Fórum dos Leitores

CORRUPÇÃO

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h08

Nesse angu tem caroço

Bastante intrigada com essa "sala-cofre" da CPI do Cachoeira, arrumada para evitar o vazamento de informações sigilosas, protegidas por segredo de Justiça, sinto que é temerário esse conteúdo ficar somente à disposição de parlamentares que fazem parte dessa comissão, os quais poderão manipulá-lo como quiserem, fazendo acordos para livrar este ou aquele cidadão envolvido em situações espúrias, conforme o seu interesse. Estamos seguros nas mãos desses senhores, escolhidos a dedo para barrarem investigações legítimas e o chamamento dos reais implicados nessa escabrosa trama? Sei, não... Por que acreditar que trabalharão direito, se o próprio governo federal tenta driblar os fatos e incentiva a compra da Delta pela JBS, da qual o BNDES possui 30% de participação, numa atitude pensada de tirar a Delta dos holofotes? A Delta é a maior construtora do PAC, certo? Seria uma forma de fazer "sumir" num toque de mágica a corrupção e a bandalheira que envolvem um número sem-fim de parlamentares graúdos, políticos menores e empresários, quem sabe até mesmo a mais alta cúpula governamental?

MYRIAN MACEDO

myrian.macedo@uol.com.br

São Paulo

Ilícitos e mordaça

É obvia a simpatia que alguns partidos nutrem pelo controle da mídia, sempre que chegam ao conhecimento popular notícias sobre descobertas de fraudes, desvios de dinheiro público e quadrilhas infiltradas no poder, com ramificações em todos os partidos. Não se sabe se por coincidência ou não, mas recentemente o presidente nacional do PT voltou a ameaçar a imprensa livre e a liberdade de expressão com o tal marco regulatório da mídia - mordaça! -, bem às vésperas do início dos trabalhos da CPI do Cachoeira, que é controlada por aliados do governo federal. Medo da verdade ou não, fato é que a sala do cofre onde estão guardados documentos e provas da CPI será tão bem vigiada quanto todo o ouro guardado no Fort Knox, nos EUA. Tanto segredo assim só pode ter uma de duas razões: ou é para manter o bom andamento das investigações ou para deixar no anonimato os bandidos que roubam a Nação. Voltando ao controle da mídia, como arauto dos bons costumes e da moralidade pública, como sempre se considerou, o PT deveria agradecer à imprensa. Que razão teria esse partido para querer censurá-la?

AMÂNCIO LOBO

amancio lobo@uol.com.br

São Paulo

A vingança de Lula

Quando o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), declarou à imprensa que Lula tinha conhecimento do mensalão, é claro que o ex-presidente não gostou e pôs o então senador na sua mira. Agora o procurador-geral da República determinou a abertura de inquérito para apuração do relacionamento de Perillo com o corretor zoológico Carlinhos Cachoeira. Até aí, tudo bem. Entretanto, como ficam os governadores Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (RJ)? As denúncias contra eles são claras e apontadas com insistência na grande imprensa. Os dirigentes da CPI mista foram claros ao afirmar que ninguém seria blindado. Então, também o procurador-geral não fará nenhuma blindagem, certo?

JOSÉ C. DE CARVALHO CARNEIRO

carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

'Estadão' sai na frente

O deputado Antony Garotinho, depois de ter exibido fotos comprometedoras do governador Sérgio Cabral, foi intimado pela Justiça a retirá-las do seu blog. Agora que todos já viram isso pouca diferença faz. Novamente é a imprensa que sai na frente: no caso, partiu do Estado o pedido ao governo do Rio de Janeiro de informação sobre as viagens do governador. Cabral está com medo da repercussão negativa das fotos. Os aliados tudo fazem para blindá-lo. Depois a imprensa é que é a culpada... Vamos mal num país onde toda forma de corrupção deveria ser investigada e os corruptores, punidos, mas, não, o que importa é ganhar tempo e fazer de conta que nada aconteceu. O povão está muito ocupado para prestar atenção no que os quadrilheiros fazem e eles, por sua vez, agradecem de joelhos tal falta de atenção. Brasil, um país de tolos!

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

Sem noção

Esses políticos corruptos, com o tempo, vão perdendo a noção do certo e do errado e as propinas recebidas vão virando somente uma gratificação pelos bons favores prestados.

ARCANGELO SFORCIN FILHO

arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

Falimos

A felicidade do povo, no Brasil, é mais fajuta que alegria de palhaço de circo ou honestidade de petista mensaleiro. O duro é que aqui a mentira da administração estatal, seja ela a executiva, legislativa ou togada, além de ser financiada por impostos escorchantes, todo dia se repete, apesar do mais novo escândalo do dia. Convenhamos: falimos enquanto uma nação moral! "Isso" é democracia?

PAULO BOCCATO

pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

Me engana que eu gosto

Os três Poderes no Brasil são independentes, mas em algumas coisas são superafinados. Em qualquer tentativa de contestação, usam o mesmo método: se não puder convencer, confunda. Mensalão, rendimento da poupança, briga de magistrados, financiamento de campanhas eleitorais, fidelidade partidária, ficha limpa, voto de legenda, voto obrigatório, etc., são apenas alguns exemplos do método.

SÉRGIO BARBOSA

sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

CONVÊNIOS MÉDICOS

Expurgo dos sexagenários

O governo do PT (Agência Nacional de Saúde) deixa os convênios aumentarem em 130% a mensalidade de quem atinge 59 anos de idade. Paga a vida inteira 130% menos, enquanto dá nenhuma ou pouca despesa aos convênios, e, no final, quem pode pode, quem não pode se sacode, ou vai para o SUS. Os convênios pagam aos médicos R$ 50 por consulta, por isso a maioria atende mal, nem olha na cara do paciente (atende por telepatia), como se este fosse culpado, mas, dependendo da categoria, os conveniados pagam de R$ 1.500 a R$ 2.500 por mês, ou mais. Isso é que é governar a favor do povo? Não dá para tentar ser criativo, como fez com a poupança e os juros bancários (rs)?

