Fórum dos Leitores

ROLEZINHOS

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2014 | 02h05

A vigarice da politização

Os rolezinhos, que começaram como brincadeira de jovens e foram coibidos porque ameaçavam a segurança dos outros frequentadores dos shoppings e dos próprios adolescentes, estão sendo usados por extremistas da esquerda como manobra de extrema vigarice política. Quando integrantes do MTST ou aglomerações congêneres resolvem invadir um shopping e anunciam que é uma resposta à discriminação contra jovens pobres e pretos, estão querendo promover uma luta de classes inexistente nesses locais. Shoppings são frequentados por pessoas da periferia sem nenhum constrangimento, como bem declarou uma das que queriam invadir um no Campo Limpo: "Eu venho aqui sempre com meus filhos e gasto muito dinheiro". Então, pergunto: contra o que ela está protestando? Grande parte dos shoppings está na periferia e seus frequentadores moram nas redondezas. É mentira que algum dia tenham sido discriminados, frequentam as lojas e áreas de alimentação. Pessoas são manipuladas por esses movimentos ou fazem parte deles por serem ligadas aos que querem que a opinião pública acredite nessas vigarices. Alguns ministros de Dilma Rousseff querem aproveitar-se da situação e insuflar uma luta racial e de classes. O mesmo faz o prefeito de São Paulo ao oferecer seu secretário da Igualdade Racial para ser interlocutor com esse movimento. Os estabelecimentos dos shoppings não se mobilizaram contra pobres e negros, mas contra a bagunça, a baderna. Essa guerra racial e de classes que integrantes do PT estão querendo insuflar em São Paulo pode espalhar-se por todo o País. E aí a coisa fica complicada. Espero que a presidente se dê conta disso.

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@otmail.com

São Paulo

Cizânia racial-classista

Politizando o rolezinho, o lullopetismo instiga, insufla e institucionaliza o "nós contra eles"...

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

O governo não se entende

Este governo não se entende mesmo. É impressionante e impossível que a presidente consiga coordenar alguma coisa. Enquanto se lê que alguns ministros analisaram os rolezinhos como fenômeno social, uma brincadeira de jovens da classe média com acesso à internet e a celulares, dois outros buscaram fontes diferentes, foram fundo na sociologia e na antropologia esquerdista de botequim e concluíram que o problema é racial e social, pois avaliam que querem barrar a entrada dos pretos e pobres. O que mais me surpreende é que uma é a ministra da Igualdade Racial - penso que desigualdade seria melhor - e o outro ministro é o representante dileto e imediato do ex que sempre paira como um fantasma na Presidência da República. Mas, como eles mesmos já explicitaram, vão fazer coisas de que até o diabo se envergonharia para ganharem as eleições e o bicho vai pegar. Está aí o aproveitamento do rolezinho. Será que ele foi espontâneo?

MARCO ANTONIO ESTEVES BALBI

mbalbi69@globo.com

Rio de Janeiro

Racismo

A nobre ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), declarou que a aversão aos rolezinhos vem de pessoas brancas que frequentam os shopping centers. Ops, não é uma declaração racista? Para ela, convívio social e baderna são a mesma coisa? Só falta agora criarem cotas de frequência nos shoppings!

MILTON BULACH

mbulach@gmail.com

Campinas

Artifício político

O apoio da presidente Dilma Rousseff, por intermédio de seu porta-voz Gilberto Carvalho, aos rolezinhos em shoppings não passa de mais um artifício político, querendo atrair eleitores e cutucar o PSDB em São Paulo. Se não bastasse a economia doméstica enfrentar sérios problemas, surge agora o rolezinho para tumultuar o ambiente do último reduto que as pessoas têm para fazer suas compras com um pouco mais de calma.

FABIO DE ARAUJO

fanderaos@gmail.com

São Paulo

Demorou

Dona Dilma demorou, mas saiu em defesa dos participantes dos rolezinhos para amealhar mais uns votinhos. Só pensa nisso - "o voto é o que interessa, o resto não tem pressa". O que vai fazer com os rolezões?

MARIA TERESA AMARAL

mteresa0409@2me.com.br

São Paulo

Adeus, São Paulo

A foto Rolezão vetado, na primeira página do Estadão de ontem, mostra de forma cabal o Brasil do lulopetismo: gente que recebe Bolsa Família e tem todo o tempo disponível para infernizar a vida da população. Os infernizados também têm culpa, porque nada fazem, apenas assistem e acham que político é tudo farinha do mesmo saco. É, bem que a dona Dilma disse que ia fazer o diabo. E bota diabo nisso! Adeus, São Paulo.

CARLOS EDUARDO STAMATO

dadostamato@hotmail.com

Bebedouro

GESTÃO HADDAD

Sujeira e transito caótico

Não sei se todos os bairros estão assim, mas a Freguesia do Ó parece uma caçamba de lixo. Acredito que o prefeito já tenha começado a reduzir a verba para limpeza das vias públicas, pois a Avenida Inajar de Souza e o Largo do Clipper estão com lixo entulhado em cada esquina, tornando as calçadas intransitáveis, obrigando o pedestre a passar pelo leito carroçável da rua. Além de que o trânsito está cada dia mais caótico, vide a mesma Avenida Inajar de Souza, onde hoje em dia pela manhã levo 20 minutos de carro num trajeto que faço em 8 minutos a pé, e só ouço falarem de corredores de ônibus. Será que sou o único que anda de carro nesta cidade? Infelizmente, o transporte público não serve para mim. E por isso devo ser prejudicado? Onde ficam os meus direitos? No meio da rua, igual ao lixo da Freguesia do Ó?

