Fórum dos Leitores

POLÍTICA ECONÔMICA

O Estado de S.Paulo

14 Maio 2012 | 03h06

Expectativa frustrada

Quem frequenta supermercados tem notado o aumento dos preços dos alimentos quase que semanais, e não é só em víveres que se observa, mas em quase todos os itens que compõem a cesta de produtos que servem para os institutos de pesquisa apurarem os índices de inflação. No entanto, o avanço do IPCA em abril, de 0,64%, "surpreendeu" o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que para tentar explicar a elevação brusca disse que a taxa superou as expectativas. Se visitasse os supermercados e outros comércios - o que, acredito, não deve fazer há tempos -, o chairman (todo-poderoso) do BC não se surpreenderia tanto, veria que os preços estão avançando perigosamente. Só a equipe econômica não enxerga - porque não quer ver e lhe é conveniente. Estamos cansados de ser ludibriados pelo governo, que tenta enfiar-nos goela abaixo todos os meses índices que, já sabemos de antemão, são mentirosos, manipulados para mostrar que a inflação está controlada.

SÉRGIO DAFRÉ

sergio_ dafre@hotmail.com

Jundiaí

Guerra perdida

A cruzada do governo para baixar os juros assumiu ares de verdadeira guerra santa, a ponto de nenhuma opinião diferente, mesmo que plausível, ser minimamente tolerada, como mostra a investida de Dilma Rousseff contra a Febraban e a exigência de retratação dessa entidade - como se se tratasse de um órgão do governo - quanto à declaração de um de seus dirigentes questionando a eficácia da queda dos juros para a oferta de crédito. Mas a divulgação da inflação de abril, que foi o triplo da de março, veio jogar um balde de água fria e mostrar que essa guerra já nasceu perdida. Agora é hora de ir retirando os soldadinhos do campo de batalha, pois talvez em curtíssimo prazo o BC de Dilma tenha de inverter a rota da Selic, para cima, já que é a única arma de que o governo dispõe para combater a inflação. Ou, quem sabe, talvez Dilma prefira dar ouvidos ao canto de sereia dos desenvolvimentistas, aceitando conviver com alguma inflação, como se não conhecesse o final desse filme batido e trágico.

JORGE MANUEL DE OLIVEIRA

jmoliv11@hotmail.com

Guarulhos

Povo endividado

A frase de Rubens Sardenberg "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água" está muito clara. O governo baixa juros e toma dinheiro da poupança, mas não baixa os impostos. Um que é um roubo é o Imposto de Renda que incide sobre os ganhos de PLR dos operários! Pelo que se pode afirmar que o governo quer é o povo cheio de dívidas, e acha que está certo.

ARY CESAR

arycesar@adv.oabsp.org.br

São Caetano do Sul

Apelo a Dilma

É abusivo, desproporcional e inconstitucional o valor das multas que a Receita Federal aplica às empresas que atrasam a entrega de algumas obrigações acessórias, como Sped Contribuições, Sped Contábil, Dimob, etc. Independentemente do porte da empresa, a multa é de R$ 5 mil por mês de atraso. Uma microempresa que atrasar 24 meses a entrega de um Sped, por exemplo, terá de pagar R$ 140 mil de multa, um valor maior que o seu faturamento anual! Sei de gente que, no desespero, teve de vender carro e ainda pegar empréstimo em banco para pagar uma multa de R$ 40 mil. Aonde vamos parar? Com tamanha estupidez do Fisco, como é que as pessoas se podem sentir encorajadas a formalizar um negócio? Isso é modo de fortalecer a empresa nacional? Só se for na China... Sra. Dilma, srs. deputados e senadores: por favor, removam essa insanidade da lei e estabeleçam punições justas para o contribuinte, estipulando como multa um porcentual sobre o imposto devido, tal como ocorre na entrega em atraso da DIPJ.

JOÃO FRANCISCO, contador

jotachico26@yahoo.com.br

São Paulo

Mais uma bravata

O BC divulgou que Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica não têm os menores juros, como foi alardeado pelo governo. Aos poucos a verdade começa a aparecer. O caso abaixo aconteceu com uma conhecida. Ela foi ao BB em Santo Amaro e ao tirar seu extrato percebeu que os juros eram de 8% no cheque especial e 13% no cartão de crédito. Desconfiada, questionou o gerente e ouviu como resposta que para ter juros mais baixos ela deveria fazer seu cadastro no Bom para Todos, ao custo de R$ 58/ mês. Entretanto, esse pacote não lhe dá o direito de saber quais os juros mensais, porque eles serão calculados pela equipe do banco, segundo o gerente. Esse é um pequeno exemplo, imaginem o que não acontece Brasil afora com os mais desatentos e desinformados. Juntem-se a isso as propagandas veiculadas por TV e rádio, há milhões de brasileiros engolindo a bravata. Brasil, um país de tolos!

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

CPI e dólar

O ministro Guido Mantega deveria saber que, tal como qualquer CPI, o dólar também não se subordina à vontade de quem tenta manipular o mercado. Agora ele já se demonstra preocupado com a barreira dos R$ 2 por dólar. O contágio da moeda americana para os índices de inflação, principalmente o IGP-M, é fatal. Cautela, ministro, o que derruba a popularidade do governo não é só CPI, mas sim a inflação, principalmente quando maquiada.

CLAUDIO JUCHEM

cjuchem@gmail.com

São Paulo

O fantasma...

... do tsunami financeiro: o veneno era caseiro e ninguém se mancava. Foi só intervir, jogando os juros para baixo, para o capital volátil se volatilizar.

SERGIO S. DE OLIVEIRA

ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

Hora da verdade

O Brasil não deve resolver seus problemas somente com alterações na política de juros. Necessariamente, o País precisa efetivar reformas consistentes na sua estrutura, para melhorar nossa economia e, por consequência, o Estado brasileiro, via melhoria da gestão pública, redução da carga tributária, investimentos em educação e P&D - obviamente, todas medidas controversas e de difícil aprovação no Congresso. Palavras estas de vários economistas.

MARCOS ANTONIO SCUCCUGLIA

sasocram@ig.com.br

Santo André

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