Fórum dos Leitores

COMISSÃO DA VERDADE

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h49

O ovo e a galinha

Como era fácil prever, componentes dessa comissão declararam, antes mesmo de sua instalação, que vão apurar somente as ações dos agentes de Estado nos chamados "anos de chumbo". Que "esse negócio de apurar os dois lados é bobagem". Quer dizer que violação dos direitos humanos vale só para um lado da moeda e as famílias dos militares - normalmente jovens obrigados a cumprir o serviço militar - que foram vítimas de atentados, assim como civis roubados, sequestrados ou mortos pelos que "combatiam o regime militar" (forma delicada de intitular os terroristas) da época não terão nenhuma resposta dessa comissão? Realmente, bobagem seria acreditar que uma apuração justa, equilibrada e, principalmente, sem ranço ideológico poderia resultar dos trabalhos dessa que deveria chamar-se Comissão da Meia Verdade. A questão não é defender um ou outro lado. E fica a pergunta: o que surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?

HELEO POHLMANN BRAGA

heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

Vítimas viram réus?

Se, conforme um integrante da comissão, só será investigado o lado das vítimas, que sofreram violações dos direitos humanos, então, que nome se dá aos que morreram vitimados pelos militantes? Réus? Alguém precisa explicar à família de Mário Kozel Filho que ele é réu! Quem o mandou trabalhar e cumprir seu dever no Exército? Quem o mandou tentar socorrer um carro batido na parede do quartel? Que vergonha!

DEBORAH MARQUES ZOPPI

dmzoppi@uol.com.br

São Paulo

Menos iguais

Meia verdade, no bom entendimento, é desinformação ou mentira. Como pode o sr. Paulo Sérgio Pinheiro dizer que os atos de terrorismo praticados por militantes de esquerda ficarão de fora da investigação? Parafraseando Orwell, as vítimas do terrorismo são menos iguais que as da ditadura?

ULYSSES F. NUNES JUNIOR

ulyssesfn@terra.com.br

São Paulo

Os esquecidos

Os agentes do Estado vítimas das organizações terroristas, como, por exemplo, o capitão PM Alberto Mendes Júnior, o soldado do Exército Mário Kozel Filho - também o capitão Charles Rodney Chandler (EUA) -, bem como dezenas de outros serão esquecidos pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). Se há um procedimento apuratório, a verdade tem de prevalecer sobre toda a mentira a que assistimos até hoje!

ALOISIO PEDRO NOVELLI

celnovelli@terra.com.br

Marília

Doa a quem doer...

A CNV começou mentindo. Antes da nomeação de seus integrantes, dizia-se não haver revanchismo em seus propósitos. Constituída, o ministro do STJ declarou que o colegiado poderá contribuir para a "reconciliação nacional", sem nenhum "revanchismo", e atuará "doa a quem doer" (12/5, A4). Sendo assim, reconciliar é congraçar e pacificar, enquanto doer a quem doer é de supor haver dois lados passíveis da ação em questão. Mas o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro declarou que "nenhuma comissão da verdade teve ou tem essa bobagem de dois lados, de representantes dos perpetradores dos crimes e das vítimas. Isso não existe". Com absoluta "imparcialidade", segundo o diplomata, a comissão vai apontar os militares como assassinos, torturadores e violadores dos direitos humanos e, ao contrário, o pessoal que sequestrou, assaltou, matou, violou a lei na tentativa de implantar o comunismo no Brasil... Um grande golpe de Estado, sim, impedido pelas Forças Amadas, que no seu dever constitucional o evitaram com bravura, com o sacrifício da própria vida, como, por exemplo, o soldado Mário Kozel Filho em São Paulo, o sargento Carlos Camargo em Leônidas Marques, no Paraná, o tenente Alberto Mendes Júnior, na Operação Registro, e tantos outros. É uma grande incoerência a presidente nomear sua ex-defensora e deixar fora da comissão alguém que se possa contrapor aos fatos aventados. Isso é um julgamento em que o acusado não tem direito a defesa.

VICENTE MUNIZ BARRETO

dabmunizbarreto@hotmail.com

Cruzeiro

Revanchismo

Eu era tenente assistente social e dentista do Regimento de Cavalaria 9 de Julho da antiga Força Pública e me lembro de quando o cabo João Costa, guiando um caminhão da entidade, se viu emparelhado por um carro de onde um terrorista barbudo deu uma rajada de metralhadora que atingiu a mão do policial e parte do caminhão. Na primeira página do Estadão de 15/5 li que "a Comissão Nacional da Verdade se dedicará à investigação das violências de direitos humanos praticadas por agentes do Estado no regime militar. Os atos de terrorismo por militantes da esquerda ficarão de fora". O lado a ser investigado é o das "vítimas", afirma o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, um dos integrantes da comissão, sendo que outros integrantes desses "estudos" asseguravam não haver revanchismos! Revanchismos? Ah! Chegou a hora de a comissão eleger a dúbia verdade que o PT pretende, sim, como vingança tardia.

FERNANDO AVERBACH

reginalili@yahoo.com

São Paulo

Acerto de contas

A CNV é uma importante conquista do povo brasileiro e representa um grande avanço para o Brasil. Não tem nada que ver com revanchismo ou vingança, ao contrário. É necessário acertarmos as contas com o passado recente para podermos virar de vez essa página negra da nossa História e seguir em frente com a fronte limpa, sem esconder o lixo embaixo do tapete. Quem não deve não teme. Só os torturadores e violadores dos direitos humanos terão de prestar contas pelos crimes cometidos durante a ditadura militar, que são imprescritíveis. Dessa forma faremos com que torturas, perseguições e assassinatos praticados pelo Estado nunca mais voltem a ocorrer no País.

RENATO KHAIR

renatokhair@uol.com.br

São Paulo

A História completa

Se a Comissão da Meia Verdade apurar apenas os excessos da direita (militares), quando o PT deixar o governo - nada é eterno -, teremos a segunda Comissão da Meia Verdade para apurar os excessos cometidos pela esquerda (guerrilheiros). Como meio mais meio é igual a um, só assim teremos a História completa.

WALTER MENEZES

wm-menezes@uol.com.br

São Roque

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

VAIAS PARA DILMA

As vaias recebida por Dilma na reunião dos prefeitos em Brasília, na verdade, não foram dadas pelos 300 prefeitos, e sim pela população das 300 cidades que continuam sendo enganadas pelo PT, por Lulla e Dilma, que, em vez de cumprir sua obrigação com o dinheiro do petróleo extraído nessas cidades, coloca tudo no bolso da corrupção, dos petralhas, do Cachoeira. E o que sobra, por incompetência, joga no esgoto a céu aberto em todo o País.

Paulo Francisco Siqueira dos Santos paulof.santos@hotmail.com.br

Santa Rita do Passa Quatro

*

INESQUECÍVEL

Não se preocupe, dona Dilma, é assim mesmo. A primeira vaia ninguém esquece, é igual ao "primeiro sutiã": no começo incomoda, depois a gente se acostuma.