SEBASTIÃO PEREIRA

jardins@oadministrador.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

RUI FALCÃO

Causaram espanto as declarações desse senhor no Estadão de sábado, 5/5 (Falcão diz que governo vai 'peitar' mídia). Se a ave é predadora apenas para sobreviver, o político (?) é tão somente predador por conveniência de seu partido. Controlar a mídia? Ora, senhor Falcão, vá atacar os pintinhos coniventes com esse governo corruPTo e não nos tente impor um Granma, Pravda e outros exemplos de mídia cabisbaixa vigente na Coreia do Norte, no Irã ou instrumentos outrora vigentes nos tempos de Hitler, Stalin, Mussolini... Aqui, senhor Falcão, foi a mídia quem primeiro denunciou, por meio de Pedro Collor, na revista Veja, a corrupção do governinho Collor. Esquece-se ele, também por conveniência, de que foi a mídia quem levantou o tapete onde se escondiam as sujeiras do mensalão. Esquece-se ele de que o Estadão ficou quase cinco anos sob intervenção da ditadura Vargas. Esquece-se, também, da maravilhosa capa do Estadão, ao publicar o Agora é Samba durante a ditadura militar. Controle da mídia, senhor Falcão, isso é coisa do passado. Censura nunca mais. Nossa mídia vai continuar denunciando a corrupção que campeia à solta, como "nunca antes na história deste país".

Flávio Rivero Rodrigues flaviorivero@estadao.com.br

Pindamonhangaba

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PAPARICOS

Embora Dilma Rousseff tenha se pronunciado em diversas ocasiões ser contra qualquer tipo de censura, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, contrariando a presidente, insiste em querer criar a famigerado marco regulatório da comunicação. Rui Falcão, marxista-leninista, quer sim que haja censura mesmo, como há em Cuba, Coreia do Norte e na China. Certos setores do PT não se conformam com a liberdade de imprensa. O PT não suporta ser criticado, desejava, sim, ser paparicado pelos meios de comunicação coisa que jamais irá acontecer.

José Carlos de Castro Rios jc.rios@globo.com

São Paulo

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DESCONSTRUINDO A DEMOCRACIA

Dá arrepios ouvir o presidente do PT, Rui Falcão, dizer "esse poder nós temos de enfrentar", referindo-se à imprensa. Com visível apoio incondicional de alguns órgãos da imprensa que conferem absoluto apoio ao Poder Executivo, num país onde praticamente não existe oposição, o domínio absoluto estará se completando. Levando-se em conta que o partido já controla o Poder Executivo, além do Legislativo e, pode-se dizer, o Judiciário, pouco existe fora de seu comando. Resistências e oposição em alguns Estados e em órgãos de imprensa independentes são ainda a pouca oposição que o PT e seus aliados encontram. Assim caminha o projeto de partido único nacional, com a oposição destruída, nos moldes de seus ídolos sul-americanos Chávez e, agora, Cristina Kirchner, copiando o êxito de seus ídolos, os irmãos Castro. Pobre democracia no caminho da escuridão.

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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CUIDADO

As palavras do Sr. Rui Falcão, misturando partido com governo, leva-nos à reflexão. Quando ele se refere ao enfrentamento da presidente com os bancos no quesito juros, e, na sequência falando em marco regulatório da comunicação, o que ele está querendo dizer? Será que está dando-nos um recado que algo mais pode vir por aí? A Vale e outras empresas que se cuidem. Aliás, referido Sr. Rui Falcão não deveria externar considerações onde não lhe compete. Partido é partido, e governo é governo.

Marcos Antonio Scuccuglia sasocram@ig.com.br

Santo André

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MARCO REGULATÓRIO, VULGO MORDAÇA

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, reclama de que a imprensa produz matérias e comentários visando a atacar o PT e, assim, Falcão, partindo do princípio de que o conteúdo das matérias não passa de peça de ficção criada pela cabeça de adversários que não reflete a "maravilhosa" realidade que vivemos sob a gestão petista. Ou seja, Rui Falcão, em bom português, afirma que nossa imprensa é mentirosa, fundamentalista e não isenta e, por isso, ele ameaça a mesma (e também a nós, cidadãos) com a promessa de "peitar" a mídia apresentando na campanha eleitoral a consulta pública do marco regulatório da comunicação, eufemismo criado pelos petistas para esconder o sentido verdadeiro da palavra censura. Dilma tenta se manter longe dessa discussão como se nada tivesse com isso, quando é evidente que, como presidente do Brasil e petista, tem tudo que ver. Por outro lado, o ministro e presidente do STF, Ayres Britto, defende a liberdade de imprensa em sua plenitude. Só não podemos nos esquecer de que em 2009, quando o próprio STF derrubou a Lei de Imprensa, foi criado um vazio legal que a própria imprensa alertou ser muito perigoso, e que agora vemos não ter siso mero alarmismo, pois Falcão e o PT querem preenchê-lo, criando o marco regulatório da comunicação, vulgo censura, repressão, impedimento ou mordaça à nossa liberdade de expressão. Interessante que o PT usou da imprensa para subir ao poder e, agora, quer colocar rédeas neste instrumento para nele se manter indefinidamente!

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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CENSURA À VISTA

O PT, sob comando de seu presidente, Rui Falcão, com receios de mais e novas descobertas pela imprensa em geral do que ocorre na banda podre política, corrupta e desonesta nesse governo, sinalizou estar pronto a enfrentá-la, sem dúvidas com a intenção de "censura" e fazer com que não permita divulgar as verdades nos bastidores estarrecedores e podres...

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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A FARSA DO 'MARCO REGULATÓRIO'

Rui Falcão, eterno combatente da imprensa livre, afirma que Dilma teve a coragem de "peitar" os banqueiros e agora terá coragem de "peitar" a liberdade de expressão; o PT quer a liberdade de aviltar a Carta Magna apoiado por uma imprensa enredada com os ditames do governo e seus asseclas. A forma desrespeitosa como o presidente do partido se referiu aos apelos que Dilma fez muito sutilmente aos bancos, grandes contribuintes das campanhas eleitorais do PT, mostra a ira desses senhores com a Imprensa honesta que não se cala diante da corrupção e malfeitos dos políticos e seus partidos. Na verdade o tal "marco regulatório", modo bilontra de minimizar o peso da palavra censura, que querem colocar para consulta publica, não passa de uma grande armação para o grande passo de se apoderarem do Brasil como o fizeram seus amigos e companheiros Castro, Chávez, Morales e companhia. O Brasil não aceitará voltar a uma falsa democracia com a qual já conviveu em tempos não tão longínquos. A imprensa livre é e será sempre a nossa meta, nada de mordaça!

