Fórum dos Leitores

VIOLÊNCIA

O Estado de S.Paulo

30 Julho 2012 | 03h05

As verdadeiras causas

Tenho observado que a violência recrudesceu em nossa cidade no primeiro semestre, sem, contudo, as autoridades, em todos os níveis, tomarem as iniciativas que o caso requer. Há muito se fala na redução da maioridade penal e o que vemos é cada vez mais menores infratores cometendo crimes bárbaros e sendo soltos em seguida, porque a Justiça está de mãos amarradas. Só vejo reclamar que a polícia está violenta e matando indiscriminadamente. Ninguém procura entender que, diariamente, policiais são mortos por bandidos e, com razão, estão acuados e com medo. O caso recente da abordagem de um carro com suspeitos que não quiserem parar foi uma desastrosa falta de competência e profissionalismo. Entretanto, todos estão assustados, policiais e cidadãos. Não se pode mais parar em semáforos, nem de dia (vejam o caso do jovem italiano), teme-se parar à interpelação policial (vejam o caso do publicitário). Em casas, condomínios fechados, apartamentos, com ou sem vigilância 24 horas, tampouco estamos livres de bandidos armados com fuzis e metralhadoras. Até quando vamos suportar tudo isso? Ataques a caixas eletrônicos, supermercados, mercadinhos e restaurantes, ônibus incendiados, justamente em ano eleitoral: coincidência ou há por trás um grupo atemorizando a população e mostrando as garras para o quanto pior, melhor? Autoridades, acordem enquanto é tempo! Vamos deixar de olhar só para um lado da questão? Vamos usar a inteligência, o bom senso e começar a tomar as medidas necessárias para melhorar nossa segurança. O policial quando mata um bandido é vilipendiado. Mas quando é morto pelo bandido não há nenhuma organização humanitária para ajudar sua família, órfã que fica de apoio psicológico e financeiro. Vamos mudar esse quadro, inverter as prioridades!

JOÃO VENTURA

joaomv@terra.com.br

São Paulo

Motivação eleitoral

Até quando o Congresso Nacional e as oposições permitirão que procuradores engajados usem o poder conferido ao Ministério Público Federal (MPF) para molestar judicialmente as autoridades democraticamente constituídas do Estado de São Paulo, por pura motivação eleitoral? O PT manipula a Procuradoria-Geral da República e vários de seus membros? Só assim se explica que um procurador já processado por improbidade administrativa possa ganhar as manchetes interferindo na segurança pública deste Estado, ao pegar um único caso isolado e, deturpando os fatos, manchar carreiras ilibadas.

PAULO BOCCATO

pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos

Desacato

Com que amparo legal um procurador federal vai à TV determinar o que um governador de São Paulo deve fazer - mandando trocar o comando da Polícia Militar (PM)? Ou o sr. Alckmin reage à altura e manda esse sujeito às favas, ou ficará sob dúvida a sua autoridade. Como governador do maior Estado da Federação, não pode aceitar a arrogância desse elemento sob nenhum pretexto.

ADEMAR MONTEIRO DE MORAES

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

Perdidos

Na Procuradoria, os que estão se achando deveriam encontrar algo mais útil para fazer. Esvaziando o mérito da PM estão inflando o ilícito da bandidagem.

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

Cegueira ideológica

Não sou expert em segurança pública, mas sei separar o joio do trigo. Esse procurador do MPF está extrapolando os limites do bom senso! Perguntar não ofende, não é? Então, quem puder me responda: onde estava esse senhor quando vários policiais foram fuzilados? Essa "estrutura ideológica" está correta? Morrer porque se está defendendo a sociedade é o certo? O que significa "mudança de estrutura ideológica", recuar do combate à criminalidade e deixar a população à mercê de marginais? Será que "mudança de estrutura ideológica" não deveria ser batalhar por leis mais justas e eficazes? Como é possível que alguém pretenda desestabilizar e enxovalhar uma organização secular, que é modelo para as polícias do Brasil, antes de uma ampla e profunda investigação? Até quando vamos ter de submeter os nossos ouvidos a tantas sandices?

MAGALI A. CORDEIRO

megalves@globo.com

São Paulo

Sem licença para matar

Com relação à preocupante escalada da violência, é sempre bom lembrar que a sociedade paulista não dá carta branca para a PM matar supostos transgressores e tentar justificar suas ações registrando-as como resistência seguida de morte. É fato notório que os PMs trabalham sob tensão permanente no enfrentamento da criminalidade, sobretudo no período noturno, pondo em risco sua própria vida em prol da proteção da comunidade e do restabelecimento da paz social. Cabe ao governo do Estado coibir a prática da injustificável violência policial, não tolerando a licença para matar, velando sempre pela prevalência dos princípios inerentes ao Estado Democrático de Direito, especialmente no momento da abordagem policial. O objetivo da atividade de policiamento ostensivo é deter suspeitos para que eventualmente sejam processados e punidos.