Celia Henriques Guercio Rodrigues celitar@hotmail.com

Avaré

*

OUTRAS VIRÃO

Dona Dilma tomou uma vaia (pequena) em evento com prefeitos em Brasília e perdeu o equilíbrio. Demonstrou sua irritação apontando o dedo em riste para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios. Calma, dona Dilma. Isso aí é só o começo, não tenha dúvidas de que muitas outras virão, e de maneira mais sonora. Não se esqueça de que o seu criador foi solenemente vaiado no Maracanã, pois não havia plateia contratada para aplaudi-lo. Ou a senhora pensa ser unanimidade?

Ademar Monteiro de Moraes ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

*

APROVAÇÃO SURREAL

Demoraram muito para perceber que a presidente Dilma Rousseff tem níveis de aprovação surreais. Que pouco fez pelo Brasil até agora, tendo sido vaiada durante um evento lotado de prefeitos na plateia, onde discursou sobre distribuição de royalties do petróleo. Ocasião em que mostrou não ser nada "cordial", "amável", "gentil", "emotiva", como quer aparentar, especialmente quando chora, como o fez em diversas ocasiões. Pois encerrou seu discurso irritada, dirigindo-se com o dedo em riste ao presidente da Confederação Nacional dos Municípios, como querendo repreendê-lo.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo *

DEDO EM RISTE Dilma de dedo em riste no rosto de uma pessoa que merece tanto respeito quanto ela. Que deselegante! Adelaide de Oliveira Vieira Santos adelaidescs@yahoo.com.br

São Caetano do Sul *

COMO NOS VELHOS TEMPOS! Dilma, que pelo seu comportamento durante encontro com prefeitos da Confederação Nacional dos Municípios, em Brasília, não merece outro tratamento senão o do próprio nome, tem o dever de ter em mente que, ao dirigir-se a qualquer pessoa com o indicador em riste na frente do rosto do seu interlocutor, tem voltados para si, concomitantemente, outros três dedos a adverti-la sobre a impropriedade do gesto. Como a sua função, hoje, é exercer o cargo de presidente da República, com seu proceder nos fez lembrar, translucidamente, os seus velhos tempos de Estela, Wanda, Luiza ou Patrícia. Entretanto, leitores, aguardem: mais "que tais" vêm por aí... Ela não se contém. Quem procede assim não pode, porque não tem condições, representar condignamente o nosso país. Bastam já, quando na Europa, suas advertências sobre a economia interna da Alemanha para a própria chanceler Angela Merkel. Neste "affair", lembrei-me imediatamente de Noel Rosa a advertir seu rival, Wilson Batista: "Quem é você que não sabe o que diz! / Meu Deus do céu que palpite infeliz..." Por isso mesmo, atenha-se, "presidenta"!

João Guilherme Ortolan guiortolan@gmail.com

Bauru *

MALCRIAÇÃO

A presidente Dilma deu um recado firme aos prefeitos sobre os royalties. Foi direto ao assunto, sem rodeios ou meias respostas, como é do feitio dos políticos. Não enganou. Mas não precisava ser deselegante, como foi, ao se retirar do púlpito e se dirigindo ao presidente da Confederação Nacional de Municípios de dedo em riste. Poderia, reservadamente, dizer ao presidente da confederação o que lhe disse na frente de todos. Bem, em se tratando de petista, esperar educação é pedir demais. Não esqueçam que Lula, quando na Presidência, por ocasião do desentendimento com o ex-presidente da Vale, falou em tom desrespeitoso e deselegante numa conferência. Deveriam, tanto o ex-presidente da Vale como o presidente da confederação, ter-se retirado, deixando-os falando sozinhos, para aprenderem a ter um pouco de respeito. A popularidade que desfrutam não lhes dá o direito de ser malcriados e mal-educados.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro *

CARISMA DE PAU

Dona Dilma está aperfeiçoando uma série de coisas. Uma delas, sem dúvida, é a arte de anunciar, com ar circunspecto e solene, medidas que ela sabe que não vão ser efetivadas nunca, mas soam bem para a grande plateia de idiotas e catatônicos que o petismo criou no Brasil. A mais recente é essa bobagem de que precisa "atacar os impostos", fantasia que, como das outras vezes, ela apresenta como se fosse de responsabilidade mais de quem ouve que do próprio governo. Este, na verdade, só perpetua o estelionato pomposo e expõe sua incapacidade gerencial administrativa ao manter a propaganda enganosa invariavelmente no lugar da ação. Alguém aí se lembra de que "íamos" construir 6 milhões de creches, ou que "íamos" manter a inflação no centro da meta? Governar, no Brasil, passou a ser discursar impunemente, e nisso ela se está revelando uma artista. Poder-se-ia dizer, até, que, como o antecessor, ela tem um tipo especial de "carisma", aquele que junta cara de pau com sofisma.

José Benedito Napoleone Silveira nenosilveira@aim.com

Campinas *

O DESCASO DOS DESCASOS

Em Notas & Informações de 15/5 (A3), Estadão publica uma matéria da mais importante envergadura com um título de bom gosto e bem provocativo: 'Falta uma Fifa para as creches'. O editorial põe em destaque a carência que se tem no nosso país relativa ao atendimento elementar (não) oferecido às nossas crianças. Ninguém duvida que a criança numa creche terá meios de ser amparada, alimentada, protegida e estimulada, ganhando a condição básica de desenvolvimento, para que no futuro possa se tornar verdadeira cidadã de seu país. Então, não dar atenção às crianças é o maior descaso dos descasos. É como profanar templos, é como rasgar textos sagrados, é como aviltar os grandes mestres da arte em geral, é como desmerecer os grandes cientistas que fizeram avançar o mundo. Enfim, não dar atenção às nossas crianças é para aqueles desmemoriados e sem presença de espírito que não se lembram que um dia, também, já foram crianças. Há grande demanda de vagas por parte da população e, em havendo verba para ser destinada à área de construção de creches, fica a pergunta: haveria falta de vontade política? Mas por que razão?

Maria Cecilia Parasmo mcparasmo@uol.com.br

São Paulo *

CARLOS FUENTES

Foi com muita tristeza que fiquei sabendo do falecimento do célebre escritor mexicano Carlos Fuentes. Com essa morte o mundo literário ficou mais pobre.

Paulo Dias Neme profpauloneme@terra.com.br

São Paulo *

A MÍDIA E A CORRUPÇÃO

Morreu Carlos Fuentes, um dos ícones da literatura da América Latina. Além de grande escritor, era um apaixonado pelas causas políticas e sociais. Deixa-nos uma extensa obra literária. Deixa-nos também a seguinte frase, uma constatação: "Há menos corrupção em países em que a mídia tem o poder de informar e criticar". Recentemente vimos o presidente do PT, Rui Falcão, vir a público dizer que o governo está pensando em criar mecanismos para coibir a ação da mídia. Será que estão querendo aumentar a corrupção a níveis acima do atual?

