casuísmo, a carreira jurídica ser mais importante do que qualquer outra, desde o gari até o cientista, por exemplo. O que deve existir é uma escala de vencimentos de acordo com os estudos do trabalhador, aliada às dificuldades inerentes à profissão e às responsabilidades no manuseio de ferramentas e equipamentos. O resto é realmente casuísmo.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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DEVERIAM SE UNIR

Veja o que dá as Polícias não se entenderem e serem usadas pelo governador para criar um clima pior entre elas. Dar aumento a um sem dar ao outro e os que são favorecidos não terem a esperteza de recusarem o aumento se este não for dado também aos outros. Falo tanto da Polícia Militar quanto da Civil. O ganho enganoso de hoje dos delegados, em detrimento dos coronéis, só vai perturbar o futuro, pois a seta do favorecimento poderá se inverter. Os coronéis e os delegados deveriam ser inteligentes o suficiente para se unirem driblando a manobra do governador que visa a separar as polícias de forma que, unidos, aí, sim, teriam força nas negociações.

Valdir Pricoli

cambuci@yahoo.com

São Paulo

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‘BASTARDOS’

O coronel Telhada se reporta ao tempo em que a Polícia Militar batia continência ao delegado de Polícia. De lá para cá, há mais de 60 anos, a Polícia Militar ganhou foro de gente grande e se tornou ameaçadora ao próprio Estado, seu pagador e senhor. Nenhum oficial se predispõe a exibir seu contracheque em confronto com o delegado de Polícia, já que, sem dúvidas, a disparidade é muito grande (para maior), graças aos inúmeros apêndices constantes em suas vida financeira. Ao delegado de Polícia não cabe jogar futebol todas as quartas-feiras, deixando de exercer suas funções, coisa que a Polícia Militar o faz com muita proficiência. O oficialato tem atividade altamente privilegiada, principalmente nas patentes de capitão a coronel. Quem trabalha mesmo é a soldadesca. O delegado de Polícia, agora guindado ao patamar das carreiras jurídicas, espera que o coronel Telhada não jogue pedras no telhado do vizinho e ele, com sua corporação, viva sua própria vida.

Mauro Evaldy de Souza

mauroevaldy@yahoo.com.br

São Paulo

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MAIS EFICIÊNCIA?

Alguém acredita que a equiparação salarial dos delegados a promotores e juízes fará com que aumente a eficiência da Polícia Civil paulista no esclarecimento dos crimes cometidos? Pela quantidade assustadora de delitos não esclarecidos, reajustes salariais não deveriam estar vinculados à produtividade? Ou, mais uma vez, veremos a população apenas servir para pagar a conta deste reajuste salarial, sem ter uma contrapartida?

Odilon Otávio dos Santos

Marília

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A FALÊNCIA DA SEGURANÇA PÚBLICA

O policial federal foi abatido, com um tiro de fuzil, por traficantes que esperavam o avião desovar cocaína numa pista rural de Bocaina (SP) e, na mesma hora, em Iacanga, a poucos quilômetros dali, bandidos explodiam os caixas de um banco e feriam policiais militares. Tornou-se rotina os assaltantes de caixas eletrônicos, antes de atacarem as máquinas de dinheiro, atirar nos postos policiais, nas viaturas e nos próprios policiais, para impedir a reação ao roubo. Recentemente, presenciamos a onda de ataques e execução de policiais, fenômeno que diminuiu mas não acabou. O quadro é preocupante, pois o criminoso, que antes fugia do policial, agora o elimina para continuar livre na sua ação delituosa. A sociedade resta, então, desprotegida e sem ter a quem recorrer. Preocupados apenas com as eleições e interesses carreiristas, os governantes das últimas décadas pouca atenção deram à segurança pública. Podem até ter amolecido, interessados nos votos da bandidagem. O resultado está aí: o crime organizado dominando territórios e segmentos negligenciados. Algo de muito urgente tem de ser feito para devolver a paz e a tranquilidade ao povo. Mas não bastam ação e repressão policial. Há de se encontrar meios de evitar a entrada de drogas e armamentos - que não são produzidos no Brasil - e de minar o poder paralelo. O Estado brasileiro, pelos seus meios, precisa, por exemplo, ter a competência de impedir o porte de armas pelos bandidos, usando a mesma eficiência e energia que emprega em relação ao cidadão de bem. Todos precisam receber tratamento igual, por mais diferentes que sejam...

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

O fenômeno da violência nas escolas vem ganhando graves proporções. Relacionado diretamente com a disseminação do uso de drogas e armas, hoje se tem como fator agravante a distância cada vez maior entre escola e comunidade, mas também devemos considerar fenômenos como a globalização nos moldes de uma sociedade em que apresenta uma completa inversão de valores e a exclusão social. Outro fator determinante é a falta de identidade com a escola, não só pelos estudantes, mas também pelos profissionais de educação, se tornando uma violência de cunho institucional, onde se fundamenta um sistema de normas e regras autoritário: as regras de convivência, o projeto político-pedagógico, os recursos didáticos e a qualidade da educação. O conteúdo não lida com temas básicos que são vividos pelos jovens, ignora a realidade da juventude e o professor pouco consegue flexibilizar o conteúdo e o formato das aulas, não tendo - na grande maioria das vezes - acesso nenhum a ferramentas básicas como laboratórios, quadras e bibliotecas que contribuam para repassar o conteúdo. Enfrentam salas de aulas abarrotadas, professores desvalorizados que não conseguem sequer preparar a aula por serem obrigados a lecionar em mais de uma escola, para com isso, poder ter as despesas custeadas pela profissão que escolheu. Em pleno 2013, a principal ferramenta - ou a única para transmitir o conteúdo - é o quadro de giz, em tempos em que fazem parte do nosso dia a dia equipamentos de alta tecnologia, temos um hiato ascendente entre o que se passa dentro e fora da escola.

Antônio Dias Neme

professorneme@ig.com.br

São Paulo

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