Fórum dos Leitores

LEILÃO DE LIBRA

O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2013 | 02h09

Mau negócio

Se o campo de Libra foi vendido por US$ 15 bilhões, mas, destes, US$ 9 bilhões virão dos compradores internacionais e US$ 6 bilhões sairão da própria Petrobrás, o País arrecadou apenas US$ 3 bilhões com a operação. Mau negócio!

M. CRISTINA ROCHA AZEVEDO

crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis

A partilha do pré-sal

Leilão do petróleo do pré-sal com abertura do leque a empresas estrangeiras não seria crime de lesa-pátria, por constituir a exploração de uma das maiores riquezas do País, que deveria ser inteiramente nossa, e não partilhada? Será que houve pressão externa? Respondam as autoridades sobre essa trágica decisão. Já dizia o grande Monteiro Lobato que "o petróleo é nosso" - e respondeu a processo por suas palavras. E agora perdemos a oportunidade de ficar com "todo o pão", não apenas com uma fatia. Afinal, que país é este que adota um sistema de partilha em tão importante decisão?

JOÃO ROCHAEL

jrochael@ibest.com.br

São Paulo

Marco histórico

O ministro Edison Lobão, a mando da presidente Dilma Rousseff e sob orientação do PT, realmente consagrou um marco na História do País: quebrou o monopólio da Petrobrás no pré-sal!

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

alatieugenio@gmail.com

Campinas

Em campanha eleitoral

No seu discurso de campanha eleitoral (porque isso é o que foi o pronunciamento da presidente sobre o leilão de Libra), Dilma chamou o leilão de "um sucesso", contrariando qualquer pensamento minimamente inteligente. Onde se viu um leilão com um único consórcio concorrente ser sucesso? Isso sem contar que a Petrobrás teve de aumentar sua participação de 30% para 40%. Salta aos olhos a ausência de grandes petroleiras internacionais, que com certeza sabem ganhar dinheiro. Por que será que perderam tão valiosa oportunidade? Outra fala eleitoral: disse Dilma que 85% da renda obtida pela exploração fica com o Estado brasileiro. Que conta é essa? Como o consórcio repassará 41,65% à União, os 58,35% excedentes ficam com ele. Aí a Petrobrás fica com 40% (23,34%). União e Petrobrás totalizam 64,99%. Como ela chegou aos 85%? Só explicando... Já começou a campanha eleitoral para quem pode driblar a lei. Os outros que esperem 2014!

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

Eike Batista 2?

Ouvindo o discurso da presidente Dilma, lembrei-me de Eike Batista, que foi ótimo no discurso virtual e um fracasso no resultado real. A ANP previa 44 participantes no leilão e, fora a Petrobrás, apareceram somente 4 empresas, ou menos de 10% do previsto. Terão a mesma origem as previsões da produtividade esperada do campo de Libra?

OSCAR SECKLER MÜLLER

oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

Os reis da dívida

O Brasil pode se orgulhar de ter a empresa e o homem mais endividados do mundo: a Petrobrás e o empresário Eike Batista. Promessas de lucros fabulosos num futuro distante e incerto elevaram à estratosfera as dívidas de ambos. O empresário não resistiu ao primeiro sopro de realidade e viu seu lindo império desmoronar. Resta saber se a Petrobrás terá melhor sorte quando a dura realidade começar a cobrar os resultados das apostas e os juros da dívida.

MÁRIO BARILÁ FILHO

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

GOVERNO DILMA

Retroescavadeiras

Por que tanta euforia em distribuir retroescavadeiras, se o governo já deixou o Brasil num buraco imenso?

JULIO MARCOS MELGES WALDER

julio.walder@gmail.com

Santos

Pacote de pesquisas

Em respeito aos leitores do Estado, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) esclarece os seguintes equívocos da reportagem Planalto mantém novo pacote de pesquisas sob sigilo (20/10), assinada por Caio Junqueira: 1) A Secom não realiza pesquisas de caráter eleitoral. As pesquisas contratadas pela secretaria buscam descrever as dinâmicas da opinião pública e permitir à Secom aprimorar sua comunicação com a sociedade, conhecer suas demandas em diversas áreas e qualificar campanhas de esclarecimento sobre políticas públicas e programas de governo. 2) Não há sigilo nas pesquisas de opinião pública contratadas pela Secom. Os relatórios e bancos de dados, sem exceção, serão divulgados trimestralmente pelo site www.secom.gov.br a partir de dezembro, como informado à reportagem do jornal. A divulgação trimestral, já adotada em contratos anteriores de pesquisas da Secom, garante transparência, ao mesmo tempo que permite a conferência e análise dos resultados pela equipe técnica, assegurando qualidade na prestação de informações sobre o projeto e rigor administrativo na revisão do processo de contratação de cada pesquisa. 3) A Secom "rejeitou o pedido" feito pelo jornal porque vários projetos ainda não estão concluídos e porque dará acesso isonômico, em seu site na internet, a todos os interessados nos resultados e bancos de dados, no estrito cumprimento da Lei de Acesso à Informação. 4) As regras de divulgação das pesquisas não contrariam entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU), que considera correta a decisão da Secom, ao contrário do que diz a reportagem. Segundo o ouvidor-geral da União, José Eduardo Romão, "a decisão da Secom tem amparo legal para restringir o acesso até que se conclua o processo interno de análise". E acrescenta: "Fiz questão de destacar que a Secom agia corretamente ao estabelecer prazo para divulgação".