José Carlos Degaspare degaspare@uol.com.br

São Paulo *

A VERGONHA DA SECA

Sinceramente, o ex-presidente Lula demonstrou desprezar o sofrimento do seu Nordeste. Ganhou a eleição com a ajuda deste povo e, como resposta, ao tomar posse em 2003 prometeu (como sempre só promete...) construir com urgência 1 milhão de cisternas para minimizar o flagelo da seca. Por sinal, seria essa uma das soluções mais rápidas, baratas e eficientes para suprir as necessidades básicas de consumo de água, e até para a pequena produção de alimentos, como ocorre para aqueles poucos que já têm cisternas. Mas o demagogo Lula, de 1 milhão de cisternas prometido, apenas construiu 200 mil, abandonou o programa (e também o seu povo), preferindo iniciar a transposição do Rio São Francisco, cujas obras, além de não resolverem a angústia da falta de água da maioria, pela sua duvidosa conclusão, caminham a passos de tartaruga, e parte está abandonada. Mas celeremente, para a orgia do Planalto, a obra vem alimentando a corrupção com os seus R$ 9 bilhões quase que já consumidos. Por outro lado, para sacramentar a maldição petista, a cúpula do partido preferiu, no lugar de construir as cisternas e resolver com urgência o sofrimento de parte do problema da estiagem (a atual é uma das piores desses últimos 30 anos), dar recursos do Bolsa-Família a essa gente, como se fosse um cala-boca, visando somente ao apoio nas urnas... Ou seja, enganar cruelmente esses pobres conterrâneos do Lula...  Mas Deus está vendo...

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos *

GATO POR LEBRE

As cenas da seca no Nordeste, com o gado morrendo e as pessoas, miseráveis, impotentes; o impressionante cinturão de favelas na cidade do Rio de Janeiro; e o exército de zumbis do crack nas cidades denuncia o nosso subdesenvolvimento. Como aconteceu no filme publicitário exibido na disputa pela Olimpíada de 2016, quando uma boa edição eliminou as favelas do cenário carioca, nossos governantes vendem, aqui e lá fora, gato por lebre.

Maria Cristina Rocha Azevedo crisrochazevedo@hotmail.com

Florianópolis *

NOSSA SECA SURREAL

Gaudêncio Torquato (De volta para o passado, 13/5, A2) acrescentou à dramaticidade das secas nordestinas o surrealismo do Brasil. Graciliano Ramos só não pregou um celular no ouvido de Fabiano porque o tempo não o deixou vislumbrar o insólito da tecnologia do século 21, a ressoar grunhidos esquálidos da cachorrinha Baleia, deformada pela sede e fome. André Breton, ao germinar a literatura surrealista, expressou sua impossibilidade de compreender a morte do amigo sob seus olhos, no campo de batalha das armas sofisticadas desenvolvidas pelo bicho homem. Este é surreal, não os desígnios de Deus. Como disse o articulista, a seca foi superada em Israel, no deserto do Neguev (onde se plantam azeitonas); no Chile, Peru, México, Senegal e outros países que não concorrem com a sexta economia do mundo. Nosso teatro do absurdo tem uma causa bem definida: corrupção generalizada e cumplicidade dos governos federais ao longo da história.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo *

NOVAS VEREDAS PARA O GRANDE SERTÃO

Tempo bom para quem está nas belas e ensolaradas praias do litoral nordestino, mas preocupante para toda a região sertaneja. As chuvas que deveriam ter começado mais intensas em Novembro de 2011 estão demorando a chegar.  Continuamos sem chuva até meados de Maio de 2012 e a precipitação pluviométrica no semiárido tem sua maior intensidade no período Novembro-Março. O sertão, novamente, passa por inclemente e devastadora estiagem, destruindo lavouras e comprometendo a pecuária com reflexo negativo nos outros setores da economia. Voltam os escritos e promessas sobre o flagelo da seca no Nordeste Brasileiro. Muita locução para um assunto que sempre mereceu mais ação. Ao longo dos séculos não veem sendo adotadas as providências necessárias para minorar o sofrimento do povo sertanejo. Apesar de um acelerado desenvolvimento tecnológico, ainda, não se encontrou uma solução para o flagelo. Evitar a estiagem é impossível, mas existem práticas para uma convivência possível. Não será preciso reinventar a roda. São diversas as pesquisas e estudos sobre a região que repousam nas estantes e/ou nas memórias dos computadores das instituições de ensino e pesquisa. Utilizar na prática esse patrimônio de conhecimento para um desenvolvimento socioeconômico sustentável, produzindo riqueza, reduzindo a pobreza e respeitando a natureza é mais do que necessário, é fundamental. A oportunidade para alguns chega nos momentos em que outros estão preocupados com a crise. As adversidades decorrem das facilidades. Vamos emparelhar essa crise com a oportunidade. Precisamos de novas veredas para o Grande Sertão. Além das necessárias ações emergenciais e de verdadeiro socorro, é imprescindível  uma vontade política da sociedade e dos poderes públicos, municipais, estaduais e federal para um choque de gestão e inovação, adequando os sistemas produtivos à realidade do semiárido  no sentido de   vencer o atraso e garantir o progresso. A hora é agora.

Paulo Cesar Bastos paulocbastos@bol.com.br

Salvador *

FALTA CACHOEIRA

Alguns jornais publicaram a foto do nordestino Manoel Afonso dos Santos, 82 anos, ao lado de um dos netos, chorando os últimos momentos de vida da vaca Dourada, abatida pela fome e a sede, no vilarejo chamado Riacho de Ouro (?), em Pernambuco. São 1.100 municípios atingidos pela falta de chuvas num cenário jamais visto em 50 anos. A água está sendo disputada como troféu de guerra, os preços disparam e os furtos são constantes. Foto que nos revela a crueza e realidade da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ou ainda Os dois Brasis, de Jaques Lambert. Esse é o "país de todos", "o país rico, sem miséria", a "sexta economia do mundo", o país detentor das maiores reservas de petróleo do mundo, com reservas cambiais de centenas de bilhões de dólares, que investe bilhões de reais na construção de infraestrutura para a realização de eventos esportivos como a Copa e a Olimpíada, mas não é capaz de socorrer o brasileiro Manoel Afonso, seus netos e a vaca Dourada. De que vale ser a segunda mulher mais poderosa do mundo  disfarçando um papel de durona enquanto, na verdade é uma marionete de um propósito político montado nas bases da República de Weimar, do século passado e que pariu o nazismo.

 

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ) *

CPI DO CACHOEIRA E MINISTROS VASSALOS

Como verdadeiro vassalo do advogado de Carlinhos Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos, o Supremo Tribunal Federal (STF) se curva, e, agora, na pessoa do ministro Celso de Mello, decano desse tribunal, precisou de 14 páginas para justificar o injustificável, ou seja, dar liminar para que Cachoeira não vá depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). São um acinte os julgamentos proferidos por esses ministros do STF quando se trata de elementos da quadrilha que se apossou do País, ou amiguinhos destes, em sentenças sempre favoráveis, ou empurrando com a barriga os processos que lá tramitam para postergá-los, assim acabarão prescritos, livrando-os de penas pesadas para que possam continuar livres, leves e soltos, dilapidando ainda mais nossas riquezas, numa demonstração de desprezo pela sociedade brasileira, que brada por justiça.