Leila E. Leitão

São Paulo

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DE FARISEUS, FILISTEUS, SADUCEUS, ETC.

O roto falando do rasgado! Ou, então, o filisteu Rui Falcão (PT/SP) falando do "fariseu" (sic), que é o falso (por que ele foi falso messssmo) senador Demóstenes Torres. É que uma matéria de Guilherme Waltenberg e Daiane Cardoso levou-me às gargalhadas (Estado, A10, 5/5). Por isso mesmo não vou explicar a Falcão o que são os fariseus, os filisteus, os saduceus e nem os publicanos e tampouco quais eram seus comportamentos. Uma dica: um dos grupos tinha o mania de bater no peito e dizer algo parecido com "como nunca antes neste país..." Ele, Falcão, que se vire e vá procurar saber. Pois bem! Em Embu das Artes (SP), discutindo estratégias eleitorais de seu PT, o filisteu Falcão, acometido de uma crise de verborragia e insurgindo-se contra a imprensa livre, disse que essa mesma imprensa produz apenas matérias muitas vezes inconsistentes para atacar o PT e que "o poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar". O mineiro Falcão, foi um dos fundadores do PT e, vindo para São Paulo, formou-se advogado em 1967. Isso é normal: vêm de fora para locupletar-se com a grandeza São Paulo e tudo o que aqui há de bom, e daqui não saem mais. Ficam para desandar a falar mal dos governos ditos conservadores, "das classes opressoras que formam o empresariado paulista", dos Deuses e dos diabos que lhes vêm à mente e de "tudo o mais que tá aí"... Insiste o coordenador da vitoriosa campanha de Dilma à Presidência - o que me fez pressupor que pelo menos algum conhecimento das convicções dela ele tivesse - "que a mídia é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico (do PT). Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista (isso seria, para eles, o conservadorismo paulista) como foi a campanha contra Dilma (nas eleições presidenciais de 2010)"... "Cumpanhero" Falcão, peço-lhe, por favor, que dê uma passada de olhos sobre algumas frases da "presidenta" Dilma por mim garimpadas e perceba como você está por fora. Ou melhor, como você está pregando no deserto, decerto! Ei-las: "O único controle que admito é o controle remoto; Não espero uma imprensa omissa, porque a crítica é inerente à sua atividade; Espero críticas para o bem; Sem liberdade de imprensa, não há democracia; De Líbero Badaró a Wladimir Herzog, ser um jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem; um governo que não sabe escutar nas críticas dos jornais a voz dos eleitores, não consegue ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige o contraditório e a vigilância sobre os governantes (...) Ao comemorar os 90 anos da Folha de S.Paulo, um grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando é também a existência dessas liberdades no Brasil; (...) reitero aqui que no Brasil de hoje, com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes o som de vozes críticas ao silêncio das ditaduras; a imprensa que constrói uma democracia é a imprensa que fala o que quer, dá a opinião que quer e se manifesta do jeito que bem entende; Eu não tenho a mesma posição histórica do presidente Collor. Agora, se ele quiser apoiar a minha candidatura, é um problema da liberdade democrática." Senhor Rui Falcão, gastei tempo, papel e tutano para, dedicando-lhe estas minhas mal traçadas linhas, poder perguntar-lhe depois de minhas considerações: o senhor nos acha com cara de imbecis descerebrados? Fique certo, desde já, que esse tal "marco regulatório da imprensa" não vai passar no Congresso porque nós, o povo ordeiro do Brasil, não vamos deixar. E se passar a "presidenta" do Brasil vai vetar, ou, então, depois de tudo o que disse, ela será considerada uma mulher de duas faces. Experimente, senhor presidente do PT, peitar-nos, como vocês do PT dizem terem peitado o sistema financeiro! Dizem, eu disse... Tenha a santíssima paciência!

João Guilherme Ortolan guiortolan@gmail.com

Bauru

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PÉ NO TRASEIRO

Em 3 de maio foi celebrado o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, e aqui no País ainda deparamos com afirmações e movimentos que tentam desestabilizar esse pilar da democracia brasileira. O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori, afirmou em março de 2012 que a imprensa estava denegrindo a imagem do Judiciário, e agora o presidente nacional do PT, Rui Falcão, diz que o governo irá "peitar" a mídia através o Marco Regulatório da Comunicação. (5/5, A10). Pelo visto estão querendo voltar à Lei da Imprensa da ditadura militar que vigorou até abril 2009, e foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A sociedade brasileira amparada pelo STF, sempre estará ao lado da liberdade da imprensa, que denuncia as falcatruas quase que diárias dos governantes. O controle da imprensa já existe, é a população que fiscaliza, portanto o tal "Marco Regulatório Petista da Comunicação" bem que merece um "pé no traseiro"!

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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IMPRENSA LIVRE

O distinto senhor Fernando Collor foi eleito presidente da República graças à imprensa livre. Agora, este mesmo senhor vem acusar a mesma imprensa por tê-lo jogado no olho da rua. Não foi bem assim: o único responsável pelo chute no traseiro foi ele mesmo e pelos motivos a seguir. Sua arrogância; confisco da poupança, que deixou milhares de brasileiros sem rumo; os marajás; seu próprio irmão, o saudoso Pedro Collor (fez um depoimento chocante contra ele); os partidos políticos, inclusive o PT; não esquecendo o PC Farias. Lembram-se dele? E, por fim, o STF lhe aplicou as merecidas penalidades

José Manso jose.g.manso@uol.com.br

São Paulo

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LULA, DOUTOR 'HONORIS CAUSA'

Uma notícia do Estadão de sábado me deixou muito assustada. Como é possível um apedeuta, que já disse que nunca leu um livro na vida e que não lê jornal porque lhe dá azia pode ter recebido cinco títulos de doutor honoris causa? Eu só posso entender tal incrongruência diante do clima de mediocrizacão que assola nosso país nesta era de lulopetismo em que vivemos.

