Fórum dos Leitores

CORRUPÇÃO

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2012 | 03h09

Mensalão

Os advogados que pediram o adiamento do julgamento devem estar vivendo em outro mundo se pensam que o argumento utilizado - politização - poderá convencer a população (se convencer a ministra Cármen Lúcia) de que os mensaleiros não podem ser julgados este ano. Depois de sete anos de enrolação não há mais argumentos para adiar. Enquanto os petistas apostam na impunidade, o País precisa urgentemente de provas de que a honestidade ainda vale a pena. Os fatos contra os acusados são por demais patentes e incontestes. As declarações de alguns réus são tão cínicas que causam calafrios. Essa ideia de que os direitos individuais deles estão em risco é tão indecente que espanta qualquer pessoa de bem. Esses advogados do PT deveriam ter um pouco de decoro e de vergonha, pois nem mesmo ganhando rios de dinheiro alguém com tais predicados teria coragem de assinar um pedido desses.

MARIA TEREZA MURRAY

terezamurray@hotmail.com

São Paulo

Julgamento e eleições

Ao contrário do desejo de Lula e de alguns advogados dos mensaleiros de adiar o julgamento do mensalão, é oportuno que toda a corrupção que eclodiu no governo anterior seja julgada em época eleitoral. Ganham os eleitores e a democracia quando se traz à tona a verdade sobre os candidatos e seus partidos, sem maquiagem nem marqueteiros.

AMÂNCIO LOBO

amancio lobo@uol.com.br

São Paulo

Aperitivo

É conhecida a anedota do bêbado que procura as chaves debaixo de um poste de iluminação porque lá, pelo menos, há luz. Pode não achá-las, mas cumpriu seu dever. A falta de provas - acachapantes ou não - no caso da ex-ministra Erenice Guerra seria uma ilustração desse chiste? Por determinação do juiz Vallisney de Souza Oliveira, a Justiça Federal de Brasília arquivou o inquérito que apurou tráfico de influência na Casa Civil durante a gestão de Erenice. A blogosfera fervilha: fala-se em assassinato da reputação. Inúmeros textos idênticos insurgem-se contra o "golpe da mídia". Sobrou uma dúvida: pedir desculpas à companheira Erenice ou questionar a decisão do juiz? É um aperitivo para o que virá em agosto.

ALEXANDRU SOLOMON

alex101243@gmail.com

São Paulo

Só para entender

O empresário Rubnei Quícoli denunciou duas vezes à Polícia Federal que estava sendo extorquido pela família da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O juiz Vallisney de Souza Oliveira, sem ouvir o denunciante, mandou arquivar o processo por falta de provas. A Corregedoria da Justiça vai investigar esse juiz ou vai ficar por isso mesmo?

HUMBERTO AFONSO FREITAS

humberto_freitas@uol.com.br

São Paulo

Absolvição de Erenice

É terrível ver como os jornais e as TVs se enganaram a respeito da sra. Erenice Guerra: de tudo o que noticiaram, em quase dois anos de trabalho, o procurador da República não conseguiu levantar nenhuma prova! Ainda bem que temos procuradores e Judiciário que conseguem salvar a reputação de pobres cidadãos acusados injustamente e com isso lhes permitem voltar a seus empregos anteriores, sem prejuízo para eles.

ALDO BERTOLUCCI

accpbertolucci@terra.com.br

São Paulo

Costas quentes

Com as costas quentes (pelo governo Dilma), quem teria dúvida de que as denúncias contra Erenice Guerra e seu filho, protegido pelos poderes da mamãe, fossem arquivadas pelo Ministério Público Federal? As questões eram tão evidentes para o público pagante que a presidente a afastou do cargo. Realmente estamos no país da impunidade, pois as leis beneficiam os que têm "poderes" para se desvencilhar delas. Mais uma vergonha a ser registrada nos anais da história repulsiva da estadia do PT no "pudê". Parte da nossa Justiça ficou cega de vez.

LEILA E. LEITÃO

São Paulo

Cachoeira

O contraventor Carlinhos Cachoeira sente-se injustiçado, e com razão. Afinal, distribuiu tanto dinheiro a tantas "autoridades" que lhe está parecendo que não tinham autoridade alguma. É verdade, nós também achamos, a maioria das nossas chamadas "autoridades" não é confiável.

LUIZ DIAS

lfd.silva@2me.com.br

São Paulo

SALÁRIOS DO JUDICIÁRIO

Esclarecimento

Há alguns equívocos no editorial A resistência da toga(26/7, A3) no que se refere aos juízes do Trabalho. A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) teve atuação histórica na criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), defende as investigações realizadas em nome de uma Justiça mais transparente e apoia a publicação dos vencimentos dos servidores públicos (incluindo os juízes), ao contrário do que diz o editorial. A Anamatra não patrocinou a ação no STF que pretendia fixar a competência subsidiária do CNJ e também defende transparência das folhas de pagamento dos tribunais brasileiros. Lamenta, apenas, a divulgação errônea dos vencimentos, que chegam a somar, por exemplo, vencimento mensal com antecipação de férias ou com passivos reconhecidos e incluídos (com transparência) no Orçamento da União. Um juiz do Trabalho de primeiro grau ganha hoje cerca de R$ 15 mil líquidos, valor incompatível com as responsabilidades do cargo e as restrições legais e pessoais a que os magistrados estão sujeitos. Os juízes do Trabalho brasileiros recebem vencimentos corroídos por perdas inflacionárias de cerca de 30%, não podendo permanecer calados ante a divulgação e exploração de dados e valores que não correspondem à realidade. Por fim, a Anamatra reitera sua confiança no princípio da transparência que deve orientar os Poderes da República, como reconhecido pelo STF, certa de que os juízes do Trabalho combatem o bom combate em benefício do povo brasileiro, que tem o direito de contar com magistrados e servidores bem remunerados e alcançados por uma política remuneratória clara, previsível e dotada de lógica organizacional.