ANTÔNIO MONTIEL

armmj@yahoo.com.br

São Paulo

IPTU 2014

O prefeito Fernando Haddad, além de diminuir o desconto à vista do IPTU de 6% para 4%, aumentou o valor venal dos imóveis em mais de 100%, o que resulta em valores a pagar muito maiores para o contribuinte paulistano. Duvido que Haddad seja reeleito - se é que o PT (entenda-se Lula) se vai arriscar a lançá-lo de novo. Já a Receita Federal há muitos anos não permite que se atualizem os valores dos imóveis na Declaração de Imposto de Renda, visando a faturar mais com o imposto sobre o lucro imobiliário caso o contribuinte venda o imóvel. Ou seja, de novo dois pesos e duas medidas. Coisas do Brasil.

HAROLDO LOPES

aluisantos@yahoo.com.br

São Paulo  

TODA DENÚNCIA EXIGE APURAÇÃO

Gilberto Kassab é acusado de receber propina da Controlar. Vereadores teriam pedido R$ 5 milhões para sepultar a CPI do ISS. Precisamos da mais séria, isenta e competente apuração dos fatos. Tornou-se hábito na política brasileira a produção de ruidosos escândalos que, na maioria das vezes, têm motivação puramente eleitoreira. As acusações param obras, periclitam serviços públicos, frustram carreiras políticas e penalizam servidores e correligionários dos adversários de quem faz a denúncia. Mas, passado esse momento, quando já se causaram sérios prejuízos financeiros ao Estado e à população, todos parecem se esquecer. Não raramente, acusado e acusador chegam até a se confraternizar, e o povo fica sem entender nada, com a sensação de que foi enganado. Para evitar o nefasto denuncismo político-eleitoral e o revanchismo dos preteridos, as autoridades responsáveis pela apuração deveriam ter o compromisso ético de só divulgar as denúncias depois de receber provas robustas e de, elas próprias, terem convencimento da autoria e veracidade dos fatos denunciados. Jamais ceder aos holofotes e à popularidade efêmera, entregando ao consumo público fatos e coisas de que ainda não tenham certeza. Mas é fundamental que, feita a denúncia, ao final, alguém seja punido: o denunciado, se tudo se comprovar, ou o denunciador, se a denúncia for falsa.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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UNIÃO

Em depoimento ao Ministério Público Estadual, uma testemunha protegida disse ter ouvido que o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab recebeu "verdadeira fortuna" da Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular na cidade, e que o dinheiro ficou guardado em seu apartamento. Ex-secretário de Finanças de Kassab Mauro Ricardo também é citado. Agora dá para entender essa junção, associação do nunKassab com o PT, o mais antiético partido do País, desde a chegada de Cabral. Não precisam explicar nada, apenas queríamos entender e saber o que estava bem escondido no apartamento de Kassab.

Alice Baruk alicebaruk@bol.com.br

São Paulo

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NO RUMO CERTO

Se alguém tinha dúvidas do envolvimento direto do ex-prefeito Gilberto Kassab com a Controlar, podem agora se tranqüilizar, pois tudo caminha para ser comprovado, esclarecido e, finalmente, desmascarado.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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AS LADAINHAS DE SEMPRE

A ladainha é sempre a mesma. Quando há fortes indícios de corrupção envolvendo políticos brasileiros, a resposta imediata e indignada dos acusados é que as denúncias são sórdidas, que não há provas, que são inocentes, enfim, aqueles "chavões" de sempre. É notório que a aproximação do ex-prefeito Kassab com a empresa Controlar era sólida a tal ponto de facilitar para ela aumentos de tarifas, felizmente barrados pela Justiça. Uma acusação de ter recebido uma fortuna de R$ 5 milhões em propinas da referida empresa terá de ser muito bem explicada por Kassab. O velho dito popular não perde a atualidade: onde há fumaça há fogo!

Francisco Zardetto fzardetto@uol.com.br

São Paulo

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'ROLEZINHOS'

Causou-me revolta e, se não fosse no Brasil, causaria espanto a declaração da secretária da Igualdade Racial, Luiza Bairros, de que a reação aos "rolezinhos" é reação preconceituosa de pessoas brancas. Já não bastasse o (des)governo do PT insuflar por todos os meios a luta social e institucional, agora a secretária da pasta chamada "Igualdade Racial" insufla o racismo. Tal declaração só pode ser má intenção ou ignorância social absoluta. Num governo em que a competência e a ética fossem importantes, tal pessoa deveria deixar o posto imediatamente. Isso só escancara mais uma vez a falta de real interesse do PT no desenvolvimento do País e da sociedade. Nessa "agremiação" só há interesse pela perpetuação no poder (por enquanto, democrática. No futuro...). O que está em jogo não é disputa social ou racial. Está em jogo o direito das pessoas (pobres, ricas, brancas, pretas, vermelhas, homossexuais ou não) andarem com tranquilidade e liberdade, o direito à propriedade, o direito ao trabalho digno sem prejuízos causados por terceiros e sem ameaça à segurança. A dona Dilma permitiria a entrada de 2 mil jovens sem acompanhamento ou restrição em lugares públicos como o Palácio do Planalto ou mesmo a Biblioteca Nacional? Afinal, um movimento social e cultural como este tem tudo que ver com lugares públicos. A biblioteca, especificamente, é pública e de livre acesso. Infelizmente, no País, com dez anos de baderna institucional e social, qualquer grupo de duas pessoas que coloque o nome "movimento" à frente está acima da lei e do direito coletivo. Como sugestão para a continuidade da tal secretária à frente de seu cargo, sugiro trocar o nome da secretaria para Secretaria da Segregação Racial. Combina mais.