JOSÉ RAMOS, secretário de Imprensa da Presidência da República

Brasília

N. da R. - A reportagem do Estado não afirma que se trata de pesquisas eleitorais. Nem o edital da licitação nem os contratos firmados versam sobre o prazo de três meses para divulgação dos dados - o que não foi cumprido na primeira leva de pesquisas realizadas. A Lei de Acesso à Informação permite acesso aos documentos independentemente do cronograma interno da administração. Sobre a avaliação da CGU, ela é clara quanto ao entendimento manifestado pelo ouvidor-geral da União, José Eduardo Romão, em entrevista ao Estado: "A informação é pública, mesmo que o contrato estabeleça que a informação é sigilosa. A CGU já entendeu em casos anteriores semelhantes que esse sigilo não afasta a aplicação da Lei de Acesso à Informação. No momento em que a empresa repassa a informação para órgão público, essa informação torna-se pública".

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O PRIMEIRO LEILÃO DO PRÉ-SAL

O pronunciamento da presidente Dilma em rede nacional de rádio e televisão, sobre o leilão do Campo de Libra, no pré-sal, foi inoportuno, eleitoreiro e não passou de uma encenação para os ouvintes desavisados. Esse dinheiro que vai entrar será para cobrir dívidas da Petrobrás, maior devedora do mundo entre as companhias de petróleo, pela má gestão deste desgoverno petista. Basta lembrar o prejuízo que teve com a Bolívia e a Venezuela, o controle de preços dos combustíveis para administrar a inflação e outras irregularidades, principalmente na era Lula. É bom lembrar, em razão de tanta euforia da presidente, que a área privatizada só será declarada comercial a partir de no mínimo cinco anos, tendo o consórcio vencedor manifestado que a produção deve iniciar somente em 2018/2019.

José Wilson de Lima Costa

jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

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NEGÓCIO DA CHINA

O que será que o governo deve ter prometido por baixo dos panos para este grupo de corajosos que formou o único consórcio que deu o lance solitário no leilão de Libra, pois a falta de concorrentes seria mortal para a propaganda oficial? Mesmo sem concorrência e levando o campo pelo lance mínimo, a desistência de gigantes da área do petróleo é sintomática e evidencia uma grande falta de interesse naquilo que o governo cansou de apregoar como um grande negócio e como a redenção do nosso país. Pela posição do mercado, e só por ter chineses no grupo, esse leilão do pré-sal pode ser chamado de negócio da China.

Ronaldo Gomes Ferraz

ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

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OLHOS ABERTOS

Quando "eçigovernu" anuncia um negócio da China, é de bom alvitre a Nação abrir os olhos...

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

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SEM CONCORRENTES

O leilão do Campo de Libra não teve disputa de concorrentes. Sem lances, sem nenhuma briga, a não ser nas ruas de várias cidades, o resultado está exigindo explicações, tanto do governo como de especialistas, sem levar em consideração a questão político-partidária. Afinal de contas, a Petrobras é do povo brasileiro e queremos repetir mais de uma vez que "o petróleo é nosso". Será que ainda é?

Uriel Villas Boas

urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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UM SÓ

No fundo (do mar), o "leilão" do Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, foi como um páreo no Jockey Club disputado por um único cavalo ou uma corrida de 100 metros rasos com apenas um atleta competindo. No inspirado país do "samba de uma nota só", o governo petista acabou de criar o monótono "leilão" de um concorrente só. Nunca antes na história se viu algo semelhante. Não teve a menor graça.

J. S. Decol

decoljs@globo.com

São Paulo

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VENDA

Propaganda enganosa à parte, Libra não foi leiloado. Foi vendido.

Roberto Twiaschor

rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

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DE ONDE VIRÁ O DINHEIRO?

Dona Dilma, o leilão foi um brilhante evento para efeito político eleitoral, parabéns. Tenho de reconhecer que foi uma "jogada" perfeita, para quem não tinha nenhum "coringa". Aqui entre nós, vemos, no entanto, a aparência de um estranho arranjo, justamente para que o espetáculo fosse completo e a senhora pudesse ir à TV comemorar, ou seja, anunciar à plebe ignara para disso se lembrarem nas próximas eleições. Mas vamos falar com clareza. Não houve leilão, e isso é ruim, uma enganação para o povo. A coisa toda foi armada na surdina e a senhora iludiu a todos com o arranjo feito. Aliás, mal feito, se me permite, pois saiu pelo valor mínimo, não houve disputa nem lances maiores, porque não houve leilão. O Brasil perdeu, vendeu barato sua riqueza apenas para que ela seja estatal e a senhora tenha um trunfo político, o que a plebe não entenderá completamente. Vejo que neste caso foi indispensável a participação privada para completar o seu intento, finalmente reconheceu a importância disso. E agora, dona Dilma, findo o espetáculo, de onde virá o dinheiro? É sabido que a Petrobrás está sem dinheiro. A própria empresa declarou que por falta de recursos deixou de fazer manutenção em Campos, o que reduziu a produção de petróleo para o País, tendo-se de aumentar a importação. Diante desse quadro, aflige a informação do Bank of America Merrill Lynch de que a Petrobrás é a empresa que mais deve no mundo. Tenho curiosidade de saber de onde virá o dinheiro.

Fabio Figueiredo

fafig3@terra.com.br

São Paulo

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VELHOS VÍCIOS

Não é fácil aguentar Dilma repetindo as "bravatarias" de seu antecessor a qualquer horário na TV. Em horário nobre, então, é simplesmente insuportável, principalmente quando, de forma intencionalmente hipócrita, tenta mais uma vez enganar os brasileiros. Senão, vejamos: enquanto a Petrobrás no leilão de Libra ficou com 40%, os demais sócios ficaram com os 60% restantes. Em petróleo extraído, 41,65% serão do Brasil, logo, 59,35% sobrarão para os sócios. Todavia, é sobre os 59,35% que incidirão os 40%. Assim, na realidade, a Petrobrás tem 23,74% sobre o petróleo total, que, somados aos 41,65%, perfazem 65,39%, e não 86%, como trombeteou solenemente a presidente, demonstrando que é muito mais fácil seguir velhos vícios do que aprender a governar.