RENATO HENRY SANT'ANNA, presidente da Anamatra

tourinho@cdn.com.br

Brasília

RACISMO

Com verniz de piada

Manifesto minha satisfação com a devida punição do Comitê Olímpico Grego a Voula Papachristou pela piada de péssimo gosto que postou na internet. São ações duras como essa que podem efetivamente erradicar o persistente racismo que ainda existe em muitos grupos sociais e se tenta disfarçar, como alegou a atleta, dizendo que se tratava de "piada". Voula pode rir agora se quiser.

JOÃO MARCOS FERNANDES

jmf.dentista@bol.com.br

Jandira

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ESPÍRITO OLÍMPICO

O primeiro-ministro da Grã Bretanha, David Cameron, deveria receber Dilma Rousseff somente com um aperto de mãos e um trivial comentário sobre as belezas naturais do Rio de Janeiro. Mas foi abordar o megamassacre comandado pelo tirano Bashar Assad, na Síria, que o governo brasileiro apoia (se não apoiasse, condenaria publicamente). Mas aí o premiê britânico levantou a bola de Dilma, como sempre a presidente falou besteira e os europeus constataram, mais uma vez, que o Brasil continua do lado de déspotas e no Terceiro Mundo.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

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DILMA 'CARINHOSA'

"Presidenta" Dilma, não se preocupe com intervenção militar na Síria para o aumento explosivo dos preços do petróleo e derivados neste país que, "lulisticamente", se declarou "autossuficiente em petróleo". Mesmo sem a crise no Oriente Médio agravada, já sabemos e sofremos com "explosões" do preço decorrentes da brilhante administração da Petrobrás. Pelo visto, a desculpa para mais um aumentozinho dos combustíveis para a sociedade, que já gastou o que não tinha na aquisição de veículos sem IPI, já está veiculada. Fala "sírio"!Ou seria fala sério?

José Jorge Ribeiro da Silva jjribeiros@yahoo.com.br

Campinas

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MUNDO ÁRABE

A nossa presidente Dilma Rousseff precisou ir a Londres para falar o que o povo não consegue ouvir dos principais meios de jornalismo do mundo. Que uma intervenção, como querem os chamados grandes que vivem de vender armas aos pequenos, agravaria a crise global, tanto nos EUA como nos países do mundo árabe. Já chega de mais um Iraque e Afeganistão, que até hoje vivem matando seus povos. Ninguém fala que essas intervenções foram criadas só pelos EUA e até hoje ainda não acabaram, quantos morreram e quantos se refugiaram - só do Iraque na Síria foram mais de 2 milhões de pessoas. Seria mais sensato o Conselho de Segurança da ONU e os grandes países pararem de enviar armas e munição aos mercenários pagos por eles, e, sim, tentar um acordo pacífico com o regime atual, com algumas mudanças no próprio governo. Assim a coisa se acalmaria. Uma intervenção externa no Irã e na Síria só elevaria o preço de petróleo, como diz a nossa presidente, e isso só iria beneficiar os maiores produtores, entre eles Qatar e Arábia Saudita, que, por sinal, são maravilhosas democracias de xeiques há não sei quantos anos. Por que não uma intervenção nesses dois países democráticos?

Victor Hajjar victorhajjar@uol.com.br

São Paulo

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MENSALÃO

Se o Brasil fosse um país sério, o Lulla, o PT e a Dilma já estariam atrás das grades. Que houve o mensalão, isso é inegável. Que o Lulla sabia e sabe de tudo, também é inegável. O julgamento da "gangue do Lulla e do PT" é uma forma de dizer aos otários sem informação e analfabetos que votaram neles que os petralhas foram julgados e inocentados. Na Suprema Corte tem integrante que foi advogado do PT e foi condenado. O que nós, brasileiros, podemos esperar?! Eu nem sei como dizer aos meus filhos o que é ser um cidadão.

Paulo Francisco Siqueira dos Santos paulof.santos@hotmail.com.br

Santa Rita do Passa Quatro

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ACIMA DO BEM E DO MAL?

Três ministros do Supremo reclamaram da fala da sra. Eliana Calmon quando ela comentou que a Corte será julgada pela opinião pública. Ficaram indignados e questionaram quem é ela para dizer tal coisa. A mesma pergunta deve ser direcionada a esses senhores. Por acaso eles pensam que estão acima do bem e do mal?

Tereza Penteado Edgar edgarsilva@mpc.com.br

Campinas

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DESCONHECIMENTO DOS FATOS

A ministra Eliana Calmon, de fato, tem razão quando diz que o STF é que será julgado quanto às suas decisões no caso do julgamento do dito mensalão. O único senão da corregedora nessa afirmativa é que, infelizmente, são tão poucos os brasileiros que se incomodam com esse julgamento que pouco peso terá no conjunto da obra. Logo tudo isso já será página virada e os ditos mensaleiros passarão a imagem, se necessário for, de que foram vítimas de uma grande armadilha. A habilidade é grande e o discurso será no nível cultural adequado às necessidades. Quem viver verá.

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

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ELIANA PARA PRESIDENTE!

Pela honradez, pelo destemor, pela bravura, pelo desejo contínuo de não permitir que nada de errado seja feito dentro de sua área de atuação, certamente a ministra Eliana Calmon é a pessoa mais indicada para exercer a Presidência da República! Por favor, dra. Eliana, aceite mais esse desafio e candidate-se nas próximas eleições. Meu voto é seu!