Gilberto Saccaro gsaccaro@uol.com.br

São Paulo

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QUANDO O ROLÊ CRESCER

O governo critica os shoppings por barrarem os "rolezinhos" (que nada mais são do que um bando de desocupados que não têm o que fazer), mas, quando o "rolezinho" crescer e virar um "rolezão" e quiser entrar nos órgãos do governo, então eles irão dar razão aos proprietários que defendem seu patrimônio, afinal, "rolezinho" no shopping dos outros é refresco.

Manoel José Rodrigues manoel.poeta@hotmail.com

Alvorada do Sul (PR)

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PIORANDO

Ao ler que o tal de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, critica a postura dos empresários de querer bloquear a entrada desses jovens de periferia em shopping center, lembrei-me de um velho ditado (diga-se de passagem, sempre acontece quando se trata de gente do PT): quanto mais se mexe, mais fede.

José Roberto Palma palmapai@ig.com.br

São Paulo

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NO PAÍS DAS BOLSAS

Gilberto Carvalho não perde oportunidade de atacar o governo da São Paulo (PSDB). Agora, por causa dos roles. Porém não escutei uma só palavra dele e da ministra dos Direitos Humanos sobre as mortes na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão. Será que é porque lá o governo é parte da base aliada? Aos meus amigos aposentados lembro que, em outubro de 2014, teremos eleições para presidente, então que tal votarmos em alguém que corrija nossos proventos pelo menos ao índice da inflação, não como tem feito o PT (partido dos traidores) nestes 12 anos de (des)governo. Para o PT este país virou o país das bolsas (compra de votos disfarçada). Temos agora até a Bolsa Crack...

Delcio da Silva delcio796@terra.com.br

Taubaté

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INCOMPETÊNCIA

Desgostosa com tanta incompetência e podridão, sugiro que os brasileiros mandem Dilma, Lula e seus aliados torpes para um "rolezinho" em Cuba. A gente financia. E que fiquem por lá.

Myrian Macedo myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

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GERAÇÃO INFELIZ

As novas manifestações com o nome de "rolezinhos" nada mais são do que uma nova roupagem para um velho assunto. Falta de educação, falta de limites, uma geração criada por impulso, em que prevalece o individual acima do coletivo. Interdita-se uma rua, uma estrada, invadem-se terrenos independentemente de haver um dono, depredam-se patrimônios públicos e particulares. O desmando é geral, do Jardim Europa ao Jardim Angela, do Amapá ao Rio Grande do Sul. Cada um faz o que quer neste país. Pais e filhos. A polícia, de mãos atadas, por um equívoco do governo, que mais atrapalha do que ajuda. Conclusão disso: uma geração de adictos de álcool e droga, sem futuro, sem esperança, sem educação, sem felicidade. Pobre Brasil!

Maria Lucia Carvalho Brech lubrech@gmail.com

São Paulo

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CRIME É EXPLORAR A SITUAÇÃO

O "rolezinho" não é crime, crime é a atitude das autoridades de explorar o caso politicamente. Precisamos reconhecer o senso de oportunidade dessa gente em sua obstinada missão de destruir o capitalismo, dividir a sociedade e tirar proveito político dos acontecimentos. Convenhamos: Um shopping center não é um "espaço público de lazer", como afirmam. É um espaço de consumo onde se pratica o consumismo, por eles abominado. Quem tenha o dinheiro e a intenção de gastar, seja negro, pardo, branco ou amarelo, feio ou bonito, será mais que bem-vindo naqueles espaços, não resta dúvida. Logo, é desonesto afirmar que a resistência oferecida pelos comerciantes ao tal "rolezinho" seja racismo. A população realmente merece bons "espaços públicos de lazer" e a atitude divisionista e mal intencionada dos governantes só expõe a absoluta incapacidade de oferecerem os tais espaços à população. Incapacidade de oferecer um mínimo de segurança pública. Incapacidade de oferecer educação mínima, que garanta acesso a um bom emprego e ao consumo desejado. Estão roubando o futuro dos jovens em troca de conversa mole.