Ione Burmeister ionembecker@gmail.com

São Paulo

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MAIS UM AGRADO

Em razão dos inúmeros bajuladores em nosso país e no mundo, não poderia deixar faltar mais um agrado para o ex-presidente Lula, que desta vez recebeu o título de doutor honoris causa de cinco universidades públicas da cidade do Rio de Janeiro. A cerimônia foi realizada na sexta no Teatro João Caetano, afinal o "cara" merece, vocês não acham? Em breve virão outros e outros mais, até um "Nobel", do que não sei... Pouco intere$$a, o importante é que tais "honrarias" sejam feitas em vida para maior felicidade do agraciado, não é mesmo?

Luiz Dias lfd.silva@uol.com.br

São Paulo

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DE BACIADA

Tal qual os produtos vendidos pelos camelôs de Ciudad Del'Este, os reitores das universidades do Rio de Janeiro estão oferecendo títulos de doutor honoris causa de baciada. São a educação e a universidade sendo desprestigiadas.

Roberto J. Romanelli rjromanelli@ibest.com.br

São Paulo

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LULA

Parabéns ao doutor e ex-presidente por tantos títulos recebidos até o momento, como também outros que virão, sendo ele a pessoa no Brasil mais indicada a receber estes títulos de dr. honoris causa "própria", sendo reconhecido nesta área nacional e internacional"mente".

Albert Henry Hornett hornettalbert@hotmail.com

São Paulo

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MAIS UM TITULO INÓCUO

Li, envergonhado e consternado, no Estado de sábado, a triste notícia da concessão de mais títulos de honoris causa ao ex-presidente Lula por universidades no Rio de Janeiro. Isso é uma vergonha e um desestímulo à educação. É um mau exemplo. Os diplomados dessas universidades devem estar envergonhados, por terem estudado muito e não terem conseguido tal distinção. Ele é "honoris causa" de quê? Só se for de corrupção, desvio de dinheiro público, desrespeito às leis, leniência, acobertamento de falsários e corruptos, mentiroso, enganador da população, etc. Deveriam cassar esse título...

Carlos Alberto Ramos Soares de Queiroz soares.queiroz@terra.com.br

São Paulo

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TÍTULOS

Lula,doutor honoris (sem) causa.

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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A SOMBRA DO MENSALÃO

As universidades cariocas que concederam o título de doutor honoris causa às baciadas ao ex-presidente Lula, deveriam esperar a conclusão do julgamento do escândalo do mensalão, pois José Dirceu pode não manter o papel de escudo sob tantos holofotes...

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

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LULINHA HONORIS CAUSA

O Lobo transformou-se em Chapeuzinho Vermelho!

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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TERRA BRASILIS

Terra em que um semianalfabeto recebe no mesmo dias cinco títulos de doutor honoris causa é a mesma terra do doutor Demóstenes e do professor Cachoeira.

Humberto de Luna Freire Filho hlffilho@gmail.com

São Paulo

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A PRESSA EM AGRADAR

Quando um ex-presidente recebe cinco títulos de doutor honoris causa no mesmo dia, pergunto: qual é a mensagem embutida? Por que tanta pressa?

Carlos Roberto da Silva Calderon crscalderon@hotmail.com

São Paulo

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DOUTORES SEM VALOR

Nunca antes neste país alguém recebeu cinco desses títulos de uma só vez. Nunca antes neste país esse título foi tão desvalorizado.

Oscar Seckler Muller oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

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'DOTORES'

Na minha avaliação de cidadão comum, sem deslumbramento ou qualquer outro comportamento menos saudável que possa me macular, acho que o ser humano mais se degrada moralmente diante do excesso de bajulação e subserviência. E é o que assistimos diante da profusão de diplomas de doutor em honoris causa concedidos a Lula, que me leva a questionar sua validade para quem escreve "dotor", como vi um bilhete seu endereçado ao "Dotor Márcio (Thomaz Bastos)". É o poderoso chefão sendo bajulado por todos quantos querem usufruir de suas benesses.

João Roberto Gullino jrgullino@oi.com.br

Petrópolis (RJ)

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POPULARIDADE POR POPULARIDADE...

Se o Lula recebeu duma vez só cinco títulos de doutor honoris causa, quantos não deveria receber também o nosso Tiririca, o mais votado deputado do Brasil?

Attilio Cerino attiliocerino@yahoo.com.br

São Paulo

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DESANIMANDO DA VIRTUDE

Meu Deus! Lula recebe cinco títulos de doutor honoris causa, e nem curso superior tem, é semianalfabeto e, assim sendo, eu me lembro do nosso ilustre Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". E eu pergunto em qual universidade ele conseguiu seu diploma para tão alta honraria?

Maria Inês Marques Maria inesboing@hotmail.com

Itu

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PROPAGANDA

Honoris causa: começou a campanha para 2014, ou é para se manter na mídia?

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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EX-PRESIDENTES

O apedeuta deveria fazer o que sugeriu ao seu antecessor FHC, de que deveria agir como ex-presidente, ficando calado no seu canto.