Antonio Marcondes de Almeida amalmeida5@gmail.com

Campinas

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JULGAMENTO

Cinco advogados - Marcelo Figueiredo, Marco Aurélio de Carvalho, Gabriela Shizue Soares de Araújo, Fábio Roberto Gaspar e Ernesto Tzultinik - responsáveis pela defesa dos marginais que atuaram e ainda atuam, só que agora se empenham em blindar e inutilizar provas contra eles, no famigerado e sujo caso mensalão solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que adie o início do julgamento, previsto para 2 de agosto. E por quê? Ora, para que o fato não venha a prejudicar as eleições e, consequentemente, os partidos envolvidos por gangues de políticos corruptos ligados e/ou pertencentes ao atual governo no "pudê".

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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ALI BABÁ E OS 38 LADRÕES

Uma mudança de lei poderá aliviar a sentença de Ali Babá e os 38 ladrões. O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou regular um contrato milionário entre a empresa de publicidade DNA, de Marcos Valério, operador do mensalão, e o Banco do Brasil, no valor de R$ 153 milhões. O mesmo TCU, numa análise inicial, detectou desvios de R$ 6 milhões e, em 2006, a Procuradoria-Geral da República fez a denúncia do contrato pelo sumiço de R$ 74 milhões. A ministra Ana Arraes em seu relatório argumenta que a mudança da lei, com novas regras para a contratação de agências de publicidade pela administração pública, esvazia irregularidades apontadas anteriormente pelo próprio TCU. Portanto, dá como legal, mesmo que fraudulentos, contratos já encerrados. Ou seja, os "caras" usaram o contrato, essência do mensalão, roubaram quase R$ 80 milhões, segundo apontamentos, que serviram entre outras coisas para comprar votos, fazer caixa 2 para campanhas eleitorais espúrias e pagar marqueteiros. Agora lícito, o contrato, ainda poderá servir também como atenuante no julgamento do mensalão pelo STF, dos 38 envolvidos no vergonhoso esquema. Uma vez mais os bandidos serão privilegiados e continuarão a depredar os cofres públicos, em razão da impunidade e das brechas, inconsequentes, deixadas pela lei. E nós, contribuintes honestos, trabalhadores, continuaremos a arcar com pesados impostos para o sustento dessa máfia que se instalou no Brasil.

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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ROBERTO JEFFERSON

Sete anos já são passados da denúncia sobre o mensalão petista, feito corajosamente pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). A sua denúncia foi de grande utilidade pública na moralização de conduta da maioria dos maus parlamentares que tomam conta atualmente do nosso país. O Congresso Nacional está precisando urgentemente de uma desratização. Porém, caro Roberto Jefferson, o seu silêncio sepulcral desde a sua denúncia nos deixa apreensivos! Seria uma estratégia de defesa ou uma autodefesa temendo atentados, como já pudemos presenciar? O julgamento se aproxima, mesmo a contragosto dos petistas e de todos aqueles que dizem não saber de nada. Só esperamos que você saiba e tenha coragem numa hora destas de expor a verdade em defesa da honra e da justiça, para o bem do Brasil.

Benone Augusto de Paiva benone2006@bol.com.br

São Paulo

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DILÚVIO

Daqui alguns anos vão lembrar do mensalão como piada de salão.

Debochado e cínico... essas foram as palavras do sr. Delúbio quando a "quadrilha" foi desbaratada, estamos aguardando ansiosamente os 12 anos que lhe foram reservados.

Ivan Bertazzo bertazzo@nusa.com.br

São Paulo

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MÁSCARA

Parafraseando Cazuza, "Zé Dirceu, mostra tua cara." Ou aquela valsinha antiga, "Está chegando a hora"...

Célia Henriques Guercio Rodrigues celitar@hotmail.com

Avaré

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OSMAR SERRAGLIO

Quem acompanhou diariamente a CPMI dos Correios sabe o que o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) quis dizer sobre a blindagem de provas feita pelos petistas, para proteger o ex-ministro José Dirceu. Foi de matar de raiva ver a hoje ministra Ideli Salvatti comandando a tropa de choque dos petralhas na tentativa de obstruir provas contra o segundo comandante do mensalão. Por isso, mesmo sendo detestada pelo Congresso, não é a toa que hoje ela é ministra, não é? Porque, se tivessem acesso às ditas provas, chegariam ao primeiro comandante do mensalão, sentado na Presidência, que disse "não saber de nada". José Dirceu não se "lembrar" de ter recebido inúmeras vezes em seu gabinete Marcos Valério e o pessoal do BMG fica até interessante. Provavelmente foi para tomar caipirinha e, como ficaram todos meio "altos", ninguém se lembra! Nem o "cara" sentado na sala ao lado.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

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O PARTIDO DAS VESTIAS

O professor e jornalista Eugênio Bucci, em seu artigo Essa encrenca chamada Maluf (26/7, A2), nos passa subliminarmente uma imagem de que a essência do PT é formada apenas por docentes moralmente civilizados das nossas universidades e responsáveis diretos pela condução teórica do partido. Ledo engano ou um pouco de pretensão. Quem já foi vizinho de um diretório petista sabe que na prática a essência petista é constituída muito mais por sindicalistas, de um lado, e donos de carros luxuosos, muitos deles com crachá da OAB, de outro. Afirma ainda o professor que o partido precisa esclarecer à opinião pública que a visita de Lula e Haddad à casa de Maluf não foi exatamente aquele congraçamento efusivo que as fotos veiculadas na mídia e nas redes sociais mostraram. Que o pacto foi do PT com o PP, como se Maluf não tivesse em relação ao PP a mesma importância e poder que Lula tem no PT. Curioso é que em seu detalhado texto, em que até o sotaque do "turco" é reproduzido, nenhuma palavra foi dita sobre o aperto de mãos com régua e compasso que os dois trocaram. Para resumir, perguntaria ao nobre professor: se Maluf é uma encrenca para o PT, o mensalão é o quê? Motivo de orgulho? Ou apenas mais uma invenção do Partido da Imprensa Golpista (PIG), como muitos petistas carinhosamente chamam alguns jornais e revistas deste país nas redes sociais?