Antonio Cavalcanti da Matta Ribeiro antoniodamatta@ig.com.br

São Jose dos Campos

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ENERGIA MAL GASTA

A turma do "rolezinho" deveria cobrar as autoridades públicas de forma inteligente, canalizar a energia jovem em trabalhos voluntários para melhorar a cidade. Enquanto políticos e partidos se mexem para cooptar o fenômeno "rolezinho" - comportamento repudiável e vergonhoso - como uma panela de pressão gigante, as periferias e seus problemas fervem no abismo do abandono. Jovens dos "rolezinhos" reclamam da falta de lazer, mas as poucas áreas de lazer que existem na periferia paulistana estão tomadas pelas drogas, caso do Parque Santo Dias, no Capão Redondo, zona sul, e a maioria dos jovens acha normal. Reclamam da falta de emprego - recebem o Bolsa Família, para muitos a maior mamata do século, e não vão à escola. Claro! Muitos são assalariados. "Rolezinho" é coisa passageira e não deve ser criminalizado, desde que não se transforme em arruaça. Criminalizados, sim, nas urnas devem ser aqueles que se apropriarem do movimento de subúrbio, que talvez busque respostas para suas frustrações ou existência. Não adianta Prefeitura e Estado prometerem o que não poderão cumprir, no curto prazo, à turma do "rolezinho". A garota é esperta e sabe que é ano de eleições. O prefeito Fernando Haddad é mal assessorado, às vezes viaja na maionese. Ele deveria convidar pessoas famosas para um bate-papo com esses jovens do "rolezinho". Pedro Bial com certeza aceitaria. Sem sofisticar, num campão mesmo. Procurem os líderes para depoimentos de vida, ídolos seguidos por milhares de adolescentes na redes sociais, como Juan Carlos Silvestre, 16, ou "Don Juan", que organizou o "rolezinho" que aconteceu no sábado (11/1) no Shopping Metrô Itaquera. Converse com esses jovens, aproxime-se deles com criatividade. Se quiserem profissionalizar a ideia, os próprios shoppings centers poderiam promover esses encontros, ao invés de buscarem força policial. No fundo, eles querem curtir as suas vaidades, desafogar os sentimentos. O próprio prefeito tem seus trunfos - é inteligente, honesto, tem uma mulher bonita e inteligente, filhos simpáticos e bem educados. Reúna a família, prefeito, vá ao encontro desses jovens, anote as reivindicações deles. O senhor seria bem recebido por eles. Deixe seus filhos ouvi-los, conversarem. Sem essa coisa de poltronas. No dia seguinte vão estar falando "fizemos um 'rolezinho' com o Haddad". É possível que o educador Paulo Freire não pensaria diferente.

Devanir Amâncio devaniramancio@ig.com.br

São Paulo

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POBRE EM LAZER

Gostaria que o prefeito, o governador e até a presidente Dilma sugerissem aos milhares de jovens em férias escolares o que eles podem fazer numa cidade miseravelmente pobre em opções de lazer como São Paulo. Demorou para essa turma descobrir o paraíso dos paulistanos entediados. Não vai demorar para os shoppings começarem a cobrar pela entrada, como fizeram com o outrora gratuito estacionamento.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DOS 'ROLEZINHOS' AOS 'ROLEZÕES'

Quando pensamos que os noticiários não poderão mais nos surpreender com notícias que insultam a condição humana, sempre alguém ou um grupo nos apresenta mais. As cidades atingiram um estado de saturação antes inimaginável, com um trânsito sofrendo de arteriosclerose e criminosos que se igualam aos mais sanguinários nazistas. E isso depois que políticos em quem antes a população depositava as suas esperanças se enredaram no escândalo do mensalão, após os deputados federais inventarem o deputado prisioneiro, o presidente do Senado cinicamente utilizar avião da FAB para ir cuidar da careca, que não alterou em nada a sua aparência, por impossível. São Paulo antigamente nos proporcionava boas condições de vida, sem a poluição e com espaços públicos livres. Hoje mudou radicalmente. A qualidade do ar atualmente ceifa a vida de 4 mil paulistanos por ano, com um amontoado de prédios e um trânsito infernal que sufocam a população e vêm acabando há muito com a cidade, que já tem uma atmosfera muitas vezes irrespirável. Aí a moçada começou a inventar outras formas de diversões, que invariavelmente descambam para a ilegalidade. Surgiram os bailes funk, os pancadões e, recentemente, os "rolezinhos". No dia 16/1, líderes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), que tentam legalizar uma invasão em área municipal destinada a um parque em zona de preservação ambiental na região vizinha das represas que abastecem a cidade, resolveram copiar os jovens e perpetraram o novíssimo "rolezão". O estratagema deles consiste em impedir o funcionamento de shoppings, como forma de protesto contra a discriminação, segundo sua ótica, e que se dane a Constituição. Paralelamente, os assaltos e assassinatos se multiplicaram e vivemos hoje um verdadeiro filme do faroeste, com uma legislação que permite que os ricos se aproveitem das chicanas permitidas, enquanto as condições de nossas prisões envergonham a humanidade. E toda essa convulsão social tem origem na maneira calhorda com que nossos políticos, quando eleitos, conduzem os destinos do País, cada qual olhando para o próprio umbigo. Os acontecimentos terríveis no Maranhão e a reação de sua governadora são um espelho perfeito da situação. Nesse particular, falta uma política federal para coordenar a política habitacional, pois permitir a superpopulação nas cidades mais organizadas jamais resolverá o grave problema existente, porque com densidade populacional elevada jamais será economicamente possível proporcionar qualidade de vida sequer razoável a seus habitantes. São Paulo, para citar como exemplo a nossa cidade, é um exemplo do que acontece com um aumento desmesurado de sua população.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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FALTA DO QUE FAZER

Esse negócio de "rolezinho" nos shoppings é coisa de vagabundo que não tem o que fazer. Aliás, tem. Provocar tumulto, roubar e depredar patrimônio público e privado, e o pior é que tem gente que apoia isso. Alguns ideólogos de plantão, doidos para incendiar o País. São vagabundos iguais a eles. Ideólogo faz o quê? Para mim, é o sujeito que não deu para nada, é um fracassado e se autointitula ideólogo.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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FANATISMO IDEOLÓGICO