José Carlos Costa policaio@gmail.com

São Paulo

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FHC E A OBJETIVIDADE POLÍTICA

Fernando Henrique Cardoso (Política e moral, Estado, 6/5) interpreta com precisão o anseio político do homem de hoje, vencida a etapa do genérico ideológico: erradicar a corrupção, as filas do SUS, o congestionamento do trânsito, as cheias e os deslizamentos, a violência e as drogas, a morosidade da Justiça; a esses exemplos podemos acrescentar a reconstrução das estradas e dos portos, das ferrovias, a realização das obras públicas sem vícios nas licitações, a conclusão das obras inacabadas, a desistência do hiperbólico trem-bala, a simplificação dos tributos, a exploração das energias limpas, a urgentíssima qualificação da escola pública na base do sistema educacional. O programa político está quase pronto. No entanto, o sociólogo voltou a interpretar o mundo, certo de que já deu o suficiente à sua transformação. E o Brasil não dispõe de homens confiáveis e politicamente fortes que possam implementar esse ideário - simples assim.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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'POLÍTICA E MORAL'

Diz Fernando Henrique Cardoso: "Se me parece um erro reduzir o sentimento das ruas a uma crise de indignação moral é também errado não perceber que a crise institucional bate às nossas portas e as respostas não podem ser economicistas". Pergunta-se: quem permitiu a transformação da política administrativa tradicional na política administrativa partidária de militância ditatorial? Onde estavam e onde estão os líderes das associações de classes (letrados e de conhecimentos culturais) que se enrustiram e permitiram a tomada do poder político por elementos criados em militância sindical? Quem cedeu e apoiou a ascensão da "fala" pela troca do conhecimento cultural dos líderes patronais? É evidente que este comodismo permitiu a extinção da elite intelectual pensante e abriu aos que nunca tivessem "comido mel" se chafurdassem desgovernadamente no bem-bom do "malfeito" da corrupção, do desvio e da ganância. O articulista se pergunta: "Por que escrevo isso agora?". O lógico seria: Por que não consegui evitar que isso acontecesse? O pior é que só resta ao povo sofrido; pagante de impostos; consumidor à custa de longos prazos a juros escorchantes, esperar que o Supremo Tribunal Federal, como é seu dever, seja nosso defensor dessas injustiças e faça como faria o nosso Deus celestial (que dizem ser brasileiro), com rigor aplique a lei; evite o partidarismo doentio; os agradecimentos desnecessários e julgue aqueles que têm dado provas de incompetência; despreparo e interesses pessoais. Irão às urnas comprovar essa pretendida renovação de "não entrar no partido, mas, que tomem partido contra tanto horror perante os céus"? É só aguardar.

Alberto Caruso albertocaruso@uol.com.br

São Paulo

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ACABANDO DEVAGAR

Tucano é tucano. Mas tucanar é diferente, é mudar, é descer do muro. Tem tucano de bico grande descendo do muro. É o começo do fim?

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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VOTO DISTRITAL

Muito boa a fala de FHC (Política e moral). Só faltou o epílogo. A fala foi concluída assim: "Sem a distinção entre o bem e o mal, não há política verdadeira. É esse o desafio para quem queira renovar". Como eleitor tucano desde 1988 eu gostaria da voz de comando de FHC: Vamos descentralizar o poder já. Vamos implantar o voto distrital já. O blábláblá dos políticos quer impingir aos eleitores que a implantação do voto distrital é complexa, por isso não foi implantado ainda. Coisa nenhuma. Os interesses escusos dos donos dos partidos, subvertem o espírito da coisa. A Constituição diz: o poder emana do povo e em nome dele deve ser exercido. Chega de paternalismo. O povo sabe decidir o seu destino e quer exercê-lo. A lei de implantação do Voto Distrital: Art.1º - O programador de computador do TRE, sob orientação do Juiz Eleitoral deverá adensar as Zonas Eleitorais de tal forma a dar organicidade para eleição do Legislativo. Para representar o eleitor o candidato deve residir no mesmo distrito há pelo menos 5 anos (significa dizer: a decisão de organizar a representatividade: vereador, deputado estadual e federal será delegada exclusivamente ao Juiz de 1ª instância (começou a descentralização). Art.2º - Os casos omissos serão resolvidos nas Comarcas - através de um Colegiado nomeado pelo Juiz onde devem participar partidos políticos, representantes da sociedade, clubes de serviços,etc.

Osmar Santos Ferreira osmarsan@yahoo.com

São Paulo

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SALÁRIOS ATRASADOS

Durante décadas, o Brasil ignorou suas carências na área educacional. O governo de São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, não paga o salário atrasado de seus professores e não tem previsão de quando o problema vai ser resolvido. A falta de gestão e competência são razões visíveis do fracasso da educação paulistana. Sem contar com a desculpa esfarrapada de que o déficit de professores na rede é de 0,6%, quando se sabe que a falta de professores nas escolas é muito maior do que a porcentagem apontada. O governo atribui o problema a falecimentos, exonerações e licenças. Somente quem não conhece a estrutura de uma escola pública engole tamanha mentira. Com os serviços informatizados, os responsáveis pela Educação não sabem dizer quantos são os professores concursados e temporários? A Secretaria da Fazenda hábil em cortar pagamentos e atrasá-los tem essa resposta. Professores são humilhados, maltratados e agredidos. O salário é um acinte. As condições de trabalho pavorosas. Escolas caindo aos pedaços. Alunos fora da escola, os que estão dentro não sabem ler e escrever. O que esperar desses governantes? Que prazer tem um professor de ensinar quando é ferido na sua dignidade humana? Como pode um cidadão que trabalha o mês inteiro, tem de pagar seus compromissos e não recebe o seu salário no final do mês? A legislação trabalhista não obriga o empregador a depositar os salários dos trabalhadores no quinto dia útil? Como pode a categoria do magistério não ter uma data base para reajuste de seus salários? Façam isso com os metalúrgicos, bancários e outras categorias para ver o que acontece? Acostumados a ignorar os funcionários públicos de forma geral e em particular os professores, os governos estaduais vêm fazendo vistas grossas na área educacional. Pelo visto chegamos ao fundo do poço.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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'VERDADE DESABAFADA'