Hermínio Silva Júnior Hermínio hsilvajr@terra.com.br

São Paulo

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COMISSÃO DA VERDADE DE UM LADO SÓ

Desde a criação da Comissão da Verdade discute-se o comportamento dos militares da época da ditadura, denunciados por muitas mortes daqueles que se diziam guerrilheiros, cuja maioria talvez pudesse ter sido evitada, pondo na cadeia os que conspiraram contra o Estado. Muitos dos que se diziam romanticamente guerrilheiros, quando lhes cabia melhor o papel de terroristas, os sobreviventes do período ou seus parentes, graças à Lei da Anistia, receberam indenizações e hoje desfrutam pensões de valores discutíveis e maiores que as dos militares reformados que ficaram marcados como torturadores. A tal "comissão da verdade" busca os culpados de um lado só, o que leva a uma pergunta até hoje sem resposta: se vencedores os terroristas, como seria um governo deles? A resposta mais provável seria implantar um regime comunista, castrista, fidelista, guevarista ou qualquer coisa parecida. Esse tipo de governo, assim como o implantado em regimes comunistas liderados pela URSS, como em Cuba, simplesmente ficou marcado pela total falta de liberdade de pensar, ir e vir e pela eliminação pura e simples dos cidadãos que não aderissem a essa filosofia de mando, mostrou-se ao longo desses anos um fracasso, levando a Rússia antes e China depois a abandonar tal regime. Mas permanece em Cuba, porque os irmãos Castro, por teimosia pura e simples ou não saberem como sair dele, continuam mantendo na miséria o país e sua população. Então, qual a resposta? Pensariam diferente? Duvido se Lula e sua turma ainda teimariam irracionalmente em bajular os irmãos Castro.

Laércio Zanini arsene@uol.com.br

Garça

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PATRIOTISMO

Não percamos a esperança. Um dia, que espero não esteja muito distante, ainda veremos nosso país sendo administrado por gente de bem. Com satisfação li no Fórum dos Leitores de quarta-feira que o deputado federal Antônio Reguffe, do DF, protocolou ofícios na Diretoria-Geral da Câmara dos Deputados abrindo mão dos salários extras, bem como de toda a verba indenizatória. Parabéns ao deputado pelo ineditismo. Todavia gostaria de registrar um fato também inédito ocorrido na cidade de São José do Rio Preto, onde morei de 1970 a 2009. O então vereador Manoel Antunes, eleito em 1972 sob a égide da gratuidade do mandato eletivo, ao tomar conhecimento de que o presidente Geisel aprovara lei que a partir de 1975 determinava o pagamento de salários aos vereadores, imediatamente comunicou ao presidente da edilidade que fora eleito para cumprir um mandato sem remuneração e, portanto, estava abrindo mão dos salários. Mais tarde, o mesmo político foi eleito presidente da edilidade daquela cidade e abriu mão da verba de representação. Tem mais, posteriormente o senhor Manoel Antunes foi eleito prefeito por dois mandatos, um de seis e o outro de quatro anos. Todos nós sabemos que o tempo de mandato eletivo também é contado para efeito de aposentadoria. Sendo assim, ele teria o direito de se aposentar ao cumprir 35 anos de serviço, pois era funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Tinha duas alternativas: aposentar-se pura e simplesmente ou se aposentar e continuar trabalhando e recebendo mais um salário. Não fez nada disso. Não se aposentou e continuou trabalhando mais dez anos sem a menor necessidade, sem exigir qualquer recompensa. Alegava para os colegas que queria cumprir 35 anos de efetivo exercício e ignorar os dez anos como prefeito, a que legalmente tinha direito, pois não queria ser chupim da Nação. É difícil vermos políticos abrindo mão de seus direitos legais. Quando os vemos, temos de saudá-los efusivamente. É o que estou fazendo. É por isso que não perco as esperanças de ver um dia a política brasileira ser comandada por políticos honestos e probos como esses. O Brasil precisa e merece.

Olavo Salemo de Castro olavosalernodecastro@yahoo.com.br

Marília

* PERGUNTA CORAJOSA

Aos caros leitores - e também eleitores - faço a seguinte e estratégica pergunta: Dilma é um Lula de saias? Ou Lula foi uma Dilma de calças? Isso mostra que a ideologia - e a demagogia - se vestem de modo diferente para lutar pelas mesmas ideias! Deu para entender, caros futuros eleitores? Então... mandem brasa nas urnas!

Sagrado Lamir David david@powerline.com.br

São Paulo

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POLÍTICOS SURDOS

Em dias de campanha eleitoral ninguém fala em seca. Mas nos anos de seca o nordestino sofre mais. A dependência do governo é maior e nem sempre o que é prometido em campanha é o que acontece na vida real. Os açudes secam e os carros-pipa trazem água imprópria para o consumo humano. A falta de água é um aperreio! Doenças decorrentes da água de má qualidade são frequentes. Uma parte da população migra para a cidade grande e vai passar dificuldades de moradia e sustento. Depois de outubro não adianta pedir aos políticos. Já passou a eleição e eles estão surdos. Que Deus proteja o povo nordestino, que sofre periodicamente com as secas.