Carmela Tassi Chaves

tassichaves@yahoo.com.br

São Paulo

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MATEMÁTICA EQUIVOCADA

Lendo a edição de ontem do "Estadão", fiquei extremamente surpreso com a profusão de números a respeito da parcela de renda da produção de petróleo do Poço de Libra que caberá ao Brasil: segundo a presidente Dilma Rousseff, será de 85%; de acordo com Magda Chambriard, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), superará 80%; conforme o colunista deste jornal, Celso Ming, resultará, precisamente, em 81,65%. Pelo resultado de meus cálculos, corresponderá a apenas 64,99%... Nada contra o resultado do leilão, mas é surpreendente como tanta desinformação sobre o maior poço de petróleo a ser perfurado em território brasileiro venha a público por intermédio de altas autoridades do País.

Flavio Luz

luz.flavio@uol.com.br

Barueri

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BANHO DE REALIDADE

Após este verdadeiro orgasmo precoce representado pela conclusão da nova modalidade de concorrência, ou seja, "sem concorrentes", que tal o governo tomar um banho frio de realidade? Afinal, serão necessários uns dez anos para que seja estabelecido um fluxo de produção. É claro que os próximos anos serão fartos em propaganda, mostrando os bravos petroleiros na faina de buscar o ouro negro nas profundezas do pré-sal, mas produção lucrativa, se é que haverá, vai demorar. Então que tal se dedicar a outras fontes de energia, muito mais líquidas e certas, como o etanol? Por falta de incentivos, quase nenhuma pesquisa tem sido feita sobre a álcool-química, por exemplo, que é riquíssima. Com todas as nossas terras agriculturáveis praticamente o ano todo, estamos prestes a sofrer o vexame de sermos suplantados na produção de etanol pelos Estados Unidos.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

rodrigues-nestor@ig.com.br

São Paulo

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LEILÃO E PIROTECNIA PETISTA

A presidente Dilma, em plena campanha eleitoral de 2010 arrotou o seguinte: "Privatizar o pré-sal é crime". E, provavelmente sofrendo de amnésia, esqueceu aquela sua afirmação e privatizou o poço de Libra, que é do pré-sal. E, diga-se, num leilão como jamais visto na história deste país, ou seja, sem nenhum concorrente. Pode? E, mesmo com este sonso leilão, apesar de ter sal no nome, enquanto o Palácio do Planalto, em festa pelos míseros e tão esperados R$ 15 bilhões arrecadados, sendo R$ 6 bilhões destes responsabilidade da combalida Petrobrás, Dilma pediu licença aos camaradas e mais uma vez infernizou as grades dos programas das TVs e das rádios e fez um pronunciamento em cadeia, não mais antes do "Jornal Nacional", porque ela não se parece boba, mas no início da novela das nove. Dá mais Ibope, irmão. E como se estivesse em pleno horário eleitoral gratuito, a presidente falou pelos cotovelos e ainda soltou uma pérola desgastada muito a gosto dos petistas: "Vamos transformar o petróleo em educação e petróleo em saúde". Ora, se em 11 anos no poder o PT de Lula e Dilma não conseguiu avançar na qualidade da educação e da saúde, transformando-as num caos maior ainda, mesmo arrecadando muito, esses R$ 300 bilhões que serão destinados pelo Fundo Social do Pré-Sal aos dois setores citados na fala da presidente não vão fazer nem cócegas, e estão mais para uma pobre gorjeta. Então vejamos, esses R$ 300 bilhões estão previstos para serem arrecadados em 35 anos. E lógico, depois do início das operações de prospecção do campo de Libra, inicialmente programado para 2019. Sendo 75%, ou R$ 225 bilhões, para educação e outros R$ 75 bilhões para a saúde. Se nós temos algo próximo a 40 milhões de alunos nas escolas públicas (creches, pré-escola, fundamental, ensino médio e universidade), isso sem falar em melhores salários para os milhares de professores da rede pública, esses R$ 225 bilhões simplesmente vão gerar a mais para a educação R$ 6,43 bilhões por ano, ou R$ 161,00 per capita por aluno anualmente. E para saúde com os R$ 75 bilhões prometidos em 35 anos, e com um potencial mínimo 140 milhões de pacientes que podem ser atendidos pelo SUS, dos 200 milhões de habitantes que temos, ficará uma merreca de R$ 2,143 bilhões por ano, e os ofensivos R$ 15,40 por paciente também por ano. Essa é infelizmente a farsa da verba prometida de que ufanamente o governo Dilma fará uma verdadeira revolução na educação e na saúde. Essa promessa é caso de polícia. Ou, comparadas àquelas dos camelôs que só vendem ao público produtos pirateados e sem nenhuma garantia. É uma afronta à Nação esta fala da presidente! E que certamente foi aplaudida pelos camaradas e aliados do PT. Certo mesmo é que estamos verdadeiramente órfãos de um governo, que há muito usurpa a paciência e a inocência de milhões de brasileiros. E é bom frisar que, se a exploração do gás de xisto, como fazem com sucesso os EUA, crescer também pelo mundo afora, o resultado que se espera do pré-sal poderá naufragar, porque o barril de petróleo pode ser vendido a preços de liquidação ou na bacia das almas. Lógico que essa possibilidade não está no radar dos petistas, porque somente lhes interessa embromar os eleitores até outubro de 2014, reelegendo Dilma, e tentar se perpetuar no poder.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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OS NEGÓCIOS DE DILMA