CLAUDIONOR MENDONÇA DOS SANTOS e ROBERTO LIVIANU, presidente e vice-presidente do Movimento do Ministério Público Democrático

mpd@mpd.org.br

São Paulo

Beirando o acinte

A morte injustificada de alguém merece repúdio e deve ser punida com vigor. Mas as propostas de extinção da PM e de trocar, por ordem federal, o comando da PM paulista beiram o acinte, por desconsiderarem, dentre outros motivos, o drama dos policiais que diariamente arriscam a vida pela população, incluídos os que só sabem criticá-los. As polícias do chamado Primeiro Mundo também matam - vide o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes. A diferença com relação ao Brasil é que lá não há notícias de bandidos que matam policiais e nesses países a população e a mídia valorizam as instituições de segurança pública.

JAIRO EDWARD DE LUCA, promotor de Justiça do MP-SP

jelluca@bol.com.br

São Paulo

Polícias

Desde o fim da ditadura se vem falando sobre a PM e as polícias no País. Mas nem a Constituição de 1988 nem os governos seguintes, sobretudo o atual, que tem a mais confortável maioria no Congresso desde a ditadura e é o mais longevo, fizeram ou propuseram nada para uma reforma que crie uma força policial eficaz. Não há firmeza e determinação para mudanças no Brasil. Temos muitos ministérios, nossos políticos são prolixos e não temos ousadia para mudar o que não funciona.

FRANCISCO DA COSTA OLIVEIRA

fco.paco@uol.com.br

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

RUSSOMANO JÁ ATIRA FLECHA FORA DO ALVO

Russomano, cheio de si, já começa a falar as abobrinhas dignas de quem desconhece os problemas da cidade, principalmente quando critica o prefeito Kassab com relação à intervenção da prefeitura na "Feira da Madrugada", cujo terreno pertence à União. Engraçado que até as pedras de São Paulo sabem ser aquele um reduto comandado por máfias urbanas. Justamente por ser um pedaço da União no centro comercial mais disputado da cidade, o local se tornou uma ilha de livre ação dessas máfias. Além de venderem de tudo - de mercadorias roubadas a contrabando - usam e abusam de empregados sem carteira assinada. Os protestos que vimos até hoje, são organizados por esses mesmos empregados que trabalham na informalidade, mas que mesmo assim têm medo do desemprego. Vários abusos já foram denunciados e a prefeitura fez o seu papel. Quem discorda é porque aceita esse tipo de comércio ilegal. Russomano mal começou e já atira sua flecha fora do alvo.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

*

PESQUISAS ELEITORAIS

É lamentável que Celso Russomano tenha subido nas pesquisas na disputa para a Prefeitura de São Paulo. Russomano é um ex-malufista que teve destaque na mídia após filmar a morte da própria mulher, e agora se aliou aos evangélicos para obter votos. Ele e seu vice, Borges D'Urso não tem a menor condição e representam o que há de pior na política. É triste ver como tantos paulistanos são desinformados, alienados, ignorantes e sem um mínimo de formação política. Se tivéssemos um nível cultural minimamente mais elevado, os eleitores não votariam tão mal e não seriam usados como massa de manobra nem conduzidos como rebanho de gado.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

*

GASTOS DE CAMPANHA

Sinceramente, Brasil, eu não sei o certo. Qual seria o melhor sistema de gastos de campanha. Mas eu acho que no século 21, deveria ser a Receita Federal. Deveria ter um sistema regulador, específico e fiscalizador. Para fiscalizar todas as alianças partidárias e seus gastos de campanha. Sou ainda a favor, infelizmente, de doações de campanhas, mas somente de pessoas físicas. Não podemos nós, os contribuintes, pagarmos também mais esta conta.

Andre Luis Rocha Machado andreluisrochamachado870@yahoo.com

*

ESTÁ BOM PARA VOCÊ?

Mas, para nós paulistanos, não está! Sou apartidário e não nutro simpatia por nenhum candidato à Prefeitura de São Paulo. Porém, aceitar que 26% tencionam votar em certo candidato, tá russo, mano!

Flavio Marcus Juliano opegapulhas@terra.com.br

Santos

*

PREFEITOS

O prefeito de Pequim na China se demitiu por ter sido criticado por não ter evitado a inundação na cidade, que destruiu casas e causou mortes. Se a moda pega no Brasil, o prefeito Gilberto Kassab não deveria só se demitir e sim ser "exonerado" e "excluído" totalmente da política. Pois simplesmente destruiu a cidade de São Paulo.

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

*

ESSA ENCRENCA CHAMADA MALUF

O "folgazão" trafega por aqui e ali no Brasil, mas até no Paraguai teria que "tomar cuidado". Estados Unidos, por sua vez, nem sonhando. Quanto à "tragédia moral para o PT", não é tragédia alguma. Cada panela tem sua tampa: "perto de Lula, sou comunista", disse Maluf. E é também apenas "pivete da Febem".

Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

*

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Sr. Paulo Maluf por mostrar aos brasileiros o quanto estão enganados com o Sr. Lula e o seu grupo. A esse grupo do PT o que interessa é poder, dinheiro e status. Agradeço, também, ao Sr. Cachoeira por escancarar a todos os brasileiros o imenso lamaçal que envolve os três poderes da república.Espero que os dois malandros tenham colaborado para retirar a venda dos olhos de milhões de brasileiros.