Paulo Roberto Girão Lessa paulinhogirao@uol.com.br

Fortaleza

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CRISE EUROPEIA

A crise europeia não se resolve porque todos pensam que é impossível fazê-lo da única forma que seria viável: restaurando a solvência das pessoas. Em termos práticos, aumentando os salários. Não se trata de tirar leite de pedra, distribuindo o que não se tem. Trata-se de reordenar o crescimento dentro de uma nova equação de repartição para reativar a economia. Vamos dizer que se dobrasse o salário básico (mínimo) das pessoas ainda empregadas, com a extensão do mesmo adicional a todos os níveis. Para fazê-lo seria preciso tecnologia similar à do Plano Real, que em quatro meses de ajuste dos preços relativos acabou com a hiperinflação no Brasil. Durante o período de ajuste, os tesouros nacionais teriam de cobrir, a fundo perdido, o impacto nas folhas de pagamento das empresas. Ou alguém ainda acha que seria possível continuar suprindo as necessidades crescentes de bancos e países? Já para dobrar o salário mínimo brasileiro, por exemplo, com extensão do mesmo adicional de R$ 600 a todos os nossos 60 milhões de trabalhadores, sairia pela bagatela de uma única tacada de R$ 144 bilhões (4 meses x R$600 x60 milhões). É hora de berrar. Os alicerces econômicos do mundo estão realmente ruindo e isso será uma enorme tragédia pessoal para cada um de nós.

Rogério Antonio Lagoeiro de Magalhães Rogerio Lagoeiro lagorog@uol.com.br

Niterói (RJ)

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METÁFORAS E EFEITOS NA ECONOMIA

Em 2008, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram um tanto ou quanto hilários e irônicos, para não dizer "omissos", quando, na verdade, deveriam ter alertado a sociedade brasileira sobre os possíveis efeitos da crise econômica mundial no nosso país (tanto a curto como a longo prazo). Na ocasião, porém, preferiram tapar o sol com a peneira, fazendo ora cara de paisagem, ora brincando com fogo e também com as marolinhas. Ao ler a carta Pais omissos, do leitor sr. Cláudio de Melo Silva, deparei-me imediatamente com a seguinte constatação: os pais que não dão a devida educação aos seus filhos, permitindo-lhes num primeiro momento da vida desconhecer disciplinas e limites, como citou o sr. Melo Silva, consequentemente mais tarde assistem aos efeitos de suas omissões (muitas vezes os filhos se tornando adolescentes e adultos transgressores de normas e leis; outras tantas quando isso não ocasiona um fim trágico para os seus próprios filhos; além do que os próprios pais em grande parte das situações acabam culpando o mundo todo, contanto que eles não façam parte desse universo, por terem sido omissos quanto a uma criação ou tomada de medidas no momento correto). No caso da realidade político-econômica brasileira, são os mesmos pais que se assemelham em atitudes e medidas aos responsáveis pela economia do nosso país e que, neste momento, pouco devem estar se importando com o peso de suas metáforas, principalmente com os seus efeitos na economia do Brasil. Só no início de 2009, em pleno contexto de crise, assistiu-se a uma verdadeira onda ou avalanche de demissões em empresas do porte da Vale, Embraer, General Motors (GM) e em diversos setores estratégicos da indústria. Nesta semana, novamente na unidade da GM em São José dos Campos, já foram demitidos mais de 1.500 funcionários e a empresa se mantém de portas fechadas. Pelo visto, os efeitos daquela crise se prolongam e os nossos pais insistem em brincar com as marolinhas.

Emanuel Angelo Nascimento emanuellangelo@yahoo.com.br

São Paulo

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BOAS NOTÍCIAS

Na página 4 do caderno de Economia do Estadão de ontem, tivemos três "boas" notícias, uma embaixo da outra. A primeira nos mostra que ano passado o País pagou R$ 100 bilhões de pensão a, literalmente, viúvas, o equivalente a 2,8% do nosso PIB. Na sequência, e relacionada a essa matéria, temos outra "boa" notícia, a de que o rombo da Previdência aumentou 38% somente no mês de junho. Pra fechar com chave de ouro as "boas" notícias, li, estupefato, que um auditor flagrado num esquema de corrupção, que "sumiu", estava sem receber seu salário e, graças aos seus advogados e a um juiz de muito bom senso, ele voltou a receber depósitos no valor de R$ 20 mil mensais em sua conta corrente, apesar de não estar trabalhando. Fantástico! Fosse na iniciativa privada, o tal servidor, daquela classe de protegidos, privilegiados e que gozam de estabilidade, já teria sido advertido a voltar ao seu posto e a falta dessa ação em X dias poderia acarretar em abandono de emprego. Porém, como temos diferentes pesos e medidas na Terra Brasilis, o tal cidadão, procurado pela polícia, ainda tem como prêmio uns míseros R$ 20 mil mensais. Eu acho que ele deveria dar uma entrevista na TV e reclamar, tal qual uma ex-esposa de um ex-presidente, afinal R$ 20 mil não dão pra nada, vistos os milhões em reais e outras moedas que foram encontrados na "modesta" casa do tal servidor. Realmente, aquele slogan é extremamente verdadeiro: Brasil, um país de tolos!

Renato Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

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GREVE NO IBGE

A manchete Greve no IBGE impede divulgação total de pesquisa sobre emprego é uma bênção para o governo. Quem disse que greve é ruim? Os funcionários do IBGE, em greve desde 18 de junho, sem saber, estão colaborando com o governo. Por falta de dados, o IBGE não pôde divulgar a pesquisa mensal de emprego. Isso é o que se chama sorte. Sem dados suficientes para divulgar o crescimento do desemprego, o governo está livre do mico. A exigência dos grevistas é pela realização de concursos públicos. Essa medida pode ajudar a acabar com os cabides de emprego e evitar a contratação de "cumpanheiros" parasitas em qualquer governo.