Não tem jeito: quando pensamos que o Brasil finalmente atingiu o fundo do poço, sempre surge alguém disposto a desmentir essa tese, cavando um pouco mais o enorme buraco do qual, infelizmente, não conseguimos escapar. A questão dos "rolezinhos" nos shoppings só se transformou numa polêmica desse tamanho porque esses cavadores de buracos são influentes - estão na imprensa ou mesmo no governo e nunca perdem uma única oportunidade para desfilar por aí toda sua vigarice intelectual. Querer pespegar ao assunto uma conotação discriminatória e insinuar que vigora um regime de apartheid nesses estabelecimentos comerciais é um dos maiores delírios que esse País já produziu nos últimos tempos - e olha que a concorrência é enorme. O que jornalistas, ministros de Estado e o prefeito de São Paulo estão afirmando, contra todas as evidências, é que os shoppings são locais em que se observa atualmente uma guerra racial e de classes. É o triunfo da estupidez. De resto, será que é tão difícil enxergar o risco de autorizar que grupos compostos por milhares de jovens saiam correndo em corredores estreitos, apinhados por famílias (homens, mulheres, crianças e idosos, atenção, de todas as cores e segmentos sociais!) e localizados em espaços físicos fechados como os shoppings? Quem não vê esse perigo óbvio só pode estar acometido pela cegueira provocada por um fanatismo ideológico aparentemente incurável.

Henrique Brigatte hbrigatte@yahoo.com.br

Pindamonhangaba

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ENGANAÇÃO

Como crítico contumaz ao mandato de "postes", sou cético em relação à nova iniciativa estabanada do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que propôs pagar R$ 15,00 por dia aos dependentes químicos da Cracolândia, para que façam zeladoria de praças na capital. Além dos R$ 15,00 por dia a cada dependente por quatro horas de trabalho e mais duas horas de participação numa oficina de qualificação profissional, os participantes deverão receber também café da manhã, almoço e jantar, além de vale-transporte, seguro de vida e produtos de higiene pessoal. A ação anunciada por Haddad não prevê nenhum tratamento médico ou psiquiátrico para os dependentes. Mais uma vez, o prefeito-poste propõe soluções fora de padrão, investindo dinheiro público sem a certeza do acerto. É a aplicação do método petista de enganação. Enganam na Cracolândia, no trânsito, nas obras, na inflação, na economia, na educação, na saúde, na segurança, enfim, enganam que governam.

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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TREME-TREME

Levando os usuários de droga para hotéis e oferecendo um emprego de R$ 15,00 por dia, o governo está criando um novo treme-treme (prédio no centro de São Paulo utilizado por usuários de droga para comércio e utilização de crack, entre outras drogas). Se o governo já havia oferecido a possibilidade de o usuário se internar e ele não quis, por que agora, morando num hotel e recebendo dinheiro, ele vai aceitar parar com a droga? Grande parte desses usuários vai sair com o dinheiro recebido e utilizar a droga, e o que o governo vai fazer? Forçá-lo a trabalhar? Precisamos rever esta medida.

Felipe da Silva Prado felipeprado39@gmail.com

São Paulo

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SEM PRIVILÉGIOS

É louvável a iniciativa da Prefeitura de São Paulo em relação à Cracolândia. Os dependentes químicos e usuários de crack devem receber tratamento adequado de desintoxicação para que possam ser reinseridos na sociedade de forma digna. Porém, não podem ser medidas meramente paliativas e formais. Outro ponto importante é que as demais pessoas em situação de carência financeira (sem teto, desempregados, etc.) também merecem ser atendidas com vagas em hotéis para moradia, etc. Os dependentes químicos têm de ser cuidados e protegidos, assim como todos os cidadãos que se encontrarem em situação de precariedade e vulnerabilidade, sem privilégios.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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CRACOLÂNDIA, O FIM DO COMEÇO

Antes tarde do que nunca! A Prefeitura da Capital deu início a uma experiência já adotada em vários países, a abordagem para tentar resolver a situação dos usuários de crack que vivem na favela montada na região da Cracolândia, no centro. Se a experiência der certo, poderá ser implementada em outras cidades do País, sem que seja preciso usar a força e a violência. Os dependentes começaram a ser removidos na quarta-feira (15/1) pela Prefeitura e estão sendo encaminhados para hotéis próximos, onde vão receber alimentação e assistência psicológica e terão duas horas diárias para tratamento médico, além do trabalho de quatro horas por dia em operações de limpeza da administração pública. O diferencial da medida é que os usuários têm de estar de acordo com sua remoção, o que, cá para nós, é a melhor solução. Ninguém gosta de fazer as coisas forçado, muito menos um doente. As equipes não têm pressa em demolir os barracos e respeitam o ritmo das pessoas. Outro fator preponderante é que os dependentes não são obrigados a fazer tratamento, mas passarão por uma avaliação médica. Além do mais, cada usuário que participar do programa vai receber bolsa de um salário mínimo e meio, o que inclui os gastos com alimentação, hospedagem, além do pagamento de R$ 15,00 por dia de trabalho. O mais importante da iniciativa é fazer com que os usuários novamente se sintam cidadãos, gente, e não um bicho vivendo "vegetando" no meio da sujeira e da violência. O pagamento aos hotéis será renovado mensalmente e não existe prazo determinado para que cada usuário permaneça nos locais. Não vai ser fácil, porém pode ser o fim de um começo bem-sucedido de um câncer que aterroriza a sociedade e as autoridades. Local digno para morar e trabalho dignificam o homem, são primeiros passos na tentativa de recuperação dos dependentes. Porém, cabe ressaltar a necessidade de acompanhamento dos participantes do programa. Uma outra questão importante é a aproximação com os familiares, o que pode ajudar ainda mais a deixar o vício do crack e outras drogas. Afinal, boa parte dos viciados tem histórico de depressão, e a cura não se dá por milagre. Vai precisar de muito trabalho, perseverança e ajuda divina, porém socializar exige das autoridades incentivo e gastos pesados. Mas o retorno compensa.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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CÃES

Não há como não se emocionar com a atitude de muitos viciados da Cracolândia que se recusaram a abandonar seus cães, para terem direito a um quarto de hotel. É bom saber que, mesmo em baixo nível de autoestima, dignidade e total dependência da droga, ainda mantêm algum sentimento de afeto.