Sérgio Barbosa sergiobarbosa@megasinal.com.br

Batatais

*

PRÓXIMO JULGAMENTO

A impunidade é o combustível que alimenta a corrupção em nosso País. A sociedade brasileira espera que o julgamento dos 38 componentes do mensalão, nos próximos dias, seja feito com coerência por parte de nossas autoridades. Até porque nosso País não suporta mais conviver com tanta corrupção.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

ESCULACHO

"Absolvição de Erenice Guerra é avant-première do mensalão inexistente"

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.com.br

São Paulo

*

DEMOCRACIA DOS INFERNOS

O bandido Marcola já havia dito na Câmara: "vocês também roubam...". Juízes ganhando R$ 800 mil, outros ganhando R$ 90 mil e R$ 150 mil - fica claro que estamos no caminho errado. Quem é o descarado e sem vergonha? O supersalário ou o salário mínimo? A corregedoria de Justiça disse que há bandidos de toga. Ai está a prova cabal de que o Judiciário está podre! Porém se houver demissão será para receber a aposentadoria compulsória que corresponde a eternas férias... Democracia assim somente a dos infernos!

Alberto Nunes Filho albertonunes77@hotmail.com

Itapevi

*

A DEMOCRACIA DE OLHOS AZUIS

Lula gosta, e se faz gostar, de ser humilhado pela "elite", e ovacionado pela "plebe" - ambos os conceitos entre aspas. A imagem, estampada dias atrás pelos jornais, de Lula buscando o apoio de Maluf para seu afilhado político Haddad, comprova esta assertiva. (E ainda dizem que os dez nove fora não restam um" é burro! Ser inculto não é defeito e, defeitos de caráter quem no-los tem?)

Carlos Leonel Imenes climenes@ig.com.br

São Paulo

*

PT DO LULA ACOBERTOU MALUF EM 2004

Por que todo este espanto com o aconchego do Maluf com Lula? Não é de se espantar os afagos e juras de amor entre PT, Lula, Maluf e Haddad. Em 2004, o PT beneficiou o Maluf no caso Banestado. Maluf, por sua vez, passou a apoiar Marta para prefeita. Não mais que três palavras: malulafismo, malulafou, malulafiascou!

Fernando Pastore Junior fernandopastorejr@gmail.com

São Paulo

*

CACHOEIRA?

Escandalosa a foto do cidadão Carlos Augusto Ramos sendo transportado por autoridades policiais (Estado, 25/7, pag. A5). O cidadão está literalmente jogado na parte traseira de um veículo. Tratado como se fosse um animal. A viatura não tem bancos para transporte de passageiros? A foto depõe contra a autoridade policial, contra o Poder Judiciário, contra a civilização. Além de infringir o Art. 65 do Código de Trânsito Brasileiro que obriga o uso de cinto de segurança para motoristas e passageiros.

Luiz Angelo Pinto luiz.angelo.pinto@terra.com.br

São Paulo

*

PRIVATIZAÇÃO

Como perguntar não ofende, gostaria imensamente de questionar ao ex-presidente orador Lula (agora mudo), o seguinte: ainda é contra a privatização? Gostaria muito de saber dos antes éticos e cegos petistas, envolvidos ou não em falcatruas, se sabem o valor disso. No total e não no arremate. Se colocarmos uma porcentagem nisso, vamos ficar muito surpresos. Por isso, senhores petistas, deixem o Brasil crescer sem maracutaias e sem apostar no pior, para ver se haverá melhora.

Antonio José G. Marques a.jose@uol.com.br

São Paulo

*

AEROLULA

Nem parece que estamos em crise. Parece que a população brasileira dispõe de exemplares serviços básicos da competência governamental (saúde, educação, transportes, saneamento, segurança, etc.). Agora o LulaTur, adquirido novinho em 2005, ficou obsoleto e vai ser substituído só porque teve um problema de pressurização e não tem autonomia suficiente para viagens mais longas. Para ir à Etiópia, por exemplo, seriam necessárias duas escalas. Lembro que a aeronave anterior, Boeing 707, foi utilizada pela presidência por várias décadas, enquanto o LulaTur, com sete anos, será substituído. A turma atual está no andar de cima, cheia de mordomias e com elevados ganhos. Não está nem aí para a população que está no andar de baixo e carece de tudo.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

*

AERODILMA

O aerodilma vem aí! Só pode ser intriga da oposição essa da presidente querer um superavião igual ao do Obama! Se enxerga, madame, deverias voar é de teco-teco!

Laércio Zanini arsene@uol.com.br

Garça

*

SEGUNDO OS DE MATEUS

Na verdade, desde que o PT se apossou do Palácio do Planalto teve início a maior dilapidação já vista no erário público. Para melhor acomodar a "trupe" dos companheiros e para dar sustentabilidade ao seu projeto de "chegamos aqui, e daqui ninguém nos tira", funcionários do governo federal passaram a custar mais de 120% entre 2003 e 2011, contra uma inflação de 52% nesse mesmo período. Durante os dois mandatos de Lula, isso causou um impacto de R$35,2 bilhões acima da inflação.

Dilma está diante de um dilema causado pelo seu "criador". Diz não ter condições de atender e acalmar a pressão dos grevistas, mas por outro lado, sabe que não é de bom alvitre contrariar essa massa de eleitores, quando tem as portas uma eleição municipal, que com todas as bondades e carinhos patrocinados pelo governo, pode marcar o início do fim do império projetado para uma robusta longevidade. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior afirma que a soma das demandas é de R$92 bilhões. Mateus foi parido e agora precisa ser embalado.

Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)

*

JULGAMENTOS SOB AMEAÇAS

Embora tardia, a recente lei 12.694, publicada no último dia 25, vem cumprir uma função altamente importante. Existem por volta de 400 magistrados, no País, ameaçados pela marginalidade, de colarinho branco ou não, com 200 casos devidamente registrados e admitidos, segundo a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A decisão em colegiado - quando o magistrado se sentir ameaçado ou mesmo constrangido pela bandidagem - é uma providência salutar, mesmo porque não se pode admitir que em uma democracia ocorram fatos tão desagradáveis e inconcebíveis.

Nenhum regime democrático pode funcionar a contento sem que os magistrados possam desenvolver seu trabalho com liberdade e com segurança. Cabe não só ao Poder Judiciário, mas também aos demais, Executivo e Legislativo, colocarem-se em posição de colaborar com tais postulados, lembrando-se que o crime organizado está suplantando a lei, a ordem e as forças de segurança, em virtude da omissão estatal em combatê-lo. Nunca poderemos contar com magistrados submetidos ao regime do medo e da ameaça, mesmo que velada. Lugar de bandido é na cadeia e não falando grosso e ameaçando magistrados!

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br

Rio Claro

*

PROTEÇÃO AOS JUÍZES

A Lei 12.694, sancionada pela presidente Dilma Rousseff para assegurar à toga maior segurança, determina que os juízes, a partir de agora, vão poder atuar em colegiado quando tiverem que tomar decisões severas contra investigados. E quem são esses temíveis investigados? São aqueles a quem a lei não alcança. São organizações criminosas que matam desafetos, negociam drogas ou avançam sobre o erário. Os processos demorados, a lei tolerante, cheia de brechas que permitem aos advogados buscarem saídas espetaculares, fazem com que essas organizações não temam ninguém. A CPI do Cachoeira é o melhor exemplo que temos de que nesse país, o crime compensa. Se houvesse punição exemplar a criminalidade não teria avançado e chegado aonde chegou. A criatividade dos bandidos anda a jato, a reforma do Código Penal a passos de tartaruga. .

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

*

PREFEITURA ENDOIDOU

O ato de cassar alvará de funcionamento de shopping center por problemas de vagas de estacionamento mostra como a Prefeitura de São Paulo perdeu o rumo e a noção do ridículo. Se um shopping não tem estacionamento adequado, pior para os negócios. Nas imediações, cabe fiscalização para coibir o estacionamento proibido. Elementar, meu caro Kassab.

Bob Sharp bobsharp@uol.com.br

São Paulo

*

CUSTO DA ENERGIA ELÉTRICA

Uma pesquisa sobre o custo de energia elétrica no Brasil mostrou que para cada R$ 100 pagos na conta de luz, o consumidor brasileiro gasta, sem saber, outros R$ 200 - 200 % a mais -, com custo de energia inserida indiretamente. Segundo a FIPE, o custo da energia está embutido nos preços dos automóveis, no cimento da casa própria, nos encanamentos... O objetivo dessa pesquisa é contribuir para que o País possa enfrentar a crise econômica global e recuperar o dinamismo do Produto Interno Bruto (PIB).

Conforme estudos, uma redução da ordem de 13% no custo da energia elétrica - impostos, taxas, subsídios -, faria com que o País tivesse um crescimento do PIB de 6% ao longo de 10 anos, e geraria mais de quatro milhões de novos empregos. Os estudos já foram enviados ao Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Esperamos que a redução do preço da energia elétrica não seja somente para as grandes empresas, mas seja também para a população em geral.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

*

EMPREENDEDOR: ESPÍRITO ANIMAL

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que "o espírito animal (dos empresários) precisa surgir". Considerando as limitações impostas pelo governo aos empreendedores (falta de infraestrutura, controles, impostos, encargos trabalhistas, etc.) e as "benesses" dadas a empresários que repartem com políticos inescrupulosos o que sugam das "tetas" governamentais (empréstimos favorecidos, licitações dirigidas, etc.), esse espírito animal já existe e está bem claro: só que é o de um animal domesticado!

Jorge Alves jorgersalves@estadao.com.br

Jaú

*

QUEDA EXAGERADA DE JUROS

Gostaria de pedir uma grande ajuda dos senhores leitores do jornal Estadão, no sentido de protestar e reclamar para frear a queda exagerada da Selic, taxa básica de juros da economia, praticada pelo atual Banco Central (BC), junto com o ministro Mantega e a presidente Dilma. Esta queda está prejudicando muitas, milhares de pessoas como a minha família que dependem de rendimento da Previdência Privada para sobreviver.Esta queda exagerada diminui a capacidade de consumo de milhares de famílias que dependem da Previdência Privada, o que é contrário ao que governo deseja, ou seja, está desestimulando o consumo. Eu já mal consigo pagar meus compromissos e nem adquirir mais nada! Outrossim, forçar os bancos a reduzirem os juros de financiamento de carros para ajudar fabricantes - o que o atual governo está fazendo - causa inundação de carros nas ruas, principalmente em São Paulo, onde não há como andar mais de carro nas ruas e avenidas nos dias de semana. Enquanto isso, muitas e milhares de pessoas sofrem, como minha família, com a perda do rendimento da Previdência Privada, provocada pela queda exagerada da Selic. Os senhores acham que a redução exagerada da taxa Selic trouxe o aumento de consumo que o governo Dilma queria? Nada, o que trouxe foi o aumento no número de inadimplentes! Por favor, ajudem-nos a sobreviver.

