Indústria quer mais firmeza para investir

Embora a produção da indústria paulista tenha registrado em abril o crescimento animador de 2,6% em relação a março, segundo o IBGE, os empresários ainda estão cautelosos quanto a novos investimentos para expansão e modernização, em face de uma demanda muito desaquecida. Recente levantamento feito pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 1.120 empresas indica que 56,6% delas declararam não ter feito investimentos em 2015 e 73,2% disseram não ter intenção de fazê-lo até o fim do ano.

O Estado de S. Paulo

24 Junho 2016 | 03h00

A estimativa é de que o investimento da indústria de transformação deve somar neste ano R$ 48,4 bilhões, pouco menos da metade (50,4%) do que foi aplicado em 2015. Pelos cálculos do Decomtec, a formação bruta de capital fixo deve cair de 18,2% do PIB em 2015 para 17% do PIB em 2016.

O levantamento foi realizado antes da posse do presidente em exercício, Michel Temer. Hoje há mais otimismo, disse o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, mas os dados e o cenário que balizaram a pesquisa não se alteraram. 

As empresas ainda não se sentem seguras para fazer investimentos, em razão do baixo retorno esperado.

É natural que as indústrias aguardem que a reação do mercado configure uma tendência firme, antes de planejar novos investimentos. Persiste o temor de um recuo da demanda, que induz o setor industrial a adotar uma estratégia defensiva, procurando concentrar-se na redução de custos e no aumento da produtividade, como observou Roriz Coelho. 

Com o alto custo do dinheiro, a melhor opção à disposição das empresas manufatureiras para investir em máquinas e equipamento é o uso de capital próprio. A pesquisa prevê que 74% dos investimentos fixos em 2016 devem provir de recursos próprios, mas a margem de disponibilidade desse capital se vem tornando mais estreita, devendo recuar de 4% para 2% do faturamento.

Além desses fatores, há incertezas ligadas ao quadro político-econômico. Por exemplo, uma nova política econômica já foi delineada, mas há incertezas quanto à sua implementação na prática, agravadas por não ter sido ainda resolvida em definitivo a questão do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. 

Pode haver melhora no segundo semestre, mas, pelo visto, os empresários voltam suas vistas para 2017.

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