Dilma privatiza o petróleo, mas nega dizendo que fez concessão. Entretanto, na campanha eleitoral, afirmou que privatizar o pré-sal seria um crime e que o pré-sal era nosso passaporte para o futuro. E privatizou anteontem o Campo de Libra, o maior do pré-sal. A presidenta agora diz que o Brasil vai ficar com 85% da renda de Libra. Ora, o Brasil ficou com 40% do petróleo de libra e doou para as multis 60%, como vamos ficar com 85% da renda? Esses números não batem, alguém está mentindo nessa história. Para entender o leilão de Libra: você descobre um tesouro no terreno de sua casa, mas, como você é muito bonzinho, doa mais da metade do tesouro, 60%, para vizinhos ricos. E também, como você não consultou o restante de sua família, dona Dilma não consultou os brasileiros para fazer essa doação. A presidenta em rede nacional diz para os brasileiros que fez um excelente negócio. Diferentemente dos portos e aeroportos, nos quais o governo fez concessão por 30 anos e, ao final, o Estado pega de volta os ativos, no petróleo é privatização mesmo, pois, depois de 40 anos de concessão, prazo concedido pela ANP, nada mais vai restar do Campo de Libra, todo o petróleo do campo já estará produzido e vai restar para os brasileiros somente o passivo ambiental. Dilma não somente está doando nosso petróleo, como também está leiloando os terminais da Petrobrás, pois dia 25/10 tem leilão dos terminais de São Paulo, do Norte e Nordeste. Os terminais foram construídos nos 60 anos da Petrobrás com pesados investimentos públicos, e agora dona Dilma manda para leilão. Na Petrobrás da Dilma nós, brasileiros, vamos pagar aos empresários para utilizar os terminais que eram nossos. Outro aspecto a ser questionado é a presença de somente um consórcio no leilão. Leilão pressupõe disputa, e isso não houve. Dilma, prevendo os protestos, convocou as Forças Armadas, vergonhosamente usou o Exército brasileiro para defender os interesses da Shell (holandeses/britânicos), da Total (francesa) e das estatais chinesas. E a mídia disse que quem protestou contra o leilão de Libra na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, são baderneiros!

Emanuel Cancella

emanuelcancella@uol.com.br

Rio de Janeiro

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EXAGERADAMENTE OTIMISTA

A recente disputa pela exploração do petróleo em território brasileiro, com as polêmicas e incertezas em torno do leilão do Campo de Libra, conclamado pelo governo como um marco histórico, trouxe à tona novamente um forte embate político, econômico e, sobretudo, ideológico, outrora já estampado nas páginas de nossa história nacional. Se em 1935, o País assistiu à polêmica entre o escritor Monteiro Lobato e o governo Getúlio Vargas, resumida na famosa Carta a Getúlio, com o País em seguida dividindo-se entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro (apelidados pejorativamente de entreguistas por seus opositores), desta vez, nem o alerta do diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás, de que a licitação do Campo de Libra é contra os interesses nacionais, foi capaz de conter os ânimos. O que se viu foi o governo brasileiro com suas manobras discursivas apressar-se rapidamente a favor do atual leilão, dizendo que não se tratava de uma questão de privatizar o "nosso petróleo". O fato é que a fala da presidente Dilma Vana Rousseff, em rede nacional, defendendo o leilão de Libra como um marco histórico, timidamente levanta a bandeira em defesa do petróleo nacional, mas descaradamente é incapaz de esconder as máscaras de seu discurso exageradamente otimista. Discurso que se esforça na tentativa de camuflar e desviar o foco da real situação dos caixas da Petrobrás, a maior estatal brasileira e também a maior devedora do mundo entre as companhias abertas não financeiras, de acordo com o Bank of America. Agora, se o governo está entregando ou não nas mãos de empresas estrangeiras uma riqueza preciosa que pertence ao povo brasileiro, lembremos à nossa presidente de que junto com a bandeira do "nosso petróleo" também está hasteada a bandeira do enorme rombo na contas da Petrobrás - somados mais de US$ 112,7 bilhões apenas no fim do segundo trimestre de 2013. E a sociedade brasileira mais uma vez é quem arcará com essa dívida - construída pela incompetência e fracasso das atuais políticas econômicas de nosso país.

Emanuel Angelo Nascimento

emanuellangelo@yahoo.com.br

Osasco

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LEILÃO DO BRASIL

Começou o leilão do Brasil. A primeira peça foi o nosso petróleo (que para nós, os donos, é o mais caro do mundo). O Estado vai receber de bônus uma fortuna para ser usada em grandes investimentos para os brasileiros. Hahahahahaha, a felicidade da presidente, contando aos brasileiros o quanto nós vamos receber em educação, cultura, saúde, etc., etc., etc. quase me contagiou, mas eu me lembrei de que, como sempre, somente eles (o cappo de tutti cappi e seus mafiosos) é que vão aproveitar do trilhão e nós, o povo, só vamos continuar recebendo nada de nada. Continuaremos sem saúde, sem educação e sem cultura, como o governo quer, um povo que não sabe ler nem escrever o próprio nome. E quando abrir os olhos, se tornará escravo como seus ancestrais.

Neusa Carmen

neusacarmen@yahoo.com.br

São Paulo

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AVENTURA COMPENSATÓRIA?

Finalmente se concluiu o leilão da exploração da camada do pré-sal, reserva petrolífera gigantesca para nós, brasileiros, ávidos de sermos autossuficientes na produção e refino do óleo negro. Por enquanto tudo bem, nada menos do que 7 mil metros de profundidade, mais um tanto de camada salina, para aí, sim, chegarmos ao tesouro. À primeira vista parece fácil, mas será que o consórcio vencedor será capaz tecnicamente de fazer tal exploração sem agredir o meio ambiente? Com as projeções atuais de novas perspectivas energéticas, para movimentar futuramente veículos de todos os tipos, será que o petróleo será viável financeiramente nestes anos todos da concessão? As tão badaladas compensações exigidas pelos municípios, que se autodeterminam prejudicados pela vizinhança da exploração e suas consequências, vão aplicar decentemente os valores compensatórios astronômicos, que receberão do governo? Ou simplesmente diluirão toda a grana em chafarizes, escolas de samba ou outras destinações, que simplesmente humilham os milhares de municípios brasileiros que não veem a cor da grana, mas pagam caro às consequências danosas da poluição atmosférica. Na parte político-partidária, o governo petista está tirando proveito momentâneo da situação, apostando tudo o quem tem direito na reeleição da presidente, mas o futuro só a Deus pertence, porque, se a aventura vingar, a presidente e seu partido terão os louros, mas, ao contrário - Deus nos livre desse desastre -, quem pagará a conta é toda a nação brasileira e o Oceano Atlântico como um todo. Não podemos nos esquecer do desastre no Golfo do México. Lá, com um gasto colossal de centenas de milhões de dólares, as gigantes conseguiram dominar vazamentos e despoluir as águas do Golfo. Que Netuno proteja nossos mares e que Deus proteja o povo brasileiro.