Darci Setumi yoshio.suzuki@uol.com.br

São Paulo

*

SERÁ QUE A ANATEL ESTÁ CERTA?

Espero que haja uma ótima e convincente explicação técnica para a mudança planejada pela Anatel para justificar a impossibilidade da convivência de números de oito e nove dígitos para os celulares. Como leigo penso que apenas os novos números deveriam vir acrescidos deste nono dígito, semelhante ao que havia na telefonia fixa, há décadas, com a convivência de números de seis, sete e oito dígitos.

Luiz Nusbaum lnusbaum@uol.com.br

São Paulo

*

PUNIÇÃO

Se algum serviço qualquer não funciona a contento, os usuários reclamam. Se os responsáveis, ou melhor, os que controlam estes serviços não tomam atitude alguma, o sentimento dos usuários é de total decepção e revolta. A Anatel por ordem do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo resolveu enquadrar as operadoras de celular para que a qualidade deste serviço tenha melhora. Não entendo que isso seja uma medida populista, mas o jornalista Ethevaldo Siqueira, especialista na matéria, entende que sim, ou seja, que tem amplo apoio popular e, portanto, é populista e distorcida da realidade. Ledo engano. O serviço é péssimo e muito caro e estava mais do que na hora de que as operadoras da telefonia celular fossem devidamente enquadradas como, de fato, foram e severamente punidas. O resumo da ópera, portanto é: se não se faz nada o responsável é inoperante, mas caso se toma alguma atitude é um absurdo e mais do que isso está "jogando para a plateia".

José Piacsek Neto bubapiacsek@yahoo.com.br

Avanhandava

*

AINDA AS TELES

Em comparação à Telefônica, atualmente Vivo, proponho iniciar processo de canonização da Oi, Claro e Tim. Elas são santas.

Marcia Meirelles marciambm@yahoo.com.br

São Paulo

*

A BELA E A FERA

O genocídio que Bashar Assad promove na Síria, está atraindo urubus para o grande jantar: a Turquia aproveitará para acabar com os curdos, Israel atacará as bases de armas químicas e quem sobrar pela frente, e a Al-Qaeda tentará ficar com uma parte do poder. O Irã, o Hezbollah e o Hamas também estão de olho nas sobras de um país com uma das mais belas esposas de tiranos, Asma Assad.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br

Espírito Santo do Pinhal

*

O COLONIALISMO OCIDENTAL

Diz a mídia engajada neoliberal, que não é nada disso não. Segundo ela, as insurreições do norte da África e do Oriente Médio, alicerçaram-se no firme propósito de buscar as liberdades individuais em países dominados por "tiranos bárbaros" que vivem oprimindo suas populações carentes de ações humanitárias, de justiça e liberdade democrática. Nesse engodo foram-se os regimes do Egito, de Hosni Mubarak, e da Líbia, de Muamar Kadafi, todos reféns de levantes subversivos patrocinados pelo capital internacional que produziu trágicas cifras genocidas em ambos eventos. No Oriente Médio, a "bola da vez", é a Síria de Bashar al-Assad. Esta aventura imperialista consumiu até agora, no país, a vida de 19 mil seres humanos. E a tendência é aumentar esse número astronomicamente. A mídia doutrinada e subvencionada pela direita, nacional e internacional, pinta Bashar al-Assad como um monstruoso déspota responsável por tal genocídio. Esquece esta imprensa, que a ofensiva rebelde se escuda na indefesa população civil de bairros super-habitados de Alepo e Damasco, para que esse número se multiplique criminalizando o regime de Assad, e assim legitimar uma intervenção armada internacional coalizada, abençoada pela ONU. Observamos que esse expediente já foi usado na subversão internacional contra a Líbia que decaiu de país com o maior IDH do continente africano para aquele que, penalizado por esse desastre, contabilizava a destruição de quase toda sua infraestrutura sócio patrimonial, além da morte de 30 mil pessoas, regida pelo barbarismo orquestrado da Otan. Esquece também a mídia do establishment neoliberal, que Assad defende seu país contra o terrorismo internacional bem articulado e patrocinado pelo imperialismo oportunista das grandes potências. É esse oportunismo que se coonesta com princípios democráticos para defender seus interesses mais inconfessáveis, em especial, a ganância irreprimível pelas riquezas minerais e geoestratégicas desses infelizes países. A "última" da mídia neoliberal fantasiosa e disciplinadora, diz respeito ao terrorismo psicológico de praxe, propalando aos quatro ventos, nesses últimos dias, supostas intenções de Assad de utilizar seu terrível arsenal de armas químicas como uma alternativa bélica à apoteose da guerra civil que destrói seu país. Diz a lenda midiática que o líder sírio poderá usar contra os rebeldes os mortíferos gases sarin, mostarda e VX, armas proibidas por convenções internacionais. Ora, sabe-se que tais "convenções" são ignoradas por certas potências ocidentais, inclusive por Israel que mantém seus estoques bem providos, mas que não perde a oportunidade de infernizar o regime de Assad por tê-las igualmente armazenadas. Pobre mídia... Está querendo enganar a quem? Está a serviço de quem? Com esta prepotente arquitetura, a conspiração neoliberal não para; quer mais! E do Oriente Médio ela estende os seus tentáculos às longitudes e latitudes da América do Sul. Regendo com sua batuta de cinismos ideológicos utiliza-se de uma mídia poderosa regiamente recompensada. Ela se fortalece quando investe suas impiedosas garras capitalistas contra a Venezuela de Hugo Chávez; a Bolívia de Evo Morales; o Equador de Rafael Correa e ultimamente contra o Paraguai, num golpe baixo que destronou Fernando Lugo de sua presidência. Por tabela balançou, como queria, a estabilidade regional que imperava no Mercosul. Tais países sabidamente são cobiçados pela voracidade colonialista, em virtude de suas atraentes reservas minerais. Este potencial praticamente inexplorado, naturalmente seduz interesses internacionais desmesurados, num mundo no qual as demandas crescem assustadoramente todos os dias, e são cada vez mais difíceis de serem supridas. É claro que no final, fica tudo debitado e midiatizado em nome de um sonho denominado democracia.