Agnes Eckermann agneseck@yahoo.com.br

Porto Feliz *

DEPOIMENTO DE CACHOEIRA

Pizza 1 x 0 sociedade.

Guto Pacheco daniguto@uol.com.br

São Paulo *

CACHOEIRA E THOMAZ BASTOS

Felizmente, vivemos num Estado Democrático de Direito, o Brasil é um país livre, onde todos - mesmo o maior dos monstros ou facínoras - têm assegurado o direito á ampla defesa, ao contraditório e á presunção de inocência. Mas fica a pergunta: será que o ex-ministro da Justiça de Lula e atual advogado de Carlinhos Cachoeira, Marcio Thomaz Bastos, não se questiona nem se incomoda sobre a origem do dinheiro com o qual seu cliente irá pagar seus honorários? No fundo, é o dinheiro do povo - nosso dinheiro - que será usado para pagar os caros honorários do nobre causídico. Só o dinheiro ganho de forma comprovadamente  lícita e honesta poderia ser usado para tal fim, como ocorre em outros países. A lei precisa mudar e vetar esse tipo de coisa.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo *

BICHEIRO

Não seria crime ambiental manter o Cachoeira preso?

Oscar Rolim Júnior rolimadvogado@ibest.com.br

Itapeva *

O LABIRINTO DA JUSTIÇA

Em menos de 48 horas o ex-ministro da Justiça Marcio Bastos impetra a favor do paciente Carlinhos Cachoeira um habeas corpus e consegue a liminar para adiar o depoimento na CPMI. Comprova, assim, seu poder de influência nas altas cortes de Brasília e justifica a remuneração de R$ 5 milhões em adiantamento dos salários profissionais. Quando a Justiça quer, ela acelera, mas no mundo dos homens comuns ela usa a venda e nada enxerga, não é a toa que milhões de processos levam mais de uma década para sair do labirinto da justiça brasileira.

Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo *

VIRANDO FUMAÇA

Pelo andar da carruagem parece que já colocaram coletes salva-vidas para Demóstenes Torres sair da cachoeira.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR) *

A CRISE, O CARLINHOS E O MENSALÃO

Os indicadores de inflação do mês de abril deste ano triplicaram em relação aos mesmos índices do mês de março deste ano. O preço de uma diária de um hotel três estrelas no Rio de Janeiro já tem o mesmo valor que o salário mínimo oficial do País: R$ 622,00. Enquanto nos distraem com as pizzas do Carlinhos Cachoeira e do mensalão, os preços do arroz, do feijão e da carne, caminham para a estratosfera...

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo *

COLLOR E A IMPRENSA

O forte do senador Fernando Collor sempre foi a bandalha. Prepotente e se achando acima de tudo e de todos, perdeu o mandato. Depois fez amizade com o Lula... Aí se juntou à nata da escoria: Sarney, Renan, que também lhe virou as costas, e outros menos cotados. Agora, querendo aparecer - o que também sempre foi uma das suas grandes qualidades (andar de avião de guerra, submarino, dirigir Ferrari são outros) - quer, amparado pela Record e sua sombra chamada Edir, atacar a revista Veja por ter sido ela que o detonou. Na verdade o Collor caiu sozinho, pois não quis dividir o bolo da família com o irmãozinho canalha Pedro, o pequeno. Será que essas eminências pardas da nossa vergonhosa política não vão desaparecer e dar chance a quem gosta e quer fazer do Brasil um país grande, correto e honesto? Sr. Collor, chega de maracutaias, suma da vida política e se enterre definitivamente de cabeça na privada.

Kaled Baruche kbaruche@bol.com.br

Belo Horizonte *

O CARINHOSO COLLOR

Que fique claro. É preciso acabar com esta torpe escalada de conversa fiada e melancólica maledicência: nenhum dos açodados críticos do senador Fernando Collor defende mais a liberdade de expressão, em toda sua plenitude do que ele. O que energicamente Collor repudia é a má-fé, a mentira e o ressentimento digitados, editados e embrulhados como informação isenta. Collor é respeitoso com todos. Exige que a recíproca seja verdadeira. Costuma ser contundente porque não é servil. Como o programa lançado pela presidente Dilma, Collor é carinhoso. Como tem sangue nas veias, reage com firmeza aos que lhe jogam as patas. Collor segue a definição do bravo, fulgurante e saudoso Carlos Lacerda, retrucando os insultos de seus medíocres desafetos, "os homens de bem não me temem, só os outros". 