Izabel Avallone Izabel izabelavallone@gmail.com

São Paulo

 

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CINCO CPMFs

Ministro Mercadante, eu tenho a certeza de que posso falar em nome de todo o Brasil. O senhor é uma das poucas pessoas do atual governo com alto nível cultural (além da presidente Dilma e outros contados nos dedos das mãos), por isso me surpreendeu muito sua declaração sobre a necessidade cinco CPMFs para aperfeiçoar a educação no País. Ora, isso é discurso para palanque! O povo que não recebeu nem recebe educação poderia acreditar. Porém leitores de jornais, no caso do Estadão, são pessoas com discernimento e cultura que não engolem essa declaração. Embora pareça lugar-comum e muito repetitivo, os rios de dinheiro que estão indo para a Copa e a Olimpíada, mais todos os atos de corrupção que desviam bilhões do Brasil - e aqui me refiro aos corruptos de todos os partidos políticos -, somados, poderiam muito bem melhorar, e muito, a educação. Na segunda-feira, a TV apresentou uma matéria sobre os salários descomunais que juízes classistas e também não juízes recebem em Minas Gerais, e esse é só um exemplo dentre os milhares que temos. O governo precisa de dinheiro? Corte despesas espúrias e faça uma limpeza de gente. Embora reconheça que depois da limpeza ficarão, no máximo, uns dez políticos no Senado e na Câmara.

Patricia Fischer patfischer@terra.com.br

São Paulo

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O MATA-FOME

O Brasil vai se destacando na produção mundial de alimentos, tornando-se o mata-fome do mundo, com os países industrializados pouco se importando em aumentar sua contribuição nessa produção, pois nos mandam em troca seus produtos com alto valor agregado. Pena que, em paralelo, o Brasil se mostre como o velho celeiro do imundo, abastecendo, criminosa e impunemente, contas bancárias de pulhas da política nas plantações de Jersey, da Suíça e outras terras paradisíacas, com dinheiro nosso que deveria ser gasto em infraestrutura e serviços logísticos para levar a produção do campo até o porto. País rico é um país sem "podreza".

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

Santos

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TELEFONIA E ENERGIA

Com relação à Anatel, enquanto fiscalizadora da qualidade da telefonia no Brasil, considerando os oito anos em que questionei a má qualidade dos serviços da Telefônica, sem providências daquele órgão fiscalizador, não acredito na veracidade dessa súbita atitude, recente, da Anatel. Com relação à Aneel, vamos ver no que vão dar minhas reclamações com relação à CPFL-Paulista. Após muito tempo solicitei à CPFL o previsto na legislação, ou seja, um relatório do número de vezes que a energia foi interrompida em minha residência no período de 2009 até hoje tendo como consequência a perda de vários aparelhos elétricos. Como não obtive resposta, abri um processo na Aneel, sob o número 3004285481206, no dia 5/7. Segunda-feira, dia 23/7, chegou a resposta da CPFL, por meio da agência reguladora Arsesp - Comunicação 25777/2012 -, em que a CPFL afirma que faltou energia em minha residência duas vezes no período de abril a junho deste ano. Eu tenho registradas, por meio de protocolos, 26 vezes. A menos que eu não tenha entendido o documento, com a palavra a Arsesp e a Aneel.

Orivaldo Tenório de Vasconcelos professortenorio@uol.com.br

Monte Alto

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CUIDADO COM AS OPERADORAS

Cautela e cuidado com a Oi e outras prestadoras de serviços que agem de má-fé. Estelionato, segundo o Código Penal, é iludir a boa-fé de terceiros em benefício próprio, no caso, por meio de contratos de adesão que nos são impostos. Eis meu relato. O meu telefone fixo tem contrato de mais de dez anos e está vinculado ao plano Oi Conta Total 2 há cinco anos para efeito de benefícios, tais como não pagar assinatura, fazer ligações locais para fixo sem custo e usar a franquia de 200 minutos do plano Conta Total para ligações DDD. O Plano Oi Conta Total 2 tem 200 minutos de franquia, duas linhas telefônicas, o Velox de 5 MB, que nem sequer chega a 2 MB, torpedos e, como o nome diz, todos os serviços numa fatura. Em 18 de abril de 2012 recebi torpedo no celular dizendo que a Oi tinha desvinculado meu número fixo do Plano Oi Conta Total. Em seguida, outro dizendo que vincularam o telefone 21-2601-73xx, que eu desconheço, assim como toda a família. E mais grave: ninguém atende. Relevante é que eu não pedi nenhuma substituição. Em seguida recebi faturas com vencimentos nos meses de maio, junho e julho do meu Oi fixo, cobrando assinatura, minutos excedentes à franquia, Velox que não contratei e ligações DDD e DDI que fiz usando meu Plano 21 Livre da Embratel contratado em abril de 2011, por meio do qual posso fazer ligações de tempo ilimitado para fixo DDD no Brasil e fixo e celular nos EUA, onde reside uma de minhas filhas. Depois de dezenas de ligações para o péssimo serviço de atendimento ao usuário da Oi, consegui corrigir a fraude deliberada - computador não erra ou toma iniciativas como essa - e retornar o meu número ao Plano Oi Conta Total. Depois de impugnar todas as faturas, comecei a receber outras de onde foram excluídas as ligações feitas usando a Embratel, mas insistindo na cobrança de assinatura, minutos excedentes e Velox, sendo que este não contratei, com valores que variam de R$ 27 a R$ 119. Meu telefone fixo está bloqueado para fazer ligações desde 8 de julho. Anteontem decidi pagar as faturas que não me foram enviadas na lotérica, para restabelecer o serviço do Oi Fixo, que contratei de boa-fé de uma empresa que a toda prova não tem competência administrativa, mínima segurança de sistemas e age de má-fé. Paguei três faturas do Oi fixo na lotérica informando o número do telefone. Liguei pedindo o restabelecimento do serviço e me disseram que tenho de aguardar mais cinco dias - números de atendimento: 20121106205219 e 2012110620853. Vou aguardar o envio das faturas pagas, que, segundo a Oi, leva até dez dias pelos Correios, e em seguida procurar a Defensoria Pública para ajuizar pedido de repetição do indébito em dobro e indenizações por danos materiais e morais, pelos constrangimentos, humilhações, cobranças indevidas e abusivas e enorme perda de tempo, pois preciso trabalhar para viver e pagar as minhas contas, inclusive dos serviços da Oi. Vale lembrar que o Judiciário brasileiro está literalmente paralisado por 90 milhões de processos, segundo o Conselho Nacional de Justiça, a maioria deles em juizado especial, onde são réus operadoras de telefonia, concessionárias de serviços, públicos, planos de saúde e bancos, que primam pelo desrespeito ao consumidor, a quem impõem contratos de adesão, não respeitando o pactuado, as leis e o mercado, predadores, prejudicando inclusive os acionistas.