A propósito do artigo assinado pela professora de Direitos Humanos da PUC-SP Flávia Piovesan (Verdade desabafada, 5/5, J7), é lamentável que a cultuada professora e inteligente procuradora do Estado escore seu artigo em um livro cuja conteúdo é sabidamente mentiroso e cujo autor é renomado criminoso (não político), com vasta ficha de antecedentes penais, todos os delitos cometidos em seu estado de origem, o Espírito Santo. Aliás o próprio jornal O Estado de S. Paulo, em 4/5, explicita o caráter do marginal em artigo titulado Ex-agente da ditadura Cláudio Guerra se contradiz em livro recém lançado. Se a professora quiser pontificar em sua relevante atividade como "defensora dos direitos humanos", no que respeita ao regime militar, sugiro que comece pela leitura de William Waack, Fernando Gabeira, Paulo Francis, Leandro Narloch, dentre outros autores integrantes da "inteligentsia" de nosso país, reconhecidamente imparciais e não facciosos e volte sua artilharia para Cuba e China (o Brasil representado pela ilustre professora pode mudar, e muito, o regime autoritário e torturador desses países). Curioso como historiadores de araque e pretensos "defensores dos direitos humanos", que não viveram a época do "golpe" (ou contragolpe) militar se arvoram no direito de fazer julgamentos, olhando apenas a face da moeda que mais lhes apetece. E quando esse julgamento vem da professora, que conheço desde menina, a surpresa é muito maior. Antes não tivesse eu vivido e presenciado os atos covardes e os assassínios perpetrados por guerrilheiros e terroristas que ensanguentaram nosso solo com o sangue de inocentes. Aliás, nenhum comentário se faz a respeito em seu artigo, muito menos se acha qualquer indicação às afrontas aos direitos humanos praticados nos dias de hoje, em nossos presídios. O que se percebe é que os "historiadores" e "defensores dos direitos humanos" se limitam a fazer apologeticamente, de forma doentia, a ideologia da revanche da esquerda pré-histórica, ensandecida pela derrota. Os militares foram os monstros... E ponto final. E os assassinos terroristas, pobres almas imaculadas, desejosos de democracia "sino cubana" , as vítimas indefesas. Ora professora, minha cara, saia da redoma e pesquise os jornais de então, quando nem nascida era. Naquela ocasião os que defendiam a democracia e os direitos humanos clamavam pela intervenção dos militares. Tenho certeza de que após a análise fria dos textos aqui indicados, seu ponto de vista mudará radicalmente e, com certeza, você irá censurar as atrocidades - e foram muitas - praticadas por ambos os lados em guerra. A imparcialidade é o granulo salis em sua relevante atividade. Com referência a obra por você citada, o livrinho muito suspeito de Cláudio Guerra, não é crível que uma só pessoa tenha transportado prisioneiros para "queimá-los numa usina", sem que ninguém, absolutamente ninguém, tenha comentado a terrível ação criminosa. Só o autor do livro o fez e viu o evento por ele relatado. Não há uma só citação de testemunhas das mortes anunciadas; não há um documento, uma ordem superior, uma referência e nada que confirme a existência de restos mortais nos dias que se seguiram às mortes. Será que o próprio autor desapareceu com as cinzas e os fragmentos ósseos? Ora, assim qualquer um pode relatar "atrocidades" cometidas no regime militar. De outro lado as mortes de inocentes cometidas por terroristas-guerrilheiros, que hoje ocupam cargos na República, tiveram sua atuação documentada, não só pela mídia, mas, sim, o que é importante, por pessoas comuns que testemunharam os fatos. E contra esses testemunhos factuais não existem argumentos. E o que é mais importante, o sujeito nem integrava o DOPS naquele período! Ademais, em nenhuma fase das ações publicitárias do organismo conhecido como "Tortura nunca mais" se faz qualquer referência à pessoa do indigitado Cláudio Guerra, que, de resto, é tido e havido, tanto pela esquerda raivosa quanto pela direita, como maluco de "pedra". Para terminar fica o conselho de pessoa bem mais velha que passou pelas agruras dos denominados "anos de chumbo (ou seriam "anos de prata"), como oficial do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar , naqueles tempos: ouça sempre os dois lados, antes de formar sua convicção, orientação fundamental que nós outros cansamos de ouvir durante as aulas na Faculdade de Direito.

Inajá Guedes Barros drjago@estadao.com.br

São Paulo

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CRISE EUROPEIA

A propalada crise europeia é um sinal de que a humanidade tem relações complexas e a lógica do mercado e da aritmética simples nem sempre triunfa. O que acontece na Europa é um bom exemplo para nós, que caminhamos para uma sociedade mais idosa, com aumento de consumo, com diminuição de posições de trabalho manuais e com redução das jornadas de trabalho - e, consequentemente, mais tempo livre para lazer, cultura, pensar e reivindicar.