 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília *

REFORMA DO CÓDIGO PENAL

As pessoas de bem do Brasil aguardam ansiosas, esperançosas, a conclusão dos trabalhos que estão sendo feitos por essa egrégia comissão na elaboração do novo Código de Direito Penal.  É esperado que o atual Código Penal ainda em vigor venha a ser totalmente revisto e atualizado, pois ele foi elaborado nos idos da década de quarenta do século passado. O mundo mudou, e o Brasil também. Eu sou testemunha; naquela época, quando eu tinha onze doze anos via diariamente quando o leite e o pão eram deixados na calçada na frente das casas pelo leiteiro e pelo padeiro e ninguém neles mexia. Hoje isso seria totalmente impossível. Quando havia um crime bárbaro e ele era publicado na primeira página dos jornais e chocava toda a população, como o célebre "crime da mala", em que o assassino, depois de esquartejar sua mulher, queria despachá-la dentro de uma mala no Porto de Santos para a Itália; ou o assassinato do filho do americano aviador Charles Lindbergh, que teve uma grande repercussão e comoveu todo o mundo. Hoje, crimes bárbaros como esses são cometidos diariamente e desgraçadamente a população não se choca mais, acostumou-se a eles e está esperando, temerosa, quando vai ser sua próxima vítima, ao andar pelas ruas, quando entra num banco, quando está num estabelecimento comercial fazendo as suas compras ou na própria residência, casa ou apartamento. A insegurança é total. A polícia prende, mas a Justiça solta, porque as leis vigentes assim o permitem e os advogados de defesa muito sabem disso. As atuais leis de execuções penais foram elaboradas pelos parlamentares para beneficiar facínoras; com redução de penas, saídas na festas de fim de ano, na Semana Santa, no Dia das Mães, dos Pais, visitas íntimas, piqueniques com familiares - até com o acompanhamento de menores de idade - nos pátios dos presídios, etc., com a finalidade de "integrá-los na sociedade" - inocência, ou esses parlamentares vivem fora da realidade em que todos nós vivemos ou, estão, esses congressistas advogando em causa própria para numa eventual possibilidade deles ser um dia acusados de algum crime gozarem desse mesmo privilégio? Enquanto bandidos assassinos são aliviados das suas penas, suas vitimas assassinadas estão mortas, sepultadas e não podem gozar desses benefícios como visitar seus entes queridos nas festas de fim de ano, na Semana Santa, nos dias das mães, dos pais e ter visitas íntimas, estão condenadas a morte para sempre, as vítimas dos bandidos não podem nunca mais ser integradas na sociedade! Por justiça aquele assassino profissional que destrói uma vida deveria ter prisão perpetua. É uma medida dura? Mais dura é perder a vida nas mãos de um bandido. Segundo estatísticas, 70% desses beneficiados por essas saídas não retornam ao presídio e tão logo se vêm na rua passam logo a praticar novos crimes, e 50% dos assassinatos praticados são feitos por criminosos reincidentes. O diretor do presídio que informa ao juiz o "bom comportamento" do sentenciado para saídas temporárias deveria ser responsabilizado pelo comportamento do preso enquanto ele estivesse fora da prisão, com essa medida, certamente, muitas saídas temporárias deixariam de ser autorizadas. Simplificando: poderíamos dividir os criminosos em dois grupos; os profissionais e os eventuais. Os primeiros são aqueles que têm o crime como meio de seus sustentos, eles não sabem como ganhar a vida de outra maneira, os segundos são aqueles que cometem o crime num momento tresloucado, insano, motivado por ciúme, briga no transito, etc. Ambos têm de ser punidos; os primeiros, os profissionais do crime, não se deve ter a intenção de puni-los castigando-os, penitenciando- os pelos seus atos, mas simplesmente segregá-los de uma vez por todas da sociedade, a fim de lhe proporcionar paz e tranqüilidade, felizmente os bandidos profissionais são uma minoria e a maioria da população tem que ser priorizada. Os segundos, os criminosos eventuais, também devem ser punidos exemplarmente, a fim de lembrar a todos os demais que existe punição sim por crimes movidos por destemperos momentâneos. Existe uma excrescência, penso eu, que está no ultrapassado Código Penal diz a respeito de juízes corruptos que foram alijados dos seus cargos, contudo, pelas nossas leis eles são premiados com a aposentadoria compulsória e continuam recebendo mensalmente seus polpudos vencimentos; em nome da moralidade pública este absurdo tem que ser corrigido porque é revoltante. Qual malandro não gosta de receber um bom salário sem precisar trabalhar? Outra medida que tem que ser tomada é quanto à responsabilidade criminal dos menores de dezoito anos. Apenas quatro países ainda consideram irresponsáveis pelos seus atos criminosos os menores de dezoito anos: Venezuela, Colômbia, Equador e Brasil, na Europa oscila entre dezesseis e quatorze anos, na Grã-Bretanha, há poucos anos, um menino de dez anos foi condenado a pena máxima, como se fosse um adulto, por ter assassinado uma menina com requinte de crueldade. Um adolescente de quatorze anos sabe perfeitamente aquilo que é certo e o que é errado, o que é crime; furtar, roubar, matar e o que é e o que não é criminoso; e tem sim que ser responsabilizado pelos seus atos a partir da idade da razão. A maioria da população brasileira espera que a egrégia comissão que está elaborando a reforma do Código de Direito Penal e das leis de execuções penais não lhe decepcione, mas, sim; aplicando tolerância zero nesta rara oportunidade que se avizinha, para assim lhes dar maior segurança e tranqüilidade.

José Carlos de Castro Rios jc.rios@globo.com

São Paulo *

DEMOCRACIA E CENSURA

Elogiável o exemplo democrático que nos dá o Estado na edição de terça-feira (página A2), contrapondo as visões de Xico Graziano e do procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Dr. Márcio Fernando Elias Rosa, duas figuras públicas de elevados méritos. Apesar de ambos depositarem na ciência seus argumentos e buscarem o  mesmo panorama de estabilidade ambiental na produção silvo-agro-pastoril, divergem em suas análises, em face de suas formações acadêmicas: o primeiro mostra o lado positivo da boa conduta agronômica aplicada à produção de alimentos e fibras celulósicas para têxteis e papel; já o segundo, utilizando fontes mais politizadas de cientistas, ao fim e ao cabo, aparentemente se fundamenta no princípio constitucional da precaução para que se alcance a sustentabilidade almejada por todos que tenham um mínimo de consciência socioambiental. Diz o agrônomo: "os dilemas da civilização exigem soluções mais sofisticadas e, certamente, mais complexas, capazes de enfrentar um duplo desafio: o da segurança alimentar e o da crise ambiental" . E ilustra isso com dois cenários plausíveis: "Ou se regride à época medieval, reduzindo a população e o consumo, algo impensável, ou se aposta no conhecimento para avançar". O que ressalta a importância da Educação para todas as gerações, principalmente as mais novas ou futuras. Já o procurador paulista fica preso a ideias de cientistas que perderam o sentido da audácia intelectual demonstrada por gente como Galileu, Copérnico, Darwin, entre outros. Uma pena.

Frederico R. Hrdlicka frh@techmaster.ind.br

Cotia *

CÓDIGO FLORESTAL

O projeto do Código Florestal está gerando grande polêmica entre ambientalistas, ruralistas e a população em geral. Após ouvir uma entrevista do ex-secretário estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo Xico Graziano, eu fiquei mais tranquilo e confiante neste projeto. A presidente Dilma provavelmente irá vetar um ou outro item do projeto, porém o projeto aprovado pelo Senado é um avanço para o atual momento, e poderá sofrer modificações mais adiante, por exemplo, na questão da recuperação nas margens dos rios para pequenas e médias propriedades. Considerando a diversidade de áreas no território brasileiro, o governo federal bem que poderia autorizar o reforço das Secretarias Estaduais de Agricultura e os Conselhos Estaduais do Meio Ambiente, para regulamentar melhor esta matéria e fazer ajustes às características de cada região.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas *

O CÓDIGO DESPERTA PAIXÕES

O Estadão de terça-feira (15/5) traz uma matéria absolutamente surpreendente. É um artigo do procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, chamado Veto à degradação ambiental. Artigo muito bem redigido no qual defende o veto total ao novo Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional. Considera o texto inconstitucional porque não assegura o direito ao meio ambiente equilibrado como previsto na Constituição federal. É óbvio que o procurador não tem formação em ciências ambientais e não tem como avaliar se o texto aprovado desequilibra ou não o meio ambiente (na opinião de técnicos renomados, ajuda a equilibrar, sim). Mas esta não é a questão. O que surpreende é ver uma autoridade deste nível publicar um texto de militante político, sem embasamento nenhum. Impressionante é notar como a questão do novo Código Florestal faz florescer as paixões. Uma outra matéria, no mesmo Estadão noticia que a Agência Nacional de Águas (ANA) entregou à presidenta Dilma documento em que afirma que "inúmeros estudos apontam que a largura mínima das matas ciliares para a proteção de cursos de água deve ser de 30 metros". Está incorreto. O que estudos apontam é que cada situação exige tratamento específico, com base em projeto técnico, que vai indicar se existe necessidade de mata ciliar e qual largura deve ser adotada. Se a notícia do "Estadão" está correta, a presidenta deveria dar no dirigente da ANA responsável pela informação incorreta uma de suas já famosas broncas. Na terceira matéria, o Estadão informa que o presidente da famosa ONG, WWF, Jim Leap, apela para que Dilma vete a nova lei ambiental, que seria trágica para a Rio+20. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) aconselha ao ativista propor lei semelhante ao Código Florestal nos países de origem dos dirigentes da referida ONG, nos intervalos de suas caçadas a rinocerontes, das quais participa outro de seu famoso dirigente, o Rei Juan Carlos, da Espanha.