Aloisio A. de Lucca

aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

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FIM DE FEIRA

Antes um semi-alfabetizado, palanqueiro de periferia, dizia que levaria a sugestão do SUS a Obama, e a ignorância popular aplaudia; agora, a ex-gerentona de uma falida loja de R$ 1,99 vem a público dizer que a licitação da concessão da maior reserva de petróleo do País pelo valor mínimo, num leilão aberto ao mundo, mas com apenas um consórcio participando, foi um magnânimo sucesso. Tenham senso do burlesco em Brasília, não passem para a história a figura do ridículo que em muito já suplanta a vigorosa incompetência que os abarca. Edison Lobão é boi de piranha se dado a profissionais da área, graças devemos ainda ter por ter Graça Foster na direção da Petrobras, pois, caso contrário, Guido Mantega estouraria a estatal em meses. Nunca antes na história de qualquer país se viu tamanha crise causada pela incompetência instalada no poder fruto da mais medíocre politicalha instalada no cerne do que deveria ser o comando de um Estado. Ao que se vê exemplarmente com a Petrobrás, este país demorará décadas para tão apenas se recuperar do legado daquele partido que se dizia da ética, e que até hoje nada apresentou a não ser uma imensa horda de lacaios e incompetentes arruinando a vida de milhões de pessoas decentes por anos a fio.

Oswaldo Colombo Filho

colomboconsult@gmail.com

São Paulo

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QUEM ACREDITA?

As explicações do ministro Lobão sobre o leilão de Libra são tão verdadeiras quanto a cor dos seus cabelos.

Ernesto F. Prado de Almeida Guidon

guidon2011@gmail.com

São Paulo

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POVO, POBRE POVO

Polêmica em Penápolis: litro de etanol caiu de R$ 1,76 para R$ 1,07, atraindo freguesia da cidade e de fora. Dois postos acirraram a queda para não perder clientes. Há gritaria de concorrentes, que também baixaram os preços, mas os custos são elevados: prejuízo de R$ 900 a cada mil litros vendidos. Cinco funcionários já foram dispensados dos postos sem clientela. Culpa da Petrobrás, porque, enquanto o álcool tem valor e preço de mercado, a gasolina tem tarifa e subsídio, pago até por quem não tem carro.

Moacyr Castro

jequitis@uol.com.br

Ribeirão Preto

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PLANOS DE SAÚDE

Seria cômica, se não fosse trágica a notícia de que o governo está disponibilizando 87 novos procedimentos a serem cobertos pelos planos de saúde. A notícia vai encarecer ainda mais os planos, que continuam cortando todos os tipos de procedimentos dos quais os pacientes necessitam. Basta fazer uma pesquisa para notar que, quanto mais os planos cobram dos clientes, menos acessos eles têm aos procedimentos. O Brasil e um país onde a fiscalização não acontece, os donos de planos têm sempre razão e o conveniado, quando precisa de tratamento, ou tem seu pedido negado ou morre antes de ser atendido, e os remédios, quando disponíveis, são roubados de dentro dos hospitais.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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FAZENDO CONTAS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mostra que não entende nada de cálculos, não é sua área mesmo. Com mais esta medida eleitoreira para ver se alavanca sua presença na mídia, vem dizer que as medidas de novos procedimentos para os planos de saúde vão aumentar muito pouco as mensalidades, o que é uma mentira. Tenho plano no regime antigo, antes de 1998, portanto sem poder usar procedimentos novos, mas minha mensalidade é aumentada bem acima da inflação (9,04%), com certeza para cobrir estes tais procedimentos de que não posso usufruir. E, se o sr. for ler o contrato (Termo de Compromisso) das operadoras com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), verá nas entrelinhas que elas "justificam" seus aumentos maiores que a inflação e o governo (ANS) aceita. Não fazem distinção do tipo de plano que usufruirá destes benefícios. O ministro Padilha não deve precisar de plano de saúde.

Tania Tavares

taniatma@hotmail.com

São Paulo

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REEDUCAÇÃO POLÍTICA

A saúde não precisa de mais dinheiro, e, sim, de melhorar a distribuição e fiscalização desses recursos já existentes. Uma gestão mais competente resolveria, pois a saúde tem o segundo maior orçamento da União. Não cabe impor mais sacrifícios, o que pagamos de impostos já passou do limite razoável em face dos custos para nossa sobrevivência. Os constantes aumentos, muitas vezes abusivos, na alimentação, nos planos de saúde e remédios, tornam muito difícil a vida do contribuinte. Temos de pensar na reeducação "política" dos próprios políticos para vislumbrar um futuro democrático melhor para nossa população.