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

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PROGRAMA BRAÇOS ABERTOS

Apenas os "braços abertos" não bastam. É preciso que estejam as "mãos prá cima!".

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PÉSSIMO PREFEITO

Talvez a crescente impopularidade do prefeito de São Paulo esteja influenciando suas decisões, ou talvez não. Afinal, antes de qualquer coisa ele quis aumentar o IPTU dos paulistanos com taxas para lá de enormes, muito acima de qualquer índice, arrecadando para si uma enorme corrente de insatisfações e reclamações. Tem tido ideias maravilhosas, para ele e os seus aliados, para a população da cidade, desastrosas. As faixas exclusivas de ônibus foram espalhadas por toda a cidade. Essa ação poderia até ser boa, se fosse planejada adequadamente e utilizada em algumas vias. Do jeito que foi feita, é um terror. O projeto para a Cracolândia só contempla 300 pessoas num universo de muito mais de mil. Quem pôs barraco no meio da rua ganha moradia, salário e comida. E ajuda psicológica, se quiser. Os outros ficam por lá mesmo. Quando incendiaram ônibus e promoveram depredações, os representantes do Movimento Passe Livre conseguiram o que queriam: não aumentar a tarifa dos ônibus. Para o prefeito os integrantes do grupo Black Blocs (tratados a pão de ló) e os representantes dos rolezinhos são pessoas com quem se deve negociar. Haddad demonstra que basta transgredir a lei para ser ouvido ou ser atendido em uma reivindicação. Realmente, este prefeito está muito acima das expectativas: depois da sua atuação no Ministério da Educação, pensei que ele iria ser um administrador ruim. Agora se sabe que ele é muito mais que ruim, é péssimo.

Maria Tereza Murray terezamurray@hotmail.com

São Paulo

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CRATOD - RUMO À RECUPERAÇÃO

Janeiro de 2013 foi bastante movimentado, foram inúmeras as discussões sobre a internação compulsória (contra a vontade do dependente, determinada pela Justiça, sob orientação médica adequada, atestando que o usuário perdeu o domínio sobre sua saúde). A implantação do plantão judiciário no Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), em São Paulo, causou muita polêmica, a mídia, esse poderoso instrumento, divulgou centenas de notícias sobre o início das internações compulsórias e hoje, após um ano dessa união com o Judiciário, podemos destacar o sucesso do programa. A Justiça brasileira passou por um momento de mudança, com ação conjunta entre o Judiciário e Saúde. Cumprimento todos os profissionais envolvidos na assistência jurídica presentes ao Cratod, para o atendimento aos dependentes químicos, implantado pela Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania, em parceria com a OAB-SP. Ao longo de 2013 muitas famílias e dependentes químicos foram ao Cratod em busca de ajuda na recuperação e/ou internação, espontânea ou compulsória. Por falta de informação, muitos imaginavam que o Cratod era um local apenas de internação, mas, a bem da verdade, o Cratod é um local de acolhimento, um acolhimento verdadeiro e, a partir daí, ocorre o encaminhamento ambulatorial e, se necessária, a internação. Quando o nosso familiar entra para esse acolhimento, a sensação que se tem é como a do último dia do ano, como se estivéssemos aguardando a chegada do novo ciclo, com esperanças de que tudo vai mudar, "ano novo, vida nova". Achamos que com a internação nossos problemas serão resolvidos, é um momento de angústia, desespero, porém com fé no recomeço - mas nem todos necessitam de uma internação, trazendo frustração para os familiares. Estar ali pedindo ajuda é um dos momentos mais difíceis, porque se sente vergonha, medo, entre eles de que o dependente não vá aguardar sequer seu atendimento, dado o grau de sua necessidade. Como psicóloga, senti vontade de mudar os protocolos e também acolher, mas naquele instante eu também necessitava de atenção e acolhimento, talvez eu conheça um pouco melhor a maneira de como o crack destrói o usuário e seu familiar, mas o meu sofrimento era parecido com o dos demais ali presentes. Por isso a atenção que recebemos naquele instante é especial, nos sentimos protegidos. Quando iniciei meus estudos na área da psicologia, jamais imaginei que poderia ter uma pessoa da família envolvida nesse sério problema, mas sempre há uma compensação, pois assim tive a oportunidade de conhecer a grande importância e validade desse centro de referência, em benefício de uma grande parcela da população outrora esquecida pelos governantes. O que vi no Cratod? Lágrimas e mais lágrimas, sim, vi muitos familiares chorando copiosamente, por exemplo, mães abraçando seus filhos com emoção, a esperança renascendo, vi filhos pedindo perdão e, o mais emocionante, um ente querido reconhecer que precisa de ajuda e agradecer por sua família estar lhe fazendo companhia nesse momento delicado de sua vida. A secretária dra. Eloisa Arruda disse, numa entrevista sobre o projeto no Cratod: "É um projeto de resgate de pessoas e é um projeto de apoio à família". Sábias palavras, esse projeto resgatou meu ente querido e apoiou a minha família num momento de desespero e que mais necessitávamos de ajuda, de uma mão amiga. Sou psicóloga especialista em dependência química, embora tenha me dedicado à especialização nessa área muito antes de tomar conhecimento da doença de um parente tão próximo, pois a intenção era colaborar de modo geral. O crack também entrou na minha família e, como muitos, eu também senti pavor, medo, mas fui em busca de ajuda, pois tinha certeza de que lá, no Cratod, a encontraria. Preciso destacar que eu consegui uma internação para o meu familiar. Ele passou por um processo de desintoxicação por 25 dias e, em seguida, consegui interná-lo numa comunidade terapêutica por seis meses. Para minha surpresa, ele ficou quatro meses e conseguiu um emprego, está refazendo a sua vida na cidade da comunidade terapêutica e não deseja voltar para São Paulo. É sincero e diz que aqui é muito mais difícil continuar sua recuperação. Não posso deixar de citar, também, o Programa Recomeço, que atua na recuperação do dependente, sob a responsabilidade do dr. Ronaldo Laranjeira, profissional pelo qual tenho muita admiração e respeito. São esses programas que nos dão esperanças e forças para continuar, acreditando na saúde e na recuperação.