Rnato Ponzio Scardoelli renato@srb.org.br

São Paulo *

CÓDIGO FLORESTAL E O 'TOURO AMBIENTAL'

Interessante e lúcido o artigo Touro ambiental, de autoria de Xico Graziano, A2, 15/5. Há de se salientar, porém, a leviandade de muitos "especialistas" ao externarem suas acadêmicas opiniões vazias sobre o Código Florestal. Mas devemos respeitar a democracia, através da lucidez e verdade. A propósito disto, o insigne professor José Eli Veiga, conhecido como profundo conhecedor da produção sustentável, em matéria veiculada no jornal Valor Econômico, também de 15/5, provou o quanto as pessoas que se dizem conhecedoras do meio ambiente, pouco ou nada sabem sobre produtores rurais e produção de alimentos. O autor do artigo, José Eli da Veiga, mostrou desconhecer a legislação ambiental, bem como a Constituição da República, haja vista que confundiu política agrícola familiar (Lei 11.326/2006) com a Lei n.º 8.629/1993, que tratou da regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição federal, definindo o que seja pequena propriedade rural: (...) Artigo 4º - Para os efeitos desta Lei, conceituam-se: I - Imóvel Rural - o prédio rústico de área contínua, qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial; II - Pequena Propriedade - o imóvel rural: a) de área compreendida entre 1 (um) e 4 (quatro) módulos fiscais; III - Média Propriedade - o imóvel rural: a) de área superior a 4 (quatro) e até 15 (quinze) módulos fiscais; Parágrafo único - São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária a pequena e a média propriedade rural, desde que o seu proprietário não possua outra propriedade rural. Portanto, o artigo de Xico Graziano, intitulado Touro ambiental, alerta, com brilhantismo, o radicalismo e ignorância dos que se dizem ambientalistas. Ninguém melhor do que o produtor rural para falar sobre meio ambiente, uma vez que ele se insere nesse bioma para extrair sua produção e sustento. Brilhante a colocação do autor quanto aos holofotes da mídia urbanoide, ao invés da missão de produzir alimentos amassando barro na roça. Melhor o discurso fácil do que a árdua e difícil busca de soluções. Na mesma página A2 do Estadão, outro artigo, intitulado Veto à degradação ambiental, pouco ou nada acrescenta de construtivo à questão ambiental no que diz respeito aos pequenos produtores, produção de alimentos e áreas produtivas consolidadas nos últimos séculos. Quem vai pagar pela recomposição? De certo deverá ser toda a sociedade! Parabéns ao Xico Graziano!

Roberto de Campos Fernandes, pequeno produtor rural rcfmrf@superig.com.br

São Paulo *

A HISTÓRIA COBRARÁ

Quero manifestar meu inteiro apoio ao conteúdo do artigo Veto à degradação ambiental de autoria do dr. Márcio Fernando E. Rosa, do MP paulista, e entendo que a clareza da exposição feita não deixa dúvidas sobre a necessidade do veto presidencial ao absurdo que os ruralistas querem fazer com o patrimônio nacional. Não é possível admitir que os interesses de poucos se sobreponham ao direito da sociedade. A história brasileira irá nos cobrar.

Marcelo Pereira de Souza, professor titular de Política e Gestão Ambiental da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP)

marcelopdesouza@gmail.com

Ribeirão Preto *

'VETO À DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

' Interessante que um procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo não perceba que vários bairros e avenidas em São Paulo, Salvador e no Rio de Janeiro teriam de ser desfeitas para a recuperação das áreas em Áreas de Preservação Permanente (APPs), e que isso também ocorreria em outras cidades do País. Indo mais além, Sr. procurador não conhece o fato de que no interior de São Paulo foi obrigatório o desmatamento de rios e córregos, como medida de combater a Febre Amarela, e deveriam permanecer limpas, desmatadas, por conta do proprietário rural, que nunca foi indenizado por isso quando veio a obrigação de manutenção de APPs. Municípios como Ribeirão Preto, Porto Ferreira, Descalvado, Morro Agudo, Orlândia e tantos outros desmataram o que havia próximo aos meios urbanos na década de 30. E isso era orientação da Fundação Rockfeller, com a qual o governo federal mantinha um convênio que vigorou até 1955, quando o País foi considerado liberto da febre amarela. A Lei 4.771/65 acontece como medida restritiva, e cunho geral, que deveria ser adaptada considerando as características de solo e clima das regiões, trabalho que teve início nos levantamento do fim da década de 68 e começo da década de 70, inclusive com a criação do Radam e dos manuais de recomendação de uso agrícola dos solos, que não foram usados e caíram no esquecimento. Penso que o sr. procurador deve buscar apoio em pessoas com cunho técnico específico e conhecimento, pelo menos, da área rural do Estado de São Paulo, pessoas que creio estarão solicitas e desejosas em prestar auxílio e fornecer relatos de como é a vida no meio rural, além das acadêmicas salas de aula, muito mais palpáveis que os textos e os periódicos. Imagino que com a capacidade intelectual e sapiência deste servidor público, ele reformulará algumas de suas crenças, se aproximando um pouco mais da realidade em que estamos nos ajudando como sociedade a alcançar um equilíbrio verdadeiramente sustentável.

Alberto Amorim, engenheiro agrônomo abamorim62@gmail.com

São Paulo *

'VETA, DILMA'

Excelente o artigo do procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo. Muitos de nós, cidadãos comuns, ambientalistas ou não, trabalhamos voluntariamente deixando de lado nossas vidas e trabalhos, para dedicar tempo pessoal em campanhas de conscientização das pessoas, a fim de reverter esse projeto de lei absurdo. Isso já acontece há dois anos, pelo menos. Estamos fazendo a defesa do bem comum, já que quem é eleito e ganha para isso, não o faz. Que os deputados e senadores sejam responsabilizados por esse tempo perdido com leis inconstitucionais, pois isso sim é insegurança jurídica. O Brasil deve consolidar o século 21 e não as atividades degradadoras do meio ambiente. Por isso, pedimos: Veta tudo, Dilma!