Wlademir Sabino wcsabino51@yahoo.com.br

Florianópolis

*

PEDÁGIO VERSUS ÁRVORES FRUTIFERAS

Senhor governador e deputados: não seria interessante, se, as concessionárias de estradas de rodagem, às quais pagamos pedágio, plantassem ao longo das rodovias arvores frutíferas? As árvores poderiam ser plantadas junto com as cercas que limitam as propriedades de terra (de 8m em 8m), em ambos os sentidos. Isso seria de grande utilidade para a flora e a fauna do Estado de São Paulo, e contribuiria para a melhoria do meio ambiente.

Martino Malandrino Netto martino.mnetto@terra.com.br

Bauru

*

DIVULGAÇÃO DE SALÁRIOS

A reclamação dos servidores públicos quanto à divulgação de seus nomes e salários, também tem amparo na nossa Constituição, pois a segurança está em risco, e é garantida a privacidade a todos. Portanto, divulgar os salários dos três poderes é justo, até para que se possa fazer comparações, mas nomes não. As pessoas pensam que os servidores e os aposentados são os grandes responsáveis pelos gastos públicos. Enganam-se, o enorme peso que o contribuinte carrega está deitado em berço esplêndido no Congresso. Os parlamentares fazem gastos absurdos nos gabinetes, com mordomias e viagens que somente em países do primeiro mundo, sem crise, seriam admissíveis.

Odiléa Mignon cardosomignon@gmail.com

Rio de Janeiro

*

A REFORMA DA CLT

Concordaria com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, se dissesse que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) cumpriu um papel importante no período em que foi editada: na transposição de uma sociedade agrícola para uma sociedade industrial. Em minha opinião, o adjetivo escravocrata para a sociedade agrícola foi, senão exagerado, mal colocado, se considerarmos que a CLT foi criada através do Decreto-Lei nº 5.542 de 1º de maio de 1943.

Sergio Salgado De Oliveira ssoliveira@netsite.com.br

Monte Santo de Minas (MG)