Odiléa Mignon

cardosomignon@gmail.com

Rio de Janeiro

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GRANDES PRIVATIZAÇÕES

O "Estadão" publicou ontem, em seu caderno de Economia (página B4), que o Banespa foi privatizado em 2000 pelo Santander por R$ 7 bilhões, com ágio de 281% sobre o preço mínimo e pago com o cheque 021503-Santander, que causou na ocasião um frisson nos meios financeiros de São Paulo. A bem da verdade, a realidade do negócio foi bem diferente: cerca de 40 dias antes da privatização, o Banco Central, através de sua Secretariado do Tesouro, liberou ao então estatizado Banespa a vultosa importância de R$ 4 bilhões de títulos federais, nominativos e inalienáveis que, segundo o Senado brasileiro, seriam destinados ao passivo trabalhista de cerca de 14 banespianos aposentados. Apesar disso, o Banco Santander ainda conseguiu congelar o salário desses aposentados por quase seis anos. Ora, a consequência desse ato causou aos aposentados um desequilíbrio brutal em seu padrão de vida e auferiu ao banco espanhol lucros astronômicos que, segundo entendidos, ultrapassam a bagatela de R$ 20 bilhões.

Alfredo Vaz Netto

alfredovaz@terra.com.br

São Paulo

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TERRORISMO E ESPIONAGEM

Em 11/9/2001 aconteceu o abominável atentado às Torres Gêmeas, que tem servido como desculpa para o governo americano tomar medidas flagrantemente ilegais, como o uso de drones e a invasão de privacidade de pessoas, firmas e governos estrangeiros e no próprio país. Desde então, gastaram-se trilhões de dólares em segurança, o que aumentou drasticamente o déficit público e proporcionou lucros enormes a firmas particulares. Na verdade, felizmente, houve somente a ocorrência de pífias ações terroristas em solo americano, com exceção do lamentável atentado em Boston, que causou a morte de três pessoas. Em contrapartida, corriqueiramente acontecem massacres em escolas americanas que causaram a morte de centenas de pessoas e é lamentável verificar que, nos EUA, estudantes se mostram mais perigosos que terroristas, sem que, em favor de uma poderosa indústria, seja tomada a medida simples e efetiva do controle de uso de armas. Por outro lado, são inadmissíveis o castigo de 35 anos de prisão para Bradley Manning e a caçada desesperada a Edward Snowden, simplesmente por terem levado ao conhecimento do mundo ações ilegais realizadas pelo governo americano. Criminosos são os que praticaram as ações, e não os que a denunciaram.

Wilson Haddad

wilson.haddad@uol.com.br

São Paulo

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A FRANÇA ESPIONADA

Chocante a revelação da espionagem americana na França, com a devassa de arquivos empresariais e segredos militares e diplomáticos. Os franceses detestam espiões e, por muito menos do que isso, Dreyfus, embora inocente, foi condenado a longos anos de prisão na Ilha do Diabo e Mata Hari foi fuzilada. Que farão agora?

Arsonval M. Muniz

arsonval.muniz@superig.com.br

São Paulo

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TEATRO

As recentes acusações, desta vez do governo francês, sobre as espionagens dos norte-americanos, mostra de que o teatro diplomático avança, especialmente em países com graves problemas financeiros como o Brasil, em mudar o foco mostrando-se ao eleitorado, desiludido com as promessas de campanha, de que o governo é vigilante na soberania nacional. Todavia, deixam de informar de que as denúncias partiram de Edward Snowden ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA. Se a nossa segurança dependesse de nossos serviços de inteligência, pobres de nós. Entre tantas, como da explícita corrupção diariamente na mídia, até hoje não conseguiram bloquear do uso de celulares em presídios de segurança máxima.

Mario Cobucci Junior

maritocobucci@uol.com.br

São Paulo

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ESPIONAR O QUÊ?

Que fase estapafúrdia! Ladrões de cães, vândalos a pedir tratamento psiquiátrico, biografias (fofocas?) em pauta, sigilo em pesquisas que pagaremos (similares a tantos "negócios sigilosos", que tanto nos custam), mensaleiros a dar palestras, marqueteiro orientando presidente, Petrobrás à mercê da demagogia, etc., que vergonha! Alguém nos espiaria por outro motivo senão de se divertir?

André C. Frohnknecht

anchar.fro@hotmail.com

São Paulo

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A LIBERDADE DE IMPRENSA EM PERIGO

A 69.ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada em Denver (EUA), tratou, em especial, do cerceamento à liberdade de imprensa pelos Estados e Nações integrantes da América Latina, sob o pretexto de que se trata (a imprensa) de um "serviço público", segundo declarou à imprensa internacional o presidente da entidade, Jaime Mantilla. Os brasileiros precisam ficar em estado de alerta, porque este é o prato desejado pelo PT e penduricalhos, defensores do controle do conteúdo do noticiário da mídia no País. Ressalte-se que ninguém pode transformar o pensamento humano em serviço público, porque seria a pior espécie de escravidão e geraria revoltas, revoluções e muitas mortes. A partir do momento em que não se possa criticar ou apontar mazelas de um governo, então estará o absolutismo implantado, homenageando-se a Idade Média e épocas obscuras posteriores. E, ainda, a Declaração dos Direitos Humanos, ícone da liberdade de agir do mundo, será rasgada e jogada na lata do lixo das republiquetas que não podem conviver com a liberdade e com as palavras dos homens livres e pugnadores de uma ética construtiva.

José C. de Carvalho Carneiro

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

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SUBORNO INDIRETO

O governo federal exagera nas propagandas de estatais, como Banco do Brasil, Petrobrás, Correios e Caixa Econômica, pela televisão, e, para a imprensa escrita, nada! É sabido que todos os brasileiros assistem a TV, mas nenhum periódico atinge 1% da população. Nenhuma TV fala mal do governo. Pudera, o "fale mal e eu corto a verba" está implícito. A prova contundente é que ninguém culpa dona Dilma pelo desmando e crime que corre solto. Assim como Nero, ela sorri enquanto os ônibus pegam fogo.