Claudia Perencin arqpaisagistaclaudia@gmail.com

Brasil *

DESMATAMENTO ZERO Como "urbanoide" interessado nas "coisas do campo" e na sustentabilidade, sigo o voto do procurador-geral da Justiça pelo veto total do novo Código Floresta e que "a nova discussão tenha início a partir da perspectiva de que meio ambiente e exploração agrícola não são antagônicos, mas interdependentes". Outrossim, na véspera da Conferência Rio+20, seria muito adequado, se não imprescindível, para o sucesso da Conferência que o Brasil enfim assumisse a responsabilidade pelas condições futuras de sobrevivência humanidade executando, como ação prioritária, um projeto de desmatamento zero e recuperação ambiental. Assim, num prazo curto de um ou dois anos o Brasil, deixaria a vergonhosa e desnecessária posição de quarto maior emissor de gases causadores do efeito estufa, sem nenhum prejuízo para a economia e o desenvolvimento.

 

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

* BURACO NEGRO

"A ignorância não é pacífica, pelo contrário, mantém latentes, mágoas e controles. A sombra e a mentira não são capazes de prover a concórdia", disse ela e, emocionada, citou as vítimas da ditadura e seus parentes. "A força pode esconder a verdade, o medo pode adiá-la, mas o tempo pode trazê-la à luz. Hoje esse tempo chegou" - palavras da presidente Dilma ao empossar comovidamente, a Comissão da Verdade (Agência Estado). Depois de toda essa falação, seria bom que tal discurso fosse pronunciado em todos os palanques, para que nos pudéssemos convencer da realidade que deveria existir nas regiões escravas do "pudê", onde a ignorância é promovida pelo governo constituído (Repúblicas de Alagoas, maranhense, brasiliense e outras que tais) e que parece não manter latentes nem mágoas nem controles. A mentira e a sombra parecem manter a concórdia, sim. Ninguém se manifesta contra a corrupção reinante em todos os "Poderes". A força que ora age no País esconde a verdade (educação medíocre, transportes obsoletos, segurança comprometida, saúde esquecida) e encoraja o cinismo de quem não teme coisa alguma se estiver de braços com os poderosos. A imprensa escrita, falada, virtual tem-se esforçado para trazer os fatos à luz, mas não consegue; por isso tememos pelo tempo que ainda poderemos estar sob tal força, que é capaz de afastar a luz, ou absorvê-la, tal qual um buraco negro. Que Deus tenha misericórdia de nós, povo seu!

José Jorge Ribeiro da Silva jjribeiros@yahoo.com.br

Campinas

* CHORORÔ

A presidente deveria chorar pelo presente, e não pelo passado. Chorar por aqueles que não têm saúde, moradia, educação... Lágrimas de crocodilo! Daqui 40 anos vamos nomear uma nova Comissão da Verdade para mostrar os usurpadores da Nação durante o governo Dilma.

Marcelo Stoppa Gomide stoppagomide@gmail.com

Uberlândia (MG)

* O CHEIRO DA VINGANÇA

Escamoteando os direitos dos militares, a presidente da República, Dilma Rousseff, guerrilheira desde a década de 60, escolheu e nomeou os sete membros da Comissão da Verdade. Com o não aparecimento do nome de um militar entre os escolhidos, a presidente deixou no ar ou o cheiro de vingança ou o medo de saber, por meio do militar que por ventura ocupasse uma vaga na comissão, as verdades sobre o que realmente fizeram seus colegas na guerrilha do Araguaia. José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva foram convidados para baterem palmas durante a cerimônia de mais esse engodo. E assim caminha a democracia brasileira.

Leônidas Marques leo_vr@terra.com.br

Volta Redonda (RJ)*

A VERDADE VERDADEIRA

Após décadas de maus tratos, conforta-nos saber que a maioria da sociedade brasileira estima e reconhece, em primeiro lugar, com 73% de aprovação, as Forças Armadas como nossa maior amiga e leal instituição, imediatamente seguida pela Igreja Católica, com 56%, refletindo que ainda a família existe. O resto é fumaça, mas saberemos dissipá-la. Quem não tem ressentimento nem ódio perdoa. Mas, como insistem no atraso, por que não enfrentá-los? Ou eles acham que a sociedade os teme? (Fonte: FGV, Estadão, Metrópole em 15/5.)

Adilson Mencarini adilsonmencarini@uol.com.br

Guarulhos *

GRATIDÃO

Que tal formarem uma Comissão da Verdade mostrando que eles queriam implantar no Brasil um regime comunista, portanto, uma ditadura marxista? Direitos humanos? Onde estavam quando soldados foram assassinados, dentro da caserna? E aquele assalto ao Banco das Nações da Rua 7 de abril, onde um funcionário foi assassinado, o qual teve a participação de um ex-governador de São Paulo? Obrigado, Exército Brasileiro. Somos eternamente gratos.

Ruy Alvaro Imparato jovemru@yahoo.com.br

São Paulo *

PORCENTAGEM

Qual seria a porcentagem de "verdade verdadeira" da Comissão da Meia Verdade?! Quando a história real é reescrita só por um lados, cedo ou tarde quem paga a conta da revisão estropiada é a liberdade do individuo em sociedade! Quanto aos militares, comparecer a um processo oficial que está publicamente viciado apenas para contribuir, chancelando com sua presença uma "culpa" sentenciada ideologicamente de antemão, não é fidalguia alguma, sendo apenas burrice do "réu".

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos *

COMISSÃO DO LADO 'CERTO'

São R$ 11 mil por mês, durante dois anos. A declaração do sr. Paulo Sérgio Pinheiro foi uma pequena amostra do que vem por aí com nosso dinheiro.

A. Fernando Ferreira rdseg@terra.com.br

São Paulo *

CUMPLICIDADE

A sra. presidente comparecerá à Comissão da Verdade e terá amígdalas suficientemente fortes para sustentar as informações que circulam a seu respeito na internet? Será possível comparar a ditadura militar (contra a qual ela alega ter lutado) e a ditadura do proletariado (ou qualquer outra coisa socialista), que ela e tantos outros sonhavam implantar? Ação e reação, lei da Física muito bem lembrada pela leitora sra. Lília Freitas, vale ou não vale? E se a Lei da Anistia for revogada, a presidente não deveria ser julgada também, especialmente se for cúmplice numa mutilação na Avenida Paulista ou numa morte à porta de um quartel? Acorda, Brasil, e desce que o berço já não está tão esplêndido.

Régis D. C Fusaro rxfusaro@hotmail.com

São Paulo

* COMISSÃO DA VERDADE O Sr. Paulo Sérgio Pinheiro diz em entrevista ao  Estado (15/5, A8) que "nenhuma comissão da verdade  teve ou tem essa bobagem de dois lados, de representantes dos perpetradores dos crimes e das vítimas". Para nós, que não participamos nem do lado do governo autoritário nem do lado dos que pugnavam por uma ditadura à cubana, parece que a Comissão da Nacional da Verdade acabou sendo Comissão da Meia Verdade!