Gilberto Serodio gilberto_serodio@yahoo.com.br

Niterói (RJ)

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FEIRÃO LIMPA NOME

O "Feirão Limpa Nome" que está sendo realizado na cidade de São Paulo tem a finalidade de limpar o nome de devedores - na maioria, dívidas contraídas nas compras por impulso -, que estão às voltas com os credores. É uma boa ideia, sem dúvida, porém tem aquelas pessoas que acham que essa sua inadimplência "acabou compensando" e vão reincidir novamente. Na minha opinião, após o entendimento entre as partes, deveria haver uma suspensão temporária do cartão de crédito e do cheque especial dos devedores, como um aviso de "preste atenção". Isso também valeria para as anistias dadas pelo poder público, como prefeituras e Estados.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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EXAME PARA MÉDICOS RECÉM-FORMADOS

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) quer que seja obrigatório o exame para formandos, prova que vem sendo realizada desde 2005 de forma opcional. Essa pretensão é bem recebida, mas é também paliativa. Na forma opcional, apenas 15% dos estudantes de último ano participavam, com resultados não recomendáveis. Quase a metade (46,7%) não revelava conhecimentos necessários para exercer a profissão. O que o conselho pretende é um diagnóstico sobre a qualidade do ensino. A divulgação do desempenho de cada faculdade deverá fazer com que melhore o ensino. Esse processo teria resultados mais realistas se o governo federal não relutasse em punir os cursos que nas provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes mostrassem verdadeiras aberrações escritas pelos alunos. Há oito anos tramita no Senado o Projeto de Lei n.° 217, que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina. Só se espera que haja rigor nesse exame e que o patronato político não tenha intromissão nos resultados. Com exceção das grandes metrópoles, apoiadas por tecnologia de ponta, pelo interior do Brasil a medicina está na UTI, com graves sintomas de falência múltipla de órgãos.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

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'PARA ROMPER COM O ANALFABETISMO FUNCIONAL'

Mais contemporâneo do que o conceito de alfabetização, o conceito de "letramento" implica o domínio da leitura e da escrita e a capacidade de reconhecer, gerar e transmitir ideias a partir desse domínio. O letramento só faz sentido porque, além de seres inteligentes, somos fundamentalmente seres sociais: no seu desenvolvimento, fica implícito que haja um ser semelhante no papel de interlocutor. Embora o processamento cognitivo do letramento ocorra no nível do córtex cerebral, só pode ser inteiramente dominado pela pessoa (ou grupo social) se houver uma mobilização de partes mais primitivas do cérebro responsáveis pela expressão e recepção de sentimentos e afetos psicossociais. Trocando em miúdos, um professor que ajude os alunos a desenvolver tal domínio precisa se relacionar com estes de forma materna, isto é, tendo paciência com os erros e incentivando-os nas dificuldades iniciais. Precisa se relacionar com os alunos de forma amigável, estimulando-os e motivando-os a se envolver no mundo simbólico da leitura. O professor precisa, ele próprio, achar a leitura e a escrita agradáveis, divertidas e cruciais para a comunicação e para ingresso num novo universo mais complexo. Fica claro que não precisa ser apenas o professor de língua portuguesa o responsável por sua transmissão.

Eliana Araujo Nogueira do Vale eliana.vale@uol.com.br

São Paulo

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O MAGISTÉRIO PAULISTA ESTÁ DE LUTO

Quando encerrou as atividades docentes em 1988 na rede pública do Estado de São Paulo, a professora Zilda Halben Guerra percebeu que a aposentadoria não seria como o esperado. "Eu estava no ponto alto da carreira, com o melhor salário possível na época, e imaginava que conseguiria descansar e usufruir o meu trabalho. Mas as regras foram mudadas", relatou a educadora, presidente da Associação dos Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp). Quando muitos buscam o merecido descanso após anos de dedicação ao funcionalismo público, a professora Zilda Halben Guerra trocou sua aposentadoria pela luta em defesa dos seus colegas - os professores aposentados. Foi uma das fundadoras e presidente da Apampesp, que nas últimas duas décadas se tem notabilizado no trabalho, quer seja em São Paulo, Brasília ou onde for necessário, de reivindicar o respeito, o carinho e a isonomia salarial que os servidores aposentados merecem. À família enlutada, bem como aos diretores e associados da Apampesp, o meu pesar, neste momento de irremediável perda para o funcionalismo público paulista e nacional, e votos de paz e conforto.

Antônio Dias Neme antonio.neme@superig.com.br

São Paulo

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SHOPPING FREI CANECA

Quanto mais rezo, mais assombração aparece! Na quarta-feira, assistindo a um jornal da TV Globo, ouvi a informação absurda de que o shopping Frei Caneca seria fechado porque não teria pago as multas. Fiquei abismado, achando que deveria ser uma interpretação errônea do repórter. Ontem, lendo no Estadão, páginas C3 e C5, a reportagem Juiz nega liminar, mas Prefeitura dá prazo até meia-noite a Frei Caneca, vejo a seguinte passagem: "De acordo com o secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, o único jeito que o shopping teria de reverter a situação - com exceção de uma ordem judicial - seria pagar os R$17 milhões em dívidas. Dessa maneira, o centro de compras ganharia prazo recebido por outros shoppings com irregularidades". Salvo equívoco na interpretação da notícia acima, se o pagamento de multa é condição sine qua non para a concessão de prazo, o direito da Municipalidade de exigir a regularização dos shoppings (26 na capital), louvável sob o ponto de vista da moralidade administrativa, cai por terra! Isso porque, segundo o secretário das Subprefeituras, basta o pagamento das multas para ganhar mais prazo. Ora, as multas podem e devem ser cobradas de acordo com a lei de rito processual, excutindo os bens do shopping, tudo dentro de um processo legal, não podendo se confundir com a obrigação do saneamento das irregularidades para adequá-las às posturas municipais. Logo, se o fundamento para fechamento do shopping Frei Caneca é o pagamento das multas - ato coercitivo -, acredito que um mandado de segurança resolveria a questão, porque não existe direito da municipalidade de condicionar o funcionamento ao pagamento de qualquer multa.