João Carlos Angeli

j.angeli@terra.com.br

Santos

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ENTRAVES NO SETOR INDUSTRIAL

Após o Congresso Nacional aprovar a continuidade do adicional de 10% do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), criado em 1990, pago nas demissões sem justa causa, surge agora uma nova aprovação do Senado, e que será encaminhada à Câmara federal: o empregador pagará integralmente a despesa de transporte do trabalhador. Cobranças como essas, mais os 85 tipos de impostos, taxas e contribuições, com o que as empresas brasileiras gastam em média 2.600 horas por ano - conforme o Banco Mundial - para dar conta de suas obrigações com o Fisco, são as razões da falta de competitividade dos produtos manufaturados brasileiros no comércio exterior. Para o empresariado, essas dificuldades só confirmam o resultado da pesquisa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi): investir no Brasil no momento é muito caro e de grande risco para o investidor.

Edgard Gobbi

edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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A REMUNERAÇÃO DO FGTS

O governo é maquiavélico em relação o FGTS. Paga aos trabalhadores aproximadamente 30% a menos de rendimento e com essa apropriação faz caridade ao povo (inclusive trabalhadores). A casa própria construída com esse recurso (que deveria ser de trabalhador), financiada com juros subsidiados, beneficia alguns e prejudica a grande maioria dos depositantes. E não quer abrir mão da multa adicional de 10%... No fim das contas, o grande beneficiário dessa situação são os bancos públicos.

Minoru Takahashi

minorutakahashi@hotmail.com

Maringá (PR)

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COVARDIA POLÍTICA

Baseado em informações do Instituto FGTS Fácil, o "Estadão" publicou na edição de 19/10 texto com o título "O FGTS remunera mal os trabalhadores", caracterizando como distorção a remuneração paga pelos depósitos mantidos em conta vinculada - "a mais baixa entre as diversas aplicações de renda fixa, como fundos e depósitos de poupança", incapaz, sequer, de preservar o poder aquisitivo dos depósitos originais no fundo". O referido texto peca por dar ouvidos ao tal instituto - entidade de natureza e finalidade políticas e, também, por reincidir no equívoco de pretender comparar resultados financeiros de um fundo de natureza social e risco zero com os resultados de fundos de capital de natureza especulativa e que sujeitam os investidores a perdas decorrentes da manipulação dos mercados. O famigerado Instituto FGTS Fácil notabilizou-se nos últimos anos por parasitar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e por ser usado pelas entidades sindicais que sonham com a divisão dos recursos e administração de parte do dinheiro do FGTS e dos bancos e bolsas que almejam lançar mão dos bilhões de reais custodiados pelo fundo. Além disso, serve de canal para a obtenção de milhões de assinaturas de apoio a um projeto de lei proposto pela histriônica senadora Marta Suplicy que prevê o aumento da remuneração dos depósitos sem informar a fonte dos recursos, ao mesmo tempo que propõe a divisão de parte das reservas próprios do fundo e, literalmente, exclui do FGTS os trabalhadores com mais de 50 anos de idade. Cabe ressaltar que "nunca antes na história deste país" nem mesmo as entidades patronais tiveram a coragem de fazer semelhante proposta. Quanto aos rendimentos, reiteramos que é covardia política enganar o trabalhador ao tratar como simples fundo financeiro um instrumento legal de natureza jurídica indenizatória, com objetivos sociais legalmente definidos e que mantém a base de todos os demais direitos trabalhistas. A análise do FGTS sob o ponto de único da rentabilidade distorce o debate e esconde enorme risco de prejuízos ao trabalhador, além de servir a interesses escusos e jogar os trabalhadores contra o fundo. Basta lembrar que esse aumento da rentabilidade requer a aplicação dos recursos do fundo no mercado aberto, com a intermediação dos grandes bancos públicos e privados que, a julgar pela quantidade de dinheiro que perderam no conto de vigário das empresas X não demonstram estar preparados para a demanda. Por tudo isso, O FGTS deve ser mantido com rendimento compatível com sua função social (o que justifica a sua existência), devendo os gestores buscar meios para a aplicação de parte dos recursos em ações de companhias comprovadamente rentáveis para melhorar a remuneração dos saldos, sem a transferência dos riscos e em favor de todos os trabalhadores.

Mauro Antônio Rocha

mauroantoniorocha@gmail.com

São Paulo

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CONFLITO NO CONGO

Impressionantes os relatos da jornalista Adriana Carranca, do "Estadão", sobre o conflito no Congo e a tragédia de milhares de meninos sequestrados e recrutados à força para fazerem parte de um exército que ataca, mata, tortura, dizima crianças e jovens além de toda a população congoleza com uma crueldade que se chega a pensar como isso é possível nos dias de hoje. Ler estas reportagens ao longo destes três dias fez doer o coração até porque o tamanho da impotência é tão grande que qualquer ajuda humanitária que se pense em promover parece impossível. O depoimento do menino Jacques, apresentado pela jornalista na terça-feira (22/10), traz a dimensão do drama e do inferno a que estão submetidas estas crianças e suas famílias. O mundo inteiro deveria estar voltado para a solução desta monstruosidade que ocorre pela ignorância, ganância, corrupção e todos os instintos mais primitivos cabíveis na natureza humana, mas que geralmente encontra nos padrões culturais, um freio necessário à sobrevivência da espécie num sistema de autodefesa. Esse mecanismo, entretanto, parece ter falhado no Congo. Resta ao mundo ajudá-los a resgatar o mínimo de humanidade contida e retratada neste menino. Por favor, é preciso que se faça algo. O mundo não pode assistir impassível e indiferente a tanto sofrimento. Sabemos que há forças de paz tentando intervir. Mas é preciso uma ação mais efetiva e urgente por parte da ONU e pressão das sociedades civis do mundo inteiro. Parabéns à jornalista Adriana Carranca pela pungente reportagem que, espero, tenha mobilizado no governo brasileiro e em seus agentes públicos, e também nos leitores, um mínimo de solidariedade e compaixão. Nenhum país é uma ilha em que sofrimentos dessa ordem não nos afete. Se tanto mobilização se faz por cãezinhos usados em experimentos científicos, como situações relatadas como estas sequer são objeto de uma única manifestação por parte de pessoas que poderiam divulgar tais atrocidades perpetradas contra crianças, adolescentes, mulheres, homens, idosos, enfim, contra seres absolutamente indefesos? Que tal nos preocuparmos também, e sobretudo, com o que acontece no continente africano, origem e berço de tantos irmãos brasileiros?