Adriana Moraes adri.psi@ig.com.br

São Paulo

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CONTRATAÇÃO

Belo exemplo o do prefeito de São Paulo, de contratar usuários de droga para trabalhar e receber R$ 15,00 (quatro horas de trabalho por dia). Pergunto por que nós, empresários, não podemos contratar também, para ajudar? Respondo: porque precisaria fazer exame médico admissional, de trazer carteira de trabalho, duas fotos, RG, CPF, comprovante de endereço e, aí, sobre estes R$ 15,00 o Sindicato dos Usuários de Droga vão querer 1% ao mês de Contribuição Confederativa, e Taxa Assistencial. Mas sobre estes R$ 15,00 teríamos: FGTS, INSS, férias, 1/3 de férias, descanso semanal renumerado, adicional de insalubridade, uma hora de almoço e um dia no ano de Contribuição Sindical. Aí viria o fiscal do Trabalho verificar se as condições humanas de trabalho são ideais. Dois pesos e duas medidas... a lei não vale para todos?

Gumersindo Trevisan gt-pena@uol.com.br

São Paulo

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A CONCILIAÇÃO E O CONFRONTO

Um verdadeiro tratado o artigo do jornalista, A. P. Quartim de Moraes ("Mandela e Lula, a conciliação e o confronto", 16/1, A2). Deveria ser lido por todos os brasileiros. No artigo, o jornalista arranca a máscara de Lula e o coloca no devido lugar. Um sujeito rancoroso, hostil, que sempre pregou a discórdia entre os brasileiros, muito diferente de Nelson Mandela, um homem que não mediu esforços para semear a união entre os sul-africanos. No Brasil, para conseguir seu projeto de poder, Lula se aliou ao que de pior existe na política, Sarney, Collor, Maluf, Renan, etc., traindo as promessas de campanha de que iria acabar com os picaretas. A diferença entre Mandela e Lula é abismal, só não vê quem não quer. Mas na República da Banânia impera o quanto pior, melhor.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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LUCIDEZ

Cumprimento o jornalista A. P. Quartim de Moraes pela lucidez, coerência e clareza do artigo "Mandela e Lula, a conciliação e o confronto".

Silvia Helena Elias Sophia RSSOPHIA@aol.com

Araçoiaba da Serra

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FUTUROLOGIA

Imaginemos, num exercício de futurologia, que o Brasil conquiste o campeonato mundial de futebol daqui a cerca de seis meses, em pleno Maracanã, como, em princípio, todo o País deseja. Prosseguindo, no entanto, em ritmo de premonição, deve-se levar em consideração que estaremos a menos de três meses das eleições presidenciais, que prometem ser as mais renhidas dos últimos tempos. É óbvio, então, que o governo federal saberá tirar proveito político da conquista, sendo até provável, em face da festa feérica que se seguirá, que a presidente Dilma proceda à entrega da taça, ladeada pelos cardeais da Fifa, ao nosso Neymar, sem medo de ouvir a estrepitosa vaia que a traumatizou em outra ocasião. Certamente, ficaremos saturados com as mensagens ufanistas que, turbinadas pela propaganda oficial, mostrarão, mais uma vez que o mundo se curvou diante dessa maravilhosa terra de Pindorama, que tudo foi possível com o trabalho iniciado a partir de 2003, quando o PT assumiu o poder, e que as conquistas mundiais anteriores não eram autênticas, discurso bem à feição do frequentemente proferido pelo partido do governo, dando conta de que descoberta do Brasil somente ocorreu a partir daquele ano. Daí até o mês de outubro, assistiremos a uma inexorável progressão que dificilmente tirará a vitória nas urnas da situação, em virtude do baixo nível do eleitorado, que, anestesiado, esquecerá que a economia está em estado cataléptico, que os serviços públicos, como a saúde e a educação, não atendem a requisitos mínimos e que a segurança devida ao cidadão está impotente diante da crescente violência e do desprezo pela lei. Por outro lado, se o Brasil não conquistar o título e, consequentemente, as condições forem mais adversas para o Planalto, não sendo, como é provável, vencer a eleição, o que constituirá um sopro de esperança, é quase certo que o PT, através de seus aparelhamentos e clientelismos inchantes, promova uma vingança maligna durante o curto tempo de governo restante, tentando paralisar o País. Assim, é valido investigar cuidadosamente por qual cenário será preferível torcer.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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'O VERDADEIRO LEGADO DA COPA'