*

PENSAMENTO DOCENTE

Não sei quantas pessoas se inquietam quando ouvem determinados posicionamentos que visam atacar os profissionais de sua área. Não sei quantas pessoas se põe a escrever após terem se deparado com um desses posicionamentos. Certamente, poucos do meio educacional dispõem um escrito aos crivos da opinião pública. Faço-o. E o faço com a consciência de que a educação brasileira tem muito a melhorar e que os professores têm responsabilidades a serem assumidas nesse processo, mas que não são os únicos agentes desse processo e que, portanto, não basta culpar os professores sem olhar outras instâncias profissionais, sociais e políticas como partícipes dessa responsabilidade. Ainda me preocupo quando ouço posicionamentos um tanto ilusórios a respeito da atuação profissional na educação básica. Explico-me: estive no 18º Congresso de Leitura do Brasil que se realizou na Unicamp de 16 a 20 de julho. Evento que tem por finalidade promover o encontro de profissionais de vários níveis da educação para expor e discutir suas preocupações quanto ao andamento da aquisição de leitura na contemporaneidade. Lá, entre posicionamentos diversos e polêmicos circulando em torno da leitura, me chamou a atenção a conferência da professora Luzmara Curcino Ferreira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ela levantou uma preocupação com as atividades de leitura na educação básica tendo como elemento o fato de as mídias eletrônicas (internet) terem ganho na contemporaneidade um espaço privilegiado nas práticas sociais. Diante de uma análise que vê muitos textos midiáticos serem construídos com uma linguagem mais simples - para atrair leitores pouco propensos a degustação de um texto mais elaborado - ela manifestou seu medo de que o uso excessivo desses textos na educação básica possa estar provocando uma formação leitora simplista e fragmentada. A preocupação de Luzmara é extremamente relevante, no entanto, afirmar repetidas vezes que há um "excesso" (palavra usada por ela) de uso dos textos midiáticos nas atividades de leitura propostas pelos professores de língua portuguesa na educação básica e, que esse "excesso" a deixa muito "reticente" quanto à formação leitora desta geração, me pareceu um tanto fantasioso. O acesso às mídias eletrônicas nas escolas públicas do Brasil é muito parcial. Colegas de profissão quando usam um texto do meio midiático o fazem de forma contrastiva com outros textos mostrando as diferenças de linguagem, marcas de gênero, intencionalidade, etc. Baseado nessa vivência diária, perguntei a professora se as pesquisas que apontam esse excesso tem mostrado uma prática dos professores de educação básica do Brasil de um modo geral ou se isso está concentrado em alguns grandes centros metropolitanos. A resposta foi que ela não havia se baseado em pesquisas na educação básica, mas na observação dos interesses excessivos das monografias dos alunos de graduação, mestrado e doutorado na universidade em que leciona e nas avaliações propostas pelos governos (Saresp e Prova Brasil, ela apontou). Parece-me que uma mania de culpar os professores de educação básica por todos os problemas da educação tem contaminado inclusive os pensadores, formadores de opinião, e acadêmicos de nossa sociedade. Podemos imaginar muita coisa quando estamos pensando sobre determinados temas, mas sair afirmando não. Dá para imaginar, por exemplo, que, se acontece um excesso de uso de textos midiáticos em avaliações como Saresp e Prova Brasil, os professores tenderão, eu disse tenderão, a utilizar mais desses textos em sala de aula como resposta a uma ação governamental. Afinal de contas, entre os vários objetivos de formação das crianças e jovens está o de prepará-los para tais provas. E, toda ação provoca uma reação. Como eu também me preocupo com a questão resolvi dar uma olhada em avaliações governamentais para tentar perceber se há um excesso de uso de textos midiáticos que podem acabar provocando nos professores de educação básica uma necessidade de fazê-lo também em sala de aula. Olhando rapidamente para avaliação de língua portuguesa da Prova Brasil de 2009 constatamos o uso de 13 textos. Desses, seis foram narrativo/literário de autores como Ricardo Azevedo, William Bennett, José Paulo Paes, etc.; quatro foram quadrinhos de autores como Maurício de Souza (Turma da Mônica), Quino (Mafalda) etc.; um de propaganda didatizada publicada no Livro ALP e dois informativos, sendo um da Revista Galileu e um, que parece realmente ser midiático nos moldes postos por Luzmara (simplificado e fragmentado): uma espécie de biografia da Eva Furnari que traz como referência um endereço eletrônico. Uma olhada no Saresp 2010: 22 textos. Desses 13 foram narrativo/literários de autores como Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Paulo Mendes Campos, Ângela Lago, Toquinho e Vinícius, etc.; três quadrinhos de autores como Ziraldo (A turma do Menino Maluquinho) e Watterson (Calvim e Haroldo); seis informativos da Revista Nova Escola - secção Você Sabia? , Ciência Hoje das Crianças e Folha de S. Paulo caderno Folhinha.

Será que é possível dizer que apenas um texto midiatizado seja excessivo? Se (apenas se) considerássemos os textos da Revista Nova Escola, a Ciência Hoje das Crianças e da Folhinha, porque direcionados às crianças e de linguagem mais simples um texto simplificado (no sentido pejorativo do termo) teríamos mais uns seis textos para engrossar a lista de escritos que deixariam a professora "reticente", pensando se esses textos vêm mesmo a colaborar com a formação leitora das crianças. Acredito ser muito pouco provável que alguém pense que um texto de Maurício de Souza, Ziraldo, Watterson ou Quino sejam simplistas porque são quadrinhos. Menos ainda consigo conceber que alguém possa pensar ser simplista a letra de canção de Toquinho e Vinícius só porque ela é facilmente encontrada na internet, ou mesmo um texto da Ruth Rocha. Acredito que haja clareza de que um texto publicado na internet nem sempre tenha sido produzido lá, que há espaços na internet que circulam textos menos e mais elaborados que outros. Para fechar, se existe um interesse exacerbado dos universitários de graduação, mestrado ou doutorado em teorias ligadas a comunicação social que supervalorizam as mídias eletrônicas e seus usos linguísticos, cabe aos orientadores universitários refletir, discutir e esclarecer aos estudantes de nível universitário sobre a supervalorização de uma teoria. Se esses estudantes saírem dos bancos universitários pensando que uma teoria isolada resolve o problema da educação é porque faltou formação intelectual na universidade e isso poderá, eu disse poderá (não que é o que está acontecendo), refletir na educação básica daqui a alguns anos. E esse trabalho é do professor universitário que está ali para mostrar como se produz pensamento intelectual benéfico à evolução humana. Peço encarecidamente que nossos professores doutores se preocupem cada dia mais com a educação (como faz a professora Luzmara), mas não se deixem levar pela mania atual de simplesmente sair culpando os professores de educação básica sem uma mínima investigação a respeito, pois não se constrói conhecimento baseado em suposições.