Eliana França Leme

efleme@terra.com.br

São Paulo

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PESQUISAS COM ANIMAIS

Acho estranho ver militantes dos direitos dos animais preocupados em invadir o Instituto Royal, em São Roque, cidade do interior do Estado de São Paulo, para libertar cachorros da raça Beagles, mas não perceber o mesmo tipo de interesse quanto ao planejamento de uma invasão ao Instituto Butantan, localizado na capital paulistana, para libertar, por exemplo, cobras, escorpiões e aranhas. Será que a indignação dessa gente é "seletiva"? Quem sabe, depois da "farra" em que foi transformada a invasão do Instituto Royal, alguns até tenham programou uma churrascada para comemorar o êxito midiático da empreitada, consumindo muita costela de boi, coxa de galinhas, lombinho de porco, peixe na brasa e "otras cositas más"...

Júlio Ferreira

julioferreira.net@gmail.com

Recife

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‘LADRÕES DE COBAIAS’

O "Estadão", sempre, e com razão, crítico das falcatruas deste governo, acredita realmente que as informações dadas pelo Instituto Royal e pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), de que existe rigorosa fiscalização sobre as condições das cobaias no dito instituto, são de fato reais (22/10, A3)? Com as notícias veiculadas pela imprensa todos os dias sobre o que ocorre na calada da noite e com R$ 5,25 milhões envolvidos, sei não!

César Araujo

cesar0304araujo@gmail.com

São Paulo

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ORA, LEIS!

Então, o Instituto Royal seguia as normas e estava agindo dentro da legalidade, seguindo, portanto, a lei (que, segundo o "Estadão", os ativistas teriam desrespeitado). Pergunto: que lei? Para que lei? Vejamos: os bandidos são sabidamente foras da lei; os políticos e demais poderosos estão acima da lei (alguém discorda?) e os outros (nós todos) não precisam da lei (porque são corretos). Usar cachorrinhos para testar produtos, sobretudo medicamentos, que rendem zilhões para poucos (a indústria farmacêutica é poderosíssima e faz o que quer no mundo todo), para as pessoas decentes, não parece nada decente.

Maria Elisa Bifano

melisabifano@uol.com.br

São Paulo

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FAZ SENTIDO

Concordo que não se utilizem animais para satisfazer aos caprichos humanos: para pesquisa, puxar carroça, corridas, cheirar cocaína, prender em gaiolas, expor em zoológico, virar sapatos, tomar o leite de seus filhos, etc., etc. Assim, também, não devemos comprar móveis de madeira de árvores sacrificadas ainda vivas. Um senhor almoçava um suculento bife quando um boi parou à sua frente e começou a chorar. Tinha sentido o cheiro da vaquinha sua mulher.

Alfredo Muradas Dapena

alfredomdapena@gmail.com

Rio de Janeiro

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COBAIAS

Cobaia pode ser qualquer animal ou pessoa que se usa em experimentos científicos ("Houaiss"). Os nazistas, por exemplo, usavam os judeus e justificavam! O Instituto Royal usa beagles, os quais, conforme o referido instituto, viviam muito bem. Claro, até a hora da vivissecção.

Fausto Ferraz Filho

faustofefi@ig.com.br

São Paulo

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APURAÇÃO

A Câmara deve constituir uma comissão para apurar se houve ou não maus tratos no Instituto Royal. Primeiro, acho que são os menos indicados. Comissão é criada quando não se quer resolver nada, além de não entenderam, também, nada. Estão pegando carona num clamor popular e jogando para a plateia. Logo, quem vai apurar se havia ou não maus tratos com os animais? Os que mais maus tratos fazem com o povo. Que paradoxo.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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IGNORÂNCIA ANIMAL

Das reportagens sobre a retirada dos cães de instituto de pesquisa e do bem redigido editorial "Ladrões de cobaias" (22/10, A3), infere-se que uma investigação deve ser bem conduzida para avaliar se houve maus tratos aos animais, mas também averiguemos até onde vai a ignorância dos supostos defensores dos animais ao propor se acabar com todo tipo de pesquisa científica. No calor da discussão e das imagens, resta pouco de razão. Em casa adotamos a cadela vira-lata e a gata com pata atrofiada, mas nem por isso deixo de me alimentar saudavelmente com carnes de todos os tipos e defender a pesquisa usando animais para melhorar a saúde humana, ainda mais com pessoas próximas em tratamento contra câncer. O uso de animais em pesquisa científica é regulado por sérios códigos de ética e de conduta e é isso que deve ser avaliado no caso.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Lorena

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É PENA, BRASIL

É pena que no Brasil, em vez de optar pelo bom ou o ótimo, acabamos optando, muitas vezes, pelo menos pior. O recente episódio dos cães do Instituto Royal retrata bem essa situação. Se o instituto, autorizado aos experimentos com animais, comprovasse que evitava sofrimento desnecessário e tivesse todo respeito e ética para esse tipo de pesquisa, teríamos a lamentar, tão somente, mais um atraso de tecnologia e metodologia, e não a manifestação tão violentamente reprimida. Se necessária, a "invasão" se daria pelos agentes legais, e haveria o repúdio de todos e os rigores da lei.

Luiz Nusbaum

lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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