Adilson Roberto Gonçalves priadi@uol.com.br

Lorena

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ALTERNATIVA HOLLANDE

A primeira coisa da qual a eleição de Hollande nos permite ter certeza é de que seu maior beneficiário imediato foi o próprio Sarkozy, que assim se livrou do fracasso anunciado da política de austeridade. De fato, nos últimos meses todos os principais personagens da era Merkozy já tinham posto um pezinho para fora do barco, a começar pela diretora-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que, diante da persistência renovada das dificuldades, declarou que "O FMI teme um repique devastador da crise europeia"; depois, já na última semana de abril, às vésperas das eleições francesas, veio a debandada geral, desde o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, até a própria Merkel, passando pelo secretario de finanças alemão, Thomas Steffenn, entre outros, nunca tantas importantes autoridades européias foram tão explícitas e convergentes no reconhecimento de que a austeridade tem aprofundado a tendência recessiva na região e que sem crescimento não tem solução. Claro que, até para manter as aparências, não chegaram a renegar o equilíbrio fiscal, mas, como relativizou o secretário Steffen, "Falar em disciplina fiscal não significa que a Alemanha seja uma espécie de talibã da austeridade". Soluções de fato ainda ninguém tem, nem os "socialistas" nem os "conservadores", mas a segunda coisa da qual se pode ter certeza é que só a substituição dos cacoetes ideológicos dos conservadores (cortar salários, por exemplo), pelos cacoetes ideológicos dos socialistas, já nos aproxima do reconhecimento da verdadeira natureza da crise, o que é o primeiro passo para o encaminhamento de uma possível solução efetiva. A crise é uma crise da repartição, gerada pelo crescimento exponencial da produtividade e dos lucros e pela relativa estagnação do salário básico ao longo das décadas que a precederam (Paul Krugman/Joseph Stiglitz), não só nos Estados Unidos, mas um pouco por toda parte. Por isso mesmo, só pode ser resolvida pela reordenação do crescimento dentro de uma nova equação de repartição, em que se aumente a participação do trabalho na divisão do produto. Trocado em miúdos, isso vai significar aumentos reais de salários, também mais ou menos por toda parte, dos Estados Unidos à Alemanha e França, da Grécia à China e ao Brasil. Enquanto a demanda estiver reprimida pelas dívidas acumuladas e pelos salários abaixo do necessário para o equilíbrio macroeconômico lucro-investimento, a crise não se resolve. O problema é o quanto e como fazê-lo. Tecnicamente não se mostra muito difícil mostrar que esse "salário de equilíbrio" tem que ser igual à "produtividade-padrão" (a "moda", valor mais frequente, da distribuição da produtividade do trabalho) de cada economia nacional. A "produtividade-padrão", assim definida, permite objetivar o conceito abstrato da "produtividade marginal do trabalho", que todos os economistas reconhecem como conceitualmente correspondente ao salário, na definição de pagamento devido ao "trabalho-simples". Para nós, do povo, o importante é saber que, posto nesses termos, torna-se possível determiná-lo estaticamente para a realidade de cada economia nacional. Dessa forma, longe de continuar relegado a uma mera "realidade de mercado", com todas as crises daí decorrentes, o salário devido passa se definir como um parâmetro técnico, que pode ser objetivamente determinado. Muita gente, mundo afora, particularmente os franceses, estão olhando esperançosamente para o Brasil. Realmente parece que chegou a nossa vez de dar uma contribuição decisiva para o mundo, lançando mão de nossa experiência recente. De fato, uma vez determinado o salário devido em pesquisas especificas dos órgãos de estatística de cada país (o Bureau of Census dos EUA, o Insee da França, o IBGE do Brasil, etc.) bastaria um plano, no modelo do Plano Real brasileiro, para ajustar, em prazo curto, os preços relativos a essas novas referencias salariais, como aqui se fez, em torno da URV, para debelar décadas de inflação descabelada. Mas como as empresas poderiam aumentar salários em plena crise?! No período de ajuste (os quatro meses de implantação do Plano Real) é claro que os tesouros nacionais teriam que cobrir, a fundo perdido, o impacto nas folhas de pagamentos das empresas. Depois elas poderiam andar com suas próprias e revigoradas pernas. O custo da operação não tem nada de proibitivo. É muito menos que os trilhões de euros e dólares jogados no buraco sem fundo da dívida. Por exemplo, digamos que a pesquisa apontasse para a necessidade de dobrar o salário mínimo brasileiro, em números redondos, dos atuais R$ 600 para R$ 1.200. Claro que o mesmo adicional concedido ao mínimo teria que ser linearmente estendido a todos os cerca de 60 milhões de trabalhadores brasileiros, independente de quanto ganhem, uma vez que todos têm direito à mesma parcela de "trabalho-simples", mais o respectivo adicional de qualificação ("capital humano") de cada um. Isso daria um custo de implantação do plano de (4 meses x R$ 600 x 60.000.000 de trabalhadores) = R$ 144 bilhões, men os do que o país gasta por ano com os juros de sua divida e cerca de 20% da atual reserva em dólares. Se para o Brasil é fácil, o que dizer para os demais... Em suma, alternativa existe, é só encontrá-la.

Rogério Antonio Lagoeiro de Magalhães, economista, pesquisador vinculado da COPPE/UFRJ lagorog@uol.com.br

Teresópolis (RJ)

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PODER FRANCÊS

A vitória do socialismo na França pode representar a preocupação da comunidade econômica europeia com a difícil política de debelar a crise internacional. Críticas a parte, também significa uma resposta ao fator política incapaz de criar empregos e mostrar crescimento com desenvolvimento. A troca entre direita e esquerda no poder é apenas sintomática, pois as políticas públicas adotadas geralmente visam à permanência no governo e não refletem os interesses da maioria, perturbando a estrutura sólida da sociedade.

Yvette Kfouri Abro abraoc@uol.com.br

São Paulo

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SOBREMESAS EM ALTA

Depois da vitória de François Hollande , que carrega o apelido de Flanby (uma marca de pudim de caramelo), os opositores de Geraldo Alckmin deverão repensar a estratégia de apelidá-lo picolé de chuchu.

Alexandru Solomon alex101243@gmail.com

São Paulo

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A DERROTA DE SARKOZY E O FATOR HOLLANDE

Uma das qualidades da democracia é proporcionar aos diversos segmentos ou às diversas percepções da sociedade se sentirem no "poder" de tempos em tempos. Trata-se de um fator que favorece a coesão no longo prazo. Mas os problemas estruturais do momento e as dificuldades enfrentadas para o encaminhamento de soluções não mudam quando um partido alternativo assume o governo, independentemente das afirmações feitas durante a campanha eleitoral, quando a então oposição explora os descontentamentos. De uma forma geral os discursos ainda precisam incorporar uma melhor explicação dos problemas. Infelizmente, os políticos ainda não apostam na racionalidade e na capacidade de decisão responsável dos eleitores. De uma forma geral os países da União Europeia estão aprendendo a arrumar a casa das consequências das práticas de déficits fiscais por anos a fio. Há também as tentativas de menor esforço por transferência dos custos aos vizinhos. "Cair na realidade" causa dores. Que na França elas tenham de ser administradas pela "esquerda" pode facilitar o processo.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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O QUADRO POLÍTICO NA FRANÇA