Walter Rosa de Oliveira, advogado walterrosa@raminelli.com.br

São Paulo

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BAGRINHOS E TUBARÕES

Continua a caça aos funcionários da Prefeitura e subprefeituras por facilitarem ou darem licenças irregulares aos shopping centers. Ninguém fala dos proprietários ou diretores daqueles estabelecimentos que foram os corruptores. Estes, sim, deveriam ir para a cadeia, aqueles são simples "bagrinhos".

Fabio Figueiredo fafig3@terra.com.br

São Paulo

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INSEGURANÇA NO RIO

Como sempre faz nessas ocasiões, como a morte da policial da UPP do Alemão, no Rio, o governador Sérgio Cabral soltou um comunicado lamentando e se solidarizando com os parentes, e outros blá, blá, blás. Foi parente dele que morreu? Não. Então, ele não está nem aí. A nota é para passar uma imagem de bonzinho e solidário. Deixa cair uma ou duas lágrimas de crocodilo e pronto. A morte da policial é mais uma estatística, como são todos os homicídios, latrocínios, roubos, furtos, etc., neste Estado. Nada é desvendado. É só pra dizer que o ISP trabalha tabulando os dados e publicando as estatísticas. Há uns meses meu filho foi assaltado na Lapa. A poucos metros havia um grupo de guardas municipais e PMs. Foi a eles dizer que tinha acabado de ser assaltado, e sabem o que lhe disseram? "Nós não podemos largar o posto". Essa é a segurança pública do governador Sérgio Cabral. É, vamos ver quando é que o povo vai acordar.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Vila Isabel (RJ)

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DEMAGOGIA

Nas notícias de ontem a presidente lamenta a morte de uma policial morta na Favela do Alemão, no Rio, e nada diz sobre os seis civis mortos na Vila Nova Galvão, em São Paulo. Mais um exemplo de demagogia: ambos os casos - como tantos outros diariamente - foram provocados por marginais e devem merecer não só lamentos, mas providências efetivas daqueles que utilizam os impostos que pagamos e têm a obrigação de garantir nossa segurança, para que não se repitam tais crimes. Lamento a morte de qualquer pessoa, particularmente pelas mãos de marginais, mas não me parece correto privilegiar a atenção com relação à morte de "defensores da lei", que por sua livre escolha se tornaram responsáveis por garantir a segurança dos cidadãos, assumindo o risco de morrer no cumprimento desse dever, inerente que é à sua função, e para o que dispõem de estrutura, informações e armas para cumpri-la, ao passo que cidadãos ficam desprotegidos e obrigados a contratar segurança privada, sendo que em alguns casos - mesmo com armas possuídas legalmente - são processados por matar marginais ao defender suas vidas!

Jorge Alves jorgersalves@estadao.com.br

Jaú

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DESAMARMENTO

O massacre no cinema americano não justificará a proibição da venda de armas naquele grande país. Lá, nos Estados Unidos, há leis severas e quem praticar qualquer crime será exemplarmente punido, por isso a criminalidade é baixa. No Brasil, onde se impõem tamanhos obstáculos para se adquirir armas de fogo para defesa pessoal a criminalidade chega às raias de guerra civil. Porque o criminoso sabe que há a impunidade e o cidadão está desarmado! Portanto, o pessoal do "Somos da Paz" , que prefere morrer de joelhos pedindo clemência ao bandido a lutar com destemor em legítima defesa, está totalmente desarrazoado, porque deveria reivindicar leis mais duras, à altura da atual conjuntura do País, e não o desarmamento. Vejam, milhares de brasileiros desarmados estão sendo assassinados sem ao menos reagir! Neste caso o Estado passa a ser o criminoso por garantir a continuidade desses assassinatos sob a égide da impunidade!

Alberto Nunes albertonunes77@hotmail.com

Itapevi

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BLATER E DILMA

O "cartola" suíço não entende ainda a "química brasileira": se fosse Havelange, estaria de braços dados com Dilma. Quanto mais atraso, mais cara e mais mensalões produzirão qualquer obra. É por isso que as "obras" não estão confiadas, por exemplo, ao Exército, que mostrou como se fazem as coisas lá em Cumbica. Mas gerou algum "mensalão"?

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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UM MANJAR PARA OS SENTIDOS

Sou leitor contumaz do Estadão, na minha opinião, o melhor do País. O Estadão conta com uma gama de jornalistas e colunistas excepcionais, o que garante a excelência do que é oferecido aos leitores. Parabéns ao jornalista José Orenstein, que no caderno Paladar publicado ontem escreveu a maravilhosa reportagem Direto da desordem do armário dos embutidos. Até para o título a fonte de inspiração é de primeira linha: Chico Buarque, a quem Maria Bethânia chamou de religião. Ao ler a reportagem não só deu vontade de degustar os produtos ali descritos, como sair cantarolando: "Se na desordem do armário embutido, meu paletó enlaça o seu vestido..." Se no Paladar, em geral, as ilustrações fazem bem aos olhos e as reportagens enlevam a mente, o contexto da reportagem de ontem faz bem à alma!

Antonio José de Carvalho Antonio.Carvalho@helibras.com.br

São Paulo

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