Afinal, os faraós também não construíram as pirâmides, e para o quê? Rei é rei, pouco importam as estultice que cometam. Ainda vivemos na era dos caciques e pajés, e estamos conversados. A questão dos "atrasos" é típica da gangue do PT: cria dificuldades para gerar facilidades. Imagine um projeto petista seguir qualquer plano decente e que se cumpra. E os mensalões, como se pagam? Estamos alimentando "faraós" tupiniquins do século 21.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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A FUGA DOS CARTOLAS

Ao vibrar com a indicação para a Copa do Mundo de 2014, o povo brasileiro já duvidava da obtenção de possíveis benefícios a serem auferidos com sua realização e antecipados por políticos. Passados os anos, os vaticínios mostraram-se acertados. A comprovação de que os diretamente envolvidos iriam ser os reais beneficiários do evento fez com que o povo fosse às ruas manifestar seu desagrado, pedindo igualdade de benefícios. Paralelamente, a Fifa também mostrou seu desagrado com a falta de planejamento e com o atraso na execução de estádios, temendo a perda de credibilidade do evento e lucros estimados. Superdimensionamento geográfico, escolha de cidades sem tradição futebolística, onde não atuam times de expressão, gastos superfaturados e baixo retorno do evento para a população mostram o quanto a percepção popular foi subestimada pela classe política e os cartolas. Dados a constatação dessa realidade e o temor de manifestações mais agudas, há notícias de que cartolas já preparam um eventual plano estratégico de fuga durante a realização da Copa.

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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INSEGURANÇA

A decisão de cartolas da Fifa de não permanecerem no Brasil durante a Copa, por questões de segurança, traduz bem o paradoxo que foi nosso país ter sido escolhido sede do campeonato mundial. Quando da escolha, os votantes sabiam, ou ao menos deveriam saber, o que estavam fazendo e, portanto, são co-responsáveis pelo que vier a acontecer durante o evento. Esta "fuga" do Brasil durante a Copa é totalmente desprovida de sentido, pois, se houver tamanha insegurança, a orientação deveria ser a não permanência dos times e torcedores, e não só dos dirigentes.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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ALTO NÍVEL

Aldo Rebelo (PCdoB, ministro do Esporte) diz: "Tivemos que construir uma dúzia de estádios à altura não apenas da competição, mas também do nível de excelência que atingimos no esporte". Quem dera se tivéssemos atingido este mesmo nível, ministro, na educação, na saúde e na segurança. Durante o evento pessoas estarão morrendo no SUS. Este ano será histórico: ou arrancamos estes vagabundos do Congresso ou morreremos sob o desmando destes inimigos do Estado. O Brasil deve perder a Copa logo nos primeiros jogos, plantando a frustração generalizada e, por fim, a revolta e a destruição do Congresso.

Luiz Fabiano Alves Rosa fabiano_agt@hotmail.com

Antonina (PR)

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TROPEÇOS PELA FRENTE

O único legado que ficará pros brasileiros após o encerramento do evento serão dívidas. Nem a vitória abrandará os tropeços que teremos pela frente.

José Roberto Iglesias rzeiglesias@gmail.com

São Paulo

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VOLUNTÁRIOS DA FIFA

A Fifa começa a selecionar 1.500 voluntários para atuar como guia dos espectadores nos 12 estádios onde se realizarão os jogos da Copa do Brasil. Os 18 mil escolhidos, de preferência bilíngues, serão treinados para bem executar suas tarefas. Sem receber nenhum cachê, jeton, pró-labore ou que nome tenha uma mínima gratificação. É bom destacar que a Copa não é um evento filantrópico, pelo contrário, é profissional e visa a lucros vultosos. Bobo quem se apresentar.

Roldão Simas Filho rsimasfilho@gmail.com

Brasília

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OS NOVOS JATOS DA FAB

O artigo do sr. Peter Hakim ("Brasil e EUA, a história da Saab", 10/1, A2) revela a tradicional arrogância norte-americana (norte, sr. Hakim, americanos somos todos nós deste continente!). Quer dizer que o governo norte-americano não ficou feliz com a opção pelo Gripen sueco?! Que os brasileiros deveriam entender que o "Big Brother" lá, do norte, necessita do expansivo esforço global de inteligência para sua segurança?! Ora, sr. Hakim, claro que o Brasil tem de manter uma relação saudável com os norte-americanos, e infelizmente o nosso ex-maravilhoso Itamaraty nos últimos anos segue a doutrina bolivariana de Marco Aurélio Garcia, não é preciso dizer mas nada. Mas, mr. Hakim, o Brasil é um país soberano e seu artigo soa como ameaça velada, arrogante e, vinda do presidente de um Diálogo Interamericano, é inaceitável.

César Araújo cesar0304araujo@gmail.com

São Paulo

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POUPATEMPO

Por questões de foro íntimo procuro utilizar o mínimo os serviços públicos. Todavia, para renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), achei que seria uma oportunidade de testar o sistema Poupatempo. E não é que me dei bem! Fiquei muito bem impressionado com as várias ações, desde o agendamento pela internet até o atendimento da unidade Lapa. E, para meu espanto, a gentileza e a educação com que fui tratado pelos funcionários de vários escalões me deixaram deveras admirado. Sou de uma geração acostumada a ser tratada por funcionário público como se ele estivesse me fazendo um favor. E o que vi hoje trouxe-me esperança. Que eles continuem assim e que outros setores vejam neles um exemplo a ser seguido. Parabéns, pessoal da Lapa!

Éden A. Santos edensantos@uol.com.br

São Paulo

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