Tibor Rabóczkay trabocka@hotmail.com

São Paulo *

NOME ERRADO

Depois de ler a página  A8 do Estado de 15 de maio, proponho mudar o nome da Comissão para Comissão da Meia Verdade.

Euclydes Paschoal Casella epcasella@gmail.com

São Paulo*

E MÁRIO KOZEL FILHO?

É preocupante a declaração do diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da Verdade, de que os atos de terrorismo praticados por militantes da esquerda ficarão de lado: "O único lado é o das vítimas". No seu estapafúrdio entender, os militares não foram vítimas do terrorismo. Então pergunto: o soldado Mário Kozel Filho, estraçalhado por uma bomba na madrugada de 28 de junho de 1968 defronte ao Quartel general do II Exército,  não foi vítima de violação dos Direitos Humanos? Aí está uma boa oportunidade para que, a bem da Verdade, seja esclarecido esse brutal episódio, pois, em várias fontes de informação consta que a então terrorista Dilma Rousseff, vulga Luiza, Wanda, Estela, Maria Lúcia ou Marina, participou do planejamento da ação  e presenciou o assassinato. Aprenda o ilustre Dr. Paulo que Direito Humano não tem lado, frente ou costas. Que essa Comissão seja imparcial no esclarecimento de atos praticados pela transgressão dos Direitos Humanos, praticados indistintamente por agentes do governo e por terroristas, "doa a quem doer".

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo *

INCLUSÃO "Investigar só ações do governo doa a quem doer". "Cota mínima de verdade" é o que falta a essa tal comissão.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo *

QUASE MEIA VERDADE

A tal da Comissão da Verdade, que vai investigar apenas os ditos torturadores, a direita, ou seja, somente os militares, deixa de lado os sequestradores, assaltantes de bancos, assassinos e os agentes duplos desaparecidos de um lado ou de outro. São o lixo da espionagem que podem estar bem vivos em qualquer país do mundo, quem sabe na Europa? Esses, sim, são arquivos vivos que não interessam a ninguém, principalmente à esquerda vingativa, as vítimas, os heróis que queriam salvar o Brasil - a pedido de quem? Do povo ou de alguma nação estrangeira? Para simplificar, não é mais fácil essa turma que deseja a apuração da verdade elaborar um relatório com as suas verdades, sua versão dos fatos, mandar para a comissão, assinar e acabou a lenga-lenga? Chega de passado, olhem para a frente. Se o Brasil precisa de uma comissão é uma comissão para apurar promessas de campanha não cumpridas, como as creches, escolas, a transposição do São Francisco, entre outras coisas...

Luiz Ress Erdei gzero@zipmail.com.br

Osasco *

VERDADE DE UM ÚNICO LADO

Sob o aspecto filosófico, verdade é termo unívoco, porque comporta uma só interpretação e versão, desde que  consubstancia todos os fatos que dela devem fazer parte integrante. Entretanto, a Comissão da Verdade parece querer transformá-la em termo equívoco, sujeito, pois, a interpretações diversas e direcionadas. Desejam, segundo noticia a imprensa, apurar apenas as torturas, sequestros e mortes ocorridos com o lado em confronto com os militares, mas as mortes, agressões e assaltos praticados pelos combatentes da esquerda não  vão merecer as investigações dos ilustres membros da Comissão da Verdade. Então, parece que, pelo andar da carruagem, vamos ter diversas Comissões da Verdade paralelas e que terão a finalidade de municiar a imprensa sobre a verdade em sua acepção correta e verdadeira. Tudo faz parte da História. Ou o lado prestigioso dos militares não merece figurar na História? Assim sendo, teríamos capítulos verdadeiros da História?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro *

CRIMES

Quer dizer que "criminosos esquerdistas" não são criminosos, e a culpa é das vítimas? O criminoso comunista se "aposenta", a vítima que procure o papa. Essa comissão poderia usar também o símbolo da foice e martelo, e não se precisaria conversar.

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo *

PACÍFICOS, NÃO BOBOS

General Bini (Lei do silêncio, 12/5, A2), o povo também não pode mais calar! Estamos todos na expectativa do que essa Comissão da Verdade vai abordar. Há de ser imparcial e mostrar os atos dos dois lados. A impressão que passa é que somente o que os militares fizeram é que vai ser investigado. E os assassinatos, os atentados, os roubos, os sequestros? As indenizações milionárias são uma afronta num país pobre como o nosso! Somos um povo pacífico, mas não somos bobos.

Cleo Aidar Cleoaidar@hotmail.com

São Paulo *

LEI DO SILÊNCIO

Creio que o impecável texto do general Romulo Bini Pereira pode ser resumido no seguinte: "... o terreiro lá de casa não se varre com vassoura, mas com ponta de sabre e bala de metralhadora..." Manifesto meu apoio aberto ao general, definitivamente não é mais possível calar!

Antonio Carlos de Souza Queiroz Cardoso acardoso@acardoso.com

São Paulo *

NÃO É JUSTO

Reporto-me à matéria Comissão da Verdade não vai investigar militantes, publicada no Estadão de terça-feira. Como premissa, registro meu repúdio ao totalitarismo, ao desrespeito à liberdade de expressão, à tortura e tudo o quanto ofende a dignidade dos cidadãos. Nesse passo, enalteço a luta sem tréguas ou concessões promovida pelo Estadão em favor da democracia. Sofreu a censura, perdeu sua liberdade de expressão, mas ganhou o respeito e a solidariedade de toda a sociedade mercê sua altiva resistência à censura, nunca passada sem seu protesto, lançado pela edição de poesias e de receitas culinárias em seus diários. O Estadão constituiu-se numa das mais expressivas lideranças na árdua luta pela redemocratização. Mas há de registrar-se também a indignação da maioria esmagadora dos cidadãos, de índole pacífica, que no limite de suas forças, demonstravam, sempre que podiam, via de manifestações e do voto, seu repúdio ao então status quo. Vivia-se à época um mundo bipolar. Diversa, todavia, foi a "luta" da esquerda armada, que, permito-me dizer, nada tinha de democrática. Os movimentos guerrilheiros e terroristas sequestravam, assaltavam e assassinavam. Também executavam seres humanos sob o pretexto que teriam sido condenados à morte por "tribunais revolucionários". Seu objetivo não era o da redemocratização, mas não outro senão o de impor à nação, pela força, uma ditadura comunista. Que o digam os militantes das diversas organizações paramilitares, dentre outras a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Portanto, não é justo, honesto, decente ou mesmo ético, se permitir que seja investigada apenas a verdade relativa aos crimes cometidos pelo Estado. Que se cumpra a Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011, que ordena, de forma abrangente, a investigação dos crimes cometidos entre 1946 e 1988. Este é o pressuposto. Que a comissão também busque, com igual empenho, a verdade omitida sobre os demais atores que, naquele tempo, também desrespeitaram os direitos de terceiros. Caso contrário, estar-se-á diante da Comissão da Meia Verdade.

Francisco Falsetti

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.