Aurélio Costa Rodrigues au01@bol.com.br

São Paulo

*

A ADMINISTRAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

A promulgação da Lei 12.688, que criou o Proies (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior), com o objetivo de assegurar condições para a continuidade das atividades de entidades mantenedoras de instituições integrantes do sistema de ensino federal, demonstra o desastre da administração daquelas instituições. Essas entidades também chamadas de universidades comunitárias de uma maneira geral foram criadas com o vinculo com as prefeituras municipais que de início se responsabilizavam pelo seu funcionamento. Nessa condição de uso do CNPJ vinculado ao poder municipal a arrecadação do imposto de renda na fonte, descontados dos professores, não precisava ser recolhida ao Tesouro Nacional. Com o passar do tempo essas entidades passaram a se desvincular das prefeituras para ter mais autonomia. Só que armaram uma tese de que o imposto retido não seria recolhido e o seu valor seria convertido em bolsas de estudos. Tudo isso formalizado com convênio aprovado, inclusive, pelas câmaras municipais. Mas tudo isso era contra a lei tributária. Esse estado de coisas bem demonstra a capacidade intelectual daquelas entidades, representadas pela sua direção e corpo técnico. Para "resolver" o problema das dívidas acumuladas foi articulada a lei aprovada, que concede bolsas de estudo integrais em lugar do recolhimento de 90% dos tributos vencidos. Com desconto de 40% nas multas e juros. É calculado em 522 mil, o número de bolsas a serem concedidas pelas universidades e faculdades comunitárias pelo prazo de até 15 anos. Todos os custos de ensino para esse alunos serão inevitavelmente incluídos nas planilhas das mensalidades dos atuais e futuros alunos dessas escolas. Futuro conflito com os diretórios acadêmicos que discutem as anuidades escolares. Objetivamente irá sobrar para as prefeituras encontrarem algum meio de pagar a conta, enquanto os administradores do passado não serão molestados. Espero que não sirva de exemplo para o futuro.

Hélio Mazzolli mazzolli@terra.com.br

Criciúma (SC)

*

SE ARREPENDIMENTO MATASSE...

Quando li, no ano passado, a notícia da implantação pelo Governo Federal do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferecia bolsas de estudos para que universitários complementassem seus estudos em cursos de pós-graduação no exterior, principalmente em universidades do primeiro mundo, imediatamente copiei a notícia e a enviei por e-mail para meus amigos, para que informassem seus filhos e netos universitários. Era uma excelente oportunidade de aperfeiçoar e desenvolver os estudos, viver no exterior, conhecer outro modo de vida, outras pessoas, etc.; eles voltariam outros. Passados alguns meses da implantação do programa, li que vários estudantes passavam dificuldades, e até constrangimentos, por não receberem em dia do governo brasileiro os recursos indispensáveis para suas despesas no exterior. Passados mais alguns meses, leio agora que vários estudantes estão sendo obrigados a retornar ao Brasil antes da conclusão dos seus cursos, inclusive abandonando pelo meio trabalhos em grupo que desempenhavam nas suas respectivas universidades. Isso pelo simples fato de que o governo federal não lhes concedeu a prorrogação da bolsa que estava acordada desde o início. Eu enviei a notícia aos meus amigos praticando aquela filosofia bem exposta por Dennis Lerrer Rosenfield, em artigo recente neste jornal, de "criticar o criticável, e elogiar o elogiável". Com esse governo, é preciso ter mais cuidado ao elogiar, porque eles querem fazer algo de bom, porém não sabem como fazê-lo. Quanto aos meus amigos, eu lhes digo: se arrependimento matasse...

Sergio Lopes sergio.lopes940@gmail.com

São Paulo

*

FAPEMS DEFENDE OS APOSENTADOS

Até que enfim uma entidade toma a nossa defesa. A Federação dos Aposentados e Pensionistas do Mato Grosso do Sul (Fapems) tomou a iniciativa de denunciar, de forma arrojada, o descaso e a omissão do governo brasileiro para com seus aposentados à Organização dos Estados Americanos (OEA) em sua sede em Washington (EUA). Quem sabe desta vez, com as provas demonstradas, o governo tome vergonha e providencie o que for necessário para que seus idosos - que contribuíram uma vida toda ao País - tenham condições de viver dignamente sua velhice sem serem um peso para filhos e parentes. Seria interessante que se comparasse as altas aposentadorias dos funcionários públicos, principalmente as do poder judiciário, como também a dos homens públicos. Eles não necessitam trabalhar 35 anos ou fazer 65 anos para receberem integralmente sua aposentadoria. Muitas vezes após um único mandato político adquirem direitos que agridem a todos, pois todos deveriam ser tratados como iguais perante as leis e não como párias do sistema do INSS. Muitos de nós recolhemos impostos sobre 20 salários mínimos, depois sobre 10 salários e hoje com os constantes ajustes indignos abaixo da inflação recebemos três salários. Logo estaremos recebendo apenas um único salário e estaremos equiparados aos cidadãos que o recebem, muitas vezes sem nunca terem recolhido nenhum centavo. O mesmo "desgoverno" que autoriza o aumento dos planos de saúde e dos medicamentos é o que comanda essa vergonha nacional em relação aos idosos aposentados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (parece piada). Injustiça a ser corrigida com a máxima urgência.

Leila E. Leitão

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.