A eleição do socialista François Hollande para presidente coloca duas possibilidades para análise tanto da eleição na França quanto no futuro da Europa. Por um lado, se houver uma maioria parlamentar que indique um primeiro-ministro socialista, o novo presidente terá mais apoio e respaldo para discutir políticas de estímulo ao crescimento econômico do país. François Hollande propõe não ratificar o pacto assinado por 25 países da União Europeia e pretende reabrir o debate sobre o pacto fiscal. Isso pode levar a um confronto desestabilizador sobre a crise da dívida ao questionar a insistência alemã na austeridade orçamentária da zona do euro, mas a chanceler alemã, Angela Merkel, já acenou que propostas de estímulo ao crescimento podem ser discutidas numa cúpula em junho. Por outro lado, se houver turbulência no mercado financeiro com fuga de capitais, ao longo do mês de maio, que ajude numa vitória dos conservadores nas eleições legislativas de 10 e 17 de junho (renovação de toda a Assembleia Nacional com votação distrital em dois turnos por maioria absoluta), haveria a indicação de um primeiro-ministro conservador mais alinhado com a ratificação do pacto fiscal, que poderia hipoteticamente ser até mesmo Nicolas Sarkozy. Na primeira possibilidade, o presidente François Hollande teria mais margem de manobra contra a chanceler alemã a fim de obter compromissos de estímulo ao crescimento econômico e, portanto, o pacto franco-germânico (motor da economia europeia) teria de ser rediscutido para o futuro da Europa, visando a combater o aprofundamento da recessão e o aumento do desemprego em todo o continente europeu. Na segunda possibilidade, o socialista François Hollande teria menos margem de manobra por estar num governo de coabitação com um primeiro-ministro conservador. A chanceler alemã não precisaria necessariamente renegociar o pacto franco-germânico. Entretanto, uma nova coabitação com duração de cinco anos, em meio a uma crise econômica, seria impraticável. Restaria ao presidente François Hollande recorrer à dissolução da Assembleia Nacional para obter uma maioria em nova eleição legislativa para indicar um primeiro-ministro socialista, mas ele correria o risco de ficar muito enfraquecido caso fosse confirmada a manutenção de um primeiro-ministro conservador. O quadro político da França, pendendo entre a primeira possibilidade e a segunda possibilidade, ficará claro apenas após o resultado final das urnas no segundo turno das eleições legislativas em 17 de junho e a nomeação do novo primeiro-ministro. No semi-presidencialismo, como no xadrez, os movimentos das peças provocam efeitos sobre toda a posição e, portanto, sobre a análise da situação, como no caso acima quando há xeque ao rei, como no título do livro de Maurice Duverger (Échec au Roi traduzido para o português como O Regime Semipresidencialista, Editora Sumaré, 1993).

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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'AU REVOIR', CARLA!

A presidência da França vai passar de Nicolas Sarkozy para o socialista François Hollande. Do Sarkozy não vamos ter saudade; já da Carla Bruni...

Silvano Corrêa scorrea@uol.com.br

São Paulo

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BRASILEIRO SAMARITANO NA CHINA

Impressionante a matéria da Cláudia Trevisan, de Pequim, mostrando como um jovem brasileiro saiu em defesa de uma chinesa que estava sendo assaltada, trocou socos com os ladrões, ficou sangrando no chão e, lamentavelmente, embora sob as vistas de 50 pessoas, não foi socorrido por ninguém. Este episódio, aparentemente banal de violência urbana, ocorrido no outro lado do mundo, também já tornou-se tônica em todo o Brasil. Com idênticas semelhanças. Diante da escalada brutal e avassaladora da violência e da insegurança, as pessoas são assaltadas, esfaqueadas, atropeladas, assassinadas, diante de testemunhas, mas ninguém faz nada. O medo tomou conta de todos. O gesto de um simples cumprimento na rua pode ser mal compreendido. Todos se olham entre si com desconfiança, como se cada um fosse um marginal em potencial. Triste e estarrecedora constatação.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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CARTA MAGNA?

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal (STF), precipuamente, a guarda da Constituição... Art. 5.º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição. O STF acaba de, por unanimidade, declarar constitucionais as cotas nas universidades aos afrodescendentes. Impõe-se, destarte, mais uma humilhação aos negros e mulatos. Não seria mais criativa, aos que assim pensaram, a proposta de abrir a oportunidade de cotas, por um prazo determinado, dentro do Plano Nacional de Educação, projeto em andamento na Câmara dos Deputados, para que esses seres humanos tivessem oportunidade, dentro desse prazo, para um equilíbrio? Nesse mesmo prazo, cuja previsão é de 10 (dez) anos, proporcionar-se-ia estudo de qualidade, a todos os brasileiros que buscam lugar nos bancos universitários. Essa solução, se analisada pelo Supremo, talvez, pela determinação de prazo, pudesse ser chamada de constitucional. No caso da decisão tomada, não entendi a decisão do Supremo. Agravada pela unanimidade. Seria uma tentativa de melhor aceitação social? Serão todos futuros candidatos a cargos eletivos?

Lígia Maria Venturelli

São Paulo

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COTA RACIAL

Simplesmente abolir a escravatura deixando o negro da mesma forma, pobre e escravo do homem branco, não foi o que deveria ter sido feito realmente. O presumivelmente correto seria colocar os negros em navios e devolvê-los ao lugar de onde foram violentamente tirados. Contudo, muito tempo havia se passado e não só haviam perdido a propriedade, como havia aqueles que tinham aqui nascido. Portanto, o verdadeiramente correto teria sido, ao abolir a escravatura, os governantes da época indenizarem os negros pelas perdas que lhe foram impostas, dando-lhes terras e recursos para o plantio, bem como suporte técnico agrícola. Desta forma o negro iria alcançar um lugar na sociedade e no plano econômico, sem se humilhar como foi humilhado e viver na pobreza como viveu até aqui, sem os recursos suficientes para propiciar aos seus filhos o ensino particular, os cursinhos pré-vestibulares que os capacitassem concorrer em mesmo plano de igualdade com o estudante branco. E, agora, 124 anos depois, querem cometer o mesmo erro com o negro com essa lambança de cota racial. Não tiveram a cara de pau de indenizar as "pressupostas vítimas da ditadura"? Pois então, se querem fazer justiça aos negros, indenizem-nos devida e corretamente, para que possam concorrer em igualdade com o branco, ao invés de submetê-los a essas "providenciais" esmolas e legar-lhes essa indisfarçável humilhação travestida de "cota racial".

Nei Silveira de Almeida neizao1@yahoo.com.br

Belo Horizonte

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